REGISTRO DOI: 10.70773/revistatopicos/780679599
RESUMO
A A pandemia de COVID-19 provocou não apenas uma crise sanitária global, mas também um intenso fluxo de informações relacionadas à prevenção, tratamento e controle da doença, fenômeno denominado infodemia. Caracterizada pela disseminação excessiva de conteúdos verdadeiros, imprecisos ou falsos, a infodemia dificultou o acesso da população a informações confiáveis, influenciando diretamente comportamentos relacionados à saúde, entre eles a automedicação. Nesse contexto, o presente estudo teve como objetivo analisar a influência da infodemia nas práticas de automedicação durante a pandemia de COVID-19 no Brasil, além de discutir o papel das redes sociais e da atuação farmacêutica no enfrentamento da desinformação. Trata-se de uma revisão integrativa da literatura, de abordagem qualitativa, realizada nas bases de dados SciELO, PubMed, Google Scholar e Biblioteca Virtual em Saúde (BVS), considerando publicações entre os anos de 2020 e 2026. Após aplicação dos critérios de inclusão e exclusão, foram selecionados 14 estudos para compor a amostra final da pesquisa. Os resultados evidenciaram que a ampla circulação de informações sem respaldo científico nas redes sociais contribuiu significativamente para o aumento da automedicação, especialmente com medicamentos como ivermectina, azitromicina e hidroxicloroquina. Observou-se ainda que fatores emocionais, como medo, ansiedade e insegurança, associados à facilidade de acesso às informações digitais, favoreceram a adoção de práticas inadequadas relacionadas ao uso de medicamentos. Conclui-se que o farmacêutico desempenha papel fundamental na promoção do uso racional de medicamentos, na educação em saúde e no combate à desinformação, especialmente nos ambientes digitais, contribuindo para a disseminação de informações baseadas em evidências científicas.
Palavras-chave: Infodemia; Automedicação; COVID-19; Redes sociais; Uso racional de medicamentos.
ABSTRACT
The COVID-19 pandemic caused not only a global health crisis but also an intense flow of information related to the prevention, treatment, and control of the disease, a phenomenon known as infodemic. Characterized by the excessive dissemination of true, inaccurate, or false content, the infodemic made it difficult for the population to access reliable information, directly influencing health-related behaviors, including self-medication. In this context, the present study aimed to analyze the influence of the infodemic on self-medication practices during the COVID-19 pandemic in Brazil, as well as to discuss the role of social media and pharmaceutical professionals in combating misinformation. This is an integrative literature review with a qualitative approach, carried out in the databases SciELO, PubMed, Google Scholar, and the Virtual Health Library (VHL), considering publications from 2020 to 2026. After applying the inclusion and exclusion criteria, 14 studies were selected to compose the final sample of the research. The results showed that the wide circulation of information without scientific evidence on social media significantly contributed to the increase in self-medication, especially involving drugs such as ivermectin, azithromycin, and hydroxychloroquine. It was also observed that emotional factors, such as fear, anxiety, and insecurity, associated with the easy access to digital information, favored the adoption of inappropriate practices related to medication use. It is concluded that pharmacists play a fundamental role in promoting the rational use of medicines, health education, and combating misinformation, especially in digital environments, contributing to the dissemination of evidence-based information.
Keywords: Infodemic; Self-medication; COVID-19; Social media; Rational use of medicines.
1. INTRODUÇÃO
A pandemia de COVID-19, declarada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) em março de 2020, desencadeou não apenas uma crise sanitária global, mas também uma crise informacional sem precedentes. A ampla circulação de informações verdadeiras, imprecisas ou falsas em elevada velocidade, principalmente nas redes sociais, favoreceu o surgimento do fenômeno denominado infodemia (Eysenbach, 2020). Esse fenômeno caracteriza-se pelo excesso de informações disponíveis, dificultando a identificação de fontes confiáveis e influenciando negativamente a tomada de decisões relacionadas à saúde (OPAS, 2021).
Segundo Tangcharoensathien et al. (2020), a infodemia intensificou a dificuldade da população em distinguir conteúdos fundamentados em evidências científicas de informações equivocadas ou provenientes de fontes não verificadas. A disseminação de boatos, teorias conspiratórias e orientações sem respaldo técnico tornou-se um obstáculo adicional no enfrentamento da COVID-19, comprometendo a adesão às medidas preventivas e favorecendo práticas de risco, como a automedicação. Nesse contexto, as redes sociais deixaram de ser apenas instrumentos de comunicação para se consolidarem como ambientes determinantes na construção e, muitas vezes, na distorção do conhecimento em saúde.
No Brasil, as redes sociais passaram a exercer papel central na circulação de conteúdos relacionados à prevenção e ao tratamento da COVID-19, especialmente em plataformas como WhatsApp, Facebook, Instagram e Twitter (Fiocruz, 2020). Entretanto, essas mídias também favoreceram a propagação de desinformações sobre medicamentos e terapias sem eficácia comprovada, contribuindo para o aumento da automedicação, especialmente com antiparasitários, antibióticos e anti-inflamatórios. Estudos demonstram que medicamentos como ivermectina, azitromicina e hidroxicloroquina tiveram aumento significativo de consumo durante o período pandêmico, impulsionado pela divulgação de informações equivocadas e pela propagação do chamado “tratamento precoce” (Melo et al., 2021).
De acordo com Quispe-Cañari et al. (2021), a automedicação está relacionada a múltiplos fatores, entre eles a facilidade de acesso aos medicamentos, experiências prévias, influência social e dificuldades de acesso aos serviços de saúde. Associados ao contexto de medo, ansiedade e insegurança provocado pela COVID-19, esses fatores favoreceram a busca por soluções rápidas para prevenção e tratamento da doença, frequentemente baseada em informações obtidas na internet e em redes sociais, sem respaldo científico adequado.
Nesse cenário, o farmacêutico assume papel estratégico na promoção do uso racional de medicamentos e na educação em saúde baseada em evidências científicas. Cadogan e Hughes (2021) destacam que esses profissionais desempenharam funções essenciais durante o período pandêmico, atuando na orientação sobre medicamentos, esclarecimento de dúvidas da população e combate à desinformação. Além disso, Hua et al. (2022) reforçam a importância da atuação farmacêutica nos meios digitais, ampliando o acesso da população a informações seguras e cientificamente embasadas, bem como fortalecendo a educação em saúde.
Diante desse contexto, destaca-se a importância de compreender os impactos da infodemia sobre o comportamento da população durante a pandemia de COVID-19. Assim, este estudo tem como objetivo analisar a influência da infodemia nas práticas de automedicação durante a pandemia de COVID-19 no Brasil, bem como discutir o papel do farmacêutico no enfrentamento da desinformação e na promoção do uso racional de medicamentos.
2. DESENVOLVIMENTO
2.1. Metodologia
O presente estudo caracteriza-se como uma revisão integrativa da literatura, de abordagem qualitativa, descritiva e exploratória, desenvolvida com o objetivo de analisar a influência da infodemia nas práticas de automedicação durante a pandemia de COVID-19, bem como discutir o papel das redes sociais e da atuação farmacêutica nesse contexto.
A pesquisa bibliográfica foi realizada nas bases de dados Scientific Electronic Library Online (SciELO), PubMed, Google Scholar e Biblioteca Virtual em Saúde (BVS). Para a busca dos estudos, utilizaram-se descritores em português e inglês relacionados ao tema, tais como: “infodemia”, “automedicação”, “COVID-19”, “redes sociais”, “infodemic”, “self-medication” e “social media”, combinados entre si por meio dos operadores booleanos AND e OR.
Foram adotados como critérios de inclusão artigos científicos publicados entre os anos de 2020 e 2026, disponíveis na íntegra, nos idiomas português, inglês ou espanhol, e que abordassem diretamente a relação entre infodemia, desinformação em saúde, redes sociais e automedicação no contexto da pandemia de COVID-19. Foram excluídos artigos duplicados, trabalhos incompletos, editoriais, dissertações, teses, relatos de opinião e estudos que não apresentavam metodologia claramente definida ou que não estavam relacionados à temática proposta.
Após a realização das buscas, foram identificados inicialmente 178 estudos por meio da utilização de descritores combinados e isolados. Em seguida, os artigos passaram por processo de triagem mediante leitura dos títulos e resumos, com aplicação dos critérios de inclusão e exclusão previamente estabelecidos. Ao final da seleção, 14 estudos compuseram a amostra final desta revisão integrativa.
A extração dos dados foi realizada de forma sistematizada, considerando informações como autor, ano de publicação, título, tipo de estudo e principais resultados encontrados. Posteriormente, os dados foram organizados em quadro sinóptico (Quadro 1), permitindo melhor visualização e análise crítica dos estudos selecionados.
Por fim, realizou-se a interpretação e discussão dos achados com base na literatura científica disponível, buscando compreender os impactos da infodemia sobre as práticas de automedicação durante a pandemia de COVID-19. Para melhor representação das etapas metodológicas, a Figura 1 apresenta o fluxograma do processo de seleção dos estudos incluídos nesta pesquisa.
3. RESULTADOS E DISCUSSÃO
Após a realização das buscas nas bases de dados selecionadas, foram identificados inicialmente 178 estudos por meio da utilização de descritores combinados e isolados relacionados à temática proposta. Em seguida, os artigos passaram por critérios de inclusão e exclusão previamente estabelecidos, sendo excluídos os estudos duplicados, incompletos, sem relação direta com o tema e aqueles que não atenderam aos objetivos da pesquisa. Ao final do processo de seleção, 14 estudos compuseram a amostra final desta revisão integrativa.
Com a finalidade de organizar e sintetizar os principais achados da literatura, elaborou-se o Quadro 1, contendo informações referentes aos autores, ano de publicação, título, tipo de estudo e principais resultados encontrados nos artigos selecionados. Dessa forma, buscou-se facilitar a compreensão e análise crítica dos dados obtidos.
Quadro 1. Artigos selecionados.
AUTOR/ANO | TÍTULO | TIPO DE ESTUDO | RESULTADOS |
Arrais et al., 2016 | Prevalência da automedicação no Brasil e fatores associados. | Estudo Transversal. | Os autores identificaram elevada prevalência de automedicação no Brasil, associada à facilidade de acesso aos medicamentos, influência de experiências prévias e dificuldade de acesso aos serviços de saúde. |
Cadogan; Hughes, 2021 | On the frontline against COVID-19: Community pharmacists’ contribution during a public health crisis. | Revisão descritiva. | Os autores identificaram que o farmacêutico desempenhou papel essencial na orientação da população, prevenção da automedicação e combate à desinformação em saúde durante a pandemia. |
Cinelli et al., 2020 | The COVID-19 social media infodemic | Estudo observacional quantitativo. | O estudo evidenciou que as redes sociais favoreceram a formação de bolhas informacionais, ampliando significativamente a disseminação de fake news relacionadas à COVID-19. |
Eysenbach, 2020. | How to fight an infodemic: The four pillars of infodemic management. | Estudo teórico. | O estudo evidenciou que a infodemia dificultou o acesso da população a informações confiáveis, favorecendo a desinformação e comprometendo medidas de saúde pública. |
Eysenbach, 2002. | Infodemiology: The epidemiology of (mis)information. | Estudo teórico. | Os resultados apontaram que a rápida circulação de informações na internet passou a influenciar diretamente comportamentos relacionados à saúde e tomada de decisões da população. |
Garcia; Duarte, 2021. | Ações governamentais para enfrentamento da crise de desinformação durante a pandemia da COVID-19. | Estudo analítico. | Os autores identificaram que a desinformação em saúde comprometeu a adesão às medidas preventivas e evidenciaram a necessidade de estratégias governamentais voltadas ao enfrentamento das fake news durante a pandemia. |
Hua et al., 2022 | Community pharmacists’ experiences during COVID-19: combating misinformation and promoting public health. | Estudo qualitativo. | Os autores identificaram a importância da atuação farmacêutica nos meios digitais como estratégia para enfrentamento da desinformação e fortalecimento da educação em saúde. |
Matoso; Saraiva, 2023. | Automedicação durante a pandemia da COVID-19 e sua relação com as redes sociais. | Revisão integrativa. | Os resultados apontaram relação direta entre o aumento da automedicação e a influência das redes sociais na divulgação de informações não verificadas sobre medicamentos. |
Melo et al., 2021. | Automedicação e uso indiscriminado de medicamentos durante a pandemia da COVID-19. | Revisão integrativa. | Os autores identificaram aumento significativo do uso indiscriminado de medicamentos, associado a intoxicações, eventos adversos e riscos de resistência antimicrobiana. |
OPAS, 2021. | Entenda a infodemia e a desinformação na luta contra a COVID-19. | Documento técnico institucional. | Os resultados apontaram que a infodemia comprometeu o entendimento público sobre medidas preventivas e dificultou o acesso a informações seguras durante a pandemia. |
Petrakis et al., 2023 | The impact of the COVID-19 pandemic on antimicrobial resistance and management of bloodstream infections. | Revisão sistemática. | O estudo evidenciou que o uso inadequado de antimicrobianos durante a pandemia contribuiu para o agravamento da resistência microbiana em diferentes contextos clínicos. |
Quispe-Cañari et al., 2021 | Self-medication practices during the COVID-19 pandemic among the adult population in Peru | Estudo transversal. | Os resultados apontaram aumento expressivo da automedicação durante a pandemia, motivado pelo medo da doença e pela facilidade de acesso às informações digitais. |
Rosa; Delduque; Alves, 2023. | A pandemia de COVID-19 e as fake news: uma revisão da literatura. | Revisão da literatura. | Os autores identificaram que a disseminação de fake news influenciou negativamente comportamentos preventivos e terapêuticos adotados pela população durante a pandemia. |
Tangcharoensathien et al., 2020 | A framework for managing the COVID-19 infodemic. | Estudo Analítico. | Os autores identificaram que a rápida disseminação de informações falsas durante a pandemia comprometeu medidas preventivas e ampliou a insegurança da população. |
Fonte: Autor, 2026
A análise dos estudos selecionados evidenciou que a infodemia exerceu influência significativa sobre o comportamento da população durante a pandemia de COVID-19, especialmente em relação às práticas de automedicação. Os achados demonstraram que o excesso de informações circulando simultaneamente em redes sociais e plataformas digitais dificultou o acesso da população a conteúdos confiáveis, favorecendo a disseminação de informações sem respaldo científico e comprometendo a tomada de decisões em saúde (Eysenbach, 2020; Tangcharoensathien et al., 2020).
Nesse contexto, Cinelli et al. (2020) observaram que as redes sociais favoreceram a formação de bolhas informacionais, potencializando a circulação de fake news relacionadas à COVID-19. A dinâmica dessas plataformas contribuiu para a ampla disseminação de conteúdos que reforçavam crenças prévias e estimulavam a utilização de medicamentos sem eficácia comprovada para prevenção ou tratamento da doença.
As análises também demonstraram que aplicativos de mensagens e redes sociais desempenharam papel central na propagação de informações não verificadas sobre medicamentos utilizados durante a pandemia. Garcia e Duarte (2021) destacam que a rápida circulação de conteúdos falsos dificultou o enfrentamento da crise sanitária e comprometeu a adesão da população às recomendações baseadas em evidências científicas. Esse cenário favoreceu a falsa percepção de segurança terapêutica e estimulou práticas de automedicação.
Resultados semelhantes foram identificados por Quispe-Cañari et al. (2021), que observaram aumento expressivo da automedicação motivado pela facilidade de acesso às informações digitais e pela busca por soluções rápidas frente à COVID-19. Da mesma forma, Matoso e Saraiva (2023) evidenciaram relação direta entre o uso excessivo das redes sociais e o crescimento da automedicação durante a pandemia, especialmente diante da circulação de conteúdos sem comprovação científica.
Além disso, Melo et al. (2021) ressaltam que o uso indiscriminado de medicamentos esteve relacionado ao aumento de eventos adversos, intoxicações e riscos associados à resistência antimicrobiana. Esses achados reforçam que a automedicação, quando estimulada por informações falsas ou distorcidas, representa importante problema de saúde pública, sobretudo em períodos de emergência sanitária.
Corroborando esses resultados, Petrakis et al. (2023) destacam que o uso inadequado de antimicrobianos durante a pandemia pode contribuir significativamente para o agravamento da resistência microbiana, considerada atualmente um dos principais desafios sanitários globais. Nesse sentido, observa-se que os impactos da desinformação ultrapassam o âmbito individual, alcançando consequências coletivas e repercussões relevantes para os sistemas de saúde.
Os estudos também demonstraram que a infodemia comprometeu diretamente a confiança da população nas evidências científicas e nas orientações de órgãos oficiais de saúde. Rosa, Delduque e Alves (2023) identificaram que a disseminação de fake news influenciou negativamente comportamentos preventivos e terapêuticos adotados pela população durante a pandemia, favorecendo a propagação de informações enganosas em ambientes digitais.
Diante desse cenário, Cadogan e Hughes (2021) destacam que o farmacêutico desempenhou papel fundamental durante a pandemia, atuando na orientação sobre medicamentos, prevenção da automedicação e esclarecimento de informações falsas relacionadas à COVID-19. Hua et al. (2022) reforçam ainda a importância da atuação farmacêutica nos meios digitais, ampliando o acesso da população a informações confiáveis e contribuindo para o fortalecimento da educação em saúde baseada em evidências científicas.
Dessa forma, os resultados analisados demonstram que a infodemia esteve diretamente relacionada ao aumento das práticas de automedicação durante a pandemia de COVID-19, evidenciando a necessidade de estratégias voltadas ao fortalecimento da educação em saúde, ao combate à desinformação e à promoção do uso racional de medicamentos. Nesse contexto, destaca-se a relevância da atuação farmacêutica como ferramenta essencial para reduzir os impactos da desinformação sobre a saúde coletiva.
4. CONCLUSÃO
A pandemia de COVID-19 evidenciou não apenas os impactos de uma crise sanitária global, mas também os efeitos negativos da disseminação acelerada de conteúdos falsos e distorcidos sobre saúde. A partir da análise dos estudos selecionados, foi possível compreender que a infodemia exerceu influência significativa sobre as práticas de automedicação, favorecendo o uso indiscriminado de medicamentos sem eficácia comprovada, impulsionado principalmente pela ampla utilização das redes sociais e pelo contexto de medo, insegurança e vulnerabilidade vivenciado pela população durante o período pandêmico.
Os resultados demonstraram que as plataformas digitais e redes sociais atuaram simultaneamente como importantes meios de comunicação e ambientes propícios à disseminação de fake news relacionadas à COVID-19. A rápida propagação desses conteúdos contribuiu para o fortalecimento de crenças equivocadas acerca de tratamentos considerados “preventivos” ou “precoces”, estimulando a utilização inadequada de medicamentos como ivermectina, azitromicina e hidroxicloroquina.
Além disso, observou-se que a automedicação associada à desinformação pode acarretar importantes repercussões sanitárias, incluindo intoxicações, eventos adversos, resistência antimicrobiana e agravamento de problemas de saúde pública. Dessa forma, os achados reforçam a necessidade de fortalecer estratégias de educação em saúde e comunicação científica acessível, especialmente em ambientes digitais, visando reduzir os impactos da desinformação sobre o comportamento da população.
Nesse contexto, destaca-se a relevância do farmacêutico como profissional essencial na promoção do uso racional de medicamentos e no enfrentamento da infodemia. Sua atuação, tanto nos serviços de saúde quanto nas plataformas digitais, mostrou-se fundamental para orientar a população, esclarecer dúvidas e disseminar conteúdos baseados em evidências científicas, contribuindo para a prevenção de práticas inadequadas relacionadas à automedicação.
Como limitação deste estudo, destaca-se a utilização exclusiva de artigos disponíveis nas bases de dados selecionadas, além da predominância de estudos observacionais e revisões, o que pode restringir a generalização dos resultados. Ademais, a constante atualização das informações relacionadas à COVID-19 e às mídias digitais representa um desafio para análises definitivas sobre o tema.
Por fim, sugere-se que novas pesquisas aprofundem a investigação sobre o impacto das redes sociais no comportamento medicamentoso da população, bem como o desenvolvimento de estratégias educativas e políticas públicas voltadas ao combate à desinformação em saúde. Também se recomenda ampliar os estudos sobre a atuação do farmacêutico nos meios digitais, considerando seu potencial como agente promotor de educação em saúde e fortalecimento da confiança da população nas evidências científicas.
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LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS
ANVISA Agência Nacional de Vigilância Sanitária
DNA Ácido Desoxirribonucleico
IBGE Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística
OMS Organização Mundial da Saúde
PICs Práticas Integrativas e Complementares
PM Plantas Medicinais
SUS Sistema Único de Saúde
IM Interações Medicamentosas
RAM Reações Adversas a Medicamentos
Trabalho de Conclusão de Curso apresentada ao Curso de Farmácia do FACULDADE ESTÁCIO TURU como requisito parcial para obtenção do grau de Bacharel em Farmácia.