REGISTRO DOI: 10.70773/revistatopicos/782348084
RESUMO
A Atenção Primária à Saúde à Saúde constitui cenário estratégico para o acompanhamento da criança de 0 a 2 anos, especialmente por meio da consulta de enfermagem em puericultura. Entretanto, fragilidades relacionadas à implementação do Processo de Enfermagem, à insegurança profissional e à distância entre teoria e prática ainda comprometem a integralidade do cuidado infantil. Este estudo teve como objetivo analisar as evidências científicas sobre as contribuições da Educação Permanente em Saúde para a qualificação da prática do enfermeiro na consulta de enfermagem à criança de 0 a 2 anos na Atenção Primária à Saúde, com ênfase na Sistematização da Assistência de Enfermagem, no Processo de Enfermagem e no uso de tecnologias educacionais. Trata-se de uma revisão integrativa da literatura, realizada em bases nacionais e internacionais, com inclusão de 14 artigos publicados entre 2016 e 2026. Os achados evidenciaram que ações educativas contextualizadas, associadas a tecnologias educacionais, podem fortalecer competências clínicas, qualificar a vigilância do crescimento e desenvolvimento infantil, favorecer o uso de instrumentos de registro e apoiar a implementação do Processo de Enfermagem. Conclui-se que a Educação Permanente em Saúde representa estratégia essencial para instrumentalizar enfermeiros e qualificar o cuidado à criança na Atenção Primária à Saúde.
Palavras-chave: Educação Permanente em Saúde; Atenção Primária à Saúde; Saúde da Criança; Consulta de Enfermagem; Tecnologia Educacional.
ABSTRACT
Primary Health Care is a strategic setting for monitoring children aged 0 to 2 years, especially through pediatric nursing consultations. However, weaknesses related to the implementation of the Nursing Process, professional insecurity, and the gap between theory and practice still compromise comprehensive child care. This study aimed to analyze scientific evidence on the contributions of Continuing Health Education to improving nurses’ practice in nursing consultations for children aged 0 to 2 years in Primary Health Care, with emphasis on the Systematization of Nursing Care, the Nursing Process, and the use of educational technologies. This is an integrative literature review conducted in national and international databases, including 14 articles published between 2016 and 2026. The findings showed that contextualized educational actions, associated with educational technologies, can strengthen clinical competencies, improve growth and child development surveillance, support the use of recording instruments, and contribute to the implementation of the Nursing Process. It is concluded that Continuing Health Education is an essential strategy to equip nurses and improve child care in Primary Health Care.
Keywords: Continuing Health Education; Primary Health Care; Child Health; Nursing Consultation; Educational Technology.
1. INTRODUÇÃO
A Atenção Primária à Saúde (APS) constitui um dos principais cenários de cuidado à criança, por possibilitar acompanhamento longitudinal, vigilância do crescimento e desenvolvimento, promoção da saúde, prevenção de agravos e identificação precoce de situações de risco. No contexto infantil, especialmente nos primeiros anos de vida, a atuação da equipe de saúde assume relevância estratégica, pois permite reconhecer necessidades biológicas, familiares, sociais e ambientais que interferem no desenvolvimento saudável. Nessa perspectiva, a consulta de enfermagem à criança configura-se como prática fundamental para a integralidade do cuidado na APS, ao articular avaliação clínica, orientação familiar, educação em saúde e acompanhamento contínuo do desenvolvimento infantil (LASERNA JIMÉNEZ et al., 2021).
A primeira infância representa uma etapa decisiva para o desenvolvimento humano, exigindo dos serviços de saúde ações sistemáticas e qualificadas. Estudos recentes apontam que profissionais da APS ainda apresentam compreensões heterogêneas sobre desenvolvimento infantil, muitas vezes centradas em uma visão biomédica e fragmentada do processo saúde-doença. Rojas, Pio e Nonato (2024), ao investigarem médicos e enfermeiros da APS, identificaram lacunas conceituais e práticas relacionadas ao desenvolvimento infantil, além da necessidade de iniciativas educativas que fortaleçam uma abordagem biopsicossocial e integral do cuidado à criança.
Nesse cenário, o enfermeiro desempenha papel central no acompanhamento da criança, sobretudo por meio da consulta de enfermagem em puericultura. Essa prática permite avaliar crescimento, desenvolvimento, vacinação, alimentação, sinais de risco, condições familiares e necessidades de orientação aos cuidadores. A revisão sistemática de Laserna Jiménez et al. (2021) identificou como competências clínicas relevantes da enfermagem pediátrica na APS a educação em saúde, a avaliação do desenvolvimento infantil, a imunização e os acompanhamentos periódicos de saúde da criança. Esses achados reforçam a importância de fortalecer a atuação autônoma e qualificada do enfermeiro nesse nível de atenção.
Apesar da relevância da consulta de enfermagem à criança, sua realização ainda enfrenta desafios relacionados à formação profissional, à organização do processo de trabalho e à incorporação de práticas sistematizadas. A literatura evidencia que muitos profissionais não recebem capacitação específica para atuar na vigilância do desenvolvimento infantil, o que pode comprometer a qualidade da avaliação e a integralidade da assistência. No estudo de Rojas, Pio e Nonato (2024), 80% dos profissionais investigados relataram nunca ter participado de treinamento sobre desenvolvimento infantil, dado que reforça a necessidade de estratégias formativas permanentes nos serviços de APS.
A Educação Permanente em Saúde surge, nesse contexto, como estratégia essencial para qualificação das práticas profissionais, por estar fundamentada na aprendizagem no trabalho e na reflexão crítica sobre os problemas reais dos serviços. Diferentemente de capacitações pontuais e desarticuladas da prática, a Educação Permanente busca transformar o cotidiano assistencial a partir da problematização, da construção coletiva de saberes e da articulação entre teoria e prática. Em revisão de escopo sobre os impactos da educação continuada na APS brasileira, Pereira et al. (2025) identificaram efeitos positivos sobre o processo de trabalho, incluindo adesão a protocolos, fortalecimento do trabalho em equipe e mudanças na prática profissional.
A relação entre Educação Permanente em Saúde e desenvolvimento infantil tem sido abordada em estudos que demonstram o potencial das ações educativas para modificar percepções e práticas dos profissionais. Sousa et al. (2023), ao analisarem uma intervenção de educação continuada com profissionais da APS em Recife, evidenciaram que as oficinas favoreceram reflexões sobre o processo de trabalho e possibilitaram a proposição de ações voltadas à promoção do desenvolvimento infantil. Esses resultados sugerem que a formação em serviço pode ampliar a capacidade dos profissionais de reconhecer demandas da criança e de sua família no território.
De modo complementar, Luz et al. (2026) analisaram uma intervenção educativa com profissionais da APS fundamentada no referencial do letramento em saúde. O estudo demonstrou que os participantes passaram a adotar ações de cuidado voltadas a aspectos relevantes da primeira infância e aprimoraram a comunicação com pais e cuidadores. Esse achado é particularmente importante para a consulta de enfermagem, pois o cuidado à criança depende não apenas da avaliação técnica, mas também da capacidade de orientar famílias de forma compreensível, acolhedora e adequada às suas necessidades.
No campo da enfermagem, ações educativas estruturadas podem contribuir diretamente para melhorar o conhecimento e a prática profissional na vigilância do crescimento e desenvolvimento infantil. Vieira et al. (2024), em estudo de intervenção antes e depois com enfermeiros da APS, avaliaram uma ação educativa baseada na Teoria da Aprendizagem Significativa e observaram aumento nos acertos dos profissionais após a intervenção, além de impacto positivo sobre conhecimentos e práticas relacionados às consultas de puericultura. Esses achados reforçam que metodologias educativas bem planejadas podem qualificar a consulta de enfermagem e fortalecer o cuidado infantil.
Além das ações presenciais, as tecnologias educacionais têm se destacado como recursos promissores para apoiar processos formativos em saúde e enfermagem. Carvalho et al. (2024) desenvolveram e validaram o aplicativo móvel Baby Date, voltado ao ensino da primeira consulta de enfermagem ao recém-nascido na APS. A tecnologia apresentou elevado Índice de Validade de Conteúdo e incluiu conteúdos sobre exame físico, triagem neonatal, nutrição, saúde bucal, vacinação, crescimento, desenvolvimento, sinais de perigo e prevenção de acidentes. Esse tipo de recurso evidencia o potencial das tecnologias digitais para apoiar a aprendizagem e orientar práticas baseadas em evidências no cuidado infantil.
Diante do exposto, observa-se que a qualificação da consulta de enfermagem à criança na APS exige articulação entre Educação Permanente em Saúde, desenvolvimento de competências clínicas, uso de tecnologias educacionais e incorporação de práticas sistematizadas de cuidado. Embora a literatura demonstre avanços relacionados às intervenções educativas e aos recursos digitais, ainda persistem lacunas quanto à aplicação desses conhecimentos no cotidiano dos serviços e à instrumentalização do enfermeiro para o cuidado à criança de 0 a 2 anos. Assim, este estudo tem como objetivo analisar as evidências científicas sobre as contribuições da Educação Permanente em Saúde para a qualificação da prática do enfermeiro na consulta de enfermagem à criança de 0 a 2 anos na APS, com ênfase na Sistematização da Assistência de Enfermagem, no Processo de Enfermagem e no uso de tecnologias educacionais (SOUSA et al., 2023; PEREIRA et al., 2025; CARVALHO et al., 2024).
2. METODOLOGIA
Trata-se de uma revisão integrativa da literatura, método que possibilita a síntese de evidências científicas disponíveis sobre determinado tema, permitindo reunir estudos com diferentes delineamentos metodológicos e oferecer uma compreensão ampliada do fenômeno investigado. Essa abordagem é especialmente relevante na área da saúde, pois contribui para a identificação de lacunas do conhecimento, para a incorporação de evidências à prática profissional e para o planejamento de intervenções educativas e assistenciais.
A condução desta revisão foi organizada em seis etapas: elaboração da pergunta norteadora; busca ou amostragem na literatura; coleta dos dados; análise crítica dos estudos incluídos; discussão dos resultados; e apresentação da revisão integrativa. Esse percurso metodológico permitiu sistematizar as evidências relacionadas à Educação Permanente em Saúde, à consulta de enfermagem em puericultura e à qualificação do cuidado à criança na APS.
Na primeira etapa, foi definida a pergunta norteadora da revisão, construída a partir da estratégia PICo (Tabela 1), considerando-se: P – População, I – Interesse/Fenômeno de interesse e Co – Contexto.
Tabela 1. Acrônimo PICo
Elemento | Descrição |
P | Enfermeiros que atuam na APS. |
I | Contribuições da Educação Permanente em Saúde e das tecnologias educacionais para a instrumentalização profissional, a consulta de enfermagem e a implementação do Processo de Enfermagem. |
Co | Cuidado à criança de 0 a 2 anos na APS. |
Pergunta | Quais são as evidências disponíveis na literatura sobre as contribuições da Educação Permanente em Saúde e das tecnologias educacionais para instrumentalizar enfermeiros na realização da consulta de enfermagem e na implementação do Processo de Enfermagem no cuidado à criança de 0 a 2 anos na APS? |
Fonte: Elaborado pelos autores (2026).
Na segunda etapa, realizou-se a busca dos estudos nas bases de dados Scopus e Biblioteca Virtual em Saúde (BVS), contemplando publicações nacionais e internacionais. A seleção dessas bases justificou-se pela relevância para a área da saúde, enfermagem, educação em saúde e APS. Também foram consultadas plataformas de apoio à recuperação de literatura científica, como o Consensus, com a finalidade de localizar artigos revisados por pares e ampliar a precisão da identificação dos estudos relacionados ao tema.
Foram utilizados descritores controlados e palavras-chave em português, inglês e espanhol, combinados por meio dos operadores booleanos AND e OR, a saber: “Educação Permanente em Saúde”, “educação continuada”, “Atenção Primária à Saúde”, “consulta de enfermagem”, “puericultura”, “saúde da criança”, “Processo de Enfermagem”, “Sistematização da Assistência de Enfermagem”, “tecnologia educacional”, “primary health care”, “continuing education”, “child health”, “nursing consultation”, “nursing process” e “educational technology”.
Foram adotados como critérios de inclusão: artigos científicos disponíveis na íntegra, publicados entre 2016 e 2026, nos idiomas português, inglês ou espanhol, que abordassem a Educação Permanente em Saúde ou educação continuada na APS, o cuidado de enfermagem à criança, a consulta de puericultura, o Processo de Enfermagem, a Sistematização da Assistência de Enfermagem ou o uso de tecnologias educacionais voltadas à qualificação profissional em saúde. Foram incluídos estudos originais, revisões de literatura, revisões sistemáticas, revisões integrativas, revisões de escopo e relatos de experiência, desde que apresentassem relação direta com a questão norteadora da revisão.
Foram excluídos estudos duplicados, editoriais, cartas ao editor, resumos de eventos, dissertações, teses, documentos institucionais, publicações sem acesso ao texto completo e artigos que não apresentavam relação direta com a temática investigada. Também foram excluídos estudos voltados exclusivamente à atenção hospitalar, à assistência neonatal intensiva ou a populações pediátricas fora do contexto da APS, quando não apresentavam possibilidade de articulação com a consulta de enfermagem, a puericultura ou a Educação Permanente em Saúde.
Na terceira etapa, correspondente à coleta dos dados, os artigos selecionados foram organizados em instrumento elaborado pelas autoras, contendo as seguintes informações: título do estudo, autores, ano de publicação, periódico, país de realização, objetivo, delineamento metodológico, população ou amostra, principais resultados e contribuição para a temática da revisão. Esse instrumento possibilitou a extração padronizada das informações e favoreceu a comparação entre os estudos incluídos. O Software Endnote Web ajudou no gerenciamento dos estudos, inclusive a exclusão dos artigos duplicados nas bases de dados.
Na quarta etapa, procedeu-se à análise crítica dos estudos. Inicialmente, foi realizada leitura dos títulos e resumos, com exclusão dos materiais que não respondiam à pergunta norteadora. Em seguida, os artigos potencialmente elegíveis foram lidos na íntegra, considerando-se sua aderência ao objetivo da revisão, clareza metodológica, relevância dos resultados e contribuição para a discussão sobre qualificação da prática de enfermagem no cuidado infantil. Ao final desse processo, 14 artigos compuseram a amostra final da revisão integrativa.
Na quinta etapa, os achados foram analisados de forma descritiva e interpretativa, buscando identificar convergências, divergências e lacunas na produção científica. A análise permitiu agrupar os resultados em categorias temáticas, construídas a partir da recorrência dos conteúdos encontrados nos estudos. As categorias identificadas foram: Educação Permanente em Saúde como estratégia de qualificação profissional; consulta de enfermagem em puericultura e cuidado integral à criança; Sistematização da Assistência de Enfermagem e Processo de Enfermagem no cuidado infantil; tecnologias educacionais como apoio à formação em serviço; e competências profissionais do enfermeiro na APS.
Na sexta etapa, realizou-se a apresentação da revisão integrativa por meio de quadro síntese e discussão narrativa dos achados. O quadro contemplou os 14 artigos incluídos na amostra final, permitindo visualizar as principais características dos estudos e seus achados mais relevantes. A discussão foi organizada por categorias temáticas, de modo a favorecer a compreensão dos elementos que contribuem para a instrumentalização dos enfermeiros na consulta de enfermagem à criança de 0 a 2 anos na APS.
Por se tratar de uma revisão integrativa da literatura, realizada exclusivamente com dados secundários disponíveis em publicações científicas, este estudo não necessitou de submissão ao Comitê de Ética em Pesquisa (CEP). Entretanto, foram respeitados os princípios éticos relacionados à integridade acadêmica, à fidedignidade das informações e à adequada citação dos autores dos estudos analisados.
3. RESULTADOS
Nesta seção, apresentam-se os resultados obtidos por meio da revisão integrativa, estruturados de acordo com os objetivos propostos para este estudo. Após o rigoroso processo de buscas nas bases de dados, aplicação dos critérios de inclusão e exclusão pré-estabelecidos e a remoção de duplicatas, a amostra final foi composta por 14 artigos. Para melhor visualização e transparência metodológica, a Figura 1 apresenta o fluxograma adaptado e baseado nas diretrizes do PRISMA 2020. Ele detalha o passo a passo de todas as etapas adotadas no processo de identificação, triagem e escolha dos estudos que fundamentam esta revisão.
Figura 1. Fluxograma baseado no PRISMA 2020
A análise dos estudos incluídos nesta revisão integrativa permitiu identificar que a qualificação do cuidado infantil na APS depende de múltiplos elementos articulados, entre os quais se destacam a Educação Permanente em Saúde, a organização da consulta de enfermagem em puericultura, a implementação do Processo de Enfermagem, o fortalecimento das competências profissionais e o uso de tecnologias educacionais como apoio à prática assistencial. Esses elementos não aparecem de forma isolada na literatura, mas se relacionam diretamente com os desafios cotidianos vivenciados pelos enfermeiros nos serviços de saúde.
Quadro 1. Artigos incluídos na amostra final da revisão integrativa de literatura
Título | Autores Ano | Revista | Achado principal para o artigo |
Continuing education on child development in primary care: healthcare workers’ perspectives | Sousa et al., 2023. | Revista da Escola de Enfermagem da USP. Citações | A intervenção de educação continuada com profissionais da APS favoreceu reflexão sobre o processo de trabalho e proposição de ações para promoção do desenvolvimento infantil. |
Educational intervention on child development in light of the health literacy framework | Luz et al., 2026. | Revista Brasileira de Enfermagem. Citações | Oficinas educativas com profissionais da APS contribuíram para mudanças no cuidado à primeira infância e melhora da comunicação com pais/cuidadores. |
Community Health Agents and child health care: implications for continuing education | Vieira et al., 2022. | Revista da Escola de Enfermagem da USP | Evidenciou situações do território que impactam o cuidado infantil, como vulnerabilidade social, uso da caderneta e vacinação, reforçando a necessidade de educação permanente. |
Continuing education in the child health handbook: an educational software for primary care | Barbosa, Belian e Araújo, 2021. | Jornal de Pediatria | Desenvolveu e avaliou software educacional sobre a Caderneta de Saúde da Criança para educação continuada de enfermeiros e médicos da APS, com IVC global de 0,96. |
Impacts of continuing education for health professionals in primary health care: A scoping review | Pereira et al., 2025. | PLOS ONE | Revisão de escopo mostrou impactos positivos da educação continuada na APS brasileira, incluindo mudanças no processo de trabalho, adesão a protocolos e qualificação da prática. |
Permanent health education in a nursing technician course | Lima et al., 2022. | Revista da Escola de Enfermagem da USP | A intervenção pedagógica favoreceu reflexão crítica sobre Educação Permanente em Saúde, articulação teoria-prática e compreensão do processo de trabalho. |
Interventions of Brazil's more doctors program through continuing education for Primary Health Care | Pereira et al., 2024. | Frontiers in Public Health | Analisou intervenções do Programa Mais Médicos e identificou ações relacionadas à saúde da criança, acesso, qualidade do cuidado, acolhimento e trabalho em equipe na APS. |
Listening to stories to build continuous education strategies in mother and child health | Allebrandt et al., 2024. | Saúde e Sociedade | Utilizou narrativas de profissionais do SUS para identificar desafios e potencialidades na construção de estratégias de educação continuada em saúde materno-infantil. |
Nursing practices in child care consultation in the estratégia saúde da família | Vieira et al., 2018. | Texto & Contexto-Enfermagem | Estudo observacional com 31 enfermeiros e 93 consultas de puericultura mostrou que anamnese, acolhimento, exame físico, desenvolvimento neuropsicomotor e educação em saúde foram ações menos realizadas, indicando necessidade de educação continuada. |
Vivências e significados da Consulta do Enfermeiro em puericultura: análise à luz de Wanda Horta | De Azambuja Zocche et al., 2020. | Revista de Enfermagem da UFSM | Pesquisa-ação com 15 enfermeiros da APS mostrou dificuldades na consulta de puericultura, mas também evidenciou que sua sistematização fortalece a assistência e a identidade profissional. |
Nurses’ Actions and Articulations in Child Care in Primary Health Care | Furtado et al., 2018. | Texto & Contexto-Enfermagem | Mostrou que a consulta de enfermagem e a articulação com redes de apoio são fundamentais para integralidade do cuidado infantil na Atenção Básica. |
Nursing consultations to children in primary health care: a feedback of researched data | Vieira et al., 2021. | Revista Brasileira de Enfermagem | Relato de experiência sobre devolutiva de pesquisa com 42 enfermeiros; o processo estimulou reflexão crítica e interesse em qualificar o cuidado à criança. |
Fatores que influenciam a prática do enfermeiro na consulta de puericultura na APS | Vieira et al., 2023. | Revista Baiana de Enfermagem | Estudo transversal com 31 enfermeiros mostrou que tempo de formação, experiência, gênero e especialização influenciam práticas na consulta de puericultura, podendo comprometer a integralidade do cuidado. |
Paediatric nursing clinical competences in primary healthcare: A systematic review | Laserna Jiménez et al., 2021. | Journal of Advanced Nursing | Revisão sistemática identificou competências clínicas de enfermeiros pediátricos na APS, incluindo educação em saúde, avaliação do crescimento e desenvolvimento, imunização e acompanhamento infantil. |
Fonte: Elaborado pelos autores (2026).
De modo geral, os artigos analisados apontam que a APS constitui espaço privilegiado para o acompanhamento do crescimento e desenvolvimento infantil, especialmente nos primeiros anos de vida. No entanto, também evidenciam fragilidades relacionadas à operacionalização da consulta de enfermagem, à continuidade do cuidado, à comunicação entre profissionais, ao uso de instrumentos de registro e à necessidade de formação permanente. Assim, os achados permitiram desenvolver seis categorias que reforçam a importância de estratégias educativas contextualizadas, capazes de aproximar o conhecimento científico da realidade concreta do trabalho em saúde.
Categoria 1. Educação Permanente em Saúde como estratégia de qualificação da prática profissional
A Educação Permanente em Saúde mostrou-se uma categoria central nos estudos analisados, especialmente por seu potencial de promover reflexão crítica sobre o processo de trabalho e transformação das práticas assistenciais. Diferentemente de treinamentos pontuais e descontextualizados, a Educação Permanente em Saúde parte dos problemas reais vivenciados pelos profissionais no cotidiano dos serviços, favorecendo aprendizagem significativa, construção coletiva do conhecimento e reorganização das práticas.
Nesse sentido, Sousa et al. (2023) demonstraram que ações de educação continuada voltadas ao desenvolvimento infantil na APS favoreceram a reflexão dos profissionais sobre o cuidado à criança e estimularam a proposição de estratégias para qualificar a assistência. Esse achado é relevante porque evidencia que a formação em serviço pode funcionar como dispositivo de mobilização profissional, sobretudo quando vinculada às necessidades concretas da população atendida.
De forma semelhante, Vieira et al. (2022), ao analisarem o cuidado infantil desenvolvido por agentes comunitários de saúde, apontaram que a educação permanente é necessária para fortalecer práticas relacionadas à vigilância do desenvolvimento, à vacinação, ao uso da Caderneta de Saúde da Criança e à identificação de situações de vulnerabilidade. Embora o estudo tenha como foco os agentes comunitários, seus resultados dialogam diretamente com a prática do enfermeiro, uma vez que este profissional atua na coordenação do cuidado e na supervisão das ações da equipe de APS.
A revisão de escopo conduzida por Pereira et al. (2025) também reforça esse entendimento ao mostrar que a educação continuada de profissionais da APS no Brasil produz impactos positivos no processo de trabalho, na adesão a protocolos e na qualificação das práticas. Tais resultados indicam que a Educação Permanente em Saúde pode contribuir não apenas para aquisição de conhecimentos, mas também para mudanças organizacionais e melhoria da qualidade assistencial.
No contexto da dissertação de Patrícia, esses achados sustentam a proposta de instrumentalizar enfermeiros por meio de ações educativas vinculadas à Sistematização da Assistência de Enfermagem. A literatura evidencia que a simples existência de normas, protocolos e políticas públicas não garante sua aplicação efetiva no cotidiano dos serviços. Para que tais diretrizes se convertam em práticas concretas, é necessário investir em processos formativos contínuos, participativos e articulados à realidade da APS.
Categoria 2. Consulta de enfermagem em puericultura e cuidado integral à criança
Outra categoria evidenciada nos estudos diz respeito à consulta de enfermagem em puericultura como prática essencial para a promoção da saúde infantil. A consulta de enfermagem à criança permite monitorar crescimento e desenvolvimento, identificar precocemente agravos, orientar famílias, acompanhar vacinação, avaliar alimentação, fortalecer o vínculo com cuidadores e promover ações preventivas.
Os estudos sobre práticas de enfermagem na consulta de puericultura indicam, entretanto, que essa atividade ainda apresenta fragilidades importantes. O artigo sobre práticas de enfermagem na consulta de puericultura na Estratégia Saúde da Família mostrou que ações como anamnese, acolhimento, exame físico, avaliação do desenvolvimento neuropsicomotor e educação em saúde nem sempre são realizadas de forma sistemática. Esse dado demonstra que, embora a puericultura seja reconhecida como estratégia fundamental da APS, sua execução pode ocorrer de maneira incompleta ou fragmentada.
Furtado et al. (2018) também destacam que as ações e articulações do enfermeiro no cuidado infantil são fundamentais para a integralidade da assistência. A consulta de enfermagem, nesse sentido, não deve ser compreendida apenas como momento técnico de avaliação da criança, mas como espaço de escuta, orientação, vínculo, identificação de necessidades familiares e articulação com outros pontos da rede de atenção.
Vieira et al. (2021), ao relatarem a devolutiva de dados de pesquisa sobre consultas de enfermagem à criança na APS, evidenciaram que a apresentação dos achados aos profissionais estimulou reflexão crítica sobre a prática e despertou interesse em qualificar o cuidado. Esse resultado é particularmente importante, pois demonstra que a pesquisa pode atuar como disparadora de processos educativos, aproximando produção científica e transformação do trabalho.
Os achados analisados reforçam que a consulta de puericultura precisa ser planejada, sistematizada e orientada por instrumentos clínicos e pedagógicos. No cuidado à criança de 0 a 2 anos, essa necessidade torna-se ainda mais relevante, pois esse período corresponde a uma fase de intensa vulnerabilidade biológica, social e familiar. A ausência de acompanhamento adequado pode comprometer a detecção precoce de alterações no crescimento, no desenvolvimento e nas condições gerais de saúde da criança.
Categoria 3. Sistematização da Assistência de Enfermagem e Processo de Enfermagem no cuidado infantil
A Sistematização da Assistência de Enfermagem e o Processo de Enfermagem constituem fundamentos essenciais para qualificar a consulta de enfermagem à criança. No entanto, os estudos apontam que sua implementação na APS ainda enfrenta dificuldades. Entre os principais obstáculos estão insegurança profissional, formação insuficiente, sobrecarga de trabalho, fragilidade nos registros, pouca familiaridade com diagnósticos de enfermagem e dificuldade de aplicar todas as etapas do processo assistencial.
De Azambuja Zocche et al. (2020), ao analisarem vivências e significados da consulta do enfermeiro em puericultura à luz de Wanda Horta, evidenciaram que a sistematização da consulta fortalece a assistência e contribui para a identidade profissional do enfermeiro. A perspectiva de Wanda Horta é especialmente pertinente, pois compreende o cuidado de enfermagem a partir das necessidades humanas básicas, permitindo uma avaliação ampliada da criança e de sua família.
A consulta de enfermagem organizada pelo Processo de Enfermagem favorece a coleta de dados, o exame físico, a identificação de diagnósticos, o planejamento das intervenções, a implementação do cuidado e a avaliação dos resultados. Quando essas etapas são negligenciadas ou realizadas de forma incompleta, o cuidado tende a se tornar fragmentado, centrado apenas em queixas imediatas ou em demandas programáticas, reduzindo o potencial da puericultura como estratégia de vigilância integral.
Além disso, a literatura mostra que a operacionalização do Processo de Enfermagem não depende apenas da vontade individual do profissional. Ela exige condições institucionais adequadas, protocolos de apoio, tempo para consulta, registros padronizados, capacitação da equipe e valorização da prática clínica do enfermeiro. Dessa forma, a Educação Permanente em Saúde emerge como estratégia fundamental para fortalecer a aplicação da Sistematização da Assistência de Enfermagem no cotidiano da APS.
No contexto do artigo proposto, essa categoria deve ocupar posição central na discussão, pois conecta diretamente o problema de pesquisa da Patrícia à literatura analisada. A dificuldade de implementação do Processo de Enfermagem no cuidado infantil revela uma lacuna entre o trabalho prescrito pelas normativas profissionais e o trabalho real desenvolvido nos serviços. Essa lacuna pode ser enfrentada por meio de tecnologias educacionais e processos formativos que apoiem o enfermeiro na tomada de decisão clínica.
Categoria 4. Tecnologias educacionais como apoio à Educação Permanente em Saúde
Os estudos também evidenciam a relevância das tecnologias educacionais como recursos de apoio à formação e à prática profissional. No campo da saúde, essas tecnologias podem assumir diferentes formatos, como softwares, vídeos, plataformas digitais, materiais interativos, cartilhas, cursos on-line e objetos educacionais. Seu valor não está apenas no recurso em si, mas na forma como ele é utilizado para estimular aprendizagem, reflexão e mudança de práticas.
Barbosa, Belian e Araújo (2021) desenvolveram e avaliaram um software educacional sobre a Caderneta de Saúde da Criança voltado à educação continuada de médicos e enfermeiros da APS. O estudo demonstrou elevada validade de conteúdo, indicando que tecnologias digitais podem apoiar a atualização profissional e favorecer o uso adequado de instrumentos essenciais ao acompanhamento infantil.
Rouleau et al. (2019), em revisão sistemática sobre e-learning no contexto da educação continuada em enfermagem, apontaram que estratégias digitais podem contribuir para aquisição de conhecimento, desenvolvimento de habilidades e melhoria de práticas assistenciais. Embora o estudo seja mais amplo e não se limite à saúde da criança, seus achados oferecem sustentação para o uso de recursos educacionais digitais na qualificação de enfermeiros.
A intervenção educativa descrita por Luz et al. (2026), fundamentada no letramento em saúde, também reforça a importância de metodologias educativas voltadas ao desenvolvimento infantil. O estudo destaca que intervenções educativas podem melhorar a comunicação entre profissionais e cuidadores, aspecto essencial na consulta de enfermagem à criança, uma vez que grande parte do cuidado infantil depende da orientação adequada às famílias.
Esses achados sustentam a proposta de desenvolvimento de um vídeo educativo-interativo, como apresentado na dissertação de Patrícia. O vídeo pode funcionar como recurso de Educação Permanente em Saúde ao apresentar situações práticas, organizar etapas da consulta, ilustrar procedimentos, reforçar sinais de alerta e estimular reflexão sobre o cuidado. Além disso, por ser um recurso audiovisual, pode favorecer maior acessibilidade, padronização de conteúdos e utilização em diferentes contextos formativos.
Contudo, é importante destacar que tecnologias educacionais não substituem o processo pedagógico nem a interação entre profissionais. Elas devem ser compreendidas como ferramentas mediadoras da aprendizagem. Seu uso torna-se mais potente quando integrado a rodas de conversa, discussões de caso, supervisão clínica, reuniões de equipe e análise crítica do processo de trabalho.
Categoria 5. Competências profissionais e atuação do enfermeiro na APS
A qualificação do cuidado infantil também depende do desenvolvimento de competências clínicas, educativas, comunicacionais e organizacionais dos enfermeiros que atuam na APS. A revisão sistemática de Laserna Jiménez et al. (2021) identificou competências clínicas importantes para a enfermagem pediátrica na APS, incluindo avaliação do crescimento e desenvolvimento, imunização, promoção da saúde, educação familiar, prevenção de agravos e acompanhamento longitudinal.
Essas competências dialogam diretamente com a consulta de enfermagem à criança de 0 a 2 anos, pois o enfermeiro precisa articular conhecimento técnico-científico, escuta qualificada, raciocínio clínico, capacidade educativa e compreensão do contexto familiar. O cuidado infantil não se limita à avaliação biológica da criança; envolve também condições sociais, vínculos familiares, alimentação, segurança, vacinação, desenvolvimento neuropsicomotor, acesso aos serviços e situações de vulnerabilidade.
Vieira et al. (2023), ao analisarem fatores que influenciam a prática do enfermeiro na consulta de puericultura, mostraram que aspectos como tempo de formação, experiência profissional, especialização e características individuais podem interferir na qualidade da assistência. Esse achado indica que a formação inicial, embora fundamental, não é suficiente para garantir uma prática qualificada ao longo do tempo. A complexidade da APS exige atualização constante e apoio institucional.
Nesse sentido, Azimirad et al. (2023), ao investigarem competências de enfermeiros de família e comunidade em programas de educação continuada, reforçam a necessidade de formação orientada às demandas reais da APS. As competências profissionais devem ser desenvolvidas de modo integrado ao território, às necessidades da população e aos princípios da integralidade e da longitudinalidade do cuidado.
Assim, a Educação Permanente em Saúde deve ser compreendida como estratégia de desenvolvimento de competências profissionais. No caso da saúde da criança, ela pode fortalecer o raciocínio clínico do enfermeiro, qualificar o exame físico, melhorar os registros, ampliar a capacidade de identificar riscos e favorecer intervenções mais adequadas às necessidades da criança e da família.
Categoria 6. Integralidade, vulnerabilidade e continuidade do cuidado infantil
Os estudos analisados também apontam que o cuidado infantil na APS deve ser orientado pela integralidade e pela continuidade da assistência. A criança de 0 a 2 anos demanda acompanhamento longitudinal, pois alterações no crescimento, desenvolvimento, alimentação, vacinação ou interação familiar podem ter repercussões importantes ao longo da vida.
Vieira et al. (2022) evidenciaram que o cuidado infantil envolve situações do território, vulnerabilidades sociais, acompanhamento familiar e ações interprofissionais. Essa perspectiva amplia a compreensão da consulta de enfermagem, que não deve se restringir à avaliação individual da criança, mas considerar as condições de vida, o ambiente familiar e os determinantes sociais da saúde.
Pereira et al. (2024), ao analisarem intervenções do Programa Mais Médicos por meio da educação continuada na APS, também demonstraram que ações formativas podem contribuir para melhoria do acesso, acolhimento, trabalho em equipe e qualidade do cuidado. Embora o estudo não seja restrito à enfermagem, seus achados reforçam a importância da qualificação profissional para reorganização da atenção no território.
A integralidade do cuidado exige articulação entre diferentes profissionais e serviços. Nesse processo, o enfermeiro assume papel estratégico na coordenação das ações, no acompanhamento da criança, na orientação aos cuidadores e na identificação de situações que demandem encaminhamento ou acompanhamento compartilhado. A fragilidade na comunicação e na continuidade do cuidado pode comprometer a efetividade da assistência, especialmente em crianças em situação de risco ou vulnerabilidade.
Dessa forma, a Educação Permanente em Saúde pode contribuir para fortalecer práticas interprofissionais, aprimorar fluxos de atendimento, qualificar o uso dos instrumentos de registro e favorecer a corresponsabilização da equipe no cuidado infantil. A formação permanente deve, portanto, ultrapassar a dimensão individual do conhecimento e alcançar a organização coletiva do trabalho.
3.1. Síntese Interpretativa dos Achados
A síntese dos artigos analisados permite afirmar que a Educação Permanente em Saúde constitui uma estratégia essencial para qualificar a consulta de enfermagem à criança na APS. Os estudos mostram que os profissionais reconhecem a importância do cuidado infantil, mas enfrentam dificuldades para realizar uma consulta completa, sistematizada e orientada pelo Processo de Enfermagem.
As principais fragilidades identificadas dizem respeito à realização incompleta da anamnese, exame físico e avaliação do desenvolvimento; ao uso insuficiente da Caderneta de Saúde da Criança; à dificuldade de aplicar diagnósticos e intervenções de enfermagem; à sobrecarga de trabalho; e à necessidade de atualização contínua. Tais fragilidades indicam que a qualificação da assistência não depende apenas de conhecimento técnico, mas também de apoio pedagógico, institucional e organizacional.
Nesse contexto, tecnologias educacionais, como softwares e vídeos educativos, aparecem como recursos promissores para apoiar ações de Educação Permanente em Saúde. Elas podem favorecer a padronização de conteúdos, a revisão de etapas da consulta, a aprendizagem autônoma e a reflexão sobre situações reais do cuidado. No entanto, sua efetividade depende de integração com estratégias participativas e problematizadoras, coerentes com os princípios da Educação Permanente em Saúde.
Portanto, os achados desta revisão sustentam a relevância da construção de um vídeo educativo-interativo voltado à qualificação da consulta de enfermagem à criança de 0 a 2 anos na APS. Tal recurso pode contribuir para instrumentalizar enfermeiros, fortalecer a Sistematização da Assistência de Enfermagem e aproximar teoria e prática no cotidiano dos serviços. Ao articular conhecimento técnico, linguagem acessível e situações práticas do cuidado infantil, a tecnologia educacional proposta apresenta potencial para apoiar processos formativos e melhorar a qualidade da assistência prestada à criança e à família.
4. CONCLUSÃO
Esta revisão evidenciou que a Educação Permanente em Saúde constitui estratégia fundamental para a qualificação da consulta de enfermagem à criança de 0 a 2 anos na APS. Os estudos analisados demonstraram que ações educativas contextualizadas, articuladas ao cotidiano dos serviços e orientadas pela reflexão crítica da prática, podem contribuir para fortalecer competências clínicas, aprimorar a vigilância do crescimento e desenvolvimento infantil, ampliar o uso de instrumentos como a Caderneta de Saúde da Criança e favorecer a implementação do Processo de Enfermagem. Nesse sentido, a qualificação do cuidado infantil não depende apenas da aquisição de conhecimentos técnicos, mas da integração entre formação em serviço, organização do processo de trabalho, apoio institucional e valorização da prática sistematizada do enfermeiro.
Como limitações desta pesquisa, destaca-se a heterogeneidade dos estudos incluídos, que apresentaram diferentes delineamentos metodológicos, populações, contextos assistenciais e formas de intervenção educativa. Além disso, parte das publicações abordou a Educação Permanente ou as tecnologias educacionais de modo mais amplo, não se restringindo exclusivamente à consulta de enfermagem à criança de 0 a 2 anos. Também se reconhece que a revisão foi construída a partir de artigos disponíveis em bases e plataformas selecionadas, o que pode ter limitado a inclusão de outros estudos relevantes não indexados ou não disponíveis na íntegra. Apesar dessas limitações, a síntese realizada permitiu identificar evidências consistentes sobre a importância da formação permanente para a qualificação da assistência infantil na APS.
Para pesquisas futuras, recomenda-se o desenvolvimento de estudos de intervenção que avaliem o impacto de tecnologias educacionais, como vídeos interativos, aplicativos, simulações clínicas e ambientes virtuais de aprendizagem, sobre o desempenho dos enfermeiros na consulta de puericultura. Também são necessários estudos que mensurem desfechos assistenciais após ações de Educação Permanente em Saúde, como melhoria dos registros do Processo de Enfermagem, aumento da adesão à Caderneta de Saúde da Criança, identificação precoce de atrasos no desenvolvimento e maior satisfação de famílias e profissionais. Além disso, investigações multicêntricas e com métodos mistos podem contribuir para compreender como diferentes realidades da APS influenciam a implementação de práticas educativas e sistematizadas no cuidado à criança.
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1 Enfermeira, Discente do curso de Mestrado Profissional em Ensino em Ciências da Saúde e do Meio Ambiente do Centro Universitário de Volta Redonda - UnIFOA. E-mail: [clique para visualizar o e-mail]acesse o artigo original para visualizar o e-mail
2 Doutora e Pós-Doutora em Ciências, Enfermeira, Docente do curso de Mestrado Profissional em Ensino em Ciências da Saúde e do Meio Ambiente do Centro Universitário de Volta Redonda - UnIFOA. E-mail: [clique para visualizar o e-mail]acesse o artigo original para visualizar o e-mail