ESTRUTURAÇÃO DO PROJETO DE EXTENSÃO “PROGRAMA CRESCER”
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REGISTRO DOI: 10.5281/zenodo.14969207
Jéssica de França Moreira1
Júlia Carreno Garcia Leal1
Maria Eduarda Santos Renó1
Rodrigo Castro Américo1
Sue Helen Domingues de Andrade Lima1
Daniela Miori Pascon2
Paolla Furlan Roveri3
RESUMO
A educação é uma oportunidade de romper ciclos de negligência educacional e desigualdade, alcançando o processo de desenvolvimento individual. Há uma constante necessidade de formação do cidadão que se refere a saúde e cuidado com o próprio corpo. A Carta de Ottawa e a Política Nacional de Promoção da Saúde enfatizam a importância de ações que promovam a qualidade de vida e reduzam vulnerabilidades em saúde. Ações extensionistas de acadêmicos universitários dentro da comunidade, em especial nas escolas com o público infantojuvenil é capaz de educar e formar indivíduos conscientes de vários temas pertinentes ao desenvolvimento, como por exemplo educação sexual, que abordado adequadamente é capaz de reduzir altas taxas de gravidez na adolescência, infecções sexualmente transmissíveis (IST), entre outros. Ações educativas são um veículo poderoso para promoção de saúde e desenvolvimento do bem-estar de crianças e adolescentes que são propagadores de informação e base de uma sociedade consciente. Este trabalho planejou a estruturação do “Programa Crescer” através da aplicação de uma intervenção piloto com o intuito de executar o modo de ação pensado para o Projeto de Extensão. A metodologia utilizada para a construção do trabalho foi o Arco de Maguerez. Os resultados mostram que a educação em saúde nas escolas se tornou a principal pauta para ser desenvolvida mediante a necessidade dos discentes da educação pública do Município de Itapetininga. Além de identificar a defasagem de conceitos básicos perante a faixa etária infanto-juvenil.
Palavras-chave: Planos e Programas de Saúde. Promoção da saúde na escola. Educação em saúde
ABSTRACT
Education is an opportunity to break cycles of educational neglect and inequality, reaching the process of individual development. There is a constant need for education of citizens regarding health and care for their own bodies. Thus, the Ottawa Charter and the National Health Promotion Policy emphasize the importance of actions that promote quality of life and reduce health vulnerabilities. The extension work of university academics within the community, especially in schools with children and teenagers, is capable of educating and forming individuals aware of various topics relevant to development, such as sexual education, which, when properly addressed, can reduce high rates of teenage pregnancy, sexually transmitted infections (STIs), among others. Educational actions are a powerful vehicle for promoting health and developing the well-being of children and teenagers who are disseminators of information and the basis of a conscious society. This work planned the structuring of the “Crescer Program” through the application of a pilot intervention with the purpose of executing the mode of action designed for the Extension Project. The methodology used to construct the project was the Maguerez Arc. The results show that health education in schools has become the main topic to be developed based on the needs of public education students in the municipality of Itapetininga. In addition, it identifies the gap in basic concepts in relation to the child-youth age group.
Keywords: Health Plans and Programs. School Health Services. Health Education
1 INTRODUÇÃO
Nos últimos 30 anos, a Promoção da Saúde vem se desenvolvendo com a elaboração e implementação de políticas públicas em diversos países. O Brasil redirecionou políticas do Sistema Único de Saúde (SUS) culminando com a Política Nacional de Promoção da Saúde (PNPS). Esta valida a importância do setor saúde, o qual promove a qualidade de vida, a redução de vulnerabilidades e riscos de saúde correlacionados com seus determinantes e condicionantes: moradia, trabalho, lazer, ambiente, cultura, acesso a bens serviços essenciais e educação (RUMOR et. al, 2023; COSTA, et al. 2019). A mesma foi definida pela Organização Mundial da Saúde, na Carta de Ottawa como “processo de capacitação da comunidade para atuar na melhoria de sua qualidade de vida e saúde, incluindo uma maior participação no controle deste processo, para atingir um estado de completo bem-estar físico, mental e social os indivíduos” (GAMARRA, 2019).
Para que possamos entender a efetividade das ações de promoção em saúde, é indispensável a compreensão da saúde por meio de uma visão holística sobre o indivíduo, abrangendo-o em toda sua integralidade. Dessa forma, o conceito de saúde não é restrito apenas à ideia de cura das enfermidades adquiridas pela população, como era estipulado anteriormente, mas é relacionado ao bem-estar geral de cada ser humano. A melhoria da qualidade de vida da comunidade advém de ações vinculadas à prevenção das doenças e promoção da saúde. Dito isso, a educação é um pilar essencial utilizado para promover a saúde, através da transmissão de conhecimentos e valores na população, processo efetuado nas instituições de ensino e redes de atenção primária em saúde (RIOS et al, 2023).
Essa visão ampliada sobre saúde evidência o indispensável papel do ambiente escolar como agente transformador, em razão de que as escolas interferem diretamente na produção de saúde, atuam como espaços de relações pessoais e acadêmicas, de forma a desenvolver o pensamento crítico e político, além de crenças, valores pessoais, conceitos e maneiras de conhecer o mundo (BRASIL, 2011).
Oriundo de um ambiente privilegiado para promoção de saúde, o Programa Saúde na Escola (PSE), do Ministério da Saúde e do Ministério da Educação, foi instituído em 2007 pelo Decreto Presidencial nº 6.286. Fruto do esforço do governo federal em construir políticas intersetoriais para a melhoria da qualidade de vida da população brasileira (BRASIL, 2011).
O PSE vem contribuir para o fortalecimento de ações na perspectiva do desenvolvimento integral e proporcionar à comunidade escolar a participação em programas e projetos que articulem saúde e educação, para o enfrentamento das vulnerabilidades que comprometem o pleno desenvolvimento de crianças, adolescentes e jovens brasileiros (BRASIL, 2011).
Em conjunto a elaboração do plano de melhoria no âmbito da educação em saúde, se evidencia grandes impasses na articulação intersetorial para com a promoção da saúde dos escolares. Assim atribuindo os fatores de vulnerabilidade ao nível de aprendizagem do tema dentro das escolas, gerando a necessidade de uma nova definição que contemple a situação descrita. A Secretaria Municipal de educação de São Paulo publicou, em 2021, um documento com a seguinte definição de vulnerabilidade educacional:
[...] um conjunto de situações que fragilizam, interferem ou impedem as aprendizagens de bebês, crianças e adolescentes em razão do não atendimento de suas necessidades educacionais, fazendo com que estes sujeitos não tenham seu direito de desenvolvimento contemplado de forma digna e plena, uma vez que a educação é direito humano público, subjetivo, inalienável e universal (São Paulo, 2021).
A vulnerabilidade escolar não ocorre de forma isolada, está estreitamente relacionada às condições socioeconômicas das regiões onde as escolas estão localizadas. De tal modo a estabelecer a concepção de vulnerabilidade, caracterizando a multideterminação de sua composição, não estritamente condicionada à ausência ou precariedade no acesso à renda, mas, atrelada também às fragilidades de vínculos afetivo-relacionais e desigualdade de acesso a bens e serviços públicos (CARMO; GUIZARDI, 2018)
Considerando tal aspecto percebe-se que adolescentes de regiões vulneráveis não têm acesso a informação consistente se tratando de cuidados de saúde de alta qualidade (LOVE, et al. 2019).
A extensão universitária oferece a integração entre a universidade e a comunidade, processo capaz de diagnosticar a sua situação e fortalecer uma relação dinâmica entre o ambiente acadêmico e as pessoas que ali residem. Por meio da extensão universitária o acadêmico exerce sua responsabilidade social junto a universidade, proporcionando uma melhor qualidade de assistência à comunidade, se tornando protagonista da socialização do conhecimento e serviços, sendo assim, promotora de desenvolvimento humano e social de todos os envolvidos: alunos, professores, funcionários, comunidade (DAMÁZIO et al, 2023).
Nessa perspectiva, o grupo etário infanto juvenil constitui alvo prioritário de intervenções, pois exibem vulnerabilidades, como as correlatas ao consumo de drogas e comportamento sexual de risco. Tornando se a adolescência um período da vida marcado por mudanças biológicas, sociais e, principalmente, psíquicas. O ambiente escolar é cenário estratégico para a promoção da saúde de adolescentes, uma vez que as demandas e necessidades são facilmente identificadas e as metodologias educativas e participativas torna o assunto naturalmente aceito ou desmistificado (de Souza Nobre et. al, 2017, Maciel et. al, 2010) .
Portanto, este trabalho propõe-se a relatar a criação de um Programa de Saúde em Educação, problematizando experiências e atividades desenvolvidas por alunos do curso de Medicina da Universidade de São Caetano do Sul (USCS) - Itapetininga no contexto do Projeto de Extensão, com os alunos das escolas públicas da cidade de Itapetininga.
2 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA OU REVISÃO DA LITERATURA
Referencial teórico/Estado da arte
Freire (2011), defende a extensão universitária como um campo propício para as práticas comunicativas entre Instituição de Ensino Superior e contexto sócio comunitário, uma relação mútua e dialógica entre diversos atores, é meio gerador de ações concretas e contextualizadas numa dada realidade social, proporcionando comprometimento dos atores nas transformações sociais pertinentes.
Entre as contribuições que a extensão proporciona, está a viabilização de uma formação universitária mais crítica, a partir de experiências e situações que podem ser aplicadas posteriormente na carreira médica com caráter ampliado, impulsionando competências especializadas, se sobressaindo aos moldes tradicionais da formação, relacionando os conhecimentos específicos da área, preceitos éticos, sociais e políticos dentro das dimensões indissociáveis do ser humano, fenômenos biológicos, orgânicos, psicológicos, considerando sua inserção no contexto social e histórico (de Souza Nobre et. al, 2017; Guimarães, Silva, 2010).
A saúde da população infanto juvenil tem sido um desafio ao que se refere a possibilidade de garantir uma aprendizagem efetiva e transformadora de atitudes e hábitos de vida. Somente a transmissão de informações a respeito do funcionamento do corpo, hábitos de higiene, descrição das características das doenças não é suficiente para que os adolescentes e jovens desenvolvam atitudes de vida saudável. É necessário educar para a saúde, considerando muitos aspectos envolvidos na formação de hábitos e atitudes (GIRONDI, et al. 2006).
A partir disso, o grupo etário adolescente escolares é constituído como alvo prioritário de intervenções quando consideramos suas vulnerabilidades e possibilidade de aprendizagem concreta e efetiva (DE GODOY MARTINS, et. al, 2011).
A exemplo das situações no processo de saúde e educação dentro das escolas, é possível identificar a temática de sexualidade estudantil de adolescentes e jovens com déficits em conhecimentos básicos para desenvolvimento humano e social dos mesmos. Essas lacunas de conhecimento refletem na saúde pública local, na prevenção de doenças e gravidez precoce, combate ao abuso, redução da desigualdade de gênero (PINTO, et al. 2013).
Diante disso, é indiscutível que a vulnerabilidade é algo que precisa ser identificado de uma forma específica, pois ela é árida e abstrata. Em contextos distintos as pessoas são vulneráveis em diferentes aspectos e situações, dos quais não podem ser antecipados ou evitados. Vulnerabilidades no conhecimento entre a faixa etária infanto juvenil refletem defasagem em vários aspectos, entre eles a saúde, essa desinformação é muito comum no ambiente escolar e resulta em lacunas de desenvolvimento e grande comprometimento na promoção da saúde (ALVES 2021).
Em comunidades vulneráveis o ambiente escolar espelha vulnerabilidades de conhecimento, negligências em educação em saúde pelo estado. O aspecto mais gritante entre esses desconhecimentos se refere a Educação Sexual, que acaba por nortear outros déficits que influenciam a saúde do jovem.
A educação sexual é um tema já consolidado dentro da pedagogia através do Ministério da Educação (MEC), tem como objetivo trazer conhecimento sobre como evitar gravidez indesejada na adolescência e a propagação de infecções sexualmente transmissíveis (IST). Sendo assim, tornou-se uma das ações prioritárias a serem abordadas no âmbito do Programa de Saúde nas Escolas (decreto 1004/2023) desenvolvimento do MEC e Ministério da Saúde (MS). Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), na Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PENSE, 2015), 33,8% dos adolescentes do 9º ano do Ensino Fundamental entrevistados no levantamento responderam não ter usado camisinha na última relação sexual. De acordo com o MS, entre 2007 e junho de 2022, 102.869 jovens de 15 a 24 anos foram infectados pelo Vírus da Imunodeficiência Humana (HIV). Entre 2011 a 2021 , mais de 52 mil jovens de 15 a 24 anos infectados pelo vírus tiveram seus quadro de síndrome da imunodeficiência adquirida (AIDS) (BRASIL, 2024).
Assim, a extensão universitária proporciona integração entre comunidade e universidade, processo científico e prático que fortalece uma relação dinâmica por meio da assistência aos indivíduos que pertencem ao local. Por meio da extensão universitária o acadêmico exerce comprometimento, se tornando veículo de conhecimento e serviço, promovendo desenvolvimento humano e social (DAMÁZIO et al, 2023) contemplando ativamente os objetivos do PSE.
Arco de Maguerez e Projeto de Extensão
Para a construção deste projeto, utilizamos o Arco de Charles Maguerez, este foi criado por Bordenave e Pereira, em 1982. Trata-se de uma metodologia de problematização que visa a formação de um profissional crítico-reflexivo, por meio da aprendizagem baseada em problemas. As etapas do arco de Maguerez consistem: Observação da realidade, constituída pela participação ativa dos envolvidos de forma a olhar para a realidade do ambiente em busca de aspectos que precisam ser trabalhados, desenvolvidos ou melhorados. Identificação dos Pontos-Chaves, é realizado a avaliação e escolha das situações observadas na realidade, além de sintetizar o problema escolhido, seus aspectos que necessitam ser conhecidos de forma a buscar uma resposta para o problema. Teorização, acontece operações mentais de natureza analítica que favorecem o crescimento intelectual dos alunos acerca do assunto trabalhado. Hipóteses de Solução, elaboração de alternativas viáveis para solucionar o problema identificado de forma crítica e criativa, proporcionando o confronto da teoria e da realidade. Aplicação à Realidade, os alunos aplicam sua intervenção planejada ao ambiente em que estão estudando, colocando em prática algumas hipóteses antes realizadas.
O embasamento teórico da metodologia de problematização se origina da concepção de educação do saber sistematizado, transformando-o em saber significativo, com propósito de preparar o ser humano para conscientizar o mundo ao seu redor, de modo a atuar para transformá-lo. Essa metodologia é constituída por cinco etapas que se baseiam na realidade social observada (PRADO, et al. 2017)
A seguir, descrevemos como as etapas do Arco de Maguerez foram contempladas na construção do projeto:
Etapas do Arco de Maguerez:
1. Observação da Realidade: O estágio na Unidade de Saúde da Família (USF) Marcia Regina Sardela, proporcionou uma visita a Escola Estadual Desembargador Bernardes Junior. Os acadêmicos de medicina, durante a realização das práticas na USF, acompanharam a enfermeira na realização de uma palestra sobre menstruação para garotas de 12 a 14 anos, estudantes do ensino fundamental. Durante a dinâmica desenvolvida observou-se um déficit de conhecimento das alunas acerca dos assuntos tratados na palestra: puberdade, menstruação, desenvolvimento sexual, métodos contraceptivos, que pelo PSE devem ser tratados de modo educativo na rede pública de educação. A observação dessa realidade despertou o interesse na criação de um “programa crescer” que contemple a prevenção e promoção da saúde dentro das escolas.
2. Pontos-Chave:
Ponto 1: Identificação do desconhecimento acerca de conceitos de saúde que impactam na qualidade de vida de jovens em escolas públicas.
Ponto 2: Maior criticidade dos universitários para conhecer e tratar de assuntos levantados dentro das vulnerabilidades identificadas nas escolas.
Ponto 3: Elaboração de palestras e dinâmicas que desenvolvam as defasagens identificadas.
Ponto 4: Integração entre Universidade e Comunidade por meio da extensão universitária.
3. Teorização: A extensão universitária possibilita um campo de práticas comunicativas entre Instituição de Ensino Superior e contexto sócio comunitário, permite comunicação mútua e dialógica entre diversos atores, gerando ações concretas baseados nos contextos da realidade social, favorecendo o engajamento dos atores nas transformações de suas questões sociais (CORREIA, AKERMAN 2015).
4. Hipóteses de Solução: Com base na observação, análise e fundamentação teórica, está em desenvolvimento o “Programa Crescer” que por meio da educação em saúde dentro das escolas, fundamentará hipóteses de solução aos problemas identificados. O programa se ampliará por meio de palestras, rodas de conversas e dinâmicas que abordarão conhecimentos básicos e importantes sobre os assuntos que emergirem como dúvidas.
5. Aplicação à Realidade: No presente momento a aplicação da realidade está sendo construída como um projeto extensionista da Universidade.
3 METODOLOGIA
Trata-se de um relato de experiência sobre a construção e o desenvolvimento do “Programa Crescer”. Este foi idealizado durante a realização das práticas dos estudantes de medicina na USF, e pretende aproximar o processo de ensino e extensão como corpo de conhecimento e cenário de aprendizagem. Tem a finalidade de proporcionar aos acadêmicos uma atividade que contribua com a sua formação, articulando prática e conhecimento científico dentro da realidade social em que estão inseridos a partir da prática educativa no ambiente escolar.
O programa foi construído através das seguintes etapas:
Reuniões junto a gestão fundadora com a finalidade de estruturação de estatuto;
Levantamento bibliográfico a respeito dos temas Educação em saúde;
Levantamento bibliográfico sobre como construir um programa de extensão;
Interlocução entre escola e unidade básica de saúde para identificar o público-alvo e diagnóstico da realidade;
Uma intervenção nas escolas com o público infanto juvenil com o tema “desenvolvimento sexual” como protótipo do “Programa Crescer”;
Para o início do Programa, foi desenvolvido um projeto piloto: a realização de uma apresentação com roda de conversa sobre educação sexual com adolescentes de 14 a 17 anos. O desenvolvimento do projeto foi feito para escola atendida pela USF de Agosto a Novembro de 2024.
4 RESULTADOS E DISCUSSÕES OU ANÁLISE DOS DADOS
Os resultados serão apresentados de forma descritiva, qualitativa e quantitativa, relatando a experiência vividas acerca da temática do “Projeto Piloto” como produção de conhecimento científico entre acadêmicos e profissionais na formação do pensamento crítico e reflexão sobre vivências e promoção da saúde na comunidade, ambiente escolar.
O estudo foi desenvolvido no segundo semestre de 2024, correspondente ao terceiro período da fase formativa da graduação em Medicina dentro do Estágio Supervisionado da USCS - Itapetininga.
Na fase de diagnóstico situacional para intervenção a aplicação do Projeto de Extensão Curricular, ao qual os estudantes fazem parte. Este Projeto de Extensão está relacionado à unidade curricular de prática dos estudantes. Foi realizada uma visita a Escola Desembargador Bernardes Junior com o intuito de conhecer os problemas da área de abrangência do campo de estágio na USF, caracterizando o território e a população abrangida pelo serviço, para assim planejar ações voltadas a estes aspectos e implementá-las durante o período de estágio.
Após diagnóstico, na fase formativa os acadêmicos buscaram na literatura suporte para o desenvolvimento do tema.
Sob a supervisão da enfermeira preceptora, a atividade foi realizada no formato de roda de conversa para os estudantes do colegial, onde foram abordadas temáticas voltadas para: desenvolvimento sexual; saúde reprodutiva; prevenção à IST; e higiene, utilizando dinâmicas e linguagem simples, a fim de transmitir o conhecimento de forma lúdica para os adolescentes que assistiam.
A Palestra denominada: “Desenvolvimento Sexual” tinha o objetivo de facilitar a compreensão dos assuntos listados acima, foram usadas imagens e vídeos didáticos, peças sintéticas e preservativos para demonstração e transmissão do conteúdo. No decorrer e ao final da apresentação foram abertos momentos para perguntas e discussão entre alunos, acadêmicos, professores e preceptora com o objetivo de trazer para a vivência atual, refletir e informar os serviços prestados pela USF local como maneira de integrar escola/alunos a rede pública de saúde, facilitando o acesso dos alunos aos serviços de saúde.
Os resultados esperados da intervenção “piloto” englobam a diminuição da gravidez indesejada e contração de IST, gerando autonomia em saúde do público composto por 76 alunos sendo eles 41 do sexo masculino e 35 do sexo feminino (Figura-1), dentro das faixa-etária 15, 16, 17 e 18 anos (Figura-2) presentes na intervenção.
Com a aplicação da palestra piloto do programa em estruturação, espera-se uma melhora de entendimento quanto ao desenvolvimento sexual dos alunos que assistiram a apresentação e participaram da dinâmica. Durante a apresentação, as dúvidas foram levantadas pelos alunos, os palestrantes esclareceram seus questionamentos de forma ordenada e segura. Durante a apresentação foram feitas perguntas sobre o tema, exemplo: “Como um bebê cabe em um útero tão pequeno?” “Como o bebê sai do útero e vai para a barriga?”. Os autores responderam e aprofundaram as dúvidas conforme as necessidades, de forma dinâmica e simples através de uma conversa confortável entre os presentes na sala de aula.
Os resultados são apresentados em fotos tiradas no dia da implementação da intervenção “piloto”. Foi realizada uma pesquisa de satisfação, além de uma lista de presença. Todos esses dados foram preservados, garantindo a anonimidade dos participantes. Da palestra que foi ministrada pelos alunos da USCS como piloto do programa em estruturação, apresentamos abaixo o registro qualitativo e quantitativo relacionado às perguntas da pesquisa de satisfação.
Quadro 1 - Resultado qualitativo da pesquisa de satisfação
Você tinha dúvidas antes da palestra sobre educação sexual? | (70%) sim (30%) não |
---|---|
Você se sentiu confortável em fazer perguntas durante a palestra? | (90%) sim (10%) não |
A palestra sanou as suas dúvidas sobre o tema abordado? | (90%) sim (10%) não |
O assunto abordado foi interessante para você? | (90%) sim (10%) não |
Já conversaram com você sobre esse tema? (escola/ casa) | (50%) sim (50%) não |
A maneira como os palestrantes abordaram o assunto foi satisfatória? | (100%) sim (00%) não |
Participantes presentes: 76 alunos
Figura 3 e 4: Alunos da Escola e estudantes de medicina
Fonte: Autores
5 CONCLUSÃO/CONSIDERAÇÕES FINAIS
Espera-se que a realização do Programa Crescer em outros espaços escolares, contribua para que o ambiente escolar seja um lugar de fomento e disseminação de conhecimento em saúde, transformando os escolares em indivíduos conscientes e autônomos para serem gestores da própria saúde, e prováveis disseminadores de conhecimento, enriquecendo a comunidade.
Além dos resultados esperados nos escolares, também foram alcançados resultados interpessoais positivos ao grupo de estudantes que desenvolveram o projeto, como o desenvolvimento de habilidades individuais através do ensino, maior conhecimento do público infanto juvenil, desenvolvimento de oratória e desinibição. Habilidades importantes para a formação profissional futura.
Considera-se importante o seguimento deste projeto em parceria com a USF, e escolas do Bairro, bem como a participação dos estudantes de medicina integrantes nas práticas de saúde.
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1 Discentes do Curso Superior de Medicina do Instituto Universidade Municipal São Caetano do Sul Campus Itapetininga. E-mail: [email protected]
2 Professora Doutora Curso Superior de Medicina da Universidade Municipal São Caetano do Sul.
3 Professora Mestre Curso Superior de Medicina da Universidade Municipal São Caetano do Sul.