MUITO ALÉM DOS NÚMEROS! QUAL O VALOR DE UM JOGADOR DE FUTEBOL? UM ESTUDO DOS MÉTODOS DE AVALIAÇÃO

FAR BEYOND NUMBERS! WHAT IS THE VALUE OF A FOOTBALL PLAYER? A STUDY OF EVALUATION METHODS

REGISTRO DOI: 10.70773/revistatopicos/790549417

RESUMO
Quais os fatores que influenciam os preços de um jogador de futebol? Esta pesquisa teve como objetivo identificar os principais fatores determinantes na avaliação de preço de venda e fazer um comparativo do que está de acordo com o que os clubes de futebol usam. Para tanto, foi realizado uma revisão bibliográfica e documental do tipo descritiva e de abordagem qualitativa, se baseando estudos realizados anteriormente, das demonstrações financeiras do ano de 2023 dos quatro principais clubes de São Paulo e de reportagens encontradas que possam complementar o assunto. O trabalho atingiu seu objetivo ao trazer o entendimento de que os estudos que trazem a abordagem de mensuração do valor do jogador para o mercado podem divergir da forma em que um clube utiliza para tal. Isto leva a compreender que a avaliação do preço de venda de um jogador é complexa devido ao fato de se tratar de avaliações muitas vezes subjetivas, o que impede a criação de fórmulas padronizadas de avaliação.
Palavras-chave: clubes de futebol; métodos de avaliação; preço de venda.

ABSTRACT
What are the factors that influence the prices of a football player? This research aimed to identify the main determining factors in the evaluation of selling prices and make a comparison with what football clubs use. To this end, a descriptive and qualitative bibliographic and documentary review was conducted, based on previous studies, the financial statements of the year 2023 of the four main clubs in São Paulo, and news articles that could complement the subject. The work achieved its objective by bringing the understanding that studies that take a market approach to player value measurement may differ from the way a club uses it. This leads to the understanding that the evaluation of a player's selling price is complex due to the fact that it often involves subjective assessments, which prevents the creation of standardized evaluation formulas.
Keywords: football clubs; evaluation methods; sale price.

1. INTRODUÇÃO

Que o futebol é uma grande paixão mundial é um fato conhecido, mas o amor ao esporte hoje se tornou um segmento de mercado lucrativo, movimentando quantias bilionárias anualmente. Os 20 (vinte) principais clubes de futebol geraram receita na temporada 2022/2023 de 10,5 bilhões de euros, um aumento de 14% em relação ao ano anterior, conforme relatório da (Deloitte 2024).

Pelo Futebol ser um elemento cultural, os valores movimentados por um clube geram o interesse de terceiros em relação às movimentações que ocorrem nessas entidades (Holanda et al., 2012). Anteriormente, a principal receita dos clubes de futebol eram as receitas com bilheterias, hoje não mais: a exploração de marcas, patrocínios, receita com sócio fundadores, premiações de campeonatos e venda dos direitos de atletas também incorporam as finanças de um clube (Dantas; Boente; 2011).

Com esse cenário competitivo e as altas premiações, os clubes sentem a necessidade de desempenho financeiro e ganho desportivo, para isso os clubes investem grandes quantias dos seus recursos financeiros para a contratação de atletas (Marçal; Rengel; Monteiro apud Sakinc; Acilin; Soyguden 2017). Isso confere ao jogador o papel de protagonista, sendo o principal responsável para ganhos de receitas dos clubes, que buscam a explorar do mesmo como uma mercadoria para ou como um ativo de grande valor para ganhos esportivos (DO ESPORTE; 2021).

Com o êxito esportivo dependendo do fortalecimento da equipe, Gulbrandsen e Gulbrandsen (2011) apresentam que há um custo para adquirir o jogador, o qual é afetado por diferentes fatores de avaliação, que vão desde a idade até a propensão de lesões que o atleta pode acabar sofrendo.

Diante desse contexto, surge a pergunta de pesquisa que é: Quais são os principais fatores decisórios para avaliação do valor de venda e compra de jogadores de futebol?

Da questão de pesquisa se deriva o objetivo do estudo, que neste caso é identificar os principais fatores determinantes na avaliação de preço de venda e fazer um comparativo do que está de acordo com o que os clubes de futebol usam e o que se encontra na literatura.

Esse trabalho se justifica, por ser um assunto em discussão e ainda os estudos anteriores apresentam diversos métodos e cálculos, não havendo um consenso entre os autores encontrados, como: Franceschi (2024), Gulbrandsen e Gulbrandsen (2011), Carmichael e Thomas (1993), Dobson e Gerrard (1999), Frick (2007), Tunaru; Clark e Viney (2005), Poli, Besson e Ravenel (2021). Outra questão importante que justifica o tema é que a compra de atletas está ligada diretamente com a gestão financeira dos clubes, o que acaba impactando nas contas e no planejamento orçamentário.

Esse estudo foi estruturado em cinco seções, sendo a primeira seção a introdução, onde foi apresentada uma breve contextualização a respeito do tema, apresentação da problemática da pesquisa e objetivo geral. Na segunda seção, foi apresentado o referencial teórico, abordando as metodologias de cálculo dos jogadores de futebol e suas especificidades. Na terceira seção foi apresentada a metodologia da pesquisa no que se refere ao enquadramento metodológico e como a coleta de dados foi realizada. Na quarta seção foi apresentado os dados coletados, analisados e os achados deste estudo. Na quinta seção foi apresentado as considerações finais do estudo, bem como seus resultados e conclusões de pesquisa.

2. REVISÃO DE LITERATURA

A fundamentação teórica tem a finalidade de apresentar as teorias e as formas de cálculos e/ou metodologias utilizadas no desenvolvimento de formas de avaliação de valores de venda de jogadores de futebol.

Na atualidade, diversos pesquisadores elaboraram e defendem metodologias de mensuração para valores de negociação de venda de jogadores de futebol, o que foi apresentado na sequência. Essas metodologias remontam a metade do século XX e estavam relacionadas à priori ao beisebol.

Na sequência, foi apresentado as principais metodologias, em evidência, que tem o objetivo de ser a base para a comparação com o mercado.

2.1. Futebol Como Negócio

O futebol passou por uma modernização e se tornou um fenômeno global. Em 2023, os 20 (vinte) clubes de futebol com maior receita no Brasil alcançaram a impressionante quantia de R$8,9 bilhões, estabelecendo um recorde histórico para o esporte no país (Exame, 2024). Diante desse significativo volume de receita, é natural que haja um crescente interesse em ingressar nesse setor.

Será abordado 04 (quatro) pontos do futebol como negócio: o clube de futebol, a diversidade de origem de receitas, os investimentos em categorias de base que geram altas receitas, e contrato com os jogadores que mudaram drasticamente na última década.

O primeiro ponto, os clubes de futebol no Brasil não são empresas propriamente ditas, mas associações que, inicialmente, na década de 40, não eram permitidas a obtenção de lucros de acordo com o Decreto-Lei n.º 3.199, de 1941. Essa limitação foi vigente até o ano de 1993, quando foi instituída a Lei n.º 8.672/1993, conhecida como Lei Zico, que permitia a transformação de clubes em sociedades comerciais. (Holanda, et al., 2012; Marçal, 2018)

Em 2021, o conceito clube-empresa passou a ser utilizado no Brasil, a partir da Sociedade Anônima de Futebol (SAF). Esta sociedade foi criada a partir da Lei 14.193/2021, permitindo que os clubes de futebol brasileiros fossem transformados em empresas. As dívidas de um clube podem ser um dos motivadores para a sua transformação em um clube-empresa, isto é, SAF, uma vez que as dívidas pertencentes à associação civil não são transferidas para a empresa recém-criada, a qual é apenas responsável por contribuir com os próprios pagamentos (Globo Esporte 2022).

O segundo ponto é a transformação dos estádios de futebol em espaços multifuncionais, visando não apenas melhorias das instalações esportivas, mas também a maximização das receitas provenientes dos direitos de transmissão, além de estratégias de marketing associadas ao evento (Universidade do Futebol, 2021).

Outro ponto que faz do futebol um grande negócio é o valor investido em categorias de base, possuindo um alto custo para a formação do atleta, em contrapartida são geradas grandes receitas com venda desses jogadores formados no próprio clube. O Brasil é o país fora do continente europeu que mais lucrou com as categorias de base no mundo entre 2014 e 2023, tendo 9 times entre os 100 que mais lucraram, sendo um mercado bastante cobiçado por clubes estrangeiros para realização de investimentos (Exame 2024).

Por fim, é em relação aos contratos dos jogadores de futebol com os clubes ao considerar a Lei Pelé Sancionada em 24 de março de 1998, a Lei nº 9.615 que proporcionou a extinção do “passe”, uma revolução na contratação dos jogadores de futebol ao desvincular a obrigatoriedade dos jogadores para com o clube, mesmo após o término de contrato, permitindo liberdade contratual aos jogadores, além de maior transparência e regulamentação das relações trabalhistas no esporte (Holanda et al., 2012; Lopes; Davis, 2006; Silva; Moraes, 2010). Esta lei foi um marco, pois os atletas passaram a ter direitos e deveres mais equilibrados em relação aos clubes, promovendo uma maior profissionalização do esporte.

Essa dinâmica financeira também pode relacionar o futebol para além da visão empresarial ao fornecer às famílias dos jogadores a oportunidade de ver nos filhos uma perspectiva de futuro no esporte e com a possibilidade de ascensão da sua condição social (Universidade do Futebol, 2021).

O passe foi, então, substituído pelos chamados "direitos federativos", que diferentemente do primeiro, possuem a característica de temporariedade, conforme o prazo de vigência do contrato (Curvina & Nascimento, 2014). De acordo com Lopes e Davis (2007), o termo mais adequado a ser utilizado seria "direito de vínculo desportivo". Vale destacar que o “passe” deveria ser extinto em até três anos, e, para isso, foram adotados diversos procedimentos contábeis à época (Buesa & Araújo, 2012).

É necessário diferenciar os direitos federativos dos direitos econômicos, sendo os direitos federativos o registro do jogador junto à federação de futebol, ou seja, se relacionam ao contrato de trabalho entre o jogador e o clube. Uma das características é que os direitos federativos são temporários e vinculados a duração do contrato do jogador com o clube (Curvina & Nascimento, 2014).

Já os direitos econômicos correspondem a parcela financeira sobre uma futura transferência do jogador, que pode ser negociada, vendida ou compartilhada entre diferentes partes, como clubes ou investidores, por exemplo. E isto não está necessariamente vinculado ao contrato de trabalho do jogador, mas sim ao valor econômico que ele representa (Curvina & Nascimento, 2014).

Desse modo, os direitos federativos representam a inscrição e a relação contratual do jogador com um clube, enquanto os direitos econômicos compactuam ao valor financeiro que o jogador pode gerar em uma transferência entre clubes.

As regras vigentes para as entidades desportivas profissionais, advém da Interpretação Técnica Geral 2003 (ITG 2003), que con­sidera os jogadores como ativos intangíveis, mas isso nem sempre foi assim. Antes mesmo da convergência das normas contábeis internacionais, através da Lei n.º 11.638/2007, já havia um dispositivo legal que indicava como deveriam ser classificados os jogadores de futebol por seus clubes.

2.2. Métodos de Avaliação

Existem muitos métodos de avaliação de jogadores, vamos evidenciar alguns métodos de cálculos existentes.

Figura 1. Modelo de mensuração no Segmento Esportivo

Fonte: Elaborado com base no modelo de IJIRI, Y. The foundations of accounting measurement. (1967, p. 135).

Fora os métodos de valores de entrada e saída, já conhecidos na contabilidade, vamos apresentar os seguintes métodos de mensuração: Carmichael e Thomas, Dobson e Gerrard, Frick, Metodos estocásticos, Transfermarkt, Gulbrandsen e Gulbrandsen e Poli, Besson e Ravenel. Todos esses métodos propõem formas de mensuração do valor de venda de um jogador de futebol, o proposito e na parte 4 identificar se os clubes de futebol utilizam essas metodologias propostas.

2.2.1. Carmichael e Thomas

Carmichael e Thomas (1993), foram pioneiros no assunto relacionado ao mercado de transferências do futebol. Usando dados da liga inglesa de futebol no ano de 1990-91, aplicam a teoria da negociação entre duas pessoas para determinar a taxa de transferência a ser realizada. Os autores consideram que a negociação do valor do passe dos jogadores é institucionalizada, embora haja diversas possibilidades de acordo entre as partes, haverá conflitos de interesse sobre qual deve ser o acordo a ser fechado. Devido a isso, o resultado obtido em uma negociação será o produto da negociação entre os clubes: o jogador. Com isso em questão, Carmichael e Thomas (1993) consideram que os modelos de Nash (1950, 1953) fornecem uma visão mais adequada para analisar o mercado de transferências, descrita na equação abaixo:

solução de negociação de Nash (NBS)

[S(f)-s][B(f)-b]

Onde:

S(f): Função de utilidade esperada do clube vendedor.

B(f): Função de utilidade esperada do clube comprador.

s: Ponto de status quo ou ponto de ameaça do clube vendedor.

b: Ponto de status quo ou ponto de ameaça do clube comprador.

Carmichael e Thomas (1993) indicam dois elementos que influenciam a negociação de uma transferência:

  1. O rendimento desportivo dos clubes, em que um prestígio elevado do vendedor resulta numa taxa final mais elevada;

  2. O risco ou a possibilidade de não chegarem a um acordo. Se o vendedor for mais avesso ao risco, a taxa de transferência diminuirá, e o contrário acontecerá se for menos avesso ao risco, com os fatores determinantes da força do clube a serem baseados na situação financeira e no sucesso desportivo.

2.2.2. Dobson e Gerrard

Dobson e Gerrard (1999) realizaram um estudo baseado em 1.350 transferências do futebol inglês, entre os anos de 1990 a 1996. Os autores desenvolvem um modelo em que as taxas observadas são determinadas de acordo com as características do jogador, do clube que está comprando e do clube que está vendendo, assim como os efeitos do tempo. O trabalho elaborado por Dobson e Gerrard busca entender como a inflação e outros fatores influenciam os custos de transferência entre diferentes setores de um mercado.

Dobson e Gerrard vão usar o modelo TP-CP, pois este é um teste formal de uma condição necessária para a presença de rendas do monopólio de taxa de transferência, já que o clube é um maximizador de utilidade sujeito a restrição financeira tendo o desempenho da equipe e lucros do clube como argumento. Logo, um clube comprador pode avaliar o jogador conforme seguinte modelo matemático:

Onde:

i = jogador

k = clube vendedor

j = clube comprador

VBJi = Avaliação do jogador i para j

Δi;eQ = mudança esperada no nível de desempenho esperado pela equipe

Δi;eR = mudança esperada na receita

Desse modo, o clube comprador espera que a equipe tenha um desempenho baseado na qualidade do jogador em relação com a equipe já existente. Ao contratar um jogador de destaque e ao ter um bom desempenho em campo, um clube de futebol pode esperar um aumento significativo em suas receitas, proveniente da venda de ingressos, patrocínios, direitos de transmissão e outros negócios relacionados ao futebol. Essa expectativa de aumento de receita pode ocorrer antes mesmo que os resultados positivos em campo se concretizem, pois, a expectativa em torno do jogador e da equipe já é suficiente para gerar um impacto financeiro.

No entanto, o clube comprador tem um valor máximo que está disponível a desembolsar, no qual os autores trazem esse valor seguindo a seguinte equação:

Onde:

TBji = Preço máximo disposto a pagar

VBJi = Avaliação do jogador a ser comprado

WJi = Custo salarial do jogador durante o período contratual

SJi = Taxa de assinatura paga ao jogador quando acorda o contrato

Teji = taxa de transferência esperada “ao final do contrato”

o preço de lance máximo do clube comprador é a avaliação do jogador pelo clube, líquido dos pagamentos ao jogador.

Já no caso do clube vendedor, na avaliação do jogador, os autores abordam que irá depender entre os níveis atuais do desempenho da equipe e as receitas do clube, juntamente dos níveis pós-transferência. Isso resultará na avaliação do clube vendedor:

Onde:

VsKi = Avaliação do clube vendedor

Δi : eQk = níveis atuais de desempenho da equipe

Δi eRk = nível atual de receita do clube

Assim, como o clube comprador tem um máximo para gastar no jogador, o clube vendedor possui a taxa mínima, que no caso será definida pela fórmula:

Onde:

TSki = Valor mínimo aceitável pelo clube vendedor

VsKi = Avaliação do clube vendedor

Wki = Valor presente dos custos salariais restante no contrato

ΔTeki = Valor presente da apreciação da taxa de transferência esperada se o jogador for vendido após seu contrato

Com esses fatos, Dobson e Gerrard (1999), estabelecem que se os clubes forem agentes econômicos racionais, a taxa de transferência observada, aqui estabelecido por Ti, vai ficar entre o máximo disponível a ser pago pelo clube comprador e o valor mínimo aceitável l a ser recebido pelo clube vendedor. Caso a taxa de transferência observada estiver acima do mínimo aceitável, irá resultar em uma renda de monopólio, pois o clube vendedor foi capaz de extrair o excesso da avaliação líquida do clube comprador pelo preço de reserva (mínimo aceitável).

Os autores então supõem que a participação no aluguel, , onde também pode ser entendido como o excedente da negociação entre as partes, ou seja, diferença entre o valor mínimo aceitável e o valor máximo disposto a ser pago, é determinado exogenamente e vai permanecer constante para todas as transferências. definindo assim a taxa de transferência observada será formulada:

Onde:

Ti, será a média ponderada do preço máximo de lance do comprador e o preço mínimo aceitável.

Os autores trazem então que para estimar a equação da taxa de transferência a ser observada é preciso especificar os determinantes observados, TSki, e TBji. Dessa forma será suposto que o clube comprador irá depender de dois vetores, um com a características do jogador, definido aqui como Pi, e outro com as características do clube comprador, Bji. No caso do clube vendedor, também se assume dois vetores, onde se repete as características do jogador, Pi, mas agora no caso se tem o vetor com as características do clube vendedor, Ski. Quando aplica-se a substituição na fórmula chega-se à seguinte equação.

Dobson e Gerrard (1999), abordam o teste de renda de monopólio de Dobson e Gerrard (1997) onde propõem um método para investigar se os clubes vendedores de jogadores de futebol estão abusando de seu poder de mercado. A ideia é verificar se o valor da transferência depende não apenas das características do jogador e do clube vendedor, mas também das características do clube comprador. Se a resposta for sim, é um sinal de que pode haver monopólio no mercado. No caso, os autores abordam que se os alugueis não estão presentes (f = 0), as taxas irão apenas depender das características do jogador e do clube que está vendendo, já para caso houver rendas de monopólio será dado por (0 < f ≤ 1), dependendo das características do jogador, do clube vendedor e do clube comprador.

No mercado de transferências de jogadores, o valor pago por um clube para adquirir um atleta costuma depender das características desse clube. No entanto, essa relação não garante, por si só, a existência de lucros excessivos para os clubes vendedores. Restrições nas negociações entre clubes, como limites salariais, e a forma como as características de um jogador se encaixa no projeto de um determinado clube também podem influenciar os valores das transferências. Então supondo a linearidade, a especificação básica do modelo empírico das taxas de transferência será dada por

Onde:

com Zi, representando um conjunto de variáveis de controle, como efeitos do tempo inflação, taxa de juros etc. e ui, sendo um erro aleatório.

Os pesquisadores abordam a presença de rendas de monopólio dos clubes vendedores podem implicar em preços maiores que o valor justo contribuindo para a inflação das taxas de transferência. Além do mais, a análise de que o mercado de transferência é heterogêneo, segmentado em diferentes submercados, com suas próprias dinamizações, vai implicar na compreensão de formação nas taxas.

2.2.3. Frick

Em uma tentativa de analisar as evidências disponíveis em relação à dimensão do mercado de transferência, Frick (2007) busca trazer fatores que vão impactar nos salários pagos, taxas de transferência e contratos. Embora o autor não tente calcular como é feito esses procedimentos, ele traz abordagens relevantes que moldam este mercado ao contemplar pontos positivos e negativos de cada análise referente aos autores investigados por ele. Frick analisa que um dos fatores que podem implicar em uma taxa de transferência mais baixa do que deveria, mas que não é muito explorada em pesquisas, é em relação ao tempo de contrato restante, devido ao clube não poder ter uma compensação financeira após o término do contrato.

2.2.4. Metodologias de Reivindicações Contingentes e Técnicas Padrão em Cálculos Estocásticos

Usando de uma metodologia de reivindicações contingentes e técnicas padrão em cálculos estocásticos, Tunaru et. al. (2005), aborda em seu artigo o desenvolvimento de uma estrutura a fim de determinar o valor que um jogador de futebol tem para o clube adquirente. O método considera o desempenho do jogador, medido por um índice de performance (como o Opta Index), além de incertezas como lesões e variações no faturamento do clube. O valor financeiro de um jogador de futebol é calculado considerando tanto o desempenho contínuo quanto eventos inesperados, como lesões.

Esse valor é modelado usando um processo de difusão com saltos, em que o número de pontos de desempenho do jogador (medido pelo Opta Index) pode sofrer quedas abruptas devido a lesões. Essas quedas afetam diretamente o valor do jogador, que é o produto do número de pontos pelo valor monetário de cada ponto. Essa abordagem permite uma avaliação mais precisa e realista do valor de mercado de um jogador, incorporando os riscos associados a lesões, chegando na seguinte equação:

dY=(A+α) Y dt+ BY dD+ DK(Y) dJ(t)

Onde:

Y é o valor financeiro do jogador.

A+α representa a taxa de crescimento contínuo do valor do jogador.

BY  Y dD representa a parte aleatória do processo, modelando variações normais no desempenho.

DK(Y)  dJ(t) captura os saltos no valor devido a lesões, onde D é um fator de ajuste, K(Y) é a amplitude da queda no valor e dJ(t) é um processo de Poisson que modela a ocorrência dessas lesões.

2.2.5. Transfermarkt

O Transfermarkt é uma plataforma que avalia valores de mercado levando em consideração vários modelos de preços, onde seus membros discutem e avaliam. O objetivo da plataforma não é prever um valor pelo qual o jogador irá sair, mas sim o que se espera de um jogador no mercado livre, não usando algoritmos, mas a discussão de toda uma comunidade a respeito do jogador. A plataforma utiliza diversos fatores para a discussão, quer sejam sobre a expectativa futura para o jogador, condições do clube e liga, com o seu valor de marketing, entre outros diversos fatores impostos nas discussões (Transfermarkt 2024).

Levando em consideração a sabedoria da comunidade do Transfermarkt, o estudo de Coates e Parshakov (2022) examina o uso do crowdsourcing para determinar os valores de mercado e as habilidades dos jogadores. O objetivo é avaliar se as informações disponíveis podem ser aprimoradas em comparação com os valores definidos pela comunidade do Transfermarkt. A pesquisa investiga o funcionamento das previsões de preços em mercados eficientes e analisa a possibilidade de ajustes para uma melhor previsão.

O estudo também discute a utilização do crowdsourcing pelo Transfermarkt, destacando a potencial subvalorização de jogadores em ligas mais competitivas e a supervalorização em ligas menos conhecidas. Além disso, sugere que a inclusão de informações públicas pode melhorar essas estimativas, recomendando cautela na utilização dos valores do Transfermarkt em estudos econômicos e negociações contratuais.

2.2.6. Gulbrandsen e Gulbrandsen

Gulbrandsen e Gulbrandsen (2011) descrevem o valor do jogador para o clube a explorar as variáveis a fim de um modelo que explique as taxas de transferência e os salários pagos. Os autores apresentam fatores que determinam o poder de barganha entre os clubes, entre eles:

Quadro 1. Fatores propostos por Gulbrandsen e Gulbrandsen

Categoria

Fatores

Fatores específicos do jogador

- Habilidades técnicas do jogador

- Popularidade do jogador

- Desejo do jogador de permanecer ou sair do clube atual

Fatores específicos do clube vendedor

- Necessidade financeira do clube

- Estratégia de longo prazo do clube

- Poder de negociação do clube

Fatores específicos do clube comprador

- Capacidade financeira do clube

- Prioridades no mercado de transferências

Quadro de poder de negociação com um comprador

- Presença de apenas um clube interessado, limitando o valor da oferta e o poder de negociação

Fatores específicos do licitante concorrente

- Presença de múltiplos clubes interessados, aumentando a competição e potencialmente elevando o valor da oferta

Quadro de poder de negociação com vários compradores

- Dinâmica de negociação mais favorável ao clube vendedor devido à concorrência entre clubes, resultando em um possível aumento no preço de venda

Fonte: Elaborado pelo autor com base nas ideias Gulbrandsen e Gulbrandsen (2011)

O endividamento dos clubes brasileiros, podem acabar exigindo algum sacrifício esportivo, como a venda dos direitos econômicos de atletas. (MARÇAL; RENGEL; MONTEIRO apud BOSCA et al., 2008). Se o clube vende jogadores por necessidades financeiras, é possível que o valor obtido seja menor do que em uma venda não motivada por tais necessidades (MARÇAL; RENGEL; MONTEIRO; 2021).

2.2.7. Poli, Besson e Ravenel

No seu modelo econométrico para avaliação de taxas, Poli, Besson e Ravenel (2021 incluem as variáveis que envolvem os profissionais de futebol, as quais podem ser categorizadas em três diferentes conjuntos, são elas: relativas aos clubes, relativas aos jogadores e a variável contextual, sendo esta última a época durante e onde ocorreu a transferência. Os autores abordam que na variável relativa ao clube, é em referência ao nível das equipes em que os jogadores jogaram, do ponto de vista técnico e financeiro. Já as variáveis envolvendo o jogador são diversificadas entre elas se encontra a duração de contrato restante, idade, progressão na carreira, posição exercida e desempenho em diferentes competições (minutos, gols assistências, dribles e passes).

3. METODOLOGIA

A pesquisa caracteriza-se como uma revisão bibliográfica e documental do tipo descritiva e de abordagem qualitativa. Vale ressaltar que a pesquisa bibliográfica procura explicar um problema a partir de referências teóricas publicadas em artigos científicos, livros, dissertações e teses” (Bervian; Cervo; Silva, 2007), ao passo que a pesquisa documental “vale-se de materiais que não recebem ainda um tratamento analítico, sendo classificados em dois tipos principais: fontes de primeira e segunda mão” (Gil, 2002).

Essa pesquisa também se caracteriza como qualitativa pois tem o intuito de analisar por uma perspectiva de investigação científica a forma que os clubes de futebol da amostra, mensuram o preço de venda dos jogadores de futebol, o que é um fenômeno complexo que parte de uma perspectiva subjetiva. Esse tipo de pesquisa foca em explorar, interpretar e analisar de conteúdo.

Os dados foram extraídos das demonstrações contabeis disponíveis no site dos clubes de futebol em análise, assim o estudo está limitado as demonstrações financeiras contábeis analisadas dos clubes no período em análise do ano de 2023, visando encontrar fatores que condizem com a revisão bibliográfica. E informações advindas de site de reportagens de qualquer época que puderam contribuir com a profundidade das análises. A metodologia pode ser aplicada a outros clubes desportivos podendo chegar a diferentes achados tendo em vista as classificações dadas as receitas.

A amostra definida para o estudo consiste nas demonstrações contábeis do ano de 2023 dos clubes Corinthians, Santos, São Paulo e Palmeiras e de algumas vendas realizadas no ano 2023

Vale salientar que os critérios de escolha dos referidos clubes resultam de dois fatores: 1) divulgação das informações contábeis com maior clareza e precisão; 2) e os 4 (quatro) principais clubes paulistas de futebol.

Para desenvolvimento do trabalho, foram utilizados procedimentos técnicos de documentação indireta, bibliográfica e documental. Em um primeiro momento, foi evidenciado uma breve introdução histórica das equipes. Em seguida, os dados dos relatórios contábeis foram coletados no site oficial das equipes.

4. ANÁLISE E DISCUSSÃO

4.1. Times Escolhidos

O critério de escolha foi baseado nos seguintes fatores, a relevância dos clubes em território nacional, o histórico de formação de jogadores, as vendas de jogadores e a rivalidade entre os próprios clubes. Com base nesses critérios, os clubes escolhidos foram: Corinthians, Santos, São Paulo e Palmeiras.

Fundado em 1910, no bairro do Bom Retiro por um grupo de operários, o Sport Club Corinthians Paulista, também conhecido como Corinthians, é um clube que se destaca no cenário nacional devido a ter uma torcida muito apaixonada, conhecida como a Fiel torcida, sendo a segunda maior do país. O clube é um multicampeão nacional e internacional, também sendo o atual e maior campeão da Copa São Paulo de Futebol Júnior, principal competição de base do país, responsável pela revelação de diversos jogadores para o cenário nacional.

O Santos Futebol Clube é um dos principais clubes do mundo, detentor de grandes títulos e reconhecido internacionalmente devido a revelações de jogadores que causaram muito impacto devido ao talento e futebol jogado, como Pelé e Neymar. O clube é um grande detentor dos principais campeonatos que são disputados pelos clubes brasileiros, tendo conquistado oito títulos do Campeonato Brasileiro, três Copas Libertadores, e dois Mundiais. Pelé com sua forma ousada e estilo envolvente de jogar futebol em seus anos áureos deixaram sua marca na história do futebol.

Sendo o clube mais jovem entre os quatro times abordados, encontra-se o São Paulo Futebol Clube, fundado em 25 de janeiro de 1930 e refundado em 1935. O clube tornou-se um dos mais vitoriosos de todo o país, conquistado o mundo em três oportunidades distintas. Dono de uma infraestrutura impressionante, destaca-se a princípio o Centro de Treinamento da categoria de base, localizado em Cotia, São Paulo, local onde surgiram os novos jogadores, a exemplo de Casimiro, Kaká, Lucas Moura, etc.

A Sociedade Esportiva Palmeiras, também conhecida como apenas Palmeiras, é um clube que teve sua fundação em 1914 com o nome de Palestra Itália, onde após uma excursão dos clubes italianos Torino e Pro-Vercelli, entusiasmou funcionários das Indústrias Matarazzo para a criação do clube. Embora seja um clube com uma grande galeria de ídolos, o time nunca foi um grande revelador de jogadores, com exceção de goleiros, mas isso tem mudado. Desde 2015, com a chegada de João Paulo Sampaio, como coordenador das categorias de base, fez com que o clube tivesse um grande destaque na formação de jogadores, mudando completamente a filosofia do clube.

4.2. Preço do Jogador

Mesmo com a falta de transparência dos clubes analisados em relação a quanto vale o jogador e como é realizado o cálculo de estimativa para o preço de venda ou de compra, pode-se especular motivos que afetam a relação do preço para o mercado da bola. As suposições se dividem em Fatores de Mercado e Fatores individuais na formação de valor do preço de venda.

4.2.1. Fatores de Mercado no Preço do Jogador

4.2.1.1. Mais Valia e Negociação Entre os Clubes

Considerando Dobson e Gerrard (1999), caracteriza-se o primeiro fator como a negociação entre os clubes. De modo geral, um clube é um detentor de monopólio devido sua tentativa de maximização dos lucros com o sujeito, em outras palavras, o clube que normalmente possui o jogador é quem dá as cartas em uma negociação. No entanto, como aponta Gulbrandsen e Gulbrandsen (2011), a capacidade financeira de um clube, assim como o seu poder de negociação, pode ser um fator importante para a mudança dos valores, logo, um clube pequeno e sem grandes capacidades financeiras, terá de aceitar vender o jogador por valores menores.

Muitas vezes o time formador do jogador não tem grandes recursos financeiros para mantê-lo no clube, assim, os times que têm maior poder aquisitivo podem se beneficiar desta fragilidade financeira e propor formas alternativas de pagamentos para os direitos, tais como: mais valia de uma venda futura e manter porcentagem dos direitos econômicos. Um exemplo disso, é que ao analisar os demonstrativos financeiros do Palmeiras observa-se a porcentagem pertencida do clube referente aos direitos federativos dos atletas, podendo as partes de terceiros serem do atleta, antigos clube e empresários.

Figura 2. Demonstrativo financeiro

Fonte: Demonstrativo Financeiro Palmeiras 2023.

Um exemplo recente de mais valia, é referente ao jogador Gabriel Pereira. Conforme consta na matéria do Globo Esporte (2023), o atleta que iniciou sua carreira profissional pelo Corinthians, foi vendido no ano de 2022 para o New York City, dos Estados Unidos pelo valor de U$ 5 milhões de Dólares, mantendo uma mais valia de 20% sobre uma futura venda, ou seja, o lucro obtido pelo clube norte americano teria uma parcela a ser repassada ao Corinthians. O New York City no ano de 2023 vendeu o jogador para o Al Rayyan, do Catar, por U$10 milhões de dólares, o que faz do Corinthians detentor de U$1 milhão deste valor. O jogador ter valorizado pode ser devido melhor desempenho na nova liga, em dados do Transfermarkt (2024), o jogador em temporada anterior a sua venda jogou 32 partidas, marcou 2 gols e deu uma assistência. Já no primeiro ano jogando pela nova equipe, o jogador desempenhou no clube 33 jogos, 9 gols e 5 assistências, subindo o nível de desempenho, o que afeta sua valorização

4.2.1.2. Inflação em Uma Negociação

O valor de um jogador pode ser inflacionado em uma negociação dependendo da quantidade de clubes interessados no mesmo. Um dos exemplos mais recentes entre os clubes analisados é o zagueiro Lucas Lopes Beraldo, que recentemente foi vendido ao Paris Saint Germain, clube francês com grande poderio financeiro por uma quantia de 20 milhões de euros. De acordo com uma reportagem da ESPN (2023), o clube francês foi a terceira equipe a ter interesse no futebol do jogador, tendo sido os outros dois clubes o Leicester City da Inglaterra e Zenit da Rússia, onde os valores oferecidos para a aquisição do jogador foram 16 e 18 milhões de euros respectivamente. Embora a negociação tenha sido na casa de R$ 101 milhões de reais, o clube não ficou com esse valor todo, isso se deve ao fato de possuir 60% do jogador e os outros 40% estar dividido igualmente entre o antigo clube XV de Piracicaba e o próprio jogador. Isso se evidencia no demonstrativo financeiro apresentado pelo clube conforme abaixo:

Figura 3. Evidência de venda

Fonte: Demonstrativo Financeiro São Paulo FC 2023

No geral, o clube ainda possui gastos com a intermediação da venda, conforme consta no demonstrativo financeiro do clube, são valores a serem pagos como remuneração pelo serviço de intermediação na venda de Direitos Federativos de atletas profissionais.

4.2.1.3. Tempo de Contrato Restante

O tempo de contrato restante de um atleta pode influenciar diretamente no seu valor para o mercado e preço de uma futura venda, como aponta Frick (2007). Um tempo de contrato maior traz mais segurança para o clube detentor dos direitos federativos do jogador, pois resulta em segurança para manter o profissional ou negociar o mesmo em posição favorável, podendo exigir quantias maiores para uma eventual transferência. Para contratos que estão acabando, a exemplo de um ano restante, pressiona o clube muitas das vezes a vender o jogador a um preço abaixo do que vale com o intuito de evitar sua saída de graça no término do vínculo, assim, reduzindo seu poder de negociação.

4.2.1.4. Efeito Vitrine

Um fator importante com a capacidade de influenciar o valor de um jogador é o fator vitrine, que consiste em onde o atleta joga. Em geral, um jogador que atua em um clube brasileiro de primeira divisão, possui uma maior visibilidade do que jogadores que atuam na segunda divisão. Isso também vale para os tamanhos dos clubes, onde um clube de massa, com muita mídia, tem muito mais chances de ter seus profissionais valorizados aos olhos do mercado futebolístico.

A localização da liga em que o atleta atua também faz grande diferença, em uma Premier League, campeonato inglês semelhante ao nosso de pontos corridos, possui um valor de mercado de seus jogadores em sua data atual segundo o Transfermarkt (2024) de € 11,75 bilhões de euros, tendo o Ipswich Town FC como seu time menos valioso, € 195,40 milhões de euros, valor esse quase dez vezes maior que o clube brasileiro com elenco menos valioso, o EC Juventude, avaliado em €19,55 milhões de euros.

Outro fator vitrine muito importante para o preço de venda é a convocação para a seleção nacional, isso interessa ao mercado futebolístico que aquele jogador faz parte de uma pequena parcela de jogadores que estão entre os melhores de seus país. Pela seleção nacional ter uma grande importância, acaba implicando que a nacionalidade do atleta vai gerar influência, pois um jogador de uma seleção mais forte, possui uma maior concorrência para estar entre os melhores.

4.2.2. Fatores Individuais no Preço do Jogador

Além dos fatores de mercado na influência do preço do jogador, os fatores individuais contribuem nesta questão. Esses fatores dividem-se em fatores qualitativos e quantitativos no que tange um jogador.

4.2.2.1. Fatores Quantitativos

Quando se aborda os fatores quantitativos, estamos trazendo medidas possíveis de mensurar ou expressar uma quantidade ou magnitude. Entre os fatores que influenciam no valor do jogador, podemos citar cinco tópicos distintos: idade, estatísticas de desempenho, jogos disputados, históricos de lesões e experiência.

4.2.2.1.1. Idade

Quando se trata a idade de um atleta como um ponto importante a ser discutido pensa-se no presente e no futuro, jogadores mais jovens tendem a ter um interesse maior pelo mercado pois podem oferecer retorno técnico, ter margem de evolução e trazer um futuro retorno financeiro em uma possível venda.

O auge de um jogador profissional é entre os seus 25 a 30 anos de idade, quando atingem o auge físico e técnico antes de começar a ter algum declínio. Mas para comprar um jogador que vive seu auge, é preciso desembolsar cifras que muitas das vezes não são compatíveis com a realidade financeira da equipe. Diante disso, clubes buscam trazer jogadores jovens com potencial de desenvolvimento, onde possam moldar o mesmo na sua filosofia como time.

Entre os casos recentes dos clubes abordados, o Santos Futebol Clube que entre os anos de 2023 e 2024 realizou a venda de três jogadores entre as idades de 18 a 20 anos na época, sendo eles Ângelo Gabriel, Deivid Washington e Marcos Leonardo, seguindo como base os dados do Transfermarkt (2024).

Figura 4. Venda de jogadores jovens

Fonte: Transfermarkt; top-saídas 23/24

Os três jogadores tiveram seu destino para a Europa, continente que tem grande poderio financeiro e que trabalha o desenvolvimento de jovens atletas. O custo-benefício para um clube europeu também é um dos motivos para adquirir o jogador de um país emergente como o Brasil, pelo custo mais acessível em relação a atletas europeus com um mesmo nível de experiência.

4.2.2.1.2. Estatísticas de Desempenho

No futebol moderno, as estatísticas desempenham um papel importante na análise e avaliação de jogadores. Os dados coletados buscam ajudar clubes e treinadores a compreenderem o impacto de um atleta em campo, em diferentes aspectos de jogo.

Para o mercado de transferências, o uso de dados estatísticos é importante para a valorização dos atletas. Um atacante com alta média de gols por jogo ou um goleiro com grande número de defesas difíceis tem maior atratividade no mercado. Esses números, porém, precisam ser contextualizados: a liga em que o jogador atua e o nível dos adversários acabam influenciando essas métricas.

Embora as estatísticas sejam ferramentas valiosas, elas possuem limitações. Os aspectos intangíveis de um jogador: como inteligência tática, liderança, organização do time e liderança nem sempre serão traduzidos em dados. Para suprir estas lacunas, as equipes podem complementar sua observação usando fatores qualitativos e contexto futebolístico.

4.2.2.1.3. Jogos Disputados e Experiência

A métrica de jogos disputados é um importante fator quantitativo na avaliação do valor de mercado. Os números de jogos refletem a regularidade, confiança e condição física de um atleta.

Jogadores com muitos jogos geram confiança, especialmente em grandes ligas e torneios internacionais, trazendo experiência a ser agregada e lidar melhor com a pressão. Esses fatores podem gerar a disposição de clubes para adquirir o profissional, por estarem dispostos a desembolsar maiores quantias por atletas comprovadamente confiáveis em momentos decisivos.

4.2.2.1.4. Histórico de Lesões

Por se tratar de um esporte de alto rendimento, a saúde do atleta é crucial para o seu valor de mercado. Ao considerar isso como um ponto de risco, atletas com muitas lesões podem ser vistos como investimentos arriscados, por afetar diretamente no seu desempenho e participações em jogos. Em contrapartida, atletas com poucas ou sem nenhuma lesão, tendem a receber valorização, devido a consistência apresentada.

As lesões, em específico, as graves, como rompimento de ligamentos e fraturas podem comprometer habilidades essenciais, como explosão muscular, agilidade e resistência, mesmo após a recuperação. O impacto causado por essas lesões é significativo em atletas que dependem muito de atributos físicos de força e velocidade.

4.2.2.2. Fatores Qualitativos

Os fatores qualitativos são subjetivos e dependem da avaliação humana. O diferencial de um atleta pode definir seu preço, podendo ser esse diferencial: habilidades técnicas, potencial de desenvolvimento, personalidade e liderança, apelo midiático, capacidade de adaptação e compatibilidade com estilo de jogo.

4.2.2.2.1. Habilidades Técnicas

As habilidades técnicas de um jogador de futebol refletem os fatores de domínio e execução de fundamentos essenciais do esporte, como passe, drible, finalização e marcação, sendo um indicador direto da qualidade individual do atleta. Os jogadores que apresentam habilidades acima da média podem ter seu preço elevado para o mercado.

Os atletas tecnicamente superiores destacam-se não apenas pelo impacto gerado em uma partida, mas também pela atratividade proporcionada ao clube em marketing e receita. Jogadores Habilidosos atraem torcedores, aumentam a visibilidade da equipe, atraindo patrocinadores.

A relevância das habilidades técnicas está diretamente associada à posição ocupada pelo atleta em campo. Em posições ofensivas, como atacantes e meias criativos, o peso das habilidades técnicas é ainda mais significativo, pois esses jogadores são responsáveis por criar e converter oportunidades de gol. Assim como atacantes, defensores que possuem além das habilidades técnicas a capacidade de iniciar jogadas ofensivas a partir da defesa também são valorizados devido ao seu fator diferencial em relação a sua posição.

4.2.2.2.2. Potencial de Desenvolvimento

O potencial de desenvolvimento a cerca de um jogador influencia no valor devido ao que se espera da sua capacidade de evolução, considerando sua idade, experiência acumulada e margem para melhorias futuras. Atletas que demonstram potencial quando jovens, são vistos muitas vezes como investimentos a longo prazo, atraindo o interesse do mercado futebolístico.

Jogadores jovens com alta margem de desenvolvimento frequentemente têm seus valores inflacionados em uma transferência, mesmo que seu desempenho atual não esteja no nível de atletas mais experientes. Isso ocorre porque clubes consideram jovens promessas como uma oportunidade tanto para obtenção de retorno financeiro por parte do clube formador e retorno esportivo no futuro por parte do clube comprador.

Em um dos casos recentes de um atleta jovem com grande potencial que teve um grande impacto no mercado de transferência foi o atleta Endrick, jogador oriundo das categorias de base do Palmeiras que em 2022 foi vendido ao Real Madrid pela quantia de € 35 milhões de euros fixo e € 25 milhões de euro em variáveis de desempenho conforme apuração do Globo Esporte (2022). O jogador em questão só poderia se transferir ao clube comprador em julho de 2024, depois de fazer 18 anos. Essa estratégia de vender o jogador muito jovem ainda e sem ter se comprovado no profissional é uma forma do clube formador conseguir um alto retorno financeiro, sem correr o risco de uma desvalorização, ou por não conseguir se adaptar ao time, por lesão ou até mesmo limitação técnica. Por outro lado, o clube vendedor também pode correr o risco de não conseguir uma venda maior caso o jogador vá muito bem e tenha grande destaque comprovando toda expectativa que o cerca. Em detrimento da dinâmica de mercado, cria-se uma competição entre os clubes para a contração desses jogadores com potencial, gerando um valor inflacionado na contratação deles.

4.2.2.2.3. Personalidade e Liderança

O fator de personalidade e liderança vai além das habilidades técnicas ou físicas, reflete na influência que o atleta exerce dentro e fora de campo. Jogadores com fortes características de liderança são considerados ativos valiosos para suas equipes, não apenas pelo desempenho individual, mas também pelo impacto coletivo que promovem.

Por se tratar de algo subjetivo, os clubes buscam analisar o histórico do jogador em entrevistas, interações com colegas e treinadores, comportamento em campo e em situações adversas. Assim, personalidades fortes e líderes natos não apenas agregam valor financeiro, mas também representam uma contribuição inestimável para o clube em termos de impacto estratégico e cultural.

4.2.2.2.4. Apelo Midiático

O apelo midiático é um aspecto do jogador que vai muito além do desempenho em campo, reflete a capacidade de atrair atenção, gerar engajamento. Este fator reflete na popularidade do atleta, sua presença nas redes sociais, imagem pública e o impacto causado junto a torcedores e patrocinadores. Isso faz com que em eventual transferência, esse fator seja um diferencial na valorização do jogador, pois torna-o um ativo estratégico tanto em campo, mas também em resultados comerciais e a imagem do clube.

Em 2022, o atleta Cristiano Ronaldo, considerado um dos melhores futebolistas da história, transferiu-se para Al-Nassr, da Arábia Saudita, com um contrato de dois anos com um salário de 200 milhões de euros por temporada, tornando-se o jogador mais bem pago da história. A contratação foi muito falada pela mídia, recebendo críticas da Anistia Internacional, que acusa a Arábia Saudita de se aproveitar da imagem midiática do atleta para promover campanha de “sportswashing”, é uma expressão que se refere à utilização de atividades esportivas por pessoas, coletivos, empresas ou autoridades, com o objetivo de restaurar imagens danificadas por comportamentos inadequados (CNN, 2023). Outros jogadores famosos seguiram o mesmo caminho de Cristiano Ronaldo, entre eles N’golo Kanté, Karim Benzema e Neymar Junior, mostrando forte empenho do governo saudita em usar a imagem desses atletas em se promover ao mundo.

4.2.2.2.5. Capacidade de Adaptação e Compatibilidade com Estilo de Jogo

A capacidade de adaptação e compatibilidade com o estilo de jogo reflete a habilidade do atleta em integrar-se rapidamente a diferentes contextos táticos, ligas, culturas e dinâmicas de equipe. Atletas adaptáveis se valorizam por minimizarem os riscos associados a suas transferências, pois oferecem uma maior flexibilidade para treinadores na montagem de esquemas táticos.

Embora a capacidade de adaptação seja uma qualidade desejável, ela não garante sucesso absoluto. Jogadores podem enfrentar dificuldades para se ajustar a ambientes altamente específicos ou estilos de jogo muito distintos. Além disso, a adaptação pode ser influenciada por fatores externos, como ambiente familiar, suporte do clube e condições sociais do novo local.

4.2.2.2.6. Prêmios Individuais

Os prêmios individuais representam um papel significativo na valorização do jogador para o mercado, pois destaca o desempenho de um atleta em um contexto coletivo, evidenciando sua regularidade, técnica e impacto nos jogos. Servem também como um medidor do sucesso do jogador, aumentando sua reputação, atratividade de outros clubes, patrocinadores e torcedores.

Atletas premiados têm seus valores de mercado inflacionados, pois ganham relevância e prestígio. Se o prêmio ganho for muito importante, como a Bola de Ouro, cedida pela France Football, como prêmio para o melhor jogador da temporada em um contexto mundial. De modo geral, jogadores que ganham os prêmios de melhor jogador do mundo, também recebem outros prêmios ao decorrer da temporada que agregam para o recebimento deste prêmio.

As premiações podem muitas vezes serem subjetivas, em que pessoas escolhem o jogador, isso pode partir de jornalistas, atletas, treinadores e até mesmo o público em geral, ocasionando muitas vezes em casos controversos. Já para prêmio que são objetivos, como o de artilheiro, faz com que o atleta dependa de seu desempenho em conversão de gols, elevando seu status como artilheiro.

4.2.2.2.7. Posição

Embora seja um jogo coletivo onde todas a posições exercidas sejam importantes, os valores dos jogadores se alteram dependendo qual seja a sua posição. Posições mais próximas ao gol adversário como atacantes e meio campistas são mais valorizadas, enquanto os goleiros são os que valem menos, seguido dos zagueiros e laterais. Isso se deve ao fato de que jogadores que precisam marcar gols e armar muitas das vezes decidem partidas.

Mesmo com as posições tendo valorizações diferentes, jogadores de defesa podem ter grandes valorizações conforme se destaquem e tenham grande impacto nos jogos, podendo ter um valor de mercado maior que muitos atacantes.

As características qualitativas e quantitativas apresentadas foram reunidas na Figura 04, compreendendo os fatores que permitem avaliar a complexidade de mensuração do preço de venda de um jogador de futebol atualmente.

Figura 5. Fatores qualitativos e quantitativos acerca de um jogador

Fonte: Adaptado de Lance (2024).

4.3. Estudo de Caso

Desde jovem, o jogador Estêvão Willian, 17, atual jogador profissional pelo Palmeiras, tem se destacado na mídia devido seu grande talento apresentado, rendendo-lhe o apelido de “Messinho”, em comparação a sua forma semelhante de jogar ao argentino, Lionel Messi, considerado por muitos um dos melhores jogadores da história.

A trajetória do jogador começa em 2015, quando seu pai saiu de Franca, São Paulo, para apresentar o atleta ao Cruzeiro, tradicional clube de Minas Gerais. O destaque do atleta foi tamanho que mesmo chegando para a categoria sub-9, ele já treinava com a categoria sub-10. O talento do jogador despertou olhares de grandes marcas, assinando com a Nike, uma das maiores empresas de vestuário do mundo, aos 10 anos de idade, apostando no potencial futebolístico e midiático do garoto (Globo esporte, 2018).

Ao completar 14 anos, em 2021, o jogador assinou com um novo clube, o Palmeiras. O jogador que estava no Cruzeiro desde 2017, teve o seu nome envolvido em escândalos de irregularidades do antigo clube. As polêmicas envolvendo o jogador foram devido a contratos assinados pelo antigo presidente do Cruzeiro, Itair Machado, com empresários, cedendo percentual dos direitos econômicos do jogador, considerado uma prática proibida pela Fifa e ECA (Estatuto da Criança e Adolescente) (Globo Esporte, 2021).

O jogador recém-chegado ao Palmeiras não tardou para impressionar, rendendo-lhe a sua integração ao elenco profissional do clube no final de 2023, aos 16 anos. A estreia pelo profissional do Palmeiras ocorreu na última rodada do Campeonato Brasileiro de 2023, contra o seu antigo clube, tornando-o o 4º jogador mais jovem a fazer sua estreia pelo clube alviverde (ESPN, 2023).

O ano de 2024 foi que o jogador mostrou de fato os motivos de tanta expectativa em volta de seu talento, com gol na Copa Libertadores, aos 16 anos (ESPN, 2024). Com o ganho de espaço no time paulista, Estêvão cada vez mais evoluiu, despertando ainda mais interesse dos clubes estrangeiros, que desejavam contar com o talento do jogador. Na metade do ano de 2024, foi anunciado um acordo entre Palmeiras e Chelsea, clube inglês, para a venda do jogador. Os valores da venda do Jogador conforme o Globo Esporte (2024), giram em torno de 61,5 milhões de euros, sendo 45 milhões no valor fixo e 16,5 em metas. Devido ter apenas 17 anos, o jogador não pode se transferir, só podendo partir para a Inglaterra apenas quando completar 18 anos.

O jogador já vendido cresceu ainda mais de produtividade no segundo semestre de 2024, ganhando destaque e notoriedade pelo seu estilo de jogo e números alcançados. Esse destaque lhe rendeu uma convocação para a seleção brasileira, demonstrando ainda mais o potencial do jogador. Em outubro do mesmo ano, o jogador ultrapassou o recorde que até então era de Neymar ao atingir 18 participações em gols e assistências com 17 anos, o antigo recorde era de 16 participações (Globo Esporte, 2024).

Ao final do Campeonato Brasileiro de 2024, o jogador embora não tenha sido campeão pelo seu time, na eleição pelo prêmio de Bola de Prata 2024, realizado em dezembro do mesmo ano pela ESPN, onde recebeu os prêmios de revelação do campeonato, entrou para a seleção do campeonato e sagrou-se o Bola de Ouro da Competição, prêmio dado ao melhor jogador (Olympics, 2024).

O atleta apresentou rendimentos além do esperado para alguém de 17 anos, demonstrando maturidade, inteligência, habilidade técnica para se consagrar o melhor jogador do time na temporada. O fato de estar em evidência e pelo estilo de jogo empolgante trouxe ainda mais mídia para o jogador, mostrando todo o potencial que o cerca para um futuro promissor. O fato de o jogador ter sido vendido antes de ganhar ainda mais destaque, repercute que o valor de sua venda foi mais barato do que poderia ser visto todo potencial apresentado na segunda metade do ano. A estratégia de vender o jogador ainda jovem pode ser considerada como uma faca de dois gumes, pois o jogador pode não vingar, desvalorizando seu valor aos olhos do mercado, fazendo com que o clube perca potencial financeiro, ou pode ser que o atleta ganhe destaque, fazendo com que seu valor cresça ainda mais, o que poderia gerar cifras ainda maiores. No entanto, diversos fatores podem afetar uma venda como essa, que vão desde a necessidade do time em gerar receita, ou até mesmo o desejo do jogador, família e empresários em partir rumo a um mercado mais vantajoso financeiramente. Visto que muitas das vezes eles possuem porcentagem dos direitos econômicos também, recebendo o dinheiro que poderia não vir em caso de desvalorização.

4.4. Principais Achados

A busca por encontrar uma forma de formação de valor padronizada trouxe alguns achados que podem ter influenciado nas buscas. O primeiro achado foi a não divulgação do jeito em que os jogadores são avaliados na hora de comprar e vender, no entanto, com base na figura 4, os clubes utilizam-se das características qualitativas e quantitativas na hora de precificar o atleta.

Outro achado, é que os valores da venda de um jogador não pertencem apenas ao clube, podendo ser dividido em partes, muitas vezes do próprio jogador, representantes e de clubes anteriores. Os clubes costumam também manter percentuais de mais valia para uma futura possível venda, sendo usado como base o valor da venda realizado pelo novo menos o valor que o antigo, detentor desses percentuais venderam.

Os clubes em questão também não costumam demonstrar o valor de seus jogares de forma individual no intangível, mas sim de forma compilada, impossibilitando a realização de uma análise individual no valor do jogador.

5. CONCLUSÃO

Em um cenário competitivo e com grandes movimentações monetárias, faz com que os clubes precisem se planejar melhor no gerenciamento de suas rendas, melhorando sua estrutura e principalmente o grupo de jogadores. Devido ao contexto de investimento em atletas, os clubes movimentam o mercado de transferência em um sistema de compra e empréstimos de direitos federativos, sendo necessário o entendimento do que compõem os valores em torno das transferências.

Em relação a dificuldades para o desenvolvimento do trabalho, o levantamento de trabalhos que abordam o tema foi um problema, pois são escassos, especialmente em português, sendo mais comuns na língua inglesa.

O trabalho tinha como objetivo trazer fatores decisórios para a formação de valor em uma negociação e se os clubes analisados se baseiam nestes fatores com base em suas demonstrações contábeis. O objetivo foi alcançado, baseando-se em outros autores que já escreveram sobre o tema em questão, no entanto, não foi encontrado uma fórmula padrão para tema, tendo autores divergindo no uso variáveis e contextos. Em relação aos clubes, falta transparência acerca do uso desses fatores, não trazendo informações suficientes para uma análise mais profunda.

O principal achado da pesquisa é em relação aos fatores individuais, sendo bem evidenciada de forma resumida na figura 4, onde foi baseada em uma outra figura contida em uma reportagem a respeito da definição de valor de mercado do jogador de futebol.

Em função da indisponibilidade de trabalhos acerca do assunto e a transparência dos clubes, recomenda-se para trabalhos futuros uma nova abordagem, trazendo desta vez entrevistas com os clubes, buscando entender se eles usam de fato alguma fórmula pronta para chegar aos valores de venda ou se de fato definem estes valores apenas analisando as características individuais atreladas aos fatores de mercado. Pode-se buscar entender qual departamento trabalha para encontrar estes valores, como funciona esta possível equipe e se tem a participação de um contador neste meio.

Por fim, a formação de valor de venda de um jogador de futebol é complexa e multifatorial, envolvendo fatores de mercado e individuais do atleta. A dependência de fatores subjetivos em uma análise dificulta também a criação de uma forma padronizada dos valores de venda, podendo levar a distorções em uma avaliação. Por se tratar de pessoas como produtos, o capital humano sendo envolvido nas negociações não é algo comum em outras empresas fora do âmbito esportivo, tendo em vista que nestes casos o produto muitas vezes é negociado de forma incompleta, visando um futuro potencial a ser atingindo por quem o adquire.

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