EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS: FATORES DE MOTIVAÇÃO E PERMANÊNCIA ESCOLAR DIANTE DOS DESAFIOS DA EJA

YOUTH AND ADULT EDUCATION: FACTORS OF MOTIVATION AND SCHOOL PERMANENCE IN THE FACE OF THE CHALLENGES OF EJA

REGISTRO DOI: 10.70773/revistatopicos/779834501

RESUMO
A Educação de Jovens e Adultos, conhecida como EJA, representa uma importante oportunidade de retomada dos estudos para sujeitos que, por diferentes motivos, tiveram sua trajetória escolar interrompida ao longo da vida. Nesse contexto, a presente pesquisa aborda o tema “Educação de Jovens e Adultos: fatores de motivação e permanência escolar diante dos desafios da EJA”, buscando compreender os elementos que influenciam a continuidade dos estudantes nessa modalidade de ensino. O objetivo geral do estudo foi analisar os principais fatores que influenciam a motivação e a permanência escolar dos estudantes da Educação de Jovens e Adultos, considerando os desafios sociais, econômicos, familiares e pedagógicos que atravessam suas trajetórias educacionais. A justificativa da pesquisa está relacionada à necessidade de reconhecer a EJA como um espaço de direito, acolhimento, inclusão e reconstrução de projetos de vida, uma vez que muitos estudantes retornam à escola em busca de autonomia, melhores oportunidades profissionais, autoestima e participação social. A metodologia utilizada foi a pesquisa bibliográfica, de abordagem qualitativa, realizada por meio da análise de livros, artigos científicos, teses, dissertações e publicações acadêmicas relacionadas à EJA, motivação, permanência escolar, evasão, práticas pedagógicas e direito à educação. Concluiu-se que a permanência dos estudantes da EJA depende de múltiplos fatores, como acolhimento escolar, relação professor-aluno, práticas pedagógicas contextualizadas, apoio institucional e valorização das histórias de vida dos alunos, sendo essencial fortalecer essa modalidade como caminho de dignidade, cidadania e transformação social.
Palavras-chave: Educação de Jovens e Adultos; Permanência escolar; Motivação escolar.

ABSTRACT
Youth and Adult Education, known in Brazil as EJA, represents an important opportunity for individuals who, for different reasons, had their school trajectory interrupted throughout life to resume their studies. In this context, the present research addresses the theme “Youth and Adult Education: factors of motivation and school permanence in the face of EJA challenges”, seeking to understand the elements that influence students’ continuity in this teaching modality. The general objective of the study was to analyze the main factors that influence the motivation and school permanence of Youth and Adult Education students, considering the social, economic, family and pedagogical challenges that cross their educational trajectories. The justification of the research is related to the need to recognize EJA as a space of rights, welcoming, inclusion and reconstruction of life projects, since many students return to school in search of autonomy, better professional opportunities, self-esteem and social participation. The methodology used was bibliographic research, with a qualitative approach, carried out through the analysis of books, scientific articles, theses, dissertations and academic publications related to EJA, motivation, school permanence, dropout, pedagogical practices and the right to education. It was concluded that the permanence of EJA students depends on multiple factors, such as school welcoming, teacher-student relationship, contextualized pedagogical practices, institutional support and appreciation of students’ life stories, making it essential to strengthen this modality as a path toward dignity, citizenship and social transformation.
Keywords: Youth and Adult Education; School permanence; School motivation.

1. INTRODUÇÃO

A Educação de Jovens e Adultos, conhecida como EJA, ocupa um lugar de grande importância no cenário educacional brasileiro, pois representa uma possibilidade concreta de retomada dos estudos para pessoas que, por diferentes motivos, não conseguiram concluir sua escolarização na idade considerada regular. Essa modalidade atende sujeitos com trajetórias diversas, marcadas por trabalho precoce, responsabilidades familiares, dificuldades econômicas, exclusão social, maternidade, distorção idade-série, deficiência, idade avançada e experiências escolares interrompidas. Nesse sentido, falar sobre a EJA é também falar sobre histórias de vida, recomeços, superações e direitos que precisam ser garantidos de forma efetiva.

O tema Educação de Jovens e Adultos: fatores de motivação e permanência escolar diante dos desafios da EJA torna-se relevante porque muitos estudantes retornam à escola cheios de expectativas, mas também enfrentam obstáculos que podem dificultar sua continuidade nos estudos. O cansaço após a jornada de trabalho, a necessidade de cuidar da família, a falta de tempo, as dificuldades de aprendizagem, a baixa autoestima e as condições sociais vulneráveis são fatores que interferem diretamente na permanência escolar. Por isso, compreender o que motiva esses estudantes e o que contribui para que permaneçam na escola é essencial para pensar uma EJA mais acolhedora, humana e comprometida com a realidade de seus alunos.

O objetivo geral desta pesquisa é analisar os principais fatores que influenciam a motivação e a permanência escolar dos estudantes da Educação de Jovens e Adultos, considerando os desafios sociais, econômicos, familiares e pedagógicos que atravessam suas trajetórias educacionais. Para alcançar esse objetivo, foram definidos três objetivos específicos: identificar os principais desafios enfrentados pelos estudantes da EJA que interferem na continuidade dos estudos; compreender os fatores pessoais, sociais e escolares que contribuem para a motivação dos estudantes da EJA; e investigar de que forma as práticas pedagógicas, o acolhimento escolar e a relação professor-aluno favorecem a permanência dos estudantes nessa modalidade de ensino.

A justificativa para a realização deste estudo está relacionada à necessidade de compreender a EJA para além de sua função formal de escolarização. Muitos estudantes que frequentam essa modalidade não buscam apenas um certificado, mas também novas oportunidades de vida, reconhecimento social, autonomia, autoestima e participação mais ativa na sociedade. Dessa forma, investigar os fatores de motivação e permanência escolar permite refletir sobre as condições que favorecem ou dificultam a continuidade dos estudos, contribuindo para que professores, gestores e demais profissionais da educação pensem em práticas mais sensíveis, inclusivas e contextualizadas.

Além disso, esta pesquisa se justifica pela importância social da EJA como instrumento de reparação de desigualdades históricas. Quando um jovem, adulto ou idoso retorna à escola, ele carrega consigo não apenas lacunas de escolarização, mas também experiências, saberes, dores e sonhos que precisam ser respeitados. Assim, estudar essa temática possibilita valorizar as trajetórias desses sujeitos e reforçar a necessidade de políticas públicas, práticas pedagógicas e ações institucionais que garantam não apenas o acesso, mas também a permanência e a aprendizagem com dignidade.

Quanto à metodologia, este estudo foi desenvolvido por meio de uma pesquisa bibliográfica, de abordagem qualitativa, com base na análise de livros, artigos científicos, teses, dissertações e publicações acadêmicas relacionadas à Educação de Jovens e Adultos. Foram considerados estudos que abordam temas como motivação escolar, permanência na EJA, evasão, acolhimento, práticas pedagógicas, direito à educação, educação ao longo da vida e desafios enfrentados pelos estudantes.

Diante desse contexto, a presente pesquisa tem como problema central: quais fatores influenciam a motivação e a permanência escolar dos estudantes da Educação de Jovens e Adultos diante dos desafios vivenciados nessa modalidade de ensino?

2. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA OU REVISÃO DA LITERATURA

2.1. A Educação de Jovens e Adultos Como Direito Social e Oportunidade de Recomeço

A Educação de Jovens e Adultos representa uma das expressões mais sensíveis do direito à educação, pois acolhe pessoas que, por diferentes motivos, tiveram sua trajetória escolar interrompida. De acordo com Duarte Filho e Costa (2024), a EJA precisa ser compreendida a partir da reafirmação do direito à educação ao longo da vida, principalmente em contextos sociais marcados por desigualdades e retrocessos de direitos. Essa modalidade não deve ser vista como uma alternativa secundária, mas como uma possibilidade concreta de reconstrução de caminhos, dignidade e pertencimento. Quando um jovem, adulto ou idoso retorna à escola, ele não busca apenas concluir uma etapa formal, mas recuperar um direito que, em algum momento, lhe foi negado pelas condições da vida.

A EJA também carrega uma função social profundamente reparadora, pois atende sujeitos que enfrentaram barreiras econômicas, familiares, culturais e institucionais ao longo de sua história. De acordo com Luz (2024), a Educação de Jovens e Adultos deve ser reconhecida como uma prerrogativa social da população, uma vez que amplia as condições de participação cidadã e fortalece o acesso a outros direitos. Nesse sentido, a escola passa a ser um espaço de reencontro com a aprendizagem, mas também com a própria autoestima. Muitos estudantes chegam à sala de aula com marcas de exclusão, vergonha ou insegurança, e precisam encontrar na instituição escolar um ambiente que reconheça sua história sem julgamento.

Compreender a EJA como direito social exige reconhecer a diversidade dos sujeitos que a compõem. De acordo com Freitas (2010), o direito à educação escolar de jovens e adultos com deficiência já foi formalmente conquistado, mas ainda precisa ser efetivado por meio de práticas inclusivas, acessíveis e comprometidas com a permanência. Essa reflexão é importante porque mostra que o acesso à matrícula, sozinho, não garante inclusão verdadeira. É necessário que a escola ofereça condições pedagógicas, humanas e estruturais para que todos possam aprender, participar e se sentir pertencentes. Assim, a EJA precisa ser pensada como espaço plural, onde diferentes idades, experiências e necessidades convivem.

A presença de mulheres, trabalhadores, idosos, pessoas com deficiência e jovens em defasagem escolar revela que a EJA é formada por trajetórias atravessadas por muitos desafios. De acordo com Cardoso et al. (2024), as mulheres na Educação de Jovens e Adultos enfrentam obstáculos específicos relacionados à reinserção, à permanência e à conciliação entre estudo, trabalho e responsabilidades familiares. Muitas delas retornam à escola depois de anos dedicados ao cuidado da casa, dos filhos e de outras pessoas, carregando o desejo de realizar sonhos interrompidos. Por isso, a EJA precisa olhar para essas histórias com delicadeza, compreendendo que permanecer estudando é também um ato de resistência.

Além de garantir escolarização, a EJA contribui para que os estudantes ressignifiquem a própria vida e projetem novas possibilidades de futuro. De acordo com Trevisan (2024), muitas mulheres que retornam à Educação de Jovens e Adultos passam por processos de reconstrução de seus caminhos, encontrando na escola um espaço de reconhecimento, autonomia e transformação. Esse processo mostra que a aprendizagem não se limita ao domínio da leitura, da escrita ou dos conteúdos escolares. Ela também envolve a construção de confiança, a ampliação da voz social e a possibilidade de participar com mais segurança das decisões do cotidiano.

Portanto, a Educação de Jovens e Adultos deve ser compreendida como uma política pública indispensável para a justiça social e para a valorização das trajetórias humanas. De acordo com Santos e Santos (2024), a EJA vem sendo reconfigurada em tempos de transformação, exigindo do Estado novas responsabilidades diante das demandas sociais contemporâneas. Isso significa que a modalidade precisa ser fortalecida, financiada e valorizada, não apenas como forma de corrigir atrasos escolares, mas como direito permanente. Cada estudante da EJA carrega uma história de luta, e cada retorno à escola revela que a educação continua sendo um caminho possível de recomeço, esperança e dignidade.

2.2. Desafios Enfrentados Pelos Estudantes da EJA no Processo de Escolarização

Os estudantes da Educação de Jovens e Adultos enfrentam desafios que não começam dentro da sala de aula, mas nas condições concretas de vida que atravessam suas rotinas. De acordo com Dias (2024), as experiências dos alunos da EJA revelam dificuldades que envolvem trabalho, família, cansaço, deslocamento, insegurança e expectativas em relação ao futuro. Muitos chegam à escola depois de um dia exaustivo, tentando manter a atenção mesmo diante do peso físico e emocional de suas responsabilidades. Por isso, falar sobre permanência na EJA exige compreender que o estudante não abandona a escola por falta de vontade, mas, muitas vezes, por falta de condições reais para continuar.

A relação entre escola e trabalho é um dos maiores desafios enfrentados por jovens e adultos que retornam aos estudos. De acordo com Fellin (2025), as experiências de jovens na EJA são profundamente marcadas pela necessidade de conciliar a escolarização com o mundo do trabalho, o que pode gerar tanto motivação quanto desgaste. O desejo de conseguir um emprego melhor, crescer profissionalmente ou conquistar autonomia financeira impulsiona muitos estudantes, mas a rotina laboral também dificulta a frequência, o estudo em casa e a participação nas atividades escolares. Nesse contexto, a escola precisa compreender que a aprendizagem desses sujeitos acontece em meio a uma vida já carregada de responsabilidades.

As mulheres que frequentam a EJA vivenciam desafios ainda mais complexos, pois muitas acumulam trabalho, maternidade, cuidado doméstico e responsabilidades familiares. De acordo com Monte et al. (2025), o processo de escolarização de mulheres da EJA envolve realidades e expectativas marcadas pela busca de reconhecimento, autonomia e superação de trajetórias interrompidas. Para muitas delas, voltar à escola significa disputar tempo consigo mesmas, com a família e com as exigências sociais que historicamente colocaram o cuidado dos outros acima de seus próprios projetos. Assim, a permanência feminina na EJA precisa ser compreendida como uma conquista diária, construída entre cansaços, renúncias e esperança.

Outro desafio importante é a juvenilização da EJA, fenômeno que revela a presença crescente de estudantes mais jovens nessa modalidade. De acordo com Galvão (2024), a juvenilização da EJA apresenta desafios e perspectivas específicas, pois muitos jovens chegam a esse espaço após trajetórias de reprovação, distorção idade-série, conflitos escolares ou exclusão do ensino regular. Esses estudantes, embora jovens, já carregam marcas de fracasso escolar e, muitas vezes, demonstram resistência à escola por experiências anteriores negativas. Por isso, a EJA precisa criar práticas que dialoguem com suas linguagens, seus interesses e suas formas de aprender, evitando repetir os mesmos processos que os afastaram da escola anteriormente.

A presença de idosos na EJA também evidencia que o processo de escolarização pode ocorrer em diferentes fases da vida. De acordo com Lima (2024), os idosos na Educação de Jovens e Adultos enfrentam desafios relacionados ao ritmo de aprendizagem, à memória, à insegurança e ao preconceito, mas também apresentam fortes motivações para permanecer estudando. Para muitos, aprender a ler melhor, escrever com autonomia ou participar das aulas significa conquistar independência e reconhecimento. A escola, nesse caso, precisa respeitar o tempo de cada sujeito, valorizando a experiência de vida como parte do processo educativo e não como obstáculo à aprendizagem.

Além das dificuldades pessoais e sociais, existem barreiras institucionais que dificultam a permanência dos estudantes da EJA. De acordo com Carminati (2024), o abandono e a repetência escolar estão relacionados a fatores determinantes que exigem estratégias de prevenção, intervenção e garantia efetiva de acesso e permanência. Na EJA, esses fatores podem envolver horários pouco flexíveis, ausência de materiais adequados, metodologias distantes da realidade dos alunos, falta de acolhimento e fragilidade das políticas públicas. Assim, enfrentar os desafios da escolarização exige uma escola mais sensível, capaz de compreender que cada ausência pode esconder uma história de luta, e cada permanência precisa ser cuidada com responsabilidade.

2.3. Motivação, Acolhimento e Práticas Pedagógicas Como Fatores de Permanência Escolar

A permanência dos estudantes da EJA está diretamente ligada ao modo como eles se sentem dentro da escola e ao sentido que atribuem à aprendizagem. De acordo com Viana et al. (2025), a motivação e a aprendizagem na Educação de Jovens e Adultos estão relacionadas à autoestima, às práticas pedagógicas e às condições de permanência em contextos vulneráveis. Quando o estudante percebe que é respeitado, escutado e valorizado, ele passa a construir uma relação mais positiva com a escola. Esse vínculo é essencial, pois muitos alunos retornam aos estudos carregando inseguranças, lembranças de fracasso e medo de não conseguir acompanhar os conteúdos.

A motivação na EJA nasce de desejos muito concretos, mas também profundamente afetivos. De acordo com Lima (2024), muitos idosos que frequentam a Educação de Jovens e Adultos encontram motivação no desejo de aprender, socializar, conquistar autonomia e realizar sonhos que ficaram suspensos ao longo da vida. Essa mesma lógica pode ser percebida entre jovens e adultos que desejam melhorar de vida, ajudar os filhos nas tarefas escolares, conseguir melhores oportunidades de trabalho ou simplesmente sentir orgulho de si mesmos. Dessa forma, a permanência escolar não depende apenas de notas ou certificados, mas da capacidade da escola de alimentar esperança e confiança.

O acolhimento escolar é um dos fatores mais importantes para que o estudante da EJA permaneça estudando. De acordo com Monte et al. (2025), as expectativas dos estudantes estão ligadas ao modo como a escola reconhece suas realidades e cria condições para que continuem no processo de escolarização. Acolher não significa apenas receber o aluno com cordialidade no início do ano letivo, mas acompanhar sua caminhada, compreender suas ausências, respeitar seu ritmo e reconhecer suas conquistas. Quando a escola se mostra próxima, humana e atenta, o estudante sente que sua presença tem valor e que sua história importa.

As práticas pedagógicas também têm papel decisivo na motivação e na permanência escolar. De acordo com Viana et al. (2025), metodologias contextualizadas fortalecem a autoestima dos estudantes da EJA e contribuem para que a aprendizagem seja percebida como significativa. Isso significa que os conteúdos precisam dialogar com a vida concreta dos alunos, suas experiências de trabalho, suas vivências familiares, seus saberes comunitários e suas necessidades cotidianas. Quando a aula se aproxima da realidade dos estudantes, o conhecimento deixa de parecer distante e passa a ser compreendido como instrumento de leitura do mundo, autonomia e transformação.

A relação entre professor e estudante ocupa lugar central na Educação de Jovens e Adultos, porque muitos alunos precisam reconstruir a confiança em sua própria capacidade de aprender. De acordo com Cruz e Lopes (2024), a gestão escolar e o engajamento docente impactam os resultados de aprendizagem e a permanência dos estudantes, mostrando que o compromisso da equipe escolar é essencial para fortalecer vínculos. O professor da EJA precisa atuar com sensibilidade, paciência e escuta, entendendo que cada aluno carrega um tempo próprio, uma história singular e diferentes formas de se aproximar do conhecimento. Nesse processo, ensinar também é encorajar.

A permanência escolar na EJA depende de um conjunto de ações que envolvem escola, professores, gestão, políticas públicas e comunidade. De acordo com Carminati (2024), as estratégias de prevenção ao abandono escolar precisam considerar os fatores que determinam a evasão e propor intervenções voltadas à garantia da continuidade dos estudos. Na EJA, isso pode incluir busca ativa, flexibilização de horários, projetos pedagógicos motivadores, acompanhamento individualizado, escuta dos estudantes e valorização das pequenas conquistas. Portanto, motivação, acolhimento e práticas pedagógicas não são elementos isolados, mas partes de uma mesma construção. Permanecer na escola, para o estudante da EJA, é mais possível quando ele encontra um ambiente que o reconhece como sujeito de direitos, de saberes e de futuro.

3. METODOLOGIA

A presente pesquisa foi desenvolvida por meio de uma pesquisa bibliográfica, com abordagem qualitativa, buscando compreender os fatores que influenciam a motivação e a permanência escolar dos estudantes da Educação de Jovens e Adultos diante dos desafios vivenciados nessa modalidade de ensino. De acordo com Gil (2019), a pesquisa bibliográfica é relevante porque permite ao pesquisador entrar em contato com produções já elaboradas sobre determinado tema, possibilitando a construção de uma análise mais fundamentada, crítica e organizada. Dessa forma, esse tipo de investigação mostrou-se adequado ao estudo, pois permitiu reunir diferentes contribuições teóricas sobre a EJA, a evasão escolar, a permanência, a motivação, o acolhimento pedagógico e o direito à educação.

A escolha pela pesquisa bibliográfica ocorreu pela necessidade de aprofundar teoricamente o tema, considerando que a Educação de Jovens e Adultos envolve aspectos sociais, históricos, políticos, pedagógicos e humanos. Assim, o estudo buscou analisar livros, artigos científicos, teses, dissertações e publicações acadêmicas que tratam da EJA como direito social, bem como dos desafios enfrentados pelos estudantes para permanecerem na escola. Esse percurso possibilitou compreender que a permanência escolar não depende apenas da vontade individual do aluno, mas também das condições de vida, das práticas pedagógicas, do acolhimento institucional e das políticas públicas voltadas a essa modalidade.

Para a busca dos materiais, foram utilizados descritores relacionados diretamente ao tema da pesquisa. Entre os principais descritores, destacaram-se: Educação de Jovens e Adultos, EJA, motivação escolar na EJA, permanência escolar, evasão escolar na EJA, desafios da EJA, práticas pedagógicas na Educação de Jovens e Adultos, acolhimento escolar, direito à educação e educação ao longo da vida. Também foram realizadas combinações entre os termos, utilizando operadores de busca, como “EJA AND permanência escolar”, “Educação de Jovens e Adultos AND motivação”, “EJA AND evasão escolar” e “práticas pedagógicas AND EJA”, com o objetivo de ampliar a localização de estudos relevantes.

As plataformas de busca utilizadas foram o Google Acadêmico, a SciELO, o Portal de Periódicos da CAPES, a Biblioteca Digital Brasileira de Teses e Dissertações (BDTD) e repositórios institucionais de universidades brasileiras. Essas bases foram escolhidas por reunirem produções científicas confiáveis e por possibilitarem o acesso a artigos, dissertações, teses e estudos recentes sobre a Educação de Jovens e Adultos. A seleção dos materiais priorizou publicações que apresentassem relação direta com os objetivos da pesquisa, especialmente aquelas que discutiam permanência, motivação, desafios sociais, relação escola-trabalho, práticas pedagógicas e direito à educação.

Como critérios de inclusão, foram selecionadas produções acadêmicas publicadas em língua portuguesa, com preferência por estudos brasileiros, disponíveis na íntegra e que apresentassem relação direta com o tema investigado. Também foram incluídos textos publicados nos últimos anos, especialmente entre 2020 e 2025, a fim de contemplar discussões mais atuais sobre a EJA, sem desconsiderar obras clássicas ou fundamentais para a compreensão do tema. Além disso, foram considerados trabalhos que abordassem sujeitos específicos da EJA, como mulheres, jovens, idosos, trabalhadores e pessoas com deficiência, por compreender que essa modalidade é formada por trajetórias diversas e marcadas por diferentes necessidades.

Foram excluídos da pesquisa os materiais que não apresentavam relação direta com o tema, textos incompletos, publicações sem autoria identificada, estudos duplicados nas bases de busca e produções que tratavam da educação básica regular sem estabelecer relação com a Educação de Jovens e Adultos. Também foram descartados trabalhos que abordavam apenas dados estatísticos de forma isolada, sem contribuir para a compreensão dos fatores humanos, pedagógicos e sociais envolvidos na motivação e na permanência escolar. Após a seleção, os materiais foram lidos, organizados e analisados de forma interpretativa, buscando identificar aproximações entre os autores, recorrências temáticas e contribuições para responder ao problema de pesquisa.

Dessa forma, a metodologia adotada permitiu construir uma base teórica coerente com o objetivo do estudo, favorecendo uma análise humanizada sobre a realidade dos estudantes da EJA. A pesquisa bibliográfica possibilitou compreender que a permanência escolar precisa ser pensada a partir de múltiplos fatores, como acolhimento, autoestima, práticas pedagógicas contextualizadas, políticas públicas e reconhecimento das histórias de vida dos estudantes. Portanto, o percurso metodológico contribuiu para sustentar teoricamente a investigação e para ampliar a compreensão sobre os elementos que fortalecem ou dificultam a continuidade dos estudos na Educação de Jovens e Adultos.

4. RESULTADOS E DISCUSSÕES

Por se tratar de uma pesquisa bibliográfica, os resultados foram construídos a partir da análise dos estudos selecionados sobre a Educação de Jovens e Adultos, com atenção especial aos fatores que interferem na motivação e na permanência escolar. De acordo com Duarte Filho e Costa (2024), a EJA precisa ser compreendida como parte do direito à educação ao longo da vida, o que amplia sua importância social e política. A partir dessa compreensão, observou-se que a permanência dos estudantes não depende apenas da vontade individual de continuar estudando, mas de um conjunto de condições que envolve acolhimento escolar, práticas pedagógicas significativas, apoio institucional, condições de trabalho, organização familiar e reconhecimento das histórias de vida dos sujeitos.

Um dos principais resultados encontrados foi que os estudantes da EJA retornam à escola movidos por diferentes motivações, como o desejo de melhorar as condições de trabalho, concluir uma etapa interrompida, ajudar os filhos nas tarefas escolares, conquistar autonomia e fortalecer a autoestima. De acordo com Viana et al. (2025), a motivação na Educação de Jovens e Adultos está diretamente relacionada à autoestima, às práticas pedagógicas e ao contexto de vulnerabilidade em que muitos estudantes estão inseridos. Isso demonstra que o ato de permanecer na escola envolve dimensões emocionais, sociais e pedagógicas. Para muitos alunos, estudar não é apenas buscar um certificado, mas reconstruir a confiança em si mesmos e abrir novas possibilidades de vida.

Outro resultado importante refere-se aos desafios enfrentados pelos estudantes para manter a frequência escolar. De acordo com Dias (2024), os alunos da EJA vivenciam dificuldades relacionadas ao trabalho, ao cansaço, à família, ao deslocamento e às experiências anteriores de exclusão escolar. Esses fatores ajudam a compreender por que muitos estudantes iniciam o ano letivo motivados, mas enfrentam dificuldades para permanecer até o final. A evasão, nesse sentido, não pode ser interpretada como desinteresse simples, pois, na maioria das vezes, ela revela a força das desigualdades sociais que continuam atravessando a vida desses sujeitos.

A relação entre escola e trabalho apareceu como um dos pontos mais sensíveis da análise. De acordo com Fellin (2025), muitos jovens da EJA precisam conciliar a escolarização com jornadas de trabalho, o que interfere diretamente na aprendizagem, na frequência e na disposição para participar das atividades escolares. Esse resultado mostra que a escola precisa organizar práticas mais flexíveis e realistas, capazes de reconhecer que o estudante trabalhador chega à sala de aula trazendo o peso de uma rotina intensa. Quando a escola ignora essa realidade, corre o risco de transformar a aprendizagem em mais uma exigência difícil de sustentar.

Também se destacou a presença das mulheres na EJA, especialmente diante dos desafios da reinserção e da permanência escolar. De acordo com Cardoso et al. (2024), as mulheres enfrentam obstáculos específicos, pois muitas conciliam estudo, trabalho, maternidade, cuidado doméstico e responsabilidades familiares. A análise evidenciou que, para essas estudantes, permanecer na escola significa, muitas vezes, lutar contra uma estrutura social que historicamente limitou seus projetos pessoais. Por isso, a EJA precisa ser um espaço de acolhimento, escuta e fortalecimento da autonomia feminina.

A diversidade dos sujeitos da EJA também apareceu como um resultado central da pesquisa. De acordo com Lima (2024), os idosos que frequentam a Educação de Jovens e Adultos enfrentam desafios próprios, mas também demonstram fortes motivações ligadas à autonomia, à convivência e à realização pessoal. Além dos idosos, os estudos analisados apontaram a presença crescente de jovens em situação de distorção idade-série, fenômeno discutido por Galvão (2024) como juvenilização da EJA. Essa diversidade exige que a escola não adote uma prática única para todos, mas construa propostas pedagógicas sensíveis aos diferentes tempos, ritmos e histórias presentes na sala de aula.

Outro achado relevante foi a importância do acolhimento e da relação professor-aluno para a permanência escolar. De acordo com Cruz e Lopes (2024), o engajamento docente e a gestão escolar impactam diretamente os resultados de aprendizagem e a permanência dos estudantes. Isso indica que o professor da EJA exerce um papel que vai além da transmissão de conteúdos. Ele atua como mediador, incentivador e figura de apoio para estudantes que, muitas vezes, chegam inseguros, cansados ou marcados por experiências escolares negativas. Uma palavra de incentivo, uma atividade contextualizada ou uma postura de escuta podem fortalecer o vínculo do estudante com a escola.

A discussão dos resultados permite compreender que a permanência na EJA é construída coletivamente. De acordo com Carminati (2024), o enfrentamento do abandono escolar exige estratégias de prevenção e intervenção que garantam não apenas o acesso, mas também a continuidade dos estudos. Assim, a escola precisa desenvolver ações como busca ativa, flexibilização de práticas, acompanhamento dos estudantes, valorização das conquistas e criação de ambientes mais acolhedores. A permanência escolar, portanto, não deve ser vista como responsabilidade exclusiva do aluno, mas como compromisso institucional, pedagógico e social.

Tabela 1

Principais resultados encontrados na pesquisa bibliográfica

Eixo analisado

Principais resultados encontrados

Autores relacionados

Motivação dos estudantes

Os estudantes buscam a EJA para concluir estudos, melhorar oportunidades de trabalho, conquistar autonomia, fortalecer a autoestima e realizar sonhos interrompidos.

Viana et al. (2025); Lima (2024)

Desafios para permanência

Trabalho, cansaço, responsabilidades familiares, dificuldades financeiras, deslocamento e experiências anteriores de exclusão dificultam a continuidade escolar.

Dias (2024); Fellin (2025); Carminati (2024)

Mulheres na EJA

A permanência feminina é atravessada pela conciliação entre estudo, trabalho, maternidade e cuidado familiar, exigindo acolhimento e apoio institucional.

Cardoso et al. (2024); Monte et al. (2025)

Diversidade dos estudantes

A EJA reúne jovens, adultos, idosos, trabalhadores e pessoas com diferentes trajetórias, exigindo práticas pedagógicas flexíveis e inclusivas.

Galvão (2024); Lima (2024); Freitas (2010)

Papel da escola e dos professores

O acolhimento, a escuta, a relação professor-aluno, a gestão escolar e as metodologias contextualizadas favorecem a permanência.

Cruz e Lopes (2024); Viana et al. (2025)

Direito à educação

A EJA reafirma a educação como direito social e como oportunidade de recomeço para sujeitos historicamente excluídos.

Duarte Filho e Costa (2024); Luz (2024); Santos e Santos (2024)

Fonte: Autores, 2026 com base nos estudos pesquisados.

Dessa forma, os resultados da pesquisa apontam que a Educação de Jovens e Adultos precisa ser compreendida como espaço de direito, recomeço e transformação. De acordo com Santos e Santos (2024), a EJA vem sendo reconfigurada diante das mudanças sociais, exigindo do Estado e da escola novas respostas às necessidades dos sujeitos. A análise mostrou que os fatores de motivação e permanência estão ligados ao reconhecimento da história dos estudantes, ao acolhimento, às práticas pedagógicas contextualizadas, à valorização da autoestima e à garantia de condições reais para continuar estudando. Portanto, fortalecer a EJA é reconhecer que cada estudante que permanece na escola carrega uma trajetória de resistência, esperança e busca por dignidade.

5. CONCLUSÃO

A presente pesquisa teve como objetivo analisar os principais fatores que influenciam a motivação e a permanência escolar dos estudantes da Educação de Jovens e Adultos, considerando os desafios sociais, econômicos, familiares e pedagógicos que atravessam suas trajetórias educacionais. A partir do estudo bibliográfico realizado, foi possível compreender que a EJA não pode ser vista apenas como uma modalidade destinada à correção de fluxo escolar, mas como um espaço de direito, reconstrução de vida, acolhimento e valorização de sujeitos que, em algum momento, tiveram sua escolarização interrompida.

Ao longo da pesquisa, observou-se que os estudantes da EJA carregam histórias profundamente marcadas por dificuldades, responsabilidades e ausências de oportunidades. Muitos precisaram abandonar a escola ainda jovens para trabalhar, cuidar da família, enfrentar situações de vulnerabilidade ou lidar com contextos sociais que não favoreceram sua permanência no ambiente escolar. Por isso, o retorno à escola representa mais do que a busca por um certificado. Representa coragem, desejo de superação, esperança e vontade de reconstruir caminhos que foram interrompidos pelas circunstâncias da vida.

A análise também permitiu identificar que a motivação dos estudantes está relacionada a diferentes aspectos, como a possibilidade de melhorar as condições de trabalho, conquistar autonomia, acompanhar os filhos nos estudos, ampliar a participação social e fortalecer a autoestima. Esses fatores mostram que o estudante da EJA não retorna à escola de forma vazia, mas chega carregado de expectativas, sonhos e necessidades concretas. Assim, a escola precisa reconhecer essas motivações e transformá-las em ponto de partida para práticas pedagógicas mais significativas, humanas e próximas da realidade dos alunos.

Outro ponto importante evidenciado no estudo foi que a permanência escolar depende de condições que vão além da vontade individual do estudante. O trabalho, o cansaço, as dificuldades financeiras, as responsabilidades familiares, o deslocamento, a insegurança e as experiências escolares anteriores negativas aparecem como fatores que dificultam a continuidade dos estudos. Dessa forma, a evasão na EJA não deve ser interpretada como simples falta de interesse, mas como resultado de uma soma de obstáculos que exigem atenção da escola, dos professores, da gestão e das políticas públicas.

A pesquisa também mostrou que o acolhimento escolar, a relação professor-aluno e as práticas pedagógicas contextualizadas são elementos fundamentais para fortalecer a permanência. Quando o estudante se sente respeitado, escutado e valorizado, ele passa a construir um vínculo mais positivo com a escola. Esse vínculo pode ser decisivo para que ele continue estudando, mesmo diante das dificuldades do cotidiano. Por isso, a EJA precisa ser organizada a partir de uma pedagogia sensível, que considere os saberes de vida dos alunos, seus tempos de aprendizagem e suas experiências sociais.

Dessa forma, o problema de pesquisa foi respondido ao evidenciar que a motivação e a permanência escolar dos estudantes da EJA são influenciadas por fatores pessoais, sociais, econômicos, familiares, pedagógicos e institucionais. Entre esses fatores, destacam-se o desejo de transformação de vida, a busca por melhores oportunidades, o apoio da escola, o acolhimento docente, as metodologias significativas e as condições concretas oferecidas para que o estudante consiga continuar frequentando as aulas.

Conclui-se, portanto, que fortalecer a Educação de Jovens e Adultos é uma tarefa que exige compromisso social, político e pedagógico. A EJA precisa ser reconhecida como uma modalidade essencial para a garantia do direito à educação e para a reparação de desigualdades históricas. Mais do que ensinar conteúdos, a escola que atende jovens, adultos e idosos precisa acolher trajetórias, respeitar limites, valorizar conquistas e criar possibilidades reais de permanência. Cada estudante que retorna à sala de aula carrega uma história de resistência, e cada permanência representa uma vitória contra a exclusão. Assim, investir na EJA é investir em dignidade, cidadania e esperança.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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1 Doutoranda em educação pela Christian College of Educaler. E-mail: [clique para visualizar o e-mail]acesse o artigo original para visualizar o e-mail

2 Doutoranda em Ciências da Educação Instituição: Universidad Autónoma de Asunción (UAA). E-mail: [clique para visualizar o e-mail]acesse o artigo original para visualizar o e-mail

3 Mestrado em Ciências da Educação pela Universidad Del Sol. E-mail: [clique para visualizar o e-mail]acesse o artigo original para visualizar o e-mail

4 Doutorando pela Universidad Autónoma de Asunción (UAA). E-mail: [clique para visualizar o e-mail]acesse o artigo original para visualizar o e-mail