REGISTRO DOI: 10.70773/revistatopicos/793586697
RESUMO
O voleibol exige ações explosivas e saltos frequentes, impondo elevadas sobrecargas mecânicas e alta incidência de lesões nos membros inferiores, especialmente no joelho e tornozelo. Diante desse cenário, este estudo objetivou analisar os efeitos do treinamento neuromuscular sobre o desempenho físico, a estabilidade postural e o alinhamento biomecânico em atletas de voleibol. Trata-se de uma revisão sistematizada da literatura que sintetizou 15 artigos científicos selecionados entre ensaios clínicos e estudos observacionais/epidemiológicos. Os resultados demonstraram que intervenções neuromusculares de seis semanas promovem reeducação biomecânica significativa durante a aterrissagem, caracterizada pelo aumento da flexão de joelho, incremento na distância de separação interarticular e reduções expressivas nos torques de valgo (28%) e varo (38%), atenuando a sobrecarga no ligamento cruzado anterior. Adicionalmente, verificaram-se ganhos de força nos flexores de joelho e abdutores do quadril, aprimoramento da estabilidade postural dinâmica pelo fortalecimento do tronco e relevância do foco atencional externo na redução do impacto. Evidenciou-se, ainda, a importância da gestão do volume de saltos para mitigar a fadiga e lesões por sobreuso. Conclui-se que o treinamento neuromuscular é uma estratégia altamente eficaz e indispensável para otimizar o rendimento esportivo, corrigir padrões de movimento e prevenir lesões em praticantes de voleibol.
Palavras-chave: voleibol; treinamento neuromuscular; biomecânica; prevenção de lesões; valgo dinâmico.
ABSTRACT
Volleyball demands explosive actions and frequent jumps, imposing high mechanical overloads and an elevated incidence of lower limb injuries, particularly in the knee and ankle. Given this context, this study aimed to analyze the effects of neuromuscular training on physical performance, postural stability, and biomechanical alignment in volleyball athletes. It is a systematized literature review that synthesized 15 scientific articles selected from clinical trials and observational/epidemiological studies. Results demonstrated that six-week neuromuscular interventions promote significant biomechanical re-education during landing, characterized by increased knee flexion, enhanced inter-joint separation distance, and substantial reductions in valgus (28%) and varus (38%) torques, thereby attenuating load on the anterior cruciate ligament. Additionally, strength gains were observed in knee flexors and hip abductors, along with improved dynamic postural stability through core strengthening and the relevance of external attentional focus in reducing impact forces. Furthermore, the importance of managing jump volume was highlighted to mitigate fatigue and overuse injuries. It is concluded that neuromuscular training is a highly effective and essential strategy for optimizing athletic performance, correcting movement patterns, and preventing injuries in volleyball players.
Keywords: volleyball; neuromuscular training; biomechanics; injury prevention; dynamic valgus.
1. INTRODUÇÃO
O voleibol é uma modalidade esportiva acíclica e intermitente de alta intensidade, caracterizada pela execução sistemática de ações explosivas de salto, bloqueio, ataque e aterrissagem. O elevado volume de saltos ao longo de treinos e partidas impõe uma sobrecarga mecânica substancial sobre o sistema musculoesquelético dos atletas, com destaque para a articulação do joelho e do tornozelo. Dados epidemiológicos recentes apontam que quase metade dos atletas de voleibol sofre ao menos uma lesão ao longo da temporada, com taxas de incidência que chegam a 2,89 lesões por 1.000 horas de exposição, sendo o joelho (31,2%) e o tornozelo (25%) as estruturas mais acometidas, predominantemente durante a fase de aterrissagem (Silva et al., 2026). Além disso, a presença de dor lombar prévia associa-se à dor no joelho (Mizoguchi et al., 2024) e as assimetrias de força muscular intermembros elevam expressivamente a probabilidade de ocorrência de lesões sem contato (Wang; Qin; Zhang, 2025).
A etiologia das lesões sem contato no joelho, em especial a ruptura do ligamento cruzado anterior (LCA) e as tendinopatias patelares, está intimamente associada ao valgo dinâmico, um padrão biomecânico alterado caracterizado pelo colapso medial do joelho, adução e rotação interna do fêmur e reduzida amplitude de flexão durante o impacto da aterrissagem (Myer et al., 2005). Para mitigar esses fatores de risco e otimizar o rendimento físico, o Treinamento Neuromuscular Integrativo (TNI) tem se consolidado como uma estratégia indispensável na preparação física esportiva. Baseado na combinação sistemática de fortalecimento de core e abdutores do quadril, exercícios de pliometria com foco educativo na técnica de aterrissagem, treino proprioceptivo e equilíbrio dinâmico, o TNI busca aprimorar o controle motor antecipatório e a rigidez articular durante esforços de alta intensidade (Albaladejo-Saura et al., 2021; Myer et al., 2005; Noyes et al., 2011).
Apesar do crescente corpo de evidências demonstrando os benefícios do treinamento neuromuscular, persistem lacunas relevantes acerca da magnitude das adaptações biomecânicas específicas, da influência da fadiga aguda provocada por picos semanais de carga (Setuain et al., 2022; Skazalski; Whiteley; Bahr, 2018), do papel do foco atencional externo na reeducação do movimento (Slovák et al., 2026), da retenção dos ganhos entre os sexos (Yang et al., 2018) e dos fatores organizacionais relativos à adesão de comissões técnicas (Sugimoto et al., 2017). Diante desse cenário, compreender de que maneira diferentes protocolos de intervenção influenciam a estabilidade articular e o desempenho torna-se fundamental para fundamentar a prática profissional.
Diante desse contexto, o presente estudo tem como objetivo geral analisar, a partir de uma síntese rigorosa da literatura científica, os efeitos do treinamento neuromuscular sobre o desempenho físico, a estabilidade postural e os padrões biomecânicos de movimento em atletas de voleibol, identificando as principais adaptações protetoras e fornecendo diretrizes práticas para a atuação do Profissional de Educação Física no esporte.
2. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA
O voleibol caracteriza-se pela repetição sistemática de saltos e aterrissagens ao longo de treinos e partidas, o que impõe ao sistema musculoesquelético uma demanda mecânica elevada (Silva et al., 2026). Essa exigência, entretanto, não é homogênea entre os atletas: o volume e a intensidade dos saltos variam conforme a posição em quadra e oscilam de forma expressiva de uma semana para outra, em equipes profissionais (Skazalski; Whiteley; Bahr, 2018). Esse perfil de esforço ajuda a compreender a elevada carga de lesões observada na modalidade, que acomete principalmente o joelho, o ombro, o tornozelo e os dedos, e que frequentemente resulta em afastamento dos treinos e competições (Silva et al., 2026).
Entre os mecanismos associados às lesões sem contato no joelho, destaca-se o controle inadequado do membro inferior durante a aterrissagem (Yang et al., 2018). O aumento dos torques no plano frontal, como os de valgo e varo, e a reduzida flexão do joelho no momento do impacto são considerados fatores biomecânicos relacionados ao risco de lesão do LCA (Myer et al., 2005; Yang et al., 2018). Nessa perspectiva, a maneira como o atleta absorve as forças de reação do solo torna-se um alvo direto das intervenções preventivas, e até mesmo estratégias simples, como instruções verbais de foco atencional externo durante a aterrissagem, mostraram-se capazes de reduzir a sobrecarga sobre a articulação do joelho (Slovák et al., 2026).
O treinamento neuromuscular surge como resposta a esse cenário: trata-se de uma abordagem que reúne, em um mesmo programa, componentes como pliometria e treino de movimento, fortalecimento do core e equilíbrio, treinamento resistido e treinamento de velocidade (Myer et al., 2005). No voleibol, programas dessa natureza associaram exercícios de força e pliometria dos membros inferiores ao trabalho de estabilidade articular e do core (Albaladejo-Saura et al., 2021), ou incorporaram elementos de prevenção de lesões ligamentares do joelho a exercícios de velocidade, agilidade e condicionamento aeróbico realizados na própria quadra e na sala de musculação (Noyes et al., 2011).
A efetividade desses programas, contudo, depende de fatores que vão além da escolha dos exercícios: a adesão das atletas condiciona os ganhos obtidos, como evidencia a relação entre a frequência de participação no treinamento neuromuscular integrativo e o aumento da força dos abdutores do quadril (Sugimoto et al., 2014), enquanto a adesão dos treinadores, menor que a das atletas sobretudo nas categorias de base, condiciona a aplicação efetiva dos protocolos (Sugimoto et al., 2017). Adicionalmente, a identificação de assimetrias entre os membros inferiores na pré-temporada (Wang; Qin; Zhang, 2025) e o monitoramento individual da carga de saltos (Skazalski; Whiteley; Bahr, 2018) complementam a prescrição do treinamento, permitindo direcioná-lo às necessidades de cada atleta.
3. METODOLOGIA
O presente estudo trata-se de uma revisão sistematizada da literatura realizada através de métodos explícitos e sistemáticos para identificação, seleção e avaliação crítica de artigos científicos. Para realizar a pesquisa dos artigos, foram utilizadas duas bases de dados, MEDLINE via PubMed e Literatura Latino-Americana e do Caribe em Ciências da Saúde (LILACS). Os descritores utilizados para a busca de artigos foram: ((((("strength training") OR "resistance training") OR "Training")) AND ("injury prevention") AND ("volleyball")). Para esta revisão foram incluídos artigos publicados na língua portuguesa e língua inglesa sem restrição de tempo para a publicação.
Os critérios de inclusão foram: estudos originais (ensaios clínicos, estudos de intervenção, estudos observacionais e epidemiológicos) que investigaram os efeitos do treinamento de força, treinamento neuromuscular, pliometria e controle motor em atletas de voleibol de ambos os sexos, sem restrição de faixa etária, abordando variáveis de desempenho físico, biomecânica e prevenção de lesões nos membros inferiores.
Os critérios de exclusão foram: estudos com animais, artigos focados em outras modalidades esportivas que não incluíssem atletas de voleibol, estudos de revisão de literatura, resumos publicados em anais de congressos, dissertações/teses não submetidas a parecer de pares e artigos sem dados claros sobre desempenho físico, biomecânica ou prevenção de lesões nos membros inferiores.
O procedimento de seleção de artigos para revisão foi realizado nas seguintes etapas: análise dos títulos, análise dos resumos e análise dos textos na íntegra. Para diminuir possíveis vieses de seleção, cada estudo foi lido por dois revisores (JVE e PHL) e uma decisão mútua foi realizada para definir se os estudos atendiam os critérios de inclusão. Qualquer discordância entre os revisores foi decidida por consenso ou por um terceiro revisor (AGF). O processo de seleção dos artigos está apresentado na Figura 1.
Figura 1. Fluxograma do processo de seleção dos artigos
4. RESULTADOS E DISCUSSÕES
O objetivo do presente estudo foi analisar os efeitos do treinamento de força na prevenção de lesão em membros inferiores em atletas de voleibol. De modo geral, a literatura demonstra de forma consistente que a implementação do treinamento de força, controle neuromuscular e pliometria é altamente eficiente para promover adaptações neuromusculares protetoras e otimizar o rendimento esportivo em atletas de diferentes faixas etárias e níveis de competitividade. A Tabela 1 apresenta uma análise dos 15 artigos incluídos nesta revisão focados na avaliação do desempenho físico, biomecânica e prevenção de lesões no voleibol, englobando 8 ensaios clínicos/intervenções, 2 estudos complementares de adesão e foco atencional e 5 estudos observacionais/epidemiológicos.
No que tange ao alinhamento biomecânico e à integridade do ligamento cruzado anterior (LCA), os achados de Noyes et al. (2011) e Myer et al. (2005) convergem ao demonstrar que programas práticos de treinamento neuromuscular reduzem expressivamente os fatores de risco para lesões severas no joelho. Noyes et al. (2011) observaram que 6 semanas de treinamento com saltos e exercícios educativos em atletas jovens de voleibol promoveram um aumento significativo de 14,5% na distância de separação dos joelhos durante a aterrissagem do salto em queda (de 24,1 ± 8,1 cm para 27,6 ± 7,4 cm; p = 0,002), corrigindo o valgo dinâmico, além de ganhos de condicionamento aeróbico e altura de salto vertical. Complementarmente, Myer et al. (2005) confirmaram que um programa abrangente de 6 semanas induziu aumentos expressivos de força muscular (92% no agachamento e 20% no supino) e capacidade de salto, acompanhados por um aumento de aproximadamente 5° na flexão do joelho e reduções drásticas de 28% no torque de valgo e 38% no torque de varo durante a aterrissagem. A hipótese biomecânica subjacente sugere que o aumento do ângulo de flexão do joelho combinado à atenuação dos momentos no plano frontal dissipa de maneira mais eficiente as forças de reação do solo (FRS), reduzindo a sobrecarga mecânica sobre o LCA (Myer et al., 2005), o que poderia reduzir a incidência de lesões sem contato.
Tabela 1. Resumo dos principais resultados encontrados
Estudo | Método | Amostra | Objetivos | Intervenção | Resultado |
Lehnert et al. (2017) | Estudo de intervenção com desenho pré e pós-teste, avaliando força muscular, potência e desempenho de salto antes e após o treinamento. | 12 jogadoras de voleibol da categoria juvenil, do sexo feminino. | Analisar as alterações na força muscular, potência e parâmetros somáticos em jogadoras de voleibol de elite após um programa de treinamento específico de pré-temporada voltado para a melhoria do desempenho de salto, força e prevenção de lesões. | Programa de treinamento de pré-temporada focado em força e prevenção de lesões, realizado durante 8 semanas. As avaliações foram realizadas antes e depois da intervenção. | Na perna dominante, houve efeitos moderados significativos no pico de torque concêntrico dos flexores a 60°/s (18,3 ± 15,1%) e 180°/s (17,8 ± 11,2%), e dos extensores a 180°/s (7,4 ± 7,8%). Na perna não dominante, os efeitos foram significativos nos flexores a 60°/s (13,7 ± 11,3%) e a 180°/s (13,4 ± 8,0%) e nos extensores a 180°/s (10,7 ± 11,5%). Houve alterações pequenas a moderadas nas razões H/Q convencional e reduções pequenas a moderadas na razão funcional a 180°/s. As mudanças no desempenho de salto foram triviais para RSI e pequenas para CMJ e SJ. Não foram observadas alterações na massa corporal ou composição corporal. |
McPherson et al. (2024) | Estudo caso-controle prospectivo, com intervenção de treinamento neuromuscular e acompanhamento das lesões durante a temporada. | 77 atletas adolescentes do sexo feminino, com idade entre 12 e 18 anos, recrutadas de um centro de pesquisa e performance em medicina do esporte. As atletas praticavam futebol, voleibol ou basquetebol e foram divididas entre grupo com histórico de concussão relacionada ao esporte (SRC) e grupo controle sem histórico de concussão. | Avaliar a incidência de lesões musculoesqueléticas nos membros inferiores em atletas adolescentes do sexo feminino com histórico de concussão relacionada ao esporte após participarem de uma intervenção de treinamento neuromuscular. | Programa de treinamento neuromuscular realizado durante 6 semanas no período de pré-temporada, seguido de acompanhamento durante a temporada competitiva. | Foram registradas 10 lesões em 9 atletas. As atletas com histórico de concussão apresentaram risco significativamente maior de lesão (Risk Ratio = 3,9; IC 95%: 1,1–13,8; p = 0,01) e taxa de lesão aumentada (Rate Ratio = 4,1; IC 95%: 1,1–15,8; p = 0,03) em comparação com atletas sem histórico de concussão. Mesmo após 6 semanas de treinamento neuromuscular, as atletas com histórico de SRC mantiveram risco significativamente elevado de lesões musculoesqueléticas dos membros inferiores. |
Myer et al. (2005) | Avaliação pré e pós-teste do desempenho físico, incluindo testes de força, salto e velocidade, e análise tridimensional do movimento para avaliar a amplitude de movimento de flexão-extensão do joelho e os torques de valgo e varo do joelho. | 53 atletas no total. Grupo experimental: 41 atletas do sexo feminino, jogadoras de basquetebol, futebol e voleibol, com idade de 15,3 ± 0,9 anos. Grupo controle: 12 atletas pareadas por idade, altura e peso. | Examinar os efeitos de um programa abrangente de treinamento neuromuscular sobre medidas de desempenho e a biomecânica do movimento dos membros inferiores em atletas do sexo feminino. Testar a hipótese de que melhorias significativas nas medidas de desempenho ocorreriam concomitantemente com melhoria das medidas biomecânicas relacionadas ao risco de lesão do ligamento cruzado anterior (LCA). | Programa de treinamento neuromuscular de 6 semanas, combinando quatro componentes principais: treinamento pliométrico e de movimento; fortalecimento do core e equilíbrio; treinamento de resistência/força; e treinamento de velocidade. O grupo controle realizou o mesmo protocolo de testes duas vezes, com intervalo de 6 semanas, sem realizar o treinamento. | O grupo treinado apresentou aumento de 92% na estimativa de 1RM no agachamento e 20% no supino. O salto unipodal melhorou 10,39 cm na perna direita e 8,53 cm na esquerda, enquanto o salto vertical aumentou de 39,9 para 43,2 cm e o tempo de sprint de 9,1 m diminuiu de 1,80 para 1,73 s. Na aterrissagem, houve maior amplitude de flexão-extensão do joelho e redução de 28% no torque de valgo e 38% no de varo. O grupo controle não apresentou alterações significativas. |
Noyes et al. (2011) | Ensaio clínico com avaliações pré e pós-treinamento por meio de teste de vídeo de salto em queda (video drop-jump test), teste de aptidão física em estágios múltiplos, teste de salto vertical e teste de abdominais. | 34 atletas do sexo feminino, com média de idade de 14,5 ± 1,0 anos, jogadoras de voleibol do ensino médio. | Determinar se um programa de treinamento específico para o esporte poderia melhorar os índices neuromusculares em jogadoras de voleibol do ensino médio e testar a hipótese de que um programa específico para voleibol levaria a melhorias significativas nesses índices. | Programa de treinamento supervisionado durante 6 semanas, 3 dias por semana, com sessões de aproximadamente 90 a 120 minutos. Combinou componentes de prevenção de lesões do ligamento do joelho, treino de salto e força, além de exercícios e educativos para velocidade, agilidade, força geral e condicionamento aeróbico, realizados na quadra de voleibol e na sala de musculação da escola. | Houve aumento significativo do VO₂máx estimado (73% das atletas melhoraram), dos abdominais e do salto vertical (68% aumentaram a altura). No drop-jump, houve maior separação dos joelhos, indicando melhor alinhamento dos membros inferiores na aterrissagem. Nenhuma atleta apresentou lesões ou síndrome de sobreuso durante o treinamento. |
Sugimoto et al. (2014) | Estudo laboratorial controlado. | 21 jogadoras de voleibol do ensino médio, do sexo feminino, com média de idade de 15,6 ± 1,4 anos, peso de 64,0 ± 7,4 kg e altura de 171,5 ± 7,0 cm. Foram comparadas em três grupos de acordo com a adesão: alta, moderada e não adesão. | Investigar os efeitos da adesão a um programa de exercícios de treinamento neuromuscular integrativo (INT), focado no tronco e no quadril, sobre a força dos abdutores do quadril em jovens atletas do sexo feminino. | Cinco fases de exercícios progressivos e supervisionados de treinamento neuromuscular integrativo, focados no tronco e quadril, realizados 2 vezes por semana durante 10 semanas. | O grupo com alta adesão apresentou aumento significativo da força dos abdutores do quadril em comparação ao grupo sem adesão (p = 0,02), enquanto o grupo de adesão moderada não apresentou diferença significativa. Houve correlação moderada (r = 0,56), indicando que a eficácia do treinamento INT para aumentar a força de abdução do quadril depende diretamente da adesão das atletas. |
Yang et al. (2018) | Estudo laboratorial controlado. | 40 atletas universitários de basquetebol e voleibol, sendo 22 homens e 18 mulheres, com características biomecânicas associadas ao aumento do risco de lesão do LCA. Os atletas foram alocados aleatoriamente em grupo intervenção ou grupo controle. | Avaliar se um programa de intervenção de 4 semanas aumentaria o ângulo de flexão do joelho no pico da força de reação do solo de impacto posterior e diminuiria as forças de reação do solo posteriores e verticais nas tarefas de stop-jump e side-cutting, verificando também a retenção desses efeitos após o término do treino. | O grupo intervenção realizou um programa de treinamento de força e pliometria para melhorar as técnicas de aterrissagem, 3 vezes por semana durante 4 semanas, em conjunto com os treinos regulares. O grupo controle manteve apenas os treinos regulares. Houve acompanhamento e avaliações de retenção por até 20 semanas. | Nos homens do grupo intervenção, houve aumento significativo do ângulo de flexão do joelho no stop-jump nas semanas 8, 12 e 20, com efeito mantido por 16 semanas após o treino e sem prejudicar o desempenho. Não houve efeitos significativos no side-cutting. Nas mulheres, não ocorreram mudanças significativas na flexão do joelho ou nas forças de reação do solo, mas houve redução da velocidade de decolagem vertical no stop-jump na semana 20. |
Sugimoto et al. (2017) | Ensaio clínico randomizado e controlado realizado em programas esportivos de escolas de ensino fundamental e médio. | 547 atletas do sexo feminino em 52 equipes. Grupo experimental: 30 equipes e 301 atletas, incluindo 12 equipes de basquete (125), 6 de futebol (74) e 12 de voleibol (102). Grupo controle: 22 equipes e 246 atletas, incluindo 11 de basquete (116), 5 de futebol (68) e 6 de voleibol (62). | Analisar descritivamente a adesão de treinadores e atletas ao treinamento neuromuscular preventivo (NMT) e comparar a adesão entre os grupos do estudo, os níveis escolares e os esportes. | O grupo experimental participou de um programa de treinamento neuromuscular destinado a reduzir lesões traumáticas do joelho por meio de estabilização do tronco e fortalecimento do quadril. O grupo controle realizou um programa de corrida resistida com faixa elástica. Os protocolos foram planejados para 3 vezes por semana durante a pré-temporada e 2 vezes por semana durante a temporada. | Os protocolos foram realizados, em média, 1,3 vez por semana na pré-temporada e 1,2 vez durante a temporada, e 88,4% das atletas completaram pelo menos dois terços das sessões. A adesão dos treinadores foi maior no grupo experimental e no ensino médio, enquanto a adesão das atletas não diferiu entre os grupos, esportes ou níveis escolares. Concluiu-se que as atletas apresentaram boa adesão, mas os treinadores tiveram menor participação, especialmente no ensino fundamental. |
Slovák et al. (2026) | Estudo experimental com 12 jovens jogadoras de voleibol, comparando quatro condições de foco atencional durante aterrissagens após queda de 50 cm, com análise biomecânica do joelho por captura 3D e plataforma de força. | 12 atletas de voleibol do sexo feminino, iniciantes, com idade média de 13,6 ± 0,6 anos. | Investigar os efeitos de instruções de foco externo — aterrissar silenciosa, segura ou suavemente — sobre a biomecânica do joelho, a sobrecarga articular e o risco potencial de lesão do LCA. | As atletas realizaram drop landing bilateral de 50 cm em quatro condições: aterrissar o mais silenciosamente possível, o mais seguramente possível, o mais suavemente possível e sem foco atencional (controle). Foram analisadas a cinemática e a cinética do joelho durante o contato inicial e os dois primeiros picos da força de reação vertical do solo. Não houve programa de treinamento de força ou acompanhamento longitudinal de lesões. | Todas as condições de foco externo reduziram significativamente a sobrecarga biomecânica do joelho em relação ao controle. A instrução de aterrissagem suave apresentou as mudanças mais pronunciadas, com menor pico máximo da força de reação vertical do solo, maior flexão do joelho e menor rotação interna. Não houve comparação pré e pós-treinamento. |
Skazalski, Whiteley e Bahr (2018) | Estudo observacional prospectivo durante uma temporada profissional, com registro individual dos saltos realizados em treinamentos e competições. | 14 jogadores profissionais de voleibol masculino. | Analisar as demandas de salto específicas por posição durante treinamento e competição e investigar a variabilidade individual da carga de saltos. | Não houve intervenção. Foram registrados os saltos realizados ao longo da temporada, incluindo altura, quantidade e frequência. | Foram analisados 129.173 saltos em 142 sessões. Os levantadores apresentaram maior volume, com 121 saltos por treino, enquanto os opostos realizaram saltos de maior intensidade (69% da altura máxima). Em 18 das 28 semanas, houve atletas com duplicação da carga de saltos ou retorno após uma semana sem saltar, e todos apresentaram pelo menos uma semana com duplicação da carga. |
Silva et al. (2026) | Estudo retrospectivo, transversal e epidemiológico descritivo, realizado entre março e setembro de 2025, com questionário digital e análise estatística descritiva e de associação. | 80 jogadores de voleibol residentes no Brasil, 55 mulheres (68,8%), com idade mediana de 24 anos. | Estimar a incidência de lesões, descrever suas características e investigar fatores associados às lesões esportivas em jogadores de voleibol. | Não houve intervenção ou comparação pré e pós. Foram coletados dados sobre características pessoais, treinamento, sono, humor e percepção de risco e prevenção de lesões. | Em 2024, 39 atletas (48,8%) relataram pelo menos uma lesão, totalizando 81 eventos, principalmente em joelho, ombro/região clavicular, tornozelo e dedos. A incidência estimada foi de 2,89 lesões por 1.000 horas de exposição. Entre os lesionados, 61,5% relataram afastamento, com mediana de 21 dias para retorno. O estudo reforça a necessidade de estratégias preventivas integradas. |
Albaladejo-Saura et al. (2021) | Ensaio controlado não randomizado, com avaliações pré e pós-intervenção por Y-Balance e testes de aterrissagem em plataforma de força. | 26 jovens jogadores de voleibol masculino, idade média de 15,39 ± 1,16 anos; grupo experimental n = 15 e controle n = 11. | Avaliar os efeitos de um programa multidisciplinar de prevenção de lesões sobre a estabilidade dos membros inferiores em jovens jogadores de voleibol. | Programa de prevenção de 8 semanas envolvendo treinamento de força e pliometria dos membros inferiores, estabilidade articular e estabilidade do core. | As avaliações pré e pós mostraram diferenças entre grupos e momentos em praticamente todas as variáveis do Y-Balance, além de diferenças nas forças de reação do solo no eixo z (p = 0,040), eixo x (p = 0,014) e no índice de estabilidade postural dinâmica (p = 0,025) durante o salto lateral com a perna não dominante. O programa pareceu melhorar a estabilidade dos membros inferiores. |
Setuain et al. (2022) | Estudo experimental controlado, avaliando a mecânica do salto antes e depois de uma sessão regular de treinamento durante a temporada. | 12 jogadores profissionais de voleibol masculino de elite, 23,7 ± 4,9 anos, pertencentes à mesma equipe brasileira da primeira divisão. | Avaliar as alterações na mecânica dos saltos verticais após uma sessão de treinamento de voleibol com volume e intensidade controlados. | Não houve programa de treinamento. Os atletas realizaram uma sessão regular de treinamento e foram avaliados antes e depois por CMJ unilateral e bilateral, com sensor inercial na região de L3. | No CMJ unilateral houve redução de 10% na força de reação vertical do solo após o treino em comparação ao pré-treino (p = 0,02). Os demais resultados unilaterais e todos os resultados bilaterais não apresentaram diferenças significativas. O estudo não encontrou evidências gerais de fadiga após a sessão controlada. |
Wang, Qin e Zhang (2025) | Estudo observacional prospectivo, com avaliação física na pré-temporada e acompanhamento dos atletas durante 8 meses para registro de lesões sem contato. | 31 atletas de voleibol masculino de elite, idade média de 20,1 ± 1,2 anos e experiência de treinamento de 7,1 ± 2,2 anos. | Quantificar assimetrias entre os membros inferiores em potência, agilidade e força e investigar sua associação com a ocorrência de lesões sem contato nos membros inferiores. | Não houve intervenção. Foram realizados testes SCMJ, SSJ, SDJ, T-test, Pro-test e testes isocinéticos de força dos extensores e flexores do joelho, seguidos de 8 meses de acompanhamento. | As assimetrias variaram de 3,61% a 15,91%. Treze atletas sofreram pelo menos uma lesão sem contato. A assimetria do pico de torque concêntrico dos extensores do joelho apresentou OR = 1,64 (IC 95% 1,14–2,37; p < 0,01), a assimetria da altura do SCMJ OR = 1,18 (IC 95% 1,01–1,34; p < 0,05) e a assimetria no T-test OR = 1,41 (IC 95% 1,07–1,85; p < 0,05). |
Mizoguchi et al. (2024) | Estudo transversal com questionários, entrevistas e avaliações de campo, incluindo flexibilidade e capacidade de salto; análise por testes estatísticos e regressão logística. | 82 atacantes de voleibol do ensino médio, com 15–17 anos, de oito equipes. | Determinar a prevalência de dor no joelho, identificar fatores associados e investigar a relação entre dor no joelho e dor lombar. | Não houve intervenção nem avaliação pré e pós. Foram avaliados fatores demográficos, características do treinamento, flexibilidade e capacidade de salto. | A prevalência de dor no joelho foi de 19,5% (16/82). Histórico de dor lombar apresentou OR = 4,64 (IC 95% 1,28–16,8; p = 0,019) e a diferença absoluta na distância calcanhar-glúteo apresentou OR = 1,37 (IC 95% 1,02–1,83; p = 0,037). O grupo com dor também apresentou maior experiência no voleibol e maior proporção de titulares. |
Choudhary et al. (2025) | Ensaio randomizado com 42 jogadores, comparando treinamento com exercícios de prancing e galloping (POGO) e treinamento convencional durante 6 semanas. | 42 jogadores de voleibol masculino, idade média de 23,67 ± 3,15 anos; grupo PGT/POGO n = 21 e grupo convencional n = 21. | Avaliar os efeitos dos exercícios de prancing e galloping sobre estabilidade do tornozelo, agilidade e parâmetros de aptidão física. | Durante 6 semanas, o grupo experimental realizou exercícios de prancing e galloping, enquanto o grupo controle manteve sua rotina convencional de aquecimento. Foram avaliados estabilidade do tornozelo, salto vertical, agilidade, resistência e equilíbrio dinâmico. | Após 6 semanas, ambos os grupos apresentaram melhorias, com maiores efeitos no grupo POGO. Houve aumento significativo da estabilidade dos tornozelos direito e esquerdo (p < 0,001) e melhora do equilíbrio dinâmico em ambos os membros (p < 0,001). |
Fonte: Os autores (2026).
Em relação à estabilidade postural e ao controle de tronco, Albaladejo-Saura et al. (2021) e Choudhary et al. (2025) reforçam o papel do fortalecimento de core e da propriocepção no equilíbrio dinâmico de atletas de voleibol. Albaladejo-Saura et al. (2021), ao avaliarem 26 jovens atletas do sexo masculino, 15 deles submetidos a 8 semanas de treinamento neuromuscular, identificaram reduções expressivas na FRS e melhorias marcantes na estabilidade postural avaliada pelo Y-Balance Test. No mesmo sentido, Choudhary et al. (2025) constataram que 6 semanas de treino pliométrico específico de tornozelo (POGO) em 21 atletas do sexo masculino resultaram em aumentos altamente significativos na estabilidade dos tornozelos (p < 0,001) e no alcance do Star Excursion Balance Test em quase todas as direções. O aprimoramento do controle motor antecipatório (feedforward) e reativo (feedback), no qual a maior rigidez articular e a ativação estabilizadora dos músculos do tronco e tornozelo minimizam oscilações do centro de massa durante ações explosivas de salto e desaceleração, podendo reduzir o risco de lesão (Choudhary et al., 2025).
A análise do equilíbrio muscular e da força isocinética encontra respaldo nos trabalhos de Lehnert et al. (2017) e Sugimoto et al. (2014). Lehnert et al. (2017) demonstraram que a inserção de treinamento de força e potência na pré-temporada elevou significativamente o torque de flexores do joelho (18,3%) e alterou a razão flexores/quadríceps (F/Q) em atletas juvenis. Por sua vez, Sugimoto et al. (2014) identificaram uma correlação direta (r = 0,56) entre a alta adesão ao treinamento neuromuscular e o ganho de força nos abdutores do quadril em atletas femininas. A literatura aponta que o fortalecimento dos flexores do joelho e dos abdutores do quadril (especialmente o glúteo médio) previne o colapso em valgo dinâmico ao controlar a adução e rotação interna do fêmur, estabilizando a articulação coxofemoral e reduzindo a sobrecarga patelofemoral.
No âmbito dos fatores neurocognitivos, de retenção e histórico de saúde, Slovák et al. (2026), Yang et al. (2018) e McPherson et al. (2024) oferecem perspectivas cruciais para a individualização do treino. Slovák et al. (2026) evidenciaram que instruções com foco atencional externo (ex.: “aterrissar suavemente como uma pena”) promoveram reduções imediatas nos picos de FRS e na sobrecarga articular do joelho em atletas jovens, em comparação à aterrissagem sem foco atencional. A hipótese neurocognitiva sugere que alterações no processamento proprioceptivo central e déficits na modulação atencional comprometem o controle motor refinado, tornando essencial a inclusão de tarefas cognitivo-motoras duplas e estratégias de foco externo na rotina de treinos. Yang et al. (2018) analisaram a retenção dos ganhos biomecânicos após 16 semanas sem treino, observando que homens mantiveram o aumento da flexão do joelho (p ≤ 0,002), enquanto nas mulheres o programa não promoveu alterações significativas na flexão do joelho nem nas forças de reação do solo, ressaltando o dimorfismo neuromuscular. Por fim, McPherson et al. (2024) alertaram que atletas de voleibol, futebol e basquetebol com histórico de concussão apresentam um risco 3,9 vezes maior de sofrerem lesões musculoesqueléticas nos membros inferiores.
A caracterização epidemiológica das lesões no voleibol e a identificação de assimetrias funcionais foram exploradas por Silva et al. (2026), Mizoguchi et al. (2024) e Wang, Qin e Zhang (2025). Silva et al. (2026) registraram uma incidência de 2,89 lesões por 1.000 horas de exposição em 80 atletas brasileiros, apontando que o joelho (31,2%) e o tornozelo (25%) são as articulações mais acometidas, predominantemente durante ações de aterrissagem. Mizoguchi et al. (2024) constataram dor no joelho em 19,5% de 82 atacantes do ensino médio, correlacionando-a significativamente à presença de dor lombar (OR = 4,64) e à diferença absoluta na distância calcanhar-glúteo (OR = 1,37). Paralelamente, Wang, Qin e Zhang (2025) demonstraram que assimetrias funcionais entre os membros no pico de torque dos extensores do joelho (OR = 1,64) e na altura do salto com contramovimento unipodal (OR = 1,18) elevam substancialmente o risco de lesões. A hipótese fisiopatológica aponta que assimetrias e encurtamentos musculares geram uma distribuição desigual dos vetores de carga mecânica, induzindo microtraumas cumulativos e dor patelofemoral.
A gestão da carga de trabalho e os efeitos da fadiga aguda foram investigados por Skazalski, Whiteley e Bahr (2018) e Setuain et al. (2022). Skazalski, Whiteley e Bahr (2018), ao quantificarem 129.173 saltos em atletas profissionais ao longo de uma temporada, identificaram que levantadores executam a maior média de saltos por treino (121 ± 31) e que 100% dos atletas foram expostos a picos semanais de carga (aumentos de duas vezes no volume de saltos); o volume de treino, por sua vez, é associado na literatura à tendinopatia patelar. Adicionalmente, Setuain et al. (2022) observaram que uma única sessão regular de treino de voleibol provocou uma queda aguda de 10% na força de reação vertical do solo no salto unilateral (p = 0,02), embora sem evidências gerais de fadiga. Sugere-se que a fadiga neuromuscular possa reduzir a capacidade de absorção de impacto, deteriorando a técnica de aterrissagem e expondo as estruturas miotendíneas a sobrecargas repetitivas.
Por fim, Sugimoto et al. (2017) trouxeram à tona a dimensão organizacional e a adesão das comissões técnicas à prevenção de lesões. Em um estudo englobando 547 atletas de 52 equipes, os autores identificaram alta taxa de adesão contínua entre as atletas (88,4%), porém observaram uma adesão significativamente menor entre treinadores de equipes do ensino fundamental em comparação ao ensino médio (p = 0,001). A hipótese estrutural ressalta que a eficácia prática dos programas preventivos depende do engajamento e do conhecimento técnico da comissão técnica, tornando indispensável a capacitação de treinadores nas categorias de base para a consolidação de hábitos preventivos desde o início do desenvolvimento esportivo.
A despeito da consistência dos benefícios reportados, a análise crítica da literatura revela limitações metodológicas importantes que devem ser ponderadas na interpretação dos resultados. Em primeiro lugar, destaca-se a prevalência de ensaios clínicos com desenho de grupo único pré e pós-teste sem a inclusão de um grupo controle pareado (Lehnert et al., 2017; Noyes et al., 2011), o que limita o isolamento dos efeitos do treinamento frente às adaptações decorrentes do próprio crescimento ou da prática regular do voleibol. Em segundo lugar, a maioria das intervenções apresentou duração relativamente curta (entre 4 e 8 semanas), com escassez de acompanhamentos longitudinais de retenção de longo prazo, com exceção do estudo de Yang et al. (2018). Adicionalmente, identificam-se amostragens reduzidas em diversos estudos laboratoriais (variando entre 12 e 26 participantes) e uma marcante heterogeneidade na caracterização dos sujeitos, havendo uma concentração desproporcional de pesquisas voltadas exclusivamente para atletas femininas adolescentes ou, inversamente, para homens adultos de elite. Por fim, observa-se uma limitação metodológica no monitoramento das cargas de treinamento e análises biomecânicas, as quais se concentram predominantemente nas ações do plano sagital (flexão-extensão), subestimando as demandas e estresses articulares nos planos frontal e transversal durante os deslocamentos multidirecionais típicos do voleibol.
Do ponto de vista prático, os achados oferecem diretrizes claras para a atuação do Profissional de Educação Física e treinadores no voleibol. Recomenda-se a implementação sistemática do Treinamento Neuromuscular Integrativo (TNI) incorporado ao aquecimento ou às sessões regulares de treino, com frequência mínima de 2 a 3 vezes por semana e duração mínima de 6 semanas. Este programa deve combinar exercícios de fortalecimento do core e dos abdutores do quadril, treino pliométrico progressivo com ênfase na técnica de aterrissagem (maior flexão de joelho e prevenção do valgo dinâmico) e estratégias de foco atencional externo. Paralelamente, é indispensável realizar a triagem de assimetrias de força e flexibilidade na pré-temporada e monitorar individualmente o volume de saltos para evitar picos abruptos de carga. Para pesquisas futuras, sugere-se a realização de ensaios clínicos randomizados e controlados de longa duração, com acompanhamento de retenção por ao menos uma temporada competitiva completa, incluindo amostras mistas e comparativas de diferentes faixas etárias. Recomenda-se também a investigação de tecnologias inerciais capazes de mensurar cargas multidirecionais e a avaliação de estratégias pedagógicas que elevem a adesão de treinadores em categorias de base.
5. CONSIDERAÇÕES FINAIS
A análise integrada da literatura científica permite concluir que a implementação do treinamento neuromuscular e de força representa uma intervenção altamente eficaz e indispensável para a melhoria da biomecânica, do controle motor e da performance física em atletas de voleibol. Os achados confirmam que programas bem estruturados promovem a reeducação dos padrões de movimento durante a aterrissagem, aumentando a distância de separação dos joelhos e a flexão articular, ao mesmo tempo em que reduzem drasticamente os torques no plano frontal. Essas adaptações diminuem de forma expressiva as forças de reação do solo e a sobrecarga trativa sobre o ligamento cruzado anterior, constituindo um fator protetor determinante contra lesões graves no joelho.
Constatou-se também que o fortalecimento sistemático da musculatura do tronco e dos abdutores do quadril, combinado a exercícios de pliometria e estratégias de foco atencional externo, proporciona aumentos expressivos na estabilidade postural dinâmica, no equilíbrio muscular e na força isocinética. Essas modificações neuromusculares podem contribuir para reduzir assimetrias funcionais entre os membros inferiores e minimizam o colapso em valgo dinâmico. Adicionalmente, evidencia-se a necessidade imperativa de controlar rigorosamente a carga externa e o volume de saltos na rotina de treinos, uma vez que a fadiga neuromuscular aguda pode deteriorar a capacidade de absorção de impacto e elevar o risco de sobrecargas microtraumáticas e tendinopatias.
Em suma, recomenda-se que o Profissional de Educação Física e a comissão técnica incorporem o Treinamento Neuromuscular Integrativo de forma sistemática ao planejamento de atletas de voleibol, com frequência de duas a três vezes por semana, desde as categorias de base. Para que a eficácia desses programas se concretize na prática, é fundamental promover a capacitação contínua dos treinadores e a triagem preventiva de assimetrias. Por fim, encoraja-se a realização de futuras pesquisas longitudinais de longa duração com amostras amplas e monitoramento tecnológico em tempo real durante partidas oficiais, consolidando ainda mais as diretrizes para a saúde e o rendimento esportivo no voleibol.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
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1 Acadêmicos do Curso de Educação Física – Bacharelado, do Centro Universitário FAG. E-mail: [clique para visualizar o e-mail]acesse o artigo original para visualizar o e-mail.
2 Acadêmicos do Curso de Educação Física – Bacharelado, do Centro Universitário FAG. E-mail: [clique para visualizar o e-mail]acesse o artigo original para visualizar o e-mail.
3 Professor Orientador, Bacharel em Educação Física e Mestre em Ciências pela Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP), do Centro Universitário FAG. E-mail: [clique para visualizar o e-mail]acesse o artigo original para visualizar o e-mail.