MÍDIAS DIGITAIS NA EDUCAÇÃO: POTENCIAIS E DESAFIOS NA TRANSFORMAÇÃO DA SALA DE AULA

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REGISTRO DOI: 10.5281/zenodo.16990562


Haany Stella da Silva Lima1


RESUMO
Este artigo aborda o impacto das mídias digitais no processo educacional, focando nos benefícios percebidos por professores e alunos. O objetivo principal foi analisar como essas tecnologias, como Google Classroom, Moodle e Kahoot, transformam o ensino, promovendo maior interação, personalização e engajamento. A metodologia utilizada foi a pesquisa bibliográfica, baseada em estudos e relatórios acadêmicos que discutem o uso de plataformas digitais na educação. Os resultados indicam que as mídias digitais facilitam o planejamento pedagógico e melhoram o aprendizado colaborativo, apesar dos desafios relacionados ao acesso desigual e à resistência à mudança. Conclui-se que, para maximizar os benefícios dessas tecnologias, é fundamental investir em formação continuada para os educadores e garantir acesso equitativo aos recursos digitais.
Palavras-chave: Mídias digitais na Educação. Tecnologias educacionais. Aprendizagem colaborativa. Personalização do ensino.

ABSTRACT
This article addresses the impact of digital media on the educational process, focusing on the benefits perceived by teachers and students. The main objective was to analyze how technologies such as Google Classroom, Moodle, and Kahoot transform teaching by promoting greater interaction, personalization, and engagement. The methodology used was a bibliographic review, drawing on academic studies and reports discussing the use of digital platforms in education. The results indicate that digital media facilitate lesson planning and improve collaborative learning, despite challenges related to unequal access and resistance to change. The conclusion suggests that to maximize the benefits of these technologies, it is essential to invest in ongoing teacher training and ensure equitable access to digital resources.
Keywords: Digital media in education. Educational technologies. Collaborative learning. Personalized teaching.

1. INTRODUÇÃO

A sociedade contemporânea está imersa em um processo de transformação marcado pela expansão das tecnologias digitais e pela crescente presença das mídias interativas em diversos âmbitos da vida social. Esse movimento, caracterizado por Moran (2018) como uma verdadeira mudança cultural e comunicacional, tem alcançado de forma expressiva o campo educacional, promovendo novas possibilidades de ensino e aprendizagem. Entretanto, esse avanço também traz consigo desafios relacionados à adequação pedagógica, às condições de acesso e ao preparo docente para lidar com tais recursos (BELLONI, 2005).

No contexto escolar, as mídias digitais emergem como ferramentas capazes de ampliar a interatividade, favorecer a aprendizagem significativa e aproximar os conteúdos da realidade dos estudantes (AUSUBEL, 2003). Contudo, o uso dessas tecnologias não está isento de limitações, especialmente em sistemas educacionais ainda marcados pela desigualdade no acesso e pela resistência a mudanças metodológicas (KENSKI, 2012). De acordo com Valente (2014), a incorporação de mídias digitais demanda uma revisão profunda das práticas pedagógicas, deslocando o foco da transmissão de conteúdos para processos mais dinâmicos, colaborativos e centrados no estudante.

A relevância desta investigação reside justamente na necessidade de compreender de forma crítica tanto o potencial transformador das mídias digitais quanto os obstáculos que sua implementação enfrenta. Justifica-se, portanto, a realização deste estudo pela contribuição que pode oferecer ao debate educacional, ampliando a compreensão acerca das condições necessárias para que a tecnologia cumpra de fato um papel emancipador no ensino. Como destacam Bacich & Moran (2018), inovar na educação significa também enfrentar barreiras históricas e estruturais, garantindo que a tecnologia seja utilizada com intencionalidade pedagógica.

Dessa forma, o objetivo deste artigo é analisar os potenciais e desafios do uso das mídias digitais na sala de aula, considerando seus impactos na prática docente e nos processos de aprendizagem. Pretende-se, ainda, discutir de que modo essas ferramentas podem contribuir para a construção de ambientes de ensino mais inclusivos, participativos e conectados à realidade dos estudantes.

O presente artigo caracteriza-se como uma pesquisa de natureza qualitativa, com abordagem bibliográfica e exploratória. De acordo com Gil (2019), a pesquisa bibliográfica é desenvolvida a partir de material já elaborado, constituído principalmente por livros, artigos científicos e documentos que tratam diretamente do tema investigado. Esse tipo de estudo possibilita compreender a produção acadêmica existente e promover uma análise crítica sobre os principais avanços e desafios que cercam a temática.

Para a construção do trabalho, foram consultadas obras de autores clássicos e contemporâneos que discutem a integração das tecnologias digitais no campo educacional, com ênfase no uso de mídias interativas e digitais na sala de aula. As fontes utilizadas foram selecionadas a partir de bases de dados reconhecidas, como Scielo, Google Scholar e periódicos indexados na área de Educação e Tecnologias.

2. A TRANSFORMAÇÃO DIGITAL NO ENSINO

A transformação digital na educação tem sido catalisada pela introdução de plataformas de e-learning, aplicativos educacionais e recursos interativos. Ferramentas como Google Classroom, Kahoot e Moodle vêm revolucionando a maneira como professores planejam e organizam suas aulas, ao mesmo tempo em que oferecem aos alunos ambientes de aprendizagem mais dinâmicos e participativos. Segundo Kenski (2012), essas tecnologias ultrapassam os métodos tradicionais de ensino, incentivando os alunos a explorarem e expandir seus horizontes de forma mais autônoma e significativa.

Nos modelos tradicionais de ensino, a ênfase recaía na transmissão de conteúdo, muitas vezes centrada na figura do professor como fonte principal de conhecimento. Nesse formato, o estudante assumia papel passivo, limitado à recepção e memorização das informações. Com o advento das tecnologias digitais, essa lógica passa a ser questionada. Autores como Valente (2019) destacam que a cultura digital propicia metodologias ativas de aprendizagem, nas quais o estudante participa ativamente da construção do conhecimento, seja por meio da resolução de problemas, do trabalho colaborativo ou do uso de recursos multimídia que favorecem diferentes estilos de aprendizagem. Entre as metodologias potencializadas pelo uso de tecnologias digitais, pode-se citar a sala de aula invertida, a gamificação e o ensino híbrido.

Na sala de aula invertida, os conteúdos são disponibilizados previamente em ambientes virtuais, como vídeos ou podcasts, permitindo que o tempo em sala seja dedicado à problematização, discussão e atividades práticas (Moran, 2018). A gamificação, por sua vez, utiliza elementos de jogos, como desafios, recompensas e rankings, para aumentar o engajamento e a motivação dos estudantes. Já o ensino híbrido integra momentos presenciais e virtuais, combinando o melhor de ambos os ambientes para promover aprendizagens mais personalizadas (Bacich & Moran, 2018).

Além de modificar as práticas pedagógicas, a transformação digital redefine também os espaços e tempos da aprendizagem. Pozo (2002) ressalta que a escola deixa de ser o único local de aquisição de saberes, pois o aluno passa a aprender em redes e comunidades virtuais, acessando informações em qualquer momento e lugar. Essa flexibilidade amplia as possibilidades de aprendizagem significativa, no sentido defendido por Ausubel (2003), uma vez que os estudantes podem relacionar novos conhecimentos com suas experiências prévias em contextos variados.

Entretanto, é importante destacar que essa transformação não se limita à inserção de tecnologias, mas exige também mudanças culturais e organizacionais. Como observa Moretto e Dametto (2018), muitas escolas ainda enfrentam dificuldades em integrar de forma efetiva os recursos digitais às práticas pedagógicas, seja pela falta de formação docente adequada, seja pela carência de infraestrutura tecnológica. Portanto, compreender a transformação digital no ensino implica considerar tanto os avanços pedagógicos quanto os desafios estruturais e sociais que influenciam sua implementação.

3. BENEFÍCIOS PERCEBIDOS PELOS PROFESSORES

A integração das mídias digitais às práticas docentes tem proporcionado múltiplos benefícios para os professores, tanto no planejamento pedagógico quanto na avaliação e no acompanhamento da aprendizagem. As plataformas digitais, como o Google Classroom e o Moodle, oferecem recursos que permitem organizar conteúdos, criar cronogramas, monitorar atividades e fornecer feedback imediato aos estudantes. Essa flexibilidade contribui para um ensino mais responsivo, adaptado às necessidades individuais dos alunos (Martino, 2015). Um dos aspectos mais relevantes diz respeito à personalização do ensino.

Ao utilizar recursos digitais, o professor pode diversificar metodologias, oferecendo materiais em diferentes formatos: vídeos, quizzes, podcasts, fóruns de discussão; que se ajustam a distintos perfis de aprendizagem. Belloni (2005) já destacava que o uso das tecnologias digitais favorece práticas pedagógicas mais inclusivas e colaborativas, ampliando as oportunidades de engajamento dos estudantes. Esse movimento exige que o professor atue como curador de conteúdos e mediador de experiências, selecionando, organizando e contextualizando informações de forma crítica.

Outro benefício está relacionado à avaliação formativa. Com o suporte das plataformas digitais, os docentes podem acompanhar o progresso dos estudantes em tempo real, identificar dificuldades mais rapidamente e propor intervenções direcionadas. Moran (2018) reforça que essa capacidade de monitoramento contínuo fortalece a relação pedagógica, permitindo ao professor orientar os alunos de forma individualizada e mais próxima de suas necessidades. Dessa forma, a avaliação deixa de ser apenas um instrumento classificatório e assume um caráter diagnóstico e formativo.

As mídias digitais também contribuem para a gestão do tempo docente. Ferramentas automatizadas de correção, organização de turmas e integração de relatórios reduzem a sobrecarga administrativa, possibilitando que o professor concentre esforços na mediação pedagógica. Nesse sentido, Perrenoud (2000) observa que uma das competências centrais do professor na contemporaneidade é a capacidade de utilizar recursos tecnológicos para reorganizar sua prática, de modo a favorecer aprendizagens mais significativas. Isso implica não apenas dominar as ferramentas, mas também compreender como elas podem transformar a dinâmica da sala de aula. Outro benefício relevante é a possibilidade de o professor desenvolver suas próprias competências digitais.

Ao explorar ferramentas tecnológicas em seu cotidiano profissional, o docente amplia seu repertório de estratégias e metodologias, tornando-se também aprendiz em um processo contínuo de atualização. Para Kenski (2012), a educação digital exige um novo perfil de professor, aberto ao aprendizado permanente e capaz de integrar inovação pedagógica e criticidade. Esse movimento impacta diretamente a formação docente, demandando programas de capacitação que apoiem o uso pedagógico das tecnologias.

Por fim, cabe destacar que o uso de mídias digitais contribui para uma maior colaboração entre educadores. Ambientes virtuais possibilitam a troca de experiências, a coautoria de projetos e a construção de comunidades de prática, onde professores compartilham estratégias, materiais e reflexões sobre seus desafios cotidianos. Essa rede de apoio fortalece a inovação pedagógica e amplia as possibilidades de atuação profissional, promovendo uma cultura de cooperação no ambiente escolar.

4. BENEFÍCIOS PERCEBIDOS PELOS ALUNOS

Os impactos positivos das mídias digitais no aprendizado dos alunos são amplos e multifacetados. Entre os benefícios mais evidentes, destacam-se o aumento do engajamento, a promoção da aprendizagem colaborativa, o desenvolvimento da autonomia e a ampliação do acesso a diferentes recursos e linguagens. Como observam Costa, Silva e Gildemarks (2021), a personalização possibilitada pelas plataformas digitais contribui significativamente para a compreensão e a retenção de conhecimentos, permitindo que os estudantes avancem em seu próprio ritmo e de acordo com seus estilos de aprendizagem. Um primeiro aspecto relevante é o engajamento. Recursos interativos como quizzes, simulações e jogos educativos despertam o interesse dos alunos, transformando atividades antes vistas como rotineiras em experiências lúdicas e participativas. O uso do Kahoot, por exemplo, promove avaliações em tempo real de maneira descontraída, gerando entusiasmo e motivação. Moran (2018) afirma que tais recursos estimulam os estudantes a assumirem uma postura ativa diante do conhecimento, rompendo com a lógica da passividade que caracterizou o ensino tradicional.

Outro benefício é a aprendizagem colaborativa. Ferramentas como Google Docs, Padlet e fóruns virtuais favorecem o trabalho em grupo, possibilitando que os estudantes cocriem, compartilhem ideias e resolvam problemas de forma conjunta. Para Ausubel (2003), a aprendizagem significativa ocorre quando novos conteúdos podem ser relacionados aos conhecimentos prévios, e essa relação é potencializada em contextos colaborativos, onde diferentes perspectivas e experiências se complementam. Nesse sentido, a colaboração digital amplia a construção coletiva do saber, preparando os alunos para dinâmicas sociais e profissionais do século XXI.

A utilização das mídias digitais também está diretamente relacionada ao desenvolvimento da autonomia discente. Plataformas de ensino permitem que os alunos acessem conteúdos em diferentes tempos e espaços, possibilitando maior liberdade na gestão de seus estudos. Esse aspecto dialoga com a noção de protagonismo estudantil presente na Base Nacional Comum Curricular (BNCC), que defende o estímulo à autonomia, ao pensamento crítico e à resolução de problemas como competências essenciais da formação básica (Brasil, 2017).

Além disso, as tecnologias digitais favorecem a inclusão e a acessibilidade. Recursos como leitores de tela, legendas automáticas, tradutores e ambientes adaptáveis contribuem para que estudantes com deficiência ou dificuldades específicas de aprendizagem tenham melhores condições de acompanhar os conteúdos. Kenski (2012) ressalta que as mídias digitais, quando bem utilizadas, podem reduzir barreiras e ampliar as oportunidades de participação de grupos historicamente marginalizados no processo educacional. Assim, o uso de tecnologias não apenas potencializa o aprendizado, mas também promove a equidade.

Outro ponto central é a contribuição das mídias digitais para o desenvolvimento de competências socioemocionais e digitais. Trabalhar em ambientes virtuais de colaboração estimula a comunicação, a criatividade, a responsabilidade e a empatia, características fundamentais para a vida em sociedade. Pozo (2002) acrescenta que, ao interagir com diferentes linguagens e plataformas, os estudantes desenvolvem habilidades de pensamento crítico e resolução de problemas, cada vez mais valorizadas no contexto contemporâneo.

Em síntese, para os alunos, o uso das mídias digitais representa a oportunidade de aprender de forma mais envolvente, autônoma, acessível e colaborativa. Ao proporcionar experiências diversificadas, que integram diferentes modalidades e linguagens, essas ferramentas se mostram como aliadas poderosas para a formação integral, em consonância com as demandas educacionais e sociais do século XXI.

5. DESAFIOS E LIMITAÇÕES

Embora os benefícios das mídias digitais na educação sejam amplamente reconhecidos, é necessário considerar os desafios e limitações que acompanham sua integração no ambiente escolar. Esses obstáculos envolvem tanto questões estruturais quanto pedagógicas e sociais, o que torna a discussão sobre tecnologia educacional complexa e multifacetada. Um dos principais desafios refere-se à desigualdade de acesso.

No Brasil, grande parte das escolas públicas ainda enfrenta dificuldades de infraestrutura, como falta de computadores, conexão precária à internet e ausência de equipamentos atualizados. Segundo relatório da UNESCO (2021), a exclusão digital é um dos fatores que mais ampliam desigualdades educacionais, limitando a capacidade de estudantes de baixa renda acompanharem as transformações tecnológicas. Essa realidade evidencia a necessidade de políticas públicas que garantam acesso equitativo e inclusivo às ferramentas digitais. Outro ponto crítico diz respeito à formação docente. Muitos professores ainda relatam insegurança e resistência no uso das tecnologias em sala de aula. Selwyn (2016) alerta que, sem capacitação adequada, os recursos digitais podem ser utilizados de maneira superficial, apenas como uma transposição do modelo tradicional para o ambiente online, sem promover mudanças significativas nas práticas pedagógicas.

Nesse sentido, a formação continuada se torna condição essencial para que os docentes possam explorar o potencial inovador das tecnologias, indo além do uso instrumental. A resistência cultural à inovação também é um desafio recorrente. Em algumas escolas, prevalece a ideia de que métodos tradicionais garantem maior disciplina e controle sobre a aprendizagem, o que dificulta a adoção de metodologias ativas mediadas por tecnologias. Para Moretto e Dametto (2018), esse cenário revela a importância de repensar não apenas o uso das ferramentas digitais, mas também a cultura escolar e as formas de organização do ensino. Outro aspecto que merece atenção é a sobrecarga informacional. O excesso de conteúdos digitais disponíveis pode gerar dispersão, dificultando a seleção de materiais confiáveis e pedagogicamente relevantes. Pozo (2002) ressalta que o papel do professor como curador de informações é cada vez mais necessário, de modo a orientar os estudantes em um ambiente digital marcado por abundância de dados, mas também por riscos de desinformação.

Por fim, há o desafio das questões éticas e de privacidade. O uso de plataformas digitais frequentemente envolve a coleta de dados pessoais de estudantes e professores, o que suscita preocupações quanto à segurança das informações. Selwyn (2022) destaca que a crescente dependência de empresas privadas no fornecimento de ferramentas educacionais levanta debates sobre autonomia pedagógica e soberania digital, exigindo regulamentações que protejam a comunidade escolar. Diante desses desafios, é possível afirmar que a transformação digital na educação não depende apenas da inserção de novas tecnologias, mas de um processo mais amplo de reorganização pedagógica, institucional e social. Reconhecer tais limitações é fundamental para construir estratégias realistas e sustentáveis, capazes de garantir que as mídias digitais cumpram seu papel de promover inclusão, inovação e qualidade educacional.

6. CONSIDERAÇÕES FINAIS

Este estudo teve como objetivo analisar os benefícios e os desafios relacionados ao uso de mídias digitais na educação, considerando as percepções de professores e alunos a partir de uma revisão bibliográfica. A investigação mostrou que as tecnologias digitais transformam significativamente as práticas pedagógicas, ao promoverem maior engajamento, interação e personalização do ensino. Ao mesmo tempo, apontou os obstáculos que ainda dificultam sua plena integração no contexto escolar, como a desigualdade de acesso, a falta de formação docente adequada e os dilemas éticos da digitalização. Do ponto de vista dos professores, constatou-se que as mídias digitais oferecem recursos para diversificar estratégias pedagógicas, facilitar o planejamento, ampliar as possibilidades de avaliação formativa e otimizar a gestão do tempo. Tais benefícios, contudo, só se concretizam de forma plena quando acompanhados de investimentos em formação continuada, que preparem os docentes para atuar criticamente na cultura digital, indo além do uso meramente instrumental das ferramentas. Para os alunos, os resultados apontam ganhos significativos em termos de engajamento, autonomia, aprendizagem colaborativa e desenvolvimento de competências digitais e socioemocionais, em consonância com as diretrizes da BNCC. Além disso, as tecnologias digitais apresentam potencial para ampliar a inclusão e a acessibilidade, ao oferecer recursos adaptáveis às necessidades de diferentes perfis de estudantes. Entretanto, a exclusão digital e a sobrecarga informacional ainda representam entraves que precisam ser enfrentados. Os desafios identificados demonstram que a transformação digital na educação não pode ser compreendida apenas como um processo de inserção de tecnologias, mas como uma mudança cultural, pedagógica e organizacional. A superação das barreiras exige políticas públicas consistentes, investimentos em infraestrutura, fortalecimento da autonomia docente e regulamentações que garantam a proteção de dados e a equidade de acesso.

Conclui-se, portanto, que as mídias digitais constituem instrumentos poderosos para potencializar o ensino e a aprendizagem, desde que acompanhadas por uma visão crítica e integradora. Para que seu uso seja efetivo, é indispensável articular inovação pedagógica com inclusão social, ética digital e formação continuada de professores. Como recomendação para estudos futuros, sugere-se investigar de forma empírica como diferentes contextos escolares estão implementando tais recursos, de modo a identificar boas práticas e estratégias que possam orientar a consolidação de uma educação digital mais justa, crítica e democrática.

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1 Graduação em Pedagogia. Especialista em Neuropsicopedagogia Institucional e Clínica. Mestranda em Tecnologias Emergentes em Educação pela Must University. E-mail: [email protected]