IMPORTÂNCIA DA EQUIPE MULTIPROFISSIONAL NO CUIDADO AO PACIENTE COM DIABETES MELLITUS

IMPORTANCE OF THE MULTIPROFESSIONAL TEAM IN THE CARE OF PATIENTS WITH DIABETES MELLITUS

REGISTRO DOI: 10.70773/revistatopicos/779331458

RESUMO
O presente artigo aborda a importância da equipe multiprofissional no cuidado ao paciente com diabetes mellitus, considerando os desafios clínicos e sociais relacionados ao manejo dessa doença crônica. O estudo teve como objetivo analisar a contribuição da atuação multiprofissional para a prevenção de complicações, adesão ao tratamento e promoção da qualidade de vida. Trata-se de uma pesquisa de revisão de literatura, com abordagem qualitativa, descritiva e exploratória, realizada a partir de publicações científicas disponíveis nas bases SciELO, LILACS, BVS, PubMed e Google Acadêmico, no período de 2019 a 2026. Foram utilizados descritores relacionados ao diabetes mellitus, equipe multiprofissional, autocuidado, educação em saúde e adesão terapêutica, combinados por operadores booleanos AND e OR. Os resultados evidenciaram que o cuidado multiprofissional favorece assistência integral e contínua, permitindo intervenções articuladas entre médicos, enfermeiros, nutricionistas, farmacêuticos, psicólogos e educadores físicos. Observou-se melhora no controle glicêmico, redução de complicações crônicas, fortalecimento do autocuidado e maior adesão às condutas terapêuticas. Também se identificou que ações educativas desenvolvidas pela equipe contribuem para autonomia do paciente e adoção de hábitos saudáveis. Contudo, desafios como falhas de comunicação entre profissionais, limitações estruturais e fragmentação dos serviços ainda dificultam a efetividade desse modelo assistencial. Conclui-se que a equipe multiprofissional representa estratégia essencial no cuidado ao paciente com diabetes mellitus, sendo indispensável para qualificar a assistência, ampliar resultados terapêuticos e promover melhor qualidade de vida.
Palavras-chave: Diabetes mellitus; Equipe multiprofissional; Assistência em saúde; Autocuidado; Qualidade de vida.

ABSTRACT
This article addresses the importance of the multiprofessional team in the care of patients with diabetes mellitus, considering the clinical and social challenges related to the management of this chronic disease. The study aimed to analyze the contribution of multiprofessional practice to the prevention of complications, treatment adherence, and promotion of quality of life. This is a literature review study with a qualitative, descriptive, and exploratory approach, based on scientific publications available in the SciELO, LILACS, BVS, PubMed, and Google Scholar databases, covering the period from 2019 to 2026. Descriptors related to diabetes mellitus, multiprofessional team, self-care, health education, and treatment adherence were used, combined with the Boolean operators AND and OR. The results showed that multiprofessional care promotes comprehensive and continuous assistance, enabling coordinated interventions among physicians, nurses, nutritionists, pharmacists, psychologists, and physical educators. Improvements were observed in glycemic control, reduction of chronic complications, strengthening of self-care, and greater adherence to therapeutic guidelines. It was also identified that educational actions developed by the team contribute to patient autonomy and the adoption of healthy habits. However, challenges such as communication failures among professionals, structural limitations, and service fragmentation still hinder the effectiveness of this care model. It is concluded that the multiprofessional team represents an essential strategy in the care of patients with diabetes mellitus, being indispensable to improve healthcare quality, expand therapeutic outcomes, and promote better quality of life.
Keywords: Diabetes mellitus; Multiprofessional team; Health care; Self-care; Quality of life.

1. INTRODUÇÃO

O diabetes mellitus configura-se como uma das doenças crônicas não transmissíveis de maior impacto na saúde pública mundial, em razão de sua elevada prevalência, das complicações associadas e dos custos gerados aos sistemas de saúde. Caracteriza-se por alterações metabólicas relacionadas à produção insuficiente de insulina, resistência à sua ação ou ambas as condições, ocasionando hiperglicemia persistente. Quando não controlado adequadamente, o diabetes pode desencadear complicações cardiovasculares, renais, neurológicas, oftalmológicas e comprometimentos importantes na qualidade de vida do indivíduo (Santos et al, 2025).

Nas últimas décadas, o aumento do sedentarismo, hábitos alimentares inadequados, envelhecimento populacional e fatores genéticos têm contribuído significativamente para o crescimento do número de casos da Diabetes mellitus. Diante desse cenário, o cuidado ao paciente com diabetes mellitus exige acompanhamento contínuo, monitoramento clínico e mudanças permanentes no estilo de vida, o que torna insuficiente uma assistência fragmentada e centrada em apenas um profissional de saúde (Antonini; Giovana, 2025).

Nesse contexto, destaca-se a relevância da equipe multiprofissional, composta por médicos, enfermeiros, nutricionistas, psicólogos, farmacêuticos, educadores físicos e outros profissionais, que atuam de forma integrada no planejamento e execução do cuidado. A assistência multiprofissional possibilita abordagem ampla das necessidades do paciente, contemplando aspectos clínicos, emocionais, nutricionais, sociais e educativos. Tal atuação favorece maior adesão ao tratamento, melhor controle glicêmico, prevenção de complicações e promoção da autonomia no autocuidado.

Apesar dos avanços nas estratégias terapêuticas e no conhecimento científico acerca da doença que envolve o diabetes mellitus, ainda persistem desafios relacionados à adesão medicamentosa, mudanças comportamentais, acesso aos serviços de saúde e continuidade do acompanhamento (Jales; Araujo; Souza, 2025).

Ainda, observa-se que muitos pacientes não recebem assistência integral e sistematizada, o que pode comprometer os resultados terapêuticos e aumentar os riscos decorrentes da enfermidade. Soma-se a esse cenário a carência de ações educativas permanentes e de acompanhamento interdisciplinar efetivo. Tais fragilidades dificultam o autocuidado e limitam a prevenção de complicações a curto e longo prazo do paciente diabético (Silva, 2025).

Justifica-se a realização deste estudo pela relevância social e científica do tema, considerando o crescimento expressivo dos casos de diabetes mellitus e a necessidade de fortalecer práticas assistenciais mais humanizadas, resolutivas e integradas. Espera-se que os resultados contribuam para ampliar a compreensão acerca do papel da equipe multiprofissional, incentivando estratégias que promovam melhor assistência e qualidade de vida aos pacientes acometidos pela doença.

Dessa forma, surge o seguinte problema de pesquisa: qual é a importância da atuação da equipe multiprofissional no cuidado ao paciente com diabetes mellitus, especialmente no controle da doença, na prevenção de complicações e na melhoria da qualidade de vida?

Partindo dessa problemática, esta pesquisa tem como objetivo geral analisar a importância da equipe multiprofissional no cuidado ao paciente com diabetes mellitus, destacando sua contribuição para a prevenção de complicações, adesão ao tratamento e promoção da qualidade de vida.

Como objetivos específicos, busca-se identificar as atribuições dos diferentes profissionais de saúde no acompanhamento do paciente diabético; descrever como a atuação integrada da equipe multiprofissional favorece o controle glicêmico e a prevenção de complicações; e avaliar a influência das ações educativas e do acompanhamento contínuo na adesão ao tratamento e no autocuidado.

2. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA

2.1. Atribuições dos Profissionais de Saúde no Acompanhamento do Paciente com Diabetes Mellitus

O diabetes mellitus é uma condição crônica complexa que exige acompanhamento contínuo e abordagem integral, uma vez que envolve fatores metabólicos, comportamentais, emocionais e sociais. Nesse contexto, a atuação isolada de um único profissional torna-se limitada diante das múltiplas demandas apresentadas pelo paciente. Assim, a assistência multiprofissional emerge como estratégia essencial para garantir cuidado mais amplo, humanizado e resolutivo (Camelo et al , 2025).

O médico desempenha papel fundamental no diagnóstico, solicitação de exames, definição terapêutica e monitoramento clínico da doença, avaliando possíveis complicações e ajustando condutas conforme a evolução do quadro. Entretanto, o êxito terapêutico não depende exclusivamente da prescrição medicamentosa, mas da articulação entre diferentes saberes profissionais (Sociedade Brasileira de Diabetes, 2023).

O profissional de saúde, especialmente o enfermeiro, possui relevante função no acompanhamento sistemático, realizando consultas de enfermagem, orientações sobre autocuidado, monitoramento de sinais clínicos e educação em saúde. Além disso, atua na prevenção de complicações por meio do incentivo ao controle glicêmico, cuidado com os pés diabéticos e adesão ao tratamento. Sua proximidade com o paciente favorece vínculo terapêutico e acompanhamento contínuo (Silva et al, 2024).

O nutricionista, por sua vez, contribui diretamente na elaboração de planos alimentares individualizados, considerando necessidades clínicas, condições socioeconômicas, cultura alimentar e preferências pessoais. A alimentação equilibrada constitui um dos pilares do tratamento do diabetes, sendo indispensável para o controle metabólico e prevenção de agravos (American Diabetes Association, 2024).

Também se destaca a atuação do psicólogo, especialmente diante dos impactos emocionais provocados pelo diagnóstico e pelas exigências do tratamento prolongado. Ansiedade, negação, medo e desmotivação podem comprometer a adesão terapêutica, exigindo suporte psicológico adequado. O farmacêutico orienta quanto ao uso correto dos medicamentos, interações e conservação da insulina, enquanto o educador físico auxilia na prescrição segura de atividades corporais compatíveis com cada paciente (Franco; Jesus; Abreu, 2020).

Dessa forma, observa-se que a integração entre diferentes profissionais potencializa resultados terapêuticos e oferece cuidado centrado na pessoa, superando modelos fragmentados de assistência.

2.2. Atuação Integrada da Equipe Multiprofissional no Controle Glicêmico e Prevenção de Complicações

O controle glicêmico adequado representa um dos principais objetivos no manejo do diabetes mellitus, uma vez que níveis persistentemente elevados de glicose sanguínea estão associados ao desenvolvimento de complicações microvasculares e macrovasculares. Entre essas complicações, destacam-se retinopatia, nefropatia, neuropatia, doenças cardiovasculares e amputações, situações que impactam diretamente a qualidade de vida e aumentam a morbimortalidade (Maranhão; Mendes; Santos, 2025).

Nesse cenário, a atuação integrada da equipe multiprofissional favorece acompanhamento mais eficiente e precoce, permitindo intervenções coordenadas e contínuas. Quando os profissionais compartilham informações, estabelecem metas conjuntas e acompanham o paciente de forma articulada, há maior possibilidade de identificar dificuldades terapêuticas e ajustar estratégias conforme as necessidades individuais (Lomes; Felisbino, 2025).

Estudos demonstram que pacientes acompanhados por equipes multiprofissionais apresentam melhores indicadores clínicos, incluindo redução da hemoglobina glicada, melhor controle pressórico, melhora do perfil lipídico e menor incidência de internações relacionadas ao diabetes (International Diabetes Federation, 2023).

Segundo Silva et al (2026) outro aspecto relevante refere-se à prevenção de complicações. O enfermeiro pode identificar precocemente lesões nos pés; o nutricionista auxilia na redução de fatores de risco metabólicos; o médico acompanha alterações sistêmicas; o educador físico promove melhora da sensibilidade insulínica; e o psicólogo trabalha fatores emocionais ligados ao abandono terapêutico. Quando tais ações ocorrem de forma integrada, os resultados tendem a ser mais consistentes.

Além disso, a assistência multiprofissional fortalece a continuidade do cuidado, especialmente na atenção primária à saúde, espaço estratégico para acompanhamento longitudinal do paciente diabético. Tal continuidade permite monitoramento frequente, prevenção de agravos e intervenção precoce diante de alterações clínicas (Carneiro et al, 2025).

2.3. Educação em Saúde, Adesão Ao Tratamento e Promoção do Autocuidado

A adesão ao tratamento do diabetes mellitus constitui um dos maiores desafios enfrentados pelos serviços de saúde. Mesmo com disponibilidade terapêutica, muitos pacientes apresentam dificuldades em seguir orientações relativas ao uso de medicamentos, alimentação saudável, prática de exercícios físicos e monitoramento glicêmico. Tal realidade demonstra que o tratamento vai além da prescrição clínica, exigindo processos educativos permanentes (Batista et al, 2025).

Nesse sentido, a educação em saúde configura-se como ferramenta indispensável no cuidado ao paciente diabético. Por meio dela, o indivíduo compreende melhor sua condição clínica, reconhece fatores de risco, aprende técnicas de autocuidado e desenvolve maior autonomia para tomada de decisões cotidianas. Pacientes informados tendem a participar mais ativamente do tratamento e apresentar melhores resultados clínicos (Brasil, 2022).

A equipe multiprofissional exerce papel central nesse processo educativo. O enfermeiro orienta sobre monitorização glicêmica e cuidados preventivos; o nutricionista ensina escolhas alimentares adequadas; o farmacêutico reforça o uso racional de medicamentos; o educador físico incentiva hábitos ativos; e o psicólogo contribui para enfrentamento emocional e motivação para mudanças comportamentais (Milani et al, 2022).

Além da transmissão de informações, a educação em saúde deve considerar linguagem acessível, escuta qualificada e respeito às singularidades culturais e sociais de cada paciente. Cuidar de pacientes diabéticos, com estratégias impositivas ou descontextualizadas tendem ao fracasso, enquanto abordagens participativas favorecem vínculo e corresponsabilização. Dessa maneira, o paciente passa a compreender melhor sua condição e participa ativamente das decisões terapêuticas (Barcellos et al, 2021).

Outro elemento essencial refere-se ao estímulo do autocuidado. A pessoa com diabetes precisa desenvolver competências para lidar diariamente com a doença, reconhecendo sinais de descompensação, administrando medicamentos corretamente e mantendo hábitos protetores. Quando apoiado por equipe multiprofissional, esse processo torna-se mais efetivo e sustentável. Isso contribui para maior segurança, independência e prevenção de agravos futuros (Silva et al, 2021).

Assim, a educação em saúde associada ao acompanhamento contínuo fortalece a adesão terapêutica, amplia a autonomia e contribui para formação de pacientes mais conscientes, críticos e participativos no cuidado de si mesmos. Consequentemente, observa-se melhora na qualidade de vida e maior efetividade no tratamento (Rodrigues, Pinto, Santos, 2025).

3. METODOLOGIA

O presente estudo caracteriza-se como uma pesquisa de revisão de literatura, de abordagem qualitativa, de natureza descritiva e exploratória, desenvolvida com o propósito de analisar a importância da equipe multiprofissional no cuidado ao paciente com diabetes mellitus.

Neste estudo, buscou-se selecionar publicações atualizadas que abordassem a atuação da equipe multiprofissional no acompanhamento de pessoas com diabetes mellitus, especialmente no que se refere ao controle clínico, adesão terapêutica, prevenção de complicações e promoção da qualidade de vida.

Para a construção do corpus da pesquisa, realizou-se levantamento bibliográfico nas bases de dados Scientific Electronic Library Online (SciELO), Literatura Latino-Americana e do Caribe em Ciências da Saúde (LILACS), Biblioteca Virtual em Saúde (BVS), PubMed e Google Acadêmico, por serem reconhecidas pela relevância científica e ampla indexação de estudos na área da saúde.

A busca ocorreu entre os meses de março e abril de 2026, considerando publicações disponibilizadas no período de 2019 a 2026. Foram utilizados os seguintes descritores em saúde e palavras-chave: “diabetes mellitus”; “equipe multiprofissional”; “assistência ao paciente”; “atenção integral à saúde”; “autocuidado”; “adesão ao tratamento”; “educação em saúde” e “qualidade de vida”.

Os descritores foram combinados por meio dos operadores booleanos AND e OR, com o objetivo de ampliar e refinar os resultados encontrados. Entre as estratégias de busca utilizadas, destacam-se: “diabetes mellitus” AND “equipe multiprofissional”; “diabetes mellitus” AND “adesão ao tratamento”; “diabetes mellitus” AND “educação em saúde”; “equipe multiprofissional” AND “qualidade de vida”; “diabetes mellitus” OR “doença crônica” AND “atenção integral”; “autocuidado” AND “diabetes mellitus”.

Como critérios de inclusão, foram selecionados artigos científicos e diretrizes clínicas e documentos oficiais publicados entre 2019 e 2026, nos idiomas português e inglês, disponíveis na íntegra, gratuitamente, e que apresentassem relação direta com a temática proposta. Como critérios de exclusão, foram desconsideradas publicações duplicadas em mais de uma base de dados, resumos simples, editoriais, cartas ao leitor, trabalhos incompletos, estudos anteriores ao recorte temporal estabelecido, produções sem respaldo científico e materiais que não contemplassem diretamente o tema investigado.

A análise dos dados ocorreu por meio da técnica de análise de conteúdo, possibilitando interpretação crítica e sistematizada das informações extraídas da literatura. Tal procedimento permitiu reunir evidências científicas relevantes acerca da contribuição da equipe multiprofissional para a melhoria da assistência prestada às pessoas com diabetes mellitus.

4. RESULTADOS E DISCUSSÕES

4.1. Diabetes Mellitus Como Desafio Crescente para a Saúde Pública

O diabetes mellitus configura-se como uma das principais doenças crônicas da atualidade, exercendo impacto expressivo sobre indivíduos, famílias e sistemas de saúde. Segundo Andersen et al. (2023), em 2021 havia aproximadamente 537 milhões de adultos vivendo com diabetes no mundo, com projeção de crescimento para 785 milhões até 2045. Esses dados evidenciam a magnitude epidemiológica da doença e reforçam a necessidade de estratégias assistenciais cada vez mais efetivas e sustentáveis.

Além da alta prevalência, o diabetes apresenta forte associação com outras enfermidades crônicas. Andersen et al. (2023) destacam que pessoas com diabetes possuem maior risco de desenvolver comorbidades, como doenças cardiovasculares, doença renal crônica e transtornos mentais, o que amplia a complexidade clínica e assistencial. Essa realidade demonstra que o manejo da doença ultrapassa o simples controle glicêmico, exigindo cuidado integral e contínuo.

No contexto brasileiro, Milani et al. (2022) ressaltam que o diabetes, assim como a hipertensão arterial, representa importante causa de mortalidade, hospitalizações, amputações de membros inferiores e diagnósticos primários em pacientes com insuficiência renal crônica submetidos à diálise. Para os autores, apesar da gravidade do cenário, já existem evidências científicas suficientes para prevenir ou retardar o aparecimento da doença e de suas complicações, desde que haja acesso adequado aos cuidados em saúde.

Corroborando essa discussão, Zhuang et al. (2025) afirmam que o envelhecimento populacional tem contribuído significativamente para o aumento da incidência de diabetes mellitus tipo 2 entre idosos. Nessa população, tornam-se frequentes dificuldades no controle glicêmico e o surgimento de complicações como doenças cardiovasculares, insuficiência renal e retinopatia. Tais elementos reforçam que o diabetes constitui problema multifacetado, especialmente em grupos mais vulneráveis.

Diante desse panorama, torna-se evidente que o diabetes mellitus representa não apenas uma condição clínica individual, mas um importante desafio coletivo de saúde pública, exigindo reorganização dos modelos assistenciais e fortalecimento das ações preventivas e terapêuticas.

4.2. A Importância da Equipe Multiprofissional no Cuidado Integral Ao Paciente Diabético

Considerando a natureza multifatorial do diabetes mellitus, abordagens centradas exclusivamente no tratamento medicamentoso mostram-se insuficientes para responder às demandas reais dos pacientes. Sousa e Andrade (2021) destacam que o tratamento da doença está profundamente relacionado às mudanças no estilo de vida, o que envolve alimentação saudável, prática de atividade física, adesão terapêutica e apoio emocional. Segundo os autores, tais mudanças dificilmente ocorrem sem acolhimento adequado e suporte multiprofissional.

Na mesma direção, Ahmed et al. (2024) afirmam que o manejo do diabetes enfrenta desafios relacionados tanto ao paciente quanto aos profissionais de saúde, incluindo a chamada inércia clínica, caracterizada pelo atraso na intensificação terapêutica diante do controle glicêmico inadequado. Para superar esse problema, os autores defendem o Modelo de Atenção às Condições Crônicas, no qual o cuidado é organizado por equipes compostas por nutricionistas, enfermeiros, farmacêuticos e outros profissionais, promovendo intervenções coordenadas e mais resolutivas.

Esse entendimento dialoga com Najmi et al. (2023), ao evidenciarem que equipes multidisciplinares inseridas em modelos de cuidado integrado possuem potencial para melhorar resultados clínicos e aumentar a eficiência dos sistemas de saúde. A atuação conjunta de diferentes categorias profissionais favorece assistência abrangente, especialmente em pacientes com necessidades complexas, como ocorre no diabetes mellitus. Ademais, essa integração contribui para decisões terapêuticas mais rápidas e alinhadas às reais necessidades do paciente.

Sob essa perspectiva, a equipe multiprofissional amplia o olhar sobre o paciente, contemplando dimensões biológicas, emocionais, sociais e comportamentais. O médico acompanha a evolução clínica; o enfermeiro fortalece o vínculo e o monitoramento contínuo; o nutricionista intervém nos hábitos alimentares; o farmacêutico auxilia no uso racional de medicamentos; o psicólogo oferece suporte emocional; e o educador físico estimula práticas corporais seguras. Assim, o cuidado torna-se mais humanizado, individualizado e eficaz. Assim, o cuidado torna-se mais humanizado, individualizado e eficaz. Tal abordagem favorece não apenas o tratamento da doença, mas também a promoção global da saúde.

4.3. Educação em Saúde, Prevenção de Complicações e Qualidade de Vida

Outro aspecto amplamente discutido na literatura refere-se ao papel educativo da equipe multiprofissional. Carvalho et al. (2022) ressaltam que esses profissionais devem atuar na prevenção por meio de práticas educativas, estratégias de rastreamento, esclarecimento de dúvidas e incentivo à melhoria dos hábitos de vida relacionados ao autocuidado. Embora o estudo enfatize contextos específicos, sua contribuição evidencia a relevância da educação em saúde para diferentes perfis de pacientes com diabetes.

De forma complementar, Gomes, Lopes e Alvim (2021) afirmam que as orientações realizadas pela equipe multidisciplinar nas unidades de saúde são fundamentais para que os pacientes compreendam a necessidade de hábitos saudáveis, tanto para controlar doenças já existentes quanto para prevenir novos agravos. Segundo os autores, muitos indivíduos somente reconhecem a gravidade da doença após o surgimento de complicações, o que reforça a importância de ações educativas precoces e contínuas.

Esses achados demonstram que a educação em saúde não se limita à transmissão de informações, mas envolve sensibilização, construção de autonomia e corresponsabilização do paciente pelo próprio tratamento. Quando bem conduzida, favorece adesão terapêutica, monitoramento adequado da glicemia, prevenção de lesões e maior segurança no cotidiano.

Além disso, a promoção do autocuidado repercute diretamente na qualidade de vida, pois possibilita maior independência funcional, redução de internações e melhor adaptação às exigências impostas pela condição crônica. Apesar dos benefícios observados, a literatura também aponta obstáculos à efetividade do trabalho em equipe. Tan et al. (2020) reconhecem que o modelo multidisciplinar melhora os resultados do tratamento e contribui para prevenir ou reduzir complicações do diabetes. Contudo, alertam que a baixa interação entre os profissionais pode comprometer a qualidade da assistência, tornando o modelo contraproducente quando não há integração real entre os membros da equipe.

Najmi et al. (2023) igualmente destacam entraves relacionados à comunicação interna, uso inadequado de tecnologias e dificuldades na dinâmica grupal, especialmente em serviços com recursos limitados. Tais aspectos demonstram que a simples presença de diferentes profissionais não garante cuidado integrado.

5. CONSIDERAÇÕES FINAIS

O presente estudo possibilitou compreender que a atuação da equipe multiprofissional no cuidado ao paciente com diabetes mellitus constitui elemento essencial para a promoção de uma assistência integral, humanizada e resolutiva. Considerando que o diabetes é uma condição crônica complexa, marcada por múltiplos fatores clínicos, comportamentais e sociais, verificou-se que abordagens isoladas tendem a ser insuficientes diante das demandas apresentadas pelos pacientes.

Em resposta ao problema de pesquisa proposto, conclui-se que a equipe multiprofissional exerce papel decisivo no controle da doença, na prevenção de complicações e na melhoria da qualidade de vida das pessoas acometidas pelo diabetes mellitus. A integração entre diferentes profissionais favorece acompanhamento contínuo, intervenções complementares, fortalecimento do autocuidado e maior adesão ao tratamento, ampliando as possibilidades de sucesso terapêutico.

Quanto aos objetivos estabelecidos, considera-se que foram plenamente atingidos. Foi possível identificar as atribuições dos diversos profissionais de saúde no acompanhamento do paciente diabético, evidenciando a importância de competências específicas e complementares. Também se constatou que a atuação integrada contribui significativamente para o controle glicêmico e para a redução de complicações crônicas. Além disso, verificou-se que ações educativas e acompanhamento sistemático influenciam positivamente a adesão terapêutica, a autonomia do paciente e a adoção de hábitos de vida mais saudáveis.

Conclui-se que as principais contribuições teóricas deste trabalho, destaca-se o reforço da compreensão do cuidado multiprofissional como estratégia indispensável no enfrentamento das doenças crônicas. No campo prático, os achados podem subsidiar gestores, profissionais de saúde e instituições no planejamento de ações interdisciplinares voltadas ao atendimento de pessoas com diabetes mellitus, especialmente nos serviços de atenção primária à saúde.

Como limitação do estudo, ressalta-se o fato de se tratar de uma revisão de literatura, dependente das produções científicas já publicadas e dos recortes metodológicos adotados pelos estudos selecionados. Dessa forma, sugere-se que futuras pesquisas desenvolvam investigações de campo, estudos comparativos e análises quantitativas que avaliem os impactos concretos da assistência multiprofissional nos indicadores clínicos e na satisfação dos pacientes.

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1 Docente do Curso Superior de Curso Superior de Medicina do Instituto Unieuro. Campus L4 Sul. E-mail: [clique para visualizar o e-mail]acesse o artigo original para visualizar o e-mail 

2 Nutricionista. Uniceplac. E-mail: [clique para visualizar o e-mail]acesse o artigo original para visualizar o e-mail 

3 Estudante de Medicina do Instituto Unieuro. Campus L4 Sul. E-mail: [clique para visualizar o e-mail]acesse o artigo original para visualizar o e-mail 

4 Estudante de Medicina do Instituto Unieuro. Campus L4 Sul. E-mail: bruna [clique para visualizar o e-mail]acesse o artigo original para visualizar o e-mail 

5 Estudante de Medicina do Instituto Unieuro. Campus L4 Sul. E-mail: [clique para visualizar o e-mail]acesse o artigo original para visualizar o e-mail

6 Estudante de Medicina do Instituto Unieuro. Campus L4 Sul. E-mail: [clique para visualizar o e-mail]acesse o artigo original para visualizar o e-mail