NEOLOGISMOS DO FACEBOOK NO GÊNERO MEME: ASPECTOS MORFOLÓGICOS

NEOLOGISMS ON FACEBOOK IN THE MEME GENRE: MORPHOLOGICAL ASPECTS

REGISTRO DOI: 10.70773/revistatopicos/781496956

RESUMO
O presente estudo investigativo debruça-se sobre os intrincados processos de formação de neologismos que emergem e se disseminam nas interações veiculadas na plataforma Facebook, a partir do gênero Meme, com o propósito de desvelar suas estruturas morfológicas mais recorrentes, suas classificações e os contextos comunicativos em que se inserem. Adotando uma abordagem exploratória, documental e descritiva, o estudo traz um corpus de 100 unidades lexicais neológicas, coletadas entre os meses de julho e setembro de 2025. Os achados revelam a notável vitalidade e a inventividade inerente à língua portuguesa no ecossistema digital, evidenciando a derivação (no formato de prefixação, sufixação e parassíntese) e a composição (por aglutinação e justaposição) como os mecanismos mais expressivos na gênese desses vocábulos. Adicionalmente, a assimilação e a reconfiguração de empréstimos linguísticos, mormente do inglês, configuram-se como estratégias de significativa relevância. A análise aprofundada sugere que os neologismos transcendem a mera inovação formal, constituindo-se como espelhos das práticas socioculturais e discursivas que caracterizam o ambiente digital, operando como balizas identitárias, vetores de posicionamento ideológico e instrumentos de construção de sentido. Conclui-se, assim, que as redes sociais se afirmam como territórios férteis para a inovação lexical, nos quais os falantes exercem um protagonismo ativo na contínua atualização da língua.
Palavras-chave: Neologismo; Memes; Facebook; Léxico; Vocabulário.

ABSTRACT
This investigation delves into the intricate processes of neologism formation that emerge and disseminate within interactions on the Facebook platform, from the meme genre aiming to unveil their predominant morphological structures, grammatical classifications, and the communicative contexts in which they are embedded. Employing na exploratory, documentary, and descriptive approach, the study compiled a corpus of 100 neological lexical units, collected between July and September 2025. The findings reveal the remarkable vitality and inherent inventiveness of the Portuguese language within the digital ecosystem, highlighting derivation (in its manifestations of prefixation, suffixation, and parasynthesis) and composition (through agglutination and juxtaposition) as the most salient mechanisms in the genesis of these words. Additionally, the assimilation and reconfiguration of linguistic borrowings, primarily from English, constitute strategies of significant relevance. The in-depth analysis suggests that neologisms transcend mere formal innovation, serving as reflections of the sociocultural and discursive practices that characterize the digital environment, operating as identity markers, vectors of ideological positioning, and instruments of meaning construction. It is thus concluded that social networks assert themselves as fertile territories for lexical innovation, wherein speakers exercise na active protagonism in the continuous updating of the language.
Keywords: Neologism; Facebook; Lexicon; Language and the internet.

1. INTRODUÇÃO

É nítido que nas últimas décadas o avanço acelerado das tecnologias digitais e a ampla difusão das redes sociais vêm provocando profundas transformações nas formas de comunicação e expressão que marcam a vida contemporânea. Nesse cenário de constantes reconfigurações sociais e culturais, observa-se que tanto a linguagem quanto os modos de produção simbólica são diretamente impactados pelas dinâmicas do mundo digital. Nesse âmbito, é sabido que:

“a linguagem é um processo de criação livre; suas leis e princípios são fixos, mas a maneira como os princípios de geração são utilizados é livre e infinitamente variada. Mesmo a interpretação e o uso das palavras envolvem um processo de criação livre”. (Chomsky, 2005: 113)

Com isso, as inovações tecnológicas, ao moldarem novas práticas discursivas, exercem influência significativa sobre o léxico do português brasileiro, fato que muitas vezes ignora a diversidade das manifestações linguísticas populares. Tal imposição acaba por reproduzir lógicas excludentes que desvalorizam a pluralidade das experiências e dos contextos sociais onde a língua se manifesta viva e dinâmica.

O ambiente virtual, estrutura célere das interações humanas na contemporaneidade é, entre outros aspectos, um marco da renovação e inovação linguística atual especialmente em redes sociais como Facebook que vêm se revelando um espaço fértil para a circulação de formas linguísticas inovadoras. Com a velocidade com que novos itens lexicais são criados e incorporados à comunicação cotidiana evidencia-se a natureza dinâmica e adaptativa da língua.

Apesar disso, nota-se que ainda há uma incipiência acerca da produção de estudos sistemáticos que se debruçam sobre os mecanismos de formação desses neologismos no contexto digital. Embora haja contribuições importantes sobre o tema em outras esferas, permanece uma lacuna no que se refere à análise das estratégias morfológicas e discursivas que sustentam esses processos nas redes sociais, bem como de seus efeitos sobre o léxico da língua portuguesa.

Diante desse panorama, este trabalho tem como propósito investigar os processos de formação de neologismos em postagens, comentários e hashtags veiculados no Facebook, com o intuito de identificar suas estruturas morfológicas predominantes, suas classes gramaticais e os contextos comunicativos em que se inserem. Essa pesquisa será orientada por referenciais teóricos da morfologia e dos estudos do léxico, a partir das contribuições de autores como Biderman (2001), Basílio (2004) e Alves (2007), que compreendem o léxico não como um repertório estático, mas como um organismo vivo e em constante mutação.

Partir-se-á, então, da hipótese de que os neologismos oriundos do meio digital expressam, simultaneamente, a inventividade dos falantes e as demandas comunicacionais próprias desses espaços de interação. Considera-se, assim, que tais vocábulos emergem da relação fluida entre língua e sociedade, funcionando como instrumentos legítimos de renovação lexical. Além disso, esses termos carregam marcas identitárias, culturais e ideológicas, refletindo os modos de participação, pertencimento e construção de sentido dos sujeitos nas redes sociais, como apontam os estudos de Braga (2006) e Castells (2009).

Acredita-se, portanto, que a relevância deste estudo reside em sua capacidade de contribuir com os debates contemporâneos no campo dos estudos linguísticos e, ao mesmo tempo, reconhecer as redes sociais como territórios legítimos de criação e inovação lexical.

2. REFERENCIAL TEÓRICO

2.1. A Formação Neológica no Português Contemporâneo: Mecanismos, Funcionamento e Papel Discursivo

A criação de neologismos representa uma manifestação central da vitalidade das línguas naturais. No contexto da língua portuguesa, sobretudo diante das transformações impulsionadas pelo meio digital, os neologismos revelam-se estratégias de atualização lexical diretamente associadas às novas demandas comunicativas dos falantes. Conforme Biderman (2001, p. 72), “o neologismo surge como mecanismo de adaptação do léxico a novas realidades, permitindo aos falantes nomearem fenômenos inéditos ou ressignificar termos preexistentes”. Essa perspectiva evidencia o papel adaptativo do léxico e sua capacidade de acomodar formas novas sem comprometer a inteligibilidade da língua.

Nesse aspecto, Basílio (2004) corrobora essa ideia ao afirmar que dentre tantos processos de formação lexical “a derivação e a composição morfológica funcionam como motores principais da produtividade léxica, ampliando o potencial expressivo da língua” (Basílio, 2004, p. 108). Tais mecanismos, amplamente produtivos no português, oferecem estrutura e previsibilidade às criações lexicais, possibilitando a expansão vocabular a partir de padrões recorrentes. Já para Alves (2007, p. 23), os neologismos “emergem como resposta às lacunas lexicais percebidas pelos falantes, sendo impulsionados por fatores culturais, tecnológicos e sociais”, o que reforça a íntima relação entre inovação lexical e contexto sociocultural.

Assim, é possível apontar que a derivação, considerada o processo mais produtivo da morfologia do português, consiste na adição de afixos a um radical já existente, podendo ocorrer por: prefixação: (descurtir), onde tem-se a formação: {des-} + {curt} + {-ir} = PREFIXO DERIVACIONAL + RADICAL + SUFIXO FLEXIONAL; sufixação: (memecracia), em que se vê a formação {meme} + {cracia} = RADICAL+ SUFIXO DERIVACIONAL bem como, também, a parassíntese em (imbroxável), uma vez que tem-se a construção de {im-} + {brox} + {-ável} = SUFIXO DERIVACIONAL+ RADICAL+ SUFIXO DERIVACIONAL.

Logo, sob a perspectiva de Basílio (1987, p. 63), “a morfologia da língua portuguesa conta com mecanismos bem definidos para a formação de novas palavras, sendo os mais produtivos a derivação e a composição”. Sendo assim, a regularidade dessas operações permite que vocábulos recém-criados sejam prontamente reconhecidos e assimilados pelos falantes. Para tanto, nota-se, ainda, que a composição, por sua vez, resultará da combinação de dois ou mais radicais, podendo acontecer por justaposição onde a união de elementos lexicais não ocasiona transformação fonética ou morfológica significativa, como no caso (websérie) onde vemos a união de duas unidades lexicais com sentidos próprios {web} + {série} = RADICAL+ RADICAL, gerando uma nova lexia com semântica própria.

Em contrapartida, a composição por aglutinação é caracterizada pela fusão de itens lexicais acometidos de alterações fonéticas, morfológica, ortográficas ou semânticas durante sua formação, como no caso de malware (junção de malicious + software) em que se tem {mal}+{ware} = RADICAL + SUFIXO DERIVACIONAL. Nesse sentido, Rocha Lima (2008, p. 156) observa que “a aglutinação e a justaposição constituem estratégias criativas que, embora não tão produtivas quanto a derivação, geram vocábulos com forte carga semântica e pragmática”. Tornando essas estruturas comuns no léxico digital, expressando com frequência conceitos condensados que só adquirem pleno sentido no contexto comunicativo em que circulam.

Ademais, observa-se a presença crescente do outro fenômeno de destaque é o empréstimo linguístico, especialmente oriundo do inglês, cuja influência tem se intensificado com a globalização e a universalização da internet. Crystal (2006, p. 127) destaca que “a internet revolucionou a dinâmica da criação lexical, acelerando a circulação de neologismos e reduzindo o tempo necessário para que uma nova palavra se torne amplamente reconhecida”. Muitos desses empréstimos são incorporados diretamente, como meme e hater, enquanto outros passam por adaptações morfológica, como streamar e shippar, sendo flexionados segundo as regras gramaticais do português.

A morfossintaxe, nesse entremeio linguístico, exerce papel crucial na integração dos neologismos ao sistema da língua. Mattos e Silva (2004, p. 98) afirma que “a estruturação morfológica e sintática dos neologismos deve obedecer às regras da língua, o que permite sua adaptação ao discurso sem comprometer a inteligibilidade”. Verbos como flopar passam a seguir a conjugação regular da primeira conjugação (flopei, flopado), enquanto substantivos como like admitem flexão de número (likes), demonstrando sua plena inserção nas estruturas sintáticas do português. Essa regularidade é fundamental para a aceitação social dos neologismos. Conforme Perini (2006), a classe gramatical e a posição sintática de um vocábulo determinam seu funcionamento dentro da oração, o que explica a fluidez com que termos recentes se inserem no discurso.

Marcuschi (2001) reforça esse entendimento ao afirmar que a linguagem na internet constitui “um novo gênero discursivo, marcado por hibridismo, instantaneidade e experimentação” (p. 24). Essa característica favorece a proliferação de formas inovadoras que, muitas vezes, escapam às normas tradicionais, mas seguem lógicas próprias de uso. Já Castells (2009, p. 88) enfatiza que, nas redes sociais, “os indivíduos tornam-se produtores ativos de conteúdo, o que impacta diretamente a linguagem e favorece a proliferação de vocábulos inéditos”. Nesse contexto, os neologismos operam como recursos de participação discursiva e de afirmação identitária.

Dessa forma, o referencial teórico que embasa esta pesquisa articula contribuições da morfologia, da morfossintaxe e estudos do léxico, oferecendo uma abordagem ampla e integrada dos neologismos nas redes sociais digitais. Ao investigar os processos que sustentam a criação e circulação de novas palavras nesses ambientes, compreende-se a língua como um sistema em constante reconstrução, vivo, mutável e sensível às transformações sociais e fundamental para a construção das identidades contemporâneas.

2.2. Inovações Lexicais no Facebook: O Gênero Meme

O Facebook2 constitui-se como uma rede social digital interativa, criada no ano 2004, que possibilita o compartilhamento multifacetado de conteúdos, incluindo textos, imagens, vídeos e links, acessíveis tanto por meio de aplicativos móveis quanto por interfaces web e se configura como uma das principais formas de interação entre a comunidade jovem no Brasil. Além de perfis pessoais, encontra-se no plataforma diversos outros tipos de conteúdo, dentre eles, páginas de fofoca, lojas e perfis de memes ou conteúdos de cunho humorístico.

No âmbito dos estudos linguísticos contemporâneos, a análise dos memes como fenômenos culturais e linguísticos revela-se fundamental para compreender os processos de inovação lexical, especialmente no que tange à formação de neologismos em ambientes digitais como o Facebook. Para tanto, é imprescindível partir da definição conceitual do gênero meme, conforme proposta por Fontanella (2015), que o caracteriza como: "uma unidade mínima de cultura replicável, que se propaga por meio da imitação e da adaptação, incorporando elementos linguísticos, visuais e contextuais que se transformam conforme o uso social” (p. 112).

É valido, ainda, ressaltar que o conceito de "meme" é proposto por Richard Dawkins em seu livro "O gene Egoísta”, no ano de 2001, definindo meme como uma unidade de transmissão cultural ou uma unidade de imitação. Nesse viés, Dawkins propõe que memes são ideias, comportamentos, estilos ou práticas que se espalham de pessoa para pessoa dentro de uma cultura, funcionando de maneira análoga aos genes na evolução biológica, mas no âmbito cultural (p. 36-39).

Desse modo, Fontanella parte da definição conceitual proposta por Dawkins para caracterizar o gênero meme como: "uma unidade mínima de cultura replicável, que se propaga por meio da imitação e da adaptação, incorporando elementos linguísticos, visuais e contextuais que se transformam conforme o uso social” (p. 112, 2015)

Essa definição ressalta a natureza dinâmica e multifacetada dos memes, que atuam como vetores de transmissão cultural e linguística, capazes de gerar novas formas de expressão e, consequentemente, neologismos. E, sob esse viés, a relação entre memes e neologismos pode ser compreendida a partir da capacidade dos primeiros de promoverem a inovação lexical por meio da recombinação criativa de elementos linguísticos.

Com isso, tais memes, ao circularem nas redes sociais, especialmente no Facebook, funcionam como espaços privilegiados para a experimentação morfológica e semântica, onde usuários criam e difundem palavras novas que atendem a demandas comunicativas específicas e refletem contextos socioculturais emergentes. Dessa maneira, “estudar os memes (...) significa compreender que sua replicação em determinados ambientes se encontra atrelada a valores simbólicos, culturais e sociais, contribuindo para a formação de grupos de interesses compartilhados” (Barreto, 2015 apud Balestero et al., 2020, pág. 88).

Nesse sentido, a definição de neologismo, para Fontanella (op. cit.), é entendida como “uma palavra ou expressão nova que surge para nomear realidades, objetos ou conceitos inéditos, ou para conferir novos sentidos a elementos lexicais já existentes” (p. 89), dialogando diretamente com a função dos memes enquanto propulsores dessas inovações lexicais.

Ademais, a natureza replicável e adaptativa dos memes, por sua vez, implica que os neologismos por eles gerados não são estáticos, mas sujeitos a variações morfológicas e semânticas conforme o contexto de uso e a interação social. Essa plasticidade é fundamental para a consolidação dos neologismos no léxico digital, pois permite que as palavras novas se ajustem às necessidades comunicativas dos grupos sociais que as utilizam. Assim, a análise dos memes sob a perspectiva da inovação lexical deve considerar não apenas a criação inicial do neologismo, mas também seu processo de difusão e transformação, aspectos intrinsecamente ligados à definição de meme proposta por Fontanella.

Por fim, a interseção entre memes e neologismos evidencia a importância de abordagens interdisciplinares que integrem a análise morfológica e os estudos do léxico em suas dimensões culturais no intuito de compreender a complexidade dos fenômenos linguísticos na era digital.

Desse modo, toma-se a definição de meme como unidade cultural replicável e adaptativa, conforme Fontanella, oferece um arcabouço teórico robusto para investigar como a inovação lexical se manifesta e se consolida em ambientes virtuais, destacando o papel ativo dos usuários na construção e reconstrução do léxico contemporâneo. Dessa forma, a análise dos memes não apenas enriquece o estudo dos neologismos, mas também amplia a compreensão sobre as dinâmicas linguísticas e culturais que permeiam as redes sociais atuais.

3. METODOLOGIA DE PESQUISA DE CAMPO, COLETA DE DADOS, CONSTITUIÇÃO DO CORPUS

Este estudo adota uma abordagem de natureza exploratória, com o propósito de descrever e analisar fenômenos linguísticos relacionados à formação de neologismos no ambiente digital Facebook. A pesquisa configura-se como documental e descritiva, uma vez que se baseia na coleta e análise de dados textuais disponíveis publicamente em páginas da plataforma Facebook, sem intervenção do pesquisador no processo comunicativo. Com isso, a amostragem foi composta por postagens, comentários e hashtags extraídos por meio de prints de perfis públicos de ampla visibilidade e relevância sociocultural, como páginas voltadas ao humor, ativismo digital, moda e entretenimento.

O critério de seleção de lexias neológicas considerou a não dicionarização dos vocábulos em análise, ou seja, o não registro destas lexias como verbetes nos principais dicionários de referência, como o Houaiss e o Aurélio, e que apresentassem forte carga expressiva ou identitária, conforme observado no contexto de uso. Nesse aspecto, a estrutura da coleta de dados foi realizada mediante observação não participante, técnica que permite ao pesquisador registrar os comportamentos e práticas linguísticas sem interferir nas interações analisadas (Lüdke; André, 1986). Em seguida, foi realizado um recorte lexical e a categorização morfológica e sintática dos vocábulos encontrados, com base nos parâmetros estabelecidos por Basílio (2004), Rocha Lima (2008) e Biderman (2001), especialmente no que se refere aos processos de formação de palavras.

A identificação dos neologismos partiu de dois critérios complementares: a ausência em dicionários de referência e a análise contextual dos termos no discurso digital. Além da derivação (prefixal, sufixal e parassintética) e da composição (por justaposição, aglutinação ou hibridismo), foram também considerados fenômenos como a redução lexical e o empréstimo linguístico, com especial atenção à adaptação morfossintática dessas formas ao sistema da língua portuguesa.

4. ANÁLISE E INTERPRETAÇÃO DOS DADOS

Como já dito, o corpus da pesquisa compõe-se de 100 itens lexicais neológicos coletados entre julho e setembro de 2025, provenientes de memes (gênero textual maior riqueza neológica), postagens, comentários e hashtags da plataforma Facebook, revelando a riqueza e o dinamismo lexical do português brasileiro no ambiente digital. Nesse sentido, os vocábulos identificados, não registrados nos dicionários de referência, foram categorizados de acordo com seus processos de formação morfológica e morfossintática, como demonstrado a seguir.

4.1. Neologismos Quanto à Classe de Palavras

a) Verbos

  • Alcoonteceu: Capturado em 28.08.25, Origem: Facebook.

{alcoo}+{teceu}: RADICAL + RADICAL (COMPOSIÇÃO POR AGLUTINAÇÃO).

  • Desache: Capturado em 28.08.25, Origem: Facebook.

{des-}{ache} PREFIXO DERIVACIONAL + RADICAL. (DERIVAÇÃO)

  • Praiou: Capturado em 28.08.25, Origem: Facebook.

{prai}+{-ou} RADICAL + SUFIXO FLEXIONAL. (DERIVAÇÃO)

  • Camou: Capturado em 28.08.25, Origem: Facebook.

{cam}+{-ou} RADICAL + SUFIXO FLEXIONAL (DERIVAÇÃO)

  • Desmudei: Capturado em 28.08.25, Origem: Facebook.

{des-}+ {mud} + {-ei} PREFIXO DERIVACIONAL + RADICAL + SUFIXO FLEXIONAL (DERIVAÇÃO PARASSINTÉTICA)

  • Descurtir: Capturado em 08.09.25, Origem: Facebook.

{des-} + {curt} + {-ir}: PREFIXO DERIVACIONAL+ RADICAL + SUFIXO FLEXIONAL (DERIVAÇÃO PARASSINTÉTICA)

  • Modelando: Capturado em 28.08.25, Origem: Facebook.

{model}+ {-ando} RADICAL + SUFIXO FLEXIONAL. (DERIVAÇÃO)

  • Grisalhando: Capturado em 28.08.25, Origem: Facebook.

{grisalh}+{ando}: RADICAL + SUFIXO FLEXIONAL (DERIVAÇÃO)

  • Desprecise: Capturado em 28.08.25, Origem: Facebook.

{des-}+{precise}: PREFIXO DERIVACIONAL + RADICAL. (DERIVAÇÃO)

  • Desviver: Capturado em 08.09.25, Origem: Facebook.

{Des-} + {Viver}: PREFIXO DERIVACIONAL + RADICAL (DERIVAÇÃO)

  • Desdeboar: Capturado em 10.09.25, Origem: Facebook.

{des-} + {deb} + {-oar}: PREFIXO DERIVACIONAL + RADICAL + SUFIXO FLEXIONAL

  • Mitou: capturado em 06.07.2025, Origem: Facebook.

{mit} + {-ou}: RADICAL+ SUFIXO FLEXIONALDERIVAÇÃO)

  • Polemizou: Capturado em 17. 08.2025, Origem: Facebook.

{polem} + {-izar}: RADICAL + SUFIXO FLEXIONAL (DERIVAÇÃO)

  • Coringar: Capturado em 07.09.2025, Origem: Facebook.

{coring} + {-ar}: RADICAL+ SUFIXO FLEXIONAL (DERIVAÇÃO)

  • Cadelizou: Capturado em 13.09.2025, Origem: Facebook.

{cadel} + {-izou}: RADICAL + SUFIXO FLEXIONAL (DERIVAÇÃO).

b) Substantivo

  • Nazíndio: capturado em 28.08.2025, Origem: Facebook.

{naz}+{índio}: RADICAL + RADICAL (COMPOSIÇÃO AGLUTINAÇÃO)

  • Lisofobia: capturado em 01.09.2025, Origem: Facebook.

{liso}+{fobia}: RADICAL + RADICAL (COMPOSIÇÃO POR JUSTAPOSIÇÃO)

  • Nomofobia: Capturado em 29.08.25, Origem: Facebook.

{Nomo} + {fobia}: Radical + Radical (COMPOSIÇÃO POR JUSTAPOSIÇÃO)

  • Opaleiro: Capturado em 28.08.2025, Origem: Facebook.

{opal}+{-eiro} RADICAL + SUFIXO DERIVACIONAL (DERIVAÇÃO).

  • Gordofobia: Capturado em 11.09.2025, Origem: Facebook.

{gordo} + {fobia}: RADICAL + RADICAL (COMPOSIÇÃO POR JUSTAPOSIÇÃO)

  • Deboismo: Capturado em 05.08.2025, Origem: Facebook.

{debo} + {ismo}: RADICAL + SUFIXO DERIVACIONAL (DERIVAÇÃO)

  • Semanistia: Capturado em 08.08.2025, Origem: Facebook.

{seman} + {istia}: RADICAL + SUFIXO DERIVACIONAL (DERIVAÇÃO)

  • Ciencídio: Capturado em 15.07.2025, Origem Facebook.

{cien} + {-ídio}: RADICAL + SUFIXO DERIVACIONAL (DERIVAÇÃO)

  • Memecracia: Capturado em 17.07.2025, Origem: Facebook.

{meme} + {cracia}: RADICAL+ SUFIXO DERIVACIONAL (DERIVAÇÃO POR AGLUTINAÇÃO)

  • Pingômetro: Capturado em 09.09.2025, Origem: Facebook.

{pingo} + {metro}: RADICAL + RADICAL (COMPOSIÇÃO POR AGLUTINAÇÃO)

  • Fofurômetro: Capturado em 10.09.2025, Origem Facebook.

{fofur} + {metro}: RADICAL + RADICAL (COMPOSIÇÃO POR AGLUTINAÇÃO)

  • Queridômetro: Capturado em 12.07.2025, Origem: Facebook.

{querido} + {metro}: RADICAL + RADICAL (COMPOSIÇÃO POR AGLUTINAÇÃO)

  • Vacinômetro: Capturado em 15.08.2025, Origem: Facebook.

{vacin} + {metro}: RADICAL + RADICAL (COMPOSIÇÃO POR AGLUTINAÇÃO)

  • Vacilômetro: Capturado em 17.07.2025, Origem: Facebook.

{vacilo} + {metro}: RADICAL + RADICAL (COMPOSIÇÃO POR AGLUTINAÇÃO).

  • Carentena: Capturado em. 19.07.2025, Origem: Facebook.

{carent} + {-ena}: RADICAL + SUFIXO DERIVACIONAL. (DERIVAÇÃO)

  • Motociata: Capturado em 13.09.2025, Origem: Facebook.

{moto} + {-ciata}: RADICAL +SUFIXO DERIVACIONAL (DERIVAÇÃO)

  • Bolotone: Capturado em 16.08.2025, Origem: Facebook.

{bolo} + {-tone}: RADICAL + SUFIXO DERIVACIONAL (DERIVAÇÃO)

  • Chocotone: Capturado em 18.08.2025, Origem: Facebook.

{choco} + {-tone}: RADICAL + SUFIXO DERIVACIONAL (DERIVAÇÃO)

  • Pavetone: Capturado em 18.08.2025, Origem: Facebook.

{pavê} + {-tone}: RADICAL + SUFIXO DERIVACIONAL (DERIVAÇÃO)

  • Coxitone: Capturado em 11.09.2025, Origem: Facebook.

{coxi} + {-tone}: RADICAL + SUFIXO DERIVACIONAL (DERIVAÇÃO)

  • Infordemia: Capturado em 13.08.2025, Origem: Facebook.

{info} + {-demia}: RADICAL + SUFIXO DERIVACIONAL (DERIVAÇÃO)

  • Seduzência: Capturado em 22.07.2025, Origem: Facebook.

{seduz} + {-ência}: RADICAL + SUFIXO DERIVACIONAL (DERIVAÇÃO)

  • Impostômetro: Capturado em 29.08.2025, Origem: Facebook.

{Imposto} + {metro}: RADICAL + RADICAL (COMPOSIÇÃO POR AGLUTINAÇÃO)

  • Panelaço: Capturado em 13.09.2025, Origem: Facebook.

{panela} + {-aço}: RADICAL + SUFIXO DERIVACIONAL (DERIVAÇÃO)

  • Bandeiraço: Capturado em 13.09.2025, Origem: Facebook.

{bandeira} + {-aço}: RADICAL + SUFIXO DERIVACIONAL (DERIVAÇÃO)

  • Buzinaço: Capturado em 13.09.2025, Origem: Facebook.

{Buzina} + {-aço}: RADICAL + SUFIXO DERIVACIONAL (DERIVAÇÃO)

  • Divertil: Capturado em 22.07.2025, Origem: Facebook.

{diver} + {-til}: RADICAL + SUFIXO DERIVACIONAL (DERIVAÇÃO)

  • Risotril: Capturado em 22.07.2025, Origem: Facebook.

{riso} + {-tril}: RADICAL + SUFIXO DERIVACIONAL (DERIVAÇÃO)

  • Embelezol: Capturado em 22.07.2025, Origem: Facebook.

{em-} + {bel} + {-zol}: PREFIXO DERIVACIONAL + RADICAL + SUFIXO DERIVACIONAL (DERIVAÇÃO PARASSINTÉTICA)

  • Estagflação: Capturado em 12.09.2025, Origem: Facebook.

{estag} + {flação}: RADICAL + SUFIXO DERIVACIONAL (COMPOSIÇÃO POR AGLUTINAÇÃO).

  • Reduflação: Capturado em 12.09.2025, Origem: Facebook.

{redu} + {flação}: RADICAL+ SUFIXO DERIVACIONAL (COMPOSIÇÃO POR AGLUTINAÇÃO)

  • Lacrosfera: Capturado em 14.09.2025, Origem: Facebook.

{lacr} + {esfera}: RADICAL+ RADICAL (COMPOSIÇÃO POR AGLUTINAÇÃO)

  • Lacrolândia: Capturado em 14.09.2025, Origem: Facebook.

{lacro} +{-lândia}: RADICAL + SUFIXO DERIVACIONAL (DERIVAÇÃO)

  • Merdificação: Capturado em 21.08.2025, Origem l: Facebook.

{merd} + {fic} + {ação}: RADICAL + RADICAL + SUFIXO DERIVACIONAL (DERIVAÇÃO PARASSINTÉTICA).

c) Adjetivo

  • Imprecisável: capturado em 28.08.2025, Origem: Facebook.

{Im} + {precis} + {ável}: PREFIXO + RADICAL + SUFIXO FLEXIONAL (DERIVAÇÃO PARASSINTÉTICA)

  • Esquerdopata: capturado em 06.07.2025, Origem: Facebook.

{Esquerdo} + {Pata}: RADICAL + RADICAL (COMPOSIÇÃO POR JUSTAPOSIÇÃO)

  • Setembrinos: capturado em 07.09.2025, Origem: Facebook.

{Setemb} + {-inos): RADICAL + SUFIXO DERIVACIONAL (DERIVAÇÃO)

  • Faraônica: Capturado em 31.08.2025, Origem: Facebook.

{Faraó} + {-nica}: RADICAL + SUFIXO DERIVACIONAL (DERIVAÇÃO)

  • Lacrônica: Capturado em 31.08.2025, Origem: Facebook.

{lacro} + {-nica}: RADICAL + SUFIXO DERIVACIONAL (DERIVAÇÃO)

  • Redentônica: Capturado em 31.08.2025, Origem: Facebook.

{redento} + {-nica}: RADICAL + SUFIXO DERIVACIONAL (DERIVAÇÃO)

  • Sambástica: Capturado em 31.08.2025, Origem: Facebook.

{samb} + {-ástica}: RADICAL + SUFIXO DERIVACIONAL (DERIVAÇÃO)

  • Bafonérica: Capturado em 31.08.2025, Origem: Facebook.

{bafo} + {-nerica}: RADICAL + SUFIXO DERIVACIONAL (DERIVAÇÃO)

  • Cleopátrica: Capturado em 31.08.2025, Origem: Facebook.

{Cleopatr} + {-ica}: RADICAL + SUFIXO DERIVACIONAL (DERIVAÇÃO)

  • Guaranítica: Capturado em 31.08.2025, Origem: Facebook.

{Guaranit} + {-ica}: RADICAL + SUFIXO DERIVACIONAL (DERIVAÇÃO)

  • Divônica: Capturado em 31.08.2025, Origem: Facebook.

{div} + {-ônica}: RADICAL + SUFIXO DERIVACIONAL (DERIVAÇÃO)

  • Reclamenta: Capturado em 19.08.2025, Origem: Facebook.

{reclam} + {-enta}: RADICAL + SUFIXO DERIVACIONAL (DERIVAÇÃO)

  • Xaropenta: Capturado em 19.08.2025, Origem: Facebook.

{Xarop} + {-enta}: RADICAL + SUFIXO DERIVACIONAL (DERIVAÇÃO)

  • Apoteótica: Capturado em 31.08.2025, Origem: Facebook.

{Apot} + {-ótica}: RADICAL + RADICAL (COMPOSIÇÃO POR AGLUTINAÇÃO)

  • Arrasante: Capturado em 31.08.2025, Origem: Facebook.

{arras} + {-ante}: RADICAL + SUFIXO DERIVACIONAL (DERIVAÇÃO)

  • Lacração: Capturado em 19.08.2025, Origem: Facebook.

{Lacr} + {-ação}: RADICAL + SUFIXO DERIVACIONAL (DERIVAÇÃO)

  • Esquerdogata: coletado em 04.09.2025, Origem: Facebook.

{esquerdo} + {gata}: RADICAL + RADICAL (COMPOSIÇÃO POR JUSTAPOSIÇÃO)

  • Calabreso: Capturado em 02.07.2025, Origem: Facebook.

{calabr} + {eso} RADICAL+ SUFIXO DERIVACIONAL (DERIVAÇÃO)

  • Falsiane: Capturado em 03.08.2025, Origem: Facebook.

{fals} + {-iane}: RADICAL + SUFIXO DERIVACIONAL (DERIVAÇÃO)

  • Esquerdomacho: capturado em 11.07.2025, Origem: Facebook.

{Esquerdo} + {macho}: RADICAL+ RADICAL (COMPOSIÇÃO POR JUSTAPOSIÇÃO)

  • Infujível: capturado em 03.07.2025, Origem: Facebook.

{in-} + {fuj} + {-ível}: PREFIXO DERIVACIONAL + RADICAL + SUFIXO DERIVACIONAL (DERIVAÇÃO PARASSINTÉTICA)

  • Feministo: capturado em 10.08.2025, Origem: Facebook.

{femi} + {nisto}: RADICAL + SUFIXO DERIVACIONAL (COMPOSIÇÃO POR AGLUTINAÇÃO)

  • Bozopata: Capturado em 13.09.2025, Origem: Facebook.

{bozo} + {pata}: RADICAL+ RADICAL (COMPOSIÇÃO POR AGLUTINAÇÃO)

  • Imorrível: Capturado em 19.08.2025, Origem: Facebook.

{Im} + {morr} + {-ível}: PREFIXO DERIVACIONAL + RADICAL + SUFIXO DERIVACIONAL (DERIVAÇÃO PARASSINTÉTICA)

  • Incomível: Capturado em 29.07.2025, Origem: Facebook.

{in-} + {com} + {-ível}: PREFIXO DERIVACIONAL + RADICAL + SUFIXO DERIVACIONAL (DERIVAÇÃO PARASSINTÉTICA)

  • Infalável: Capturado em 19.07.2025, Origem: Facebook.

{in-} + {fal} + {-ável}: SUFIXO DERIVACIONAL + RADICAL + SUFIXO DERIVACIONAL

  • Putífero: Capturado em 13.09.2025, Origem: Facebook.

{put} + -{-Ífero}: RADICAL+ SUFIXO DERIVACIONAL (DERIVAÇÃO)

  • Inviajável: Capturado em 19.08.2025, Origem: Facebook.

{in-} + {viaj} + {-ável}: PREFIXO DERIVACIONAL + RADICAL + SUFIXO DERIVACIONAL. (DERIVAÇÃO PARASSINTÉTICA)

  • Pixsexual: Capturado em 14.08.2025, Origem: Facebook.

{Pix} + {sexual}: RADICAL + RADICAL (COMPOSIÇÃO POR JUSTAPOSIÇÃO)

  • Digiosexual: Capturado em 14.09.25, Origem: Facebook.

{digital} + {sexual}: RADICAL + RADICAL (COMPOSIÇÃO POR AGLUTINAÇÃO)

  • Fofocólatra: Capturado em 13.09.2025, Origem: Facebook.

{fofoc} + {-olatra}: RADICAL SUFIXO DERIVACIONAL (DERIVAÇÃO POR AGLUTINAÇÃO).

4.2. Neologismos de Empréstimos Linguísticos

  • Fanficar verbo): Capturado em 08.09.2025, Origem: Facebook.

{fanfic} + {-ar}: RADICAL+ SUFIXO FLEXIONAL (DERIVAÇÃO POR ASSIMILAÇÃO)

  • Fanficando (verbo) Capturado em 19.08.2025, Origem: Facebook.

{fanfic} + {-ando}: RADICAL + SUFIXO FLEXIONAL (DERIVAÇÃO POR ASSIMILAÇÃO)

  • Hater (adjetivo): Capturado em 11.09.2025, Oreigem: Facebook.

{hat} + {-er}: RADICAL + SUfixo Flexional (DERIVAÇÃO POR ASSIMILAÇÃO)

  • Flopar (verbo): Capturado em 12.09.2025, Origem: Facebook.

{flop} + {-ar}: RADICAL + SUFIXO FLEXIONAL (DERIVAÇÃO POR ASSIMILAÇÃO)

  • Hitar (verbo): Capturado em 17.07.2025, Origem: Facebook.

{hit} + {-ar}: RADICAL + SUFIXO FLEXIONAL (DERIVAÇÃO POR ASSIMILAÇÃO)

  • Flodar (verbo): Capturado em 12.09.2025, Origem: Facebook.

{flod} + {-ar}: RADICAL + SUFIXO FLEXIONAL (DERIVAÇÃO POR ASSIMILAÇÃO)

  • Deletar (verbo): capturado em 20.07.2025. Origem: Facebook.

{delet} + {-ar}: RADICAL + SUFIXO FLEXIONAL (DERIVAÇÃO POR ASSIMILAÇÃO)

  • Gourmetizar (verbo): Capturado em 13.09.2025, Origem: Facebook.

{gourmet} + {-izar}: RADICAL + SUFIXO FLEXIONAL (DERIVAÇÃO POR ASSIMILAÇÃO)

  • Bolsozapp (substantivo): Capturado em 13.09.2025, Origem: Facebook.

{bolso} + {zapp}: RADICAL + SUFIXO DERIVACIONAL (DERIVAÇÃO POR HIBRIDISMO)

  • Tankar (verbo): Capturado em 11.08.2025, Origem: Facebook.

(tank} + {-ar}: RADICAL+ SUFIXO FLEXIONAL (DERIVAÇÃO POR ADAPTAÇÃO)

  • Intankável (adjetivo): Capturado em 11.08.2025. Origem: Facebook.

{in-} + {tank} + {-ável}: PREFIXO DERIVACIONAL RADICAL SUFIXO FLEXIONAL (DERIVAÇÃO PARASSINTÉTICA POR ADAPTAÇÃO)

  • Desinfluencer (adjetivo): Capturado em 16.07.2025, Origem: Facebook.

{des-} + {influencer}: PREFIXO DERIVACIONAL + RADICAL (DERIVAÇÃO POR ASSIMILAÇÃO)

  • Chernoboy (adjetivo): Capturado em 19.07.2025, Origem: Facebook.

{cherno} + {boy}: RADICAL + RADICAL (COMPOSIÇÃO POR AGLUTINAÇÃO)

  • Hypado: (adjetivo): Capturado em 15.08.2025, Origem: Facebook.

{Hyp} + {-ado}: RADICAL+ SUFIXO FLEXIONAL (DERIVAÇÃO POR ADAPTAÇÃO)

  • Tokenização (substantivo): Capturado em 13.09.2025, Origem: Facebook.

{token} + {-ização}: RADICAL + SUFIXO DERIVACIONAL (DERIVAÇÃO POR ADAPTAÇÃO)

  • Shippar (verbo): Capturado em 23.08.2025, Origem: Facebook.

{Shipp} + {-ar}: RADICAL + SUFIXO FLEXIONAL (DERIVAÇÃO)

  • Shippado (verbo): Capturado em 30.08.2025, Origem: Facebook.

{shipp} + {-ado}: RADICAL + SUFIXO FLEXIONAL (DERIVAÇÃO)

  • Coronafest (substantivo): Capturado em 13.09.2025, Origem: Facebook.

{corona} + {fest}: RADICAL+ RADICAL (COMPOSIÇÃO POR HIBRIDISMO)

  • Streamável (adjetivo): Capturado em 15.08.2025, Origem: Facebook.

{stream} + {-ável}: RADICAL + SUFIXO DERIVACIONAL (COMPOSIÇÃO POR ADAPTAÇÃO)

  • Linkar (verbo): Capturado em 12.09.2025, Origem Facebook.

{link} + {-ar}: RADICAL + SUFIXO FLEXIONAL (DERIVAÇÃO POR ASSIMILAÇÃO)

  • Stalkear (verbo): Capturado em 12.09.2025, Origem Facebook.

{Stalkear} + {-ar}: RADICAL + SUFIXO FLEXIONAL (DERIVAÇÃO POR ADAPTAÇÃO)

  • Deslike (verbo)Capturado em 12.09.2025, Origem Facebook.

{Des-} + {like}: PREFIXO DERIVACIONAL + RADICAL (DERIVAÇÃO POR ADAPTAÇÃO)

  • Websérie (substantivo): Capturado em 12.09.2025, Origem: Facebook.

{web} + {série}: RADICAL + RADICAL (COMPOSIÇÂO POR HIBRIDISMO)

  • ZappZapp (substantivo): Capturado em 13.09.2025, Origem: Facebook.

{zapp} + {zapp}: SUFIXO DERIVACIONAL + SUFIXO DERIVACIOVAL (COMPOSIÇÂO POR ABREVIAÇÂO)

  • Showmício Capturado em 12.09.2025, Origem Facebook.

{show} + {-micio}: RADICAL SUFIXO DERIVACIONAL (COMPOSIÇÃO POR HIBRIDISMO)

  • Pesadown: Capturado em 12.09.2025, Origem Facebook.

{Pesa} + {down}: RADICAL + RADICAL: (COMPOSIÇÃO POR HIBRIDISMO).

5. RESULTADOS

A análise do corpus de neologismos, do gênero meme, da rede social Facebook, conforme detalhado na seção anterior, permitiu demonstrar a vitalidade e criatividade da língua portuguesa bem como identificar padrões significativos nos processos de formação lexical e suas implicações. Com efeito, os resultados corroboraram a hipótese inicial de que o ambiente digital, especialmente no Facebook, é revelador de um espaço de inovação lexical produtivo, impulsionada tanto pela inventividade dos falantes quanto pelas demandas comunicacionais específicas dessa plataforma.

Os processos morfológicos de formação de palavras mais proeminentes são a derivação (tanto por sufixação quanto por prefixação, e a parassíntese) e a composição (por aglutinação e justaposição). Além disso, a incorporação e adaptação de empréstimos linguísticos são mecanismos significativos para a criação de novos termos, refletindo a influência de outras línguas e culturas na comunicação online.

A derivação, responsável por grade parte do processo de formação neológica deste estudo, confirma a tese de Basílio (2004) quanto à elevada produtividade dos processos morfológicos derivacionais sufixais no português, especialmente no que tange à formação lexical a partir de padrões estruturais já estabilizados. Essas ocorrências presentes em vocábulos do português ilustram de maneira clara como a aplicação de afixos e radicais, resultando em unidades lexicais plenamente integradas ao sistema da língua.

Dessa maneira, nota-se uma regularidade morfológica envolvida nessas formações favorece sua assimilação pelos falantes, aspecto que, como assinala Basílio (1987), sustenta a eficácia da derivação como estratégia de ampliação vocabular. Nesse processo, observa-se não apenas a criação de novas lexias, mas também a reafirmação de um modelo gramatical produtivo e inteligível, cuja previsibilidade contribui para sua rápida difusão no uso corrente.

O empréstimo linguístico, por sua vez, corresponde uma parte considerável dos neologismos registrados, revelando a intensidade da influência do inglês sobre o léxico digital do português brasileiro. Termos como Fanfic, Flopar e Linkar, frequentemente incorporados sem alterações formais, refletem a presença da cultura de língua inglesa, veiculada nas redes sociais, sobre a dinâmica lexical da língua, conforme assinala Crystal (2006). No entanto, é especialmente significativo o fenômeno da adaptação morfológica de empréstimos, evidenciado em formas como shippar e Hypar, que passam a ser conjugadas segundo os paradigmas verbais do português.

Esse processo de aportuguesamento lexical denota, como afirma Mattos e Silva (2004), a capacidade da língua de absorver elementos externos e adequá-los a suas estruturas gramaticais, garantindo-lhes plena funcionalidade morfossintática. A aceitação social desses vocábulos, conforme observa Perini (2006), decorre em grande medida da conformidade estrutural que mantêm com os padrões sintáticos e morfológicos da língua, o que assegura sua integração natural ao discurso.

As estratégias de redução lexical e siglagem, ainda que menos recorrentes no corpus analisado desempenham papel fundamental na conformação da linguagem digital, sobretudo em função da busca por economia expressiva e agilidade comunicativa. Como observa Marcuschi (2001), a linguagem nas redes sociais valoriza a brevidade, a instantaneidade e a dinamicidade, favorecendo estruturas compactas e de rápida circulação. Vocábulos como zapp (forma reduzida de WhatsApp) exemplifica esse processo de condensação, amplamente aceito entre os usuários.

Do mesmo modo, a composição e os neologismos semânticos, ainda que representem unidades lexicais mínimas na língua, contribuem significativamente para a inovação lexical no ambiente virtual. Exemplo como websérie evidenciam a função nomeadora desses compostos, os quais surgem para designar fenômenos específicos do universo digital. Por sua vez, temos construções que demonstram o processo de ressignificação, em que vocábulos preexistentes ou empréstimos ganham novos contornos semânticos, passando a designar práticas socioculturais emergentes.

Tal dinâmica reforça a concepção de léxico como instância viva, em constante reconstrução, conforme propõe Biderman (2001), para quem o léxico reflete a realidade em movimento e se reestrutura conforme as necessidades expressivas dos falantes. Os neologismos analisados não são meras inovações linguísticas; eles são reflexos diretos de práticas socioculturais e discursivas próprias do ambiente digital. A análise dos neologismos coletados revela que essas criações linguísticas transcendem o plano meramente formal, constituindo-se como índices simbólicos de práticas socioculturais específicas do ambiente digital. Em outras palavras, os neologismos não apenas atualizam o vocabulário: eles traduzem valores, posicionamentos, afetos e identidades.

A partir desse aspecto, é notável que grande parte dos vocábulos observados como: flopar, shippar, cringe e meme está diretamente vinculada à linguagem da juventude digital e aos circuitos culturais da chamada cultura do meme. Esses termos atuam como marcadores de pertencimento e cumplicidade entre usuários, funcionando como senhas linguísticas que ativam referências culturais compartilhadas.

A rápida circulação e obsolescência de muitos desses vocábulos é indicativa da fluidez com que a linguagem se adapta aos ciclos de consumo e produção simbólica nas redes, reforçando o caráter efêmero e performático desses espaços discursivos. É evidente, com isso, que neologismos como descurtir e deslike surgem como respostas a dinâmicas de aprovação, reprovação e conflito intensificadas pelo ambiente digital.

Essas unidades lexicais nomeiam comportamentos específicos mediados pelas plataformas, como o julgamento público, o engajamento negativo e o enfrentamento discursivo. Já o termo cancelamento ilustra a capacidade da língua de incorporar fenômenos sociais complexos, traduzindo, por meio de um vocábulo sintético, processos de boicote coletivo e responsabilização pública que caracterizam o “ethos” digital contemporâneo.

Diante desse cenário, a presença marcante de vocábulos oriundos do inglês, tais como streamável e zapp, refletem não apenas o prestígio internacional da língua inglesa, mas também o impacto direto da tecnologia e da globalização sobre o vocabulário cotidiano. A língua portuguesa, nesse contexto, revela sua plasticidade ao incorporar, adaptar e reconfigurar termos estrangeiros, integrando-os às suas estruturas morfossintáticas sem que se perca a coerência interna do sistema.

Sob uma perspectiva discursiva, os neologismos operam como ferramentas de coesão e produção de sentido dentro das comunidades linguísticas digitais. Como afirmam Halliday e Hasan (1976, p. 278), a coesão lexical é um dos elementos centrais da textualidade, e os neologismos, ao estabelecerem novas referências partilhadas, contribuem para a constituição de vínculos simbólicos entre os interlocutores. Nas redes sociais, esse fenômeno se intensifica: os usuários utilizam vocábulos inovadores não apenas para comunicar, mas para construir e afirmar identidades, marcar posicionamentos ideológicos e criar narrativas coletivas.

Castells (2009, p.88) enfatiza que, na sociedade em rede, os indivíduos atuam como produtores ativos de linguagem e de cultura, o que amplia a relevância social dos neologismos como estratégias de apropriação discursiva e de resistência simbólica. Contudo, a linguagem digital, como observa Marcuschi (2001, p. 24), configura-se como um “novo gênero discursivo”, dotado de regras próprias, hibridismo estrutural e abertura à experimentação.

Nesse ambiente, a criação lexical fomentada pelos memes assume não apenas um papel funcional, mas também estético, político e identitário como manifestações legítimas da criatividade linguística dos falantes. Ignorar tais ocorrências significa desconsiderar não apenas a riqueza expressiva presente nas interações cotidianas, mas também negligenciar a relevância dos ambientes digitais como espaços legítimos de produção discursiva e construção de identidade. A análise dos neologismos, nesse sentido, não se limita ao reconhecimento de vocábulos recentes ou “modismos” linguísticos, mas envolve uma abordagem reflexiva que considera os contextos de produção, os sentidos ativados e as funções sociais que esses termos desempenham nas práticas discursivas.

Em síntese, os neologismos que emergem das redes sociais não devem ser tratados como simples gírias efêmeras, mas sim como sinais de transformações profundas no funcionamento da língua, impulsionadas por fatores tecnológicos, culturais e sociais. Eles evidenciam a plasticidade do português e seu potencial de adaptação a novas realidades comunicativas. Como tal, constituem um objeto de estudo linguístico legítimo e relevante, capaz de lançar luz sobre o caráter vivo e mutável da linguagem.

6. CONSIDERAÇÕES FINAIS

Este estudo teve por objetivo investigar os processos de formação de neologismos produzidos e disseminados na rede social Facebook, com foco na compreensão de como essa plataforma digital favorece a criação e circulação de novas unidades lexicais no português contemporâneo. A análise de um corpus composto por 100 neologismos, ancorada em referenciais da morfossintaxe, da sociolinguística e dos estudos do léxico, revelou a complexidade e a fluidez que caracterizam o funcionamento da linguagem em ambientes digitais. Os resultados obtidos evidenciam que as redes sociais constituem espaços lexicalmente férteis, onde a língua portuguesa manifesta sua capacidade adaptativa diante de novas práticas comunicativas.

Dentre os mecanismos mais recorrentes na formação dos neologismos analisados, destacam-se a derivação, sobretudo sufixal, e o empréstimo linguístico, com e sem adaptação morfológica. A produtividade da derivação confirma a robustez dos mecanismos internos da língua, ao passo que a expressiva presença de empréstimos, notadamente advindos do inglês, refletindo a influência da cultura digital sobre a conformação do léxico contemporâneo.

Outros processos, como a redução lexical, a siglagem, a composição e os neologismos semânticos, também desempenham papel relevante, revelando não apenas a busca por concisão e eficiência comunicativa, mas também a capacidade do léxico de reconfigurar significados para dar conta de novas realidades sociais. Termos como flopar e shippar, exemplificam o modo como esses vocábulos se tornam vetores de identidade e expressão cultural, refletindo dinâmicas discursivas próprias da juventude digital e da cultura do meme.

A análise dos dados corrobora a concepção da linguagem como um sistema vivo, permeado por transformações contínuas e intrinsecamente ligado às práticas socioculturais de seus falantes. As redes sociais, nesse contexto, afirmam-se como esferas legítimas de inovação lexical, nas quais os usuários exercem protagonismo na atualização da língua. Os neologismos que emergem desses espaços não são apenas inovações lexicais, mas também dispositivos simbólicos que operam na construção de sentido, pertencimento e posicionamento discursivo.

A principal contribuição deste estudo reside, portanto, na ampliação da compreensão sobre os processos de renovação lexical no contexto digital, ao reconhecer a legitimidade dos neologismos como fenômenos linguísticos que exigem não apenas descrição formal, mas também interpretação sociocultural e discursiva.

Reconhece-se, contudo, que este trabalho possui algumas limitações. A delimitação temporal da coleta (julho à setembro de 2025) e a escolha por uma plataforma específica (Facebook) podem restringir a generalização dos resultados. Além disso, a análise concentrou-se prioritariamente nos aspectos morfológicos e morfossintáticos dos neologismos, ainda que suas implicações semânticas e pragmáticas tenham sido tangenciadas.

Em suma, a pesquisa sobre neologismos no ambiente digital abre caminho para uma compreensão mais ampla e sensível da língua portuguesa em sua contínua reinvenção. Ao iluminar os mecanismos e os sentidos que sustentam a inovação lexical nas redes sociais, este trabalho espera ter contribuído não apenas para o avanço do debate acadêmico, mas também para o fortalecimento de uma perspectiva linguística que valorize a diversidade, a criatividade e a potência expressiva dos falantes na contemporaneidade.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

Alves, I. R. O léxico em movimento: neologia e mudança lexical. São Paulo: Parábola Editorial, 2007.

André, Marli Eliza Dalmazo Afonso de. Estudo de caso: o estado da arte. Cadernos de Pesquisa, São Paulo, n. 115, p. 51–64, jul. 2002.

Basílio, M. Formação de palavras em português. Rio de Janeiro: Editora Ao Livro Técnico, 1987.

Biderman, M. T. C. As palavras e suas histórias: introdução à morfologia lexical do português. São Paulo: Contexto, 2001.

Calvet, Louis-jean. A guerra das línguas e as políticas linguísticas. Tradução: Márcia Valéria M. dos Santos Lopes. São Paulo: Parábola Editorial, 2002.

Castells, Manuel. A galáxia da internet: reflexões sobre a internet, os negócios e a sociedade. Rio de Janeiro: Zahar, 2003.

Crystal, David. A linguagem e a internet. Tradução: Marcos Marcionilo. São Paulo: Cambridge University Press, 2006.

Chomsky, N. Chomsky on Anarchism. Edinburgh, Oakland and West Virginia: AK Press, 2005.

De Souza Balestero, M.; Bordonal Clempi, C.; Soares Da Costa, D. Processos de Formação de Neologismos no Instagram. Revista da Anpoll, [S. l.], v. 51, n. 1, p. 83–95, 2020. DOI: 10.18309/anp. vv51i1.1230. Disponível em: https://revistadaanpoll.emnuvens.com.br/revista/article/view/1230. Acesso em: 08. set. 2025.

________. Estrutura do léxico: um estudo de morfologia estrutural. 3. ed. São Paulo: Ática, 2001.

Fontanella, V. Memes e cultura digital: uma análise semiótica. São Paulo: Editora Cultura Contemporânea, 2015.

Halliday, M. A. K.; Hasan, R. Coesão em inglês. Londres: Longman, 1976.

Lüdke, Menga; André, Marli E., D.A. Pesquisa em educação: abordagens qualitativas. São Paulo: EPU, 1986.

Mattos E Silva, R. V. A gramática do português: história, teoria e análise, estudos sintáticos e morfológicos. São Paulo: Contexto, 2004.

Mattos E Silva, Rosa Virgínia. Para a história do português brasileiro: ensaios. Campinas: Parábola Editorial, 2004.

Marcuschi, Luiz Antônio. Gêneros textuais: definição e funcionalidade. In: Dionísio, A. P. Machado, A. R.; Bezerra, M. A. (org.). Gêneros textuais e ensino. Rio de Janeiro: Lucerna, 2001. p. 19–35.

________. Neologismos e inovação lexical na língua contemporânea. Rio de Janeiro: Editora Linguística Moderna, 2015.

________. Morfologia da língua portuguesa. Rio de Janeiro: Ao Livro Técnico, 1987.

Perini, Mário A. Gramática descritiva do português. São Paulo: Ática, 2006.

Rocha Lima, Carlos Henrique da. Gramática normativa da língua portuguesa. 48. ed. São Paulo: José Olympio, 2008.

________. Teoria lexical: formação e estrutura das palavras. São Paulo: Ática, 2004.


1 Graduando em Letras - Habilitação em Língua Portuguesa pela Universidade Federal do Pará/ UFPA.

2 https://digitei.com/quando-surgiu-o-facebook-a-origem-da-rede-social/