REGISTRO DOI: 10.70773/revistatopicos/790478332
RESUMO
Diante de uma sociedade conectada, é imprescindível promover o uso adequado das mídias digitais na escola, visto que essas ferramentas ajudam a despertar a visão crítica da realidade, além de ser uma forma de garantir aos jovens conhecimentos e habilidades emergentes na contemporaneidade. A utilização da Educomunicação em sala de aula possibilita a integração de diversos conhecimentos, assim auxilia os estudantes a elevar o desempenho de competências relacionadas a expressão e comunicação, dentre outras. Desse modo, o artigo tem como objetivo demonstrar como são desenvolvidas as estratégias de ensino dos professores do Curso Técnico em Meio Ambiente Integrado ao Ensino Médio, do Instituto Federal do Piauí (IFPI), Campus Valença do Piauí sob a ótica da Educomunicação, com o uso das ferramentas digitais. O estudo de caráter qualitativo passou por etapas como levantamento de dados teóricos e documentais e utilizou como instrumento de coleta de dados questionários semiestruturados, com a participação de doze professores. Mediante a análise das estratégias e atividades desenvolvidas nas aulas, houve poucos indícios da perspectiva educomunicativa, nas propostas didáticas dos docentes. Dessa maneira, torna-se pertinente apresentar proposta didática com o uso da Educomunicação, visto que ela possibilita o aperfeiçoamento da comunicação, alia teoria e prática e estimula a participação cidadã, instrumento que fomenta a intervenção social.
Palavras-chave: Educomunicação; Recursos digitais; Educação Profissional e Tecnológica.
ABSTRACT
Faced with a connected society, it is essential to promote the proper use of media resources at school, as these tools help to awaken a critical view of reality, in addition to being a way of guaranteeing young people knowledge and emerging skills in contemporary times. The use of Educommunication in the classroom enables the integration of different knowledge, thus helping students to increase the performance of skills related to expression and communication, among others. In this way, the article aims to demonstrate how the teaching strategies of the teachers of the Technical Course of Medium Level in Environment, of the Federal Institute of Piauí (IFPI), Campus Valença do Piauí are developed in the perspective of Educommunication, with the use of the digital media. The qualitative study went through stages such as theoretical and documental data collection, and used semi-structured questionnaires as a data collection instrument. Twelve teachers participated in the research, of which the analysis of the strategies and activities proposed in the classroom revealed little evidence of the educommunicative perspective, so it becomes pertinent to present Educommunication as a proposal that combines theory and practice,enabling the improvement of communication, encourage citizen participation, as well as school success.
Keywords: Educommunication; Digital Media; Professional and Technological Education.
1. INTRODUÇÃO
Com o considerável aumento do volume e da velocidade em que as informações circulam, tornou-se mais difícil identificar a veracidade das fontes nos meios digitais. Junto a isso a fragilidade do nível educacional da população, a ausência do letramento digital e midiático favorece esse cenário. Desse modo, de acordo com um estudo realizado na América Latina, desenvolvido pela Kaspersky, empresa global de cibersegurança (2020), 62% dos brasileiros não conseguem reconhecer uma informação falsa, outro dado agravante, segundo o Massachusetts Institute of Technology (MIT), é que as notícias falsas circulam 70% mais do que as notícias verdadeiras na internet.
A escola, portanto, é um ambiente importante para preparar a comunidade escolar para lidar com essa questão. Assim, os recursos midiáticos precisam ser bem explorados pelos professores através do envolvimento da temática nas discussões e atividades pedagógicas. O uso das mídias digitais em sala de aula também oportuniza aos alunos mais espaço para exercer o protagonismo em suas localidades.
Na maioria das vezes, a utilização dessas ferramentas ocorre apenas em caráter instrumental, carecendo da aplicação com intencionalidades pedagógicas com vista na participação social, como afirma a pesquisa recente de Serejo- Santos e Lobato (2020). Isso se deve à falta de conhecimento de estratégias didáticas adequadas ao seu uso e aponta para a necessidade da formação de professores para o uso pedagógico dos meios de comunicação.
É necessário considerar ainda a vivência do período ocasionado pela pandemia da Covid-19 como um fato determinante para mudança das estratégias escolares, que apesar de sinalizar para a necessidade de transformações na área, também evidenciou a vulnerabilidade do ensino, e conforme Santos (2022, p.252), “impactou de forma severa diversos setores da sociedade”. Nesse aspecto, a UNESCO também descreveu os efeitos da pandemia, verificados por diversos pesquisadores. Junto a isso, através de dados coletados pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (INEP), por meio do censo escolar sobre a resposta educacional em 2021, revelou-se que a rede federal de ensino foi a que apresentou o maior percentual de escolas que adotaram exclusivamente o ensino remoto (45,4%). Desse modo, os esforços nos próximos anos serão grandiosos para equalizar a aprendizagem dos estudantes.
Diante dessa realidade, o estudo proposto enxerga na inter-relação educação e comunicação uma possibilidade de inovação do ensino na Educação Profissional e Tecnológica. A Educomunicação enquanto novo campo de estudo teórico e prático possibilita diversas aprendizagens em consonância com a realidade atual. Conforme Soares (2011), ela promove a leitura crítica e proporciona o desenvolvimento de capacidades comunicativas que potencializam o exercício da cidadania, seja na compreensão, ou na expressão de ideias por meio de diferentes mídias.
Assim, o tema deste estudo desponta da percepção de que, no geral os professores têm dificuldades de utilizar as mídias digitais em sala de aula. E considerando a necessidade de a educação se adequar ao novo cenário, compreende-se a viabilidade de uso dessas ferramentas como estratégia motivadora que potencializa o desenvolvimento de várias habilidades, favorece o protagonismo juvenil e possibilita melhorias no desempenho escolar.
Por conseguinte, o presente artigo tem como objetivo demonstrar como se desenvolvem as estratégias de ensino dos professores do Curso Técnico em Meio Ambiente Integrado ao Ensino Médio, do Instituto Federal do Piauí (IFPI) Campus Valença do Piauí com uso das ferramentas digitais, mediante a abordagem educomunicativa.
A temática abordada parte do pressuposto de que diante da sociedade conectada é imprescindível promover o uso adequado dos recursos midiáticos na escola, visto que essas ferramentas poderão despertar a visão analítica da realidade, além de ser uma forma de garantir aos jovens conhecimentos e competências emergentes na sociedade contemporânea.
Esta pesquisa foi desenvolvida através de um estudo de caráter qualitativo que foi desenvolvido durante a pesquisa de mestrado do Programa de Pós-Graduação em Educação Profissional e Tecnológica em Rede Nacional (PROFEPT), do Instituto Federal do Piauí campus Parnaíba, na linha de pesquisa de Práticas Educativas em Educação Profissional e Tecnológica, que se refere aos fundamentos das práticas educativas e do desenvolvimento curricular na Educação Profissional e Tecnológica, com a participação dos docentes do Curso Técnico em Meio Ambiente Integrado ao Ensino Médio no IFPI campus Valença - PI. Através do estudo foi realizado o levantamento de dados teóricos e documentais, sendo utilizados como instrumento de coleta de dados questionários online semiestruturados para subsidiar as análises. Os resultados contribuirão nos estudos da Educomunicação no contexto da Educação profissional e Tecnológica.
A discussão possui relevância, uma vez que poderá promover a troca de experiências e conhecimentos sobre o tema e seus possíveis desdobramentos, ampliando redes de saberes entre profissionais e pesquisadores em diversas instituições que tenham interesse no ensino e aprendizagem pautados na inovação pedagógica, bem como o fortalecimento de políticas públicas no âmbito da Educação Profissional e Tecnológica e principalmente no âmbito da Educomunicação.
2. EDUCOMUNICAÇÃO: INTEGRAÇÃO DE SABERES
A comunicação faz parte da cultura contemporânea e por essa razão cresce de forma exponencial, tornando-se oportunidade e ao mesmo tempo um desafio. A intersecção entre educação e comunicação é assunto de muitos estudos que defendem o uso pedagógico dos meios de comunicação nas várias modalidades de ensino.
A exemplo, como representantes dessas práticas, é possível destacar nomes como: Célestin Freinet, na França, e Paulo Freire, no Brasil, que embora convivessem com públicos e em contextos diferentes – Freinet no ensino de crianças e Freire na educação de jovens e adultos, procuraram sistematizar o ensino utilizando a comunicação como eixo primordial. Assim, embora
apresentassem objetivos diferentes – o francês visava mudanças na estrutura e pedagogia escolares, o brasileiro buscava uma reorganização sócio-política do mundo – havia muitas semelhanças entre eles. Ambos tinham uma concepção política da educação, acreditavam na não neutralidade do ato pedagógico, sustentavam o diálogo e a colaboração, alertavam para a manipulação do ser humano e, sobretudo, estavam convictos da possibilidade de transformação do indivíduo e da sociedade. (SANTORI;SOARES, 2013, p 8-9)
Em nosso país, atribui-se também a Roquete Pinto e Anísio Teixeira ainda na década de 20 e 30, a introdução do debate acerca de ações voltadas para a integração da comunicação e educação.
Na América Latina, diversos estudiosos adotaram o pensamento freireano como diretriz para seus fundamentos, principalmente Mário Kaplún na Argentina, Jesús Martín-Barbero na colômbia, Guillermo Orozco-Gómez no México, Francisco Gutiérrez na Costa Rica, entre outros. (SANTORI; SOARES, 2013)
O termo Educomunicação foi usado algumas vezes pela Unesco até optar em usar Media Education no início dos anos 1980. “Continuou a ser usado, na maioria dos casos, para designar uma aproximação genérica e abrangente entre o ensino e as tecnologias da informação” (Soares, 2021, p.161)
Desse modo, através de uma ampla pesquisa realizada pelo NCE/USP, entre 1997-1999, com o apoio da Fapesp, reunindo dados de mais de 176 especialistas latino-americanos, que constatou a inter-relação comunicação e educação, consolidando o termo Educomunicação. Nesse sentido, ela propõe
a ação comunicativa no espaço educativo, ou seja, a comunicação inter-pessoal, grupal, organizacional e massiva promovida com o objetivo de produzir e desenvolver ecossistemas comunicativos através da atividade educativa e formativa. (SOARES, 2002, p. 125)
A Educomunicação, enquanto campo teórico e prático que se caracteriza por utilizar a pedagogia dialógica e por prevê a análise crítica da mídia, o planejamento, acompanhamento e avaliação do processo de produção de conteúdos educativos, através da vivência coletiva e democrática, propõe a criação de ecossistemas comunicativos, para que os estudantes sejam capazes de se envolver com a comunidade na busca de resoluções de problemas, por meio de estratégias que visam desenvolver a produção de conteúdo midiático a partir de temáticas locais com perspectiva de transformação em seus contextos.
Ao conceituar a Educomunicação, Soares (2014) amplia os horizontes para a implementação da prática.
[...] a Educomunicação dialoga com a Educação, tanto quanto com a Comunicação, ressaltando, por meio de projetos colaborativamente planejados, a importância de se rever os padrões teóricos e práticos pelas quais a comunicação se dá. Busca, desta forma, transformações sociais que priorizem, desde o processo de alfabetização, o exercício da expressão, tornando tal prática solidária, fator de aprendizagem que amplie o número dos sujeitos sociais e políticos preocupados com o reconhecimento prático, no cotidiano da vida social, do direito universal à expressão e à comunicação (SOARES, 2014, p. 24).
A educação para uso das mídias é uma tendência que assoma com grande potencial formativo para essa e futuras gerações. É nesse contexto que a Educomunicação se apresenta como suporte que poderá auxiliar professores a preparar melhor os jovens para enfrentar os desafios da sociedade conectada
Frente aos avanços tecnológicos, vale destacar uma importante mudança no ensino da educação básica, trata-se da atualização do currículo com a aprovação em dezembro de 2017 da Base Nacional Comum Curricular (BNCC), que foi criada com a intenção de definir um padrão mínimo no ensino para melhorar a qualidade da aprendizagem no país.
A BNCC aponta dez Competências Gerais que envolvem habilidades contemporâneas relevantes, mobilizando conhecimentos em diversos aspectos e que podem ser desenvolvidas em qualquer componente curricular. Convém, portanto, destacar as competências de cunho digital: Comunicação, Cultura digital e a Argumentação. Este estudo aborda de modo especial a quinta competência, Cultura Digital, que tem por objetivo:
Compreender, utilizar e criar tecnologias digitais de informação e comunicação de forma crítica, significativa, reflexiva e ética nas diversas práticas sociais (incluindo as escolares) para se comunicar, acessar e disseminar informações, produzir conhecimentos, resolver problemas e exercer protagonismo e autoria na vida pessoal e coletiva (BRASIL, 2018, p.9).
A proposta de ensino visa aliar o currículo da educação básica à realidade cultural e social do país, o Ensino Médio se apresenta como um espaço privilegiado para ampliar esses conhecimentos. Assim, Soares (2011), mesmo antes dessa implementação, recomendava a inserção da Educomunicação no currículo escolar, numa perspectiva interdisciplinar.
Nesse sentido, acompanhamos com interesse as discussões em torno do aspecto para flexibilização do currículo do Ensino Médio e a esperada promoção da interdisciplinaridade, a fim de integrar os conhecimentos, substituindo a divisão do conteúdo em disciplinas fragmentadas por eixos temáticos voltados para temas como trabalho, a ciência, a tecnologia e a cultura (SOARES, 2011, p. 55).
Nesse percurso de mudança, faz-se necessária a adequação curricular, para que possa propiciar vivências que inter-relacionam o ensino com a vida social. Em vista disso, trazer as mídias digitais, tão presentes fora da escola, enquanto ferramenta pedagógica, possibilita incorporar novos sentidos ao ensino e aprendizagem.
Na acepção de Charlot (2014), a escola não cumpre um papel importante na distribuição das posições sociais e no futuro dos estudantes, e que isso decorre de não haver discussão sobre o que de fato há dentro da escola. Reforçando que não basta haver acesso escolar, mas principalmente garantias efetivas para que existam permanência e sucesso escolar, e para tanto é necessário haver comprometimento e forte investimento.
Ao tratar da relação com o saber na sociedade contemporânea, Charlot (2014) afirma ser essencial que haja uma relação entre o motivo e o objeto a ser estudado, pois sem uma razão para a aprendizagem não pode haver conhecimento. E complementa que “o objeto de pensamento da escola não tem referência no meio da vida do aluno” Charlot (2014, p.148). Desse modo, determinadas atividades não fazem sentido ou trazem prazer para os alunos.
O autor explica ainda a importância da mobilização como fator que desencadeia o interesse dos alunos na aprendizagem, reforça que há um distanciamento entre a lógica dos estudantes e a adotada pela escola. Além disso, considera que é preciso entender que no processo de constituição do conhecimento humano são igualmente relevantes as relações individuais como ser único e histórico e as relações sociais marcadas pela convivência.
Por intermédio da abordagem educomunicativa, diversos conhecimentos são estimulados, inter-relacionando o currículo com a vida social, oportunizando vivencias na perspectiva da interdisciplinaridade.
Na conjuntura da Educação Profissional e Tecnológica, Ramos (2014) reforça sobre o ideário do ensino integrado no preparo de pessoas para compreender a realidade que as cercam, para possibiliar uma visão crítica, exercitando o uso da tecnologia por meio do comprometimento com o social.
Assim sendo defendemos que o conceito de formação humana integral sugere superar o ser humano dividido historicamente pela divisão social do trabalho entre a ação de executar e a ação de pensar, dirigir ou planejar (RAMOS, 2014, p.94).
Partindo dessa compreensão, em relação ao assunto do estudo, comporta destacar o exercício da cidadania, a exemplo do direito garantido na constituição brasileira, de liberdade de expressão e a livre manifestação do pensamento, por meio do qual Wilson (2013) reforça a importância do aperfeiçoamento do uso das ferramentas midiáticas,
o objetivo desta ampla área temática é desenvolver a compreensão crítica de como as mídias e a informação podem aprimorar a capacidade de professores, estudantes e cidadãos engajarem-se às mídias e usarem bibliotecas, arquivos e outros provedores de informação como ferramentas para a liberdade de expressão, o pluralismo, o diálogo e a tolerância intercultural que contribuam para o debate democrático e a boa governança (WILSON, 2013, p.25).
O estímulo a essas práticas suscita debate e ações em diversos países, mediante o entendimento de que “alfabetização midiática e informacional aprimora a capacidade das pessoas de usufruírem de seus direitos humanos fundamentais” (WILSON, 2013, p. 20).
A incorporação da educomunicação no ensino formal possibilita uma série de conhecimentos e benefícios, em virtude de ser uma maneira de promover a leitura crítica e proporcionar o desenvolvimento de capacidades comunicativas que potencializam o exercício da cidadania, seja na compreensão ou na expressão de ideias por meio de diferentes mídias (SOARES, 2011).
Além disso, possui um elo com a Educação Ambiental, ambas desempenham um caráter interdisciplinar e transdisciplinar. Assim, denomina-se “Educomunicação Socioambiental”, como um conjunto de ações e valores que correspondem à dimensão pedagógica dos processos comunicativos ambientais, marcados pelo dialogismo, pela participação e pelo trabalho mútuo.
Regulamentada através da Lei Federal 9.795, de 1999, que instituindo a Política Nacional de Educação Ambiental vinculada aos Ministérios do Meio Ambiente e da Educação e recria, em 2003, o Programa Nacional de Educação Ambiental (ProNEA). Assim define em seu artigo oitavo:
As atividades vinculadas à Política Nacional de Educação Ambiental devem ser desenvolvidas na educação em geral e na educação escolar, por meio das seguintes linhas de atuação inter-relacionadas: [...] III - produção e divulgação de material educativo. (ProNEA, 1999)
Nesse aspecto, ao definir como público do estudo o Curso Técnico em Meio Ambiente, foi levando em consideração esse vínculo, que favorece significados para os professores e estudantes, ou seja, a interligação dos temas que propiciam a interdisciplinaridade, facilitando a compreensão dos conceitos e do exercício prático.
Na perspectiva de uma educação integradora, Citelli; Falcão (2020, p.25) reforçam que “o círculo de abrangência da comunicação ambiental presume abertura para o diálogo entre o cidadão e a cidade, em direção a um cuidado urbano gerador de bem-estar para os munícipes”.
No cerne do debate desta pesquisa, figura a Educação Profissional e Tecnológica e a Educomunicação, nesse construto, a discussão abrange o uso das mídias na educação, cidadania digital, vivência democrática, participação social e ainda educação ambiental. Questões que se complementam e fortalecem a defesa de que é possível a utilização da tecnologia a serviço do bem comum.
3. PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS
O estudo desenvolvido teve caráter qualitativo, assim definido em razão de propiciar uma maior aproximação entre o pesquisador e o foco da investigação. Desse modo, segundo Minayo (2009, p.21), a “pesquisa qualitativa responde a questões muito particulares” (...) “esse conjunto de fenômenos é entendido aqui como parte da realidade social”.
Assim, os participantes da pesquisa foram os docentes do Curso Técnico em Meio Ambiente Integrado ao Ensino Médio, do IFPI campus Valença do Piauí, município situado cerca de 216 Km da capital Teresina, sediado no território do desenvolvimento Vale do Sambito.
Para atingir os objetivos almejados, realizou-se uma pesquisa exploratória, por meio do levantamento de dados bibliográficos dentre outras informações, que permitiram compreender o contexto em questão. Nesse sentido, “explorar é tipicamente a primeira aproximação com o tema e visa criar maior familiaridade em relação a um fato ou fenômeno” (SANTOS, A. R., 2007, p. 26). Com relação aos procedimentos utilizados, a pesquisa se caracteriza como uma pesquisa-ação. Conforme (THIOLLENT, 1986, p.14), “é um tipo de pesquisa social com base empírica que é concebida e realizada em estreita associação com uma ação ou com a resolução de um problema coletivo”. Desse modo, por se dar no contexto em que o fenômeno acontece a partir do embasamento empírico analisa as condições do contexto e propõe intervenção para o problema encontrado.
Antes da investigação em campo, o projeto foi submetido ao Comitê de Ética em pesquisa com seres humanos, após a aprovação, foi disponibilizado aos participantes o Termo de Consentimento Livre e Esclarecidos – TCLE com as devidas informações sobre a pesquisa, para que fosse lido e assinado pelos participantes. Como instrumento de coleta dos dados utilizou-se o questionário no formato online, por ser uma forma que se adequaria à rotina desses profissionais, facilitando o trabalho de campo e evitando o desgaste pessoal. Segundo Marconi e Lakatos (2021, p. 95), esse instrumento permite “obter respostas que, materialmente, seriam inacessíveis” e desempenha um bom padrão de qualidade em decorrência da clareza e objetividade das perguntas, além disso, possibilita o acesso e participação dos pesquisados.
O questionário teve como finalidade verificar as estratégias didáticas dos professores do Curso Técnico de Nível Médio em Meio Ambiente utilizadas em suas aulas, tomando como referência os anos de 2020 a 2021, como também as compreensões destes sobre a Educomunicação. Assim, a amostra da pesquisa foi composta pelos docentes que atuaram no referido curso, no total haviam 17 professores aptos, destes 12 docentes participaram do estudo.
O instrumento foi elaborado em dois grupos de questões, sendo cinco questões relacionadas à didática dos docentes, tendo com objetivo traçar um perfil dos participantes e seis sobre aspectos específicos da temática investigada, para identificar o conhecimento sobre aspectos pontuais do estudo.
Assim as perguntas obedeceram a seguinte ordem: QUESTÕES DIDÁTICAS GERAIS:1 - Disciplina (s) que ministrou em 2020 e/ou 2021; 2 - Tempo que trabalha nesta instituição; 3 - Há quanto tempo trabalha/trabalhou com a (s) disciplina (s) mencionadas; 4 -Teve dificuldade de ministrar aulas de forma remota durante o momento pandêmico: Sim, Não, em alguns aspectos; 5 - Como você classifica a sua competência digital na utilização das diversas ferramentas, levando em consideração a seguinte escala: Novato, aprendiz, experiente; QUESTÕES RELACIONADAS AO TEMA DA PESQUISA: 6 - Quais as principais ferramentas (programas/apps) utilizadas entre 2020 e 2021 para auxiliar nas atividades com os alunos em sua disciplina; 7 - Poderia citar algumas estratégias de ensino utilizadas nesse período nas quais utilizou mídias digitais; 8 - Poderia afirmar se consegue explorar as potencialidades que as mídias digitais oferecem para o ensino? Cite algum exemplo; 9 - No seu trabalho em sala de aula costuma propor aos seus alunos atividades com as seguintes perspectivas: Utiliza as linguagens multimídias (slides, vídeos, memes, posts); Leitura ou análise crítica de mídias; Ao solicitar pesquisa, orienta no sentido de os estudantes buscarem fontes de informações confiáveis; Em equipe de produção de conteúdo para veiculação em mídias digitais; (seguem as alternativas); 10 - Caso tenha marcado pelo menos uma alternativa indique uma média de frequência da realização da (s) atividade(s): Semanalmente, mensalmente, esporadicamente; 11 - Conhece o termo ou a prática da Educomunicação? Se sim, especifique.
A metodologia utilizada no estudo foi a análise de conteúdo de Bandin (2011, p 19) definida como “um conjunto de técnicas de análise das comunicações marcada por uma grande disparidade de formas e adaptável a um campo de aplicação muito vasto”. Diante dos dados, estabeleceu-se a observância mediante a frequência das informações, visto a importância de privilegiar as descrições com a exatidão em que foram prestadas pelos participantes. Para tanto, (BARDIN ,2011, p.23) destaca que “a intenção da análise de conteúdo é a inferência de conhecimento relativos às condições de produção (ou eventualmente de recepção), inferência essa que recorre a indicadores (quantitativos ou não)”. Com base no método foram realizadas pré- análises, exploração e tratamento dos resultados e interpretação.
Nas citações de relato dos participantes, para preservar a identidade, essas referências foram apresentadas da seguinte forma: P – Participante; (n) – número que identifica a ordem de resposta pela tabela gerada automaticamente (01 para o primeiro e assim por diante); as letras identificam o Eixo Curricular da disciplina, conforme a Matriz Curricular: vigente NB (Núcleo Básico), NT (Núcleo Tecnológico) NI (Núcleo Integrador) e NC (Núcleo Complementar).
Convém destacar que os resultados e discussões se embasam nos princípios e fundamentos da Educação Profissional e Tecnologia, bem como nas diretrizes pertinentes à teoria e prática da Educomunicação.
4. RESULTADOS E DISCUSSÃO
A pesquisa desenvolvida com os docentes do Curso Técnico em Meio Ambiente Integrado ao Ensino Médio obteve uma participação de doze docentes, correspondendo a um percentual de 66,6% dos professores do referido curso. Diante das ponderações alcançadas por meio dos dados, segue uma demonstração dos resultados.
O primeiro grupo de questões apresentadas são referentes à Didática Geral com enfoque para as experiências na instituição com as ferramentas utilizadas durante o contexto pandêmico, momento que ocasionou mudanças profundas no trabalho e nas relações sociais.
Diante do contexto vivido, as tecnologias da informação e comunicação foram fundamentais para estabelecer os contatos e garantir o acompanhamento aos alunos. Assim, uma das primeiras questões tratadas procurou entender como os professores lidaram com a situação.
Em relação ao acompanhamento aos alunos de forma remota, 41,7% (cinco) docentes afirmaram não ter sentido dificuldades para garantir as aulas, a mesma quantidade (41,7%) relatou que teve dificuldades em alguns aspectos, 8,3% (um) afirmou que teve dificuldade, e outro fez a seguinte afirmação. “No início foi complicado, após um curso disponibilizado pela instituição e uso de outras ferramentas digitais as aulas seguiram os fluxos normais com algumas pendências” (P07EB).
O relato demonstra que houve intervenção por parte da Instituição quanto a capacitação dos professores para que pudessem fazer o acompanhamento aos alunos no momento de isolamento social.
Pelo que se percebe, os quantitativos ficaram bem próximos, esse item torna-se insuficiente como definição do domínio tecnológico dos docentes para assumir essa configuração no ensino. Neste sentido, segundo Silveira (2022), em relação ao uso das ferramentas,
o professor precisa fazer uma reflexão sobre o seu perfil de usuário, e perceber a necessidade de agregar uma interação mais ativa com a tecnologia em sua didática ou se dar conta da necessidade de realizar uma formação sobre o uso da tecnologia no ensino escolar. (SILVEIRA, 2022, p.73)
Quando questionados acerca do grau de dificuldade quanto ao acompanhamento das aulas, a grande maioria confirmou ter um grau médio de dificuldade ou seja 72,7%, seguido por 18,2 % que afirmaram sentir grande dificuldade e apenas 9,1% apresentaram pouca dificuldade. Como não foi solicitado o esclarecimento sobre o fator que ocasionou a dificuldade, não se pode afirmar a especificidade que estaria relacionada ao domínio tecnológico.
Desse modo, o próximo ponto trata de uma classificação da competência digital que os docentes possuíam, foi apresentada uma escala prévia, nesses moldes: “Aprendizes”, 58,3% (sete) dos participantes afirmaram estar neste nível de conhecimentos e 41,7% (cinco) consideram-se “Experientes”, não havendo designação como “Novato”. Isso demonstra que os pesquisados possuíam competências tecnológicas.
Uma pesquisa da TIC Educação de 2020 relacionada ao uso das tecnologias digitais nas atividades de ensino e aprendizagem nas escolas brasileiras públicas e particulares de Ensino Fundamental e Médio na modalidade regular, desenvolvida em parceria com o CETIC.br – Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação sob os auspícios da UNESCO – Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura, realizada por telefone com uma amostra efetiva de 3.678 escolas,(p. 73) apontou que há dois tipos de usuários: o básico, aquele que utiliza de forma passiva, simples, apenas um reprodutor de conteúdo, e o usuário avançado é aquele que produz e reproduz conteúdo. (p.72). Para que se possa passar do nível básico para o avançado é necessário tempo, interesse e aperfeiçoamento para que esse uso possa ser ampliado.
O segundo grupo de perguntas, traz os resultados e análises relativos ao tema da pesquisa. Inicialmente verifica-se quais foram as ferramentas (programas/apps) utilizadas entre 2020 e 2021 para auxiliar nas atividades com os alunos. Para demonstrar as respostas, foi elaborada a tabela 1 para especificar e quantificar os dispositivos digitais usados.
Tabela 1. Ferramentas (programas/apps) mais utilizadas pelos professores entre 2020 e 2021
FUNÇÃO | APP OU PLATAFORMA | QUANTAS VEZES FORAM CITADOS | TOTAL GERAL |
Criação de Conteúdos | 01 | 08 | |
01 | |||
ou | 02 | ||
04 | |||
Comunicação e comunidade | 01 | 01 | |
Avaliação de aprendizagem: | 01 | 03 | |
01 | |||
01 | |||
Organização de ideias e quadro negro: | 01 | 01 | |
Gestão de conteúdo | 08 | 08 | |
Conteúdo educativo (Gravação de Vídeo) | 02 | 06 | |
01 | |||
03 | |||
Vídeo conferência | 07 | 08 | |
01 |
Fonte: elaborado pelos autores
As ferramentas apontadas foram agrupadas em categorias relativas à finalidade de uso, constatou-se que, no momento das aulas remotas os professores utilizaram com maior frequência os instrumentos que possibilitaram a criação de conteúdos, a gestão de conteúdos, videoconferências e gravação de vídeos. Nesse caso, fica evidente que houve empenho por parte dos docentes em oferecer uma gama de possibilidades para que os alunos usufruíssem do direito ao ensino por meio dos diversos recursos digitais para acesso ao conhecimento e a se comunicar com o professor.
No tocante a experiencia do ensino remoto, dados de uma pesquisa realizada pela CONJUVE (2021) no mês de maio, com 68.114 jovens brasileiros que indicou os desafios do Ensino Remoto Emergencial, confirmaram que, apenas 39% conseguiram prosseguir os estudos. Conforme os jovens, “o aparelho de telefone móvel e o aplicativo de mensagens WhatsApp são os recursos tecnológicos mais utilizados, por serem o que está mais acessível” (SANTOS, 2022, p. 257)
Na sequência, os professores compartilharam as estratégias empregadas no período, entre elas as mais apontadas foram: aulas gravadas e on-line. O (P02NB) destacou que procurou desenvolver “aulas extraodinariamente bem elaboradas, com músicas, animações, imagens em movimento etc.” Como também mencionou o (P08NB), “tentei utilizar aplicativos como o Kahoot! para atividades no formato de jogos e o Padlet para promoção da interação entre os alunos”. Em suas aulas, o (P12NB) utilizou “slides, jogos educativos, aplicativos, debate, estudo dirigido, ilustrações e linguagens de multimídia”.
Nesse item, observou-se que houve esforço em oferecer não apenas subsídios no formato assíncrono, mas a grande maioria mencionou os encontros de modo síncrono ou se colocou à disposição para tirar dúvidas. A interatividade também foi um aspecto mencionado, e demonstra a preocupação de saber se os alunos compreendiam o que era apresentado, revelando compromisso com a aprendizagem. Nessa direção Almeida (2015) afirma que
o professor que associa a TIC aos métodos ativos de aprendizagem desenvolve a habilidade técnica relacionada ao domínio da tecnologia e, sobretudo, articula esse domínio com a prática pedagógica e com as teorias educacionais que o auxiliem a refletir sobre a própria prática e a transformá-la, visando explorar as potencialidades pedagógicas da TIC em relação à aprendizagem e à consequente constituição de redes de conhecimentos (ALMEIDA, 2015. p. 72).
Outra questão perguntada se refere capacidade de explorar o potencial que as mídias digitais oferecem para o ensino, nesse item todos foram unânimes em concordar que conseguiram explorar dentro do possível e que elas auxiliam de algum modo, como afirmou a (P02NB): “Sim, operacionalizo bem as mídias digitais. No entanto, o público (estudantes) e nós docentes nunca fomos educadas para uma educação virtualizada”. Assim, diante do contexto, coube ao professor se adaptar à nova cultura profissional buscando uso pedagógico das tecnologias digitais.
Outro participante relatou a maneira que conseguiu explorá-las, demostrando o uso das ferramentas digitais no período de aulas remotas,
“um exemplo são as propostas de atividades feitas em tempo real utilizando o Kahoot nas aulas síncronas. Também tentei dentro do possível elaborar materiais que fossem o mais atraentes possível, explorando recursos disponíveis em sites como Canva e Prezi” (P08NB).
O próximo item teve como objetivo apresentar uma lista prévia de algumas atividades, para identificar entre elas quais foram trabalhadas em sala de aula para identificar possíveis aproximações com práticas educomunicativas. Para melhor compreensão das respostas, foi elaborada a tabela 2, que segue abaixo com a indicação das respostas.
Tabela 2. Atividades realizadas pelos professores em suas aulas
ATIVIDADES | QUANTAS VEZES FORAM CITADAS | |||
01 | Utiliza as linguagens multimídias (slides, vídeos, memes, posts); | 06 | 01 | 01 |
02 | Leitura ou análise crítica de mídias; | - | ||
03 | Ao solicitar pesquisa, orienta no sentido de os estudantes buscarem fontes de informações confiáveis; | 04 | ||
04 | Em equipe de produção de conteúdo para veiculação em mídias digitais; | - | ||
05 | Mantém ativo site, blog ou outro tipo de rede social com objetivo de os alunos postarem fotos, relatórios, resumos ou notícias sobre atividades realizadas. | |||
Fonte: elaborado pelos autores
Verifica-se, assim, que a atividade mais utilizada pelos professores foi a de número 01, uso das linguagens multimídias, em sua maioria como forma de apresentar ou reforçar conteúdos, todavia o uso dessas mídias de forma ilustrativa não garante por si só o caráter educomunicativo.
Avançando na compreensão, a segunda atividade mais indicada foi a 03, trata-se da orientação dos estudantes para realização de pesquisas, no sentido de buscarem fontes de informações confiáveis. Esse item figura uma das habilidades da BNCC do Campo Jornalístico/midiático, que apesar de estar previsto em Língua Portuguesa, pode ser desenvolvida em qualquer componente curricular, como a descrição a seguir.
(EM13LP39) Usar procedimentos de checagem de fatos noticiados e fotos publicadas (verificar/avaliar veículo, fonte, data e local da publicação, autoria, URL, formatação; comparar diferentes fontes; consultar ferramentas e sites checadores etc.), de forma a combater a proliferação de notícias falsas (fake news) (BRASIL, 2018).
O olhar dos docentes sobre essa questão sinaliza de forma positiva para a educação para as mídias, uma das áreas de intervenção para o desenvolvimento da prática educomunicativa.
Dois participantes do Núcleo Básico da área de linguagem (P02NB) e (P11NB) mencionaram utilizar ao mesmo tempo várias atividades entre as citadas. Esses docentes foram os únicos que apontaram o trabalho com a na atividade 02, leitura e análise crítica de mídias, que indica o uso de estratégias que principiam à prática da educomunicação.
Quanto ao desenvolvimento de trabalho em equipe de produção de conteúdo para veiculação em mídias digitais, apenas um professor afirma utilizar atividades desta natureza. Nesses moldes, embora haja baixa representatividade, a abordagem educomunicativa torna-se perceptível, apesar de não ser proposta mediante um arcabouço teórico da referida prática.
Desse modo, apenas o último exemplo de atividade não obteve sinalização, sendo ela: Mantém ativo site, blog ou outro tipo de rede social com objetivo de os alunos postarem fotos, relatórios, resumos e notícias sobre atividades realizadas. Haja vista ser uma proposta de trabalho mais aprofundada, provavelmente por essa razão não obteve adesão dos docentes. Nessas circunstâncias, conforme Almeida (2015)
O professor precisa se dar conta de que a realidade em sala de aula mudou, e que ele necessita utilizar das tecnologias de informação e comunicação não apenas para se apropriar das novas tecnologias didáticas, mas devido à necessidade de se fazer entender pelos seus alunos, ou seja, comunicar na linguagem da nova configuração social. (ALMEIDA 2015. p. 77)
Para o fechamento dos questionamentos, foi indagado aos participantes se conheciam o termo ou a prática da Educomunicação. Logo abaixo encontra-se o Gráfico 1, com os resultados:
Gráfico 1. Existe o conhecimento do termo ou a prática da Educomunicação?
O gráfico mostra que a grande maioria dos professores não conhecem o termo nem a prática e que, portanto, o embasamento epistemológico faz-se necessário para que o uso fundamentado da estratégia possa ocorrer.
Esse resultado se assemelha com o estudo realizado por Serejo-Santos e Lobato (2020), que teve por objetivo compreender como a abordagem educomunicativa se encontrava presente nas práticas pedagógicas dos professores da Educação Profissional e Tecnológica no IFPA. Constatando que, embora houvesse a presença de estratégias educomunicativas no contexto escolar, elas fixavam-se apenas nos instrumentos digitais.
Em relação a esta pesquisa, nota-se que os indícios da prática educomunicativa estão vinculados ao preparo de cidadão críticos e ativos na sociedade, concepção intrínseca ao ensino no curso Técnico em Meio Ambiente Integrado ao Ensino Médio, que mediante sua proposta de ensino tem por objetivo formar profissionais
“com conhecimentos técnicos, eticamente responsáveis e comprometidos com o bem estar da sociedade e que saibam associar a teoria à prática, fazendo uso das habilidades e atitudes compatíveis com uso sustentável dos recursos naturais”. ( IFPI, 2019)
Sendo a cidadania um dos propósitos maiores para formação do profissional em Meio ambiente, do mesmo modo a Educomunicação contribui para essa formação. Como reforça Renó (2015),
“A educomunicação caminha de maneira próxima á comunicação cidadã. Na realidade, um processo educomunicacional assume o mesmo objetivo, ou seja, desenvolver a cidadania a partir de práticas comunicacionais, sejam elas educacionais e/ou informativas.” (RENÓ, 2015, P. 20).
No exposto nota-se que ainda há um caminho a percorrer no sentido de introduzir essa prática efetivamente, no entanto, os vestígios encontrados perseguem esse caminho. Assim, a partir do direcionamento e interesse dos professores é possível que haja a introdução do uso da educomunicação no contexto escolar.
Nesta interpretação e análise da investigação, tomou-se como referência as diretrizes da Educação Profissional e Tecnologia, discutindo com teóricos educacionais, como também mediante os preceitos Educomunicativos, com especial cuidado para inferir sempre o sentido real das afirmações.
5. CONSIDERAÇÕES FINAIS
Conforme constatou-se pela análise dos dados levantados nesta investigação, os docentes participantes da pesquisa apresentam habilidades com as tecnologias digitais, sobretudo no uso de programas e aplicativos direcionados ao ensino. O manuseio desses dispositivos durante o período de isolamento social, em que houve o ensino remoto, ocorreu com algumas dificuldades, porém foi se tornando diversificado e satisfatório.
Em suas estratégias os professores utilizaram de vários meios para garantir o atendimento educacional aos alunos, isso inclui materiais em diversos formatos, gravações e momentos síncronos. Além disso, a comunicação direta também foi uma alternativa para sanar as dúvidas.
A pesquisa que objetivou conhecer as estratégias didáticas face às práticas educomunicativas encontra seu desfecho ao perceber que, mesmo de modo pouco representativo, as atividades desenvolvidas favoreceram práticas da Educomunicação ainda que sem essa intencionalidade. Elas encontravam-se incorporadas na dinâmica de trabalho de dois docentes da área de linguagens.
No entanto, os pesquisados em sua maioria desconhecem o termo ou a prática da Educomunicação, tornando pertinente desenvolver uma proposta de intervenção que seja capaz de difundir a estratégia no referido contexto, apresentando novas possibilidades de ensino para os docentes, que consequentemente agregará conhecimentos aos discentes.
Assim, os resultados expressos neste trabalho oferecem subsídio para reverberar não somente essa pesquisa, mas inspirar outros pesquisadores, professores e interessados no assunto, no sentido de suscitar debates e ações para expandir a Educomunicação para outros contextos.
Da mesma forma, com a elaboração do produto educacional gerado através deste estudo, uma Sequência Didática para apropriação da teoria e prática da Educomunicação destinada aos professores do curso Técnico em Meio Ambiente integrado ao Ensino Médio, espera-se que, possa subsidiar com conhecimento técnico e didático para incorporá-la nas estratégias, tornando o uso das mídias digitais mais proveitoso para o desenvolvimento de novas habilidades, sucesso escolar e estímulo das transformações sociais.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
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1 Mestra em Educação Profissional e Tecnológica - IFPI, especialista em ENSINO. Graduada em JORNALISMO e PEDAGOGIA. Experiência em coordenação pedagógica, com aperfeiçoamento em Educomunicação e Educação Midiática. Membro da ABPEducom - Associação Brasileira de Profissionais em Educomunicação. Pesquisadora do Grupo de pesquisa Educomunicação Socioambiental, coordenadora do núcleo nordeste. Atua como Coordenadora Municipal do PPAIC - Programa Piauiense de Alfabetização na Idade Certa, em Ipiranga do Piauí, Chefe do Departamento de Avaliação e Planejamento na secretaria de educação do mesmo município e Articuladora de Gestão e Formação na 9ª Regional de Picos, do CNCA - Compromisso Nacional Criança Alfabetizada.
2 Possui graduação em Ciências da Computação pela Universidade Federal do Piauí (2008). Mestrado em Sistemas e Computação pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (2010) e doutorado em Computação pela Universidade Federal Fluminense (2015). Atualmente é professor efetivo do Instituto Federal do Piauí. Tem experiência na área de Ciência da Computação, atuando principalmente nos seguintes temas: mastológica, informática, segmentação, imagens térmicas e tecnologias web. Atualmente trabalhando com informática na educação e desenvolvimento de aplicativos