LEVANTAMENTO E CARACTERIZAÇÃO DAS PLANTAS ALIMENTÍCIAS NÃO CONVENCIONAIS (PANC) NA ÁREA URBANA DE MORRINHOS, GOIÁS

SURVEY AND CHARACTERIZATION OF UNCONVENTIONAL FOOD PLANTS (PANC) IN THE URBAN AREA OF MORRINHOS, GOIÁS

REGISTRO DOI: 10.70773/revistatopicos/793464898

RESUMO
Muitas espécies de plantas cultivadas ou espontâneas que ocorrem no ambiente urbano têm potencial para uso na alimentação humana. No Brasil cerca de 3.000 espécies de plantas são citadas na literatura com potencial alimentício, chegando à estimativa de 10.000 espécies nativas para uso alimentar. Das diversas espécies vegetais que possuem potencial alimentício, muitas são plantas não convencionais (PANC). O presente estudo objetivou contribuir com o conhecimento sobre PANC no Brasil através de levantamento florístico realizado em área urbana no município de Morrinhos, GO. Foram coletadas e identificadas 59 PANC que foram classificadas quanto a categorias de uso e levantadas informações sobre partes utilizadas, e composição nutricional. mais estudos são necessários sobre o cultivo e manejo de PANC para que esses produtos possam ser amplamente cultivados, consumidos e comercializados em áreas urbanas, feiras e sacolões, valorizando espécies com potencial alimentício não explorado.
Palavras-chave: PANC; Levantamento botânico; plantas alimentícias.

ABSTRACT
Many plant species—whether cultivated or growing spontaneously—found in urban environments have the potential to be used as human food. In Brazil, the literature lists approximately 3,000 plant species with food potential, with estimates suggesting that as many as 10,000 native species could be used for human consumption. Among the various plants with such potential, many are classified as "unconventional food plants" (PANC, by their Portuguese acronym). This study aimed to contribute to the body of knowledge regarding PANC in Brazil through a floristic survey conducted in an urban area in the municipality of Morrinhos, Goiás (GO). A total of 59 PANC species were collected and identified; they were categorized by their use, and information was gathered regarding the specific plant parts consumed and their nutritional composition. Further research into the cultivation and management of PANC is necessary to enable these plants to be more widely grown, consumed, and traded in urban areas—including at farmers' markets and produce stands—thereby highlighting the value of these underutilized, potentially edible species.
Keywords: Edible wild plants (PANC); botanical survey; food plants.

1. INTRODUÇÃO

Muitas espécies de plantas cultivadas ou espontâneas que ocorrem no ambiente urbano têm potencial para uso na alimentação humana. Díaz-Betancourt (1999) estipula que de todas as plantas vasculares conhecidas, 10% devem ser consideradas como potencial fonte de alimento. Essa riqueza pode ser ainda maior, chegando a 25%, ou seja, cerca de 67.000 espécies vegetais com potencial de uso na alimentação humana (Rapoport, 2007). No Brasil cerca de 3.000 espécies de plantas são citadas na literatura com potencial alimentício, chegando a estimativa de 10.000 espécies nativas para uso alimentar (Kinupp; Lorenzi, 2014). As plantas alimentícias são àquelas que possuem uma ou mais partes comestíveis, incluindo produtos derivados que podem ser utilizados na alimentação humana (Kinupp; Lorenzi, 2014). O acrônimo PANC refere-se às plantas alimentícias não convencionais (Kinupp; Lorenzi, 2014), ou seja, plantas que não são comuns na alimentação sendo elas nativas, exóticas, silvestres, espontâneas ou cultivadas.

Há poucos estudos sobre o uso de plantas alimentícias não convencionais no Brasil (Kinupp; Barros, 2004), carecendo principalmente de estudos sobre espécies nativas brasileiras. Nesse contexto o objetivo do presente trabalho foi realizar o levantamento de PANC na área urbana do município de Morrinhos, GO, mostrando a importância e uso alimentício de plantas espontâneas, paisagísticas e nativas comumente encontradas em área urbana.

2. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA OU REVISÃO DA LITERATURA

As PANC incluem a planta como um todo (hortaliças) (Kelen, 2015), ou em partes como raízes tuberosas, tubérculos, rizomas, talos, cormos, bulbos, folhas, flores, sementes, brotos, frutos, ou ainda látex, goma, resina, ou uso na produção de óleos e gorduras ou bebidas, ainda incluindo plantas com substâncias condimentares e aromáticas (Kinupp; Lorenzi, 2014). Algumas espécies convencionais possuem partes que seriam desprezadas e podem ser utilizadas na alimentação como o coração e palmito da bananeira (Musa sp.) e o uso da medula e frutos verdes do mamoeiro (Carica papaya) (Kinupp; Lorenzi, 2014). Popularmente algumas PANC são consideradas daninhas, inços, matos ou invasoras devido ao seu brotamento espontâneo e muitas vezes indesejado (Kinupp; Barros, 2007), levando a serem removidas com foices, enxadas e até mesmo herbicidas (Kinupp, 2007), ressalta que muitas das espécies hoje cultivadas na agricultura, no passado foram consideradas daninhas. 
Muitas plantas consideradas daninhas podem servir de alimento e ser fonte de vitaminas, apesar de seu valor nutricional pouco explorado (Martinevski et al,2013), essas plantas são fonte potencial de macro e micronutrientes (Souza et al., 1999), amido e sais minerais como a beldroega (Portulaca sp.), serralha (Sonchus sp.) e o caruru (Amaranthus, sp.) (Rubem et al, 2011).

Diversas plantas abundantes em ambientes urbanos têm potencial uso na alimentação humana, porém muitas vezes não são consumidas devido à falta de conhecimento sobre sua comestibilidade ou mesmo são negligenciadas pelo baixo interesse em coletá-las (Kinupp; Lorenzi, 2014). Em ambientes antropizados, a porcentagem de plantas com potencial alimentício pode variar entre 17 a 33%, mas se considerado apenas as espécies espontâneas, essa porcentagem pode chegar a 89% (Rapoport et al., 1998). Terrenos baldios, quintais e jardins poderiam ser aproveitados como locais de extrativismo, cultivo e manejo de plantas espontâneas e cultivadas na agricultura Urbana (Kinupp, 2007). Muitas espécies com uso ornamental, principalmente nativas também poderiam ser cultivadas como alimentícias no chamado Paisagismo Produtivo (Kinupp, 2007).

3. METODOLOGIA

Morrinhos é um município brasileiro, localizado na região sul do estado de Goiás. O município ocupa uma área de 2.846,199 km² e possui uma população de 41.460 habitantes (IBGE, 2020). O município se encontra sob influência dos biomas Cerrado e Mata Atlântica (IBGE, 2020) que são considerados Hotspots para conservação da biodiversidade mundial (Myers, 2000).

O levantamento florístico foi realizado na área urbana do município de Morrinhos-Goiás, que compreende 1403, 19 km² de perímetro urbano (Meireles; Oliveira, 2017), foram percorridos trechos da área urbana através do método de caminhamento (Filgueiras et al., 1994). A área urbana é consideravelmente bem arborizada, sendo que mais de 60% das residências da região central da cidade possuem espécies arbóreas em suas calçadas (Meireles; Oliveira, 2017). A coleta dos dados foi realizada no período de abril de 2018 a janeiro de 2019, totalizando 16 visitas a campo.

Para a coleta foram consideradas as plantas com uma ou mais partes comestíveis, sendo espontâneas ou cultivadas, nativas ou exóticas. As coletas abrangeram locais públicos como calçadas, praças, terrenos baldios e parques do município. As espécies observadas foram fotografadas e o material testemunho foi coletado e identificadas com auxílio de consulta em herbário e literatura específica (Reflora, 2020) e (Kinupp; Lorenzi, 2014). As plantas coletadas no estudo foram depositadas no herbário José Ângelo Rizzo na Universidade Estadual de Goiás Campus Quirinópolis.

As plantas foram classificadas conforme uso descrito por Kinupp (2007) e Kinupp; Lorenzi (2014). As hortaliças incluíram aquelas plantas com potencial uso de suas folhas, palmito, órgãos subterrâneos de reserva, caules aéreos e ramos. A categoria bebida inclui plantas que possuem partes como folhas, flores e frutos que após fermentação ou infusão são utilizadas como chás, licores, ou aquelas plantas utilizadas no preparo de suco fresco. Nas frutíferas foram inclusas espécies produtoras de fruto propriamente dito. Na categoria “(pseudo)cereal” foram inclusas plantas com sementes com características semelhantes a cereais. A categoria óleo refere a sementes ricas em lipídeos. Na categoria aromatizante foram inclusas plantas com produção de óleo essencial com potencial de aromatizar o alimento. Tuberosa refere-se a plantas com órgãos subterrâneos comestíveis. Foram identificadas as partes comestíveis das plantas, sendo que a maioria possui mais de uma parte com potencial uso alimentício, assim como algumas plantas apresentaram mais de uma categoria de uso. Os hábitos de crescimento das plantas foram designados em seis categorias, conforme a descrição de cada espécie. As partes utilizadas da planta foram designadas conforme o uso das mesmas.
As plantas foram identificadas quanto à sua ocorrência, entre as nativas foram identificados seus biomas de ocorrência e entre as exóticas o país ou região de origem. A composição nutricional das PANC coletadas estão listadas na Tabela- 2. A composição mineral das PANC estão listados na Tabela- 3 e os nutrientes na Tabela- 4. As espécies foram listadas conforme a disponibilidade de informações em tabelas nutricionais (TACO e USDA) e bibliografia disponível.

4. RESULTADOS E DISCUSSÕES

Foram coletadas e identificadas 59 espécies PANC na área urbana do município de Morrinhos-GO (Tabela 1). As espécies estão distribuídas em 34 famílias. As famílias com maior número de representantes foram Malvaceae (7 espécies), Fabaceae (6 espécies), Myrtaceae (5) Solanaceae (5), Asteraceae (3), Amaranthaceae (3), e Cactaceae (3). As 24 famílias restantes são representadas por apenas uma espécie. Algumas das espécies coletadas estão apresentadas nas Figuras 1 e 2.

Figura 1. PANC coletadas na área urbana do município de Morrinhos,GO: (A) Peperomia pelúcida, (B) Commelina benghalensis L., (C) Campomanesia adamantium e (D) Plumeria rubra.

Figura 2. PANC coletadas na área urbana do município de Morrinhos,GO: (A) Musa ornata, (B) Turnera subulata), (C) Miconia chamissois e (D) Hibiscus rosa-sinensis

Tabela 1. Lista das espécies do levantamento florístico de espécies PANC na área urbana do município de Morrinhos-GO organizadas por Família, Espécie, Número de herbário, nomes populares, Uso(s): AM - aromatizante; BE - bebidas; CO - condimentos; HO - hortaliça; FR -frutífera; CE – (pseudo)cereal; OL - óleo; TB - tuberosa. Parte(s) usada(s): B - brotos; Bu - bulbos; Ca - cálice; F - folhas; Fi - filocládio; Fo - flores; Fu -frutos; Ha - haste; I - inflorescência; Pa - palmito; Po - polén; R - ramos; Ra - raízes Rz - rizomas. Hábito: AB - arbusto; AR - árvore; AV- arvoreta; ER – erva; HE - herbácea; HT - herbácea trepadeira; SB - subarbusto; EP - epífita. Comestibilidade: CPE - consumidas no presente estudo.

Espécie

Nomes populares

Uso(s)

Parte(s) usada(s)

Hábito

Origem e distribuição

COMESTIBILIDADE

Acanthaceae

      

Thunbergia alata Bojer ex Sims

Suzana-de-olhos-negros; amarelinha; cipó-africano; olho-de-poeta

HO

F; Fo

HE

Amazônia Caatinga Mata Atlântica

CPE; TABUTI et al.,. (2004)

Amaranthaceae

      

Amaranthus blitum L.

caruru; caruru-folha-de-cuia; caruru-rasteiro

HO

F; R

HE

Caatinga Mata Atlântica Pampa

JIMÉNEZ-AGUILAR; GRUSAK (2017)

Alternanthera tenella Colla

Espinafre-do-mato; apaga-fogo; manjerico; corrente

HO

F; R

HE

Brasil

KINUPP; LORENZI (2014)

Amaranthus deflexus L.

Caruru; caruru-rasteiro; bredo; bredo-rasteiro; pigweed; yuyu

HO CE

F; R; S

HE

Caatinga Cerrado Mata Atlântica

CPE; KINUPP; LORENZI (2014)

Amaryllidaceae

      

Nothoscordum gracile (Aiton) Stean

Alho-silvestre; alho-bravo; cebolinha-de-tropeiro; cbolinha-de-perdiz

CO HO

F; Bu; Fo; Se

HE

Mata atlântica Pampa

CPE; KINUPP; LORENZI (2014)

Anacardiaceae

      

Spondias purpurea L.

Seriguela; ceriguela; ciriguela; red mombin; purple mombin

FR BE HO

F; Fu

AR

América Central

CPE; KINUPP; LORENZI (2014)

Annonaceae

      

Xilopia aromatica (Lam.) Mart.

Pimenta-de-macaco; embira; pindaíba; ibira; pimenteira-do-sertão; bananinha

AM CO

Fu

AR

Cerrado Amazônia

KUHLMANN (2018); OLIVEIRA et al.,. (2012);

Apiaceae

      

Foeniculum vulgare Mill.

Funcho; erva-doce; falsa-erva-doce; fiolho; funcho-italiano

HO BE

F; R; S; Fu; Bu; Há

HE

Mata atlântica Pampa

CPE; KINUPP; LORENZI (2014)

Apocynaceae

      

Plumeria rubra L.

Jasmim-manga; árvore-pagode; pluméria; frangipane

AM

Fo

AR

América Tropical

KINUPP; LORENZI (2014)

Asteraceae

      

Bidens cynapiifolia Kunth

Picão-preto-amazônico; amor-seco; carrapicho

HO

F; R

HE

Brasil

KINUPP; LORENZI (2014)

Crepis japonica L. Benth

Crepe-do-japão

HO

F; R; Fo; Há

HE

China Japão

KELEN et al., (2015); CHAU (2006)

Conyza canadensis (L.) Cronquist

Buva; buva-do-canadá; voadeira

HO

F

HE

Amazônia Caatinga Cerrado Mata Atlântica Pampa Pantanal

KINUPP (2007)

Bignoniaceae

 

 

 

 

 

 

Handroanthus chrysotrichus (Mart. Ex DC.) Mattos

Ipê-amarelo; ipê-amarelo-cascudo; ipê-cascudo; ipê-do-morro; pau-d’arco-amarelo

HO

Fo

AR

Cerrado Mata Atlântica

KINUPP; LORENZI (2014)

Cactaceae

      

Epiphyllum oxypetalum var. purpusii (weing.)

Dama-da-noite

FR

F

HE EP

Mata Atlântica

UPENDRA E KHANDELWAL (2012)

Nopalea cochenillifera (L.) Salm-Dyck

Palma; palma-forrageira; palma-muída; palmatória;

FR HO BE

Fu; Fi

AB

Caatinga Mata Atlântica

KINUPP; LORENZI (2014)

Pereskia grandifolia Haw.

Ora-pro-nóbis; lobrobó; carne-de-pobre; guaiapá; mori

HO

F; Fl; Fu

AB

Mata Atlântica

CPE; KINUPP; LORENZI (2014)

Cannaceae

      

Canna edulis Kerr-Gawler

Ararutão; aquira; cana-comestível; caeté; pirirí; achira

TB

Rz

HE

Brasil

KINUPP; LORENZI (2014)

Caryocaraceae

      

Caryocar brasiliensis Cambess.

Pequi; piqui; pequizeiro; piquiá-bravo; piquiá-pedra

FR OL

Fu; Se

AR

Amazônia Caatinga Cerrado Mata Atlântica

CPE; LORENZI; MATOS (2008); KINUPP; LORENZI (2014)

Combretaceae

      

Terminalia catappa L.

Sete-copas; chapéu-de-sol; castanhola; chapéu-de-praia

FR BE

Fu; S

AR

Amazônia Caatinga Mata Atlântica

KINUPP; LORENZI (2014); OLIVEIRA et al.,. (2000); SILVA-JUNIOR (2010)

Commelinaceae

      

Commelina benghalensis L.

Trapoeraba; andacá; erva-de-santa-luzia; maria-mole; marianinha

HO

F; Fo

HE

Brasil

JOHNS; KOKWARO (1991); SOUZA ET AL., (1999)

Convovulaceae

      

Ipomoea quamoclit L.

Corda-de-viola; cipó-esqueleto; flor-de-cadeal; boa-tarde

HO

F; Fo, R

HE

Brasil

KINUPP; LORENZI (2014)

Cucurbitaceae

      

Luffa aegyptiaca Mill.

Bucha; bucha-lisa; esponja; bucha-dos-paulistas

HO OL

F; Fo; Fu; S

HE

Eurásia

KINUPP; LORENZI (2014) ELEMO; ELEMO; ERUKAINURE (2011)

Momordica charantia L.

Melão-de-são-caetano

FR

Fu; S

HE

Amazônia Cerrado

CPE; YOUWAI et al., (1991); KINUPP; LORENZI (2014)

Cyperaceae

      

Cyperus esculentos L.

Tiririca; tiriricão; tiririca-amarela; chufa; junça; batatinha-de-junça; tiger nut

TB BE

Rz

HE

Brasil

KINUPP; LORENZI (2014); KINUPP (2007); PASCUAL et al., (2000)

Fabaceae-Caesalpinioideae

      

Caesalpinia pulcherrima (L.) Sw.

Flamboianzinho; flamboian-de-jardim; flor-de-pavão

HO

Fo; S; Fu

AB

Antilhas

KINUPP; LORENZI (2014); YUSUF; AHMED (2007)

Cassia leiandra Benth.

Mari-mari; fava-mari-mari; seruaiá; ingá-mari

HO BE

Fu; S

AR

Amazônia Mata Atlântica

CPE; KINUPP; LORENZI (2014)

Fabaceae-Faboideae

      

Clitoria ternatea L.

Feijão-borboleta; ervilha-borboleta; cunhã; Ismênia; butterfly pea

FR HO

F; Fo; Fu

HT

Amazônia Caatinga Cerrado Mata Atlântica

CPE; KINUPP; LORENZI (2014)

Vigna unguiculata (L.) Walp.

feijão-caupi; feijão-de-praia; feijão-guaí; feijão-fradinho; feijão-de-corda

FR

F; S

HE

África Tropical

KINUPP; LORENZI (2014); EHLERS; HALL (1997)

Inga edulis Mart.

Ingá-de-metro; ingá-cipó; ingá-doce; ingá-macarrão

FR

F

AR

Amazônia Caatinga Cerrado Mata Atlântica

CPE; KINUPP; LORENZI (2014)

Inga cylindrica (Vell.) Mart

Ingá; ingá-mirim; angá

FR

Fu

AR

Amazônia

CPE; CARAMORI SOUZA; FERNANDES (2008); KUHLMANN (2012)

Lamiaceae

      

Ocimum gratissimum L.

Alfavaca; alfavaca-cravo; manjericão-de-folha-larga

HO

Fo

HE

Amazônia Caatinga Cerrado Mata Atlântica

KINUPP ; LORENZI (2014); OBOH; MASODJE; ENABULENE. (2009)

Malvaceae

      

Hibiscus rosa-sinensis L.

Hibisco; hibisco-da-china; papoula; hisbisco-de-vênus

HO BE

R; F; Fo;

AB

Ásia Tropical

CPE; KINUPP; LORENZI (2014)

Hibiscus sabdariffa L.

Vinagreira; hibisco; rosela; groselha; groselheira; quiabo-azedo

BE HO

F; Ca

AB

África

CPE; KINUPP; LORENZI (2014)

Malvaviscus arboreus Cav.

Malvavisco; hibisco-colibri; amapola; quesillo; wax mallow

HO BE

F; Fo

AB

México América do Sul

KINUPP; LORENZI (2014)

Pachira aquatica Aubl.

Monguba; cacau-selvagem; mamorana; castanheira-d’água

FR

F; S

AR

Amazônia

CPE; LORENZI (2008); KINUPP; LORENZI (2014); OLIVEIRA et al., (2000)

Sterculia striata A. St.- Hil & Naudin

Chicha; xixá; chichá-do-cerrado; castanha-de-macaco; pau-rei

FR OL

S

AR

Amazônia Caatinga Cerrado

LORENZI (2008); KUHLMANN (2018); OLIVEIRA et al.,(2000); DINIZ et al.,(2008)

Miconia chamissois Naudin

Pixirica; pixirica-açu

FR

Fu

AB

Caatinga Cerrado Mata Atlântica

CPE; KUHLMANN (2012)

Clidemia hirta (L.) D. Don

Pixirica; mirtilo-amazônico; buxixu; mirtilo-brasileiro; brazilian blueberry

FR

Fu

AB

Brasil

CPE; KINUPP; LORENZI (2014)

Moringaceae

      

Moringa oleifera Lam.

Moringa; quiabo-de-quina; bem tree; horseradish tree

HO OL

F; Fu; Fo; S; Ra

AR

Índia

CPE; KINUPP; LORENZI (2014) SILVA- JUNIOR (2010) MOYO et al.,(2011)

Musaceae

      

Musa ornata Roxb

Bananeira-ornamental-de-jardim

HO

Fo; B; Pa

ER

Índia

DOBRIYAL E DOBRIYAL (2014)

Myrtaceae

      

Campomanesia adamantium (Cambess.) O. Berg

Gabiroba; guabiroba; guabiroba-do-campo

FR BE

Fu

SB

Cerrado

CPE; VALLILO et al., (2006); KUHLMANN (2012)

Eugenia uniflora L.

Pitanga-do-campo; murta-vermelha

FR

Fu

AB

Cerrado Mata Atlântica Pampa

CPE; BAGETTI et al., (2011)

Myrcia splendens (Sw.) DC.

Guamirim; guamirim-da-folha-fina; araçazinho

FR

Fu

AV

Brasil

CPE; KUHLMANN (2012)

Syzygium cumini (L.)

Jamelão; jambolão; jambeiro; jalão

FR

Fu

AR

Amazônia Cerrado Mata Atlântica Pantanal

CPE; LAGO et al., (2006); SILVA-JUNIOR (2010)

Syzygium malaccense (L.) Merr. & L.M. Perry

Jambo-vermelho; jambo-roxo; jambo; jambo-da-índia; mountain apple

FR BE

Fu; Fo

AR

Polinésia Malásia

CPE; KINUPP; LORENZI (2014); SILVA- JUNIOR (2010)

Nyctaginaceae

      

Boerhavia diffusa L.

Erva-tostão; pega-pinto; tangará; solidônia; celidônia

HO CE CO

F; R; S; Ra

HE

Amazônia Caatinga Cerrado Mata Atlântica

KINUPP; LORENZI (2014); RAPOPORT MARZOCCA; DRAUZAL (2009)

Piperaceae

      

Peperomia pellucida (L.) Kunth

Peperômia; erva-de-jabuti; maria-mole; ximbuí; sunakosho

HO BE

R; F;

HE

Amazônia Caatinga Cerrado Mata Atlântica

KINUPP; LORENZI (2014)

Plantagenaceae

      

Plantago major L.

Tanchagem-grande; tansagem; tanchagem; sete-nervos; llanten

HO

F; S; Ra

HE

Brasil

KINUPP ; LORENZI (2014)

Rosaceae

      

Eriobotrya japonica (Thunb.) Lindl.

Nêspera; nespereira; ameixa-americana; ameixa-do-japão

FR

Fu

AR

Amazônia Caatinga Cerrado Mata Atlântica Pampa

CPE; XU; CHEN (2010) ZHOU et al., (2011) SILVA -JUNIOR (2010)

Rubiaceae

      

Genipa americana L.

Jenipapo; jenipá; jenipapeiro; genipap; marmelade box

FR BE

Fu

AR

Brasil

KINUPP; LORENZI (2014); KUHLMANN (2018) HAMACEK et al., 2013

Solanaceae

      

Nicandra physalodes (L.) Gaertn.

Joá-de-capote; lanterna-da-china; balãozinho; quintilho

HO

F

HE

Caatinga Cerrado Mata Atlântica

JOHNS; KOKWARO (1991) KSHIRSAGAR; BHOGAONKAR, 2015

Physalis angulata L.

Camapu; juá-poca; balão-rajado; joá-de-capote; ground cherry

FR

Fu

HE

Brasil

CPE; KINUPP; LORENZI (2014)

Solanum americanum Mill.

Erva-moura; maria-pretinha; caraxixá; pimenta-de-galinha

FR HO

F, Fu

HE

Brasil

CPE; KINUPP; LORENZI (2014) BOOTH; BRESSANI; JOHNS (1992)

Solanum lycocarpum A. St. –Hil

Lobeira; fruta-do-lobo

FR

Fu

AB

Cerrado Mata Atlântica

KUHLMANN (2018)

Solanum paniculatum L.

Jurubeba; jurubeba-verdadeira; jubeba; jurubeba-branca; juuna

FR

Fu

AB

Amazônia Caatinga Cerrado Mata Atlântica

CPE; KINUPP; LORENZI (2014)

Talinaceae

      

Talinum paniculatum (Jacq.) Gaerth

Major-gomes; maria-gorda; bredo; língua-de-vaca; joão-gomes

HO

F; R; S

HE

Brasil

KINUPP; LORENZI (2014) KINUPP; BARROS, 2008

Turneraceae

      

Turnera subulata Sm.

Chanana; Damiana; albina; flor-do-guarujá; boa-noite; bom-dia; oreganillo

HO

F; Fo

SB

Amazônia Caatinga Cerrado Mata Atlântica

CPE; KINUPP; LORENZI (2014)

Typhaceae

      

Typha domingensis Pers.

Taboa; paina-de-flexa; espanada; landim; capim-de-esteira; totora; cattail

HO

Rz; Po; Pa; I;

HE

Brasil

KINUPP; LORENZI (2014)

Zimgiberaceae

      

Hedychium coronarium J. Koenig

Lírio-do-brejo; são-josé; gengibre-do-brejo; açucena; jasmim-borboleta; colônia

HO BE

Rz; Fo

HE

Brasil

KINUPP; LORENZI (2014)

Os usos mais comuns de PANC foram como hortaliça (56%), frutífera, (41%) e bebida (23%), sendo que 61% das espécies foram classificadas com mais de uma forma de uso (Figura-3). Quanto ao hábito de crescimento, os de maior ocorrência foram herbácea (45%), árvore (10%) e arbusto (18%) (Figura-4). As partes utilizadas de PANC mais frequentes são as folhas (50%), os frutos (46%) e as flores (30%) (Figura-5). Quanto à origem e distribuição das espécies foi designada conforme os dados disponíveis em A Flora do Brasil 2020 (REFLORA). 41% das espécies ocorrem na Mata Atlântica, 33% no Cerrado, 28% na Amazônia, 26% na Caatinga, 23% ocorrem em todo o Brasil, 23% são exóticas, e 11% ocorrem no Pampa (Figura-6).

Figura 3. Uso de PANC em Morrinhos, GO

Figura 4. Hábito de PANC em Morrinhos, GO

Figura 5. Partes utilizadas de PANC em Morrinhos, GO

Figura 6. Origem e Distribuição de PANC em Morrinhos, GO

4.1. Tabela Nutricional das PANC Coletadas: Revisão Bibliográfica

Tabela 2. Composição nutricional de PANC em Morrinhos, GO (em 100g). Partes analisadas: a- folhas; b- bulbos; c- frutos; d- semente; e- rizomas; f- ramos; g- flores; h-cálice, i- palmito e j- planta inteira. *partes analisadas após processamento.

Espécie

Umidade

Energia

Proteínas

Lipídeos

Carboidratos

Fibra alimentar

Cinzas

Referência

(%)

(kcal)

(g)

(g)

(g)

(g)

%

 

Amaranthus blitum a

-

-

2,11

-

-

-

-

USDA (2019)

Amaranthus deflexus a

87,6

-

3,2

0,6

6

4,5

2,60

TACO (2011)

Celosia argentea a

80

-

5,8

-

3,6

0,7

-

MENSAH et al.,. (2008)

Nothoscordum gracile b

-

-

-

-

-

-

-

TACO (2011)

Spondias purpurea c

78,7

76

1,4

3,9

18,9

3,9

0,7

TACO (2011)

Foeniculum vulgare b

90,2

31

1,24

0,2

7,3

3,1

-

USDA (2019)

Epiphyllum oxypetalum a

  

14

4,6

   

UPENDRA; KHANDELWAL, (2012)

Canna edulis e

75,67

-

1,09

0,33

-

1

1,67

LEONEL; CEREDA (2002)

Caryocar brasiliensis c

65,9

205

2,3

18

13

19

0,8

TACO (2011)

Momordica charantia c

-

-

18,02

0,76

-

-

-

YUWAI et al.,. (1991)

Cyperus esculentos j

3,75

-

5

30

-

6,5

4,3

ARAFAT et al.,.(2009)

Caesalpinia pulcherrima d

-

-

-

-

-

-

-

YUSUF; AHMED (2007)

Vigna unguiculata c

-

44

3,3

0,3

9,5

3,3

0,9

USDA (2019)

Inga cylindrica d

11,93

-

31,55

2,49

44,39

6,66

2,98

CARAMORI;SOUZA;FERNANDES (2008)

Ocimum gratissimum a

81,35

-

1,21

-

-

-

0,57

OBOH; MASODJE; ENABULENE. (2009)

Hibiscus sabdariffa d

-

-

22,3

22,8

-

42,6

-

MAHADEVAN; SHIVALI; KAMBOJ (2009)

Hibiscus sabdariffa h

86,2

-

3,2

1,1

-

10

-

MAHADEVAN; SHIVALI; KAMBOJ (2009)

Sterculia striata d*

-

-

17,9

25,8

-

-

-

DINIZ et al.,. (2008)

Miconia chamissois c

84,6

-

1,3

3

18,5

-

-

BORGES (2010)

Syzygium cumini c

87,75

-

0,67

0,3

10,07

0,28

34

LAGO; GOMES; SILVA (2006)

Campomanesia adamantium c

75,6

-

1,6

-

11,65

9

-

VALLILO et al.,.(2006)

Peperomia pellucida i

-

258

10,63

3,24

46,58

-

31,22

OOI; IQBAL; ISMAIL (2012)

Genipa americana c

80,42

76,92

1,59

1,6

14,57

-

0,74

HAMACEK ET AL.,.(2013)

Nicandra physalodes c

-

-

10,72

-

-

-

-

KSHIRSAGAR; BHOGAONKAR (2015)

Physalis angulata c

-

-

10,35

-

-

-

-

KINUPP;LORENZI (2014)

Solanum americanum a*

-

-

3,9

0,9

3,8

1,4

1,2

BOOTH; BRESSANI; JOHNS (1992)

Solanum paniculatum c

-

-

12,07

-

-

-

-

BOOTH; BRESSANI; JOHNS (1992)

Talinum paniculatum a

-

-

21,85

-

-

-

-

KINUPP (2007)

Typha domingensis e

-

-

6

1

67

-

-

RAPOPORT (2009)

Typha domingensis I

18,97

-

-

-

-

-

-

KINUPP (2007)

Hedychium coronarium e*

6,95

-

0,03

-

-

0,24

0,5

ASCHERI, et al.,. (2009)

Tabela 3. Composição mineral de PANC em Morrinhos-GO (mg/100g) . Partes analisadas: a- folhas; b- bulbos; c- frutos; d- semente; e- rizomas; f- ramos; g- flores; h-cálice; i- palmito e j- planta inteira. *partes analisadas após processamento.

Espécie

Cálcio

Magnésio

Manganês

Fósforo

Ferro

Potássio

Cobre

Sódio

Zinco

referências

Amaranthus blitum a

209

55

0,8

72

2,26

641

0,15

21

0,88

USDA (2019)

Amaranthus deflexus L. a

455

197

0,89

77

4,5

279

0,37

14

6

TACO (2011)

Celosia argentea a

2,66

141

-

-

0,05

3,93

-

5,22

-

MENSAH et al.,. (2008)

Nothoscordum gracile b

30

80

-

15

-

-

-

-

-

TACO (2011)

Spondias purpurea c

27

18

0,06

49

0,4

248

0,12

-

0,5

TACO (2011)

Foeniculum vulgare b

49

17

-

50

0,73

414

-

52

0,2

USDA (2019)

Canna edulis e

-

-

-

-

-

-

-

-

-

LEONEL; CEREDA, 2002

Caryocar brasiliensis c

32

30

-

-

-

-

-

-

-

TACO (2011)

Momordica charantia c

137

119,9

-

-

5,97

-

3,54

-

3,53

YUWAI et al.,. (1991)

Cyperus esculentos j

-

-

-

-

-

-

-

-

-

ARAFAT et al.,. (2009)

Caesalpinia pulcherrima d

37,5

58,5

-

56

21

39,5

-

49,5

-

YUSUF; AHMED (2007)

Vigna unguiculata c

65

-

0,3

-

-

-

0,1

4

0,34

USDA (2019)

Inga cylindrica d*

-

-

-

-

-

-

-

-

-

CARAMORI;SOUZA;FERNANDES (2008)

Inga cylindrica c

-

-

-

-

-

-

-

-

-

CARAMORI;SOUZA;FERNANDES (2008)

Ocimum gratissimum a

-

-

-

-

-

-

-

-

-

OBOH; MASODJE; ENABULENE. (2009)

Hibiscus sabdariffa d

-

-

-

-

-

-

-

-

-

MAHADEVAN; SHIVALI; KAMBOJ (2009)

Hibiscus sabdariffa h

-

-

-

273

8,98

-

-

-

-

MAHADEVAN; SHIVALI; KAMBOJ (2009)

Sterculia striata d*

12,63

-

-

-

-

-

-

-

-

DINIZ et al.,. (2008)

Miconia chamissois c

-

-

-

-

-

-

-

-

-

BORGES (2010)

Moringa oleífera a

3,65

0,5

86,8

0,3

490

1,5

-

0,16

31,03

MOYO et al.,. (2011)

Syzygium cumini c

-

-

-

-

-

-

-

-

-

LAGO; GOMES; SILVA (2006)

Peperomia pellucida i

483

-

-

-

119,3

6977

3,1

53,92

12,59

OOI; IQBAL; ISMAIL (2012)

Plantago major d

0,48

0,31

71

0,8

101

1

13

46

56

KINUPP;LORENZI (2014)

Nicandra physalodes c

12,67

-

-

11,65

1,84

456

-

10,14

-

KSHIRSAGAR; BHOGAONKAR (2015)

Physalis angulata c

180

81

-

53

6

129

-

-

-

KINUPP; BARROS (2008)

Solanum americanum a*

12,67

-

-

11,65

1,84

456

-

10,14

-

BOOTH; BRESSANI; JOHNS (1992)

Solanum paniculatum c

0,7

0,22

-

0,26

0,004

1,8

-

-

-

BOOTH; BRESSANI; JOHNS (1992)

Talinum paniculatum a

1,3

2,1

0,02

0,25

0,01

6,8

-

0,01

0,02

KINUPP (2007)

Typha domingensis I

0,13

0,22

 

0,64

 

2,1

-

0,3

0,05

KINUPP (2007)

Tabela 4. - Teores de vitaminas de PANC registradas em Morrinhos, GO (mg/100g). Partes analisadas: a- folhas; b- bulbos; c- frutos; d- semente; e- rizomas; f- ramos; g- flores; h-cálice e i- planta inteira. *partes analisadas após processamento.

Espécie

Vitamina C

Tiamina (B1)

riboflavina (B2)

niacina (B3)

ácido pantotênico (B5)

piridoxina (B6)

Vitamina E

Vitamina K

Referências

Amaranthus blitum a

41,1

 

0,13

0,55

    

USDA (2019)

Amaranthus deflexus L. a

5,4

 

0,1

  

0,11

  

TACO (2011)

Celosia argentea a

421

       

TACO (2011)

Spondias purpurea c

27

0,14

      

TACO (2011)

Foeniculum vulgare b

12

     

0,58

62,8

USDA (2019)

Vigna unguiculata c

33

0,15

0,14

1,2

0,9

0,17

0,49

31,5

USDA (2019)

Hibiscus sabdariffa h

6,7

0,11

0,27

3,76

    

MAHADEVAN; SHIVALI; KAMBOJ (2009)

Nicandra physalodes c

1,1

       

KSHIRSAGAR; BHOGAONKAR (2015)

A área urbana do município de Morrinhos, GO é abundante em número de PANC. A maior parte das PANC ocorrem em bairros periféricos da cidade pela abundância de terrenos baldios (anexo 1). Parte considerável da coleta foi realizada no parque lago municipal recanto das araras e arredores. Foram coletadas no parque espécies cultivadas na ornamentação (C. edulis, H. rosa-sinensis, M. ornata e H. chrysotrichus) e espécies que ocorrem em áreas úmidas e alagadas (T. domingensis, H. coronarium e M. chamissois). No parque havia ampla ocorrência de Mauritia flexuosa e Syagrus romanzoffiana, que tem seus frutos coletados pelos visitantes do parque porém, não foram amostrados no presente estudo pela dificuldade de coleta do material botânico. Em alguns pontos da cidade, os moradores cultivavam PANC em canteiros em suas calçadas (I. edulis, F. vulgare, P. grandifolia e N. gracile) ou em terrenos baldios (V. unguiculata e H. sabdarifa), inclusive alguns atuaram como informantes sobre o uso de algumas espécies. As espécies espontâneas em Morrinhos, GO são amplamente combatidas pela prefeitura municipal principalmente com defensivos químicos e roçagem, o que dificultou uma amostragem mais ampla das espécies espontâneas que ocorrem na cidade. As considerações sobre o potencial alimentício e utilização das espécies coletadas são apresentados a seguir. Thunbergia alata Bojer ex Sims (Suzana-de-olhos-negros) - herbácea perene, foi introduzida no Brasil por seu potencial ornamental (Moreira; Bragança 2010), se propagando por áreas antropizadas. Suas folhas e flores podem ser consumidas como hortaliças, ou no preparo de pratos (Tabuti et al., 2004), carecendo de estudos sobre seu potencial nutricional. As flores cruas foram consumidas no presente estudo, com sabor suave, é muito palatável. Amaranthus blitum L. (caruru) - herbácea anual, se desenvolve espontaneamente em todo o Brasil. Várias espécies de Amaranthus possuem concentrações de minerais mais elevados que vegetais como o espinafre e a couve (Jiménez-Aguilar; Grusak, 2017). As folhas e sementes do caruru são comestíveis. As folhas se destacam pelos teores de cálcio, e potássio (Tabela 3). As folhas e ramos jovens podem ser consumidos cozidos ou refogados após processo de branqueamento, podendo ser usados na produção de tortas, lasanhas, bolos, pães e empadas, substituindo o espinafre em receitas. Alternanthera tenella Colla (Espinafre-do-mato) - Herbácea anual ou perene, cresce espontaneamente em solos cultivados, terrenos baldios e calçadas, é considerada planta infestantes em lavouras (Moreira; Bragança 2010). As folhas tenras podem ser usadas após branqueamento e cozimento como verdura ou no preparo de massas e molhos (Kinupp; Lorenzi 2014). A espécies carece de estudos fitoquímicos e bromatólogicos. Amaranthus deflexus L. (caruru) – Herbácea anual considerada planta daninha na agricultura, o caruru é uma verdura com grande potencial de produção pelo seu fácil cultivo e elevado valor nutricional. Suas folhas e ramos jovens são comestíveis. Várias espécies de Amaranthus possuem concentrações de minerais com destaque para o cálcio, magnésio, fósforo e zinco (Tabela 3) com teores de proteínas e minerais mais elevados que vegetais valorizados como o espinafre e a couve (Jiménez-Aguilar; Grusak, 2017; Taco, 2011). As folhas e sementes do caruru são comestíveis. Os ramos jovens devem ser consumidos cozidos ou refogados após processo de branqueamento, podendo ser usados na produção de tortas, lasanhas, bolos, pães, empadas, sendo um ótimo substituto do espinafre em receitas. Celosia argentea L. (celósia) – Herbácea anual, é amplamente cultivada no Brasil como ornamental, é considerada subespontânea em muitas regiões do país. Seus ramos e folhas jovens podem ser consumidos como verdura após branqueamento. As folhas contém teores elevados de magnésio e proteínas. Suas sementes podem ser consumidas após cozimento, ou na produção de óleo. As inflorescências jovens também podem ser consumidas após cozimento (Kinupp; Lorenzi 2014). Nothoscordum gracile (Aiton) Stean (alho-silvestre) - Planta de fácil propagação (bulbos e bulbilhos ou sementes), é considerada planta infestante no sul e sudeste do Brasil. O alho-silvestre apresenta compostos bioativos como alcaloides, carboidratos, flavonoides, glicosídeos, esteroides e taninos, evidenciando um potencial nutracêutico para a planta (Sidhu; Thakur, 2016). Os bulbos e folhas podem ser utilizados como tempero após cozimento em diferentes pratos como patês e risotos. A espécie carece de estudos sobre a composição nutricional das folhas. Suas folhas tem sabor muito agradável, podem ser usadas em receitas como substitutiva da cebolinha (Allium schoenoprasum), sobretudo em preparos com molho ou caldo.

Spondias purpurea L. (siriguela) - Árvore nativa da América Central, com frutos acídulos-adocicados são comumente consumidos in natura. Os frutos contém teores significativos de fibras, fósforo e potássio e podem ser utilizados no preparo de geleias, sorvetes, em preparo de bebidas como licores, sucos e frisantes, e na produção de farinha. As folhas podem ser consumidas cruas em saladas, sucos verdes e também cozidas em sopas, refogados, patês ou molhos (Kinupp; Lorenzi 2014) Xilopia aromatica (Lam.) Mart (pimenta-de-macaco) - Espécie nativa da Amazônia e Cerrado. Seus frutos com sabor picante são utilizados após processamento como condimento e aromático (Kuhlmann, 2018; Oliveira et al., 2012). As sementes e casca do caule são utilizadas na medicina popular nas regiões de ocorrência natural da espécie (Lorenzi; Matos, 2008). A espécie carece de estudos sobre sua composição fitoquímica e bromatológica. Foeniculum vulgare Mill. (funcho) - Herbácea cultivada em quintais principalmente para utilização de suas folhas no preparo de chás. Com aroma de anis, as folhas podem ser utilizadas em sopas, saladas e molhos (Kinupp; Lorenzi 2014). Seus frutos são empregadas na medicina popular como estimulante digestivo (Lorenzi; Matos, 2008). Os frutos secos são utilizados no preparo de bolos, pães, doces, queijos e biscoitos. As sementes produzem brotos para saladas (Kinupp; Lorenzi 2014). A parte mais utilizada na culinária é a bainha foliar que é utilizada na preparação de pratos diversos (Kinupp; Lorenzi, 2014). Plumeria rubra L. (jasmim-manga) - Amplamente utilizada com fins ornamentais, possui flores comestíveis de aspecto carnoso. As flores são altamente aromáticas, podendo ser utilizadas no preparo de doces, geleias ou cristalizadas. As flores podem ser ainda preparadas salteadas ou em saladas. As flores secas podem ser usadas no preparo de chás (Kinupp; Lorenzi, 2014). Essa espécie carece de informações fitoquímicas e bromatológicas. Bidens cynapiifolia Kunth (picão-preto-amazônico) – Herbácea de ampla ocorrência no Brasil, é comum em áreas antropizadas onde é considerada daninha. As folhas das plantas jovens podem ser utilizadas como hortaliça após branqueamento no preparo de saladas, molho verde, chás e bebidas fermentadas (Kinupp; Lorenzi, 2014). É utilizada na medicina popular, carecendo de estudo fitoquímicos e bromatológicos. Crepis japonica L. Benth (crepe-do-japão) – herbácea anual, suas folhas podem ser utilizadas cruas ou cozidas no preparo de pratos. Ocorre principalmente no inverno como ‘daninha’ em áreas antropizadas (Kelen et al., 2015). A espécie carece de mais estudos sobre seu potencial alimentício e composição nutricional. Conyza canadensis (L.) Cronquist (buva) - herbácea anual se desenvolve em todo país, é considerada ‘daninha’, ocupando terrenos baldios, calçadas e lavouras. Suas folhas cozidas, plântulas e folhas secas são consumidas na culinária japonesa (Kinupp, 2007). A planta tem potencial como antioxidante e antibacteriano (Hayet et al., 2008). Não foram encontrados estudos sobre sua composição fitoquímica e bromatológica. Handroanthus chrysotrichus (Mart. Ex DC.) Mattos (ipê-amarelo) - Árvore nativa do Cerrado e Mata Atlântica, é amplamente utilizada no paisagismo por sua bela floração durante a estação seca. Suas flores com sabor semelhante ao almeirão, podem ser consumidas cruas em saladas ou após cozimento. Outras espécies do gênero também possuem potencial alimentício (Kinupp; Lorenzi, 2014). São necessários estudos sobre a composição fitoquímica e bromatológica da espécie. Epiphyllum oxypetalum var. purpusii (weing.) (dama-da-noite)- cactaceae cultivada para fins ornamentais. Suas folhas podem ser utilizadas após secagem no preparo de farinhas. As folhas contêm elevado teor de proteínas (Tabela 2) porém seu uso alimentício é pouco explorado. A folha contém várias substâncias bioativas, evidenciando seu potencial medicinal (Dandekar et al., 2015). Nopalea cochenillifera (L.) Salm-Dyck (palma) - Hortaliça nutricional no México, é cultivada em vários países para criação de cochonilhas (extração de corante natural vermelho-carmim). Os filocládios podem ser consumidos após cozimento e seus frutos podem ser consumidos após processamento para produção de sucos, sorvetes, mousses e geleias (Kinupp; Lorenzi, 2014). A planta é tradicionalmente cultivada no nordeste para forrageamento (Lucena et al., 2015). Apesar da utilização comercial da espécie, ainda são escassos estudos sobre sua composição nutricional. Pereskia grandifolia Haw.(ora-pro-nóbis) - Utilizada como ornamental, possui flores e folhas comestíveis após cozimento. A planta é potencial fonte de antioxidantes (Sim, 2010) e carece de mais estudos sobre sua composição fitoquímica e bromatológica. Canna edulis Kerr-Gawler (ararutão) - planta tradicionalmente utilizada na extração de amido de forma artesanal na região dos Andes e na Amazônia. No Brasil é cultivada principalmente como ornamental. Seus rizomas podem ser consumidos fritos ou cozidos, ou processados na fabricação de polvilho (Kinupp; Lorenzi, 2014). Caryocar brasiliensis Cambess (pequi) – fruto utilizado tradicionalmente na culinária goiana e mineira. Seus frutos são coletados de forma extrativista, sendo comercializado em feiras e sacolões. É utilizado para fabricação de licor e extração de óleo. É considerado em alimento funcional pelo elevado teor de vitamina A (Lorenzi; Matos 2008). Os frutos contém elevado teor de energia, fibras e lipídeos (Tabela 2). As amêndoas do fruto podem ser extraídas para consumo cruas ou torradas (Kuhlmann, 2012). Terminalia catappa L. (sete-copas) – Árvore utilizada para arborização no Brasil, produz frutos comestíveis. A polpa dos frutos pode ser utilizada para sucos e geleias. As sementes produzem óleo (Silva-júnior, 2010) e podem ser consumidas torradas, porém em pequena quantidade devido à seus compostos antinutricionais (Oliveira et al., 2000). Commelina benghalensis L. (trapoeraba) - planta considerada ‘daninha’, tem potencial de uso como verdura (Johns; Kokwaro 1991), sendo importante fonte de nutrientes (Souza et al., 1999). Outras espécies do mesmo gênero são citadas como alimentícias com o mesmo nome popular como a C. africana (Souza et al., 1999), C. diffusa e C. erecta (Kinupp, 2007). Ipomoea quamoclit L. (corda-de-viola) - Cultivada ocasionalmente com ornamental, é considerada ‘daninha’, ocupando terrenos baldios e lavouras. A espécie é citada como alimentícia (Kinupp; Lorenzi, 2014), carecendo de estudos fitoquímicos, bromatológicos e toxicológicos. Luffa aegyptiaca Mill. (bucha) – Cultivada ou subespontânea, seus frutos secos são utilizados tradicionalmente como bucha de limpeza. Os frutos jovens podem ser consumidos cozidos ou em conserva. As flores e folhas jovens podem ser usadas como hortaliça (Kinupp; Lorenzi, 2014). De suas sementes pode se extrair óleo com valor nutricional, rico em ácido linoleico (Elemo et al., 2011). São necessários estudos para determinação do valor nutricional dos frutos. Momordica charantia L (melão-de-são-caetano) - Cultivada em várias partes do mundo para consumo dos frutos como alimentício, é também utilizada na medicina tradicional. No Brasil a espécie é considerada invasora. Os frutos imaturos podem ser consumidos como hortaliça. Os frutos maduros e sementes são consumidos após abertura do fruto. Para o consumo de folhas e brotos é necessário processo de branqueamento (Kinupp; Lorenzi, 2014). Cyperus esculentos L. (tiririca) - Herbácea, se desenvolve em todo o país como espontânea, sendo indesejada nos cultivos agrícolas por seu difícil controle (Moreira; Bragança, 2010). Na Alemanha os tubérculos com sabor semelhante a amêndoas são utilizados para produzir leite vegetal chamado “horchata de chufa” (Zapata; López; Alvarez, 2012). Os tubérculos contêm amido (295,00 g/Kg) (Arafat et al., 2009) e apresentam alto teor de ácidos graxos (oleico, palmítico e linoleico), com valores semelhantes aos do azeite de oliva (Arafat et al., 2009). Caesalpinia pulcherrima (L.) Sw. (flamboianzinho) - Cultivada para arborização urbana, seus frutos imaturos, sementes imaturas e flores são comestíveis (Kinupp; Lorenzi, 2014). (Yusuf; Ahmed, 2007). As sementes tem elevado teor de ferro e fósforo (Tabela 3). As sementes imaturas liberam mucilagem com potencial para uso como espessante alimentar (Kinupp; Lorenzi, 2014). Cassia leiandra Benth. (mari-mari) - Árvore com potencial ornamental, tem seus frutos consumidos tradicionalmente na região amazônica. Dos frutos é extraída uma polpa que pode ser utilizada na alimentação (Kinupp; Lorenzi, 2014), porém carece de estudos sobre seu potencial alimentício e composição nutricional. Os frutos possuem atividade antioxidante (Souza, 2016). Clitoria ternatea L. (feijão-borboleta) – herbácea trepadeira, é cultivada como ornamental e utilizada na medicina popular. As folhas podem ser consumidas após cozimento, assim como os frutos jovens. As flores podem ser utilizadas como corante azul natural (Kinupp; Lorenzi, 2014). Apesar do uso potencial na culinária, a espécie carece de estudos fitoquímicos e bromatológicos. Vigna unguiculata (L.) Walp. (feijão-caupi) – Cultivado tradicionalmente em diversos países, o feijão-caupi é cultivado tradicionalmente no nordeste brasileiro (Ehlers; Hall, 1997) e na Amazônia (Kinupp; Lorenzi, 2014). Possui teor mais elevado de lipídeos, cálcio (Tabela 3) e ácido fólico e níveis antinutricionais mais baixos em comparação ao feijão tradicional (Ehlers; Hall, 1997). Inga edulis Mart. (ingá-de-metro) - A polpa que envolve as sementes é comestível, com sabor doce, é comercializada na região amazônica (Leakey, 1999). As Sementes pode ser processadas para produção de farinha (Kinupp; Lorenzi, 2014). São necessários estudos fitoquímicos e bromatológicos da polpa e sementes dos frutos. Inga cylindrica (Vell.) Mart (íngá) - Árvore utilizada para extração de madeira, produz frutos adocicados que são muito apreciados pela fauna (Kuhlmann, 2012). A polpa que envolve as sementes pode ser consumida fresca e as sementes podem ser consumidas após processamento na produção de farinha. O valor nutricional da farinha está descrito na Tabela 2, se destacando pelo elevado teor de proteínas e carboidratos. Ocimum gratissimum L. (alfavaca) – herbácea utilizada na medicina tradicional, é fornecedora de óleos essenciais (Lorenzi; Matos, 2008). A alfavaca tem potencial na utilização como condimento, como a espécie O. basilicum L. (manjericão-branco), podendo ser usadas frescas ou desidratadas. As folhas jovens ainda podem ser utilizadas como verdura (Kinupp; Lorenzi 2014). As sementes podem ser utilizadas como condimento (Kinupp; Lorenzi 2014). Hibiscus rosa-sinensis L. (hibisco) - arbusto cultivado como ornamental, há mais de 5 mil cultivares diferentes da espécie. As folhas jovens podem ser usadas como verdura e suas flores podem ser consumidas cruas ou no preparo bebidas e corante (Kinupp; Lorenzi, 2014). As flores de sabor suave podem ser utilizadas inteiras no preparo de saladas, como corante no preparo de bebidas ou decoração de pratos (Kinupp; Lorenzi, 2014). A espécie carece de estudos fitoquímicos ebromatológicos. Hibiscus sabdariffa L. (vinagreira) - Planta amplamente utilizada para fins ornamentais, seus cálices secos são comercializados para uso em chás. A vinagreira pode ser utilizada no preparo de sucos, picolés, sorvetes, geléias, molhos agridoces, pudins e as sementes torradas podem ser utilizadas no preparo de farinhas (Kinupp; Lorenzi, 2014). As sementes se destacam pelo elevado teor de proteínas, lipídeos e fibra alimentar (Tabela 2) e podem ser torradas e moídas para preparo de farinha. Malvaviscus arboreus Cav. (malvavisco) - Cultivada no Brasil como ornamental, tem potencial utilização de suas folhas como verdura. As flores frescas podem ser utilizadas em saladas ou processadas na fabricação de geleias e corante (Kinupp; Lorenzi, 2014). A espécie carece de estudos fitoquímicos e bromatológicos. Pachira aquatica Aubl.(monguba) - Amplamente utilizada na arborização urbana, possui sementes comestíveis (Silva-junior; Lima, 2010). Para o consumo, as castanhas devem ser torradas devido à sua alta toxicidade (Oliveira et al., 2000). As castanhas podem ser consumidas inteiras ou no preparo de farinhas (Kinupp; Lorenzi, 2014). A espécie carece de mais estudos sobre seu potencial alimentício e nutricional. Sterculia striata A. St.- Hil & Naudin (Chichá) – Possui sementes comestíveis, podendo ser consumidas cozidas ou torradas (Kuhlmann 2018). O consumo das castanhas de chichá deve ser moderado, pois as mesmas apresentam níveis de toxicidade (Oliveira et al., 2000). As sementes podem ser utilizadas na extração de óleo e fabricação de farinhas com elevado teor de proteína e lipídeos (Tabela 2) (Diniz et al., 2008). Miconia chamissois Naudin (pixirica-açu) - Planta característica de áreas de vereda, campo úmido e galerias inundáveis, produz frutos atrativos para a fauna (Kuhlmann, 2012). Os frutos tem polpa com sabor adocicado e podem ser consumidos in natura, carecendo de estudos que destaquem seu potencial alimentício. Clidemia hirta (l.) D. Don (pixirica) – herbácea, cresce espontaneamente em áreas abertas. Os frutos de coloração azulada, são fonte de antioxidantes (Kinupp; Lorenzi, 2014). Os frutos de coloração azulada contém compostos de ação antioxidante e vitamina C (Kinupp; Lorenzi, 2014). Com potencial alimentício pouco explorado a espécie carece de informações fitoquímicas e bromatológicas. Moringa oleífera Lam. (moringa) – cultivada no Brasil para fins medicinais, suas flores frescas e sementes tostadas são utilizadas como alimentícias (LorenzI; Matos, 2008). Os frutos se assemelham a vagem de feijão, podendo ser consumidos cozidos e a raiz com sabor picante pode ser usada como condimento (Kinupp; Lorenzi, 2014). As folhas podem ser usadas como verdura em saladas, salteadas ou cozidas (Kinupp; Lorenzi, 2014). Musa ornata Roxb (bananeira-ornamental-de-jardim) - Planta cultivada como ornamental, tem seu potencial alimentício pouco explorado. Os usos alimentícios são semelhantes aos da bananeira convencional (Musa X paradisíaca L.), podendo ter seus brotos jovens, flores e palmito (pseudocaule) consumidos após processo de fervura (Dobriyal, 2014). A espécie carece de estudos fotoquímicos e bromatológicos. Eugenia uniflora L. (pitanga-do-campo) – no Brasil é cultivada em pomares domésticos, para produção de frutos, suas folhas são utilizadas na medicina popular (Lorenzi; Matos, 2008). Os frutos também apresentam compostos terapêuticos semelhante às folhas, contendo altas concentrações de antioxidantes, flavonoides, carotenoides e antocianinas (Bagetti et al., 2011). Os frutos podem ser consumidos in natura, ou processado na produção de doces, sucos e geleias. A espécie carece de estudos sobre a composição nutricional dos frutos. Myrcia splendens (Sw.) DC. (guamirim) – Com frutos comestíveis in natura, de coloração arroxeada, tem sabor adocicado e adstringente. A planta é também produtora de óleo essencial (Kuhlmann, 2012). A espécie carece de informações sobre seu uso, assim como estudos fitoquímicos e bromatológicos. Syzygium cumini (L.) (jamelão) – árvore utilizada na arborização urbana, possui frutos comestíveis com sabor adocicado, podendo ser consumidos in natura ou na produção de vinhos, vinagres e geleias (Silva-Junior 2010). Os frutos são utilizados na medicina popular para o controle de diabetes (Lorenzi; Matos, 2008). Syzygium malaccense (L.) Merr. & L.M. Perry (JAMBO) – Cultivada no Brasil para arborização (Silva-Junior, 2010), possui flores, frutos e flores comestíveis. Os frutos são crocantes com sabor acídulo, podendo ser utilizados no preparo de cremes, mousses, doces e saladas (Kinupp; Lorenzi, 2014). Os frutos contêm antocianinas e as cascas, sementes e folhas contém eficiente atividade antioxidante, compostos fenólicos, carotenoides e flavonoides (Batista et al., 2016). Campomanesia adamantium (Cambess.) O. Berg (gabiroba) – Espécie encontrada em áreas de Cerrado, os frutos são suculentos, ácidos (pH = 4,3), com sabor levemente adocicado (Vallilo et al., 2006). Os frutos podem ser consumidos in natura ou na fabricação de geleias, sucos, licores e sorvetes (Kuhlmann 2012). Com ação anti-inlamatória, as folhas são utilizadas na medicina popular (Ferreira et al., 2013). Boerhavia diffusa L. (erva-tostão) - Planta de crescimento espontâneo em áreas antropizadas, é considerada planta ‘daninha’ na agricultura (Kinupp; Lorenzi, 2014). As raízes e folhas podem ser consumidas após cozimento, e as sementes podem ser utilizadas como (pseudo)cereal (Rapoport; Marzocca; Drauzal, 2009). As raízes da erva-tostão são utilizadas na medicina popular (Lorenzi; Matos, 2008). A espécie carece de estudos sobre sua composição fitoquímica e bromatológica. Peperomia pellucida (L.) Kunth (peperômia) – Herbácea ‘daninha’, possui parte aérea tenra, podendo ser utilizada como verdura crua ou refogada (Kinupp; Lorenzi, 2014). Na região Amazônica, é consumida na culinária rural e também empregada na medicina tradicional (LorenzI; Matos, 2008). A peperômia é boa fonte de proteínas, ferro, cálcio, potássio e zinco (Tabela 3). Plantago major L. – Herbácea se desenvolve como espontânea em quase todo o território brasileiro. Empregada na medicina tradicional europeia desde a Idade Média, é utilizada no Brasil como medicinal, carecendo de estudos químicos e farmacológicos (Lorenzi; Matos, 2008). As sementes tem mucilagem semelhante ao da chia (Salvia hispanica L.), podendo também ser utilizadas em receitas em substituição ao gergelim (Sesamum indicum L.) (KInupp; Lorenzi, 2014), são boa fonte de ferro e zinco (Tabela 3). As folhas podem ser consumidas após branqueamento, refogadas, cozidas ou no preparo de chás (Kinupp; Lorenzi, 2014). Eriobotrya japonica (Thunb.) Lindl. (nêspera) – Cultivada no Brasil para arborização urbana, é considerada espécie invasora em matas de galeria (Silva-Junior, 2010). As folhas, flores e frutos tem atividade antioxidante, sendo os frutos são comestíveis in natura, ou processados na produção de sucos, geleias, vinho, xarope ou cristalizadas (Zhou et al., 2011). A espécie carece de estudos sobre sua composição nutricional. Genipa americana L. (jenipapo) – Tradicionalmente cultivada no norte e nordeste brasileiro, seus frutos contêm genipina conferindo forte coloração azul após processamento dos frutos verdes na produção de pães, bolos e massas (Kinupp; Lorenzi, 2014). Dos frutos maduros é extraída a polpa para produção de doces, geleia e licor (Lorenzi; Matos, 2008; Kinupp; Lorenzi, 2014). As cascas do tronco e polpa dos frutos são empregados na medicina tradicional (Lorenzi; Matos, 2008) Os frutos se destacam pelo valor energético e carboidratos (Tabela 2). Nicandra physalodes (L.) Gaertn. (joá-de-capote) - Cultivada para fins ornamentais e medicinais, suas folha e frutos podem ser consumidos após processo de fervura (Kshirsagar; Bhogaonkar, 2015). Os frutos são boa fonte de proteínas, cálcio e potássio (Tabelas 2 e 3). A espécie carece de estudos sobre formas de uso das folhas e frutos. Physalis angulata L. (camapu) – Herbácea, cresce espontaneamente em todo o Brasil, é considerada ‘daninha’ na agricultura (Moreira; Bragança, 2010). As folhas podem ser consumidas após cozimento (Kai et al., 2004), e os frutos podem ser consumidos tanto in natura, quanto no preparo de geleias, doces, sucos e licores (Kinupp; Lorenzi, 2014). Os frutos são boa fonte de proteínas, cálcio e potássio e fósforo (Tabelas 2 e 3). Solanum americanum Mill. (erva-moura) – Herbácea, se propaga em ambientes antropizados, sendo comumente considerada ‘daninha’ (Moreira; Bragança, 2010). As folhas são fonte de cálcio, fósforo e potássio (Tabela 3) podendo ser consumidas após fervura. Os frutos ricos em antocianinas podem ser consumidos in natura, no preparo de geleias ou recheio e cobertura para tortas (Kinupp; Lorenzi, 2014). Solanum lycocarpum A. St. -Hil (lobeira) – A planta produz frutos aromáticos atrativos para o lobo-guará (Chrysocyum brachyurus) (Kuhlmann, 2018), e utilizados tradicionalmente pelas populações rurais na fabricação de doces e geleias (LorenzI; Matos, 2008). A planta é utilizada tradicionalmente como medicinal, sendo por vezes considerada ‘daninha’ em áreas de pastagens por sua capacidade de rebrota a partir das raízes (Lorenzi; Matos, 2008). Carece de informações sobre a composição fitoquímica e bromatológica dos frutos. Solanum paniculatum L. (jurubeba) – Arbusto, cresce em áreas antropizadas, é comercializado em algumas regiões brasileiras in natura, em conserva, ou adicionados a aguardente (Kinupp; Lorenzi, 2014). A planta é utilizada na medicina popular para tratamento de disfunções gástricas, tendo potencial uso no tratamento de úlceras como inibidora da secreção de ácido gástrico (Vela et al., 2002). Os frutos são boa fonte de proteínas (Tabela 2). Talinum paniculatum (Jacq.) Gaerth (major-gomes) – herbácea com potencial alimentício e medicinal, é considerada ‘daninha’, ocupando áreas de pomares e hortas (Moreira; Bragança, 2010). As folhas e brotos podem ser utilizados no preparo de receitas ou como hortaliça após processo de fervura ou cozimento (Kinupp; Lorenzi, 2014). As folhas possuem alto teor de proteínas (Tabela 2). Turnera subulata Sm. (chanana) – Planta rústica utilizada na medicina popular, tem potencial para utilização no paisagismo (Moreira; Bragança, 2010). Suas folhas são comestíveis podendo ser utilizadas em saladas e sucos verdes, com potencial uso após secagem como condimento (Kinupp; Lorenzi, 2014) em substituição ao orégano (Origanum vulgare L.), é também conhecida popularmente como oreganillo. As flores com sabor suave podem ser consumidas frescas no preparo de saladas e decoração de pratos. As folhas de T. subulata tem propriedades antioxidantes e anti-inflamatórias (Souza et al., 2016). A espécie carece de mais estudos sobre seu potencial alimentício. Typha domingensis Pers. (taboa) – herbácea, cresce espontaneamente a beira de cursos d’água em quase todo território brasileiro (Kinupp; lorenzi, 2014). Todas as partes da planta têm uso alimentício. As inflorescências jovens podem ser consumidas assadas, cozidas ou debulhadas semelhante ao uso do milho, ou adicionadas na produção de pães, bolos e sopas (Kinupp, 2007). O pólen é fonte de proteínas e vitaminas A, B, C e E (Rapoport, 2009). Os brotos (palmito), podem ser consumidos após cozimento (Kinupp; Lorenzi, 2014). Os rizomas podem ser consumidos cozidos, fritos ou processados na produção de farinhas (Rapoport, 2009). Hedychium coronarium J. Koenig (lírio-do-brejo) – Planta originária da Ásia, foi introduzida e naturalizada no Brasil para fins paisagísticos, ocupando ambientes úmidos e alagados em quase todo o país sendo considerada ‘daninha’ (Moreira; Bragança, 2010). As flores e botões florais podem ser consumidos cozidos, no preparo de Sorbet ou decoração de pratos (Kinupp; Lorenzi, 2014). Dos rizomas pode ser extraído amido (Ascheri et al., 2009). A diversidade de PANC em ambiente urbano é alto visto à quantidade de espécies com confirmação sobre seu potencial alimentício. As PANC poderiam ser utilizadas pela população local através da coleta do cultivo em terrenos baldios, calçadas e quintais que são ambientes ainda poucos explorados para a produção de alimentos.

5. CONCLUSÃO/CONSIDERAÇÕES FINAIS

Foi encontrada significativa diversidade de PANC na área urbana do município de Morrinhos, GO. As plantas alimentícias não convencionais foram encontradas em vários pontos da cidade, demonstrando que, muitas das plantas utilizadas na arborização da cidade, paisagismo ou mesmo àquelas consideradas daninhas podem ser uma fonte alternativa de alimento com valor nutricional igual ou superior a alimentos utilizados convencionalmente. Mais estudos são necessários sobre o aproveitamento de espaços urbanos para cultivo, extrativismo e manejo de PANC. Estudos etnobotânicos que abrangem áreas urbanas também são uma alternativa interessante, agregando assim o conhecimento popular local sobre o uso tradicional dessas espécies.

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