REGISTRO DOI: 10.70773/revistatopicos/790568141
RESUMO
A infância é uma etapa importante para a formação dos hábitos alimentares, o que evidencia a relevância de ações de Educação Alimentar e Nutricional (EAN) desde os primeiros anos de vida. Nesse contexto, a pré-escola constitui um espaço estratégico para a promoção da alimentação adequada e saudável, especialmente na região Amazônica, onde a valorização da cultura alimentar e dos alimentos regionais contribui para aproximar as práticas educativas da realidade das crianças. Este estudo teve como objetivo analisar o uso da leitura interativa, mediada por cartilhas educativas, como estratégia de EAN para a promoção de comportamentos alimentares saudáveis e a valorização de alimentos regionais entre pré-escolares da Amazônia. Trata-se de uma revisão narrativa da literatura, de abordagem qualitativa, realizada por meio de levantamento bibliográfico nas bases Google Acadêmico, SciELO e PubMed, considerando publicações de 2021 a 2026. Os estudos analisados indicam que recursos lúdicos e pedagógicos, como cartilhas e histórias interativas, podem facilitar a compreensão de conteúdos sobre alimentação, estimular o interesse infantil e favorecer a aproximação com alimentos regionais. Entretanto, as evidências disponíveis não permitem estabelecer conclusões sobre os efeitos isolados e de longo prazo dessas estratégias na mudança do comportamento alimentar. Conclui-se que a leitura interativa apresenta potencial como recurso complementar às ações de EAN na educação infantil, especialmente quando articulada a outras práticas escolares e contextualizada à cultura alimentar local. Recomenda-se a realização de estudos de intervenção com pré-escolares amazônicos para avaliar seus efeitos sobre conhecimentos, preferências e práticas alimentares.
Palavras-chave: Nutrição; Educação Alimentar e Nutricional; Pré-escolar; Alimentação na região Amazônica; Leitura Interativa.
ABSTRACT
Childhood is an important stage for the development of eating habits, highlighting the relevance of Food and Nutrition Education (FNE) initiatives from the early years of life. In this context, preschool education represents a strategic setting for promoting adequate and healthy eating, particularly in the Amazon region, where valuing food culture and regional foods helps bring educational practices closer to children’s realities. This study aimed to analyze the use of interactive reading, mediated by educational booklets, as an FNE strategy to promote healthy eating behaviors and the appreciation of regional foods among preschool children in the Amazon region. This is a qualitative narrative literature review conducted through a bibliographic survey of Google Scholar, SciELO, and PubMed databases, considering publications from 2021 to 2026. The studies analyzed indicate that playful and educational resources, such as booklets and interactive stories, can facilitate the understanding of nutrition-related content, stimulate children's interest, and encourage their engagement with regional foods. However, the available evidence does not allow conclusions to be drawn regarding the isolated and long-term effects of these strategies on changes in eating behavior. It is concluded that interactive reading has the potential to serve as a complementary resource to FNE initiatives in early childhood education, particularly when combined with other school-based practices and contextualized within the local food culture. Intervention studies with preschool children in the Amazon region are recommended to assess their effects on knowledge, preferences, and eating practices.
Keywords: Food and Nutrition Education; Preschool Education; Interactive Reading; Healthy Eating; Amazon Region.
1. INTRODUÇÃO
No cenário da saúde pública brasileira, a implementação de estratégias voltadas à promoção da Segurança Alimentar e Nutricional (SAN) configura-se como um importante instrumento para o fortalecimento das condições de alimentação e nutrição da população infantil. No Brasil, a SAN fundamenta-se nos princípios do Direito Humano à Alimentação Adequada (DHAA) e da Soberania Alimentar, que envolvem não apenas o acesso regular e permanente aos alimentos, mas também a garantia de uma alimentação adequada, saudável, segura e sustentável, contribuindo para a superação da fome e da má nutrição (Almeida Viveiros de Castro; Oliveira, 2025).
No contexto amazônico, essa temática ganha destaque diante da necessidade de ações de educação alimentar e nutricional que incentivem práticas saudáveis, ao mesmo tempo em que considerem a cultura alimentar e valorizem os alimentos regionais e os saberes ligados à sociobiodiversidade. Essa valorização torna-se ainda mais relevante frente à crescente inserção de produtos industrializados na dieta, fator que pode favorecer o afastamento de hábitos tradicionais e de alimentos característicos da região (Lopes et al., 2025). Nesse sentido, evidencia-se a importância de práticas pedagógicas inovadoras, capazes de tornar o processo de ensino-aprendizagem mais dinâmico e significativo (Dutra et al., 2021).
Evidências apontam que intervenções voltadas à promoção da alimentação saudável no ambiente da educação infantil apresentam potencial para melhorar a qualidade da dieta e o consumo alimentar de crianças, reforçando a importância da adoção de estratégias estruturadas nesse contexto (Yoong et al., 2023).
A relevância deste estudo está relacionada ao fato de que a educação pré-escolar representa uma etapa fundamental para o desenvolvimento integral do indivíduo, especialmente nos primeiros anos de vida (Vieira et al., 2026). Dados do Censo Escolar indicam que a maioria das crianças matriculadas em creches públicas frequenta instituições municipais, evidenciando o papel central dessas instituições na formação e no cuidado infantil (Brasil, 2025). Nesse cenário, o uso de cartilhas educativas destaca-se como ferramenta eficaz na promoção da saúde, por facilitar o acesso às informações e favorecer a compreensão dos conteúdos (Silva et al., 2026). Além disso, o incentivo à leitura desde os primeiros anos escolares contribui significativamente para o processo de aprendizagem e formação do indivíduo (Santos, 2025).
O objetivo geral desta pesquisa é analisar o uso da leitura interativa, mediada por cartilhas educativas, como estratégia de educação nutricional e seu potencial para promover comportamentos alimentares saudáveis em crianças pré-escolares na região Amazônica. Para isso, busca-se mapear as evidências científicas acerca do uso da leitura interativa como estratégia de educação nutricional na infância, analisar a relação entre intervenções fundamentadas nessa abordagem e a promoção de comportamentos alimentares saudáveis no contexto da educação infantil, bem como investigar a contribuição da educação nutricional mediada por recursos interativos para a valorização de alimentos regionais e para a promoção de práticas alimentares adequadas e saudáveis entre crianças pré-escolares da região Amazônica.
2. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA
Os primeiros anos de vida constituem uma fase essencial para o crescimento e desenvolvimento infantil, marcada por importantes transformações físicas, cognitivas e sociais e pela ampliação da interação da criança com o ambiente (Da Fonte Nunes; Romão Nogueira; Maximino, 2025). Sob essa perspectiva, a alimentação ultrapassa o consumo biológico e se insere em uma rede de significados sociais e garantias legais. Nesse contexto, a Política Nacional de Alimentação e Nutrição (PNAN) emerge como resultado de um processo histórico de consolidação das políticas de saúde e de alimentação e nutrição no país (Batista Filho, 2021). De acordo com Bortolini, Basso e Jaime (2025), a PNAN tem como objetivo aprimorar as condições de saúde e nutrição da população brasileira, sendo sua implementação no Sistema Único de Saúde um elemento relevante para o fortalecimento da Segurança Alimentar e Nutricional no país. Em sua versão mais recente, a política enfatiza a diretriz de Promoção da Alimentação Adequada e Saudável, destacando a importância da criação de ambientes que favoreçam escolhas alimentares saudáveis tanto no âmbito individual quanto coletivo.
Durante a infância, as experiências vivenciadas pelas crianças contribuem para a formação de suas preferências e práticas alimentares. Sanchez et al. (2023) destaca que os momentos das refeições constituem situações de aprendizagem, nas quais a criança observa, experimenta e manifesta suas preferências alimentares por meio de interações cotidianas. Dessa forma, a alimentação não se restringe ao atendimento das necessidades nutricionais, mas também constitui uma oportunidade para a criança aprender sobre os alimentos e sobre as práticas alimentares presentes em seu contexto social.
Essa perspectiva torna-se ainda mais relevante diante das mudanças observadas nos padrões alimentares da população brasileira. Ao longo dos anos, têm sido observadas mudanças significativas relacionadas ao consumo e à escolha de alimentos na sociedade brasileira, influenciando novos padrões alimentares marcados por transformações demográficas e socioeconômicas (Pedraza, 2024). Além disso, estudos recentes indicam que a PNAN passou a incorporar de forma mais consistente a dinâmica dos ambientes alimentares e novos conceitos que fundamentam intervenções voltadas à qualificação desses ambientes, ressaltando a importância de ações intersetoriais capazes de incidir de maneira mais efetiva sobre os sistemas alimentares (Mendes et al., 2021).
Durante a fase pré-escolar, essas transformações tornam-se especialmente importantes, considerando que podem ocorrer desafios relacionados ao comportamento alimentar, como a seletividade alimentar, caracterizada pela recusa de determinados alimentos, diminuição do apetite e resistência à experimentação de novos alimentos (Cola, 2022). Nesse sentido, Santos (2024) destaca que uma alimentação inadequada pode comprometer a saúde e o desenvolvimento infantil, evidenciando a importância de ações voltadas à promoção de hábitos alimentares saudáveis desde os primeiros anos de vida. Nesse processo, a atuação do nutricionista mostra-se estratégica, não apenas no planejamento da alimentação escolar, mas também no desenvolvimento e no apoio técnico às ações de educação alimentar e nutricional no ambiente escolar (Jesus; Pedreira; Xavier, 2025).
Nesse contexto, o ambiente escolar apresenta-se como um espaço estratégico para o desenvolvimento da Educação Alimentar e Nutricional (EAN), especialmente durante a infância. Dessa forma, Simon (2022) evidencia a necessidade de promover a consolidação de hábitos alimentares saudáveis desde a infância por meio de ações que envolvam tanto o ambiente familiar quanto o escolar. Além disso, a escola também exerce papel relevante nesse processo, uma vez que as crianças passam grande parte do tempo nesse ambiente, onde são expostas a novas experiências e interações sociais. Lopes et al. (2025) destaca a importância da escola para a promoção de práticas alimentares saudáveis, enquanto Dutra et al. (2021) aponta que metodologias pedagógicas atrativas podem contribuir para tornar a aprendizagem mais significativa. Evidenciando assim que a efetividade das ações de EAN não depende apenas do conteúdo transmitido, mas também da maneira como esse conteúdo é apresentado às crianças.
A relevância da escola como espaço para o desenvolvimento dessas ações também pode ser observada a partir do número de crianças atendidas pela rede pública municipal. Dados do Censo Escolar 2024, realizado pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (INEP), indicam que 99,8% dos alunos das creches públicas estão matriculados em escolas municipais (Brasil, 2025). Esse dado evidencia o alcance potencial da rede municipal como espaço para a implementação de estratégias educativas direcionadas à primeira infância.
A partir dessa perspectiva, estratégias como materiais educativos e cartilhas baseadas em leitura interativa, podem apresentar grande potencial para ampliar o alcance das ações de EAN. Silva et al. (2026) e Dos Anjos et al. (2023) apontam que materiais educativos podem facilitar o acesso, a compreensão e a assimilação das informações, de modo que sua utilização, especialmente na rede municipal de ensino, pode favorecer a disseminação de conhecimentos sobre alimentação saudável entre crianças em idade pré-escolar.
A utilização de estratégias lúdicas mostra-se especialmente relevante na educação infantil, por favorecer o envolvimento das crianças e tornar os conteúdos mais acessíveis e significativos. Nesse contexto, o lúdico constitui um importante recurso pedagógico, contribuindo para o desenvolvimento cognitivo, social e emocional, além de estimular a criatividade, a autonomia e a participação ativa no processo de aprendizagem (Silva et al., 2024).
Entre essas estratégias, destaca-se a leitura interativa, que permite abordar temáticas relacionadas à alimentação de forma dinâmica e próxima ao universo infantil. Estudos experimentais indicam que estratégias de educação nutricional baseadas em exposição repetida e recursos pedagógicos lúdicos, como histórias e materiais ilustrados, podem aumentar a aceitação de alimentos em crianças pré-escolares (Braga Pontes et al., 2022). Além disso, Macedo e Dias (2024) e Santos (2025) apontam que essa abordagem contribui para o desenvolvimento infantil e para a inserção de conteúdos sobre alimentação de maneira contextualizada à realidade das crianças.
Portanto, a utilização de materiais educativos associados à leitura pode ampliar as possibilidades de aprendizagem ao estimular o interesse, a participação e a construção do conhecimento de forma lúdica. Nesse sentido, a leitura interativa pode ser compreendida como uma ferramenta de EAN capaz de aproximar os conteúdos relacionados à alimentação do cotidiano infantil (Elrakaiby et al., 2022). Além disso, Tympa e Karavida (2021), avaliaram que as experiências alimentares participam da construção das preferências e dos hábitos das crianças, logo a utilização de estratégias educativas nesse período pode contribuir para a formação de práticas alimentares mais saudáveis.
Essa discussão torna-se ainda mais relevante quando inserida no contexto amazônico, caracterizado pela diversidade de alimentos e pela riqueza da sociobiodiversidade. Nesse cenário, Lopes et al. (2025) ressalta a necessidade de estratégias que não apenas promovam a alimentação saudável, mas que também valorizem os alimentos regionais e a cultura alimentar local. Estudos com pré-escolares também indicam que ações de Educação Alimentar e Nutricional podem favorecer o reconhecimento e a preferência por alimentos regionais (Dos Anjos et al., 2023). Assim, a utilização de materiais educativos que apresentem alimentos presentes no cotidiano amazônico pode favorecer uma abordagem contextualizada, aproximando o conhecimento nutricional das experiências vivenciadas pelas crianças (Cipriani et al., 2023).
Além disso, iniciativas como o Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE) e o Programa de Regionalização da Merenda Escolar (PREME) contribuem para a valorização da produção local e da sociobiodiversidade, reforçando a importância dos alimentos regionais nas ações de promoção da alimentação saudável (Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação, 2022; Tregidgo, 2023). Nesse sentido, a EAN desenvolvida no ambiente escolar pode articular conhecimentos sobre alimentação saudável com a valorização da cultura e dos alimentos disponíveis no próprio território.
Dessa maneira, a leitura interativa, quando utilizada como estratégia de Educação Alimentar e Nutricional e associada a materiais contextualizados à realidade amazônica, apresenta elevado potencial para integrar aprendizagem, participação infantil e discussão sobre práticas alimentares saudáveis. A abordagem de alimentos regionais nesse processo pode ainda contribuir para aproximar a criança de sua cultura alimentar e valorizar a produção e a sociobiodiversidade local (Oliveira et al., 2022). Assim, estabelece-se uma relação entre a utilização de metodologias educativas interativas, a construção do conhecimento sobre alimentação e a promoção de práticas alimentares mais saudáveis e contextualizadas à realidade amazônica (Santos, 2025).
3. METODOLOGIA
3.1. Tipo de estudo
O presente estudo caracteriza-se como uma revisão narrativa da literatura, de abordagem qualitativa, realizada por meio de levantamento bibliográfico em bases de dados científicas.
3.2. Coleta de Dados
A coleta de dados foi realizada por meio de buscas em bases como Google Acadêmico, SciELO e PubMed. A busca dos estudos foi realizada por meio dos descritores: “nutrição”, “educação alimentar e nutricional”, “influência da leitura interativa”, “fase pré-escolar” e “alimentação na região amazônica”.
Para a seleção dos artigos, adotou-se o recorte temporal de 2021 a 2026, com o objetivo de contemplar produções científicas recentes e relacionadas à temática do estudo.
Como critérios de inclusão, foram considerados: artigos publicados nos idiomas português e inglês, devidamente indexados em periódicos científicos, e que estivessem dentro do recorte temporal. Como critérios de exclusão, foram desconsiderados: artigos duplicados, estudos publicados fora do recorte temporal estabelecido, publicações em idiomas diferentes do português e inglês, trabalhos que não estavam disponíveis na íntegra e estudos que não apresentavam relação direta com a temática.
3.3. Análise de Dados
A análise dos dados foi realizada de forma qualitativa, por meio da leitura, interpretação e síntese das informações extraídas dos estudos selecionados, buscando identificar os principais achados relacionados à temática proposta.
4. RESULTADOS E DISCUSSÕES
Diante dos resultados encontrados, compreende-se que a formação dos hábitos alimentares na infância ocorre a partir da interação entre fatores biológicos, sociais e culturais. Nesse sentido, os ambientes nos quais a criança está inserida exercem papel determinante nesse processo. Assim, a Política Nacional de Alimentação e Nutrição reforça a importância de intervenções precoces voltadas à promoção da alimentação adequada e saudável desde a infância (Bortolini; Basso; Jaime, 2025; Mendes et al., 2021).
As mudanças nos padrões alimentares contemporâneos intensificam a necessidade de estratégias voltadas à promoção da alimentação saudável. Nesse contexto, os achados indicam que a Educação Alimentar e Nutricional (EAN), quando iniciada desde os primeiros anos de vida, pode contribuir para a construção de práticas alimentares mais saudáveis, atuando diretamente na formação das preferências alimentares infantis.
Os resultados também evidenciam desafios próprios da fase pré-escolar que impactam a efetividade dessas estratégias. A seletividade alimentar destaca-se como um fator limitante relevante (Cola, 2022). Nesse sentido, experiências alimentares positivas e repetidas favorecem maior aceitação alimentar, indicando que estratégias educativas lúdicas e interativas são fundamentais no processo de formação dos hábitos alimentares.
O ambiente escolar consolida-se como espaço estratégico para a aplicação dessas intervenções. A escola possibilita a continuidade das ações e sua integração com práticas pedagógicas, favorecendo assim o aprendizado significativo.
Esse cenário torna-se ainda mais relevante ao considerar a abrangência da rede municipal de ensino (Brasil, 2025). Embora não se possa estabelecer associação direta, os dados apontam para um campo favorável à implementação de estratégias em larga escala. Assim, a rede municipal configura-se como um espaço privilegiado para a aplicação de ações de EAN.
Nesse contexto, os materiais educativos destacam-se como ferramentas fundamentais para viabilizar essas ações. Evidências apontam que cartilhas educativas facilitam a compreensão e aproximam o conteúdo da realidade infantil. Dessa maneira, deixam de ser apenas informativas e passam a atuar como instrumentos pedagógicos no ambiente escolar.
Além disso, a efetividade dessas estratégias está diretamente relacionada à sua contextualização, especialmente no contexto amazônico. A valorização dos alimentos regionais e da cultura alimentar local contribui para maior identificação das crianças com o conteúdo, fortalecendo assim o processo educativo. Dessa forma, a leitura interativa associada ao uso de cartilhas configura-se como uma estratégia promissora de Educação Alimentar e Nutricional, pois integra ludicidade, participação e contextualização.
Entretanto, como limitação, não foram identificadas evidências conclusivas sobre o impacto isolado da cartilha no comportamento alimentar. Portanto, embora promissora, a estratégia requer validação por meio de estudos aplicados com o público infantil.
Por fim, os resultados reforçam que a leitura interativa não deve ser utilizada de forma isolada, mas integrada a outras ações de Educação Alimentar e Nutricional. Sua inserção no ambiente escolar amplia o alcance das estratégias, enquanto a associação com elementos lúdicos e regionais potencializa a aprendizagem. Assim, a leitura interativa apresenta potencial para contribuir com a formação de hábitos alimentares saudáveis, de forma contextualizada à realidade amazônica, embora seus efeitos sobre o comportamento alimentar ainda necessitem de investigação.
5. CONCLUSÃO
A primeira infância é uma etapa importante para a formação de hábitos e preferências alimentares, o que reforça a relevância de ações de Educação Alimentar e Nutricional (EAN) desde os primeiros anos de vida. Na educação infantil, abordagens lúdicas e participativas podem ampliar conhecimentos e favorecer experiências positivas relacionadas à alimentação (Moreira et al., 2023). Essas ações são especialmente relevantes diante do consumo de alimentos ultraprocessados e da menor diversidade alimentar identificados em estudos com crianças brasileiras (Oliveira et al., 2022).
Creches e pré-escolas constituem espaços estratégicos para a promoção da alimentação adequada e saudável, pois possibilitam a articulação entre práticas pedagógicas, alimentação escolar e participação de crianças, famílias, professores e nutricionistas. Nesse contexto, a leitura interativa pode integrar outras estratégias de EAN. Estudos indicam que a leitura repetida de histórias relacionadas a alimentos pode favorecer sua aceitação e seu consumo por pré-escolares, embora não seja possível afirmar que essa prática, isoladamente, produza mudanças duradouras no comportamento alimentar (Elrakaiby et al., 2022).
Na região Amazônica, as ações educativas devem considerar a cultura alimentar, os conhecimentos tradicionais e os alimentos regionais. A valorização desses elementos pode aproximar os conteúdos da realidade das crianças e contribuir para o reconhecimento da sociobiodiversidade local (Tregidgo et al., 2023). Além disso, a promoção da alimentação adequada e saudável depende de ambientes escolares favoráveis e de ações articuladas entre educação e políticas públicas (Rocha et al., 2023).
Conclui-se que a leitura interativa apresenta potencial como recurso complementar à EAN na educação infantil, especialmente quando desenvolvida de forma lúdica e culturalmente contextualizada. Entretanto, as evidências analisadas ainda são insuficientes para estabelecer seus efeitos isolados e de longo prazo. Recomenda-se a realização de estudos de intervenção com pré-escolares amazônicos, utilizando amostras maiores, instrumentos validados e acompanhamento prolongado, a fim de avaliar os efeitos das cartilhas interativas sobre conhecimentos, preferências, aceitação e consumo alimentar, bem como a participação de professores, nutricionistas e familiares no processo educativo.
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1 Discente do Curso Superior de Nutrição do Centro Universitário CEUNI-Fametro, Manaus, Amazonas. E-mail: [clique para visualizar o e-mail]acesse o artigo original para visualizar o e-mail
2 Discente do Curso Superior de Nutrição do Centro Universitário CEUNI-Fametro, Manaus, Amazonas. E-mail: [clique para visualizar o e-mail]acesse o artigo original para visualizar o e-mail
3 Docente do Curso Superior de Nutrição do Centro Universitário CEUNI-Fametro, Manaus, Amazonas. E-mail: [clique para visualizar o e-mail]acesse o artigo original para visualizar o e-mail