NÍVEIS DE ALFABETIZAÇÃO E HETEROGENEIDADE DAS APRENDIZAGENS NO 5º ANO DO ENSINO FUNDAMENTAL: EVIDÊNCIAS DE UMA AVALIAÇÃO DIAGNÓSTICA EM ESCOLA PÚBLICA MUNICIPAL

LITERACY LEVELS AND LEARNING HETEROGENEITY IN THE 5TH GRADE OF ELEMENTARY SCHOOL: EVIDENCE FROM A DIAGNOSTIC ASSESSMENT IN A MUNICIPAL PUBLIC SCHOOL

REGISTRO DOI: 10.70773/revistatopicos/786338446

RESUMO
Trata-se de uma pesquisa de abordagem quantitativa, de caráter descritivo, realizada a partir da análise dos dados de 67 estudantes, contemplando variáveis relacionadas ao gênero, faixa etária, níveis de alfabetização e inclusão escolar. Os resultados evidenciaram predominância do sexo masculino em ambas as turmas, bem como concentração de estudantes com 11 anos de idade. Embora os dois grupos apresentem estudantes que consolidaram o processo de alfabetização, verificaram-se diferenças significativas entre as turmas quanto aos níveis de escrita. Enquanto o 5º Ano C apresentou predominância do nível Ortográfico, indicando maior consolidação das competências de leitura e escrita, o 5º Ano B revelou uma distribuição mais heterogênea entre os níveis Alfabético, Ortográfico e Silábico-Alfabético, além da presença de estudantes com necessidades educacionais especiais que demandam acompanhamento pedagógico contínuo. Os resultados demonstram que turmas pertencentes ao mesmo ano escolar podem apresentar perfis distintos de aprendizagem, reforçando a importância da avaliação diagnóstica como instrumento para o planejamento de práticas pedagógicas diferenciadas, inclusivas e fundamentadas nas necessidades reais dos estudantes. Conclui-se que o acompanhamento sistemático das aprendizagens favorece intervenções mais assertivas e contribui para a consolidação da alfabetização nos anos finais do Ensino Fundamental.
Palavras-chave: Alfabetização; Avaliação diagnóstica; Letramento; Aprendizagem; Ensino fundamental.

ABSTRACT
Diagnostic assessment is an essential tool for monitoring the literacy process, enabling educators to identify students' different learning levels and to support the planning of more effective pedagogical interventions. Considering the heterogeneity that characterizes contemporary classrooms, understanding students' literacy development is particularly important in the final years of the literacy cycle. In this context, this study aimed to comparatively analyze the results of diagnostic literacy assessments conducted with two fifth-grade classes (5th Grade B and 5th Grade C) from a public elementary school. This is a quantitative, descriptive study based on the analysis of data from 67 students, considering variables related to gender, age, literacy levels, and inclusive education. The findings revealed a predominance of male students in both classes and a concentration of students aged 11 years. Although both groups included students who had consolidated the literacy process, significant differences were observed regarding writing proficiency levels. While 5th Grade C showed a predominance of students at the Orthographic level, indicating greater consolidation of reading and writing skills, 5th Grade B presented a more heterogeneous distribution among the Alphabetic, Orthographic, and Syllabic-Alphabetic levels, as well as students with special educational needs requiring continuous pedagogical support. These findings demonstrate that classes within the same grade level may exhibit distinct literacy profiles, highlighting the relevance of diagnostic assessment as a basis for differentiated, inclusive, and evidence-based pedagogical planning. It is concluded that systematic monitoring of students' learning contributes to more effective educational interventions and supports the consolidation of literacy during the final years of elementary education.
Keywords: Literacy; Diagnostic assessment; Literacy development; Elementary education; Learning.

1. INTRODUÇÃO

A alfabetização constitui um dos processos mais importantes da Educação Básica, por representar o momento em que as crianças se apropriam do sistema de escrita alfabética e desenvolvem competências essenciais para a leitura, a escrita e a participação nas práticas sociais mediadas pela linguagem. Contudo, esse processo não ocorre de maneira homogênea, uma vez que os estudantes apresentam diferentes ritmos, experiências, condições de aprendizagem e contextos socioculturais, exigindo da escola práticas pedagógicas capazes de reconhecer e atender essa diversidade. Conforme destacam as pesquisas na área, alfabetizar não significa apenas ensinar a codificar e decodificar palavras, mas promover a inserção do estudante em práticas significativas de leitura e escrita, articulando alfabetização e letramento como processos indissociáveis.

Nas últimas décadas, a alfabetização tornou-se uma das principais preocupações das políticas públicas educacionais brasileiras em razão dos elevados índices de estudantes que concluem os anos iniciais do Ensino Fundamental sem consolidar habilidades básicas de leitura e escrita. Esse cenário impulsionou a criação de programas governamentais voltados ao fortalecimento da alfabetização, à implementação de avaliações em larga escala e ao desenvolvimento de estratégias para acompanhamento da aprendizagem. Entretanto, diversos estudos apontam que, embora essas iniciativas tenham contribuído para ampliar o monitoramento do desempenho escolar, persistem desafios relacionados à heterogeneidade das aprendizagens e à necessidade de intervenções pedagógicas fundamentadas nas necessidades reais dos estudantes.

Recentemente, o monitoramento da alfabetização passou a ocupar posição central nas políticas públicas educacionais brasileiras, especialmente por meio do Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb) e das ações desenvolvidas pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep). Em 2023, a Pesquisa Alfabetiza Brasil estabeleceu, pela primeira vez, um padrão nacional de alfabetização, definindo como alfabetizadas as crianças que atingem 743 pontos na escala do Saeb ao final do 2º ano do Ensino Fundamental. Esse marco possibilitou a criação do Indicador Criança Alfabetizada, instrumento utilizado para acompanhar a aprendizagem das crianças em todo o território nacional e subsidiar o planejamento de políticas educacionais voltadas à melhoria da alfabetização.

Os primeiros resultados nacionais do Indicador Criança Alfabetizada revelaram que, em 2023, apenas 56% das crianças matriculadas no 2º ano do Ensino Fundamental das redes públicas brasileiras atingiram o padrão nacional de alfabetização, evidenciando que quase metade dos estudantes ainda não desenvolvia as habilidades esperadas de leitura e escrita na idade considerada adequada. Esses dados reforçam a necessidade de fortalecer ações de acompanhamento da aprendizagem, especialmente por meio de avaliações diagnósticas que permitam identificar precocemente dificuldades e orientar intervenções pedagógicas mais efetivas.

Com o objetivo de enfrentar esse cenário, o Ministério da Educação instituiu, em 2023, o Compromisso Nacional Criança Alfabetizada, política pública que articula União, estados e municípios em torno da meta de assegurar que todas as crianças estejam alfabetizadas ao final do 2º ano do Ensino Fundamental até 2030. Entre suas principais estratégias destacam-se a definição de metas anuais para as redes de ensino, a integração das avaliações estaduais ao Saeb e o monitoramento sistemático dos resultados da alfabetização, buscando subsidiar a implementação de práticas pedagógicas baseadas em evidências e promover a recomposição das aprendizagens nos anos iniciais da escolarização.

Embora os indicadores nacionais concentrem a avaliação no final do 2º ano do Ensino Fundamental, os desafios identificados repercutem ao longo de toda a trajetória escolar. Dessa forma, investigar os níveis de alfabetização de estudantes do 5º ano torna-se relevante para compreender a permanência de defasagens na aprendizagem da leitura e da escrita, produzindo evidências que possam subsidiar o planejamento pedagógico e contribuir para a consolidação da alfabetização nos anos finais desse ciclo.

Nesse contexto, a avaliação diagnóstica assume papel estratégico por permitir ao professor identificar os conhecimentos já consolidados, as dificuldades existentes e os diferentes níveis de desenvolvimento da escrita apresentados pelos estudantes. Diferentemente de uma avaliação classificatória, o diagnóstico possui caráter formativo, oferecendo subsídios para o planejamento de ações pedagógicas capazes de favorecer a aprendizagem e reduzir defasagens acumuladas ao longo da trajetória escolar.

Além disso, possibilita que o docente acompanhe continuamente o progresso dos estudantes, reorganizando metodologias e estratégias de ensino sempre que necessário. Estudos recentes evidenciam que a utilização sistemática da avaliação diagnóstica contribui significativamente para o desenvolvimento profissional dos professores alfabetizadores e para a melhoria das intervenções realizadas em sala de aula.

Embora as políticas educacionais brasileiras estabeleçam que a alfabetização deva ser consolidada nos primeiros anos do Ensino Fundamental, observa-se que muitos estudantes chegam ao 5º ano apresentando diferentes níveis de domínio da leitura e da escrita. Essa realidade demonstra que a aprendizagem ocorre de maneira dinâmica e desigual, sendo influenciada por fatores pedagógicos, sociais, cognitivos e familiares. Dessa forma, torna-se necessário compreender o perfil das turmas, identificar as diferenças existentes entre estudantes do mesmo ano escolar e desenvolver intervenções capazes de atender às especificidades de cada grupo. Pesquisas realizadas em turmas dos anos iniciais do Ensino Fundamental mostram que ainda é comum encontrar estudantes em níveis iniciais de escrita, evidenciando a necessidade de práticas pedagógicas diferenciadas e acompanhamento contínuo.

Além disso, compreender as diferenças entre turmas pertencentes à mesma instituição escolar representa uma oportunidade de analisar como fatores relacionados ao perfil dos estudantes podem influenciar os resultados da alfabetização. Ainda que compartilhem o mesmo currículo, a mesma proposta pedagógica e o mesmo contexto institucional, diferentes turmas podem apresentar níveis distintos de aprendizagem, reforçando a necessidade de planejamento fundamentado em evidências produzidas pela avaliação diagnóstica. Nessa perspectiva, os dados obtidos deixam de possuir apenas caráter estatístico e passam a constituir importantes instrumentos para a tomada de decisões pedagógicas, contribuindo para práticas mais inclusivas e equitativas.

Diante desse cenário, o presente estudo justifica-se pela necessidade de compreender os níveis de alfabetização apresentados por estudantes do 5º ano do Ensino Fundamental, considerando que o conhecimento desse perfil constitui condição indispensável para a elaboração de estratégias pedagógicas mais eficazes. Ao analisar comparativamente duas turmas da mesma escola, busca-se produzir evidências que possam subsidiar o planejamento docente e contribuir para o fortalecimento das ações voltadas à consolidação da leitura e da escrita.

A partir desse contexto, o presente estudo busca responder ao seguinte problema de pesquisa: quais são os níveis de alfabetização apresentados por estudantes do 5º ano do Ensino Fundamental de uma escola pública municipal e quais implicações esses resultados trazem para o planejamento pedagógico? Parte-se da hipótese de que existe heterogeneidade significativa nos níveis de alfabetização entre turmas do mesmo ano escolar, o que demanda a adoção de intervenções pedagógicas diferenciadas, alinhadas às necessidades específicas de aprendizagem dos estudantes.

Assim, o objetivo deste estudo consiste em analisar comparativamente os resultados da avaliação diagnóstica da alfabetização de duas turmas do 5º ano do Ensino Fundamental (5º Ano B e 5º Ano C) de uma escola pública municipal, identificando o perfil dos estudantes quanto ao gênero, faixa etária, níveis de alfabetização e inclusão escolar, bem como discutir as implicações desses resultados para o planejamento de intervenções pedagógicas voltadas à consolidação da aprendizagem da leitura e da escrita.

Além desta introdução, o artigo está estruturado em quatro seções principais. A primeira apresenta os procedimentos metodológicos adotados na pesquisa, contemplando a caracterização do estudo, dos participantes, dos instrumentos utilizados para a coleta dos dados e dos procedimentos de análise. Na sequência, são apresentados os resultados obtidos por meio das avaliações diagnósticas, evidenciando o perfil dos estudantes e os níveis de alfabetização identificados nas turmas investigadas. Posteriormente, desenvolve-se a discussão dos achados à luz da literatura especializada sobre alfabetização, letramento, heterogeneidade das aprendizagens e avaliação diagnóstica, estabelecendo um diálogo entre os dados empíricos e os referenciais teóricos que fundamentam o estudo. Por fim, são apresentadas as considerações finais, nas quais são sintetizados os principais resultados da pesquisa, destacadas suas contribuições para o contexto educacional e apontadas possibilidades para futuras investigações.

2. METODOLOGIA

Este estudo caracteriza-se como uma pesquisa de abordagem quantitativa, de natureza descritiva, desenvolvida a partir da análise dos resultados de avaliações diagnósticas aplicadas a estudantes do 5º ano do Ensino Fundamental de uma escola pública municipal. A pesquisa quantitativa possibilita a organização, sistematização e interpretação de dados numéricos, permitindo identificar padrões, frequências e características da população investigada, enquanto a pesquisa descritiva busca retratar as características de determinado grupo sem a intenção de estabelecer relações de causa e efeito.

O universo da pesquisa foi constituído por duas turmas do 5º ano do Ensino Fundamental, identificadas como 5º Ano B e 5º Ano C, totalizando 67 estudantes regularmente matriculados. A turma do 5º Ano B foi composta por 34 estudantes, enquanto o 5º Ano C contou com 33 estudantes. A escolha dessas turmas justifica-se pela necessidade de compreender o perfil de alfabetização de estudantes que se encontram nos anos iniciais do Ensino Fundamental, etapa em que se espera a consolidação das habilidades de leitura e escrita, mas em que ainda podem ser observadas diferenças significativas nos níveis de aprendizagem.

Os dados analisados foram obtidos por meio de uma avaliação diagnóstica de alfabetização aplicada pela equipe pedagógica da unidade escolar no início do ano letivo, como parte das ações de acompanhamento da aprendizagem dos estudantes. A avaliação contemplou atividades de leitura e escrita elaboradas de acordo com os objetivos previstos para o ciclo de alfabetização, permitindo identificar o estágio de desenvolvimento da escrita de cada estudante. A aplicação ocorreu coletivamente em sala de aula, em horário regular, sob acompanhamento dos professores regentes e da coordenação pedagógica da escola, garantindo condições semelhantes para todos os participantes.

A classificação dos níveis de alfabetização foi realizada com base nas hipóteses de escrita propostas por Ferreiro e Teberosky (1999), considerando as características apresentadas nas produções escritas dos estudantes. Foram adotados como critérios de análise os níveis Pré-silábico, Silábico-Alfabético, Alfabético e Ortográfico, observando aspectos relacionados à compreensão do princípio alfabético, às relações entre fonemas e grafemas, à segmentação das palavras e ao domínio das convenções ortográficas. Essa classificação permitiu identificar o estágio de apropriação do sistema de escrita alfabética e subsidiou a organização dos dados para análise comparativa entre as duas turmas.

Para assegurar maior confiabilidade aos resultados, a classificação dos níveis de alfabetização foi inicialmente realizada pelos professores responsáveis pela aplicação da avaliação e, posteriormente, conferida pela equipe pedagógica da escola, composta pela coordenação pedagógica e pela gestão escolar. Nos casos em que surgiram dúvidas quanto ao enquadramento do estudante em determinado nível de escrita, procedeu-se à reanálise das produções até que se alcançasse consenso entre os avaliadores, reduzindo a possibilidade de inconsistências na classificação e fortalecendo a validade dos dados utilizados na pesquisa.

Após essa etapa, os dados foram organizados em planilhas eletrônicas e submetidos à análise por meio da estatística descritiva, utilizando frequências absolutas e relativas (percentuais). Os resultados foram apresentados em quadros e gráficos, possibilitando a comparação entre as duas turmas quanto ao perfil dos estudantes, aos níveis de alfabetização e à presença de estudantes público da Educação Especial. A interpretação dos resultados foi realizada à luz da literatura especializada sobre alfabetização, letramento e avaliação diagnóstica, buscando estabelecer relações entre os achados empíricos e os referenciais teóricos que fundamentam o estudo.

Por se tratar da análise de dados educacionais apresentados de forma agregada, sem identificação nominal dos estudantes e sem exposição de informações que possibilitem sua identificação individual, foram preservados os princípios éticos relacionados à confidencialidade, ao anonimato e ao respeito às normas aplicáveis às pesquisas em Educação. O estudo observou os princípios éticos previstos na Resolução nº 510/2016 do Conselho Nacional de Saúde para pesquisas em Ciências Humanas e Sociais. Dessa forma, os resultados são apresentados exclusivamente para fins científicos e de reflexão sobre as práticas pedagógicas relacionadas ao processo de alfabetização.

3. RESULTADOS

Nesta seção são apresentados os resultados obtidos a partir da análise das avaliações diagnósticas realizadas com os estudantes das turmas do 5º Ano B e do 5º Ano C do Ensino Fundamental. Os dados foram organizados em quadros e gráficos, permitindo a caracterização do perfil dos estudantes e a identificação dos diferentes níveis de alfabetização observados em cada turma.

Inicialmente, apresenta-se a caracterização dos participantes da pesquisa, considerando aspectos relacionados ao gênero e à faixa etária. Em seguida, são analisados os resultados referentes aos níveis de alfabetização e à inclusão escolar, possibilitando uma comparação entre as duas turmas. A apresentação dos dados busca evidenciar as semelhanças e as diferenças encontradas, fornecendo subsídios para compreender o perfil de aprendizagem dos estudantes e as demandas pedagógicas existentes no contexto investigado.

Quadro 1. Caracterização dos estudantes participantes da pesquisa

Variável

5º Ano B (n=34)

5º Ano C (n=33)

Gênero

  

Masculino

20

25

Feminino

14

8

Faixa etária

  

10 anos

8

12

11 anos

22

20

12 anos

4

14 anos

1

Total de estudantes

34

33

Fonte: Elaborado pelos autores (2026)

A caracterização dos estudantes evidenciou que as duas turmas do 5º ano do Ensino Fundamental apresentam perfis semelhantes quanto ao gênero e à faixa etária, embora existam diferenças pontuais na distribuição dos participantes. No 5º Ano B, participaram 34 estudantes, dos quais 20 eram do sexo masculino e 14 do sexo feminino. Já o 5º Ano C foi composto por 33 estudantes, sendo 25 do sexo masculino e apenas 8 do sexo feminino, demonstrando uma predominância ainda maior de meninos nessa turma.

Em relação à faixa etária, verificou-se que a maioria dos estudantes encontrava-se na idade de 11 anos, considerada compatível com a etapa de escolarização investigada. No 5º Ano B, 22 estudantes possuíam 11 anos, enquanto 8 tinham 10 anos e 4 apresentavam 12 anos de idade. No 5º Ano C, observou-se uma distribuição semelhante, com 20 estudantes de 11 anos, 12 estudantes de 10 anos e apenas um estudante com 14 anos, indicando a presença de um aluno com distorção idade-série.

De modo geral, os dados revelam que ambas as turmas apresentam relativa homogeneidade quanto à idade predominante, concentrando a maior parte dos estudantes na faixa etária esperada para o 5º ano do Ensino Fundamental. Entretanto, a existência de estudantes com idade superior à prevista para essa etapa escolar evidencia situações que podem estar relacionadas a trajetórias escolares marcadas por retenção, interrupções no percurso educacional ou dificuldades de aprendizagem, aspectos que merecem atenção no planejamento das ações pedagógicas.

Além disso, a predominância de estudantes do sexo masculino nas duas turmas demonstra uma característica específica da população investigada, embora essa distribuição, por si só, não permita estabelecer relações diretas com o desempenho em alfabetização. Assim, a caracterização da amostra fornece informações importantes para contextualizar as análises subsequentes dos níveis de alfabetização, possibilitando compreender os resultados obtidos à luz do perfil dos estudantes participantes da pesquisa.

Gráfico 1. Desenvolvimento da escrita 5º ano B

Fonte: Elaborado pelos autores (2026)

Gráfico 2. Desenvolvimento da escrita 5º ano C

Fonte: Elaborado pelos autores (2026)

Os dados apresentados no Gráfico 1 mostram que o 5º Ano B possui um perfil de alfabetização relativamente heterogêneo. Entre os 34 estudantes avaliados, 15 foram classificados no nível Alfabético e outros 15 no nível Ortográfico, correspondendo a 44,1% da turma em cada categoria. Outros quatro estudantes (11,8%) permaneceram no nível Silábico-Alfabético, indicando que ainda não consolidaram plenamente a apropriação do sistema de escrita. Essa distribuição revela que, embora a maior parte da turma tenha alcançado níveis mais avançados de alfabetização, coexistem estudantes em diferentes estágios de desenvolvimento, exigindo estratégias pedagógicas compatíveis com essa diversidade.

O panorama encontrado no 5º Ano C apresenta características distintas. Dos 33 estudantes participantes, 29 (87,9%) encontram-se no nível Ortográfico, evidenciando amplo domínio das convenções da escrita. Apenas dois estudantes foram classificados no nível Pré-silábico e outros dois no nível Silábico-Alfabético, cada grupo representando 6,1% da turma. A concentração expressiva de estudantes no nível Ortográfico indica maior uniformidade no desenvolvimento da escrita quando comparada à turma do 5º Ano B.

Quando os resultados das duas turmas são observados em conjunto, percebe-se que ambas contam com estudantes que já atingiram os níveis esperados para essa etapa de escolarização. Entretanto, a distribuição dos níveis de alfabetização ocorre de maneira bastante diferente. Enquanto o 5º Ano C concentra praticamente todos os estudantes no estágio mais avançado da escrita, o 5º Ano B apresenta um quadro mais diversificado, dividido entre os níveis Alfabético e Ortográfico, além da presença de estudantes que ainda se encontram em processo de consolidação da escrita alfabética.

Essas diferenças revelam que turmas pertencentes ao mesmo ano escolar e inseridas na mesma instituição podem apresentar necessidades pedagógicas distintas. Sob essa perspectiva, os dados da avaliação diagnóstica permitem compreender que o planejamento das atividades de alfabetização não deve ser uniforme para todas as turmas, mas organizado de acordo com o perfil de aprendizagem identificado em cada contexto, favorecendo intervenções mais direcionadas às demandas apresentadas pelos estudantes.

4. DISCUSSÃO

A distribuição dos níveis de alfabetização observada nas duas turmas evidencia que estudantes matriculados no mesmo ano escolar não apresentam, necessariamente, o mesmo estágio de desenvolvimento da escrita. Embora ambos os grupos pertençam ao 5º ano do Ensino Fundamental, a turma C concentrou quase a totalidade dos estudantes no nível Ortográfico, enquanto a turma B apresentou uma distribuição mais heterogênea entre os níveis Alfabético, Ortográfico e Silábico-Alfabético. Cabe salientar que, conforme Soares (2020):

Dissociar alfabetização e letramento é um equívoco porque, no quadro das atuais concepções psicológicas, linguísticas e psicolinguísticas de leitura e escrita, a entrada da criança (e também do adulto analfabeto) no mundo da escrita ocorre simultaneamente por esses dois processos: pela aquisição do sistema convencional de escrita – a alfabetização – e pelo desenvolvimento de habilidades de uso desse sistema em atividades de leitura e escrita, nas práticas sociais que envolvem a língua escrita – o letramento (Soares, 2020, p. 44).

A perspectiva de Soares (2020) reforça que o avanço nos níveis de alfabetização deve ser compreendido em conjunto com as práticas de letramento, uma vez que aprender o sistema de escrita e utilizá-lo em contextos sociais são processos indissociáveis. Assim, as diferenças identificadas entre as turmas indicam a necessidade de estratégias pedagógicas que contemplem tanto a consolidação da escrita quanto o desenvolvimento das competências de leitura e produção textual em situações significativas de aprendizagem.

Esse resultado reforça que a aprendizagem da língua escrita ocorre em ritmos distintos e sofre influência de múltiplos fatores relacionados ao percurso escolar, às práticas pedagógicas e às experiências individuais dos estudantes, não podendo ser compreendida como um processo linear ou homogêneo. Essa compreensão também é defendida por Carvalho (2023), ao afirmar que a heterogeneidade constitui uma característica inerente às salas de aula e exige do professor estratégias capazes de contemplar diferentes necessidades de aprendizagem, superando práticas uniformizadas de ensino.

Sob essa perspectiva, chama atenção o fato de que ainda existam estudantes do 5º ano classificados no nível Silábico-Alfabético e, no caso do 5º Ano C, inclusive no nível Pré-silábico. Embora representem uma parcela reduzida da amostra, esses resultados demonstram que alguns estudantes dos anos iniciais do Ensino Fundamental que apresentam desafios persistentes na consolidação da leitura e da escrita. Esse cenário converge com os achados de Leite (2021), que identificou a permanência de estudantes do 5º ano em estágios iniciais da alfabetização e defendeu a necessidade de intervenções pedagógicas específicas para atender às dificuldades acumuladas ao longo da escolarização. Segundo o autor, o avanço desses estudantes depende de práticas que articulem a psicogênese da escrita, a consciência fonológica e experiências significativas de letramento, respeitando o estágio de desenvolvimento em que cada criança se encontra, nesse sentido, Egidio (2024) fomenta que:

A abordagem contextualizada e significativa na alfabetização permite que as crianças construam conhecimento de maneira ativa e relevante, respeitando seu desenvolvimento cognitivo e emocional. Por meio de práticas pedagógicas inovadoras, que valorizam a interação social, o jogo e a criatividade, é possível criar um ambiente propício para o aprendizado eficaz desde os primeiros anos escolares (Egidio, 2024, p.22).

Egidio (2024) evidencia que a alfabetização se torna mais efetiva quando está vinculada às experiências e ao contexto de vida das crianças. Ao priorizar metodologias que incentivam a participação ativa, a interação e a ludicidade, o processo de ensino favorece o desenvolvimento integral dos estudantes, tornando a aprendizagem mais significativa, motivadora e compatível com suas necessidades e potencialidades.

Ao mesmo tempo, o elevado percentual de estudantes classificados no nível Ortográfico, sobretudo na turma C, demonstra que a maioria dos participantes alcançou as competências esperadas para essa etapa da Educação Básica. Isso indica que a consolidação da alfabetização é possível quando o processo educativo consegue oferecer condições adequadas de aprendizagem, acompanhamento sistemático e oportunidades contínuas de leitura e escrita. Entretanto, a coexistência de estudantes em níveis bastante distintos dentro da mesma etapa escolar evidencia que o sucesso alcançado por parte da turma não elimina a necessidade de atenção aos alunos que apresentam maiores dificuldades, uma vez que o planejamento pedagógico deve contemplar tanto a consolidação quanto a recuperação das aprendizagens.

Os resultados também evidenciam a importância da avaliação diagnóstica como instrumento de tomada de decisão pedagógica. Mais do que classificar os estudantes em determinados níveis de escrita, o diagnóstico fornece informações que permitem ao professor conhecer o perfil real da turma e planejar intervenções coerentes com as necessidades identificadas. De acordo com Morais et al. (2021):

O propósito da avaliação diagnóstica é de observar o processo de aprendizagem do aluno, e buscar resultados positivos com a função de resolver as situações presente, uma forma de quebrar o ensino tradicional e libertar os alunos para expor suas ideias, realizar avaliação com frequência na sala de aula contribui e ajuda na aprendizagem de cada aluno, ocorrer a avaliação diagnóstica no decorrer de todo o processo ensino e aprendizagem é muito importante (Morais, et al., 2021, p. 5).

Conforme destacam Morais et al. (2021), a avaliação diagnóstica desempenha um papel essencial no acompanhamento contínuo da aprendizagem, permitindo ao professor identificar dificuldades e potencialidades dos estudantes ao longo do processo educativo. Dessa forma, essa prática favorece intervenções pedagógicas mais adequadas, promove a participação ativa dos alunos e contribui para uma aprendizagem mais significativa e efetiva. Silva e Souza (2025) destacam que a avaliação diagnóstica somente cumpre sua função quando seus resultados subsidiam o planejamento docente e promovem reflexões sobre as estratégias utilizadas em sala de aula. Para os autores, o diagnóstico deve ser entendido como parte do processo de ensino, possibilitando reorganizar práticas pedagógicas e acompanhar a evolução das aprendizagens ao longo do tempo.

Essa compreensão também dialoga com Oliveira, Pinho e Senna (2022), que argumentam que os resultados das avaliações somente produzem impactos positivos quando deixam de assumir uma função meramente classificatória e passam a orientar intervenções efetivas no cotidiano escolar. Os autores alertam que políticas de avaliação, quando dissociadas do trabalho pedagógico desenvolvido pelos professores, tendem a restringir-se ao monitoramento do desempenho, sem promover mudanças significativas na aprendizagem dos estudantes. Assim, o diagnóstico precisa ser compreendido como um instrumento de apoio à prática docente e não apenas como mecanismo de mensuração do rendimento escolar.

Outro aspecto que merece destaque refere-se às diferenças observadas entre as duas turmas pertencentes à mesma instituição escolar. Ainda que compartilhem currículo, contexto institucional e etapa de ensino, os resultados mostram que o perfil de alfabetização não é uniforme. Essa constatação reforça que o planejamento pedagógico deve considerar as especificidades de cada turma, evitando propostas padronizadas que desconsiderem as diferentes trajetórias de aprendizagem dos estudantes. Carvalho (2023) ressalta que reconhecer a heterogeneidade não significa apenas admitir que os estudantes aprendem de formas distintas, mas reorganizar metodologias, recursos e estratégias didáticas para que todos tenham oportunidades reais de avançar em seus processos de aprendizagem.

Por fim, os resultados obtidos aproximam-se das conclusões apresentadas por Silva (2025) ao analisar o Programa Tempo Certo. O autor verificou que intervenções sistemáticas voltadas à alfabetização de estudantes dos 4º e 5º anos favorecem avanços significativos, embora persistam desafios relacionados às diferenças individuais de aprendizagem. Essa constatação reforça que ações de acompanhamento contínuo, fundamentadas em avaliações diagnósticas e em intervenções pedagógicas planejadas, constituem estratégias relevantes para reduzir defasagens e promover uma alfabetização mais efetiva e inclusiva nos anos finais do Ensino Fundamental.

5. CONSIDERAÇÕES FINAIS

O presente estudo teve como propósito analisar comparativamente os resultados da avaliação diagnóstica da alfabetização de estudantes de duas turmas do 5º ano do Ensino Fundamental de uma escola pública municipal, buscando responder ao problema de pesquisa acerca dos níveis de alfabetização apresentados pelos estudantes e das implicações desses resultados para o planejamento pedagógico. Considerando esse objetivo, a investigação permitiu compreender que, mesmo pertencendo ao mesmo ano de escolaridade e compartilhando o mesmo contexto institucional, as turmas apresentaram perfis distintos de desenvolvimento da escrita, evidenciando a heterogeneidade das aprendizagens.

Os resultados demonstraram que a turma do 5º Ano C concentrou a maior parte dos estudantes no nível Ortográfico, indicando maior consolidação das habilidades de leitura e escrita, enquanto o 5º Ano B apresentou distribuição mais heterogênea entre os níveis Alfabético, Ortográfico e Silábico-Alfabético. Também foi identificada a permanência de estudantes em níveis iniciais da alfabetização, evidenciando que a progressão escolar não garante, por si só, a consolidação das competências esperadas para essa etapa da Educação Básica. Esses achados reforçam a importância da avaliação diagnóstica como instrumento capaz de identificar diferentes necessidades de aprendizagem e subsidiar intervenções pedagógicas fundamentadas em evidências.

Os resultados obtidos também permitem confirmar a hipótese inicialmente estabelecida, segundo a qual existe heterogeneidade significativa nos níveis de alfabetização entre turmas do mesmo ano escolar, demandando estratégias pedagógicas diferenciadas. Assim, a pesquisa demonstra que o planejamento docente não deve apoiar-se exclusivamente na etapa de escolaridade dos estudantes, mas considerar os diferentes níveis de apropriação da leitura e da escrita identificados por meio de avaliações diagnósticas, favorecendo práticas mais inclusivas, equitativas e alinhadas às necessidades reais de cada turma.

Entre as principais contribuições deste estudo destaca-se a demonstração de que a avaliação diagnóstica constitui uma ferramenta estratégica para o acompanhamento das aprendizagens, permitindo ao professor conhecer o perfil de sua turma, reorganizar práticas pedagógicas e direcionar intervenções mais eficazes. Além disso, ao relacionar os resultados obtidos com o atual contexto das políticas públicas brasileiras de alfabetização, especialmente com as ações do Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb), do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) e do Compromisso Nacional Criança Alfabetizada, o estudo reforça a necessidade de monitoramento contínuo da aprendizagem para garantir o direito de todas as crianças à alfabetização na idade adequada.

Entretanto, algumas limitações precisam ser consideradas. A pesquisa foi desenvolvida em apenas uma escola pública municipal e contemplou um número restrito de participantes, o que limita a generalização dos resultados para outras realidades educacionais. Além disso, o estudo concentrou-se na análise quantitativa dos dados produzidos pela avaliação diagnóstica, não incluindo observações das práticas pedagógicas nem a percepção de professores, gestores ou estudantes acerca dos fatores que influenciam os diferentes níveis de alfabetização.

Diante dessas limitações, recomenda-se que pesquisas futuras ampliem o universo investigado, envolvendo diferentes redes e contextos escolares, bem como adotem abordagens qualitativas ou de métodos mistos que permitam compreender de forma mais aprofundada os fatores associados à permanência de estudantes em níveis iniciais de alfabetização nos anos finais do ciclo. Também se mostram relevantes estudos longitudinais que acompanhem a evolução das aprendizagens após a implementação de intervenções pedagógicas fundamentadas nos resultados das avaliações diagnósticas, contribuindo para o aperfeiçoamento das práticas docentes e para o fortalecimento das políticas públicas voltadas à alfabetização.

Por fim, conclui-se que conhecer os níveis de alfabetização dos estudantes constitui condição indispensável para o desenvolvimento de práticas pedagógicas mais eficazes e comprometidas com a aprendizagem de todos. Nesse sentido, a avaliação diagnóstica deixa de representar apenas um instrumento de mensuração do desempenho e passa a assumir um papel estratégico na construção de uma educação mais inclusiva, equitativa e socialmente referenciada, orientando decisões pedagógicas capazes de favorecer a consolidação da leitura e da escrita ao longo dos anos iniciais do Ensino Fundamental.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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SOARES, Magda. Letramento: um tema em três gêneros. 6. ed. Belo Horizonte: Autêntica, 2020.


1 Mestranda em Ciências da Educação pela Universidad de la Integración de las Américas - UNIDA

2 Mestranda em Ciências da Educação pela Universidad de la Integración de las Américas – UNIDA

3 Mestranda em Ciências da Educação pela Universidad de la Integración de las Américas – UNIDA

4 Mestranda em Ciências da Educação pela Universidad de la Integración de las Américas – UNIDA

5 Mestranda em Ciências da Educação pela Universidad de la Integración de las Américas – UNIDA

6 Mestranda em Ciências da Educação pela Universidad de la Integración de las Américas – UNIDA

7 Mestrando em Ciências da Educação pela Universidad de la Integración de las Américas – UNIDA

8 Mestranda em Ciências da Educação pela Universidad de la Integración de las Américas – UNIDA

9 Professor Orientador: Doutor em Ciências da Educação pela Universidad de la Integración de las Américas – UNIDA