EMPREENDEDORISMO NA ENFERMAGEM COMO FERRAMENTA DE INOVAÇÃO NA ATENÇÃO PRIMÁRIA A SAÚDE

ENTREPRENEURSHIP IN NURSING AS A TOOL FOR INNOVATION IN PRIMARY HEATH CARE

REGISTRO DOI: 10.70773/revistatopicos/781236149

RESUMO
A Atenção Primária à Saúde (APS) demanda práticas inovadoras capazes de ampliar a qualidade, a acessibilidade e a resolutividade da assistência. Nesse contexto, o empreendedorismo na enfermagem tem se destacado como estratégia para fortalecimento da autonomia profissional e ampliação dos espaços de atuação do enfermeiro. O presente estudo teve como objetivo analisar o empreendedorismo na enfermagem como instrumento de inovação na Atenção Primária à Saúde, destacando suas contribuições, desafios e impactos para a qualidade da assistência. Trata-se de uma pesquisa bibliográfica, de caráter descritivo e exploratório, realizada por meio de revisão da literatura em bases de dados nacionais e internacionais. Os resultados evidenciaram que o empreendedorismo favorece o desenvolvimento de competências relacionadas à liderança, gestão e inovação, além de ampliar as possibilidades de atuação em consultorias, assistência domiciliar, educação em saúde e práticas integrativas. Também foram identificadas contribuições para a qualificação da assistência, ampliação do acesso aos serviços e fortalecimento do vínculo entre profissionais e usuários. Contudo, persistem desafios relacionados à formação acadêmica, à insegurança profissional e às barreiras burocráticas para a atuação empreendedora. Conclui-se que o empreendedorismo constitui uma importante ferramenta de inovação na enfermagem, contribuindo para o fortalecimento da Atenção Primária à Saúde e para a construção de práticas assistenciais mais eficientes, acessíveis e centradas nas necessidades da população.
Palavras-chave: Empreendedorismo; Enfermagem; Inovação; Atenção Primária.

ABSTRACT
Primary Health Care (PHC) requires innovative practices capable of improving the quality, accessibility, and effectiveness of healthcare services. In this context, entrepreneurship in nursing has emerged as a strategy to strengthen professional autonomy and expand nurses' fields of practice. This study aimed to analyze nursing entrepreneurship as an instrument of innovation in Primary Health Care, highlighting its contributions, challenges, and impacts on the quality of care. This is a descriptive and exploratory bibliographic study conducted through a literature review of national and international databases. The results showed that entrepreneurship promotes the development of competencies related to leadership, management, and innovation, while also expanding opportunities for professional practice in consulting services, home care, health education, and integrative practices. Contributions were also identified regarding the improvement of healthcare quality, the expansion of access to health services, and the strengthening of the relationship between healthcare professionals and users. However, challenges related to academic training, professional insecurity, and bureaucratic barriers to entrepreneurial practice remain. It is concluded that entrepreneurship constitutes an important tool for innovation in nursing, contributing to the strengthening of Primary Health Care and to the development of more efficient, accessible, and patient-centered healthcare practices.
Keywords: Entrepreneursrip; Nursing; Innovation; Primary Care.

1. INTRODUÇÃO

O empreendedorismo na enfermagem tem se consolidado como uma importante estratégia de inovação e ampliação das práticas assistenciais no contexto da saúde contemporânea. Tradicionalmente vinculada às atividades hospitalares e assistenciais, a enfermagem passou a ocupar novos espaços de atuação, desenvolvendo iniciativas autônomas, serviços especializados, consultorias, educação em saúde e práticas voltadas à gestão do cuidado, especialmente na Atenção Primária à Saúde (APS). Esse movimento acompanha as transformações sociais, econômicas e tecnológicas que exigem profissionais mais criativos, resolutivos e preparados para enfrentar os desafios do sistema de saúde (Oliveira et al., 2022).

A Atenção Primária à Saúde (APS) constitui a principal porta de entrada dos usuários no sistema de saúde, sendo responsável pela promoção da saúde, prevenção de agravos e coordenação do cuidado. Nesse contexto, o enfermeiro desempenha papel essencial no desenvolvimento de ações educativas, na gestão das equipes multiprofissionais e na implementação de estratégias voltadas à integralidade da assistência (Silva et al., 2025). Contudo, apesar da relevância de suas atribuições, ainda persistem desafios relacionados à valorização profissional, à autonomia financeira e ao reconhecimento social, fatores que têm impulsionado a busca por modalidades alternativas de atuação, incluindo iniciativas empreendedoras na área da enfermagem (Backes et al., 2021).

Nos últimos anos, o empreendedorismo em enfermagem passou a ser discutido como ferramenta capaz de promover inovação nos serviços de saúde, fortalecendo a autonomia profissional e ampliando o acesso da população a cuidados qualificados. Estudos demonstram que enfermeiros empreendedores desenvolvem soluções criativas para atender demandas da comunidade, contribuindo para maior resolutividade dos serviços e fortalecimento das práticas assistenciais na APS (Morais et al., 2013). Além disso, o empreendedorismo favorece a construção de novos modelos de cuidado centrados nas necessidades do usuário e na humanização da assistência (Macedo et al., 2024).

O desenvolvimento do empreendedorismo na enfermagem também está relacionado às mudanças no perfil profissional exigido pelo mercado de trabalho. Competências como liderança, inovação, comunicação, tomada de decisão e gestão estratégica tornaram-se essenciais para o enfermeiro contemporâneo (Copelli et al., 2022). Nesse contexto, observa-se que muitos profissionais têm buscado atuar em clínicas independentes, consultorias, atendimentos domiciliares, educação em saúde e práticas integrativas, ampliando as possibilidades de inserção profissional e geração de renda (Lokman; Chahine, 2021).

Apesar do crescimento do tema, a literatura evidencia que o empreendedorismo ainda enfrenta desafios significativos no campo da enfermagem, especialmente aqueles relacionados à insuficiente abordagem de conteúdos sobre gestão, inovação e empreendedorismo durante a formação acadêmica, à insegurança profissional, às exigências burocráticas e ao desconhecimento acerca das possibilidades de atuação empreendedora na área (Kirkman; Wilkinson; Scahill 2018). Além disso, muitos profissionais ainda associam o empreendedorismo exclusivamente à criação de empresas, desconsiderando seu potencial como ferramenta de inovação, transformação social e qualificação do cuidado em saúde (Almeida et al., 2023).

Nesse sentido, torna-se necessário compreender o empreendedorismo como uma estratégia capaz de fortalecer a atuação do enfermeiro e promover a inovação nas práticas desenvolvidas na Atenção Primária à Saúde. A relevância desta temática está relacionada às transformações observadas no sistema de saúde, às novas demandas do mercado de trabalho e à necessidade de construção de modelos assistenciais mais acessíveis, resolutivos e humanizados.

Outrossim, a persistência de desafios relacionados à formação profissional e ao reconhecimento das possibilidades empreendedoras na enfermagem evidencia a importância de ampliar as discussões sobre o tema. Diante desse contexto, o presente estudo tem como objetivo analisar o empreendedorismo na enfermagem como instrumento de inovação na Atenção Primária à Saúde, destacando suas contribuições, desafios e impactos na qualidade da assistência.

2. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA

2.1. Empreendedorismo na Enfermagem

O empreendedorismo tem se consolidado como uma importante tendência no campo da saúde, impulsionado pelas transformações tecnológicas, econômicas e sociais que vêm redefinindo as formas de organização do trabalho e a prestação dos serviços assistenciais. Nesse cenário, os profissionais de enfermagem têm sido desafiados a desenvolver competências que ultrapassam as atividades tradicionalmente associadas ao cuidado, incorporando habilidades relacionadas à gestão, inovação, liderança e tomada de decisão (Lokman; Chahine, 2021). Essa mudança de perspectiva tem contribuído para a ampliação dos espaços de atuação profissional e para a construção de novas possibilidades de inserção no mercado de trabalho.

Esse termo na enfermagem vem ganhando destaque como estratégia de fortalecimento profissional e ampliação das possibilidades de atuação do enfermeiro. Historicamente, a enfermagem esteve associada predominantemente ao cuidado assistencial em instituições hospitalares e demais serviços vinculados ao sistema de saúde. Contudo, as transformações sociais, econômicas e organizacionais ocorridas nas últimas décadas favoreceram o surgimento de práticas mais autônomas e inovadoras, ampliando o campo de atuação da categoria profissional (Backes et al., 2022).

Nesse contexto, o empreendedorismo passou a ser compreendido não apenas como a criação e gestão de negócios próprios, mas também como a capacidade de identificar oportunidades, desenvolver soluções criativas e implementar estratégias inovadoras voltadas à resolução de problemas e ao atendimento das demandas da população. Na enfermagem, essa perspectiva está relacionada à busca por novas formas de cuidado, à qualificação dos serviços de saúde e à valorização da autonomia profissional, contribuindo para a geração de impactos positivos tanto para os profissionais quanto para os usuários dos serviços de saúde (Copelli et al., 2022).

2.2. Inovação na Atenção Primária à Saúde

A Atenção Primária à Saúde (APS) ocupa posição estratégica na organização dos sistemas de saúde, atuando como primeiro nível de contato dos indivíduos com os serviços assistenciais e como principal articuladora das ações de promoção, prevenção, tratamento e reabilitação (Oliveira et al., 2023). No contexto brasileiro, a APS desempenha papel fundamental na consolidação dos princípios do Sistema Único de Saúde (SUS), especialmente no que se refere à universalidade, integralidade e equidade do cuidado. Contudo, as mudanças no perfil epidemiológico da população, o aumento das doenças crônicas e a crescente demanda por serviços de qualidade têm exigido a adoção de práticas mais eficientes, inovadoras e centradas nas necessidades dos usuários (Robin; Alexander, 2025).

Nesse cenário, a inovação surge como um elemento indispensável para o aprimoramento das ações desenvolvidas na Atenção Primária à Saúde, favorecendo a qualificação da assistência e o fortalecimento dos processos de trabalho. O enfermeiro, por sua atuação próxima à comunidade e por sua participação direta no planejamento e execução das ações de saúde, destaca-se como um agente potencial de transformação (Dehghanzadeh, 2016). Dessa forma, o empreendedorismo na enfermagem tem se mostrado uma importante ferramenta para a implementação de estratégias criativas voltadas à educação em saúde, ao acompanhamento dos usuários, à organização dos serviços e ao desenvolvimento de soluções capazes de ampliar a efetividade e a humanização do cuidado prestado (Silva et al., 2025).

2.3. O Enfermeiro Como Agente Empreendedor

As transformações ocorridas nos sistemas de saúde e nas relações de trabalho têm exigido dos profissionais de enfermagem uma atuação cada vez mais dinâmica e adaptável às demandas da sociedade. Além do domínio técnico-científico necessário para a prestação da assistência, espera-se que o enfermeiro seja capaz de atuar de forma proativa na identificação de problemas, no planejamento de soluções e na coordenação de equipes e serviços (Menegaz; Trindade; Santos, 2021). Nesse contexto, competências relacionadas à liderança, comunicação, gestão estratégica e tomada de decisão tornam-se fundamentais para o desenvolvimento profissional, contribuindo para a melhoria da qualidade do cuidado e para o fortalecimento das organizações de saúde.

A incorporação dessas habilidades também favorece o desenvolvimento do comportamento empreendedor, uma vez que estimula a criatividade, a inovação e a busca por novas oportunidades de atuação profissional. Entretanto, apesar da crescente valorização dessas competências no mercado de trabalho, pesquisas indicam que a formação acadêmica em enfermagem ainda apresenta limitações no que se refere ao ensino de conteúdos relacionados à gestão, inovação e empreendedorismo (Kirkman; Wilkinson; Scahill 2018) . Essa lacuna pode dificultar o preparo dos futuros profissionais para atuarem de forma autônoma, desenvolverem projetos inovadores e ampliarem sua participação em espaços estratégicos de gestão e transformação dos serviços de saúde (Kirkman; Wilkinson; Scahill 2018).

2.4. Desafios e Perspectivas do Empreendedorismo na Enfermagem

Embora o empreendedorismo venha conquistando maior visibilidade no campo da enfermagem, sua consolidação ainda enfrenta obstáculos que dificultam a expansão dessa prática entre os profissionais. Tradicionalmente, a formação e a atuação do enfermeiro estiveram voltadas para espaços institucionais já estabelecidos, o que contribuiu para uma compreensão limitada acerca das possibilidades de atuação empreendedora (Robin; Alexander, 2025). Além disso, fatores como a ausência de conteúdos específicos sobre gestão e inovação nos cursos de graduação, a falta de experiências práticas relacionadas ao empreendedorismo e as incertezas inerentes ao desenvolvimento de iniciativas autônomas podem reduzir o interesse dos profissionais por esse campo de atuação.

Apesar dessas dificuldades, observa-se um movimento crescente de valorização do empreendedorismo como alternativa para diversificação das atividades profissionais e ampliação da autonomia do enfermeiro. Na área da Atenção Primária à Saúde, esse processo tem se manifestado por meio da criação de consultorias, serviços de educação em saúde, atendimentos especializados e outras iniciativas voltadas às necessidades da população (Menegaz; Trindade; Santos, 2021). Nesse. Esse cenário evidencia que o empreendedorismo pode contribuir não apenas para a geração de oportunidades de trabalho, mas também para o fortalecimento da enfermagem enquanto ciência, profissão e prática social comprometida com a inovação e a qualificação da assistência em saúde (Almeida et al., 2023).

3. METODOLOGIA

O presente estudo caracteriza-se como uma pesquisa bibliográfica, de caráter descritivo e exploratório, realizada por meio de revisão da literatura acerca do empreendedorismo na enfermagem como ferramenta de inovação na Atenção Primária à Saúde (APS).

A pesquisa bibliográfica foi desenvolvida a partir da análise de artigos científicos publicados em bases de dados nacionais e internacionais, com o objetivo de reunir informações relevantes sobre o tema estudado. Para a coleta de dados, foram utilizadas as bases PubMed (06), SciELO (04), LILACS (05) e Google Acadêmico (06), devido à relevância científica e abrangência na área da saúde e enfermagem (Figura 1).

Foram selecionados estudos publicados em português e inglês, disponíveis na íntegra, que abordassem o empreendedorismo na enfermagem, a inovação em saúde, a autonomia profissional do enfermeiro e sua atuação na Atenção Primária à Saúde. Como critérios de inclusão, consideraram-se publicações divulgadas nos últimos anos e que apresentassem relação direta com a temática investigada. Foram excluídos estudos duplicados, publicações incompletas e trabalhos que não apresentavam pertinência com os objetivos da pesquisa.

A busca bibliográfica foi realizada por meio da utilização dos descritores “empreendedorismo na enfermagem”, “inovação em saúde”, “atenção primária à saúde” e “enfermeiro empreendedor”, combinados entre si mediante o uso de operadores booleanos.

Após a seleção dos estudos, procedeu-se à leitura exploratória, seletiva e analítica do material identificado, possibilitando a organização das informações em categorias temáticas e a discussão dos principais achados evidenciados na literatura.

Figura 1: Fluxograma do processo de seleção dos estudos incluídos na pesquisa.

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Fonte: Elaborado pelos autores (2026).

4. RESULTADOS E DISCUSSÕES

4.1. o Empreendedorismo Como Fortalecimento da Autonomia Profissional

A análise da literatura permitiu a identificação de estudos que abordam diferentes perspectivas do empreendedorismo na enfermagem, contemplando aspectos relacionados à autonomia profissional, inovação em saúde, desenvolvimento de competências empreendedoras e fortalecimento das práticas assistenciais na Atenção Primária à Saúde. Com o objetivo de sistematizar as informações obtidas, elaborou-se o Quadro 1, que apresenta a caracterização dos estudos selecionados, incluindo autoria, ano de publicação, base de dados objetivos.

Quadro 1: Caracterização dos estudos selecionados para análise.

 

Autor(es)/Ano

 

Título do Estudo

 

Base de Dados

 

Objetivo

 

01

 

Kocatepe et al., (2025)

 

Nurses' Patient-Centered Care Competencies and Care Perceptions of the Patients They Care for: A Cross-Sectional Study

 

PUBMED

 

Examinar as competências dos enfermeiros no cuidado centrado no paciente e as percepções dos pacientes que receberam cuidados desses enfermeiros.

 

02

 

Dehghanzadeh (2016)

 

Entrepreneurship Psychological Characteristics of Nurses

 

PUBMED

 

Avaliar as características psicológicas do empreendedorismo entre enfermeiros. O instrumento de pesquisa incluiu escalas que medem características psicológicas do empreendedorismo, como locus de controle, necessidade de realização, propensão ao risco, tolerância à ambiguidade e inovação, entre enfermeiros do Hospital Shahid Sadoughi, em Yazd, Irã, em 2013.

 

03

 

Bärnreuther (2023)

 

Disrupting healthcare? Entrepreneurship as an "innovative" financing mechanism in India's primary care sector

 

PUBMED

 

Analisar uma parceria público-privada entre o estado indiano de Bengala Ocidental e uma empresa social de propriedade indiana.

 

 

04

 

Lokman; Chahine (2021)

 

Business models for primary health care delivery in low- and middle-income countries: a scoping study of nine social entrepreneurs

 

PUBMED

 

Determinar se o empreendedorismo social é um modelo viável nesse contexto e identificar padrões e características comuns que possam orientar o trabalho de empreendedores sociais, financiadores e pesquisadores nessa área.

 

 

05

 

Kirkman; Wilkinson; Scahill (2018)

 

Thinking about health care differently: nurse practitioners in primary health care as social entrepreneurs

 

PUBMED

 

Explorar se e como as atividades inovadoras dos EPAs da atenção primária podem ser descritas como empreendedoras sociais.

 

06

 

Boore; Porter (2011)

 

Education for entrepreneurship in nursing

 

PUBMED

 

Discute os diferentes tipos de empreendedorismo, incluindo o empreendedorismo social e o intraempreendedorismo, bem como a importância das competências em empreendedorismo social no contexto das mudanças no setor da saúde.

 

07

 

Almeida et al., (2013)

 

Desemprego e empreen De Dorismo: da ambiguidade da relação conceitual à

eficácia das práticas de intervenção social

 

LILACS

 

Impõe-se a questão, que se constitui como o mote para o presente artigo: será a via do empreendedorismo uma verdadeira alternativa para os desempregados?

 

08

 

Morais et al., (2013)

 

Práticas de Enfermagem Empreendedoras e Autônomas

 

LILACS

 

Caracterizar as práticas de enfermagem empreendedoras no Estado do Paraná.

 

09

 

Menegaz; Trindade; Santos (2021)

 

Empreendedorismo em enfermagem: contribuição ao objetivo de desenvolvimento sustentável Saúde e Bem-Estar

 

LILACS

 

Refletir sobre a relação entre o empreendedorismo de Enfermagem e as metas do Objetivo de Desenvolvimento Sustentável (ODS) no Saúde e Bem-Estar

 

10

 

Oliveira et al., (2023)

 

Características Empreendedoras de Enfermeiros na Região Sul do Brasil: desafios e Reflexões

 

LILACS

 

Conhecer o perfil de enfermeiros empreendedores em diversas áreas do cuidado.

 

11

 

Copelli et al., (2022)

 

Empreendedorismo e educação empreendedora no contexto da pós-graduação em enfermagem

 

LILACS

 

Compreender o empreendedorismo e a educação empreendedora no contexto da pós-graduação em enfermagem

 

12

 

Macedo et al., (2024)

 

Ensino do Empreendedorismo nas Dimensões Ético-Políticas nos Currículos de Graduação em Enfermagem no Nordeste do Brasil

 

SCIELO:

 

Analisar a abordagem dos conteúdos relacionados ao empreendedorismo nas dimensões ético-políticas em documentos curriculares dos cursos de graduação em Enfermagem.

 

13

 

Backes et al., (2021)

 

Tecnologia de gestão empreendedora para a enfermagem

 

SCIELO:

 

Validar tecnologia de gestão empreendedora para a enfermagem

 

14

 

Oliveira et al., (2022)

 

Empreendedorismo na Enfermagem: uma Necessidade de Inovação nos Cuidados em Saúde e a Visibilidade Profissional

 

SCIELO:

 

Identificar quais as práticas empreendedoras podem ser adotadas por enfermeiros, demostrando por meio de pesquisas científicas que além de assistencial, o enfermeiro possui uma gama de especialidades que fortalecem sua autonomia profissional, colocando em ênfase assim que o enfermeiro possui capacidade suficiente para empreender com sucesso

 

15

 

Merencio; Pereira (2023)

 

Empreendedorismo na enfermagem: trajetória construída

 

SCIELO:

 

Explanar sobre as atividades empreendedoras do enfermeiro contemporâneo, através de uma pesquisa de campo com profissionais enfermeiros empreendedores, atuantes na área, no estado de Santa Catarina. 

 

16

 

Colichi et al., (2019)

 

Empreendedorismo de negócios e Enfermagem: revisão integrativa

 

GOOGLE ACADÊMICO

 

Identificar o conhecimento produzido sobre o empreendedorismo de negócios na Enfermagem.

 

17

 

Silva et al., (2025)

 

Empreendedorismo de negócios em estabelecimentos assistenciais de enfermagem no Brasil: um estudo ecológico

 

GOOGLE ACADÊMICO

 

Caracterizar e descrever a distribuição espacial e temporal dos estabelecimentos assistenciais de enfermagem no Brasil segundo o Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde

 

18

 

Monteagudo et al., (2025)

 

Definindo o empreendedorismo em enfermagem do ponto de vista dos futuros profissionais: um estudo qualitativo.

 

GOOGLE ACADÊMICO

 

Visa identificar, com base nas crenças de estudantes de enfermagem de diferentes países, o que é empreendedorismo na enfermagem.

 

19

 

Simin et al., (2025)

 

Barreiras percebidas por enfermeiras empreendedoras iranianas ao empreendedorismo

Um estudo qualitativo

 

GOOGLE ACADÊMICO

 

Descrever as barreiras percebidas pelos enfermeiros empreendedores iranianos em relação ao empreendedorismo, a fim de identificar as barreiras existentes.

 

20

 

Robin; Alexander (2025)

 

Empreendedorismo social e conhecimento em enfermagem de saúde pública: Oportunidades para inovar o ensino de enfermagem em saúde populacional.

 

GOOGLE ACADÊMICO

 

Explorar oportunidades para revitalizar a enfermagem em saúde pública por meio da educação em empreendedorismo social em parcerias entre enfermagem e empresas em universidades dos EUA

 

21

 

Radwan; Khalil (2023)

 

Exploring the Barriers of Entrepreneurship in Nursing as

Perceived by Nurse Managers

 

GOOGLE ACADÊMICO

 

Explorar as barreiras ao empreendedorismo na enfermagem, conforme percebidas pelos gestores de enfermagem.

 

Fonte: Elaborado pelos autores (2026).

Os estudos analisados evidenciam que o empreendedorismo tem contribuído significativamente para o fortalecimento da autonomia profissional do enfermeiro. A possibilidade de atuação independente proporciona maior liberdade na tomada de decisões, amplia as oportunidades de inserção no mercado de trabalho e favorece o desenvolvimento de competências relacionadas à liderança, gestão e inovação (Copelli et al., 2022). Nesse cenário, o profissional deixa de atuar exclusivamente em funções tradicionalmente vinculadas às instituições de saúde e passa a ocupar espaços diversificados, ampliando seu campo de atuação e influência no setor.

A literatura demonstra que as práticas empreendedoras favorecem a valorização profissional ao possibilitar o desenvolvimento de serviços próprios, consultorias, atendimentos especializados e ações voltadas à educação em saúde. Essa autonomia contribui para o fortalecimento da imagem da enfermagem como uma profissão científica, estratégica e capaz de liderar processos de transformação no cuidado e na organização dos serviços de saúde (Backes et al., 2021).

Além disso, o fortalecimento da autonomia está diretamente associado à construção de uma identidade empreendedora. Estudos apontam que enfermeiros com perfil empreendedor apresentam maior capacidade de resolução de problemas, criatividade e adaptação diante das demandas da população e das constantes mudanças observadas nos sistemas de saúde (Silva et al., 2025). Nessa perspectiva, o empreendedorismo não se limita à geração de renda ou à criação de novos negócios, configurando-se também como um importante instrumento de emancipação profissional e fortalecimento da enfermagem na sociedade contemporânea.

Outro aspecto relevante identificado nos estudos refere-se à ampliação do protagonismo do enfermeiro na Atenção Primária à Saúde. A autonomia proporcionada pelas iniciativas empreendedoras favorece uma participação mais ativa na elaboração de estratégias assistenciais, na gestão dos processos de trabalho e na implementação de modelos inovadores de cuidado. Como resultado, observa-se a construção de práticas mais integrais, humanizadas e centradas nas necessidades dos usuários, contribuindo para a qualificação da assistência e para o fortalecimento da Atenção Primária à Saúde.

4.2. Inovação e Novas Possibilidades de Atuação na Atenção Primária à Saúde

Os trabalhos analisados evidenciaram um crescimento progressivo das iniciativas empreendedoras desenvolvidas por enfermeiros no âmbito da Atenção Primária à Saúde (APS), especialmente em áreas relacionadas à educação em saúde, assistência domiciliar, consultorias especializadas, gerenciamento do cuidado e práticas integrativas e complementares (Morais et al., 2013). Esse movimento reflete não apenas a ampliação dos espaços de atuação profissional, mas também as transformações ocorridas nos modelos de atenção à saúde, que passaram a demandar práticas mais flexíveis, resolutivas e centradas nas necessidades dos usuários. Assim, o empreendedorismo emerge como um importante mecanismo de diversificação das práticas assistenciais, possibilitando ao enfermeiro atuar de forma mais autônoma e participativa na construção de respostas inovadoras aos desafios enfrentados pelos sistemas de saúde, como destacado por Oliveira et al., (2022).

Os estudos analisados demonstram que a inovação na enfermagem está intimamente relacionada à capacidade de identificar demandas sociais, reconhecer fragilidades nos serviços existentes e desenvolver estratégias capazes de qualificar o cuidado prestado. Tal perspectiva converge com os princípios da Atenção Primária à Saúde, que preconizam a integralidade, a acessibilidade, a longitudinalidade do cuidado e a orientação comunitária (Macedo et al., 2024). Desse modo, o empreendedorismo ultrapassa a dimensão econômica frequentemente atribuída ao conceito e passa a ser compreendido como uma ferramenta de transformação das práticas profissionais, favorecendo a implementação de soluções inovadoras que ampliam a resolutividade dos serviços e fortalecem a capacidade de resposta do sistema de saúde às demandas da população (Merencio; Pereira, 2023).

Outro aspecto amplamente discutido nos estudos e de grande destaque na pesquisa, refere-se à contribuição das iniciativas empreendedoras para a ampliação do acesso aos serviços de saúde. Em muitos contextos, especialmente em regiões marcadas por desigualdades socioeconômicas e limitações estruturais, o desenvolvimento de serviços de assistência domiciliar, programas educativos e atendimentos personalizados tem possibilitado maior aproximação entre os profissionais e a comunidade. Essa proximidade favorece a identificação precoce de necessidades de saúde, fortalece o vínculo terapêutico e contribui para a efetivação dos princípios da humanização e da integralidade do cuidado, considerados fundamentais para a qualidade da assistência na APS (Kirkman; Wilkinson; Scahill 2018).

Nesse cenário, destaca-se também a valorização das tecnologias leves no processo de trabalho do enfermeiro empreendedor. Conforme discutido por Almeida et al., (2013) sobre organização do cuidado em saúde, tecnologias como acolhimento, escuta qualificada, construção de vínculo, comunicação terapêutica e educação em saúde desempenham papel central na produção do cuidado e na promoção da autonomia dos usuários. A incorporação dessas estratégias às práticas empreendedoras fortalece a centralidade do sujeito no processo assistencial e amplia a capacidade dos serviços em responder de forma mais efetiva às necessidades individuais e coletivas da população (Oliveira et al., 2023).

Além dos benefícios relacionados à qualidade da assistência, os estudos apontam que a inovação promovida pelo empreendedorismo pode contribuir para a reorganização dos fluxos assistenciais e para a otimização dos recursos disponíveis nos serviços de saúde. Ao criar alternativas complementares de cuidado e ampliar a oferta de serviços especializados, as iniciativas empreendedoras favorecem a descentralização da assistência e podem reduzir parte da demanda concentrada nos serviços tradicionais (Monteagudo et al., 2025). Sob essa perspectiva, o enfermeiro empreendedor assume papel estratégico na produção de soluções inovadoras voltadas à qualificação da atenção à saúde, fortalecendo sua atuação como agente de mudança e contribuindo para a construção de modelos assistenciais mais eficientes, acessíveis e alinhados às necessidades contemporâneas da população.

4.3. Desafios e Impactos do Empreendedorismo na Enfermagem na Atenção Primária à Saúde

Apesar do crescimento das práticas empreendedoras na enfermagem, a literatura evidencia a existência de desafios estruturais, institucionais e formativos que dificultam a consolidação do empreendedorismo como campo de atuação profissional. Entre os principais obstáculos identificados, destaca-se a limitada inserção de conteúdos relacionados à gestão, liderança, inovação e empreendedorismo nos cursos de graduação em enfermagem (Robin; Alexander, 2025). Essa lacuna formativa pode comprometer o desenvolvimento de competências essenciais para a atuação autônoma, como planejamento estratégico, gestão financeira, tomada de decisão e identificação de oportunidades de mercado. Consequentemente, muitos profissionais ingressam no mercado de trabalho sem o preparo necessário para desenvolver iniciativas empreendedoras ou assumir posições de liderança em contextos inovadores.

Além das limitações relacionadas à formação acadêmica, os estudos apontam que fatores como insegurança profissional, desconhecimento das possibilidades de atuação autônoma e dificuldades no planejamento administrativo constituem barreiras significativas para o desenvolvimento do empreendedorismo na enfermagem. Tais desafios estão frequentemente associados à predominância de um modelo histórico de formação voltado para a assistência tradicional e para a inserção do enfermeiro em organizações já estabelecidas, o que contribui para a manutenção de uma cultura profissional pouco orientada à inovação e à criação de novos espaços de atuação (Simin et al., 2025).

Outro aspecto relevante refere-se às barreiras burocráticas e institucionais que permeiam o exercício profissional. Questões relacionadas à regulamentação de serviços, exigências legais para abertura e manutenção de empreendimentos, limitações de financiamento e insuficiente apoio institucional podem dificultar a implementação e a sustentabilidade de iniciativas empreendedoras na área da saúde. Ademais, de acordo com Colichi et al., (2019), a ausência de políticas públicas e estratégias educacionais direcionadas ao fortalecimento da cultura empreendedora tende a restringir o desenvolvimento de competências inovadoras e a inserção dos enfermeiros em atividades que extrapolam os modelos convencionais de assistência.

Apesar desses desafios, os resultados da literatura demonstram que o empreendedorismo produz impactos positivos significativos na qualidade da assistência prestada à população. A atuação empreendedora possibilita o desenvolvimento de serviços mais flexíveis, acessíveis e alinhados às necessidades locais, favorecendo a construção de práticas assistenciais centradas no usuário e orientadas pelos princípios da integralidade e da humanização do cuidado. No contexto da Atenção Primária à Saúde, conforme Bärnreuther (2023), iniciativas como consultorias em enfermagem, assistência domiciliar, educação em saúde e acompanhamento longitudinal de usuários têm contribuído para ampliar o acesso aos serviços e fortalecer o vínculo entre profissionais e comunidade.

O estudo de Kirkman, Wilkinson e Scahill (2018) também evidenciam que o empreendedorismo favorece o fortalecimento da autonomia profissional, estimula a inovação nos processos de trabalho e amplia a capacidade de resposta dos serviços de saúde frente às demandas emergentes da população. Ao desenvolver soluções criativas para problemas complexos, o enfermeiro empreendedor assume papel estratégico na transformação das práticas assistenciais e na qualificação da atenção à saúde. Sob essa perspectiva, o empreendedorismo deve ser compreendido não apenas como uma alternativa de inserção profissional, mas como um importante instrumento para o fortalecimento da enfermagem enquanto ciência, profissão e prática social comprometida com a inovação, a qualidade do cuidado e a promoção da saúde.

5. CONSIDERAÇÕES FINAIS

O presente estudo possibilitou analisar o empreendedorismo na enfermagem como instrumento de inovação na Atenção Primária à Saúde, evidenciando suas contribuições para o fortalecimento da autonomia profissional, ampliação dos espaços de atuação do enfermeiro e qualificação da assistência prestada à população. A análise da literatura demonstrou que as práticas empreendedoras vêm se consolidando como importantes estratégias para o desenvolvimento de soluções inovadoras voltadas às necessidades dos usuários e à melhoria dos serviços de saúde.

Os resultados evidenciaram que o empreendedorismo favorece o desenvolvimento de competências relacionadas à liderança, gestão, criatividade e tomada de decisão, contribuindo para a construção de uma atuação profissional mais autônoma e alinhada às demandas contemporâneas do setor saúde. Além disso, observou-se que iniciativas empreendedoras, como consultorias em enfermagem, assistência domiciliar, ações educativas e práticas integrativas, têm ampliado as possibilidades de inserção profissional e fortalecido o protagonismo do enfermeiro na Atenção Primária à Saúde.

A literatura também demonstrou que o empreendedorismo constitui uma importante ferramenta para a inovação do cuidado, promovendo maior acessibilidade aos serviços de saúde, fortalecimento do vínculo entre profissionais e usuários e desenvolvimento de práticas assistenciais mais humanizadas, integrais e centradas nas necessidades da população. Nesse sentido, a atuação empreendedora apresenta potencial para contribuir com a resolutividade dos serviços e com a construção de modelos assistenciais mais eficientes e sustentáveis.

Entretanto, foram identificados desafios que ainda limitam a consolidação do empreendedorismo na enfermagem, especialmente aqueles relacionados à insuficiente abordagem da temática durante a formação acadêmica, à existência de barreiras burocráticas e institucionais e ao desconhecimento das possibilidades de atuação autônoma por parte de muitos profissionais. Tais aspectos evidenciam a necessidade de fortalecimento das discussões sobre empreendedorismo nos cursos de graduação e em processos de educação permanente, favorecendo o desenvolvimento de competências empreendedoras desde a formação inicial.

Conclui-se que o empreendedorismo representa uma estratégia relevante para o fortalecimento da enfermagem enquanto ciência, profissão e prática social, contribuindo para a inovação dos processos de trabalho e para a qualificação da Atenção Primária à Saúde. Recomenda-se a realização de novos estudos que aprofundem a compreensão sobre os impactos das iniciativas empreendedoras na assistência à saúde e sobre as estratégias necessárias para ampliar a inserção do enfermeiro em práticas inovadoras e empreendedoras.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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