REGISTRO DOI: 10.70773/revistatopicos/786589170
RESUMO
O ensino da Língua Inglesa passou por profundas transformações ao longo da história, acompanhando mudanças sociais, políticas, econômicas e educacionais. Nesse percurso, diferentes métodos e abordagens foram desenvolvidos com o objetivo de responder às necessidades de aprendizagem de cada época. Este artigo é originado da minha pesquisa de dissertação parcialmente. Tem como objetivo apresentar brevemente sobre a evolução do ensino de Língua Inglesa, considerando os primeiros contatos da Língua Inglesa no território brasileiro e os métodos de ensino, desde o período dos métodos tradicionais até a perspectiva do pós-método, destacando as contribuições, limitações e impactos dessas concepções para a prática pedagógica contemporânea. Os principais autores que contribuíram teoricamente para o referido trabalho foram: Alves (2023); Bocca (2019); Chagas, Gomes e Santos (2025); Furlanetto (2019); Ottoni (2024). Quanto ao ensino da Língua Inglesa no Brasil, a análise indica fortes interesses econômicos e políticos e historicamente concentrado a um pequeno grupo de poder mais aquisitivo na sociedade. Já quanto aos métodos de ensino, a análise evidencia que a passagem de modelos rígidos e universais para propostas contextualizadas e reflexivas representa uma mudança significativa na compreensão do processo de ensino-aprendizagem, valorizando o papel do professor, dos estudantes e das realidades socioculturais envolvidas, embora há muitos desafios a serem superados. O trabalho está estruturado em quatro seções, seguindo a ordem e nos seus respectivos títulos: O período dos métodos; Das abordagens comunicativas à superação dos métodos; A emergência do Pós-Método; e, por fim, apresenta-se um quadro teórica com os principais achados teóricos e sua análise acerca do ensino da Língua Inglesa, especificamente dentro das perspectivas do Pós-Método.
Palavras-chave: Ensino de Língua Inglesa; Métodos de Ensino; Abordagem Comunicativa; Pós-Método; Educação Linguística.
ABSTRACT
The teaching of English has undergone profound transformations throughout history, following social, political, economic, and educational changes. Throughout this process, different methods and approaches have been developed to address the learning needs of each historical period. This article is partially derived from the author's master's dissertation research. Its objective is to provide a brief overview of the evolution of English language teaching, considering the first contacts of the English language in Brazil and the teaching methods adopted, from the period of traditional methods to the post-method perspective. It highlights the contributions, limitations, and impacts of these conceptions on contemporary pedagogical practice. The main authors who provided the theoretical foundation for this study were Alves (2023), Bocca (2019), Chagas, Gomes and Santos (2025), Furlanetto (2019), and Ottoni (2024). Regarding the teaching of English in Brazil, the analysis indicates that it has historically been driven by strong economic and political interests and restricted to a small, economically privileged segment of society. Concerning teaching methods, the analysis shows that the shift from rigid and universal models to contextualized and reflective proposals represents a significant change in the understanding of the teaching-learning process, valuing the role of teachers, students, and the sociocultural realities involved, although many challenges remain. The paper is organized into four sections: The Period of Methods; From Communicative Approaches to the Overcoming of Methods; The Emergence of the Post-Method; and, finally, it presents a theoretical framework summarizing the main theoretical findings and their analysis concerning English language teaching, specifically from the perspective of the Post-Method.
Keywords: English Language Teaching; Teaching Methods; Communicative Approach; Post-Method; Language Education.
INTRODUÇÃO
A trajetória do ensino da Língua Inglesa é marcada por constantes reformulações metodológicas, resultantes das transformações históricas e das novas compreensões acerca da linguagem e da aprendizagem. Durante muitos anos, predominou a busca por métodos considerados ideais para o ensino de línguas estrangeiras, produzindo modelos que pretendiam ser aplicáveis em diferentes contextos educacionais.
No entanto, as mudanças nas teorias linguísticas, psicológicas e pedagógicas contribuíram para questionar a eficácia de métodos universais, abrindo espaço para abordagens mais flexíveis e centradas nas necessidades dos aprendizes.
Nesse cenário, emerge a perspectiva do pós-método, que propõe uma prática pedagógica contextualizada, crítica e sensível às particularidades dos sujeitos envolvidos (FURLANETTO, 2019).
Nessa linha de raciocínio, segundo Furlanetto (2019, p. 56), “para que o aluno aprenda uma língua, conforme já comentamos, é preciso que ela faça sentido para ele, que ele compreenda que pode fazer uso dela para a comunicação nas mais diversas situações”.
Ao se analisar a quantidade de estudos realizados com a temática Língua Inglesa nos últimos cinco anos, conforme a revisão sistemática de literatura realizada, é possível perceber um aumento gradual. Isso pode significar a importância desses estudos pelos pesquisadores proporcionalmente à medida que a aquisição da aprendizagem dessa língua estrangeira se torna cada vez mais importante globalmente.
Nesta perspectiva, Souza e Gois (2021) defendem a necessidade do ensino e aprendizado da Língua Inglesa na rede pública brasileira, pois acreditam que dominar esse idioma não ser mais apenas um diferencial, mas como necessidade para acompanhar os avanços das informações e comunicações que ocasionam mudanças globais, tendo em vista que, a globalização diminui fronteiras entre países bem como os aproximam em suas relações.
Diante disso, entende-se que é necessário pesquisas e estudos que compreenda sobre o ensino da Língua Inglesa, como surgiu e seus métodos e abordagens utilizadas, bem como também buscar conhecer concepções, tendências e políticas públicas da atualidade.
Isso agrega conhecimentos aos pesquisadores e educadores, favorecendo diferentes maneiras de pensar criticamente sobre melhores estratégias de ensino que contemple aos educandos a aprendizagem de um idioma tão importante como é o da Língua Inglesa no contexto de globalização, em que diferentes países, que falam essa língua se relacionam e interagem entre si, em seus diversos interesses comuns.
Nessa linha de raciocínio e considerando que a aprendizagem da Língua Inglesa é de grande relevância pessoal, profissional e social, este artigo tem como objetivo analisar a evolução do ensino da Língua Inglesa, desde o período dos métodos até a era do pós-método, discutindo suas principais características, contribuições e desafios para a educação linguística contemporânea.
Com intuito de alcançar esse objetivo, pretende-se fazer análises dos principais trabalhos encontrados pela pesquisa bibliográfica realizada nas plataformas de Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES) e Biblioteca Digital Brasileira de Teses e Dissertações (BDTD).
Os principais trabalhos que embasaram esta pesquisa foram os de Alves (2023); Bocca (2019); Chagas, Gomes e Santos (2025); Duarte (2007); Furlanetto (2019); Ottoni (2024).
A análise desses trabalhos possibilitaram um entendimento de que a Língua Inglesa foi introduzida no território brasileiro com propósitos específicos, tais como, o comércio, navegação marítima, exploração do pai Brasil e disputas econômicas entre potências europeias (CHAGAS; GOMES; SANTOS, 2025) e que posteriormente se consolidou como língua estrangeira obrigatória nos currículos de ensino.
Nisso, no decorrer da história, muitos métodos foram criados, aplicados, aprimorados, mas posteriormente, deixados de serem usados de forma isolada.
O presente artigo se resultou de minha pesquisa de mestrado parcialmente cujo título é: DO PERÍODO DOS MÉTODOS AO PÓS-MÉTODO: PROPOSTA DE UMA CARTILHA PRÁTICA PARA O ENSINO DE LÍNGUA INGLESA NO ENSINO MÉDIO.
Para facilitar a organização e melhor entendimento, o trabalho está estruturado em seções, organizadas na seguinte ordem: O período dos métodos; Das abordagens comunicativas à superação dos métodos; A emergência do Pós-Método; e, por fim, apresenta-se um quadro teórica com os principais achados teóricos acerca do ensino da Língua Inglesa, especificamente dentro das perspectivas do Pós-Método no Ensino Médio.
METODOLOGIA
Este estudo caracteriza-se como uma pesquisa bibliográfica, de abordagem qualitativa, desenvolvida por meio de um levantamento temático de dissertações disponíveis no Banco de Teses e Dissertações da Plataforma CAPES no período de novembro de 2025 a março de 2026. Como estratégia de busca, utilizou-se a palavra-chave "Língua Inglesa", considerando apenas as dissertações publicadas nos últimos cinco anos.
Após a aplicação do recorte temporal, procedeu-se à leitura dos resumos das dissertações selecionadas, com o objetivo de identificar seus objetivos, objeto de estudo, metodologia empregada e principais resultados. Em seguida, foram selecionadas para leitura integral as dissertações que apresentavam discussões relacionadas ao Período Pós-Método no ensino da Língua Inglesa.
Dentre esse conjunto, foram escolhidas dez dissertações que, além de abordarem sobre o período Pós-Método, tratavam especificamente do ensino de Língua Inglesa no Ensino Médio. A seleção fundamentou-se na pertinência temática em relação ao objetivo deste estudo.
A análise de corpus foi realizada por meio da análise de conteúdo, na perspectiva de Bardin, buscando identificar as principais concepções teóricas, estratégias metodológicas, desafios e contribuições apontados pelas pesquisas acerca da transição do período dos métodos para o Pós-Método no ensino da Língua Inglesa. Os resultados obtidos subsidiaram a discussão apresentada neste artigo, permitindo compreender as tendências recentes da produção acadêmica sobre a temática.
O PERÍODO DOS MÉTODOS
A chamada era dos métodos caracteriza-se pela busca de procedimentos sistematizados para ensinar línguas estrangeiras. Nesse período, acreditava-se que a aprendizagem poderia ser otimizada mediante a adoção de um método específico, capaz de atender a diferentes contextos educacionais.
Entre os métodos mais influentes destaca-se o Método de Gramática e Tradução, considerado um dos mais antigos e amplamente utilizados. Fundamentado no ensino do latim e do grego clássico, esse método priorizava o estudo das regras gramaticais, a memorização de vocabulário e a tradução de textos (BOCCA, 2019). Dessa forma, a oralidade e a comunicação recebiam pouca atenção, sendo o foco principal o desenvolvimento da leitura e da escrita.
Posteriormente, surge o Método Direto, que propunha o ensino da língua-alvo sem o uso da língua materna. Conforme Duarte (2007), a aprendizagem deveria ocorrer por meio da exposição direta ao idioma, valorizando a oralidade, a pronúncia e a associação entre palavras e significados. Embora representasse um avanço em relação ao método anterior, sua aplicação exigia condições nem sempre disponíveis nas instituições de ensino.
A partir da década de 1940, tendo-se os Estados Unidos como a superpotência global, intensificando a influência do inglês (OTTONI, 2024), outro importante marco foi o Método Audiolingual, desenvolvido no contexto da Segunda Guerra Mundial. Influenciado pelo behaviorismo, esse método compreendia a aprendizagem como formação de hábitos linguísticos por meio da repetição, memorização e prática intensiva de estruturas da língua. Apesar de favorecer a oralidade, recebeu críticas por reduzir o estudante a um papel passivo e por negligenciar aspectos comunicativos mais amplos.
Além desses, surgiram métodos alternativos, como a Sugestopedia, o Método Silencioso, a Resposta Física Total (TPR) e a Aprendizagem por Aconselhamento, que buscaram incorporar aspectos psicológicos, afetivos e cognitivos ao processo de ensino. Entretanto, nenhum deles conseguiu responder plenamente à diversidade de contextos educacionais existentes (ALVES, 2023).
DAS ABORDAGENS COMUNICATIVAS À SUPERAÇÃO DOS MÉTODOS
A partir da década de 1970, intensificaram-se as críticas à rigidez dos métodos tradicionais. Pesquisadores passaram a defender que aprender uma língua não significava apenas dominar estruturas gramaticais, mas desenvolver a capacidade de utilizá-la em situações reais de comunicação (LEFFA, 1988B).
Nesse contexto, ganha destaque a Abordagem Comunicativa, que desloca o foco da língua como sistema formal para a língua em uso. O objetivo central passa a ser o desenvolvimento da competência comunicativa, permitindo que os estudantes participem de interações significativas em diferentes contextos sociais.
Essa abordagem valoriza a integração das quatro habilidades linguísticas — ouvir, falar, ler e escrever —, além da contextualização dos conteúdos, da interação entre os participantes e da utilização de materiais autênticos. Diferentemente dos métodos anteriores, não estabelece uma sequência rígida para o ensino das habilidades, reconhecendo que a comunicação ocorre de forma integrada (ALVES, 2023).
Já em Prado, Neitzki e Pallu (2018), entende-se que a Abordagem Comunicativa é uma excelente opção para o ensino da Língua Inglesa, pois considera aspectos relevantes e inovador que possibilita a prática e aprendizagem da linguagem, favorecendo a habilidade comunicativa, considerando as habilidades de leitura, escrita e escuta.
Entretanto, apesar dos avanços proporcionados pela Abordagem Comunicativa, estudiosos como Howatt e Widdowson apontaram limitações quanto à ausência de teorias coerentes em que o ensino livre por essa abordagem poderia desfocar dos seus próprios princípios norteadores (FURLANETTO, 2019).
Além disso, a diversidade de contextos educacionais demonstrava que nenhuma abordagem poderia ser considerada universalmente eficaz.
A EMERGÊNCIA DO PÓS-MÉTODO
As críticas aos modelos prescritivos levaram ao surgimento da perspectiva do pós-método, desenvolvida principalmente por Kumaravadivelu. Essa concepção representa uma ruptura com a ideia de que existe um método ideal capaz de solucionar os desafios do ensino de línguas em qualquer contexto.
O Pós-Método, de acordo com Kumaravadivelu (2003), fundamenta-se em três parâmetros principais: particularidade, praticabilidade e possibilidade.
O parâmetro da particularidade enfatiza a necessidade de considerar as características específicas dos alunos, dos professores, das instituições e dos contextos socioculturais. Já o parâmetro da praticabilidade reconhece que os professores produzem conhecimentos a partir de suas experiências e reflexões sobre a prática pedagógica. Por sua vez, o parâmetro da possibilidade aproxima-se da pedagogia crítica, destacando a relação entre educação, identidade, cultura e transformação social (FURLANETTO, 2019).
Nessa perspectiva, o professor deixa de ser mero executor de métodos elaborados por especialistas e assume o papel de profissional reflexivo, capaz de adaptar estratégias às necessidades concretas de seus estudantes. O ensino passa a valorizar a autonomia dos aprendizes, a interculturalidade, os multiletramentos e a construção coletiva do conhecimento.
Além disso, o Pós-Método dialoga com as orientações presentes na Base Nacional Comum Curricular (BNCC), que compreende a Língua Inglesa como língua franca e instrumento de comunicação intercultural, favorecendo a participação dos estudantes em uma sociedade globalizada (BNCC, 2018).
RESULTADOS E DISCUSSÃO
A partir do exposto nos tópicos anteriores, sobre o percurso histórico do ensino da Língua Inglesa e seus diversos métodos e abordagens de ensino, como exposto por Bocca (2019); Duarte (2007); Ottoni (2024); Alves (2023); Leffa (1988b); Prado, Neitzki e Pallu (2018); Furlanetto (2019); e Kumaravadivelu (2003), respectivamente, evidencia-se uma transição de modelos centrados na transmissão de conteúdos para propostas que valorizam a interação, a contextualização e a construção de sentidos.
Essa transformação reflete mudanças mais amplas na compreensão da linguagem, da aprendizagem e do papel da educação.
Contudo, os avanços teóricos não eliminam os desafios enfrentados pelas escolas. Questões como formação docente insuficiente, falta de recursos tecnológicos, turmas numerosas e desigualdades regionais continuam dificultando a implementação efetiva das propostas contemporâneas.
Nesse cenário, o Pós-Método oferece contribuições relevantes ao reconhecer que a qualidade do ensino depende da capacidade de adaptação às realidades locais. Em vez de buscar receitas prontas, essa perspectiva incentiva práticas pedagógicas flexíveis, críticas e socialmente comprometidas.
A partir dessa base teórica, que incentivou a pesquisa e sua metodologia descrita anteriormente, encontrou-se e foram selecionados as dez dissertações e seus respectivos autores, objetos, objetivos e resultados, como consta na tabela abaixo.
TABELA I: Quadro teórico.
Autor (ano) | Objeto | Objetivo | Resultados |
Carmo (2023) | Crenças de professores de Língua Inglesa sobre a presença e o uso das Metodologias Ativas no processo de ensino e aprendizagem desse componente curricular em escolas públicas de Ensino Médio. | Investigar as crenças de professores de Língua Inglesa a respeito da presença das Metodologias Ativas de ensino no processo de ensino e aprendizagem de Língua Inglesa no Ensino Médio das escolas públicas. | As crenças apresentadas pelos professores participantes mostraram-se, em muitos momentos, divergentes e incongruentes em relação às práticas pedagógicas observadas em sala de aula; Houve disparidade entre o discurso docente sobre Metodologias Ativas e sua aplicação prática; As possíveis causas dessa divergência incluem: experiências mal sucedidas de ensino com os alunos; intervenções político-educacionais nos objetivos do ensino de Língua Inglesa; tentativa de preservação da imagem profissional docente influenciada por discursos culturais sobre ensino e aprendizagem de inglês. Ademais, em sua pesquisa conclui que as Metodologias Ativas aparecem mais no discurso pedagógico do que efetivamente nas práticas observadas. |
Carvalho (2022) | As práticas de ensino-aprendizagem da Língua Inglesa em uma escola pública, com foco na utilização de abordagens críticas ligadas ao letramento crítico e aos gêneros discursivos para contextualizar o ensino de forma mais abrangente e dinâmica. | Investigar as práticas de ensino-aprendizagem da Língua Inglesa em uma escola pública do interior de Minas Gerais e propor novas práticas pedagógicas embasadas na promoção do letramento crítico e dos gêneros textuais, aplicando-as e avaliando seus efeitos no contexto escolar. | Pode-se concluir com este trabalho que, de maneira geral, foram atingidos bons resultados de ensino-aprendizagem de língua inglesa, conseguindo despertar a consciência crítica dos estudantes e contribuindo para a formação dos discentes participantes. |
Fernandes (2024) | A exploração de lexical bundles (pacotes lexicais) com o pronome you em legendas de filmes norte-americanos, visando compreender padrões recorrentes da Língua Inglesa falada e sua aplicação no ensino da léxico-gramática baseada em córpus. | Identificar lexical bundles contendo o pronome you em legendas de filmes em língua inglesa. | Os resultados demonstraram alta frequência dos seguintes lexical bundles: “what are you doing”, “what do you mean”, “what do you think”, “what do you want” e “do you want to”. Assim concluiu com sua pesquisa que esses padrões representam usos recorrentes da oralidade da Língua Inglesa e podem contribuir para o ensino mais autêntico do inglês falado, suprindo lacunas frequentemente negligenciadas pelos livros didáticos tradicionais. |
Souza (2022) | Política pública do Programa Nacional do Livro Didático (PNLD) de Língua Inglesa, com foco específico na análise da atividade de writing (escrita) aplicada na prática pedagógica de professores da 1ª série do Ensino Médio em escolas estaduais de Macapá. | Analisar como a política pública do PNLD de Língua Inglesa repercutiu na prática pedagógica de professores da primeira série do Ensino Médio em Macapá, especificamente nas escolas Escola Estadual Alexandre Vaz Tavares (EEAVT) e Escola Estadual Professor Gabriel Almeida Café (EEPGAC). | A política pública do PNLD apresenta propostas de escrita de modo satisfatório e contribui positivamente para a prática docente. Identificou-se que os alunos, em sua maioria, chegam ao Ensino Médio com conhecimento de inglês insuficiente para acompanhar as atividades propostas no livro didático. As professoras entrevistadas destacaram a necessidade de utilizar materiais extras para suprir a lacuna entre o nível do livro e a realidade dos alunos. Com isso, concluiu-se que as quatro habilidades pilares (ouvir, ler, falar e escrever) são fundamentais e devem ser trabalhadas de forma integrada para o sucesso do aprendizado. |
Ribas (2023) | Aulas online gravadas. | Propor uma reflexão sobre de que forma a tradução pedagógica como recurso metalinguístico auxilia no desenvolvimento da consciência linguística do estudante da sua língua materna. | Concluiu que as estratégias linguísticas - vitais para a comunicação humana e a reflexão sobre a linguagem – utilizadas em aula online, por meio da tradução pedagógica, pode partir do trabalho com as estruturas mais simples até as mais complexas da língua e que, como uma atividade metalinguística, é um recurso recorrente utilizado pelos professores, visando desenvolver maior consciência linguística da língua materna, mesmo quando os alunos possuem pouco em nenhum conhecimento da língua – alvo. |
Kwecko (2021) | A prática pedagógica. | Analisar a implementação de um projeto interdisciplinar, mediado pelas TDIC, sob a luz das Metodologias Ativas no contexto de ensino remoto emergencial, com o intuito de verificar os possíveis benefícios e limitações de atividades interdisciplinares no processo de ensino e aprendizagem da língua adicional. | Apontaram que os estudantes desenvolveram habilidades linguísticas e conhecimento cultural, além da autonomia, da criticidade e da criatividade a partir das atividades propostas, além de proporcionar aos professores o compartilhamento das práticas pedagógicas. Assim, concluiu que a intervenção desempenhou um papel significativo no processo do desenvolvimento do protagonismo dos discentes. |
Galdini (2023) | O desenvolvimento de um produto educacional que contemplasse o ensino da Língua Inglesa (LI) pela literatura e uso de tecnologias, sendo este direcionado ao ensino público. | Expor os resultados de uma pesquisa- ação participativa com abordagem qualitativa, que teve como enfoque o desenvolvimento de um produto educacional que contemplasse o ensino da Língua Inglesa (LI) pela literatura e uso de tecnologias, sendo este direcionado ao ensino público. | Os resultados revelaram dados positivos no que diz respeito aos seus objetivos principais, porém algumas sugestões de modificações no produto foram indicadas para que os objetivos fossem totalmente alcançados. |
Oliveira (2021) | O ensino de línguas estrangeiras (LE). | Investigar quais são as representações dos professores sobre o uso de tradução como um recurso pedagógico no ensino de LI. | Os resultados apontaram para uma representação da tradução como um recurso didático facilitador do processo de ensino/aprendizagem, para um afastamento de ferramentas prescritas por metodologias de ensino e uma busca por uma “alternativa ao método” (KUMARAVADIVELU, 2001) e para um deslocamento subjetivo das identidades dos professores e de suas representações sobre a tradução, propiciado pela interface entre teorização e prática docente. |
Queiroz (2023) | A observação de duas aulas de inglês do professor responsável pela turma. | Investigar como as tecnologias digitais e o ensino de conteúdos gramaticais, em um modelo de sala de aula invertida, podem estimular a aprendizagem ativa de Língua Inglesa no Ensino Médio integrado. | Os resultados deste estudo permitiram concluir que mais do que tecnologizar o ensino de inglês, é preciso (re)significar a abordagem de ensinar línguas, integrando as tecnologias digitais de forma refletida para que essas auxiliem a aprendizagem dos alunos. |
Braga (2021) | Aprendizes de LI do terceiro ano do Ensino Médio público estadual. | Investigar as representações de aprendizes do Ensino Médio (EM) público no que tange à utilização de tradução pedagógica durante as aulas de Língua Inglesa (LI). | As representações presentes nos dizeres dos participantes, levara-a a concluir que a tradução é utilizada como um recurso pedagógico que facilita a aprendizagem dos aprendizes. |
Fonte: (produzido pelo próprio autor, com base nas informações obtidas na CAPES e BDTD)
Análise do Quadro Teórico
O quadro teórico apresenta um conjunto de pesquisas recentes (2021–2024) sobre o ensino de Língua Inglesa, abrangendo metodologias ativas, letramento crítico, tradução pedagógica, tecnologias digitais, ensino baseado em corpus, políticas públicas e formação docente.
Ademais, oferece evidências de como as concepções contemporâneas dialogam com a perspectiva do pós-método e com as transformações ocorridas ao longo da história do ensino de Língua Inglesa.
A partir do objetivo da pesquisa que foi apresentar brevemente sobre a evolução do ensino de Língua Inglesa, considerando os primeiros contatos da Língua Inglesa no território brasileiro e os métodos de ensino, desde o período dos métodos tradicionais até a perspectiva do pós-método (sobre este, analisado no referido quadro teórico), destacando as contribuições, limitações e impactos dessas concepções para a prática pedagógica contemporânea — tem-se a análise apresentada a seguir:
A análise evidenciou-se que as pesquisas mais recentes sobre o ensino de Língua Inglesa refletem um movimento de superação das concepções tradicionais de ensino, caracterizadas pela centralidade na gramática, na memorização e na tradução mecânica, em direção a abordagens mais flexíveis, críticas e contextualizadas, alinhadas aos pressupostos da perspectiva do pós-método.
Os estudos analisados demonstram que a prática pedagógica contemporânea valoriza a autonomia discente, o letramento crítico, as metodologias ativas, a integração das tecnologias digitais, o uso de materiais autênticos e a contextualização do processo de ensino e aprendizagem. Pesquisas como as de Carvalho (2022), Kwecko (2021), Galdini (2023) e Queiroz (2023) apontam que tais abordagens favorecem o protagonismo dos estudantes, o desenvolvimento da criticidade e uma aprendizagem mais significativa, características que se aproximam dos princípios defendidos pelo Pós-Método.
Por outro lado, o quadro também evidencia que a ruptura com os métodos tradicionais ainda não ocorreu plenamente. A pesquisa de Carmo (2023) revela divergências entre o discurso dos professores e suas práticas pedagógicas, demonstrando que metodologias inovadoras nem sempre são efetivamente implementadas em sala de aula. Da mesma forma, Souza (2022) aponta limitações relacionadas à formação linguística dos estudantes e à necessidade de adaptação dos materiais didáticos, indicando que desafios estruturais continuam influenciando o ensino da Língua Inglesa.
Outro aspecto relevante é a ressignificação de práticas anteriormente associadas aos métodos tradicionais. Os estudos de Oliveira (2021), Braga (2021) e Ribas (2023) demonstram que a tradução pedagógica deixa de ser compreendida apenas como um procedimento mecânico e passa a ser utilizada como estratégia de reflexão linguística e desenvolvimento da consciência metalinguística, evidenciando uma característica marcante do pós-método: a valorização dos recursos pedagógicos de acordo com as necessidades do contexto, e não pela adoção exclusiva de um único método.
Nesse sentido, o quadro confirma que a evolução do ensino de Língua Inglesa no Brasil representa um percurso que parte da predominância de métodos prescritivos e homogêneos para uma concepção mais flexível, contextualizada e reflexiva. Essa transformação evidencia que as contribuições do Pós-Método consistem na autonomia docente, na valorização do contexto sociocultural, na diversificação das estratégias de ensino e na formação crítica dos estudantes.
Entretanto, persistem limitações relacionadas às condições de trabalho, à formação de professores, às políticas públicas e às dificuldades de implementação dessas propostas na realidade escolar. Assim, as pesquisas analisadas reforçam que a prática pedagógica contemporânea busca equilibrar os conhecimentos historicamente construídos pelos diferentes métodos de ensino com abordagens inovadoras, adequando-os às demandas educacionais atuais.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
A evolução do ensino da Língua Inglesa demonstra que os métodos, embora importantes em determinados momentos históricos, não foram capazes de responder integralmente à complexidade dos processos de aprendizagem. O surgimento das abordagens comunicativas e, posteriormente, da perspectiva do pós-método, representa um movimento de valorização dos contextos reais de ensino e das necessidades dos sujeitos envolvidos.
Assim, o pós-método não significa a negação completa dos conhecimentos produzidos anteriormente, mas a compreensão de que diferentes estratégias podem ser utilizadas de forma crítica e contextualizada. O professor passa a exercer papel central na construção de práticas pedagógicas significativas, promovendo uma educação linguística capaz de desenvolver competências comunicativas, interculturais e cidadãs.
Dessa forma, o ensino da Língua Inglesa na contemporaneidade deve ser compreendido como um processo dinâmico, no qual teoria e prática dialogam continuamente para atender às demandas de uma sociedade cada vez mais diversa e globalizada.
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1 Mestrando em Ciências da Educação. Ivy Enber Christian University. 4725 Sand Lake Rd, Ste 203, Orlando, Florida 32819. E-mail: [clique para visualizar o e-mail]acesse o artigo original para visualizar o e-mail. ORCID: https://orcid.org/0009-0005-3017-0101.