O CONTO CONTEMPORÂNEO NO CAMPO EXPANDIDO DA SUPERAÇÃO DE CONCEITOS TRADICIONAIS

THE CONTEMPORARY SHORT STORY IN THE EXPANDED FIELD OF OVERCOMING TRADITIONAL CONCEPTS

REGISTRO DOI: 10.70773/revistatopicos/774072230

RESUMO
Neste artigo apresentamos uma articulação entre teorias conceituais de diferente áreas: Letras, Artes e Filosofia, para explicitar o conto literário contemporâneo como literatura em campo expandido, destacando nessa intrínseca relação um viés de superação do conceito tradicional de conto. Neste propósito é feita uma exposição do lugar em que o conto ocupa na discussão sobre o gênero literário, pontuando aspectos marcantes de seu percurso histórico, problemas e dilemas. Na continuidade, apresentamos a teoria do Campo Expandido, de autoria de Rosalind Epstein Krauss, como subsídio para se pensar e divisar o cerne do conto contemporâneo. Em paralelo, destacamos sinalizações de pontos pertinentes ao entendimento de superação apresentado pelo filósofo Martin Heidegger ao discorrer sobre o tema da superação da metafísica. Principais textos utilizados neste artigo: Frutos estranhos – sobre a inespecificidade na estética contemporânea, de Florência Garramunõ, com enfoque específico no capítulo 2 A Literatura fora de si, em que a autora trata da contribuição da obra Passages in Mordern Sculpture de Rosalind Krauss para apresentação do campo expandido; Teoria do conto, de Nádia Battella Gotlib e; Superação da metafísica de Martin Heidegger, O trabalho é de natureza qualitativa, através de revisão e análise bibliográfica.
Palavras-chave: Conto contemporâneo, Campo expandido, Literatura fora de si, Superação da metafísica.

ABSTRACT
This article presents an articulation between conceptual theories from different areas: Literature, Arts, and Philosophy, to explain the contemporary literary short story as literature in an expanded field, highlighting in this intrinsic relationship a bias towards overcoming the traditional concept of the short story. To this end, we present the place that the short story occupies in the discussion about the literary genre, pointing out striking aspects of its historical trajectory, problems, and dilemmas. Following this, we present the theory of the Expanded Field, authored by Rosalind Epstein Krauss, as a basis for thinking about and discerning the core of the contemporary short story. In parallel, we highlight indications of points pertinent to the understanding of overcoming presented by the philosopher Martin Heidegger when discussing the theme of overcoming metaphysics. Main texts used in this article: Strange Fruits – on the non-specificity in contemporary aesthetics, by Florência Garramunõ, with a specific focus on chapter 2, Literature outside itself, in which the author discusses the contribution of Rosalind Krauss's work Passages in Modern Sculpture to the presentation of the expanded field; Theory of the short story, by Nádia Battella Gotlib; and Overcoming metaphysics by Martin Heidegger. The work is qualitative in nature, through bibliographic review and analysis.
Keywords: Contemporary short story, Expanded field, Literature outside of itself, Overcoming metaphysics.

INTRODUÇÃO

Este artigo articula um triangulo de sentidos conceituais oriundos de três áreas distintas: filosofia, artes e literatura, para apresentar o conto literário contemporâneo como literatura em campo expandido ou literatura fora de si no viés da superação do conceito tradicional de conto. O propósito dessa articulação é o de expandir a compreensão das demandas impositivas da contemporaneidade em suas múltiplas referencialidades e possibilidades de saberes e vivências. Para este fim, nos apropriamos da concepção e modos de ser do conto literário, reconhecendo no conto contemporâneo, o jogo de sentido exposto nas temáticas do campo expandido que, em certo sentido, rompe o conceito tradicional de conto. Nesta perspectiva nos valemos das contribuições de Rosalind Krauss, sobre o campo expandido, e de Martin Heidegger, no que concerne a ambiência da superação de conceitos tradicionais.

Martin Heidegger (1889-1976) é um filósofo alemão da contemporaneidade, nascido na Alemanha na cidade de Messkirch, Estado de Baden-Württemberg. Sua projeção na filosofia teve início em 1923, após ter assumido a função de professor de Filosofia na Universidade de Marburgo e empreender interpretações dissonantes das que eram produzidas à época sobre os pré-socráticos, notadamente Heráclito e Parmênides. Em 1927 publicou a obra Ser e Tempo que o projetou como um dos maiores filósofos da contemporaneidade. Nessa obra, o filósofo empreende uma crítica ao modelo investigativo da filosofia tradicional ao tempo em que empreende uma espécie de desconstrução dessa mesma filosofia. Ainda nessa obra, nos dá a conhecer seu pensamento acerca da existência e seu método fenomenológico de investigação, ambos calcados na interpretação da vida fática do ser humano.

Pós meados dos anos 30 do século passado, Heidegger redimensionou sua abordagem acerca da filosofia e do modus operandi de se pensar e questionar a existência. A partir de então, passou a pautar e a requisitar a superação da metafísica nos escritos dos seus textos e conferências proferidas. É sabido que essa pretensão já havia sido levantada por outros filósofos, mas é com Heidegger que ela tem uma configuração especificada na medida em que, no sentido heideggeriano, superar não significa anular ou deixar para trás o que precisa ser superado. A superação proposta por Heidegger abarca um mergulho, apropriação e atravassamento do que precisa ser superado sem necessariamente excluí-lo. Essa temática é particularmente importante na discussão e apresentação que empreendemos, tendo em vista nosso propósito em mostrar o conto contemporâneo transitando no âmbito da superação do conto tradicional.

Há muitas vertentes para se apreender o sentido de metafísica e, para o viés que nos interessa, importa dizer que, no contexto heideggeriano, a metafísica expressa o modo do ser humano ocidental interpretar o mundo e conceber suas relações sociais (Silva, F.O. 2023, p. 65). Ao focarmos, por exemplo, nos sabereres, nas artes e na literatura não é difícil perceber que nos nos movimentamos largamente em meio e por meio de conceitos e definições subjacente em nosso entendimento de mundo. Essas construções mentais de domínio metafísico estruturam e moldam a civilização ocidental.

Convém atentar que o recurso da representação dão forma ao nosso entendimento e são exemplos de ocorrência de domínio metafísico, expressando o acontecimento da transcendência constitutivo do ser humano, na medida em que ultrapassa o ente em direção à sua representação mental por meio de conceitos. Essa particularidade é expressa na partícula meta do termo metafísica no sistema estruturante da civilização humana. O modo de pensamento de um povo determina a estruturação de sua sociedade, se mudam as concepções muda também o formato dessa sociedade, esse domínio de abstração é o da transcendência. A metafísica é esse lugar que questiona, delimita e apresenta a estrutura da existência para além do físico e do material, utilizando-se de um corpus que lhe é próprio. Dito isto, é compreensível que o entendimento de heideggeriano de superação de conceitos tradicionais não incorpore a pretensão de refutação ou anulação da metafísica, haja vista que isso significaria negar as escolhas existênciais promovidas pelo ser humano.

O filósofo compreende como superação a análise da estrutura formuladora de conceitos, buscando nos exemplos da vida cotidiana os acontecimentos estruturante da compreensão que abrem o espaço para formulação de entendimentos. Neste viés de entendimento, a superação de conceitos tradicionais se mostra possível por meio da própria reconstrução conceitual, isto é, por meio da metafísica. A superação é, portanto, superação da metafísica tradicional, pois a metafísica mesma não desaparece.

Esse modus operandi de a metafísica colocar-se a si mesma como a verdade, por meio dos conceitos tradicionais engessados, foi questionada por Heidegger. Na colocação da problemática, ele explicitou entraves produzidos pela metafísica que contribuíram para que ficassem encobertos o mundo da vida em sua autenticidade e possibilidades. Em outras palavras, esses entraves significaram, utilizando um termo em voga no momento atual, o apagamento da multiplicidade existencial.

Esse entendimento de superação não ficou apenas restrito à filosofia, ele atravessou fronteiras dos saberes, notadamente o das ciêncas e das artes, sinalizando que a superação de conceitos paradigmáticos é uma demanda da contemporaneidade. Neste artigo apresentamos um viés do movimento de superação do conceito tradicional de conto que se opera na literatura e dá lugar ao conto literário contemporâneo. Visamos nesta correlação ampliar horizontes de compreensão que fortalecem o rompimento dos grilhões do pensamento engessado que, conforme sinalizado, obstrui a experiência da multiplicidade e das possibilidades.

A superação de conceitos tradicionais obsoletos se soma à visão pluralista em ascensão na contemporaneidade em distintas áreas da atividade humana, motivada na necessidade de romper conceitos que tentam limitar o espaço existencial. Semelhante ocorrência se dá no campo específico dessa nossa abordagem, o fazer literário, tradicionalmente submetido a fórmulas que ditam normas e regras. A superação vai além de uma mudança de conceito, ela incide sob as estruturas de fundação dos conceitos reposicionando-as a partir de múltiplas referencialidades e possibilidades develadas no cenário da contemporaneidade. O foco da superação visa as estruturas que abrem os espaços da praxis e da formulação de conceitos.

A concepção do Campo Expandido de Rosalind Epstein Krauss foi apresentada no ensaio Passages in Modern Sculpure, em 1979. Nesse ensaio ela discorre sobre processos artísticos que rompem barreiras e paradigmas canônicos sobre a arte e o fazer artístico, sem, no entanto, comprometer sua identidade enquanto arte. A teoria proposta por Krauss visou a manutenção do conceito de escultura em obras artíticas apresentadas em contexto diverso do usual e, para isso, seria preciso “que a própria categoria se expandisse até se tornar infinitamente maleável” (Krauss apud Garramunõ, 2014, p.33).

A temática, inicialmente pensada no âmbito das artes plásticas, foi gradativamente adaptada e empregada na literatura para fundamentar desvios e transbordamentos recorrentes no fazer literário da contemporaneidade. Orienta-se no sentido de acolher conceitualmente a prática dissidente do fazer literário disruptiva da norma canônica. Esse olhar contemporâneo tem desencadeado posições divergentes entre especialistas e críticos literários com recepção positiva por parte de uns e recepção negativa por parte de outros. Efetivamente o que se apresenta é a tendência disruptiva cada vez mais crescente no campo literário da contemporaneidade, sobretudo a partir dos anos 60 do século passado, coloca em xeque a identidade das práticas literárias no escopo de seus respectivos gêneros, considerados, por vezes, um atentado contra os padrões estéticos do literário (Garramunõ, 2014). Temia-se, por exemplo, a corrupção da linguagem literária mediante a incorporação de discursos diversos em articulação com blogs, e-mails, fotografias etc. Essas ponderações intensificaram discussões e questionamentos sobre o fazer literário e suas mutações, desvelando um estado inacabado de construção e desconstrução da prática literária. É nesse estopim de acontecimentos que o tema do campo expandido passa a ser arregimentado para expressar práticas literárias da contemporaneidade fora do normativo tradicional da literatura. Nesse viés o campo expandido é ressignificado no campo literário para acolher a Literatura fora de si sem perder a legitimidade de sua identidade literária.

Rosalind Epstein Kraus é norte-americana dos Estados Unidos, nasceu em 1941, em Washigton. Teve sua formação em Harvard, no então Departamento de Belas Artes, com a conclusão do seu doutorado em 1969. É professora de História da Arte Moderna e Contemporânea, e membra da Academia de Artes e Ciência dos Estados Unidos. Ela é considerada uma das mais influentes críticas e teóricas da era pós-expressionista abstrata e crítica destacada das produções do Século XX. Suas contribuições teóricas e críticas têm atravessado fronteiras e vêm sendo aplicadas não apenas na arte, mas também na literatura e áreas correlatas. Sua teoria, ressignificada e nomeada no âmbito literário como Literatura fora de Si, caracteriza-se por romper o entendimento tradicional acerca das concepções e práticas literárias e contribuir para legitimar a fluidez dos gêneros literários.

A teoria desenvolvida inicialmente por Krauss soma esforços no sentido de repensar os invólucros estáticos ainda presentes no campo literário à medida em que se propõe a “[...] pensar uma literatura contemporânea que enfatiza o transbordamento de alguns dos limites mais conspícuos que haviam definido o literário com relativa comodidade, pelo menos até os anos de 1960” (Garramunõ, 2014, p, 33).

O campo expandido da literatura fora de si expressa a dimensão do texto literário que não se subsume aos preceitos normativos característicos do texto literário tradicional. Ele rompe, por exemplo, com as fórmulas canônicas de texto com abertura e fechamento; com encadeamentos lógicos de textos com início, meio e fim; com narrativas em que narrador e personagem são ocorrências distintas e determinadas. A Literatura fora de si contribui para a abertura de espaço em que se pensa nas produções artísticas e literárias fora dos padrões enrijecidos. É nesse sentido que a expansão abordada na teoria amplia as possibilidades dos gêneros literários, ao mesmo tempo em que mantem a legitimidade da sua identidade.

Três textos estão na base da análise e elaboração deste artigo: Frutos estranhos – sobre a inespecificidade na estética contemporânea, de Florência Garramunõ, com foco específico no capítulo 2 “Literatura fora de si”, baseado na contribuição da obra Passages in Modern Sculputure, de Rosalind Krauss; Teoria do conto, de Nádia Battella Gotlib e; a superação da metafísica de Martin Heidegger, além de textos complementares.

Os procedimentos técnicos adotados na elaboração deste artigo é de natureza bibliográfica, haja vista seu desenvolvimento por meio da análise de textos com abordagem qualitativa, na medida em que os dados envolvidos não são mensuráveis, pois lidamos com interpretações de significados que não podem ser calculados.

Nomeamos dois itens específicos neste artigo, O conto: especificidades, problemas e dilemas, em que apresentamos elementos importantes da concepção do conto em geral, tais como as principais ressignificações históricas, problemas inerentes à sua caracterização e o questionável lugar que ele ocupa na contemporaneidade como gênero literário. Nosso propósito em explicitar a problemática em relação ao conto é mostrar na fundamentação de uma Literatura fora de si respostas às muitas questões que são colocadas em relação ao conto contemporâneo, a exemplo de questionamentos acerca de sua identidade e particularidades da narração que sejam capazes de singularizá-lo em relação aos demais gêneros literários.

O item seguinte, O campo expandido como salvaguarda do conto literário contemporâneo na ambiência da superação de conceitos tradicionais, apresenta as ideias principais da Literatura fora de si e possibilidades de incursões nas produções literárias. A partir dessa abordagem tematizamos sobre a importância dessa teoria para a salvaguarda designativa dos diversos gêneros literários em sua plasticidade, sobretudo na atualidade. Com a concepção do Campo expandido ou Literatura fora de si confrontamos categorias fossilizadas presentes nos gêneros literários que imobilizam e obstaculizam o desenvolvimento da plasticidade em florescimento na literatura da atualidade sem que se perca a sua identidade de Conto literário como um gênero literário. Esse é o viés de superação em que não se deixa para trás o sentido de conto que lhe é peculiar. Ao invés de refutação, legitima-se o lugar do conto contemporâneo.

O CONTO: ESPECIFICIDADES, PROBLEMAS E DILEMAS

As primeiras questões que convém esclarecer, embora não seja nossa pretensão esgotá-las, são: o que é o conto? Quais os seus limites e suas especificidades? Etimologicamente a palavra “conto” não nos apresenta uma via segura para a compreensão atual que temos desse gênero literário. O dicionário de Houais (2001, p. 819) apresenta alguns entendimentos inaugurais desse termo, mas nos limitaremos a reproduzir o primeiro: “contagem, conta, cômputo; quantidade”, tendo em vista que os demais remetem especificamente para as teorias iniciais da matemática. Outros dicionários seguem a mesma indicação dada por Houais, quase sempre na referência ao conto enquanto cômputo, cuja palavra de origem latina direciona igualmente para diversos entendimentos na seara matemática. No entanto, entre os entendimentos apresentados, dois deles nos prendem a atenção: “ato pelo qual se apura alguma coisa” e; “espaço de tempo” (Houais, 2001, p. 780). Essas definições nos remetem, respectivamente, à ideia de desenvolvimento de algo com vistas a um resultado em um percurso mensurável de tempo. Sabemos que o conto tradicional tem como base estrutural esses dois campos de idealidades, a saber: o desdobramento de um acontecimento em um espaço de tempo simbolizado por um início, meio e fim. De fato o conto tradicional tem como base uma contação, isto é, um contar de sucessivos acontecimentos, muitas vezes breves, com vistas a um desfecho que pode ser fechado, aberto ou mesmo fragmentado.

Contar histórias é o primeiro significado atribuído ao conto. Essa arte, inicialmente oral, remonta a tempos antiquíssimo e vem, ao longo dos séculos, passando por diversas transformações. Gotlib (1998, p. 6) menciona essas transformações como evoluções do modo de contar histórias. Ao tratar sucintamente dessa evolução, ela faz referência aos contos egípicios, surgidos em torno de 4.000 anos antes de Cristo, considerados um dos mais antigos, e destaca a história de Caim e Abel da Bíblia como um dos primeiros textos que caracterizaram a passagem da oralidade do conto para a escrita. Conforme a autora, o século XIV é pontuado como aquele em que o conto em registro escrito ganha contornos estéticos, a exemplo dos contos eróticos de Boccácio, no Decameron (1350). O século XIX é apontado como o período de surgimento do conto moderno e cita Grimm como iniciador do estudo comparado, e Edgar Allan Poe se consagrando como contista e teórico do conto.

Um consenso em meio as questões postas com o delineamento do conto moderno produzido a partir da Segunda Guerra Mundial se refere ao entendimento do conto como uma narrativa que teria como princípio básico a contação de histórias. Contudo, a questão divergente colocada questiona se seria legítimo conceber uma teoria do conto capaz de caracterizá-lo como um gênero específico. Consideram que o conto seria apenas um modo de narrar ou apresentar a realidade, haja vista que a narrativa é um elemento encontrado em diversos gêneros literários. Nesse entendimento questionam: existiria alguma característica específica da narrativa do conto que se diferencie da narrativa dos demais gêneros literários capaz de consolidá-lo como gênero literário? De fato, determinar o conto como um gênero literário pressupõe que sejamos capazes de apreendê-lo em essência, de modo que ele seja apreensível não apenas como uma ocorrência em meio aos demais gêneros, mas se apresente em sua identidade com característica próprias que o singularize.

A preocupação em responder à questão posta levou alguns especialistas a procurar por formas e definições para o conto (Gotlib, 1998, p. 08). Nas argumentações que se seguiram, a autora referida nos informa sobre as colocações de Mário de Andrade em que ele afirma não se ter encontrado forma alguma para o conto que pudesse encarcerá-lo em normas e regras prescritas. Nas palavras do poeta, o conto seria “indefinível, insondável e irredutível a receitas” (Andrade apud Gotlib). Ou seja, podemos compreender como uma característica do conto o fato dele ser irredutível a uma conceituação baseada em normas rígidas. Ou seja, enquanto nos demais gêneros, as normas e fórmulas são capturáveis e ditam o formato das narrativas; nos contos, sobretudo os contemporâneos, a narrativa transgride formas normativas de narrativas.

Movidos por essa provocação teórica que questiona o lugar do conto como um gênero literário, tendemos a somar esforços com aqueles que reconhecem o conto como um gênero literário fluido. Conforme sinalizado, de um lado há os que simplesmente o coloca como um elemento comum presente nos gêneros existentes, a exemplo do romance, novela, poema etc. Do outro lado, há os que consideram que a narrativa do conto apresenta peculiaridades que distingue a narrativa encontrada, daquelas ocorridas nos demais gêneros. Enquanto nos gêneros consagrados é possível determinar um certo formato de narrativa, no conto essa tentativa é desafiadora. Ao contrário daqueles que apontam a dificuldade de um rastreamento normativo para a narrativa do conto, entendemos que esse fenômeno nos chega como ponto singularizador que dão mostra do caminho que define o conto como um gênero literário. A ausência de padrões canônicos presentes nos contos, entendemos, é um sinalizador do gênero.

Obviamente parece estranho um fazer literário com ausência de padrões canônicos que delineia limites e modo de ser, mas caso não houvesse essa estranheza se estaria na permanência dos ditames tradicionais do conto. Na roupagem que o conto contemporâneo se veste, ele ultrapassa o espectro tradicional e se afirma como superação e, por isso se apresenta no viés da literatura fora de si. Ou seja, o conto se retira do espaço determinado da literatura tradicional em que esteve enclausurado e se afirma como conto contemporâneo.

Heidegger (2002, p. 68) nos ajuda a compreender esse fenômeno ao afirmar que “A superação da metafísica é pensada na dimensão da história do ser”. Ao vislumbramos a história do conto até aqui, o salto ou a superação se dá justamente no confronto com a sua história e na diferença que passa a se operar. A determinação do conto nos moldes tradicionais o projetou em sua história enaltecendo e focando normas e regras que foram paulatinamente configurando-o nos domínios da literatura em detrimento do conto mesmo enquanto contação de história deliberada. O conto contemporâneo como literatura fora de si, volta-se para si mesmo retomando o esquecido de si em meio ao protagonismo de normas e regras. O rompimento que se apresenta no conto contemporâneo retira o protagonismo das regras e normas e em seu lugar se impõe o que desde sempre dá sustentação ao conto enquanto conto. Esse é o ponto chave e digno de ser esclarecido ao nos propormos a apresentar o conto contemporâneo como literatura fora de si. “ A superação permanece digna de ser pensada somente enquanto se pensa a sustentação. (ibidem, p. 68).

O ponto de sustentação do conto nos leva a considerar o conceito de narrativa para bem apreendê-lo em ocorrência no conto tradicional e no conto contemporâneo. “Toda narrativa consiste em um discurso integrado numa ação e sucessão de acontecimento de interesse humano na unidade de uma mesma ação (Casares apud Gotlib, 1996, p. 11)” . O que dizer do modo de ser da narrativa no conto? Gotlib (1996, p.12) apresenta essas características ao afirmar que o narrar, e mais especificamente o contar do conto, não tem comprometimento algum com fatos reais. Ficção e realidade podem se misturar sem limite de modo que a sua narrativa não serve e nem se coloca como um documento.

Um dado importante sobre o conto ressaltado pela autora é que nem todo contador de história é um contista, isto porque primeiramente o narrador de conto se assume como contador, criador e escritor de conto buscando um resultado de ordem estética que se explicita como identidade do conto. É importante lembrar que o conto apresenta uma narrativa concentrada com estilo, situação e proposições temáticas curtas em relação aos demais gêneros. Essas especificidades do conto foram se determinando no decorrer de sua história tendo passado por várias designações até se confirmar como conto no sentido de uma história curta, razão pela qual sua referência como short story na língua inglesa e Kurzgeschichte na língua alemã.

O conto tem ainda a especificidade de apresentar suas personagens, seus lugares e o tempo da ação sem que sejam determinados previamente nem a posteriori. Não há precisão histórica no conto (Jolles apud Gotlib, 1996). A busca por uma morfologia do conto se constituiu como tarefa para vários téoricos da literatura, entre os quais, Propp que, assim como Jolles, considera o maravilhoso como elemento imprescindível ao conto. Em referência aos contos mais antigos, ele afirma: “Podemos chamar conto maravilhoso, do ponto de vista morfológico, a qualquer desenrolar de ação que parte de uma malfeitoria ou de uma falta (...), e que passa por funções intermediárias para ir acabar em casamento (...) ou em outras funções utilizadas como desfecho.” (ibidem, p. 22)

Desde que o conto se apresentou como objeto de estudo tem-se buscado determinar sua esfera e seus limites e, de certa forma, algo de exitoso se pôde aferir, conforme sinalização acima. No entanto, no que concerne ao conto contemporâneo não se pode dizer o mesmo sobre uma possível morfologia. Gotlib (ibidem, p. 28) nos informa que Chklovski, igualmente imbuído da tarefa de tratar da morfologia do conto, mas se atendo ao conto contemporâneo, encontrou uma variedade de ocorrências e com isso não conseguiu divisar um espectro que garantisse um formato tal qual Propp havia determinado nos contos antigos. Segundo Chklovski, diz a autora, os contos modernos se afastam dos padrões das ações constantes, antes recorrentes, passando a se desdobrar em ações miudas da realidade cotidiana. A despeito das variações e peculiaridades do conto no tempo e no espaço, importa atentar para o consensual nos teóricos: o entendimento do conto como movimento narrativo através dos tempos.

É certo que fazemos um recorte da concepção de superação da metafísica para pontuar a ambiência do estranhamento que se dá ao se tentar determinar o conto contemporâneo por meio de uma morfologia deparando-se com o indeterminável. O que se empreende com o conto contemporâneo é uma desapropriação do fazer literário que por século se construiu em torno do conto para ensiná-lo como ciência. Convém expor uma passagem do texto de Heidegger sobre a advento dessa desapropriação:

Tal pensamento faz a experiência do acontecimento singular da des-apropriação dos entes, em que se iluminam a indigência da verdade do ser e a originariedade da verdade e também transluz com despredimento o vigor essencial do humano (Ibidem, p. 68).

Conforme já aludido, nos valemos na discussão sobre a superação da metafísica empreendida por Heidegger para tematizar o conto contemporâneo como literatura fora de si, cujo campo expandido aponta na direção da superação do conto em seu formato tradicional. O conceito tradicional de conto é a metafísica superada com o advento do conto contemporâneo. Nessa compreensão, o conceito tradicional de conto é ultrapassado na impossibilidade de se apresentar uma morfologia que dê conta de determinar o conto contemporâneo. Essa superação expressa o acontecimento singular de desapropriação do conto tradicional na medida em que eclode a repaginação do conto por meio do conto contemporâneo. Nessa repaginação se apresenta a indigência do conto contemporânea que não se subsume a esta ou aquela configuração morfológica. Suspenso sobre si mesmo, ele apresenta seu caráter indigente e anuncia a sua verdade.

O CAMPO EXPANDIDO COMO SALVAGUARDA DO CONTO LITERÁRIO CONTEMPORÂNEO NA AMBIÊNCIA DA SUPERAÇÃO DE CONCEITOS TRADICIONAIS

O campo expandido de Rosalind Krauss dá nome à flexibilidade que estamos a abordar como espaço de movimentação de superação do conto e abre espaço para o conto contemporâneo. Convém destacar que nossa abordagem tem em vista a movimentação que se realiza na produção literária do pós Segunda Guerra. Neste sentido, utilizamos o termo Conto Contemporâneo para enfatizar que estamos a nos ater a esse período mais recente de produção literária do conto, cuja silhueta sinaliza contornos característicos do tempo presente em constante atualização.

A teoria de Rosalind Krauss, inicialmente pensada pela autora no propósito de discorrer sobre obras artísticas elaboradas fora do contexto espacial e teórico das esculturas, expandiu-se literalmente sobre diversas áreas, a exemplo da literatura. Conforme já pontuado, uma das pretensões de Krauss foi argumentar e defender a identidade da produção artística, para além dos padrões hegemônicos que lhes determinam e categorizam. Para o conto, utilizamo-nos da mesma linha de argumentação, tendo em vista sua peculiaridade narrativa. Assim como uma escultura, no dizer de Krauss, não deixa de ser escultura por romper regras canônicas da teoria da arte; o conto não perde sua identidade nem deixa de se estabelecer como gênero literário em razão de ultrapassar regras canônicas da teoria literária, razão pela qual a superação empreendida é do corpus tradicional mantendo o vigor do que caracteriza o conto enquanto conto.

Tomemos o esclarecimento de Heidegger (2002, p. 62) ao tratar da superação da metafísica para esclarecer a permanência do conto enquanto conto na superação: “Depois da superação, a metafísica não desaparece. Retorna transformada e permanece no poder como a diferença ainda vigente entre ser e ente”. Em recapitulação ao que já pontuamos, compreendamos o conto como expressão da metafísica em que o ser significa o conto naquilo que o apresenta originalmente como conto, e tomemos a referência ao ente como a coisificação do conto exposto e interpretado a partir de normas e regras determinantes. Dito isto, compreendamos que a passagem heidiggeriana esclarece que com a superação o conto não se torna outra coisa nem desaparece, ao invés, na superação ele retorna transformado e mantém o seu vigor de conto ressaltando sua autenticidade a partir do que é incorruptível à natureza do conto.

O tema da superação abre passagem para o reposicionamento de discussões que colocam sob suspeita a identidade do conto contemporâneo como um gênero literário. No âmbito da superação a dificuldade em se traçar uma morfologia que determine a identidade do conto é colocada em outra perspectiva. Não seria essa indeterminação um elemento caracterizador do conto ao invés de ser um elemento refutador? A Literatura fora de si expressa o transbordamento que não se rende aos ditâmes de uma categorização fossilizada. A defesa do Conto Contemporâneo como gênero do Campo Expandido se justifica pela dimensão de sua narrativa que desconhece limites ao romper o formato das narrativas presentes em outros gêneros e se caracterizar pelo transbordamento que muitas vezes nos coloca em suspensão. No víes perseguido, temos a seguinte afirmação de Florência Garramuño, estendendo a teoria de Krauss para a dimensão da literatura: “Nesse campo expansivo também está a ideia de uma literatura que se figura como parte do mundo e imiscuida nele, e não como esfera independente e autônoma.” (Garramuño, 2014, p. 360).

Garramuño aborda a teoria da Literatura Fora de Si sem indicar um gênero específico, embora dê exemplo tomando este ou aquele para exemplificação. De nossa parte, centramos nossa atenção no Conto Contemporâneo, por vislumbrarmos nele a excelência desenvolvida na abordagem kraussiana, sobretudo quando nos deparamos com o Conto Contemporâneo do pós guerra. O conto expressa esse transbordamento em um misto de estranhamento narrativo e provocativo. O nome que designa a teoria de Krauss expressa com fidelidade seu conteúdo. Um campo que se expande é aquele que atravessa seus limites rompendo barreiras impeditivas de escoamento e desbravamento; uma Literatura fora de si é aquela que se retira do campo circunscrito de uma suposta idealidade e passa a experimentar o processo criativo em plenitude. Isto significa dizer, sem amarras e sem limites, desafiando as letras a contarem a história do mundo que não reconhece censura nem embargos para, então, acompanhar o movimento do tempo.

O Conto Contemporâneo veste uma roupagem translúcida sem compromisso em se determinar como ficção ou a realidade. O tempo se faz presente como jogo e não apenas como medida cronológica. Como um jogo, o tempo vigora em relatos de presença e ausência muitas vezes sem referência ao tempo cronológico. O tempo compreendido como um jogo na narrativa, atualiza sentimentos, tendências e dilemas; ausente do determinismo cronológico, anula suposições, esquiva-se da cronologia, promove o inesperado e frustando expectativas. Dito isso, ressaltamos a contemporaneidade do Conto Contemporâneo, não apenas por ser uma escrita da atualidade do nosso tempo, mas, sobretudo, por transitar na ambiência do Campo Expandido ou da Literatura fora de si, tendo em vista a ultrapassagem que realiza em relação à estrutura calcificada das narrativas, o Conto Contemporâneo é aquele que empreendeu sobre si a alforria.

O Conto Contemporâneo desconhece limites, explora possibilidades de enredo, cruzamentos, conexões, distanciamentos e neutralidades. Enquanto na literatura tradicional há uma instrumentalização da escrita a permitir tabulação, enquadramento e determinação de uma normatização para a narrativa, no Conto Contemporâneo a escrita não se coloca como instrumento a serviço da linguagem. Ao invés, expõe a realidade inerente da linguagem: um processo mutável, contínuo ad infinitum que desconhece acabamento e se realiza em conexão com o espírito de cada tempo. O Conto Contemporâneo nos remete ao horizonte da indigência do humano. Ele narra a história das vivências humanas que nos atravessa ininterruptamente, seja no campo da idealidade, da realidade ou da ficção, dando-nos a possibilidade e o direito de situá-lo conforme nossa cinscunscrição de entendimento, sem que, com isso, se desconfigure sua identidade de conto. É nessa via de entendimento que se projeta a legitimidade da Literatura fora de si.

A partir do exposto, podemos dizer que aquilo que muitas vezes fora utilizado como contra ponto à inserção do conto como gênero literário, resurge como uma espécie de contra movimento e provoca um revés em favor do delineamento do Conto Contemporâneo. Ou seja, a inespecificidade do conto, em lugar de ser evocado para o propósito de refutação de sua legitimidade, ao contrário, passa a ser requerido no sentido de apontar para o lugar de onde se move e se gesta o Conto Contemporâneo. Fleischer, em seu artigo O conto na literatura alemã do século XX, publicado na Revista Língua e Literatura, analisa alguns contos para ressaltar a peculiaridade da sua inespecificidade. O autor do artigo chama atenção para a importância que as narrativas de história de personagens marginalizados da sociedade adquirem nos Contos Contemporâneos.

[...] é surpreendente a quantidade de contos centrados no dia-a-dia de figuras marginalizadas, i . e . , de protagonistas que vivem à margem da vida. Prisioneiros, fugitivos, crianças, jovens e velhos indefesos, existências frustradas, inválidos (de corpo ou de alma) povoam esses contos (Fleischer, 1978, p. 230).

No referido artigo o autor expõe facetas dos contos alemãs do pós guerra, a indicar que se são narrativas de múltiplas características que dificultam o enclausuramento do Conto Contemporâneo em uma estrutura engessada. Narrativas que apresentam ambiguidade, recortes de vidas medianas, biografias, relatos de momentos históricos; histórias realistas, irracionais, surrealistas, fantásticas, ingênuas, complexas e de peso psicológico. Tem-se contos com personagens limitados a dois e de outras vezes com personagens múltiplos com divisão entre principais e secundários. Ações lineares e, de outras vezes, ações complexas e emaranhadas. Dito isto, há que se entender que a inespecificadidade, nesse sentido, mostra-se como uma especificidade do Conto Contemporâneo.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Findamos esta exposição considerando ter apresentado, ainda que sucintamente, o conto contemporâneo em sua complexidade. Para tanto, somamos esforços no sentido de colocar em discussão um gênero da literatura, o conto contemporâneo, com auxílio de teorias de dois campos distintos, o da arte e da filosofia. Da arte nos valemos da teoria do campo expandido proposto por Rosalind Krauss; da filosofia nos servimos da concepção da superação da metafísica do filósofo alemão Martin Heidegger. Ambas as concepções foram remetidas à incidência do conto contemporâneo.

Inicialmente apresentamos a concepção geral de conto, com problemas e dilemas levantados por teóricos da literatura que questionam sua legitimidade como gênero literário, posto que, a narrativa, elemento característico do conto, está presente em diversos gêneros literários, devendo-se, portanto, no viés da crítica apresentada, caracterizá-lo como elemento comum aos gêneros e não propriamente como um gênero literário. Mostramos argumentações que buscam inviabilizar a denominação do conto como gênero literário sob a justificativa de suposta ausência de categorias que sejam capazes de o singularizá-lo em relações às narrativas presentes nos gêneros literários. Vimos que a crítica se acentua ao conto contemporâneo pela dificuldade em se estabelecer uma estrutura normativa que expresse as condições para sua ocorrência. Ao invés de uma estrutura normativa, vê-se, nos contos elaborados a partir do século XIX, uma narrativa que se mostra indefinível, insondável e, portanto, irredutível a uma possível estruturação normativa.

Apresentadas as considerações que visaram descaracterizar e negar identidade ao conto contemporâneo, reunimos e construímos argumentos que redirecionam as justificativas apresentadas como elementos refutadores do conto contemporâneo para fazer ver a excentricidade do conto contemporâneo afirmando sua identidade. Pontuamos no conto contemporâneo uma narrativa que lhe é própria, que não se subsume aos ditames normativos, prescritivos das narrativas em geral e, portanto, se afirma como um gênero literário. Mostramos a fluidez da sua narrativa como ocorrência que determina a identidade do conto contemporâneo

Nesse processo de explicitação do conto contemporâneo, apresentamos a Teoria do Campo Expandido, concepção desenvolvida, por Rosalind Epstein Krauss, em que ela discorre sobre processos artísticos que rompem barreiras e paradigmas canônicos sobre a arte e o fazer artístico, sem, no entanto, comprometer sua identidade enquanto arte. Encontramos nessa teoria argumentos que contrapõem ao entendimento tradicional em relação ao fazer literário e defendemos a identidade do conto contemporâneo em consonância com a Teoria do Campo Expandido. Pavimentamos o entendimento do conto contemporâneo como literatura em campo expandido produzido na ambiência da superação cujo viés nos foi esclarecida por meio da temática de superação da metafísica concebida por Heidegger.

Encontramos na Teoria do Campo Expandido a vigência da superação da metafísica tradicional circunscrito ao conto. Buscamos produzir o espaço aberto para se pensar a produção literária do conto contemporâneo em ocorrência fora dos padrões enrijecidos das normas sem, no entanto, comprometer a identidade que lhe é própria. Entre os pontos apresentados, ressaltamos no conto contemporâneo uma roupagem translúcida sem compromisso em se determinar como ficção ou realidade em que o tempo se faz presente como jogo e não apenas como medida cronológica. Como um jogo, acenamos para o tempo vigorando em relatos de presença e ausência muitas vezes sem referência ao tempo cronológico. Pontuamos o tempo compreendido como um jogo na narrativa que atualiza sentimentos, tendências e dilemas. Nesse jogo, o tempo pode se apresentar ausente do determinismo cronológico e concorrer para anular suposições, promover o inesperado e frustar expectativas.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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HEIDEGGER, Martin. Ser e Tempo.

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HOUAIS, Antônio/VILLAR, Mauro de Salles. Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa. Rio de Janeiro: Editora Objetiva Ltda, 2001.

KRAUSS, Rosalind E. Passages in Modern Sculpture. Cambridge: Editora Mit Press, 1981.

SILVA, F.O. Decadência e superação da metafísica a partir de Heidegger. Salvador: EDUNEB, 2023.


1 Doutor em Filosofia. Professor titular da Universidade do Estado da Bahia

2 Doutora em Educação. Professora plena da Universidade do Estado da Bahia

3 Doutor em Teologia. Professor. Professor da Universidade do Estado da Bahia