REGISTRO DOI: 10.5281/zenodo.18463021
RESUMO
O agroextrativismo configura-se como uma estratégia fundamental para o desenvolvimento sustentável das populações tradicionais amazônicas, especialmente nas reservas extrativistas do sul do estado do Amapá. Nesse contexto, a juventude da floresta assume papel estratégico ao contribuir para a continuidade das práticas produtivas tradicionais, bem como para a incorporação de inovações voltadas à geração de renda e à conservação ambiental. O presente artigo tem como objetivo analisar o papel da juventude da floresta no desenvolvimento do agroextrativismo em reservas do sul do Amapá, destacando suas contribuições, desafios e perspectivas. A metodologia adotada consiste em uma pesquisa bibliográfica, fundamentada na análise de livros, artigos científicos e documentos institucionais relacionados à temática. Os resultados evidenciam que o protagonismo juvenil é essencial para o fortalecimento das cadeias produtivas agroextrativistas, para a permanência dos jovens no território e para a promoção do desenvolvimento sustentável. Contudo, persistem desafios relacionados à ausência de políticas públicas integradas, ao acesso limitado à educação contextualizada e às dificuldades de inserção econômica, o que demanda maior atenção do poder público e das instituições sociais.
Palavras-chave: Juventude da floresta; Agroextrativismo; Desenvolvimento sustentável; Reservas extrativistas; Amapá.
ABSTRACT
Agroextractivism is configured as a fundamental strategy for the sustainable development of traditional Amazonian populations, especially in extractive reserves in the southern region of the state of Amapá. In this context, forest youth play a strategic role by contributing to the continuity of traditional productive practices, as well as to the incorporation of innovations aimed at income generation and environmental conservation. This article aims to analyze the role of forest youth in the development of agroextractivism in reserves in southern Amapá, highlighting their contributions, challenges, and perspectives. The methodology adopted consists of a bibliographic study, based on the analysis of books, scientific articles, and institutional documents related to the theme. The results show that youth protagonism is essential for strengthening agroextractive production chains, for ensuring young people’s permanence in their territories, and for promoting sustainable development. However, challenges remain related to the lack of integrated public policies, limited access to contextualized education, and difficulties in economic inclusion, which demand greater attention from public authorities and social institutions.
Keywords: Forest youth; Agroextractivism; Sustainable development; Extractive reserves; Amapá.
1. INTRODUÇÃO
A Amazônia brasileira é marcada por uma rica diversidade ambiental e sociocultural, na qual as populações tradicionais desempenham papel fundamental na conservação dos recursos naturais e na construção de formas sustentáveis de produção. No estado do Amapá, especialmente nas reservas extrativistas localizadas na região sul, o agroextrativismo destaca-se como uma estratégia que articula o uso racional da floresta com a geração de renda e a manutenção dos modos de vida tradicionais. Nesse contexto, a juventude da floresta assume relevância estratégica, pois representa a continuidade dos saberes ancestrais e a possibilidade de inovação produtiva e social.
O presente estudo tem como objetivo geral analisar o papel da juventude da floresta no desenvolvimento do agroextrativismo em reservas do sul do estado do Amapá. Como objetivos específicos, busca-se compreender a importância do agroextrativismo para as comunidades tradicionais, identificar as contribuições da juventude nesse processo e discutir os principais desafios enfrentados para a permanência dos jovens no território e no fortalecimento das práticas sustentáveis.
O problema de pesquisa que orienta este artigo pode ser expresso na seguinte questão: de que forma a juventude da floresta contribui para o desenvolvimento do agroextrativismo nas reservas do sul do Amapá e quais fatores dificultam ou potencializam sua atuação nesse contexto? Essa problematização emerge diante do crescente êxodo juvenil das áreas rurais e das dificuldades estruturais que afetam a continuidade das atividades agroextrativistas.
A justificativa deste estudo fundamenta-se na relevância social, econômica e ambiental do tema. Compreender o protagonismo da juventude da floresta no agroextrativismo é essencial para a formulação de políticas públicas que promovam o desenvolvimento sustentável, a valorização cultural e a permanência dos jovens nas comunidades tradicionais. Além disso, o tema contribui para o debate acadêmico sobre sustentabilidade, juventude rural e conservação ambiental na Amazônia.
Quanto à metodologia, o estudo caracteriza-se como uma pesquisa bibliográfica, desenvolvida a partir da análise de livros, artigos científicos, documentos institucionais e estudos relacionados ao agroextrativismo, juventude da floresta e desenvolvimento sustentável na região amazônica. Essa abordagem permitiu a construção de um referencial teórico capaz de fundamentar a discussão proposta e atender aos objetivos do trabalho.
2. DESENVOLVIMENTO
2.1. Contexto Histórico do Agroextrativismo no Estado do Amapá
O agroextrativismo no Amapá é uma prática socioeconômica e cultural profundamente enraizada, cujas origens remontam aos povos indígenas, primeiros habitantes da região, que dominavam técnicas de manejo da floresta e dos rios. Com a colonização europeia, especialmente a partir do século XVII, essa relação com a natureza se mesclou com novas demandas e formas de organização.
No século XX, a criação do Território Federal do Amapá (1943) e grandes projetos de infraestrutura, como a implantação da Indústria e Comércio de Minérios S.A. (ICOMI) para exploração de manganês em Serra do Navio, transformaram a
paisagem humana e econômica. No entanto, longe dos polos de mineração e da capital Macapá, as populações ribeirinhas, quilombolas e caboclas continuaram a depender do agroextrativismo como base de sua reprodução social e econômica. A castanha-do-brasil (ou castanha-do-pará) e a madeira sempre foram pilares, mas foi com a criação das Reservas Extrativistas (RESEX), na esteira do movimento liderado por Chico Mendes no Acre, que o Amapá encontrou um modelo institucional para valorizar essa atividade (GOMES, 2010).
A implementação da RESEX do Rio Cajari (1990) foi um marco. Como destacou o pesquisador Alfredo Wagner Berno de Almeida, “a Reserva Extrativista do Rio Cajari representou a consolidação de um projeto de desenvolvimento local baseado no conhecimento tradicional e na conservação da floresta, em contraposição ao modelo predatório de fronteira agrícola” (ALMEIDA, 2006, p. 78). Essa reserva, uma das maiores do país, organizou centenas de famílias em torno da coleta de castanha e da exploração madeireira comunitária e sustentável.
Outro produto emblemático é o açaí, cujo consumo tradicional ganhou projeção nacional e internacional. No Amapá, seu manejo é parte intrínseca da cultura ribeirinha. O pesquisador e engenheiro florestal Marcelo Carim destaca que “o sistema de manejo de açaizais no Amapá, especialmente nas várzeas do Rio Amazonas, é um exemplo de agroextrativismo que incrementa a produção sem descaracterizar a floresta, garantindo segurança alimentar e renda. (HOMAA, 2017).
O Estado do Amapá, por sua localização estratégica e cobertura florestal preservada, tornou-se um laboratório para políticas de desenvolvimento sustentável. A criação do Amapá Florestal em 1996, programa estadual pioneiro, buscou formalizar e tecnificar o extrativismo madeireiro em pequena escala. Conforme análise do Instituto de Pesquisas Científicas e Tecnológicas do Estado do Amapá (IEPA), “o programa visou conciliar a geração de renda com a conservação, através do manejo florestal comunitário, mas enfrentou desafios de comercialização e infraestrutura” (IEPA, 2008, p. 45).
No entanto, o agroextrativismo amapaense enfrenta desafios históricos: a falta de assistência técnica contínua, as dificuldades de escoamento por uma malha viária precária, a intermediação onerosa e a concorrência com atividades ilegais, como o garimpo e o desmatamento para pecuária.
Em síntese, o agroextrativismo no Amapá é mais que uma atividade econômica; é um modo de vida construído ao longo de séculos de interação com um dos biomas mais complexos do planeta. Sua trajetória, da exploração colonial às políticas de conservação com inclusão social, reflete as contradições e potencialidades da Amazônia.
2.2. Agroextrativismo e Sustentabilidade nas Reservas do Sul do Amapá
O agroextrativismo constitui uma prática produtiva fundamental para as populações tradicionais amazônicas, pois articula o uso sustentável dos recursos florestais com atividades agrícolas de subsistência e geração de renda. No sul do estado do Amapá, essa prática é amplamente desenvolvida em reservas extrativistas, onde comunidades dependem de produtos como o açaí, a castanha-do-brasil e óleos vegetais para sua sobrevivência econômica e cultural.
De acordo com Sachs (2009), o desenvolvimento sustentável deve considerar simultaneamente as dimensões econômica, social, ambiental e cultural. Nesse sentido, o agroextrativismo representa uma alternativa viável para regiões amazônicas, pois promove o uso racional da floresta sem comprometer sua biodiversidade, ao mesmo tempo em que fortalece as economias locais.
As reservas extrativistas surgem como espaços de proteção ambiental aliados justiça social. Segundo o Ministério do Meio Ambiente (MMA, 2018), essas áreas têm como finalidade assegurar os meios de vida das populações tradicionais e garantir o uso sustentável dos recursos naturais, o que reforça a importância do agroextrativismo como estratégia central nesses territórios.
Diegues (2004) destaca que as populações tradicionais possuem um profundo conhecimento sobre o manejo dos recursos naturais, adquirido por meio da convivência histórica com a floresta. Esse saber tradicional é essencial para a manutenção dos ecossistemas amazônicos e para a continuidade das práticas agroextrativistas.
“As populações tradicionais desenvolveram, ao longo do tempo, sistemas complexos de manejo dos recursos naturais, baseados em conhecimentos empíricos transmitidos de geração em geração. Esses sistemas demonstram que é possível estabelecer uma relação equilibrada entre sociedade e natureza, na qual a exploração dos recursos ocorre de forma sustentável, respeitando os ciclos naturais e garantindo a reprodução social e cultural dessas comunidades”. (DIEGUES, 2004, p. 38)
No contexto amapaense, o agroextrativismo também contribui para a segurança alimentar das comunidades, reduzindo a dependência de produtos externos e fortalecendo a autonomia local. Essa prática está diretamente relacionada conservação ambiental, uma vez que incentiva a preservação da floresta em pé como fonte de sustento.
Assim, o agroextrativismo nas reservas do sul do Amapá configura-se como um modelo de desenvolvimento alinhado às premissas da sustentabilidade, sendo indispensável para a manutenção dos modos de vida tradicionais e para a proteção dos ecossistemas amazônicos.
2.3. Juventude da Floresta: Protagonismo, Identidade e Permanência no Território
A juventude da floresta representa um segmento social estratégico para a continuidade das práticas agroextrativistas nas reservas do sul do Amapá. Esses jovens são herdeiros dos saberes tradicionais, mas também agentes de transformação, capazes de incorporar novas tecnologias e estratégias de organização produtiva.
Segundo Abramovay (2010), a permanência da juventude no meio rural depende diretamente das oportunidades de trabalho, renda e reconhecimento social. No contexto amazônico, o agroextrativismo pode se tornar um caminho viável para evitar o êxodo rural juvenil, desde que seja valorizado e apoiado por políticas públicas.
A identidade da juventude da floresta é construída a partir da relação com o território, a cultura e a natureza. Essa identidade fortalece o sentimento de pertencimento e contribui para o engajamento dos jovens nas atividades comunitárias e produtivas, especialmente no manejo sustentável dos recursos naturais.
Leff (2015) ressalta que o desenvolvimento sustentável exige a valorização dos sujeitos sociais e de seus conhecimentos locais. A juventude da floresta, ao articular saberes tradicionais e conhecimentos científicos, pode contribuir significativamente para a inovação no agroextrativismo.
O futuro da sustentabilidade depende da capacidade de integrar os saberes tradicionais com os conhecimentos científicos modernos, reconhecendo os sujeitos locais como protagonistas do processo de desenvolvimento. Nesse contexto, os jovens desempenham papel central, pois são mediadores entre a tradição e a inovação, capazes de construir novas racionalidades ambientais orientadas para a conservação da vida e da diversidade cultural. (LEFF, 2015, p. 112)
Apesar de seu potencial, a juventude da floresta enfrenta inúmeros desafios, como a falta de acesso à educação contextualizada, à qualificação profissional e a políticas de incentivo ao empreendedorismo sustentável. Esses fatores contribuem para o afastamento dos jovens das atividades agroextrativistas.
No sul do Amapá, experiências comunitárias demonstram que, quando há investimento em capacitação e organização coletiva, os jovens assumem papel de liderança em associações e cooperativas, fortalecendo as cadeias produtivas locais.
Portanto, o protagonismo da juventude da floresta é essencial para a sustentabilidade do agroextrativismo, sendo necessário reconhecer e apoiar sua atuação como agentes de desenvolvimento territorial.
2.4. Educação, Inovação e Políticas Públicas para o Fortalecimento do Agroextrativismo Juvenil
A educação desempenha papel central no fortalecimento do agroextrativismo e na permanência da juventude da floresta nos territórios amazônicos. Quando articulada às realidades locais, a educação contribui para a valorização dos saberes tradicionais e para a formação de sujeitos capazes de atuar de forma crítica e sustentável em seus territórios. Segundo Lima et al. (2013), a permanência dos jovens no meio rural está diretamente relacionada ao acesso à educação contextualizada, às políticas públicas específicas e às oportunidades de geração de renda compatíveis com a realidade local.
A ausência de uma educação que dialogue com os modos de vida das populações tradicionais tem sido um dos fatores que impulsionam o êxodo juvenil. Muitas vezes, os conteúdos escolares desconsideram o contexto amazônico, desvalorizando os conhecimentos tradicionais e reforçando a ideia de que o desenvolvimento está associado exclusivamente ao meio urbano.
Conforme destacam Castro e Carneiro (2019), essa desconexão entre escola e território contribui para o afastamento dos jovens das atividades produtivas tradicionais e para o enfraquecimento da identidade rural.
Nesse sentido, a educação do campo e a educação contextualizada emergem como estratégias fundamentais para fortalecer o agroextrativismo juvenil. Ao incorporar temas como sustentabilidade, agroecologia, extrativismo e organização comunitária, a escola passa a atuar como espaço de valorização cultural e de construção de alternativas econômicas locais. Para Santana e Barcelos (2025), a articulação entre juventude rural, agroecologia e políticas públicas é essencial para a consolidação de modelos produtivos sustentáveis no meio rural brasileiro
Além da educação formal, a formação técnica e o acesso à qualificação profissional são fatores determinantes para o fortalecimento do protagonismo juvenil. Programas voltados à capacitação em manejo florestal, beneficiamento de produtos e comercialização contribuem para ampliar as possibilidades de inserção econômica dos jovens. Nesse contexto, o Pronaf Jovem se destaca como uma das principais políticas públicas de incentivo à permanência da juventude no campo, ao facilitar o acesso ao crédito rural e estimular iniciativas produtivas sustentáveis (BARCELLOS, 2015).
A inovação tecnológica também desempenha papel estratégico no fortalecimento do agroextrativismo. O uso de tecnologias sociais, técnicas de manejo sustentável e processos de agregação de valor aos produtos florestais permite ampliar a renda das famílias sem comprometer os recursos naturais. Estudos realizados em reservas extrativistas da Amazônia demonstram que o manejo adequado de produtos como a castanha-do-brasil e o açaí contribui significativamente para a segurança alimentar e econômica das comunidades (UBIALI, 2022).
Nesse contexto, o protagonismo da juventude torna-se essencial, pois os jovens apresentam maior facilidade de acesso às tecnologias, às redes de informação e aos processos de inovação. Ao aliarem o conhecimento tradicional às novas ferramentas de produção e gestão, os jovens fortalecem as cadeias produtivas locais e ampliam as possibilidades de desenvolvimento sustentável nos territórios extrativistas.
Entretanto, a consolidação dessas iniciativas ainda enfrenta obstáculos estruturais, como a precariedade das políticas públicas, a dificuldade de acesso a mercados e a ausência de assistência técnica contínua. De acordo com Grisa, Kato e Zimmermann (2013), as políticas voltadas ao meio rural no Brasil historicamente apresentaram caráter fragmentado, o que compromete a efetividade das ações destinadas às populações do campo e da floresta.
Outro desafio relevante refere-se ao êxodo rural juvenil. Dados e análises apontam que a falta de perspectivas econômicas, aliada à escassez de políticas voltadas à juventude, tem levado muitos jovens a migrarem para os centros urbanos. Soares (2025) destaca que esse movimento compromete a continuidade das práticas agroextrativistas e enfraquece os processos de transmissão dos saberes tradicionais entre gerações.
Por outro lado, experiências exitosas demonstram que, quando há investimento em educação, organização social e acesso a políticas públicas, a juventude passa a ocupar papel central no desenvolvimento territorial. Iniciativas baseadas na economia solidária, no cooperativismo e na gestão coletiva dos recursos naturais têm fortalecido a autonomia juvenil e promovido maior inclusão social nas reservas extrativistas.
Dessa forma, o fortalecimento do agroextrativismo juvenil no sul do Amapá depende diretamente da articulação entre educação contextualizada, políticas públicas efetivas, inovação produtiva e valorização dos saberes tradicionais. Investir na juventude da floresta significa garantir a continuidade das práticas sustentáveis, a preservação ambiental e a construção de um modelo de desenvolvimento socialmente justo e ambientalmente responsável para a Amazônia.
2.5. Desafios e Perspectivas para o Fortalecimento do Agroextrativismo Juvenil
Embora o agroextrativismo represente uma alternativa sustentável, sua consolidação enfrenta desafios estruturais significativos. Entre eles destacam-se a precariedade da infraestrutura, a dificuldade de acesso ao crédito e a limitação dos canais de comercialização dos produtos extrativistas.
Becker (2005) aponta que o desenvolvimento da Amazônia historicamente esteve marcado por modelos excludentes, que pouco consideraram as populações locais. Essa lógica ainda influencia as políticas públicas, dificultando o fortalecimento de iniciativas agroextrativistas lideradas por jovens.
A ausência de políticas específicas para a juventude da floresta agrava esse cenário. Muitos jovens não encontram incentivos suficientes para permanecer nas reservas, optando por migrar para áreas urbanas em busca de melhores condições de vida. Segundo o IBGE (2022), o êxodo rural juvenil é um fenômeno crescente na região Norte, o que compromete a continuidade das práticas produtivas tradicionais e a transmissão dos saberes locais entre gerações. Sendo assim:
A permanência da juventude nos territórios rurais está profundamente condicionada à implementação de políticas públicas articuladas que assegurem acesso à educação de qualidade, oportunidades de geração de renda, inclusão produtiva e reconhecimento social. A ausência dessas condições contribui para o afastamento dos jovens do campo, fragilizando a continuidade das atividades produtivas tradicionais, a transmissão dos saberes locais e a sustentabilidade social e ambiental dos territórios rurais. (CASTRO; CARNEIRO, 2019, p. 94)
Deve-se ressaltar que, apesar das dificuldades, há perspectivas positivas para o fortalecimento do agroextrativismo juvenil no sul do Amapá. Iniciativas voltadas à economia solidária, ao cooperativismo e à agregação de valor aos produtos florestais têm apresentado resultados promissores.
A inserção dos jovens em processos de formação técnica e superior, aliada ao uso de tecnologias sustentáveis, contribui para a modernização do agroextrativismo sem descaracterizar sua base tradicional.
Dessa forma, o fortalecimento do agroextrativismo juvenil depende da articulação entre políticas públicas, organizações comunitárias e instituições de ensino, visando garantir condições dignas de vida e trabalho para a juventude da floresta.
3. CONSIDERAÇÕES FINAIS
O presente artigo abordou a relevância da juventude da floresta no desenvolvimento do agroextrativismo em reservas do sul do estado do Amapá, destacando sua importância como agente social estratégico para a sustentabilidade ambiental, econômica e cultural dos territórios amazônicos. Ao longo do trabalho, foi possível evidenciar que o agroextrativismo representa mais do que uma atividade produtiva, constituindo-se como um modo de vida que articula conservação da floresta, geração de renda e valorização dos saberes tradicionais.
Os objetivos propostos foram alcançados ao analisar o papel desempenhado pela juventude da floresta na manutenção e no fortalecimento das práticas agroextrativistas. A pesquisa permitiu compreender que os jovens exercem papel fundamental na continuidade dessas atividades, seja por meio da preservação dos conhecimentos tradicionais transmitidos entre gerações, seja pela incorporação de novas estratégias produtivas, tecnológicas e organizacionais. Nesse sentido, o protagonismo juvenil apresenta-se como elemento central para a permanência das comunidades nas reservas extrativistas.
A problemática levantada acerca das dificuldades enfrentadas pela juventude da floresta foi amplamente discutida, evidenciando que fatores como a ausência de políticas públicas integradas, o acesso limitado à educação contextualizada, as restrições ao crédito e as fragilidades na comercialização dos produtos agroextrativistas comprometem a permanência dos jovens no território. Esses desafios reforçam a necessidade de ações governamentais e institucionais que reconheçam as especificidades sociais, culturais e ambientais das reservas do sul do Amapá.
A justificativa do estudo mostrou-se pertinente ao demonstrar que a valorização da juventude da floresta é indispensável para a promoção do desenvolvimento sustentável na Amazônia. O fortalecimento do agroextrativismo juvenil contribui diretamente para a redução do êxodo rural, para a dinamização da economia local e para a conservação dos ecossistemas, assegurando a reprodução social e cultural das comunidades tradicionais.
Do ponto de vista metodológico, a pesquisa bibliográfica possibilitou a construção de um referencial teórico consistente, fundamentado em autores que discutem juventude rural, agroextrativismo e sustentabilidade. Essa abordagem permitiu uma análise crítica e reflexiva sobre o tema, oferecendo subsídios para futuras investigações empíricas que aprofundem a compreensão da realidade vivenciada pelos jovens nas reservas extrativistas amapaenses.
Dessa forma, o fortalecimento do agroextrativismo no sul do Amapá passa, necessariamente, pelo reconhecimento do protagonismo da juventude da floresta, pela ampliação de políticas públicas inclusivas e pelo incentivo à educação, à organização social e ao empreendedorismo sustentável. Investir na juventude significa garantir a continuidade das práticas agroextrativistas e promover um modelo de desenvolvimento que respeite a diversidade cultural e ambiental da Amazônia.
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