REGISTRO DOI: 10.70773/revistatopicos/775933823
RESUMO
O Brasil é um país que apresenta altos índices de preconceito e violência contra pessoas LGBTQIAPN+, já que corresponde a uma sociedade marcada pelo conservadorismo identitário que regulamenta as maneiras de viver o gênero e a sexualidade e, consequentemente, tende também a apagar ou silenciar quem está fora dessa norma. A partir disso, o presente estudo tem como objetivo: investigar o tratamento dado às questões de gênero e sexualidade no manual didático da 3ª série do Ensino Médio, Multiversos: linguagens: no mundo dos afetos, de Campos et al. (2020), à luz da Linguística Queer. Esta investigação cientifica é feita por meio de uma perspectiva indisciplinar, a qual tem como fundamentação teórica, dentre outros autores, Borba (2015), Louro (2001); Butler (2003) e Santos Filho (2020). Trata-se, desde um ponto de vista metodológico, de uma pesquisa bibliográfica e documental, cujos procedimentos técnicos de análise constituem-se em uma leitura enunciativo-discursiva na perspectiva queer de atividades didáticas e orientações ao professor. Os resultados do estudo revelaram que as identidades subversivas são silenciadas e apagadas no referido manual didático de Língua Portuguesa.
Palavras-chave: Linguística Queer. Diversidade. Ensino de Língua Portuguesa. Livro didático.
ABSTRACT
Brazil is a country with high rates of prejudice and violence against LGBTQIAPN+ people, as it corresponds to a society marked by identity conservatism that regulates ways of experiencing gender and sexuality and, consequently, tends to erase or silence those who are outside this norm. Based on this, the present study aims to investigate the treatment given to gender and sexuality issues in the 3rd year high school textbook, Multiversos: linguagens: no mundo dos afetos, by Campos et al. (2020), in light of Queer Linguistics. This scientific investigation is conducted through an interdisciplinary perspective, which is theoretically grounded in, among other authors, Borba (2015), Louro (2001); Butler (2003) and Santos Filho (2020). From a methodological point of view, this is a bibliographic and documentary research, whose technical analysis procedures consist of an enunciative-discursive reading from a queer perspective of didactic activities and teacher guidelines. The results of the study revealed that subversive identities are silenced and erased in the aforementioned Portuguese Language textbook.
Keywords: Queer Linguistics. Diversity. Portuguese Language Teaching. Textbook.
1. INTRODUÇÃO
"A educação é a arma mais poderosa que você pode usar para mudar o mundo.” (Nelson Mandela, 1994).
A frase de Nelson Mandela traduz o espírito deste trabalho, tendo em vista o reconhecimento do papel transformador da educação, como principal caminho pelo qual é possível (re)educar o olhar do outro sobre diferentes assuntos e pautas sociais que estão presentes em nosso meio. É um percurso que garante descobertas e mudanças que nos atravessam constantemente, e que, na maioria das vezes, não irá agradar a todos, mas certamente abrirá portas para novos conhecimentos, pensamentos, indagações, questionamentos e, assim, construir uma sociedade mais humana, justa, inclusiva, capaz de moldar uma realidade que abrace a todos, independentemente de suas diferenças.
Em diálogo com essa visão de mudança, por intermédio da educação, a presente pesquisa abraça um assunto necessário, importante e polêmico, que nos afeta e nos atravessa de modo singular: “Gênero e sexualidade no ensino de Língua Portuguesa por meio do livro didático”.
Nesse sentido, este trabalho se insere em um contexto em que performances identitárias subversivas, infelizmente, são alvos de violência verbal e física em ambientes escolares. Segundo a Revista Cenarium5 (2025), 9 em cada 10 estudantes LGBTQIAPN+ sofrem uma realidade triste em nosso meio social. A investigação apontou que a escola ainda se configura como um espaço de pouca ou nenhuma segurança para diversos grupos de estudantes. Entre os mais afetados estão pessoas trans (67%), meninos que não correspondem aos padrões tradicionais de masculinidade (59%), estudantes gays, lésbicas, bissexuais ou assexuais (49%), meninas que não seguem os modelos convencionais de feminilidade (40%). Essa é uma realidade preocupante, que merece atenção e um olhar mais humanizado sobre corpos vulneráveis e subalternizados, configurando-se, pois, como um problema do mundo real palpável, invisibilizado na investigação científica.
Em virtude desse problema do mundo real com o qual nos deparamos, com frequência, em nossa sociedade, apresentamos a hipótese que foi levantada no delineamento desta investigação: a) a abordagem dada às questões de gênero e sexualidade ainda hoje, infelizmente, privilegiam em sua maioria performances corporais e identitárias pautadas no sistema heteronormativo, suprimindo outras possibilidades e maneiras de viver o gênero e sexualidade. Essa é a abordagem que supomos, inicialmente, estar presente no manual didático em apreço.
A temática desta pesquisa tem chamado a atenção de estudiosos de diversas áreas do conhecimento. Isto posto, destacamos algumas pesquisas já publicadas nos últimos anos, cujos autores retratam o assunto aqui delimitado: Garcia e Barros (2023), Teixeira (2021), Alixandrino (2021), Marcuschi e Ledo (2015), ao buscarem compreender o tratamento das questões de gênero e sexualidade nos livros didáticos de Língua Portuguesa.
No que tange à viabilidade do estudo na área proposta, também identificamos pesquisas recentes que discutem gênero e sexualidade a partir das concepções de professores, como nos trabalhos de Nascimento (2022), Guimarães et al. (2023), Silva e Dallapicula (2020), Neves e Silva (2017) e Soares e Monteiro (2019). Essas produções demonstram avanços científicos e contribuem para a sensibilização sobre um tema tão necessário e urgente na educação. Contudo, apesar da existência dessas contribuições, ainda é possível identificar lacunas no campo, especialmente no que diz respeito à abordagem da temática de gênero e sexualidade em livros didáticos, sobretudo quando o assunto engloba pessoas que fogem do padrão social da heteronormatividade.
Assim, temos como objetivo: investigar o tratamento dado às questões de gênero e sexualidade no manual didático do 3º ano do Ensino Médio, Multiversos: linguagens: no mundo dos afetos, de Campos et al. (2020), à luz da Linguística Queer.
Em função dos limites de extensão deste artigo, optamos por realizar um recorte do material analítico produzido na pesquisa mais ampla. Assim, dentre o conjunto de atividades e orientações pedagógicas elaboradas, selecionamos apenas uma atividade e sua respectiva orientação ao professor, por serem representativas dos objetivos e das discussões propostas neste estudo.
2. A LINGUÍSTICA QUEER COMO CAMPO DE ATUAÇÃO
Nas últimas décadas, observamos a intensificação de disputas discursivas em torno das questões de gênero e sexualidade. Esse cenário tem produzido, por um lado, reações de rejeição e exclusão dirigidas a identidades que desafiam a lógica heteronormativa; por outro, evidencia a emergência de debates e produções acadêmicas que vêm ampliando a visibilidade da diversidade sexual e de gênero em diferentes espaços sociais. Ainda que a heterossexualidade permaneça como norma estruturante das relações sociais, há um movimento crescente em direção ao reconhecimento, à equidade e ao respeito às múltiplas formas de existência.
Nesse contexto, destacamos a Linguística Queer como um campo de investigação que problematiza as identidades e tenciona a cultura dominante. Essa área dedica-se a compreender as relações entre linguagem, sujeito, produção de sentidos e performances identitárias situadas, propondo a desconstrução de discursos hegemônicos e questionando os pressupostos do modelo cis-heteronormativo a partir de uma perspectiva epistemológica queer.
Assim, no âmbito desta pesquisa, a Linguística Queer contribui para a construção de um letramento queer, favorecendo a reflexão crítica sobre identidades dissidentes e possibilitando a produção de novos sentidos para as categorias de gênero e sexualidade.
Nessa direção, Borba (2015, p. 91) sustenta que:
A linguística queer segue uma perspectiva não essencialista das identidades sexuais e argumenta que, em vez de uma realidade pré-discursiva, essas identidades emergem de contextos socioculturais de regulação e só podem ser entendidas como produtos/efeitos de performances corporais e linguísticas que repetem, reiteram ou subvertem discursos dominantes que trancafiam as posições de sujeito em binarismos, como homem/mulher, hétero/homo.
A partir dessa perspectiva, entende-se que a Linguística Queer investiga identidades que escapam às normas socialmente esperadas, concebendo-as como construções discursivas historicamente situadas. Trata-se de um campo alinhado a uma abordagem não essencialista, que questiona visões fixas e conservadoras de identidade, ao reconhecer a existência de corpos e sujeitos que resistem a enquadramentos normativos. Embora relativamente recente no Brasil, essa área tem se mostrado produtiva ao ampliar os estudos linguísticos, incorporando novas formas de expressão discursiva, valorizando narrativas de experiências reais e propondo práticas pedagógicas voltadas ao ensino de língua portuguesa que incluam gênero e sexualidade.
De acordo com Teixeira (2021), a consolidação da Linguística Queer como campo científico ocorre a partir da década de 1990, ganhando destaque com a publicação da obra Queerly Phrased: Language, Gender and Sexuality (1997), organizada por Anna Livia e Kira Hall.
Ainda conforme Butler (2003), os discursos normativos operam na produção e regulação das identidades, ao mesmo tempo em que promovem o apagamento de sujeitos que não se adequam às expectativas hegemônicas. Nesse sentido, a autora evidencia como determinadas formas de existência são silenciadas ou excluídas por não se conformarem aos padrões estabelecidos.
No que se refere ao conceito de “queer”, Louro (2001) o interpreta como aquilo que desestabiliza e perturba a ordem heteronormativa. Para a autora, o termo está associado a uma postura de resistência à normalização, recusando processos de assimilação e enfatizando a diferença como elemento político. Sob essa égide, o queer representa sujeitos e coletividades que não se submetem a discursos regulatórios, afirmando modos de existência que reivindicam visibilidade e reconhecimento.
Além disso, Louro (2001) também analisa os mecanismos de invisibilização de identidades dissidentes, demonstrando como normas de gênero e sexualidade atuam na exclusão de experiências que fogem ao padrão dominante. A autora, apoiada nos estudos queer, questiona as categorias que definem o que é considerado “normal” ou “natural” em relação ao corpo, ao desejo e à identidade.
Lau e Borba (2019, p. 12) destacam que uma perspectiva queer implica desestabilizar sentidos naturalizados e questionar práticas excludentes, inclusive no âmbito da pesquisa, sendo possível compreender o termo como um movimento de “desorientação” das normas estabelecidas.
Dessa forma, pensar a Linguística Queer significa reconhecer a legitimidade de múltiplas formas de vida e promover a valorização de diferentes performances identitárias, tratando-se de um campo que contribui para o questionamento de discursos normativos e para a ampliação de vozes historicamente silenciadas, possibilitando novas formas de compreender a relação entre sujeito, linguagem e identidade (Teixeira, 2021).
Ao considerar essas transformações, torna-se necessário abordar noções como sujeito, performance identitária, atos performativos e estratégias linguístico-discursivas envolvidas na constituição de identidades dissidentes, assim como pensar os limites da fala e da enunciação (Spivak, 2010).
Com base em Santos Filho (2020), em diálogo com Butler, o sujeito, nos estudos queer, é concebido como interativo e performativo, inserido em contextos socioculturais regulados pela heteronormatividade, mas capaz de subvertê-la. Sua identidade não é fixa, sendo construída discursivamente por meio de práticas sociais performativas que podem desafiar padrões hegemônicos.
Nesse processo, a linguagem assume papel central, uma vez que é por meio da enunciação que as identidades são produzidas. Os enunciados possuem força discursiva, contribuindo tanto para a manutenção quanto para a transformação das normas sociais. Assim, ao enunciar, o sujeito não apenas comunica, mas também atua na construção de sentidos e identidades (Santos Filho, 2020).
Nessa mesma linha, o autor, em consonância com Butler, compreende o enunciado como performativo, pois participa da constituição das identidades por meio da repetição de práticas linguísticas e corporais. A performance identitária, portanto, resulta da articulação entre linguagem e corpo, sendo continuamente produzida nas interações sociais.
Por fim, destaca-se o papel das chamadas “pistas de contextualização”, entendidas como elementos linguísticos que orientam a interpretação das práticas identitárias. Essas marcas discursivas contribuem para a construção de sentidos socialmente compartilhados, permitindo a emergência de novas formas de significação no campo do gênero e da sexualidade (Santos Filho, 2020).
Tendo-se discutido noções teóricas sobre a Linguística Queer, surge a necessidade de deslocarmos a discussão para o contexto educacional aqui delimitado. Diante desse panorama, é importante entender que o ensino de Língua Portuguesa vai muito além do que só ensinar regras gramaticais da norma-padrão, ele visa, principalmente, o trabalho com a lingua(gem) em seu uso real, aquela que nos acolhe e usamos como seres sociais, imersos em um sistema estruturado e discursivo, já que a língua é um fenômeno social, histórico, cultural, diverso, heterogêneo e comunicativo, atravessado por questões reais (Ferreira e Willima, 2022), e, na perspectiva deste trabalho, ela é atravessada por questões de gênero e sexualidade nas aulas de língua materna, por meio do livro didático.
Dentre esses trabalhos, podemos citar a pesquisa de Caparelli et al. (2018), que tem como objetivo problematizar questões relativas às identidades de gênero e sexualidade, por meio da interpretação das narrativas de Bete, uma professora de línguas (português e espanhol), que ministra aula no Ensino Fundamental e Médio da rede pública de Goiás e que se identifica como lésbica. A partir dessa pesquisa, constatou-se a urgência sobre a abordagem de temas concernentes às identidades de gênero e sexualidade, assim como da pluralidade de identidades subversivas dentro do contexto escolar, visando tolerância e respeito com performances identitárias que não seguem o padrão normativo.
Outra pesquisa é a de Teixeira (2021), que objetiva compreender se as questões de gênero e sexualidade aparecem no ensino de língua portuguesa, tomando como base o livro didático do 3° ano do ensino médio, a fim de identificar um projeto performático interpelativo com função escolar-educativa e de sensibilização acerca da temática nas aulas de português. Nesse sentido, o pesquisador verificou que os conteúdos sobre gênero e sexualidade estão presentes nas aulas de língua portuguesa, em específico no livro didático, mas não conduz o/a professor/a o trabalho em sala.
Ademais, outra pesquisa que trata desse tema é a de Uzêda (2023), cuja finalidade é discutir a pertinência de gênero e sexualidade nos currículos praticados em aulas de língua portuguesa, algo de extrema importância social e educativa. O autor conclui a sua pesquisa fazendo uma crítica e reflexão acerca da construção dos currículos da educação básica, em específico no ensino de Língua Portuguesa, quando a abordagem trata de gênero e sexualidade, já que é possível, sim, o trabalho dessa temática na aula de línguas, tendo em vista a existência de uma limitação ou negligência por parte dos documentos normativos.
3. METODOLOGIA
Esta pesquisa científica se classifica segundo a abordagem qualitativa, já que investigamos o tratamento dado às questões de gênero e sexualidade nas aulas de Língua Portuguesa mediante o livro didático, verificando desse modo, se o material em tela segue a perspectiva disciplinar, normativa e hegemônica ou uma leitura discursiva e crítica aberta à diversidade identitária de sujeitos dissidentes.
Dentro desse paradigma qualitativo, usamos a pesquisa bibliográfica e documental em que, segundo Gil (2019), a pesquisa bibliográfica é elaborada a partir de materiais já produzidos, enquanto que a pesquisa documental trata de uma modalidade que utiliza materiais originais, como jornais, revistas, arquivos e documentos institucionais. Esse delineamento metodológico caracteriza este estudo pelo fato de termos utilizados diferentes materiais bibliográficos para estudo e fundamentação, bem como o livro didático, documento elegido como objeto de análise.
Escolhemos, para esta investigação, a análise de um manual didático do 3º ano do Ensino Médio, da coleção Multiversos: linguagens, de Campos et al. (2020), que é dividida em seis volumes, distribuídos de acordo com a série do Ensino Médio. Os livros apresentam temas que promovem discussões importantes para o exercício da cidadania, como: cidade, natureza, mundo do trabalho, mundo dos afetos, identidade e diversidade.
Ao partimos da escolha do corpus, percebemos a necessidade de delimitá-lo, a considerar as dimensões do trabalho. Para tanto, selecionamos apenas o volume do 3º ano do Ensino Médio da referida coleção, intitulado: Multiversos: linguagens: no mundo dos afetos, considerando que o volume didático propõe uma abordagem sensível e crítica sobre o mundo dos afetos, promovendo reflexões que visam à formação de um sujeito ético, empático e consciente de seu papel na sociedade.
Os critérios de seleção do manual compreendem: 1) ser direcionado ao 3º ano do Ensino Médio, por acreditarmos ser esse um nível de ensino apto a receber conteúdos com temáticas sociais sensíveis às questões de diversidade de gênero e sexualidade; 2) a temática do livro em tela, pois chamou-nos à atenção a temática do material em consonância com a série, acima descrita, tendo em vista o subtítulo Mundo dos afetos. Inicialmente, hipotetizamos a possibilidade de haver alguma proposta didática, no livro, que pudesse evidenciar corpos dissidentes.
Nessa perspectiva, para gerar os dados foi feita uma leitura exploratória e análise documental integral do livro, a fim de buscar propostas pedagógicas que retratassem, em sua composição, abertura para uma leitura discursivo-enunciativo pelo viés epistemológico queer, na abordagem de gênero e sexualidade nas aulas de Língua Portuguesa. Considerando esses aspectos, selecionamos, no livro didático, algumas imagens ilustrativas e textos que, embora não abordem de maneira explícita e aprofundada com as questões de diversidade de gênero e sexualidade, possibilitam uma leitura sensível e afetiva. Essa foi uma tentativa de encontrar dados que dialogassem com a nossa proposta, com o intuito de constituírem uma análise sob o viés da Linguística Queer.
No que se refere à delimitação do corpus, neste artigo focalizamos a análise de uma atividade didática e de uma orientação ao professor, extraídas de um conjunto mais amplo desenvolvido na pesquisa. Esse recorte justifica-se pela necessidade de adequação à extensão do artigo, priorizando um exame mais aprofundado e qualitativo do material selecionado.
4. ENTRE AFETOS E SILÊNCIOS: A TRANSVERSALIDADE VERSUS (IN)VISIBILIDADE DA TEMÁTICA DE GÊNERO E SEXUALIDADE NO LIVRO DIDÁTICO
No campo da educação e, mais especificamente, no ensino de língua portuguesa, o gesto de análise que aqui propomos, convida a uma leitura queer do texto e da imagem como materialidades significantes onde os afetos se inscrevem, revelando tensões, apagamentos e resistências.
Ao partir dessa abordagem, analisamos, a seguir, as quatro imagens da campanha “Somos os direitos que temos”, da Câmara Municipal de Lisboa, que oferecem material didático rico para esse tipo de discussão. Por meio de seus recursos verbais e visuais, elas mobilizam discursos sobre direitos humanos, igualdade de gênero, diversidade e combate à violência, temas diretamente relacionados à luta queer, por reconhecimento e justiça social.
Imagem 1: Campanha: Somos os direitos que temos
Na leitura do texto 1, podemos observar, no cartaz, um enunciado que se insere em uma formação discursiva ligada aos direitos humanos e à cidadania. Ele mobiliza sentidos que se pretendem universais, como igualdade, coletividade e justiça. No entanto, a perspectiva queer e os estudos de gênero ajudam a desnaturalizar essa suposta universalidade, mostrando que há sujeitos historicamente excluídos da categoria “humano”. A metáfora das “mãos”, nesse sentido, sugere ação coletiva e responsabilidade compartilhada.
Contudo, quem são os sujeitos reconhecidos como capazes de exercer esse direito? Pessoas trans, não binárias, intersexuais, lésbicas, gays e outros corpos dissidentes ainda enfrentam a negação de seus direitos em múltiplos contextos, inclusive nos ambientes escolares, em escolas públicas, privadas, institutos federais e até mesmo em universidades. A enunciação do cartaz, portanto, invisibiliza esses sujeitos ao tratar os “direitos humanos” como algo equitativamente acessível a diferentes grupos sociais, quando na verdade estão inseridos em disputas ideológicas atravessadas por estruturas desiguais. E, como Santos Filho (2020) nos fala, o enunciado tem força de construção identitária, e a construção que fica sustentada na imagem é de corpos tradicionais.
Apesar da diversidade racial sugerida pelas cores das mãos, não há sinalizações visuais ou verbais que remetem à diversidade de gênero e sexualidade. A ausência desses elementos é também um marcador discursivo. A leitura queer nos convida a perguntar: que corpos não aparecem? Quais identidades são silenciadas por esse discurso da inclusão universal? Desse modo, exigiria do professor e alunos uma postura queer mediante a esse assunto, algo que não aparece de forma explícita, mas que está oculto e implícito na abordagem da diversidade racial.
Nessa perspectiva, a leitura enunciativo-discursiva da imagem revela que o discurso de direitos humanos carrega contradições e exclusões, especialmente quando analisado a partir da perspectiva de gênero e sexualidade. O trabalho com esse tipo de material no ensino médio permite transformar a aula de Língua Portuguesa em um espaço de reflexão crítica, cidadã e inclusiva, formando leitores que saibam questionar os discursos que circulam na sociedade, envolvendo nesse caso, com base na BNCC, a competência geral 08 que embasa a formação crítica e empática dos sujeitos e a competência específica de linguagens 02 que direciona o trabalho com leitura crítica dos discursos sociais presentes na imagem ou texto (Brasil, 2018).
No entanto, apesar de ambas as competências estarem presentes no livro, a discussão acerca da imagem é voltada somente para a diversidade de raças, as múltiplas cores presentes em nosso meio, não abrindo espaço para a abordagem explícita de gênero e sexualidade.
A leitura do texto 2 é um enunciado de forte apelo ao posicionamento, a uma postura ética, assumindo uma posição de denúncia. O sujeito enunciador se coloca como porta-voz de uma coletividade e convoca o leitor a uma resposta afetiva e racional. Ele se ancora na ideia de que os direitos humanos estão “nas nossas mãos”, propondo um engajamento ativo do sujeito-leitor. Para tanto, esse discurso está inserido na esfera dos direitos humanos e mobiliza a temática da violência doméstica e de gênero.
A enunciação se ancora em um modelo relacional heteronormativo, amar não é magoar, sugerindo a denúncia de práticas abusivas frequentemente presentes em relações conjugais e familiares vivenciadas no âmbito doméstico. Entretanto, o cartaz não especifica gênero, o que pode ser visto como estratégico (universalizante) ou como apagamento das experiências específicas de mulheres e sujeitos LGBTQIAPN+. O ensino crítico da Língua Portuguesa pode trazer à tona essas ausências e questionar: quem está representado nesse enunciado? Quem foi deixado de fora?
A imagem apresenta um gesto corporal (a mão erguida - linguagem não verbal) que, na teoria da performatividade de Butler (2003), pode ser lido como um ato político de resistência à norma. Esse gesto performa uma recusa: à violência, ao silêncio, à estrutura patriarcal. A frase “Amar não é magoar” invoca um tipo de amor que, pela tradição discursiva, remete ao modelo romântico e conjugal, predominante na heterossexualidade normativa. A ausência de indícios que rompam esse molde (como “amar entre mulheres”, “amar sendo trans”, “amar fora da monogamia”) silencia experiências queer de afeto e sofrimento. Assim, o amor que a imagem representa parece ser: normativo, heterossexual, monogâmico e conjugal.
A violência doméstica sofrida por pessoas trans, não binárias ou intersexo é com frequência praticada dentro do próprio núcleo familiar, especialmente quando há rejeição identitária. No entanto, esse tipo de violência não encontra espaço no discurso da campanha, o que reforça o apagamento de identidades subversivas.
A análise desse material em sala de aula, sob uma lente queer, permite deslocar o olhar do aluno: do “certo e errado” moralizante, para os efeitos de sentido dos discursos de gênero e afeto que operam na sociedade. No entanto, a discussão principal não está relacionada à violência doméstica contra identidades subversivas, o que fica explícito é um tipo de violência doméstica dentro do modelo tradicional e conservador, entre homem e a mulher, inseridos em uma estrutura patriarcal.
O texto 3, por sua vez, embora promova um discurso de acolhimento da diversidade, recorre a um universalismo abstrato que pode acabar apagando as especificidades de sujeitos subalternizados: pessoas trans, não binárias, intersexo, entre outras identidades dissidentes, como propõe Louro (2001) e Butler (2003).
A expressão “SOMOS IGUAIS”, embora carregada de valor humanista, não reconhece as desigualdades estruturais vividas por identidades queer. Ao afirmar a igualdade de forma totalizante, corre-se o risco de silenciar demandas específicas, como o direito à visibilidade de corpos trans ou à autodeterminação de gênero.
A imagem evita qualquer marcação explícita de gênero, ainda que isso possa parecer inclusivo, a ausência de elementos que visibilizem a transgeneridade ou a não binariedade contribui para a naturalização do corpo cisgênero como padrão implícito. Ou seja: o corpo neutro, branco, sem traços de dissidência, é o que se torna visível, enquanto os corpos queer são novamente invisibilizados.
As mãos sobrepostas representam uma ideia de comunidade e solidariedade. No entanto, todas as mãos seguem um padrão físico reconhecível e normativo, não há pistas visuais e de contextualização que remetem a marcadores de identidade de gênero e sexualidade como vimos em Santos Filho (2020). Essa supressão reforça o argumento de que a imagem evita a representação de identidades plurais, optando por trazer uma representação da diversidade racial.
A imagem analisada, embora aparentemente inclusiva, sustenta um discurso de igualdade genérica que, à luz da perspectiva queer, pode resultar em apagamento de identidades subversivas, Louro (2001) e Butler (2003). Ao não representar explicitamente a existência queer, ela reitera uma política pautada em princípios universalizantes e que nega a existência de corpos plurais, pressupostos que precisam ser questionados para que se atinja uma justiça representativa real.
No contexto do ensino de Língua Portuguesa, essa análise crítica oferece uma oportunidade de trabalhar linguagem, poder e identidade de forma transversal, ética e profundamente formativa para os estudantes, alinhadas também com a competência geral 08 da BNCC: “Conhecer-se, apreciar-se e cuidar de sua saúde física e emocional, compreendendo-se na diversidade humana e reconhecendo suas emoções e as dos outros, com autocrítica e capacidade para lidar com elas.” (Brasil, 2018, p. 10); e a competência específica de linguagens 02: “Compreender os processos identitários, conflitos e relações de poder que permeiam as práticas sociais de linguagem, respeitar as diversidades, a pluralidade de ideias e posições e atuar socialmente com base em princípios e valores [...]”. (Brasil, 2018, p. 481). Contudo, o livro não permite a abertura para o diálogo da temática gênero e sexualidade, nem mesmo nas orientações do professor, limitando-se exclusivamente à abordagem da diversidade racial.
Na leitura do texto 4, a inscrição superior, “Os direitos humanos estão nas nossas mãos”, posiciona o sujeito coletivo da enunciação como agente da mudança. A frase principal, “A igualdade de gênero tem de passar das palavras”, reforça a necessidade de ação, mas permanece vaga: não especifica que ações são necessárias nem que identidades devem ser incluídas.
Assim, há uma generalização discursiva que pode mascarar exclusões. O texto verbal central propõe que a igualdade de gênero deve ultrapassar o discurso e se concretizar em ações. Essa proposta é válida, mas não problematiza as formas diversas de existir fora da cisgeneridade. A igualdade aqui promovida opera sob uma lógica binária e integradora que tende a normalizar os corpos e identidades a partir de um eixo heterocisnormativo.
Na imagem, as duas mãos que se tocam simbolizam a união, o respeito e a empatia, mas estão marcadas por signos normativos, por exemplo, uma mão com unhas pintadas (feminilidade padrão), outra com pele mais escura e sem adornos, sendo pistas para interpretação gendrada desses corpos. Assim, o binarismo homem–mulher é mantido como referência de gênero, pois não há visibilidade de pessoas trans, pessoas não-binárias, pessoas intersexo ou de expressões de gênero dissidentes.
Dessa forma, a análise enunciativo-discursiva da imagem revela que, apesar de sua intenção inclusiva e seu caráter educativo, ela opera dentro do modelo heteronormatividade compulsória. Na perspectiva queer, esse tipo de representação pode ser criticado por apagar as identidades subversivas, mesmo ao falar de “igualdade”. Portanto, ao ser trabalhada no Ensino Médio, essa imagem deve ser problematizada criticamente, o que abre espaço para ampliação de vozes e corpos dissidentes, preparando os(as) estudantes para uma atuação mais consciente, ética e plural na sociedade.
Por isso, é importante destacar que apesar das imagens abordarem diversos problemas sociais por meio da campanha, o enfoque central é a luta contra o racismo e a busca pela igualdade de direitos, e isso se confirma definitivamente no exercício proposto para os estudantes, com questões que os instigam a refletir sobre o assunto que se faz presente não só em Lisboa, como também no Brasil.
Imagem 2: Orientações para o professor
Outro ponto importante a ser notado nessa atividade do livro didático, são as orientações dadas ao professor, para discutir e elaborar as respostas. Orientações estas que seguem uma perspectiva essencialista fechada acerca da temática aqui proposta, mas aberta a outras áreas de conhecimento, bem como geografia e história, sendo uma falha que precisa ser revista e problematizada.
Como observamos na imagem 2, há um foco no desenvolvimento de habilidades de língua portuguesa e no trabalho com gêneros textuais e propagandas que levem os alunos não só a conhecer suas estruturas, mas também a refletir sobre o que está além da materialidade linguística, nesse caso, a discussão acerca da diversidade racial, visando à luta contra o racismo. Entretanto, não garante o trabalho com a pluralidade identitária.
Nesse contexto, o ensino de língua assume um papel estratégico. Por meio da leitura crítica, da análise de discursos, da escuta ativa e da valorização das múltiplas vozes, é possível promover a desconstrução de sentidos cristalizados, enraizados culturalmente e abrir espaço para a emergência de novas narrativas, especialmente aquelas que partem de sujeitos historicamente silenciados.
A perspectiva queer, ao questionar as normas de gênero e sexualidade, oferece ao ensino de língua materna, um caminho potente de reflexão e ação pedagógica, tal como argumentam Ferreira e Williama (2022). O letramento queer, nesse sentido, não é apenas um exercício acadêmico, mas um posicionamento ético e político que desafia os discursos excludentes, valoriza as existências dissidentes e reconhece a linguagem como campo de disputa e transformação, como argumenta Louro (2001).
A abordagem sobre gênero e sexualidade no ensino de Língua Portuguesa aos poucos vem ganhando força, sendo objeto de estudo para o desenvolvimento de várias pesquisas, inclusive esta, tomando como ponto de análise as propostas pedagógicas do livro didático, possibilitando uma chamada, uma revisão crítica do material e um olhar inclusivo para uma temática indispensável na educação humana.
No tocante a esse posicionamento, citamos os resultados de pesquisas para evidenciar essa revisão e construção de novas estratégias pedagógicas, em comparação com os nossos achados.
Quadro 1: Síntese de resultados
REFERÊNCIA | OBJETO DE ANÁLISE | SÍNTESE DOS RESULTADOS |
Resultados desta pesquisa | Multiversos: linguagens: no mundo dos afetos (2020) | Os resultados revelaram o apagamento e silenciamento de identidades subversivas. |
Teixeira (2021) | Língua Portuguesa – Linguagem e Interação (2016) | Os resultados demonstram que a temática de gênero e sexualidade aparecem na proposta do livro, mas o professor não conduz essa discussão em sala. |
Alixandrino (2021) | Português Contemporâneo: Diálogo, Reflexão e Uso (2016) | Os resultados mostram que o tratamento dado às questões de gênero e sexualidade estão ligados à cultura dominante e hegemônica, cujos conteúdos seguem uma perspectiva essencialista, valorizando corpos normativos. |
Garcia e Barros (2023) | Português linguagens (2015) | Constata-se que o tratamento dado às questões de gênero e sexualidade seguem uma visão heteronormativa. |
Marcuschi e Ledo (2015) | Português nos dias de hoje e Projeto Teláris: Português (2012) | Por meio do estudo, foi possível constatar que as propostas dos livros didáticos ainda seguem uma abordagem tradicional. |
Fonte: pesquisa direta.
Isso revela que obras didáticas fechadas ao diálogo da temática aqui propostas apagam identidades dissidentes e plurais. Ademais, o que fica evidenciado é um déficit alarmante no âmbito educacional na busca por uma educação justa, que precisa ser combatido, questionado e superado, e, assim, possa promover um ensino justo, inclusivo e plural.
Portanto, a superação do silenciamento de identidades subversivas no ambiente escolar exige não apenas a revisão crítica dos materiais didáticos, mas também a disposição para construir práticas pedagógicas comprometidas com a diversidade, a equidade, a justiça social e a busca também por parte dos profissionais sobre o assunto. O ensino de Língua Portuguesa, quando orientado por essa perspectiva, deixa de ser uma trajetória de reprodução e passa a ser um caminho de formação e educação humana.
5. CONSIDERAÇÕES FINAIS
Com este estudo, objetivamos investigar o tratamento dado às questões de gênero e sexualidade em um livro didático do 3º ano do Ensino Médio, ficando evidenciado, como resultado, um apagamento e silenciamento de identidades dissidentes, presentes no conteúdo do referido material. Esse resultado se coaduna com os desdobramentos de nossa hipótese, antevista no início da pesquisa.
Desse modo, retomamos e confirmamos a hipótese apontada: a) a abordagem dada às questões de gênero e sexualidade ainda hoje, infelizmente, privilegiam em sua maioria performances corporais e identitárias pautadas no sistema heteronormativo, suprimindo outras possibilidades e maneiras de viver o gênero e sexualidade, abordagem esta que se faz presente no livro didático Multiversos: linguagens: no mundo dos afetos, de Campos et al. (2020).
Perante a confirmação de nossa hipótese, topicalizamos os resultados que esta pesquisa nos permite evidenciar diante de um gesto de análise queer do livro Multiverso: linguagens: no mundo dos afetos:
Superioridade da heteronormatividade: o livro didático privilegia majoritariamente performances identitárias pautadas no sistema heteronormativo, suprimindo outras formas de vivenciar o gênero e a sexualidade.
Invisibilidade de corpos dissidentes: as performances identitárias atreladas à diversidade queer são silenciadas via apagamento das múltiplas vozes que as representam.
Reprodução de discursos hegemônicos: o livro apresenta uma abordagem disciplinar que contempla sobretudo a heterossexualidade, silenciando ou excluindo identidades dissidentes de gênero e sexualidade nas propostas de atividades que envolvem leitura e produção textual.
Limitação nas orientações dadas ao professor: as orientações sugerem orientações fechadas ao diálogo, não favorecendo uma perspectiva crítica ou uma postura queer. Isso dificulta o desenvolvimento de práticas pedagógicas mais inclusivas, comprometidas com uma educação justa, igualitária e tolerante.
Embora tenhamos encontrado esses resultados, acreditamos no avanço. E o nosso papel, com este trabalho, foi registrar e mostrar o silenciamento dessas vozes. Talvez este seja um bom começo ou a continuidade do que muitos já estão defendendo na academia, no intuito de tencionar e chamar a atenção para algo tão urgente.
Portanto, levantar essa pauta no contexto educacional é reafirmar o direito à liberdade de expressão, promover o respeito às subjetividades dissidentes e, sobretudo, reconhecer o poder transformador da linguagem na ressignificação do mundo.
Ao permitir que novas narrativas ganhem espaço, contribuímos para o surgimento de uma escola mais sensível às questões sociais, mais comprometida com a cidadania e mais preparada para formar sujeitos críticos, éticos e conscientes de seu papel na construção de uma sociedade verdadeiramente democrática, equitativa e plural. Nessa direção, retomamos a reflexão de Nelson Mandela (1994) citada na epígrafe da introdução, reforçando o papel central da educação como instrumento de transformação social e de promoção de justiça e inclusão.
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1 Graduado em Linguagens e Códigos Língua Portuguesa, Universidade Federal do Maranhão, São Bernardo, Maranhão, Brasil. E-mail: [email protected]
2 Professor Doutor do curso de Linguagens e Códigos Língua Portuguesa, Universidade Federal do Maranhão, São Bernardo, Maranhão, Brasil. E-mail: [email protected]
3 Professora Doutora do curso de Ciências Humanas – Sociologia, Universidade Federal do Maranhão, São Bernardo, Maranhão, Brasil. E-mail: [email protected]
4 Professor Especialista do curso de Linguagens e Códigos Língua Portuguesa, Universidade Federal do Maranhão, São Bernardo, Maranhão, Brasil. E-mail: [email protected]
5 Disponível em: https://revistacenarium.com.br/violencia-verbal-atinge-9-em-cada-10-estudantes-lgbtqiapn-nas-escolas/. Acesso em: 24 jul. 2025.