REGISTRO DOI: 10.70773/revistatopicos/781065695
RESUMO
O empreendedorismo na enfermagem tem se consolidado como uma importante estratégia para ampliar as possibilidades de atuação profissional, promovendo inovação, autonomia e fortalecimento da profissão. Este estudo teve como objetivo analisar a importância do empreendedorismo feminino e social na enfermagem, destacando suas contribuições históricas, desafios e impactos na atuação profissional do enfermeiro. Trata-se de uma pesquisa qualitativa, descritiva e exploratória, desenvolvida por meio de revisão narrativa da literatura científica, utilizando artigos obtidos nas bases SciELO, LILACS e Google Acadêmico. Os resultados evidenciaram que o empreendedorismo contribui para a ampliação dos espaços de atuação da enfermagem, favorecendo a criação de serviços inovadores, consultorias, atividades educacionais e projetos sociais. Observou-se ainda que o empreendedorismo feminino fortalece a autonomia, a liderança e o reconhecimento profissional das enfermeiras, enquanto o empreendedorismo social promove transformações positivas na qualidade de vida das comunidades. Destacou-se também a influência histórica de Florence Nightingale como referência de inovação e protagonismo feminino na enfermagem. Apesar dos avanços, persistem desafios relacionados à formação acadêmica, valorização profissional e incentivo ao desenvolvimento de competências empreendedoras. Conclui-se que o empreendedorismo feminino e social representa uma ferramenta fundamental para o fortalecimento da enfermagem, contribuindo para a inovação, autonomia profissional e transformação social.
Palavras-chaves: Empreendedorismo em enfermagem; Empreendedorismo feminino; Empreendedorismo social; Liderança; Autonomia profissional.
ABSTRACT
Entrepreneurship in nursing has become an important strategy for expanding professional opportunities, promoting innovation, autonomy, and strengthening the profession. This study aimed to analyze the importance of female and social entrepreneurship in nursing, highlighting its historical contributions, challenges, and impacts on professional practice. This is a qualitative, descriptive, and exploratory study developed through a narrative literature review using articles obtained from the SciELO, LILACS, and Google Scholar databases. The results showed that entrepreneurship contributes to expanding nursing practice by encouraging the creation of innovative services, consulting activities, educational initiatives, and social projects. Female entrepreneurship was found to strengthen autonomy, leadership, and professional recognition among nurses, while social entrepreneurship promotes positive transformations in community quality of life. The historical influence of Florence Nightingale was also highlighted as a reference for innovation and female leadership in nursing. Despite the advances achieved, challenges remain regarding academic training, professional recognition, and the encouragement of entrepreneurial skills. It is concluded that female and social entrepreneurship are fundamental tools for strengthening nursing, contributing to innovation, professional autonomy, and social transformation.
Keywords: Nursing entrepreneurship; Female entrepreneurship; Social entrepreneurship; Leadership; Professional autonomy.
1. INTRODUÇÃO
O empreendedorismo vem ganhando crescente destaque nas diferentes áreas profissionais devido à sua capacidade de promover inovação, autonomia e ampliação das oportunidades de atuação. Na área da saúde, especialmente na enfermagem, esse movimento tem se fortalecido diante das constantes transformações sociais, tecnológicas e organizacionais, permitindo que os profissionais expandam sua atuação para além dos ambientes hospitalares tradicionais. Dessa forma, a enfermagem passa a ocupar novos espaços relacionados ao cuidado, gestão, educação, consultoria, inovação e desenvolvimento de serviços voltados às necessidades da população.
Nesse contexto, destaca-se a relevância do empreendedorismo feminino, considerando que a enfermagem é composta majoritariamente por mulheres. O empreendedorismo representa uma possibilidade de ampliação da autonomia financeira e profissional, além de favorecer maior reconhecimento, liderança e legitimidade das mulheres em seus espaços de atuação (Backes et al., 2016). Dessa maneira, incentivar práticas empreendedoras na enfermagem torna-se importante não apenas para o fortalecimento profissional, mas também para o desenvolvimento de novas estratégias de cuidado e transformação social.
Entre as diversas trajetórias empreendedoras presentes na história da enfermagem, destaca-se o legado de Florence Nightingale, reconhecida por sua atuação inovadora e transformadora. Sua contribuição ultrapassou a visão limitada do cuidado como prática exclusivamente assistencialista, fortalecendo a enfermagem como profissão científica, organizada e especializada. Além disso, sua atuação representou um importante marco para o protagonismo feminino, especialmente por romper barreiras sociais impostas às mulheres e consolidar novas formas de liderança dentro da área da saúde (Flero et al., 2013).
Compreende-se, ainda, o empreendedorismo social na enfermagem como a capacidade de promover o viver saudável de indivíduos, famílias e comunidades por meio de processos interativos e colaborativos, favorecendo sua autonomia e participação ativa na construção de sua própria história (Backes et al., 2016). Entretanto, para empreender, não basta apenas iniciativa, sendo necessário preparo técnico, conhecimento e planejamento. Durante a graduação, o enfermeiro passa por um processo complexo de formação, adquirindo competências científicas, técnicas e gerenciais que podem contribuir para práticas empreendedoras e para ampliação das possibilidades profissionais (Schmidt; Bohnenberger, 2009).
Apesar dos avanços observados, ainda existem desafios relacionados ao incentivo ao empreendedorismo na enfermagem, especialmente quanto à formação acadêmica, valorização profissional e reconhecimento das potencialidades empreendedoras dos enfermeiros. Diante desse cenário, torna-se importante compreender como o empreendedorismo feminino e social influencia a atuação profissional da enfermagem, bem como identificar os fatores que favorecem ou dificultam esse processo. A relevância desta pesquisa está relacionada à necessidade de ampliar discussões sobre empreendedorismo, liderança e inovação dentro da enfermagem contemporânea.
Dessa forma, este estudo tem como objetivo analisar a importância do empreendedorismo feminino e social na enfermagem, destacando as contribuições históricas, os desafios enfrentados e sua influência na ampliação das possibilidades de atuação e fortalecimento profissional do enfermeiro.
2. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA
O empreendedorismo vem ganhando crescente destaque nas diferentes áreas profissionais devido à sua capacidade de promover inovação, autonomia e ampliação das oportunidades de atuação. Na área da saúde, especialmente na enfermagem, esse movimento tem se fortalecido diante das constantes transformações sociais, tecnológicas e organizacionais, permitindo que os profissionais expandam sua atuação para além dos ambientes hospitalares tradicionais. Dessa forma, a enfermagem passa a ocupar novos espaços relacionados ao cuidado, gestão, educação, consultoria, inovação e desenvolvimento de serviços voltados às necessidades da população (BACKES et al., 2015).
Nesse contexto, destaca-se a relevância do empreendedorismo feminino, considerando que a enfermagem é composta majoritariamente por mulheres. O empreendedorismo representa uma possibilidade de ampliação da autonomia financeira e profissional, além de favorecer maior reconhecimento, liderança e legitimidade das mulheres em seus espaços de atuação. Segundo Backes et al. (2015), incentivar práticas empreendedoras na enfermagem contribui para o fortalecimento profissional e para o desenvolvimento de novas estratégias de cuidado e transformação social.
Entre as diversas trajetórias empreendedoras presentes na história da enfermagem, destaca-se o legado de Florence Nightingale, reconhecida por sua atuação inovadora e transformadora. Sua contribuição ultrapassou a visão limitada do cuidado como prática exclusivamente assistencialista, fortalecendo a enfermagem como profissão científica, organizada e especializada. Além disso, sua atuação representou um importante marco para o protagonismo feminino, especialmente por romper barreiras sociais impostas às mulheres e consolidar novas formas de liderança dentro da área da saúde (COSTA et al., 2009).
Compreende-se, ainda, o empreendedorismo social na enfermagem como a capacidade de promover o viver saudável de indivíduos, famílias e comunidades por meio de processos interativos e colaborativos, favorecendo sua autonomia e participação ativa na construção de sua própria história. Para Backes et al. (2015), o empreendedorismo social na enfermagem está relacionado à criação de soluções inovadoras voltadas para as necessidades sociais e para a melhoria da qualidade de vida da população.
Entretanto, para empreender, não basta apenas iniciativa; é necessário preparo técnico, conhecimento e planejamento. Durante a graduação, o enfermeiro passa por um processo complexo de formação, adquirindo competências científicas, técnicas e gerenciais que podem contribuir para práticas empreendedoras e para a ampliação das possibilidades profissionais. Schmidt e Bohnenberger (2009) destacam que características como liderança, criatividade, inovação e capacidade de assumir riscos são competências fundamentais para o desenvolvimento do perfil empreendedor.
3. METODOLOGIA
Trata-se de um estudo de abordagem qualitativa, de caráter descritivo e exploratório, fundamentado em revisão narrativa da literatura científica sobre o empreendedorismo feminino na enfermagem, com ênfase na liderança, autonomia profissional, inovação e desafios no mercado de trabalho em saúde. O empreendedorismo na enfermagem é compreendido como uma estratégia de ampliação da atuação profissional, promovendo maior protagonismo das enfermeiras em espaços de cuidado, gestão e educação em saúde.
A pesquisa foi realizada por meio de levantamento bibliográfico nas bases de dados Scientific Electronic Library Online (SciELO), Literatura Latino-Americana e do Caribe em Ciências da Saúde (LILACS) e Google Acadêmico. Foram utilizados os descritores “empreendedorismo em enfermagem”, “liderança feminina”, “autonomia profissional”, “inovação em enfermagem” e “desafios na enfermagem”, combinados de forma isolada e associada, com o objetivo de ampliar o alcance das buscas e fortalecer a base teórica do estudo.
Foram incluídos artigos científicos e trabalhos acadêmicos disponíveis na íntegra, em língua portuguesa, que abordassem o empreendedorismo na enfermagem com foco na atuação feminina, liderança, gestão, inovação e autonomia profissional. Foram excluídos materiais duplicados, sem acesso ao texto completo ou sem relação direta com o tema.
A seleção dos estudos ocorreu por meio de leitura exploratória, seletiva e analítica, permitindo a identificação dos principais conceitos e desafios relacionados ao tema. A amostra final foi composta por artigos relevantes para a fundamentação teórica, destacando-se Richter et al. (2019), que contribuiu para a compreensão das barreiras e possibilidades do empreendedorismo em enfermagem no contexto da liderança feminina.
Os dados foram analisados por meio de análise de conteúdo temática, sendo organizados em categorias como liderança feminina, autonomia profissional, inovação em saúde e desafios estruturais e institucionais no exercício do empreendedorismo.
Por se tratar de revisão de literatura, não houve envolvimento direto com seres humanos, sendo dispensada a submissão ao Comitê de Ética em Pesquisa, conforme a Resolução nº 466/12 do Conselho Nacional de Saúde.
4. RESULTADOS E DISCUSSÕES
A busca inicial nas bases de dados identificou 85 publicações relacionadas ao empreendedorismo na enfermagem, distribuídas em Google Scholar (42), LILACS (16), SciELO (12), BDENF (9), BVS (4) e NCBI (2). Após aplicação dos critérios de elegibilidade período de publicação entre 2015 e 2026, idioma português, pertinência ao tema empreendedorismo feminino e social na enfermagem, disponibilidade do texto completo e exclusão de duplicatas os estudos foram submetidos a um processo sucessivo de identificação, triagem, elegibilidade e inclusão.
No Google Scholar, dos 42 artigos encontrados, 26 não guardavam relação direta com o tema, 4 foram publicados fora do período estabelecido, 1 estava em língua estrangeira, 2 apresentavam apenas resumo, 5 eram duplicatas de outras bases e 1 não seguia normas de artigos científicos, restando 3 estudos elegíveis. Na SciELO, dos 12 registros, 3 estavam fora do período, 2 eram duplicatas; após leitura de resumos, 1 não tratava especificamente de enfermagem; na leitura integral, 2 não abordavam empreendedorismo feminino ou social, resultando em 4 artigos incluídos. No LILACS, dos 16 artigos inicial, 6 em idioma estrangeiro, 2 duplicatas e 4 fora do período foram excluídos, restando 4 elegíveis e 3 incluídos após análise de pertinência. Na BDENF, dos 9 artigos, 3 fora do período, 1 não tratava do assunto, 2 duplicatas e 1 fora das normas, restando 2 elegíveis e 1 incluído. Na BVS, dos 4 registros, 3 eram duplicatas, restando 1 artigo incluído. No NCBI, dos 2 artigos, 1 em idioma estrangeiro e 1 fora do tema, não sendo incluído nenhum estudo.
Após os critérios de inclusão e exclusão, 12 artigos compuseram o corpus final da revisão integrativa.
Quadro 1: Caracterização dos artigos selecionados segundo ordem, autoria, ano e objetivo do estudo, 2026.
Seq. | Artigo / autores / ano | Objetivo do estudo |
01 | BACKES, Dirce Stein et al. Empreendedorismo social e enfermagem: compreendendo processos de viver saudável. Rev Bras Enferm, 2015. | Compreender o empreendedorismo social na enfermagem como processo de promoção do viver saudável mediante interações colaborativas que fortalecem a autonomia de indivíduos e comunidades. |
02 | COLICHI, Rosana Maria Barbosa et al. Empreendedorismo de negócios e enfermagem: revisão integrativa. Rev Bras Enferm, 2019. | Identificar evidências sobre empreendedorismo de negócios na enfermagem e analisar o ensino do empreendedorismo na graduação e os obstáculos para atuação autônoma. |
03 | COSTA, Roberta et al. O legado de Florence Nightingale: uma viagem no tempo. Texto Contexto Enferm, 2009. | Analisar o legado de Florence Nightingale para a enfermagem, destacando inovação, profissionalização científica e protagonismo feminino na saúde. |
04 | SCHMIDT, Serje; BOHNENBERGER, Maria Cristina. Perfil empreendedor e desempenho organizacional. Rev Adm Contemporânea, 2009. | Discutir traços do perfil empreendedor (liderança, criatividade, inovação, assunção de riscos) e sua relação com desempenho, aplicáveis ao enfermeiro. |
05 | COPELLI, Fernanda Hannah da Silva et al. Empreendedorismo na Enfermagem: revisão integrativa. Rev Bras Enferm, 2019. | Mapear a produção científica sobre empreendedorismo na enfermagem, competências empreendedoras e expansão dos espaços de atuação. |
06 | LOMBA, Maria deLurdes Lopes de Freitas et al. Empreendedorismo social: translação de saberes em estudantes de enfermagem. Rev Enferm Referência, 2018. | Compreender como o empreendedorismo social se manifesta na formação de estudantes e na translação de saberes para práticas inovadoras sociais. |
07 | BACKES, Dirce Stein et al. Incubadora de Aprendizagem: ferramenta indutora do empreendedorismo na Enfermagem. Rev Bras Enferm, 2015. | Apresentar a incubadora de aprendizagem como estratégia pedagógica para estimular inovação, autonomia e competências empreendedoras em enfermeiros. |
08 | SANTOS, A. B. et al. Atividades empreendedoras do enfermeiro contemporâneo. PUC-Goiás, 2021. | Descrever atividades empreendedoras do enfermeiro, oportunidades de negócios e desafios da atuação autônoma na enfermagem. |
09 | SOUZA, R. K. et al. O empreendedorismo como área de atuação do enfermeiro. Rev Eng Saúde, 2022. | Discutir o empreendedorismo como campo de atuação, oportunidades profissionais, autonomia e ampliação de espaços na saúde. |
10 | VAZ, M. C. Q. Análise dos fatores de empreendedorismo na enfermagem. PUC-Goiás, 2021. | Analisar fatores como inovação, liderança, desenvolvimento profissional e obstáculos enfrentados por enfermeiros no contexto empreendedor. |
11 | NASCIMENTO, Jonael Macedo; SILVA, Mayara Rodrigues da. Enfermeiro do trabalho e redução de riscos ocupacionais. Rev FT, 2022. | Analisar atuação do enfermeiro do trabalho na promoção da saúde ocupacional e redução de riscos, com ênfase em ações preventivas e educativas. |
12 | SANTOS, T. de O. Atuação do enfermeiro do trabalho na gestão de riscos biológicos. Cad Grad Ciênc Biol Saúde UNIT, 2020. | Destacar atuação do enfermeiro na gestão de riscos biológicos, biossegurança e proteção da saúde dos trabalhadores. |
Os estudos revelam que o empreendedorismo na enfermagem tem se consolidado como caminho para inovação, autonomia e ampliação de campos de atuação, permitindo que enfermeiros atuem além dos hospitais, em cuidado, gestão, educação, consultoria e desenvolvimento de serviços.
4.1. Empreendedorismo Feminino e Autonomia na Enfermagem
Os artigos analisados convergem ao destacar que a enfermagem é majoritariamente feminina e que o empreendedorismo oferece às mulheres oportunidades de autonomia financeira e profissional, além de maior reconhecimento, liderança e legitimidade em seus espaços de atuação. As práticas empreendedoras são vistas não apenas como estratégia econômica, mas como via de empoderamento e fortalecimento profissional, abrindo caminho para novas formas de cuidado e transformação social.
Essa dimensão feminina do empreendedorismo na enfermagem conecta-se com a necessidade de romper barreiras históricas que limitaram a atuação das mulheres a papéis subalternos, permitindo que enfermeiras assumam posições de liderança, gestão e inovação.
4.2. Empreendedorismo Social e Promoção do Viver Saudável
O empreendedorismo social na enfermagem é compreendido como capacidade de promover o viver saudável por meio de processos colaborativos que fortalecem a autonomia de indivíduos, famílias e comunidades. Os estudos apontam que ele se manifesta na criação de soluções inovadoras para necessidades sociais, melhoria da qualidade de vida e tradução de saberes acadêmicos em práticas que respondem a problemas reais da sociedade.
Essas iniciativas frequentemente atendem populações vulneráveis e reforçam a dimensão ética e comunitária da enfermagem, configurando o empreendedorismo social como mecanismo de mobilização e transformação social.
4.3. O Legado de Florence Nightingale Como Marco do Protagonismo Feminino
As análises sobre Florence Nightingale ressaltam que sua atuação transcendeu a visão do cuidado como prática exclusivamente assistencialista, contribuindo para consolidar a enfermagem como profissão científica, organizada e especializada. Sua trajetória representa um marco histórico para o protagonismo feminino, ao romper barreiras sociais e instituir novas formas de liderança na saúde.
Esse legado é ressignificado na contemporaneidade como fundamento para o empreendedorismo feminino na enfermagem, legitimando a ideia de que enfermeiras podem ocupar espaços de gestão, inovação e transformação social.
4.4. Perfil Empreendedor, Competências e Formação Acadêmica
Os estudos indicam que empreender exige mais do que iniciativa: demanda preparo técnico, conhecimento e planejamento. A graduação em enfermagem proporciona competências científicas, técnicas e gerenciais que podem sustentar práticas empreendedoras, mas o ensino específico sobre empreendedorismo ainda é incipiente nos cursos de graduação.
Características como liderança, criatividade, inovação e capacidade de assumir riscos são apontadas como competências centrais do perfil empreendedor. A lacuna na formação académica limita o desenvolvimento de habilidades necessárias para atuação autônoma e inovadora.
4.5. Desafios, Barreiras e Ampliação das Possibilidades de Atuação
Apesar dos avanços, persistem desafios relacionados ao incentivo ao empreendedorismo na enfermagem, especialmente quanto à formação acadêmica insuficiente, valorização profissional e reconhecimento das potencialidades empreendedoras. A cultura médica centrada no médico, a multiplicidade de tarefas, condições salariais e desconhecimento das possibilidades profissionais levam muitos enfermeiros a concentrarem-se em atividades assistenciais hospitalares.
Não obstante, os resultados mostram que o empreendedorismo feminino e social amplia as possibilidades de atuação do enfermeiro, permitindo o desenvolvimento de clínicas, serviços domiciliares, consultorias e projetos sociais, diversificando o acesso aos cuidados e fortalecendo a profissão.
4.6. Síntese Final
Os resultados demonstram que o empreendedorismo feminino e social exerce influência positiva na atuação profissional da enfermagem, destacando contribuições históricas (como o legado de Florence Nightingale), desafios estruturais (formação acadêmica, barreiras culturais) e sua capacidade de ampliar possibilidades de atuação e fortalecer profissionalmente o enfermeiro. Para que esse potencial se concretize plenamente, é necessário promover intervenções político-pedagógicas, fortalecer a formação empreendedora e criar ambientes institucionais que incentivem a autonomia, a inovação e a liderança das enfermeiras.
5. CONCLUSÃO
O presente estudo permitiu compreender que o empreendedorismo feminino e social desempenha papel fundamental no fortalecimento da enfermagem contemporânea, contribuindo para a ampliação dos espaços de atuação profissional, para o desenvolvimento da autonomia e para a promoção da inovação nos serviços de saúde. Os resultados evidenciaram que as práticas empreendedoras possibilitam ao enfermeiro atuar além dos ambientes hospitalares tradicionais, expandindo sua participação em áreas como gestão, educação, consultoria, assistência domiciliar e projetos de impacto social. Observou-se que o empreendedorismo feminino favorece o protagonismo das mulheres na enfermagem, fortalecendo sua liderança, independência financeira e reconhecimento profissional. Da mesma forma, o empreendedorismo social demonstra potencial para promover melhorias na qualidade de vida das comunidades, por meio de ações inovadoras voltadas às necessidades sociais e à promoção do viver saudável. O estudo também destacou a importância histórica de Florence Nightingale como referência de inovação, liderança e transformação na enfermagem, servindo de inspiração para práticas empreendedoras na atualidade. Entretanto, permanecem desafios relacionados à insuficiente abordagem do empreendedorismo durante a formação acadêmica, à valorização profissional e ao reconhecimento das competências empreendedoras dos enfermeiros. Dessa forma, torna-se necessário fortalecer o ensino do empreendedorismo nos cursos de graduação em enfermagem, incentivar políticas institucionais de apoio à inovação e promover ambientes favoráveis ao desenvolvimento de competências empreendedoras. Conclui-se que o empreendedorismo feminino e social representa uma importante estratégia para o crescimento profissional da enfermagem, contribuindo para a autonomia, liderança, inovação e transformação social.
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