REGISTRO DOI: 10.70773/revistatopicos/792674414
RESUMO
Este estudo analisou os impactos do abuso sexual infantil nas relações interpessoais na vida adulta, considerando vínculos afetivos e sociais, estratégias de enfrentamento e implicações para o cuidado psicológico. Trata-se de uma revisão narrativa da literatura, composta por 12 artigos publicados entre 2016 e 2026, selecionados conforme sua pertinência ao problema de pesquisa. Os estudos evidenciaram repercussões relacionadas à confiança, intimidade, apego, comunicação, regulação emocional, sexualidade e satisfação nos relacionamentos. Também foram identificados fatores capazes de minimizar esses efeitos, como mentalização, estabelecimento de limites, apoio do parceiro, comunicação e construção de vínculos seguros. Os achados indicam que essas repercussões não são homogêneas nem determinantes, variando conforme características individuais e recursos relacionais disponíveis. Conclui-se que o acompanhamento psicológico e o fortalecimento de recursos socioemocionais podem favorecer a ressignificação do trauma, a reconstrução da confiança e o desenvolvimento de relações mais saudáveis na vida adulta.
Palavras-chave: Abuso sexual infantil; Relações interpessoais; Trauma psicológico; Psicologia.
ABSTRACT
This study analyzed the impacts of childhood sexual abuse on interpersonal relationships in adulthood, considering affective and social bonds, coping strategies, and implications for psychological care. This is a narrative literature review comprising 12 articles published between 2016 and 2026, selected according to their relevance to the research problem. The studies identified repercussions related to trust, intimacy, attachment, communication, emotional regulation, sexuality, and relationship satisfaction. Factors capable of reducing these effects were also identified, including mentalization, boundary setting, partner support, communication, and the development of secure bonds. The findings indicate that these repercussions are neither homogeneous nor deterministic, varying according to individual characteristics and available relational resources. It is concluded that psychological support and the strengthening of socioemotional resources may promote trauma re-elaboration, the rebuilding of trust, and the development of healthier relationships in adulthood.
Keywords: Child sexual abuse; Interpersonal relations; Psychological trauma; Psychology.
1. INTRODUÇÃO
O abuso sexual infantil é uma das expressões mais graves de violência contra a criança, por comprometer sua integridade física, emocional, psíquica e relacional. A Organização Mundial da Saúde inclui o abuso sexual entre as formas de maus-tratos infantis capazes de produzir danos à saúde, ao desenvolvimento e à dignidade, com consequências de curto e longo prazo. Para além da dimensão criminal, trata-se de um problema de saúde e de proteção de direitos que demanda atuação articulada entre diferentes setores. Revisões recentes também apontam repercussões psicológicas, físicas, sexuais e sociais que podem persistir ao longo da vida (Organização Mundial da Saúde, 2026; Cruz et al., 2021).
O reconhecimento da violência sexual contra crianças como violação de direitos é relativamente recente. Conforme Ariès (1981) e Rizzini (2008), a consolidação da criança como sujeito de direitos está relacionada a transformações sociais e históricas que modificaram a forma de compreender a infância. No Brasil, a Constituição Federal de 1988 estabeleceu a proteção integral e a responsabilidade compartilhada da família, da sociedade e do Estado, perspectiva posteriormente consolidada pelo Estatuto da Criança e do Adolescente (Brasil, 1988; Brasil, 1990). A Lei nº 13.431/2017 organizou o sistema de garantia de direitos da criança e do adolescente vítima ou testemunha de violência e instituiu procedimentos como a escuta especializada e o depoimento especial (Brasil, 2017).
Apesar dos avanços normativos, a violência sexual contra crianças e adolescentes permanece uma realidade expressiva no país. Nos quatro primeiros meses de 2023, o Disque 100 registrou 9,5 mil denúncias e 17,5 mil violações de natureza sexual contra crianças e adolescentes; quase 14 mil dessas violações ocorreram na casa da vítima, do suspeito ou de familiares (Brasil, 2023). A Organização Mundial da Saúde também ressalta que os maus-tratos infantis frequentemente permanecem ocultos e que apenas uma parcela das vítimas chega aos serviços formais de apoio (Organização Mundial da Saúde, 2026).
As repercussões do abuso sexual infantil são influenciadas por múltiplos fatores e não se apresentam de forma uniforme entre os sobreviventes. Características da experiência abusiva, estratégias de enfrentamento, emoções e cognições associadas ao trauma, mecanismos de resposta ao estresse e aspectos do funcionamento sexual podem interferir na maneira como seus efeitos se manifestam na vida adulta (Krindges; Macedo; Habigzang, 2016). Além disso, fatores familiares, relacionais, comunitários e sociais podem aumentar a vulnerabilidade à violência e influenciar as condições de proteção disponíveis às crianças (Organização Mundial da Saúde, 2026).
A revelação da violência pode constituir um processo complexo, sobretudo quando o abuso ocorre em contexto familiar ou envolve pessoas próximas à criança. Medo, silêncio e dificuldades para comunicar a experiência podem acompanhar a vítima e repercutir posteriormente em seu modo de estabelecer relações e buscar apoio. Entre mulheres adultas que sofreram abuso sexual na infância, foram descritos prejuízos no convívio familiar e sofrimento emocional persistente, reforçando a necessidade de acolhimento sensível à história de violência (Lira et al., 2017).
As repercussões psicológicas podem acompanhar a vítima por diferentes períodos da vida. A literatura descreve associação com depressão, ansiedade, estresse pós-traumático, baixa autoestima, comportamentos autodestrutivos e dificuldades relacionadas à sexualidade e ao convívio social. Revisões também identificam consequências psicológicas, físicas, sexuais e sociais que podem persistir na vida adulta (Organização Mundial da Saúde, 2026; Lira et al., 2017; Cruz et al., 2021; Wolbert; Alexandrino; Kind, 2024).
Além dessas manifestações, o abuso pode interferir na constituição psíquica, na percepção de si e na capacidade de estabelecer vínculos afetivos seguros. Freud (1996), em texto originalmente publicado em 1920, discutiu a permanência de efeitos associados às experiências traumáticas, enquanto Bowlby (1989) ressaltou a importância dos vínculos seguros para o desenvolvimento da confiança. Estudos recentes reforçam essa relação ao identificar maior ansiedade e evitação no apego, menor competência socioemocional, menor intimidade e menor autorrevelação entre adultos com histórico de abuso sexual infantil (Pastor-Cerezo; Iborra Cuéllar, 2026).
O abuso sexual infantil não se restringe, portanto, a um ato isolado de violência, pois suas repercussões podem alcançar diferentes formas de convivência. Dificuldades no relacionamento familiar, na comunicação, na confiança e na intimidade aparecem em estudos com sobreviventes e em revisões voltadas às relações adultas, indicando que o trauma pode repercutir tanto nos vínculos afetivos quanto nas relações sociais estabelecidas posteriormente (Lira et al., 2017; Nielsen et al., 2018; Cruz et al., 2021).
No Brasil, a proteção de crianças e adolescentes vítimas ou testemunhas de violência é respaldada por mecanismos legais que buscam reduzir a revitimização e qualificar a escuta e o atendimento (Brasil, 2017). Na vida adulta, os achados da literatura indicam que o cuidado precisa considerar não apenas manifestações emocionais decorrentes do trauma, mas também seus efeitos sobre confiança, comunicação, intimidade e satisfação nos relacionamentos. Esse conhecimento pode orientar intervenções e práticas de cuidado mais sensíveis às dificuldades relacionais dos sobreviventes (Nielsen et al., 2018; Lassri; Gewirtz-Meydan, 2025).
A partir desses pressupostos, compreende-se que o abuso sexual infantil pode comprometer a construção da confiança e gerar dificuldades nas relações interpessoais na vida adulta. Seus efeitos, entretanto, não se manifestam de forma idêntica em todos os indivíduos. Comunicação, regulação emocional, capacidade de mentalização, estabelecimento de limites, apoio do parceiro e construção gradual de vínculos seguros aparecem como recursos que podem favorecer experiências relacionais mais satisfatórias (Petersson; Plantin, 2024; Lassri; Gewirtz-Meydan, 2025; Canoy, 2025).
O presente estudo se faz necessário pela recorrência do abuso sexual infantil e pelas repercussões que podem permanecer nas relações estabelecidas ao longo da vida. Para a Psicologia, compreender esses impactos é relevante porque o sofrimento decorrente da violência pode se manifestar não apenas em sintomas individuais, mas também na forma como a pessoa estabelece confiança, comunica necessidades e vivencia proximidade emocional. A investigação do tema pode contribuir para práticas de acolhimento, intervenção e prevenção mais sensíveis às necessidades dos sobreviventes. A Organização Mundial da Saúde destaca, entre as estratégias de prevenção, ações educativas sobre consentimento, reconhecimento de situações de abuso, busca de ajuda e fortalecimento das respostas de proteção (Organização Mundial da Saúde, 2026).
Nesse contexto, formula-se o seguinte problema de pesquisa: quais são os impactos do abuso sexual infantil na construção e manutenção das relações interpessoais de adultos que sofreram esse tipo de violência? Para tanto, esta pesquisa tem como objetivo analisar, por meio de uma revisão narrativa da literatura, a produção científica acerca dos impactos do abuso sexual infantil na construção e manutenção das relações interpessoais de adultos que sofreram esse tipo de violência. Especificamente, busca analisar de que modo as experiências de abuso sexual interferem na formação de vínculos afetivos e sociais, identificar estratégias de enfrentamento e fatores que podem minimizar o impacto do abuso na vida relacional e discutir o papel da Psicologia no acolhimento e na intervenção junto às vítimas de abuso sexual infantil.
2. METODOLOGIA
Trata-se de uma revisão narrativa da literatura, desenvolvida com a finalidade de reunir, analisar e discutir a produção científica relacionada aos impactos do abuso sexual infantil na construção e manutenção das relações interpessoais na vida adulta. A revisão buscou proporcionar uma compreensão abrangente do fenômeno, considerando diferentes perspectivas e contribuições da literatura pertinentes ao problema e aos objetivos estabelecidos nesta pesquisa.
A seleção dos estudos foi orientada pelo problema de pesquisa apresentado, considerando-se a contribuição dos trabalhos para a compreensão das repercussões do abuso sexual ocorrido na infância sobre os vínculos afetivos, sociais e interpessoais estabelecidos na vida adulta. Dessa forma, não foi adotada uma estratégia rígida de busca baseada em combinação fixa de descritores, uma vez que o critério central para a seleção dos artigos foi sua pertinência à questão investigada.
As buscas foram realizadas entre setembro e outubro de 2026 em diferentes bases de dados e fontes científicas de acesso eletrônico consultadas durante o levantamento bibliográfico. A pesquisa não ficou restrita a um conjunto previamente delimitado de bases de dados, descritores ou combinações fixas de termos, sendo considerados artigos que apresentassem contribuição direta para responder ao problema de pesquisa e para alcançar os objetivos propostos.
Foram considerados para composição da revisão artigos publicados entre 2016 e 2026, disponibilizados na íntegra, nos idiomas português e inglês, que apresentassem relação direta com o problema de pesquisa e contribuíssem para a compreensão dos impactos do abuso sexual infantil nas relações interpessoais na vida adulta. Foram excluídos trabalhos duplicados, teses, dissertações, capítulos de livros, produções acadêmicas que não se apresentassem na forma de artigo científico e estudos que, após a leitura dos títulos, resumos ou textos completos, não demonstrassem relação direta com o objeto investigado.
As informações dos artigos selecionados foram organizadas em uma planilha elaborada no Excel, contendo a identificação do artigo, título, data de publicação, autores e objetivo principal. A análise foi conduzida com base na proposta de Bardin (2016), permitindo a organização e interpretação dos achados de acordo com os aspectos considerados relevantes para responder ao problema investigado.
3. RESULTADOS E DISCUSSÃO
A revisão narrativa reuniu 12 artigos publicados entre 2016 e 2026, selecionados por sua pertinência ao problema de pesquisa e por contribuírem para a compreensão dos impactos do abuso sexual infantil nas relações interpessoais na vida adulta. Os estudos abordaram, em diferentes perspectivas metodológicas, repercussões relacionadas aos vínculos afetivos e sociais, intimidade, regulação emocional, sexualidade e fatores que podem favorecer ou dificultar relações interpessoais saudáveis. A caracterização dos trabalhos selecionados é apresentada na Tabela 1, a seguir.
Tabela 1. Caracterização dos artigos selecionados para a revisão narrativa
Nome do artigo | Ano de publicação | Autores | Principal objetivo do artigo |
Abuso sexual na infância e suas repercussões na satisfação sexual na idade adulta de mulheres vítimas | 2016 | Cris Aline Krindges; Davi Manzini Macedo; Luísa Fernanda Habigzang | Revisar a literatura sobre abuso sexual na infância e suas repercussões na satisfação sexual de mulheres adultas, discutindo fatores que podem mediar os efeitos do trauma sobre a sexualidade e a capacidade de estabelecer e manter relações íntimas saudáveis. |
Abuso sexual na infância e suas repercussões na vida adulta | 2017 | Margaret Olinda de Souza Carvalho e Lira; Vanda Palmarella Rodrigues; Adriana Diniz Rodrigues; Telmara Menezes Couto; Nadirlene Pereira Gomes; Normélia Maria Freire Diniz | Compreender as repercussões do abuso sexual sofrido na infância na vida adulta de mulheres, incluindo consequências emocionais, familiares, sexuais e relacionais. |
Undetected scars? Self-criticism, attachment, and romantic relationships among otherwise well-functioning childhood sexual abuse survivors | 2018 | Dana Lassri; Patrick Luyten; Peter Fonagy; Golan Shahar | Investigar o impacto do abuso sexual infantil em relacionamentos românticos não violentos de mulheres adultas, examinando o papel da autocrítica e da evitação de apego na satisfação com o relacionamento. |
Regulação emocional, satisfação sexual e comportamento sexual de risco em mulheres vítimas de abuso sexual na infância | 2018 | Cris Aline Krindges; Luísa Fernanda Habigzang | Investigar regulação emocional, satisfação sexual e comportamento sexual de risco em mulheres com histórico de abuso sexual na infância, considerando também aspectos dos relacionamentos amorosos e sexuais. |
A Scoping Review of Challenges in Adult Intimate Relationships After Childhood Sexual Abuse | 2018 | Ben Farid Røjgaard Nielsen; Gitte Wind; Tine Tjørnhøj-Thomsen; Bente Martinsen | Gerar e sintetizar conhecimento sobre como o abuso sexual infantil se manifesta nos relacionamentos íntimos na vida adulta, com foco em satisfação relacional, satisfação sexual, comunicação e confiança. |
Repercussões do abuso sexual vivenciado na infância e adolescência: revisão integrativa | 2021 | Moniky Araújo da Cruz; Nadirlene Pereira Gomes; Luana Moura Campos; Fernanda Matheus Estrela; Maria Carolina Ortiz Whitaker; Josinete Gonçalves dos Santos Lírio | Identificar as repercussões do abuso sexual vivenciado na infância e adolescência, incluindo consequências psicológicas, sexuais e sociais que podem persistir na vida adulta e interferir nas relações interpessoais. |
Childhood Sexual Abuse and Relationship Satisfaction: The Moderating Role of PTSD and Sexual-Related Posttraumatic Stress Symptoms | 2023 | Narges Evon Abu-Raya; Ateret Gewirtz-Meydan | Examinar a relação entre abuso sexual infantil e satisfação em relacionamentos românticos adultos, avaliando o papel moderador do transtorno de estresse pós-traumático e de sintomas pós-traumáticos relacionados à sexualidade. |
Overcoming Challenges of Intimacy: Male Child Sexual Abuse Survivors’ Experiences of Achieving Healthy Romantic Relationships in Sweden | 2024 | Charlotte C. Petersson; Lars Plantin | Explorar como homens adultos sobreviventes de abuso sexual infantil percebem, vivenciam e desenvolvem intimidade em relacionamentos românticos, incluindo dificuldades e fatores que favorecem confiança e relações saudáveis. |
Abuso sexual infantil e consequências na vida da mulher adulta: revisão sistemática | 2024 | Lígia Wolbert; Izabela Ornelas Alexandrino; Luciana Kind | Analisar criticamente estudos sobre consequências sexuais e psicológicas do abuso sexual infantil na vida de mulheres adultas, incluindo impactos sobre relações pessoais, relações sexuais e autoimagem. |
Breaking the cycle: Mentalizing moderates and mediates the link between childhood sexual abuse and satisfaction with adult romantic relationships | 2025 | Dana Lassri; Ateret Gewirtz-Meydan | Investigar se dificuldades de mentalização explicam a associação entre abuso sexual infantil e menor satisfação em relacionamentos românticos adultos e se uma mentalização mais robusta atua como fator de proteção. |
Love of the Lotus: Exploring Romantic Relationships Among Adult Survivors of Childhood Sexual Abuse | 2025 | Charles Frederick M. Canoy | Explorar as experiências de adultos sobreviventes de abuso sexual infantil em relacionamentos românticos de longa duração, identificando desafios, estratégias de enfrentamento e fatores relacionais associados à confiança, intimidade, comunicação e resiliência. |
From Trauma to Bonding: the Role of Attachment in the Relationship Between Child Sexual Abuse and Adult Intimacy | 2026 | Vanesa Pastor-Cerezo; Alejandro Iborra Cuéllar | Comparar apego adulto e intimidade entre pessoas com e sem histórico de abuso sexual infantil e investigar em que medida dimensões do apego ajudam a explicar as dificuldades de intimidade na vida adulta. |
Fonte: Próprios autores, 2026.
Os artigos selecionados apresentam diversidade metodológica, o que permitiu observar o fenômeno tanto a partir de experiências narradas pelos participantes quanto por meio de medidas de satisfação relacional, apego, intimidade e regulação emocional. Quatro trabalhos correspondem a revisões da literatura, enquanto oito são estudos empíricos, distribuídos entre abordagens qualitativas, quantitativas e mistas.
As pesquisas qualitativas trabalharam com grupos reduzidos, como os cinco participantes de Canoy (2025) e os dez homens entrevistados por Petersson e Plantin (2024), enquanto os estudos quantitativos alcançaram amostras mais amplas, com 529 participantes em Abu-Raya e Gewirtz-Meydan (2023), 587 em Pastor-Cerezo e Iborra Cuéllar (2026) e 667 em Lassri e Gewirtz-Meydan (2025). Entre esses extremos, também foram encontrados estudos com amostras menores e mais específicas, como as oito mulheres avaliadas por Krindges e Habigzang (2018) e as 59 participantes acompanhadas por Lassri et al. (2018). Essa variação é compatível com os diferentes objetivos dos estudos e impede que os números sejam comparados como se representassem uma mesma população.
A participação feminina foi mais frequente no conjunto das pesquisas. Alguns estudos empíricos incluíram exclusivamente mulheres, como os de Lira et al. (2017), Lassri et al. (2018) e Krindges e Habigzang (2018), enquanto outros utilizaram amostras compostas por homens e mulheres. No estudo de Pastor-Cerezo e Iborra Cuéllar (2026), por exemplo, 81,1% dos 587 participantes eram mulheres e, entre aqueles que relataram abuso sexual infantil, a proporção feminina foi ainda maior. Em contrapartida, Petersson e Plantin (2024) investigaram especificamente homens adultos, oferecendo uma perspectiva menos frequente na literatura selecionada. Esse predomínio feminino precisa ser considerado na interpretação dos achados, porque parte importante do conhecimento disponível reflete de maneira mais intensa a experiência das mulheres sobreviventes.
Quanto à idade, todos os estudos empíricos analisaram participantes adultos, mas em momentos distintos do ciclo de vida. Algumas pesquisas se concentraram em adultos jovens, enquanto outras incluíram faixas etárias mais amplas. No estudo de Pastor-Cerezo e Iborra Cuéllar (2026), 247 participantes tinham até 24 anos e 338 tinham mais de 24 anos, demonstrando a presença de diferentes etapas da vida adulta em uma mesma amostra. Já o estudo de Petersson e Plantin (2024) reuniu homens maiores de 18 anos e discutiu experiências relacionais construídas ao longo da trajetória adulta. Essa amplitude etária é relevante porque sugere que as repercussões relacionais do abuso sexual infantil podem permanecer presentes em diferentes períodos da vida, embora os estudos não permitam estabelecer um padrão único de evolução desses efeitos ao longo da idade.
Apesar das diferenças de método, composição das amostras, gênero e faixa etária, os estudos convergem em torno de alguns pontos recorrentes: dificuldades de confiança e intimidade, alterações nos padrões de apego, menor satisfação em relacionamentos, problemas de regulação emocional e repercussões sobre a sexualidade e o convívio social. Ao mesmo tempo, parte das pesquisas mostra que esses efeitos não são homogêneos nem inevitáveis, pois recursos como apoio do parceiro, comunicação, regulação emocional e construção de vínculos seguros aparecem associados a melhores experiências relacionais. Esses achados orientaram a organização temática da discussão apresentada nas categorias subsequentes.
3.1. Aspectos Afetivos e Sociais
Os resultados evidenciam que as repercussões do abuso sexual infantil podem alcançar diretamente a maneira como o indivíduo estabelece, percebe e mantém vínculos afetivos na vida adulta. Entre os aspectos mais recorrentes estão dificuldades relacionadas à confiança, intimidade, segurança emocional e satisfação nos relacionamentos. Essas manifestações sugerem que a experiência traumática pode comprometer não apenas a relação com o outro, mas também a percepção de segurança necessária para que vínculos afetivos sejam construídos e sustentados. A presença de ansiedade e evitação no apego, menor intimidade e dificuldades de comunicação observadas nos estudos reforçam essa associação entre experiências traumáticas precoces e funcionamento relacional posterior. (Nielsen et al., 2018; Lassri et al., 2018; Pastor-Cerezo; Iborra Cuéllar, 2026).
A dificuldade de confiar aparece como um elemento particularmente importante para compreender os impactos afetivos do abuso. Quando a violência ocorre durante uma etapa da vida em que as relações deveriam favorecer proteção e segurança, a experiência pode contribuir para que a proximidade emocional seja posteriormente vivenciada de forma ambivalente. Assim, o desejo de estabelecer vínculos pode coexistir com receio de exposição, abandono ou vitimização, resultando em afastamento emocional ou maior cautela nas relações. Entre pessoas com histórico de abuso, foram observados níveis mais elevados de ansiedade e evitação no apego, além de menor disposição para revelar aspectos relacionados à própria personalidade e ao corpo. (Lassri et al., 2018; Pastor-Cerezo; Iborra Cuéllar, 2026).
Essas dificuldades também se manifestam na construção da intimidade. Os estudos mostram que a proximidade afetiva pode ser desejada pelos sobreviventes e, ao mesmo tempo, despertar medo, desconforto ou necessidade de maior controle nas relações. Dificuldades de comunicação, receio de revelar experiências passadas e sentimentos de vergonha podem tornar a aproximação emocional mais complexa após o trauma. Isso, entretanto, não significa incapacidade de estabelecer relacionamentos, mas indica que a construção de vínculos pode depender de condições de maior segurança, respeito e previsibilidade. Relações marcadas por confiança, reciprocidade, empatia e aceitação favorecem o desenvolvimento gradual da intimidade e da proximidade emocional. (Nielsen et al., 2018; Petersson; Plantin, 2024; Canoy, 2025).
Os impactos afetivos não se limitam à confiança e ao apego. Alterações emocionais como baixa autoestima, sentimentos negativos sobre si, depressão, vergonha, dificuldade de regulação emocional e sintomas relacionados ao trauma podem repercutir diretamente na qualidade das interações interpessoais. Quando essas manifestações permanecem ao longo da vida, elas podem dificultar a comunicação de necessidades, a resolução de conflitos e a capacidade de vivenciar proximidade emocional de maneira satisfatória. Os achados também mostram que sintomas pós-traumáticos relacionados à sexualidade apresentam associação significativa com menor satisfação nos relacionamentos, demonstrando que o sofrimento decorrente da violência pode continuar interferindo no bem-estar relacional mesmo muitos anos após sua ocorrência. (Lira et al., 2017; Krindges; Habigzang, 2018; Cruz et al., 2021; Abu-Raya; Gewirtz-Meydan, 2023).
No campo das relações sociais e familiares, os estudos também apontam repercussões que ultrapassam o relacionamento amoroso. Dificuldades de convivência familiar, isolamento, problemas na comunicação e fragilidade na percepção de apoio podem ampliar os efeitos do trauma e dificultar a formação de redes de suporte. Nesse sentido, a qualidade das relações construídas posteriormente pode desempenhar papel importante tanto na continuidade do sofrimento quanto na possibilidade de sua ressignificação. A presença de pessoas capazes de acolher, acreditar e responder de forma empática às experiências relatadas pode oferecer condições distintas daquelas presentes no contexto original da violência. (Lira et al., 2017; Cruz et al., 2021; Petersson; Plantin, 2024).
Ao mesmo tempo, os resultados não indicam uma relação determinista entre abuso sexual infantil e incapacidade de manter vínculos saudáveis. Estudos apontam que fatores como mentalização, comunicação, regulação emocional, suporte do parceiro e construção gradual da confiança podem reduzir os impactos do trauma e favorecer relações baseadas em respeito, apoio e reciprocidade. Assim, a literatura evidencia não apenas prejuízos, mas também possibilidades de reconstrução dos vínculos afetivos. (Lassri; Gewirtz-Meydan, 2025; Petersson; Plantin, 2024; Canoy, 2025).
Essa perspectiva evita compreender o sobrevivente apenas a partir do trauma. Embora exista maior vulnerabilidade para dificuldades afetivas e sociais, seus efeitos variam conforme características individuais, da experiência de abuso e dos recursos relacionais disponíveis. O abuso pode fragilizar confiança, segurança emocional, intimidade e regulação das emoções, enquanto relações protetivas e competências socioemocionais podem favorecer trajetórias relacionais mais satisfatórias. (Krindges; Habigzang, 2018; Nielsen et al., 2018; Lassri; Gewirtz-Meydan, 2025; Pastor-Cerezo; Iborra Cuéllar, 2026).
3.2. Estratégias de Enfrentamento e Fatores de Proteção na Vida Relacional
Os estudos mostram que as repercussões do abuso sexual infantil sobre a vida relacional podem ser influenciadas pelos recursos desenvolvidos posteriormente para lidar com o trauma. Entre os fatores associados a melhores condições relacionais destacam-se a regulação emocional, a capacidade de compreender os próprios estados mentais, o estabelecimento de limites, a comunicação e a presença de relações baseadas em confiança e apoio. Esses elementos não eliminam os efeitos da experiência vivida, mas podem diminuir sua interferência na construção e manutenção dos vínculos na idade adulta. (Krindges; Habigzang, 2018; Petersson; Plantin, 2024; Lassri; Gewirtz-Meydan, 2025).
Entre os recursos individuais, a regulação emocional e a mentalização assumem papel relevante. Dificuldades para reconhecer e manejar emoções podem intensificar conflitos, favorecer o afastamento e dificultar situações de proximidade afetiva. Por outro lado, compreender melhor os próprios sentimentos e interpretar os estados emocionais do outro pode facilitar respostas menos condicionadas pelo medo e pela insegurança associados às experiências anteriores. A mentalização, nesse sentido, mostrou-se relacionada a maior proteção da satisfação nos relacionamentos amorosos. (Krindges; Habigzang, 2018; Lassri; Gewirtz-Meydan, 2025).
Os recursos relacionais também se mostraram importantes. Relações caracterizadas por empatia, respeito, reciprocidade e apoio podem proporcionar maior sensação de segurança e favorecer a reconstrução gradual da confiança. A presença de um parceiro acolhedor, capaz de compreender dificuldades relacionadas à intimidade e respeitar o ritmo do sobrevivente, aparece como condição que pode contribuir para experiências afetivas distintas daquelas associadas ao trauma. (Petersson; Plantin, 2024; Canoy, 2025).
Nesse processo, comunicação e estabelecimento de limites funcionam como estratégias importantes para a manutenção dos vínculos. A possibilidade de expressar desconfortos, necessidades e receios, bem como de revelar experiências anteriores em um contexto percebido como seguro, pode favorecer maior previsibilidade nas relações e reduzir dificuldades relacionadas à proximidade emocional. Assim, o diálogo não atua apenas como forma de comunicação, mas também como recurso para construção de confiança e negociação dos limites individuais. (Nielsen et al., 2018; Petersson; Plantin, 2024; Canoy, 2025).
Dessa forma, os estudos indicam que o enfrentamento das repercussões relacionais do abuso envolve tanto recursos pessoais quanto condições presentes nos vínculos estabelecidos posteriormente. Regulação emocional, mentalização, comunicação, limites e relações de apoio podem contribuir para que o trauma tenha menor influência sobre a vida afetiva. Esses fatores não apagam a experiência vivida, mas ampliam as possibilidades de construção de relações mais seguras e satisfatórias ao longo da vida adulta. (Krindges; Habigzang, 2018; Lassri; Gewirtz-Meydan, 2025; Petersson; Plantin, 2024).
3.3. Implicações para o Cuidado Psicológico e Reconstrução dos Vínculos
Os resultados indicam que o cuidado psicológico de adultos com histórico de abuso sexual infantil precisa considerar não apenas manifestações emocionais decorrentes do trauma, mas também seus efeitos sobre confiança, intimidade, comunicação e satisfação nos relacionamentos. Nesse sentido, o acolhimento psicológico pode favorecer a compreensão de como experiências vividas na infância continuam repercutindo na forma de estabelecer e manter vínculos, evitando que as dificuldades relacionais sejam tratadas de maneira isolada de sua história. A literatura reforça a importância de incorporar essas repercussões ao planejamento do cuidado e das intervenções. (Nielsen et al., 2018; Krindges; Habigzang, 2018).
Entre os aspectos relevantes para o acompanhamento psicológico estão a regulação emocional e a capacidade de compreender os próprios estados mentais e os do outro. Dificuldades para reconhecer e manejar emoções podem interferir na aproximação afetiva, na comunicação e na resolução de conflitos. Ao mesmo tempo, compreender com maior clareza pensamentos, sentimentos e reações pode auxiliar na diferenciação entre experiências relacionais atuais e situações ameaçadoras vivenciadas anteriormente. O fortalecimento desses recursos pode favorecer respostas menos marcadas pela insegurança ou pelo afastamento e contribuir para relações mais satisfatórias. (Krindges; Habigzang, 2018; Lassri; Gewirtz-Meydan, 2025).
Outro ponto relevante envolve a reconstrução da confiança e da intimidade. Os estudos mostram que a possibilidade de revelar experiências traumáticas em contextos percebidos como seguros, desenvolver vínculos emocionais e contar com relações baseadas em empatia e apoio pode favorecer experiências afetivas mais positivas. A atuação psicológica pode contribuir para esse processo ao oferecer espaço para elaboração das dificuldades de proximidade, reconhecimento de limites e desenvolvimento de formas mais seguras de comunicação, respeitando o ritmo e as necessidades de cada pessoa. (Nielsen et al., 2018; Petersson; Plantin, 2024).
Dessa forma, os achados apontam para uma atuação psicológica que considere a singularidade das repercussões do abuso sexual infantil. As consequências sobre sexualidade, emoções e relacionamentos apresentam intensidades e formas distintas, afastando a ideia de uma resposta única para todos os sobreviventes. O cuidado psicológico deve reconhecer tanto as dificuldades decorrentes do trauma quanto os recursos desenvolvidos pelo indivíduo, favorecendo regulação emocional, compreensão de si, estabelecimento de limites e reconstrução gradual da confiança. Nessa perspectiva, a Psicologia pode contribuir para que a experiência traumática seja elaborada sem determinar permanentemente as possibilidades de construção de vínculos mais seguros e satisfatórios na vida adulta. (Krindges; Habigzang, 2018; Lassri; Gewirtz-Meydan, 2025; Petersson; Plantin, 2024).
4. CONSIDERAÇÕES FINAIS
A presente revisão narrativa possibilitou compreender que o abuso sexual infantil pode produzir repercussões duradouras sobre as relações interpessoais na vida adulta, especialmente na construção da confiança, da intimidade, da segurança emocional e da satisfação nos relacionamentos. Os estudos analisados também demonstraram que essas consequências não se manifestam de maneira uniforme entre os sobreviventes, sendo influenciadas por características individuais, experiências relacionais posteriores e recursos disponíveis para o enfrentamento do trauma. Dessa forma, os achados permitiram responder ao problema de pesquisa e aos objetivos estabelecidos para o estudo.
No campo afetivo e social, foram recorrentes dificuldades relacionadas ao apego, à comunicação, à proximidade emocional e à manutenção de vínculos. Também foram identificadas repercussões sobre a autoestima, a regulação emocional, a sexualidade e o convívio social, indicando que os efeitos do abuso podem ultrapassar a experiência individual e alcançar diferentes dimensões da vida relacional. Entretanto, a análise não sustenta uma compreensão determinista, uma vez que os próprios estudos evidenciaram possibilidades de construção de relações seguras e satisfatórias mesmo diante de experiências traumáticas anteriores.
Entre os fatores capazes de minimizar essas repercussões, destacaram-se a regulação emocional, a mentalização, a comunicação, o estabelecimento de limites, o apoio do parceiro e a construção gradual da confiança. Esses recursos demonstram que o enfrentamento envolve tanto capacidades desenvolvidas pelo próprio indivíduo quanto a qualidade das relações estabelecidas posteriormente. Assim, vínculos baseados em respeito, reciprocidade, empatia e segurança podem contribuir para que o trauma exerça menor influência sobre a vida afetiva e relacional.
Nesse contexto, a atuação da Psicologia assume importância ao considerar conjuntamente as manifestações emocionais e as dificuldades relacionais associadas à experiência de abuso. O acompanhamento psicológico pode favorecer a compreensão das repercussões do trauma, o desenvolvimento de recursos de regulação emocional, o reconhecimento de limites e a reconstrução da confiança e da intimidade. Esse cuidado deve respeitar a singularidade de cada sobrevivente, evitando respostas padronizadas e reconhecendo tanto as dificuldades existentes quanto os recursos e possibilidades de reconstrução presentes em sua trajetória.
Por fim, compreender os impactos do abuso sexual infantil sobre a vida relacional implica reconhecer que suas repercussões podem permanecer presentes muito além da infância, afetando a forma como o indivíduo estabelece confiança, vivencia a intimidade, expressa emoções e constrói vínculos. Apesar disso, essas consequências não determinam de maneira definitiva as relações futuras. A presença de apoio, relações seguras, recursos emocionais e acompanhamento psicológico pode favorecer processos de ressignificação e reconstrução dos vínculos. Dessa forma, ampliar a compreensão sobre essas repercussões contribui não apenas para o cuidado psicológico das vítimas, mas também para práticas de acolhimento mais sensíveis, capazes de reconhecer tanto o sofrimento provocado pelo abuso quanto as possibilidades de recuperação e construção de relações mais saudáveis ao longo da vida.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
ABU-RAYA, Narges Evon; GEWIRTZ-MEYDAN, Ateret. Childhood sexual abuse and relationship satisfaction: the moderating role of PTSD and sexual-related posttraumatic stress symptoms. Journal of Sex & Marital Therapy, v. 49, n. 8, p. 996-1012, 2023. Disponível em: https://doi.org/10.1080/0092623X.2023.2237510. Acesso em: 9 out. 2026.
ARIÈS, Philippe. História social da criança e da família. 2. ed. Rio de Janeiro: LTC, 1981.
BARDIN, Laurence. Análise de conteúdo. São Paulo: Edições 70, 2016.
BOWLBY, John. Uma base segura: aplicações clínicas da teoria do apego. Porto Alegre: Artes Médicas, 1989.
BRASIL. [Constituição (1988)]. Constituição da República Federativa do Brasil de 1988. Brasília, DF: Presidência da República, 1988. Disponível em: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicao.htm. Acesso em: 9 out. 2026.
BRASIL. Lei nº 13.431, de 4 de abril de 2017. Estabelece o sistema de garantia de direitos da criança e do adolescente vítima ou testemunha de violência e altera a Lei nº 8.069, de 13 de julho de 1990. Brasília, DF: Presidência da República, 2017. Disponível em: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2015-2018/2017/lei/l13431.htm. Acesso em: 9 out. 2026.
BRASIL. Lei nº 8.069, de 13 de julho de 1990. Dispõe sobre o Estatuto da Criança e do Adolescente e dá outras providências. Brasília, DF: Presidência da República, 1990. Disponível em: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l8069compilado.htm. Acesso em: 9 out. 2026.
BRASIL. Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania. Disque 100 registra mais de 17,5 mil violações sexuais contra crianças e adolescentes nos quatro primeiros meses de 2023. Brasília, DF: MDHC, 17 maio 2023. Disponível em: https://www.gov.br/mdh/pt-br/assuntos/noticias/2023/maio/disque-100-registra-mais-de-17-5-mil-violacoes-sexuais-contra-criancas-e-adolescentes-nos-quatro-primeiros-meses-de-2023. Acesso em: 9 out. 2026.
CANOY, Charles Frederick M. Love of the Lotus: exploring romantic relationships among adult survivors of childhood sexual abuse. Journal of Interdisciplinary Perspectives, v. 3, n. 2, p. 22-32, 2025. Disponível em: https://doi.org/10.69569/jip.2024.0660. Acesso em: 9 out. 2026.
CRUZ, Moniky Araújo da; GOMES, Nadirlene Pereira; CAMPOS, Luana Moura; ESTRELA, Fernanda Matheus; WHITAKER, Maria Carolina Ortiz; LÍRIO, Josinete Gonçalves dos Santos. Repercussões do abuso sexual vivenciado na infância e adolescência: revisão integrativa. Ciência & Saúde Coletiva, v. 26, n. 4, p. 1369-1380, 2021. Disponível em: https://doi.org/10.1590/1413-81232021264.02862019. Acesso em: 9 out. 2026.
FREUD, Sigmund. Além do princípio do prazer. In: FREUD, Sigmund. Edição standard brasileira das obras psicológicas completas de Sigmund Freud. Rio de Janeiro: Imago, 1996. v. 18, p. 11-75. Trabalho original publicado em 1920.
KRINDGES, Cris Aline; HABIGZANG, Luísa Fernanda. Regulação emocional, satisfação sexual e comportamento sexual de risco em mulheres vítimas de abuso sexual na infância. Estudos de Psicologia (Campinas), v. 35, n. 3, p. 321-332, 2018. Disponível em: https://doi.org/10.1590/1982-02752018000300010. Acesso em: 9 out. 2026.
KRINDGES, Cris Aline; MACEDO, Davi Manzini; HABIGZANG, Luísa Fernanda. Abuso sexual na infância e suas repercussões na satisfação sexual na idade adulta de mulheres vítimas. Contextos Clínicos, v. 9, n. 1, p. 60-71, 2016. Disponível em: https://doi.org/10.4013/ctc.2016.91.05. Acesso em: 9 out. 2026.
LASSRI, Dana; GEWIRTZ-MEYDAN, Ateret. Breaking the cycle: mentalizing moderates and mediates the link between childhood sexual abuse and satisfaction with adult romantic relationships. Psychological Trauma: Theory, Research, Practice, and Policy, v. 17, n. 1, p. 10-19, 2025. Disponível em: https://doi.org/10.1037/tra0001692. Acesso em: 9 out. 2026.
LASSRI, Dana; LUYTEN, Patrick; FONAGY, Peter; SHAHAR, Golan. Undetected scars? Self-criticism, attachment, and romantic relationships among otherwise well-functioning childhood sexual abuse survivors. Psychological Trauma: Theory, Research, Practice, and Policy, v. 10, n. 1, p. 121-129, 2018. Disponível em: https://doi.org/10.1037/tra0000271. Acesso em: 9 out. 2026.
LIRA, Margaret Olinda de Souza Carvalho e; RODRIGUES, Vanda Palmarella; RODRIGUES, Adriana Diniz; COUTO, Telmara Menezes; GOMES, Nadirlene Pereira; DINIZ, Normélia Maria Freire. Abuso sexual na infância e suas repercussões na vida adulta. Texto & Contexto - Enfermagem, v. 26, n. 3, e0080016, 2017. Disponível em: https://doi.org/10.1590/0104-07072017000080016. Acesso em: 9 out. 2026.
NIELSEN, Ben Farid Røjgaard; WIND, Gitte; TJØRNHØJ-THOMSEN, Tine; MARTINSEN, Bente. A scoping review of challenges in adult intimate relationships after childhood sexual abuse. Journal of Child Sexual Abuse, v. 27, n. 6, p. 718-728, 2018. Disponível em: https://doi.org/10.1080/10538712.2018.1491915. Acesso em: 9 out. 2026.
ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DA SAÚDE. Child maltreatment. Genebra: OMS, 8 maio 2026. Disponível em: https://www.who.int/news-room/fact-sheets/detail/child-maltreatment. Acesso em: 9 out. 2026.
PASTOR-CEREZO, Vanesa; IBORRA CUÉLLAR, Alejandro. From trauma to bonding: the role of attachment in the relationship between child sexual abuse and adult intimacy. Journal of Child & Adolescent Trauma, v. 19, n. 3, p. 1495-1505, 2026. Disponível em: https://doi.org/10.1007/s40653-026-00845-y. Acesso em: 9 out. 2026.
PETERSSON, Charlotte C.; PLANTIN, Lars. Overcoming challenges of intimacy: male child sexual abuse survivors’ experiences of achieving healthy romantic relationships in Sweden. Journal of Family Violence, v. 39, p. 1107-1120, 2024. Disponível em: https://doi.org/10.1007/s10896-023-00576-w. Acesso em: 9 out. 2026.
RIZZINI, Irene. O século perdido: raízes históricas das políticas públicas para a infância no Brasil. 2. ed. São Paulo: Cortez, 2008.
WOLBERT, Lígia; ALEXANDRINO, Izabela Ornelas; KIND, Luciana. Abuso sexual infantil e consequências na vida da mulher adulta: revisão sistemática. Pretextos - Revista da Graduação em Psicologia da PUC Minas, Belo Horizonte, v. 9, n. 17, p. 221-239, 2024. Disponível em: https://periodicos.pucminas.br/pretextos/article/view/32408. Acesso em: 9 out. 2026.
1 Discente do Curso Superior de Psicologia do Centro Universitário Unichrisfapi. E-mail: [clique para visualizar o e-mail]acesse o artigo original para visualizar o e-mail
2 Discente do Curso Superior de Psicologia do Centro Universitário Unichrisfapi. E-mail: [clique para visualizar o e-mail]acesse o artigo original para visualizar o e-mail
3 Doutorado em Psicologia pela Universidade de Fortaleza, Brasil(2023). Coordenadora e Docente do Centro Universitário Chrisfapi, Brasil. E-mail: [clique para visualizar o e-mail]acesse o artigo original para visualizar o e-mail