ESTRATÉGIAS PEDAGÓGICAS BASEADAS EM EVIDÊNCIAS PARA ESTUDANTES COM TRANSTORNO DO DÉFICIT DE ATENÇÃO/HIPERATIVIDADE (TDAH): UMA REVISÃO INTEGRATIVA DA LITERATURA

EVIDENCE-BASED PEDAGOGICAL STRATEGIES FOR STUDENTS WITH ATTENTION DEFICIT/HYPERACTIVITY DISORDER (ADHD): AN INTEGRATIVE LITERATURE REVIEW

REGISTRO DOI: 10.70773/revistatopicos/785340920

RESUMO
O Transtorno do Déficit de Atenção/Hiperatividade (TDAH) constitui uma condição do neurodesenvolvimento que pode interferir nos processos de aprendizagem, participação escolar e desenvolvimento socioemocional dos estudantes, demandando práticas pedagógicas planejadas e fundamentadas em evidências científicas. Este estudo teve como objetivo analisar as estratégias pedagógicas baseadas em evidências utilizadas para favorecer a aprendizagem de estudantes com TDAH no contexto escolar. Trata-se de uma revisão integrativa da literatura, de abordagem qualitativa, desenvolvida a partir da análise de estudos científicos publicados entre 2022 e 2026. A busca dos artigos foi realizada em bases de dados nacionais e internacionais, utilizando descritores relacionados ao TDAH, estratégias pedagógicas, aprendizagem e educação inclusiva. Foram considerados estudos disponíveis na íntegra, publicados em português, inglês ou espanhol, que abordassem intervenções educacionais direcionadas a estudantes com TDAH. A análise dos estudos evidenciou que estratégias como organização estruturada do ambiente de aprendizagem, fragmentação das atividades, feedback contínuo, desenvolvimento da autorregulação, diversificação metodológica e formação docente contribuem para ampliar o engajamento e a participação escolar desses estudantes. Conclui-se que práticas pedagógicas baseadas em evidências representam importantes possibilidades para promover uma educação inclusiva, desde que sejam articuladas às necessidades individuais dos estudantes e às condições concretas do contexto escolar.
Palavras-chave: Transtorno do Déficit de Atenção/Hiperatividade; Estratégias pedagógicas; Educação inclusiva.

ABSTRACT
Attention Deficit/Hyperactivity Disorder (ADHD) is a neurodevelopmental condition that may interfere with students’ learning processes, school participation, and socioemotional development, requiring planned pedagogical practices grounded in scientific evidence. This study aimed to analyze evidence-based pedagogical strategies used to support the learning of students with ADHD in the school context. This is an integrative literature review with a qualitative approach, developed through the analysis of scientific studies published between 2022 and 2026. The search for articles was conducted in national and international databases using descriptors related to ADHD, pedagogical strategies, learning, and inclusive education. Studies available in full text, published in Portuguese, English, or Spanish, and addressing educational interventions directed at students with ADHD were considered eligible. The analysis of the studies showed that strategies such as structured learning environments, task segmentation, continuous feedback, development of self-regulation, methodological diversification, and teacher training contribute to increasing students’ engagement and school participation. It is concluded that evidence-based pedagogical practices represent important possibilities for promoting inclusive education, provided that they are aligned with students’ individual needs and the concrete conditions of the school context.
Keywords: Attention Deficit/Hyperactivity Disorder; Pedagogical strategies; Inclusive education.

1. INTRODUÇÃO

O Transtorno do Déficit de Atenção/Hiperatividade (TDAH) constitui uma das condições do neurodesenvolvimento mais investigadas nas últimas décadas em razão de sua elevada prevalência na infância e adolescência e dos impactos que pode ocasionar nos contextos escolar, familiar e social. Caracterizado por padrões persistentes de desatenção, hiperatividade e impulsividade, o transtorno manifesta-se de forma heterogênea, variando quanto à intensidade dos sintomas e às repercussões no desempenho acadêmico e nas relações interpessoais. Embora o diagnóstico seja de natureza clínica e exija avaliação multiprofissional, seus reflexos são frequentemente percebidos no ambiente escolar, onde as demandas relacionadas à organização, à concentração e ao autocontrole tornam-se mais evidentes. No contexto educacional, a presença de estudantes com TDAH representa um desafio para professores, gestores e equipes pedagógicas, especialmente diante da necessidade de desenvolver práticas de ensino capazes de responder às diferentes formas de aprender. Em muitos casos, comportamentos decorrentes do transtorno são interpretados como falta de interesse, indisciplina ou desmotivação, o que pode contribuir para intervenções inadequadas e comprometer o desenvolvimento acadêmico e socioemocional dos estudantes. Essa realidade reforça a importância de ampliar o conhecimento sobre o TDAH e de promover uma compreensão fundamentada em evidências científicas, favorecendo práticas pedagógicas mais inclusivas e eficazes. A perspectiva da educação inclusiva tem impulsionado mudanças significativas na organização das escolas e nas formas de atendimento à diversidade presente nas salas de aula. Nesse cenário, o foco desloca-se da identificação das limitações do estudante para a construção de estratégias que favoreçam sua participação, aprendizagem e permanência na escola. Assim, compreender as especificidades do TDAH não significa reduzir o estudante ao diagnóstico, mas reconhecer suas necessidades educacionais e potencialidades, considerando que a adoção de intervenções pedagógicas adequadas pode minimizar barreiras ao aprendizado e ampliar as oportunidades de desenvolvimento. Diversos estudos têm demonstrado que estratégias pedagógicas fundamentadas em evidências científicas contribuem para melhorar a atenção, a autorregulação, a organização das atividades e o desempenho escolar de estudantes com TDAH. Entre essas estratégias destacam-se a organização estruturada das rotinas, a fragmentação das tarefas em etapas menores, o uso de recursos visuais, a adoção de metodologias ativas, o reforço positivo, o feedback frequente e a utilização de tecnologias educacionais como instrumentos de apoio à aprendizagem. Entretanto, a implementação dessas práticas ainda enfrenta desafios relacionados à formação docente, à disponibilidade de recursos pedagógicos e à articulação entre escola, família e profissionais da saúde. Nesse contexto, a produção e a sistematização do conhecimento científico assumem papel relevante para subsidiar a atuação dos profissionais da educação. As revisões integrativas da literatura possibilitam reunir, analisar e sintetizar resultados de pesquisas desenvolvidas em diferentes contextos, permitindo identificar evidências consistentes acerca da efetividade das intervenções pedagógicas direcionadas aos estudantes com TDAH. Além de favorecer a atualização do conhecimento, esse tipo de investigação contribui para a aproximação entre a pesquisa acadêmica e a prática educativa, oferecendo subsídios para a tomada de decisões fundamentadas. A realização deste estudo justifica-se pela necessidade de ampliar a compreensão acerca das estratégias pedagógicas que apresentam respaldo científico para favorecer o processo de ensino e aprendizagem de estudantes com TDAH. Embora o tema venha sendo amplamente discutido nas áreas da saúde e da educação, observa-se a contínua necessidade de reunir evidências recentes que orientem práticas educacionais mais efetivas e compatíveis com os princípios da educação inclusiva. Dessa forma, espera-se que a síntese dos estudos disponíveis possa contribuir para fortalecer a formação docente, qualificar as intervenções pedagógicas e promover ambientes escolares mais acolhedores e responsivos às necessidades dos estudantes. Diante desse panorama, este artigo tem como objetivo analisar as evidências científicas disponíveis na literatura acerca das estratégias pedagógicas utilizadas no atendimento de estudantes com Transtorno do Déficit de Atenção/Hiperatividade no contexto da Educação Básica, buscando identificar práticas que favoreçam a aprendizagem, o desenvolvimento das funções executivas e a participação ativa desses estudantes no ambiente escolar. Ao reunir os principais achados das pesquisas recentes, pretende-se contribuir para a difusão de conhecimentos que auxiliem professores, gestores e demais profissionais da educação na implementação de práticas pedagógicas fundamentadas em evidências, fortalecendo o compromisso com uma educação inclusiva, equitativa e de qualidade para todos.

2. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA

2.1. Transtorno do Déficit de Atenção/Hiperatividade (TDAH): Conceitos, Características e Manifestações no Contexto Escolar

O Transtorno do Déficit de Atenção/Hiperatividade (TDAH) é reconhecido como um transtorno do neurodesenvolvimento que afeta diferentes dimensões do funcionamento humano, repercutindo diretamente nos processos de aprendizagem, nas relações interpessoais e na participação do estudante nas atividades escolares. O diagnóstico é estabelecido a partir de critérios clínicos padronizados, considerando a persistência dos sintomas de desatenção, hiperatividade e impulsividade, sua manifestação em diferentes contextos e os prejuízos funcionais decorrentes dessas alterações (American Psychiatric Association, 2022). Entretanto, a literatura educacional contemporânea destaca que a compreensão do TDAH não deve restringir-se ao diagnóstico clínico, mas considerar também os fatores pedagógicos, sociais e culturais que influenciam o desenvolvimento e a escolarização desses estudantes. Nos últimos anos, observa-se um avanço nas discussões sobre o TDAH no campo da Educação, deslocando o foco exclusivamente biomédico para uma perspectiva que considera as interações entre o estudante e o contexto escolar. Nessa abordagem, as dificuldades apresentadas em sala de aula são compreendidas como resultado de múltiplos fatores, envolvendo características individuais, organização pedagógica, práticas docentes e condições de aprendizagem. Essa perspectiva contribui para reduzir interpretações que associam, de forma simplificada, o baixo desempenho escolar apenas às características do transtorno, favorecendo uma compreensão mais ampla das necessidades educacionais dos estudantes. No ambiente escolar, as manifestações do TDAH podem apresentar diferentes intensidades e variar conforme a etapa de ensino, as demandas acadêmicas e o contexto em que o estudante está inserido. Entre as dificuldades mais frequentemente observadas destacam-se a manutenção da atenção durante atividades prolongadas, a organização de materiais escolares, o cumprimento de instruções sequenciais, a conclusão de tarefas e o controle de respostas impulsivas. Essas manifestações podem comprometer o acompanhamento das atividades curriculares, especialmente quando as estratégias pedagógicas adotadas não contemplam a diversidade presente na sala de aula. Pesquisas nacionais recentes ressaltam que essas dificuldades não devem ser interpretadas como desinteresse ou falta de capacidade intelectual, mas como desafios relacionados aos processos de autorregulação e organização do comportamento. Outro aspecto evidenciado na produção científica refere-se à necessidade de distinguir o TDAH das dificuldades de aprendizagem. Embora ambas possam coexistir, elas não representam a mesma condição. O transtorno interfere principalmente nos mecanismos relacionados à atenção, ao controle inibitório, ao planejamento e à organização das atividades, enquanto as dificuldades de aprendizagem estão associadas à aquisição de habilidades acadêmicas específicas. Essa diferenciação possui implicações importantes para a prática pedagógica, uma vez que permite ao professor planejar intervenções compatíveis com as necessidades apresentadas por cada estudante, evitando interpretações reducionistas e práticas que reforcem processos de exclusão escolar. Além das repercussões acadêmicas, estudos brasileiros recentes apontam que o TDAH pode influenciar as relações sociais estabelecidas na escola. A impulsividade, as dificuldades de autorregulação emocional e a instabilidade atencional podem favorecer conflitos interpessoais, reduzir o engajamento nas atividades coletivas e comprometer o sentimento de pertencimento ao ambiente escolar. Quando essas situações não são acompanhadas por práticas pedagógicas inclusivas e por estratégias de apoio adequadas, aumentam as possibilidades de desmotivação, baixa autoestima e dificuldades no percurso escolar. Dessa forma, a escola assume papel fundamental na construção de ambientes de aprendizagem que promovam participação, acolhimento e desenvolvimento integral dos estudantes. Nessa perspectiva, compreender o TDAH implica reconhecer que o sucesso escolar não depende exclusivamente das características individuais do estudante, mas também da capacidade da instituição de ensino em organizar práticas pedagógicas que favoreçam a aprendizagem e reduzam barreiras à participação. A literatura recente evidencia que estratégias planejadas, flexibilidade metodológica, organização do ambiente de aprendizagem e acompanhamento contínuo do processo educativo contribuem significativamente para ampliar o engajamento e o desenvolvimento acadêmico dos estudantes com TDAH. Assim, a compreensão das características do transtorno constitui o primeiro passo para a implementação de práticas pedagógicas fundamentadas em evidências científicas, tema que será aprofundado nas seções seguintes desta revisão integrativa.

2.2. O Processo de Aprendizagem dos Estudantes com Transtorno do Déficit de Atenção/Hiperatividade (TDAH)

O processo de aprendizagem dos estudantes com Transtorno do Déficit de Atenção/Hiperatividade (TDAH) tem sido objeto de crescente interesse nas pesquisas educacionais, especialmente em razão da necessidade de compreender como as características do transtorno repercutem na construção do conhecimento e no desenvolvimento escolar. As evidências recentes indicam que a aprendizagem desses estudantes não deve ser compreendida apenas sob a perspectiva clínica, mas a partir da interação entre fatores cognitivos, pedagógicos, emocionais e socioculturais, evidenciando que o ambiente escolar exerce papel determinante na promoção ou na limitação das oportunidades de aprendizagem (American Psychiatric Association, 2022; Silva; Signor; Tonocchi, 2023). Embora o TDAH esteja associado a dificuldades relacionadas à atenção, ao controle inibitório e à organização das atividades, essas características não representam incapacidade para aprender. Pelo contrário, a literatura demonstra que, quando o estudante participa de ambientes pedagógicos estruturados, com planejamento flexível, acompanhamento contínuo e metodologias compatíveis com suas necessidades, observa-se melhora significativa no envolvimento com as atividades escolares e no desempenho acadêmico. Dessa forma, o sucesso da aprendizagem depende não apenas das características individuais do estudante, mas também da qualidade das práticas pedagógicas desenvolvidas pela escola (Silva; Signor; Tonocchi, 2023; Guidi et al., 2024). Nesse contexto, as funções executivas assumem papel central no processo de aprendizagem. Habilidades relacionadas ao planejamento, à memória de trabalho, à organização das tarefas, ao monitoramento das ações e ao controle da impulsividade são constantemente mobilizadas durante as atividades escolares. Em estudantes com TDAH, essas funções podem apresentar comprometimentos que dificultam a administração simultânea das demandas acadêmicas, repercutindo na realização de tarefas, na gestão do tempo e na permanência da atenção durante atividades prolongadas. Entretanto, estudos recentes ressaltam que intervenções pedagógicas planejadas podem minimizar essas dificuldades e favorecer maior autonomia no processo educativo (American Psychiatric Association, 2022; Guidi et al., 2024). Outro aspecto amplamente discutido na literatura refere-se à influência das práticas pedagógicas sobre o desempenho escolar. Silva, Signor e Tonocchi (2023), ao analisarem as produções científicas da área educacional, observaram que estratégias centradas exclusivamente nas limitações do estudante tendem a reforçar perspectivas medicalizantes, enquanto abordagens contextualizadas valorizam a heterogeneidade da sala de aula, o planejamento pedagógico e a construção de práticas inclusivas. Nessa perspectiva, compreender as dificuldades de aprendizagem implica considerar o contexto em que elas se manifestam e reconhecer que diferentes formas de ensinar podem ampliar significativamente as oportunidades de aprendizagem. Além dos aspectos cognitivos, fatores emocionais influenciam diretamente o desempenho escolar dos estudantes com TDAH. Experiências recorrentes de insucesso, dificuldades de interação com colegas e professores, avaliações predominantemente negativas e baixa percepção de competência podem reduzir a motivação para aprender e comprometer o engajamento nas atividades escolares. Assim, a literatura recomenda que o professor promova ambientes acolhedores, estabeleça relações positivas e utilize feedbacks frequentes como estratégias para fortalecer a participação e a confiança dos estudantes durante o processo de aprendizagem (Guidi et al., 2024; Ferreira et al., 2024). A mediação docente constitui outro elemento essencial para a aprendizagem. Estudos recentes destacam que adaptações metodológicas, organização das rotinas, fragmentação das atividades complexas, utilização de recursos visuais, diversificação das estratégias didáticas e acompanhamento contínuo favorecem maior permanência na tarefa e ampliam as possibilidades de aprendizagem dos estudantes com TDAH. Essas intervenções não representam simplificação do currículo, mas adequações pedagógicas que asseguram melhores condições de participação e desenvolvimento escolar (Silva; Signor; Tonocchi, 2023; Guidi et al., 2024). Outro aspecto relevante refere-se ao trabalho colaborativo entre escola, família e equipe multiprofissional. A comunicação entre esses diferentes atores possibilita maior compreensão das necessidades do estudante, favorece o planejamento de intervenções coerentes e contribui para o acompanhamento contínuo do desenvolvimento acadêmico e socioemocional. Quando essa articulação ocorre de forma sistemática, observa-se maior consistência entre as estratégias utilizadas nos diferentes contextos, fortalecendo o processo de aprendizagem e reduzindo dificuldades relacionadas ao desempenho escolar (Ferreira et al., 2024; Guidi et al., 2024). Em síntese, as evidências científicas publicadas nos últimos anos convergem para a compreensão de que a aprendizagem dos estudantes com TDAH depende da articulação entre práticas pedagógicas fundamentadas em evidências, organização do ambiente escolar, mediação qualificada do professor e ações colaborativas entre escola e família. Essa perspectiva desloca o foco das limitações individuais para a construção de contextos educacionais mais inclusivos, capazes de favorecer o desenvolvimento das potencialidades dos estudantes e garantir condições efetivas para sua participação no processo educativo (American Psychiatric Association, 2022; Silva; Signor; Tonocchi, 2023; Guidi et al., 2024).

2.3. Educação Inclusiva e o Atendimento Ao Estudante com Transtorno do Déficit de Atenção/Hiperatividade (TDAH)

A educação inclusiva consolidou-se, nas últimas décadas, como um dos principais referenciais para a organização dos sistemas educacionais comprometidos com o direito de todos à aprendizagem. Mais do que assegurar o acesso à escola, essa perspectiva pressupõe a criação de condições que garantam a permanência, a participação e o desenvolvimento integral dos estudantes, respeitando suas características, potencialidades e necessidades educacionais. Nessa direção, a inclusão escolar desloca o foco das limitações individuais para a eliminação das barreiras presentes nos contextos educativos, reconhecendo que a qualidade da aprendizagem depende da articulação entre políticas públicas, práticas pedagógicas e gestão escolar (Boff; Machado, 2024). No caso dos estudantes com Transtorno do Déficit de Atenção/Hiperatividade (TDAH), a perspectiva inclusiva adquire especial relevância, uma vez que as manifestações do transtorno podem interferir na participação em atividades pedagógicas, na organização das tarefas e na manutenção da atenção durante as aulas. Entretanto, pesquisas recentes ressaltam que essas dificuldades não justificam práticas de segregação ou redução das expectativas de aprendizagem. Pelo contrário, evidenciam a necessidade de reorganização das práticas pedagógicas, considerando diferentes formas de ensinar, avaliar e acompanhar o desenvolvimento dos estudantes (Silva; Signor; Tonocchi, 2023; Guidi et al., 2024). A concepção contemporânea de educação inclusiva compreende que as diferenças individuais constituem elementos inerentes ao processo educativo e, portanto, devem ser consideradas no planejamento curricular. Sob essa perspectiva, o atendimento ao estudante com TDAH exige a adoção de estratégias que favoreçam sua participação ativa nas atividades escolares, sem comprometer os objetivos de aprendizagem previstos para a turma. Isso implica reconhecer que a flexibilização metodológica não representa simplificação curricular, mas adequação das condições de ensino para garantir equidade e ampliar as oportunidades de aprendizagem (Boff; Machado, 2024; Santos; Sardagna, 2023). Outro aspecto amplamente discutido na literatura refere-se ao papel do professor como mediador do processo inclusivo. O planejamento das atividades, a organização do ambiente de aprendizagem, a clareza das instruções, o uso de recursos diversificados e o acompanhamento contínuo favorecem maior engajamento dos estudantes com TDAH. Além disso, práticas pedagógicas fundamentadas em evidências contribuem para reduzir barreiras relacionadas à atenção, à organização das tarefas e à autorregulação, promovendo melhores condições para o desenvolvimento acadêmico e social (Guidi et al., 2024; Silva; Signor; Tonocchi, 2023). Estudos contemporâneos apontam que a concretização da inclusão escolar está diretamente relacionada à consolidação de um ambiente educativo que reconheça, respeite e valorize as diferenças presentes no contexto escolar. Isso significa que o atendimento aos estudantes com TDAH não deve restringir-se à atuação individual do professor, mas envolver ações articuladas entre equipe gestora, coordenação pedagógica, profissionais de apoio, família e serviços especializados. A cooperação entre esses diferentes atores favorece o compartilhamento de informações, o planejamento de intervenções coerentes e o acompanhamento sistemático do desenvolvimento do estudante, fortalecendo o processo de escolarização (Reis; Duarte; Martins, 2023; Boff; Machado, 2024). No contexto brasileiro, a organização do atendimento educacional aos estudantes com TDAH também encontra respaldo em dispositivos legais que orientam a promoção de práticas inclusivas. Além da Constituição Federal de 1988 e da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, destaca-se a Lei nº 14.254/2021, que estabelece o desenvolvimento de programas de acompanhamento integral para educandos com dislexia, TDAH e outros transtornos de aprendizagem. Embora a implementação dessas políticas ainda apresente desafios, sua existência reforça a responsabilidade das redes de ensino na identificação precoce das necessidades educacionais e na adoção de estratégias pedagógicas compatíveis com o desenvolvimento desses estudantes. Outro elemento recorrente nas pesquisas recentes refere-se à acessibilidade curricular como componente essencial da educação inclusiva. Nessa perspectiva, adaptar estratégias de ensino, diversificar instrumentos avaliativos, utilizar recursos visuais, organizar rotinas previsíveis e oferecer feedbacks frequentes são práticas que favorecem não apenas os estudantes com TDAH, mas toda a turma. A literatura demonstra que ambientes educacionais planejados sob os princípios da acessibilidade e da flexibilização metodológica promovem maior participação, autonomia e aprendizagem, contribuindo para a construção de escolas mais inclusivas (Santos; Sardagna, 2023; Guidi et al., 2024). Dessa forma, a educação inclusiva representa um compromisso com a garantia do direito à aprendizagem e com a construção de práticas pedagógicas que reconheçam a diversidade como característica constitutiva da escola contemporânea. No atendimento aos estudantes com TDAH, essa perspectiva implica compreender que o sucesso escolar depende da articulação entre políticas públicas, planejamento pedagógico, formação docente e trabalho colaborativo. Assim, mais do que adaptar atividades isoladas, torna-se necessário promover mudanças nas práticas educativas e na organização da escola, favorecendo contextos que assegurem participação, aprendizagem e desenvolvimento para todos os estudantes (Boff; Machado, 2024; Silva; Signor; Tonocchi, 2023).

2.4. Estratégias Pedagógicas Baseadas em Evidências para Estudantes com Transtorno do Déficit de Atenção/Hiperatividade (TDAH)

A adoção de estratégias pedagógicas fundamentadas em evidências científicas tem se consolidado como um dos principais caminhos para favorecer a aprendizagem e a participação escolar de estudantes com Transtorno do Déficit de Atenção/Hiperatividade (TDAH). Diferentemente de práticas baseadas exclusivamente na experiência docente ou em concepções intuitivas sobre o transtorno, as estratégias baseadas em evidências resultam de pesquisas que investigam a eficácia de diferentes intervenções educacionais em contextos escolares. Nesse sentido, a literatura recente destaca que o planejamento pedagógico deve considerar as características cognitivas, comportamentais e socioemocionais dos estudantes, articulando metodologias que promovam o engajamento, a autonomia e o desenvolvimento das habilidades acadêmicas (Silva; Signor; Tonocchi, 2023; Moura; Rodrigues, 2024). Entre as estratégias mais recorrentes na literatura destaca-se a organização estruturada do ambiente de aprendizagem. Pesquisas demonstram que estudantes com TDAH apresentam melhor desempenho quando as atividades são desenvolvidas em ambientes previsíveis, com rotinas claramente estabelecidas, instruções objetivas e redução de estímulos distratores. A definição antecipada dos objetivos da aula, a organização sequencial das tarefas e a utilização de comandos curtos favorecem a compreensão das atividades e reduzem a sobrecarga cognitiva, contribuindo para maior permanência na tarefa e melhor aproveitamento escolar (Guidi et al., 2024; Moura; Rodrigues, 2024). Outra estratégia amplamente recomendada refere-se à fragmentação das atividades em etapas menores e progressivas. Em vez de apresentar tarefas extensas ou complexas, os estudos sugerem que o professor organize o conteúdo em pequenas unidades de aprendizagem, permitindo que o estudante acompanhe cada etapa antes de avançar para a seguinte. Essa prática reduz a ansiedade diante de atividades longas, facilita o monitoramento da aprendizagem e possibilita feedbacks mais frequentes, favorecendo a motivação e a autorregulação do estudante (Silva; Signor; Tonocchi, 2023; Guidi et al., 2024). A literatura também evidencia a importância do feedback imediato e contínuo como estratégia pedagógica. Comentários claros sobre o desempenho, reforços positivos diante dos avanços e orientações específicas para a correção de dificuldades favorecem a manutenção da atenção e fortalecem o vínculo do estudante com o processo de aprendizagem. Além de contribuir para o desenvolvimento acadêmico, o feedback frequente amplia a percepção de competência, reduz experiências repetidas de fracasso escolar e estimula a participação ativa nas atividades propostas (Moura; Rodrigues, 2024; Ferreira et al., 2024). Outro conjunto de estratégias baseadas em evidências envolve a diversificação metodológica. Estudos recentes demonstram que a utilização de recursos visuais, jogos pedagógicos, tecnologias digitais, atividades práticas e metodologias ativas favorece maior envolvimento dos estudantes com TDAH, especialmente quando essas estratégias são articuladas aos objetivos de aprendizagem. O uso de recursos variados amplia as possibilidades de interação com os conteúdos, favorece diferentes estilos de aprendizagem e reduz a monotonia das atividades expositivas prolongadas, frequentemente associadas à diminuição da atenção (Guidi et al., 2024; Moura; Rodrigues, 2024). A promoção da autorregulação da aprendizagem também constitui uma estratégia amplamente recomendada na literatura contemporânea. Ensinar o estudante a planejar suas atividades, estabelecer metas de curto prazo, monitorar seu próprio desempenho e avaliar os resultados obtidos contribui para o desenvolvimento da autonomia e das funções executivas. Nesse processo, o professor atua como mediador, oferecendo apoio gradual até que o estudante desenvolva maior independência na organização de suas tarefas escolares. Evidências recentes indicam que intervenções voltadas ao desenvolvimento da autorregulação apresentam efeitos positivos tanto no desempenho acadêmico quanto na participação em sala de aula (Silva; Signor; Tonocchi, 2023; Moura; Rodrigues, 2024). Além das intervenções direcionadas ao estudante, as pesquisas ressaltam que a formação continuada dos professores representa um elemento indispensável para a implementação de práticas pedagógicas baseadas em evidências. O conhecimento sobre as características do TDAH, aliado ao domínio de estratégias metodológicas eficazes, favorece a tomada de decisões pedagógicas mais consistentes e reduz interpretações equivocadas acerca dos comportamentos apresentados pelos estudantes. Dessa forma, investir na qualificação docente significa ampliar a capacidade da escola em responder às demandas da diversidade presente nas salas de aula contemporâneas (Silva; Signor; Tonocchi, 2023; Moura; Rodrigues, 2024). Outro aspecto enfatizado pela literatura refere-se à necessidade de articulação entre escola, família e equipe multiprofissional. As evidências demonstram que estratégias pedagógicas tendem a apresentar melhores resultados quando integradas ao acompanhamento familiar e às orientações dos profissionais responsáveis pelo atendimento clínico e psicopedagógico do estudante. Essa atuação colaborativa possibilita maior continuidade das intervenções, favorece a identificação precoce das dificuldades e amplia as possibilidades de desenvolvimento acadêmico e socioemocional (Ferreira et al., 2024; Guidi et al., 2024). Em síntese, os estudos publicados nos últimos anos convergem para a compreensão de que não existe uma estratégia única capaz de atender às necessidades de todos os estudantes com TDAH. As evidências indicam que os melhores resultados decorrem da combinação de diferentes intervenções pedagógicas, planejadas de acordo com as características individuais dos estudantes e com os objetivos educacionais pretendidos. Assim, práticas como organização do ambiente, fragmentação das atividades, feedback contínuo, diversificação metodológica, promoção da autorregulação e formação docente constituem estratégias respaldadas pela literatura científica e representam importantes possibilidades para fortalecer a aprendizagem e a inclusão escolar dos estudantes com TDAH.

3. METODOLOGIA

Este estudo caracteriza-se como uma revisão integrativa da literatura, de abordagem qualitativa e natureza descritiva, desenvolvida com o propósito de analisar as evidências científicas disponíveis acerca das estratégias pedagógicas destinadas aos estudantes com Transtorno do Déficit de Atenção/Hiperatividade (TDAH). Esse método foi escolhido por possibilitar a reunião, avaliação e síntese de conhecimentos produzidos sobre determinado fenômeno, permitindo uma compreensão ampla do objeto investigado e favorecendo a identificação de lacunas existentes na produção científica (Whittemore; Knafl, 2005; Souza; Silva; Carvalho, 2010). A revisão integrativa diferencia-se por permitir a inclusão de estudos com diferentes abordagens metodológicas, possibilitando uma análise abrangente das evidências relacionadas ao problema de pesquisa. Dessa forma, torna-se adequada para investigar a temática das estratégias pedagógicas baseadas em evidências para estudantes com TDAH, uma vez que envolve aspectos educacionais, cognitivos, comportamentais e sociais presentes no processo de aprendizagem escolar (Whittemore; Knafl, 2005). O desenvolvimento desta pesquisa seguirá as etapas propostas para a realização de uma revisão integrativa, envolvendo a elaboração da questão norteadora, definição dos critérios de elegibilidade, estabelecimento da estratégia de busca, seleção dos estudos, extração das informações, análise crítica dos dados encontrados e síntese dos resultados. Para garantir maior transparência e organização no processo de identificação e seleção dos estudos, serão consideradas as recomendações do protocolo PRISMA 2020 (Preferred Reporting Items for Systematic Reviews and Meta-Analyses), que orienta a apresentação de revisões de literatura com maior rigor metodológico e clareza na descrição das etapas realizadas (Page et al., 2021). A questão norteadora da pesquisa foi elaborada a partir da estratégia PICo, considerando os seguintes elementos: P (População): estudantes com Transtorno do Déficit de Atenção/Hiperatividade; I (Interesse): estratégias pedagógicas baseadas em evidências; e Co (Contexto): ambiente escolar. Assim, estabeleceu-se a seguinte pergunta de investigação: Quais estratégias pedagógicas baseadas em evidências têm sido utilizadas para favorecer a aprendizagem e a participação escolar de estudantes com Transtorno do Déficit de Atenção/Hiperatividade? A busca dos estudos será realizada nas bases de dados Scientific Electronic Library Online (SciELO), Literatura Latino-Americana e do Caribe em Ciências da Saúde (LILACS), Biblioteca Virtual em Saúde (BVS), Education Resources Information Center (ERIC) e Scopus, considerando sua relevância para a produção científica nas áreas da educação, saúde, psicologia e desenvolvimento humano. Para a localização dos estudos serão utilizados descritores controlados provenientes dos vocabulários DeCS (Descritores em Ciências da Saúde) e MeSH (Medical Subject Headings), combinados por meio dos operadores booleanos AND e OR. A estratégia de busca será composta por termos relacionados ao transtorno, ao contexto educacional e às intervenções pedagógicas, utilizando combinações como: “Attention Deficit Hyperactivity Disorder” OR “ADHD” OR “Transtorno do Déficit de Atenção/Hiperatividade” AND “educational interventions” OR “teaching strategies” OR “pedagogical strategies” AND “students” OR “school” OR “learning”. Serão incluídos estudos publicados entre janeiro de 2022 e dezembro de 2025, disponíveis integralmente, nos idiomas português, inglês ou espanhol, que apresentem discussões ou resultados relacionados às estratégias pedagógicas, intervenções educacionais ou práticas docentes direcionadas a estudantes com TDAH no contexto escolar. Serão excluídos artigos duplicados, estudos exclusivamente clínicos ou farmacológicos, pesquisas sem relação direta com a aprendizagem escolar, trabalhos acadêmicos como teses e dissertações, capítulos de livros, editoriais, cartas ao editor e publicações sem acesso ao texto completo. O processo de seleção dos estudos ocorrerá em etapas sucessivas, conforme as recomendações do PRISMA 2020. Inicialmente, serão identificados os estudos nas bases selecionadas, posteriormente serão removidos os registros duplicados e realizada a análise dos títulos e resumos. Os artigos considerados potencialmente relevantes serão submetidos à leitura integral para verificar sua adequação aos critérios estabelecidos. Ao final desse processo, será definida a amostra final da revisão integrativa. Para a organização das informações, será elaborado um instrumento de extração de dados contendo: autoria, ano de publicação, país de origem, objetivo do estudo, abordagem metodológica, participantes, estratégias pedagógicas investigadas e principais resultados encontrados. A análise será realizada por meio de síntese qualitativa dos achados, buscando identificar padrões, convergências, divergências e contribuições dos estudos selecionados para a compreensão das práticas pedagógicas baseadas em evidências destinadas aos estudantes com TDAH. Dessa maneira, a presente revisão integrativa pretende não apenas reunir conhecimentos produzidos na literatura recente, mas também contribuir para uma reflexão crítica sobre as possibilidades de intervenção pedagógica no contexto escolar, evidenciando estratégias capazes de favorecer a aprendizagem, a participação e a inclusão educacional dos estudantes com TDAH.

4. RESULTADOS E DISCUSSÃO

A busca realizada nas bases de dados selecionadas permitiu identificar estudos relacionados às estratégias pedagógicas direcionadas aos estudantes com Transtorno do Déficit de Atenção/Hiperatividade (TDAH) no contexto escolar. Após a aplicação dos critérios de inclusão e exclusão previamente estabelecidos, os estudos elegíveis foram analisados integralmente, considerando seus objetivos, delineamentos metodológicos, estratégias investigadas e principais contribuições para a prática educativa. O processo de seleção dos estudos foi organizado conforme as recomendações do protocolo PRISMA 2020, possibilitando maior transparência na identificação, triagem, elegibilidade e inclusão dos artigos que compuseram a amostra final da revisão. Os estudos selecionados apresentaram diferentes abordagens metodológicas, incluindo revisões de literatura, pesquisas qualitativas e investigações voltadas à análise de intervenções pedagógicas, evidenciando a complexidade envolvida na compreensão da aprendizagem de estudantes com TDAH. A análise dos estudos permitiu a organização dos resultados em três categorias temáticas principais: (1) estratégias pedagógicas estruturadas para favorecer a aprendizagem; (2) desenvolvimento da autorregulação e das funções executivas; e (3) formação docente e práticas inclusivas no atendimento aos estudantes com TDAH.

4.1. Estratégias Pedagógicas Estruturadas para Favorecer a Aprendizagem dos Estudantes com TDAH

Os estudos analisados evidenciam que a organização do ambiente escolar constitui um elemento fundamental para favorecer a aprendizagem dos estudantes com TDAH. Estratégias relacionadas à estruturação das rotinas, apresentação clara das orientações, divisão das atividades em etapas menores e acompanhamento sistemático do desempenho aparecem como práticas recorrentes nas pesquisas recentes. Essas intervenções contribuem para reduzir dificuldades relacionadas à atenção, ao planejamento e à organização das tarefas escolares, possibilitando maior participação dos estudantes no processo educativo. A literatura analisada indica que estudantes com TDAH tendem a apresentar melhores resultados quando submetidos a ambientes de aprendizagem previsíveis e organizados, nos quais os objetivos das atividades são apresentados de maneira clara e as expectativas de aprendizagem são explicitadas pelo professor. Nesse sentido, a mediação pedagógica assume papel essencial, pois possibilita ao estudante compreender o percurso necessário para realizar determinada tarefa e desenvolver gradativamente maior autonomia. Além disso, os estudos destacam que estratégias diversificadas, como utilização de recursos visuais, atividades práticas, tecnologias educacionais e metodologias ativas, podem ampliar o envolvimento dos estudantes com os conteúdos escolares. Entretanto, os autores ressaltam que a utilização desses recursos deve estar associada a objetivos pedagógicos definidos, evitando que a tecnologia ou a inovação metodológica sejam utilizadas apenas como elementos motivacionais sem intencionalidade educativa.

4.2. Autorregulação da Aprendizagem e Desenvolvimento das Funções Executivas

Outra categoria identificada refere-se à importância das funções executivas no processo de aprendizagem dos estudantes com TDAH. Os estudos analisados apontam que dificuldades relacionadas ao planejamento, controle da impulsividade, memória de trabalho e monitoramento das próprias ações podem interferir diretamente na realização das atividades acadêmicas. Nesse contexto, estratégias pedagógicas voltadas ao desenvolvimento da autorregulação apresentam resultados promissores, pois auxiliam o estudante a compreender seus próprios processos de aprendizagem. Práticas como estabelecimento de metas, organização de cronogramas, utilização de listas de verificação e reflexão sobre os procedimentos utilizados favorecem a construção da autonomia e o desenvolvimento de habilidades necessárias para a vida escolar. Os achados indicam que o professor exerce papel mediador nesse processo, oferecendo suporte inicial e reduzindo gradativamente esse apoio à medida que o estudante desenvolve maior independência. Dessa forma, a intervenção pedagógica não deve limitar-se à adaptação das atividades, mas promover o desenvolvimento de competências que possibilitem ao estudante participar ativamente da própria aprendizagem.

4.3. Formação Docente e Práticas Inclusivas para Estudantes com TDAH

A terceira categoria evidenciada na análise refere-se à formação dos professores e à construção de práticas pedagógicas inclusivas. Os estudos demonstram que a ausência de conhecimentos específicos sobre o TDAH pode contribuir para interpretações equivocadas dos comportamentos dos estudantes, levando à associação indevida entre dificuldade de atenção e falta de interesse ou incapacidade de aprendizagem. As evidências apontam que professores preparados apresentam maior capacidade para identificar necessidades educacionais, selecionar estratégias adequadas e construir ambientes de aprendizagem mais acolhedores. Nesse sentido, a formação continuada emerge como elemento indispensável para fortalecer práticas inclusivas baseadas em evidências científicas. Outro aspecto destacado pelos estudos refere-se à necessidade de articulação entre escola, família e profissionais especializados. Essa colaboração favorece uma compreensão mais ampla do estudante e possibilita intervenções mais coerentes, considerando suas características individuais, potencialidades e desafios.

4.4. Síntese dos resultados

De modo geral, os estudos analisados convergem para a compreensão de que o atendimento educacional aos estudantes com TDAH requer práticas pedagógicas planejadas, sistemáticas e fundamentadas em evidências científicas. As estratégias mais recorrentes na literatura envolvem organização do ambiente escolar, flexibilização metodológica, desenvolvimento da autorregulação, uso de diferentes recursos didáticos e formação docente. Entretanto, os estudos também revelam que ainda existem desafios relacionados à implementação dessas práticas nas escolas, especialmente devido à necessidade de maior investimento na formação dos professores, disponibilidade de recursos pedagógicos e fortalecimento das políticas públicas de educação inclusiva. Assim, os resultados desta revisão indicam que a aprendizagem dos estudantes com TDAH não depende exclusivamente das características individuais do transtorno, mas da qualidade das oportunidades educacionais oferecidas. A construção de ambientes escolares inclusivos e baseados em evidências constitui um caminho fundamental para garantir participação, desenvolvimento e aprendizagem desses estudantes.

5. CONSIDERAÇÕES FINAIS

A presente revisão integrativa da literatura possibilitou analisar as estratégias pedagógicas baseadas em evidências destinadas aos estudantes com Transtorno do Déficit de Atenção/Hiperatividade (TDAH), evidenciando que o processo de aprendizagem desses estudantes envolve múltiplas dimensões, incluindo aspectos cognitivos, emocionais, pedagógicos e sociais. Os estudos analisados demonstram que as dificuldades apresentadas por esses estudantes não devem ser compreendidas como limitações permanentes ou ausência de capacidade para aprender, mas como desafios que podem ser minimizados por meio de práticas educativas planejadas, inclusivas e fundamentadas em evidências científicas. Os resultados indicam que estratégias como organização estruturada do ambiente escolar, definição clara de objetivos, fragmentação das atividades, utilização de recursos diversificados, feedback contínuo e incentivo ao desenvolvimento da autorregulação apresentam contribuições significativas para ampliar a participação e o envolvimento dos estudantes com TDAH nas atividades escolares. Dessa forma, evidencia-se que a intervenção pedagógica exerce papel determinante na construção de condições mais favoráveis para a aprendizagem, especialmente quando considera as singularidades dos estudantes e promove oportunidades equitativas de desenvolvimento. A análise da literatura também reforça a importância da atuação docente no processo inclusivo. O professor, enquanto mediador da aprendizagem, necessita compreender as características do TDAH e desenvolver estratégias metodológicas capazes de responder à diversidade presente na sala de aula. Nesse sentido, a formação continuada dos profissionais da educação constitui elemento essencial para superar práticas baseadas apenas em percepções individuais e fortalecer ações pedagógicas orientadas por conhecimentos científicos. Outro aspecto evidenciado refere-se à necessidade de compreender a inclusão escolar para além da matrícula e da permanência física do estudante na escola. A educação inclusiva pressupõe participação efetiva, aprendizagem e desenvolvimento, exigindo mudanças na organização escolar, no planejamento pedagógico e nas formas de avaliação. Para os estudantes com TDAH, isso significa construir ambientes educativos que reduzam barreiras, valorizem potencialidades e assegurem condições adequadas para o desenvolvimento acadêmico e socioemocional. Apesar dos avanços identificados na produção científica recente, observa-se a necessidade de ampliar as pesquisas sobre estratégias pedagógicas aplicadas diretamente no cotidiano das escolas, especialmente estudos longitudinais e investigações que analisem a efetividade das intervenções em diferentes etapas da educação básica. Essa falta de dados reforça a necessidade de investigações que conectem os saberes acadêmicos às experiências reais dos docentes no cotidiano escola. Conclui-se, portanto, que as estratégias pedagógicas baseadas em evidências representam importantes possibilidades para favorecer a aprendizagem dos estudantes com TDAH, desde que sejam implementadas de forma planejada, contextualizada e articulada às necessidades individuais e coletivas dos estudantes. A construção de uma escola verdadeiramente inclusiva depende da integração entre conhecimento científico, formação docente, políticas educacionais e compromisso institucional com o direito de todos à aprendizagem.

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1 Doutorando em Letras pela Universidade de Santa Cruz do Sul - UNISC. Docente e pesquisador da Educação Básica e Superior. E-mail:[clique para visualizar o e-mail]acesse o artigo original para visualizar o e-mail