DIÁLOGO SOBRE APRENDER E ENSINAR NO ESPAÇO ESCOLAR, PRÁTICAS EDUCATIVAS

DIALOGUE ON LEARNING AND TEACHING IN THE SCHOOL SPACE, EDUCATIONAL PRACTICES

REGISTRO DOI: 10.70773/revistatopicos/791483697

RESUMO
Esse artigo tem por objetivo, trazer um diálogo em relação as inquietações do espaço escolar sobre: o processo de ensino/aprendizagem na construção do currículo para além daquilo que é pensado e praticado no cotidiano do meio educacional. A comunidade e o conjunto de conhecimentos escolares passaram por várias transformações, principalmente nas circunstâncias das concepções das práticas de ensinar e nas formas de alcance da qualidade da aprendizagem. A maior parte das pessoas envolvidas nessas instituições de ensino tem procurado muito através de seus ensinamentos, compartilhar e problematizar o melhor dos saberes para as crianças inseridas nas escolas. Neste sentido, para esse diálogo trouxemos autores como: Silva (1998), Alves (2002), Oliveira (2003) dentre outros. Assim, esse estudo nos possibilitaram o entendimento de que o processo de ensino/aprendizagem sempre fez parte das preocupações das pessoas que convivem nas instituições definidas para os distintos processos educativos.
Palavras-chave: educação; currículo; preocupações.

ABSTRACT
This article aims to foster a dialogue regarding concerns within the school environment concerning the teaching-learning process in curriculum construction—specifically, looking beyond what is typically conceived and practiced in the daily life of educational settings. Both the community and the body of school knowledge have undergone significant transformations, particularly regarding conceptions of teaching practices and the means of achieving quality learning. Most individuals involved in these educational institutions strive, through their teaching, to share and critically examine the best forms of knowledge with the children attending these schools. To facilitate this dialogue, we draw upon authors such as Silva (1998), Alves (2002), and Oliveira (2003), among others. Thus, this study enables us to understand that the teaching-learning process has always been a central concern for those involved in institutions dedicated to various educational processes.
Keywords: education; curriculum; concerns.

1. INTRODUÇÃO

Diante do cenário de mudanças no papel do Estado, os municípios brasileiros passaram a assumir, progressivamente, a oferta da educação infantil e ensino fundamental, tendo em vista o cumprimento das normas legais prescritas na Constituição Federal de 1988, na Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDBEN), lei nº 9.394, de 1996 e da Lei nº 12.796 de 2013, que torna a educação básica obrigatória e gratuita dos 4 (quatro) aos 17 (dezessete) anos. Nesse cenário normativo, o professor recebe toda a responsabilidade e o mínimo de condições para exercer sua profissão.

Assim, o processo de ensino/aprendizagem sempre fez parte das preocupações das pessoas que convivem nas instituições definidas para esses distintos processos educativos. Por isso, a escola vai marcando seus tempos históricos ao construir modos diferenciados de ensinar, com busca incessante por qualidade na aprendizagem. Porém, em muitas escolas é atribuída ao professor a culpa pela defasagem na aprendizagem do aluno e pelo baixo desempenho da escola.

Dessa forma, este trabalho traz algumas inquietações da maioria dos professores que trabalham com determinação para que as crianças tenham um ensino de qualidade e mesmo assim não tem o mínimo de respeito da grande parte da sociedade. É sabido que o ensino para ser considerado de qualidade é necessário um trabalho em coletivo de todos os envolvidos.

2. INQUIETAÇÕES SOBRE AS PRÁTICAS EDUCATIVAS ESCOLAR

A escola desde que foi constituída passou por várias transformações, principalmente no contexto de concepções de ensino. As instituições têm procurado cada vez mais, através de seus ensinamentos, transmitirem o melhor para seus alunos. Ao mesmo tempo em que busca essa inserção pelo conhecimento, a escola e seus sujeitos muitas vezes buscaram concentrar esforços nos modos de realizar esses procedimentos de transmissão de conhecimentos. Assim, o ensino sempre fez parte das preocupações das pessoas que convivem na instituição de ensino por excelência. Por isso, a escola vai marcando seus tempos históricos construindo modos diferenciados de ensinar.

Segundo Tiba (apud REIS PEREIRA COSTA 2007, p.187), a educação escolar é diferente da educação familiar. Não há como uma substituir a outra, pois ambas são complementares. “Não se pode delegar à escola parte da educação familiar, pois esta é única e exclusiva, voltada à formação do caráter e aos padrões de comportamentos familiares”.

Para tanto, a educação deverá oferecer instrumentos e condições que ajudem o aluno a aprender a aprender, a aprender a pensar, a conviver e a amar. Uma educação que ajuda a formular hipóteses, construir caminhos, tomar decisões, tanto no plano individual quanto no plano coletivo. (Moraes, 1997, p. 211).

Para isso, de acordo com Libâneo, (1993, p. 225): a instituição educativa inventou e exigiu o Plano Escolar, são registrados os resultados do planejamento da educação escolar. "É o documento mais global, expressa orientações gerais que sintetizam, de um lado, as ligações do projeto pedagógico da escola com os planos de ensino propriamente ditos".

Seguindo nesta perspectiva, Libâneo, (1992 p.221) enfatiza que o planejamento escolar é o planejamento global da escola, envolve o processo de reflexão, decisões sobre a organização, o funcionamento e a proposta pedagógica da instituição, [...] coordenação da ação docente, articulando a atividade escolar e a problemática do contexto social.

Para que a educação aconteça conforme as perspectivas que a sociedade almeja são necessários muitos estudos, pesquisas e trabalhos em conjunto com a comunidade em que a criança está inserida e diante a essas argumentações, percebemos a dificuldade em fazer. O ensino deve estar planejado conforme os alunos que estão matriculados, por isso a instituição tem que rever vários conceitos de como transmitir. No entanto Libâneo (2002, p. 70), “especifica essa amplitude quando diz que: para uns importa mais a educação como instituição social; para outros, a educação é um processo de escolarização”.

Neste sentido podemos dizer que cada sujeito conceitua a educação conforme a área em que atua, (português, matemática, ciências, artes, etc.) diante deste contexto Libâneo (2002, p. 72) considera que: Talvez seja útil partirmos do sentido etimológico. Alguns autores que se ocupam em esclarecer o conceito apontam a origem latina de dois termos: educare (alimentar, educar, criar, referindo tanto às plantas, aos animais como às crianças); educere (tirar para fora de, conduzir para, modificar um estado).

O ensino precisa e deve haver uma articulação em conjunto com todo o contexto escolar para que seja conduzido corretamente, portanto:

Estratégias de ensino diversificadas que mobilizem menos a memória e mais o raciocínio e outras competências cognitivas superiores [...] estimular todos os procedimentos e atividades que permitam ao aluno reconstruir ou reinventar o conhecimento didaticamente transposto para a sala de aula, entre eles a experimentação, a execução de projetos, o protagonismo em situações sociais. (BRASIL, 1998, p.37)

Os educadores precisam ter várias estratégias de ensino que devem ser preparadas partindo do diagnóstico que fizerem sobre os alunos, sabendo que nenhuma criança é igual à outra, cada uma tem seu pensamento, portanto o aprendizado precisa ser diferenciado, devemos levar em conta o momento de preparar a didática, o projeto de ensino da escola, pensando no coletivo, mas, principalmente em cada criança que faz parte desse meio, estimulando-as usarem os conhecimentos do cotidiano de cada uma, assim ficará mais fácil construir e reconstruir para o aprendizado ser mais bem assimilado e construtivo para todos do seu meio.

O processo de ensino/aprendizagem sempre fez parte das preocupações das pessoas que convivem nas instituições definidas para esses distintos processos educativos. Por isso, a escola vai marcando seus tempos históricos ao construir modos diferenciados de ensinar, com busca incessante por qualidade na aprendizagem. Porém conflitos e divergências são constatados com mais frequência em escolas que gostariam de aderir ao um ensinamento de qualidade para os sujeitos que nelas estão inseridos, principalmente em instituições de ensino que desejam colocar na vanguarda do conhecimento. Então, o conservadorismo pedagógico assume um processo único de confirmação da tradição.

Nesse sentido questionamos: qual seria o modelo ou proposta inicial de currículo escolar ideal e eficiente que poderia transformar pensamentos dos professores que praticam o ensino/aprendizagem ainda na visão tradicional? Pensar sobre este problema causa incômodos, transtornos e inquietações no cotidiano das escolas tanto para os gestores, professores, quanto para a comunidade que parecem confusos sem saber como corroborar para o avanço do conhecimento através do currículo da escola. Por isso faz-se necessário trazer um diálogo sobre essa temática.

Nesse quadro nos desanima a cada dia, não há condições de possibilidades objetivas para promover melhorias na performance de ganho de qualidade de aprendizagem dos alunos, mas exige-se a transformação e apresentação de bons resultados. Sabe-se que existem inúmeras instituições que ensinam crianças, cada uma com métodos e regras que é produzida através do currículo escolar apropriados e constituídos no espaço escolar pelos diretores/gestores, coordenadores e comunidade.

Percebe -se que o modo de ensino/aprendizagem pode trazer significados importante para os indivíduos se, nas escolas estadual ou municipal, sendo pública ou privada, houver professores que possam construir e descontruir a ideia de algo pronto, definido e que é preciso obedecer, diante disso os sujeitos do contexto escolar para ensinar deve pensar além daquilo que é proclamado oficialmente ou que estiver regulado.

Nesse sentido o ensinamento será inovador e a maior parte das atividades desenvolvidas no âmbito escolar poderão ser problematizadas por todos os envolvidos no meio de maneira singular para que todos os indivíduos possam obter êxito e qualidade no saber ali possivelmente adquirido com possibilidades e potencialidades críticas além de tudo que já está pronto.

2.1. Como os Pais Lidavam com o Ensino de Seus Filhos

A infância e o ato de ensinar em muitos momentos da história da educação eram feitos de forma diferenciada, mas, a sociedade sabia que haveria um meio de instruir as crianças que viviam nessas épocas até chegar aos dias de hoje. Assim, consideramos que ensinar, não é uma tarefa fácil, exige atenção, dedicação, compreensão, esforço, paciência, carinho, e os pais de antigamente muitas vezes não tinham essa visão do ensino para seus filhos. Por outro lado, a criança desde muito cedo era vista como adulta e elas não tinham infância. Tanto é assim que, segundo Ariès (1978, p.17) até por volta do século XII, à arte medieval desconhecia a infância ou não tentava representá-la. É mais provável que não houvesse lugar para a infância nessa época.

A sabedoria sagrada diz que temos que ser ou quentes ou frios, pois a mornidão é degenerescente e deseducativa. Pois bem: não temos mais tempo ou possibilidade de adiar decisões fundamentais; ou queremos a felicidade de nossos filhos ou permanecemos indiferentes a eles, ou assumimos em profundidade a responsabilidade de sermos pais e mães, ou investimos em um mundo brutal, do qual não nos iludamos, as principais vítimas seremos nós, os pais, especialmente na hora frágil da idade avançada (Morais, 2003, p. 117).

Com a transformação que tivemos com o passar dos tempos na sociedade os conceitos de famílias também se transformaram e muitas vezes, foram deixados de lado alguns valores que poderiam ajudar na educação do futuro de seus filhos.

A aprendizagem tinha como currículo a cultura que era passada de geração a geração. Dessa forma, a aprendizagem era contextualizada e direcionada especificamente a uma profissão ou aos serviços de cavaleiro. Como a educação da criança poderia ser transferida a outra família ou à igreja, perdia-se o vínculo familiar entre pais e filhos. Assim, “a família era uma realidade moral e social, mais do que sentimental” (ARIÈS Apud Alves Andrade, 2006 p.14).

Portanto as razões que nos levam a dizer que a família é a principal base desde os primeiros momentos de vida na aprendizagem de cada criança, nos trazem muitas indagações no processo que devemos seguir para que juntamente com a escola encontremos métodos para o desenvolvimento do processo de uma educação melhor, ressaltando ainda mais a valorização de todos os ensinamentos que os pais têm para transmitir para seus filhos, tanto em casa quanto na escola.

Paro afirma que a instituição de ensino deve usar todos os métodos de aproximação direta com a família, pois dessa forma podem compartilhar informações significativas em relação aos seus objetivos, recursos, problemas, além de questões pedagógicas. (Paro,1992, apud ALVES ANDRADE, 2006, p.23).

Sabemos que com o avanço da tecnologia, diferentes métodos têm contribuído para uma educação melhor, no sentido de ajudar os educadores e as instituições a transmitirem conhecimentos diversificados para seus alunos. Entretanto, os pais poderão participar efetivamente do aumento do nível educacional, bem como do desenvolvimento de seu filho por um futuro melhor.

Porém, no passado a história para o conhecimento dos avanços educativos e da própria condição humana ou social era realizada de outros modos evidenciando modelos de desenvolvimento muito contestados. Por isso, a história que foi utilizada neste trabalho, mais que simplesmente a noção de verdade quer propiciar um novo modo de conhecer as mudanças produzidas no sistema educativo porque compartilhamos com a ideia deste pensador que faz a seguinte consideração:

À história se atribuía a tarefa de tornar viva a totalidade do passado nacional. Essa vocação e esse papel da história devem ser agora revisados se quisermos separar a história do sistema ideológico em que ela nasceu e se desenvolveu. Ela deve ser preferencialmente compreendida como a análise das transformações das quais as sociedades são efetivamente capazes. As duas noções fundamentais da história, tal como ela é praticada atualmente, não são mais o tempo e o passado, mas a mudança e o acontecimento. (Foucault, 2000, p.286-287)

Portanto, no caso deste trabalho para chegarmos a um entendimento a respeito da educação regional devemos analisar as mudanças que ocorreram desde as últimas décadas até hoje, constituindo um revisitar também sobre a questão da trajetória histórica dessas instituições e práticas de interação educativa, principalmente com relação à educação e a família daquela época com a família de hoje. Verificar suas estruturas, comportamentos, classes, para que o desenvolvimento dessa pesquisa possa contribuir para o futuro da sociedade contemporânea.

A relação da família dentro do contexto escolar é fundamental para o processo de ensino e aprendizagem, educação escolar que poderá ser desenvolvida juntamente com a escola. É nos dois contextos que a relação família e escola têm o papel de desenvolver a afetividade, bem-estar, integridade física e social dos indivíduos.

Ensinar já teve e ainda têm muitos significados diferenciados na sociedade, e cada significado é transmitido com a mesma finalidade, instruir através de conhecimentos onde os sujeitos estão inseridos.

Em algumas épocas do passado, crianças acompanhavam os adultos para ver como trabalhavam e com o tempo aprendiam a imitá-los ou “fazer igual”. Caçar, plantar, pescar, localizar água, participar de rituais, atividades que os adultos transmitiam para seus filhos no meio onde viviam, pois ainda não existia um local que pudesse transmitir esses conhecimentos para as crianças, assim como valores morais e comportamentos. Desde então a civilização na terra, de alguma forma, os pais educavam seus filhos. E com o passar do tempo o homem aprendeu a falar, seus gestos e ações de comunicação com a família foram se transformando, quando surgiram as primeiras escolas, poucas crianças tiveram o privilégio de frequentá-las.

3. ALGUMAS CONTEXTUALIZAÇÕES DO COTIDIANO ESCOLAR

A escola passou por inúmeras ressignificações no decorrer do tempo, principalmente no contexto de concepções de ensino. As instituições têm procurado cada vez mais através de seus ensinamentos, transmitirem o melhor na construção de conhecimentos para seus alunos. Dessa forma muitas lutas e desencadeamentos atravessam o nosso cotidiano e nos faz concentrar esforços nos modos para realizar esses procedimentos da melhor forma possível.

Por isso, a educação escolar em seus tempos históricos construiu modos diferenciados de ensinar. Silva (1998, p.190 e 195) ao discutir o currículo tem contribuído para aumentar nossa compreensão sobre as íntimas e estreitas relações entre conhecimento, poder e identidade social e, portanto, sobre as múltiplas formas pelas quais o currículo será centralmente envolvido na produção do social.

Para o autor, o currículo está envolvido na produção de sujeitos particulares. Ainda que em construção a Teoria do Currículo está envolvida na busca da melhor forma de produzi-los. Assim ressalta Silva (1998, p.190 e 195) que as narrativas contidas no currículo trazem embutidas noções sobre quais grupos sociais podem representar a si e aos outros e quais grupos sociais podem apenas ser representados ou até mesmo serem totalmente excluídos de qualquer representação.

Infelizmente, boa parte de nossas propostas curriculares tem sido incapaz de incorporar experiências, pretendendo pairar acima da atividade prática diária dos sujeitos que constituem a escola. Inverter o eixo desse processo significa entender a tessitura curricular como um processo de fazer aparecer as alternativas construídas cotidianamente e já em curso (Alves 2002, p. 34)

Os educadores precisam buscar a inserção pelo conhecimento nos modos de preparar, criar, formular e reformular as práticas educativas com métodos que instiga a curiosidade dos alunos que por sua vez tem capacidade para adaptar-se a eles, procurar alternar as ideias e levar em consideração a bagagem de conhecimento que eles trazem do meio que vivem, dessa forma, o avanço no ensino possa acontecer na coletividade na sociedade. Nesse sentido, para que o ensino e a educação avancem é interessante perceber o modo como as famílias se relacionam com a escola.

Existem muitas inquietações que surgem no cotidiano escolar que precisamos compreender como a dificuldade da criança em aprender. A verdadeira aprendizagem é aquela que transforma o sujeito através dos saberes ensinados que são reconstruídos pelos professores/alunos para que a partir dessa reconstrução, esses sujeitos tornam-se críticos, autônomos, emancipados. Nesse sentido Freire (1996, p. 26) diz que: Nas condições de verdadeira aprendizagem, os educandos vão se transformando em reais sujeitos da construção e da reconstrução do saber ensinado, ao lado do educador igualmente sujeito do processo.

Nessa perspectiva percebemos que a família tem um papel importantíssimo na educação de seus filhos então ela deveria ou deve acompanhar mais de perto o processo de aprendizagem e todo o desenvolvimento do currículo escolar que os filhos estão inseridos. Nesse contexto, muitos pesquisadores tentam encontrar caminhos para ajudar famílias que por vários motivos deixam seus filhos na escola, deixando toda a responsabilidade para a instituição no processo de educação escolar. E, nessas circunstâncias de cenários complexos, percebemos a importância que a escola tem na estruturação, construção e desenvolvimento educacional dos sujeitos do seu meio.

Para tanto, a educação deverá oferecer instrumentos e condições que ajudem o aluno a aprender a aprender, a aprender a pensar, a conviver e a amar. Uma educação que ajuda a formular hipóteses, construir caminhos, tomar decisões, tanto no plano individual quanto no plano coletivo. (Moraes, 1997, p. 211)

Para isso, de acordo com Libâneo, (1993, p. 225): a instituição educativa inventou e exigiu o Plano Escolar, são registrados os resultados do planejamento da educação escolar. "É o documento mais global, expressa orientações gerais que sintetizam, de um lado, as ligações do projeto pedagógico da escola com os planos de ensino propriamente ditos". Então, temos assim, uma organização regulada que permite resistências e desafios na constituição do sujeito emancipado.

Portanto, o entendimento é ampliado a respeito das múltiplas e complexas realidades das escolas reais, com seus alunos, alunas, professores, e professoras e problemas reais, exigem que enfrentemos o desafio de mergulhar nestes cotidianos, buscando neles mais do que as marcas das normas estabelecidas no e percebidas do alto que definem o formato das prescrições curriculares. É preciso buscar outras marcas, da vida cotidiana, das opções tecidas nos acasos e situações que compõe a história de vida dos sujeitos pedagógicos que, em processos reais de interação, dão vida e corpo as propostas curriculares. (Oliveira,2003, p. 69)

Então , o contexto escolar precisa ser problematizado em todos os sentidos, ou seja, criar nesse espaço/tempo formas de mediar o ensino através daquilo que na maioria das vezes não é percebido no cotidiano por causa do engessamento e imposição das coisas prontas que não deixam os professores forçar o pensamento para inovar e fazer acontecer uma aprendizagem diferenciada para seus alunos com possibilidades de torna-los outros .

Libâneo, (1992 p.221) enfatiza que o projeto escolar é o planejamento global da escola, envolve o processo de reflexão, decisões sobre a organização, o funcionamento e a proposta pedagógica da instituição, [...] coordenação da ação docente, articulando a atividade escolar e a problemática do contexto social.

Para que a educação possa acontecer conforme as perspectivas que a sociedade almeja são necessários muitos estudos, pesquisas e trabalhos em conjunto com a comunidade em que a criança está inserida e, diante a essas argumentações percebemos as dificuldades no fazer. O ensino deve estar planejado levando em consideração os alunos que estão ali, por isso a instituição tem que rever vários conceitos de como transmitir o conhecimento para tentarmos sair desse caos em que a educação se encontra. Ainda nesse sentido Oliveira (2003, p.69) corrobora conosco dizendo:

(...) Cada nova forma de ensinar, cada conteúdo trabalhado, cada experiencia particular só pode ser entendida junto ao conjunto de circunstâncias que a torna possível o que envolve a história de vida dos seus sujeitos em interação, sua formação e a realidade local específica com as experiencias e saberes anteriores de todos entre outros elementos da vida cotidiana. Pensar em alternativas curriculares a partir dessa forma de percepção nos encaminha para um diálogo sem preconceitos com os educadores que, estando nessas escolas produzem saberes e criam currículos cotidianamente. (Oliveira,2003, p. 69)

No entanto Libâneo (2002, p. 70), “especifica essa amplitude quando diz que: para uns importa mais a educação como instituição social; para outros, a educação é um processo de escolarização”. Uma questão que deve ser problematizada ao conhecermos aspectos significativos do currículo nas experiências escolares e extraescolares que os sujeitos compartilham.

Está claro que é bem menor o cansaço quando alguém faz alguma coisa só e não é distraída por outras: desse modo, uma pessoa pode servir utilmente a muitas, e muitas a uma. Em segundo lugar, isso é imposto pela necessidade. Os pais raramente estão em condições de educar os filhos com proveito ou raramente têm tempo para isso: segue-se que deve haver pessoas que exerçam apenas essa profissão, e desse modo se prevê a toda a comunidade. (COMENIUS, 2011, p.85)

Diante do cenário que problematiza e faz pensar sobre as experiências construídas o autor acima citado nos mostra que, mesmo com a educação que as crianças recebem de seus pais em casa, é necessário que elas vão para a escola em busca de outros saberes que só os professores podem lhes proporcionar, porém os pais além de incentivar seus filhos devem participar de alguma forma da educação instituição escolar juntamente com a comunidade. Diante disso, a escola deve analisar as melhores formas de proporcionar-lhes o conhecimento através da aprendizagem de acordo com a necessidade de cada uma das crianças.

Ainda neste contexto Comenius (2011, p.89), ressalta que: todo homem nasceu para o mesmo fim, ou seja, um ser racional, capaz de transformar e ser transformado, mas para que isso aconteça todos devem ser instruídos nas letras, ser educados para tornarem capazes de viver o presente sendo útil e de preparar-se dignamente para a vida futura.

A partir dessas considerações entendemos que esse trabalho deve ser permanente e ampliado a cada dia buscando possibilidades para melhorar a educação. Afinal, a escola deveria fazer um trabalho transparente com os problemas dos alunos e possíveis soluções, porque a escola é uma instituição que pode dar possibilidades e instrumentos para as crianças adquirirem experiências e criticidade diferenciadas das vivências cotidianas do âmbito familiar para assim se integrarem com re/existência na sociedade.

Experiências que são capazes de transformar e desenvolver a formação do sujeito, pois entende-se que a escola é um espaço importante, um local de encontros e desencontros de novos paradigmas. Vale ressaltar que:

O valor da educação não consiste em dar aos educandos conhecimentos, mas instrumentos para que possam usar de todas as suas capacidades, preparando-os de modo que sejam capazes de usar os olhos, os ouvidos, as mãos, como instrumentos que obedeçam às suas ordens, e que seu julgamento saiba aproveitar as condições em que deve trabalhar para levar as forças executivas a agir econômica e eficazmente. (CAMPOS, F.R. SHIROMA E. Oto, 1999, p.106).

A educação é transformada em nosso dia a dia, essas mudanças estão ganhando significados importantes na sociedade, o direito de ir à escola é de todos, por isso percebemos a importância da pesquisa pensada na escola que temos, que tipo e modelo de escola e ensino/aprendizagem queremos construir, assim devemos persistir na articulação das famílias/comunidade, conhecer a realidade das crianças e trabalhar coletivamente.

4. OS AUXÍLIOS DE PAIS E MÃES NAS ATIVIDADES DE APRENDIZAGEM

Quando vamos assinalar do contexto que ressalta sobre os auxílios de pais e mães nas atividades escolares para ajudar seus filhos no processo de aprendizagem, existem muitas indagações sobre o assunto, pois a maioria dos pais diz que não têm tempo e esse processo que é do interesse maior deles acaba ficando para os professores que por sua vez, quando é um professor que realmente quer educar seus alunos, procura usar métodos que ele acredita ser mais adequado para educar a criança.

Nesse sentido,

É importante assinalar que Comenius não apenas enfatiza que todos cheguem a ter acesso aos conhecimentos. Mais que isso ele destaca quão significativa é a qualidade dos conteúdos que serão transmitidos pela educação. Os atributos dos conteúdos de ensino são tão relevantes quanto à quantidade e a extensão dos recursos mediantes os quais se distribuirão os saberes. As reflexões do pedagogo não só giram em torno da busca do método mais apropriado, racional e ordenado com o qual se possa fazer um ensino extensivo e homogêneo; suas reflexões tratam também da importância dos conhecimentos produzidos pela sociedade moderna, [...] Ele faz alusão a respeito do conhecimento científico enquanto conhecimento socialmente válido e constitutivo da condição humana. (Narodowski, 2001, p.30)

Entretanto vale nos lembrar que, cada criança recebe na escola o imprescindível para o desenvolvimento intelectual de cada uma. Com as regras e ordens que a sociedade impõe para os cidadãos fica difícil haver participação ativa na educação das crianças pela família e com as regras que têm na escola essas crianças ficam confusas e muitas vezes não querem aprender e vão para a escola sem vontade de adquirir conhecimento. Diante disso, Narodowski, 2011, enfatiza:

Em síntese, as utopias que foram referidas nessas passagens, as quais apontam o ideal de Comenius, são as duas: a utopia da sabedoria e a utopia da “ordem em tudo,” trata-se de duas utopias que se desenvolvem harmoniosamente num mesmo discurso, cujo fim é complementarem, bem como se estenderem e oferecerem seu ideal uma à outra. A distribuição dos saberes precisa de uma metodologia que, por sua vez, é obtida a partir da ordem que a outra fornece. Trata-se de formar o homem; mas formá-lo implica fazê-lo de maneira que necessariamente se atinjam os resultados. Por isso, em Comenius urge a necessidade de situar o homem dentro de determinada instituição, escola, que será regida por uma ordem sem a qual os homens não seriam formados como homens. (Narodowski, 2011 p.32).

Ressaltamos também que as regras muitas vezes são direcionadas pela família antes da criança chegar à escola, então é extremamente importante que a educação seja transmitida com qualidade, sendo assim a criança irá praticar sua cidadania com respeito, reconhecendo os valores que foram transmitidos para os mesmos. Nesse sentido o autor Narodowski (2011) nos mostra que:

Ele chama a atenção para a desordem que reina na organização dentro das escolas, na hora de transmitir os conhecimentos; para Comenius, o acesso caótico aos saberes é aquilo que não permite um processo eficaz e confunde os estudantes. Quando na Didática Mágna, ele critica a irracionalidade com que se procede à educação escolar no que concerne ao caminho escolhido para alcançar o conhecimento, Comenius dá uma ênfase especial acerca do uso do tempo: Nas escolas, existiu a confusão de ensinar, aos alunos, muitas coisas ao mesmo tempo [...] Quem não sabe que nas escolas clássicas diariamente se mudava de lições a cada momento? E eu me pergunto: que é confusão, senão isso mesmo? (Narodowski, 2011, p. 38).

Por isso houve e ainda há necessidades até o momento para a escola encontrar o melhor método e acertar e não continuar com o mesmo, pois as crianças são as mais prejudicadas quando acontecem erros que escolas já cometeram e muitas vezes ainda cometem.

Para isso, Ariès (1981, p.174) ressalta que os bons pedagogos ensinam não apenas as letras às criancinhas, mas também os bons costumes e as maneiras decentes, a comer, beber, falar e caminhar com gestos convenientes.

Mencionando ainda a escola/versus família é importante relatar que:

As escolas devem procurar inserir no seu projeto pedagógico um espaço para valorizar, reconhecer e trabalhar as práticas educativas familiares e utilizá-las como recurso importante nos processos de aprendizagem dos alunos. Mas, a colaboração entre esses contextos deve levar em consideração as diferenças culturais, a formação para a cidadania e a valorização de ações e de decisões coletivas [...]. As escolas deveriam investir no fortalecimento das associações de pais e mestres, no conselho escolar, dentre outros espaços de participação, de modo a propiciar a articulação da família com a comunidade, estabelecendo relações mais próximas. As adoções de estratégicas que permitem aos pais acompanharem as atividades curriculares da escola que beneficiam tanto a escola quanto a família. (Dessen e Polônia, 2007, p.29)

Ainda neste contexto Comenius (p.89), ressalta que: todo homem nasceu para o mesmo fim, ou seja, um ser racional, capaz de transformar e ser transformado, mas para que isso aconteça todos devem ser instruídos nas letras, ser educados para tornarem capazes de viver o presente sendo útil e de preparar-se dignamente para a vida futura.

A partir dessas considerações entendemos que esse trabalho deve ser permanente e ampliado a cada dia buscando possibilidades para inserir a família de modo contínuo na educação de seus filhos. A escola deveria fazer um trabalho transparente com os problemas dos alunos e possíveis soluções, até mesmo porque a escola é uma instituição que da possibilidade para as crianças adquirirem novas experiências, diferentes das vivências que elas têm no convívio familiar. Experiências que são capazes de transformar e desenvolver melhor a formação do sujeito.

A contínua realização do projeto educativo possibilita o conhecimento das ações desenvolvidas pelos diferentes professores, sendo base de diálogo e reflexão para toda a equipe escolar. Nesse processo evidencia-se a necessidade da participação da comunidade, em especial dos pais, tomando conhecimento e interferindo nas propostas da escola e em suas estratégias. O resultado que se espera é a possibilidade de os alunos terem uma experiência escolar coerente e bem-sucedida (Parâmetros Curriculares Nacionais, 2001, p. 49).

A escola é importante para a transformação e melhoria da sociedade, mas todos devem estar preparados para encontrar ou aceitar novos paradigmas. Ressaltando as concepções educacionais Dewey, (apud Campos, 1974) sustenta que:

O valor da educação não consiste em dar aos educandos conhecimentos, mas instrumentos para que possam usar de todas as suas capacidades, preparando-os de modo que sejam capazes de usar os olhos, os ouvidos, as mãos, como instrumentos que obedeçam às suas ordens, e que seu julgamento saiba aproveitar as condições em que deve trabalhar para levar as forças executivas a agir econômica e eficazmente. (DEWEY, apud CAMPOS SHIROMA, 1974, p.106).

A educação é transformada em nosso dia a dia, essas mudanças estão ganhando significados importantes na sociedade, o direito de ir a escola é de todos os cidadãos e diante disso percebemos a importância da pesquisa que envolve o contexto família e escola, pois ganham repercussões entre o sujeito e as instituições dentre elas, a família e a escola.

Portanto, esse trabalho teve uma análise bibliográfica para que entendamos como as famílias contribuíam na educação de seus filhos desde o século XVII até agora. Uma pesquisa nas instituições, na educação infantil e ensino fundamental sobre como está sendo desenvolvido o ensino na escola para trazer as famílias para junto de seus filhos no processo de aprendizado de cada um, com a intenção da construção de novos saberes.

5. CONSIDERAÇÕES FINAIS

Nesse sentido o princípio é fazer valer como objetivo o direito a educação através das lutas e ações: valorizar a escola como espaço de convívio democrático e solidário e os sujeitos envolvidos no processo curricular. O corpo docente/comunidade/família são interlocutores importantes na definição das políticas públicas de educação e na elaboração das propostas curriculares.

Enfim a escola como um todo precisa redefinir a prática para que haja aprendizagem quando o método que está usando não trazer o resultado esperado. Trabalhar num currículo que seja inovador, contemporâneo, contextualizado, que rompa com a ideia de fragmentação do saber, pensando, que tipo aluno e de sociedade nós desejamos construir através do desenvolvimento qualitativo da educação pública do município do estado e do país como um todo exige de todos nós uma busca pelo conhecimento contínuo dessas experiências dos saberes escolarizados.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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1 Professora da Educação Básica Municipal de Cáceres, MT. E-mail: [clique para visualizar o e-mail]acesse o artigo original para visualizar o e-mail

2 Professora da Educação Básica Municipal de Cáceres, MT. E-mail: [clique para visualizar o e-mail]acesse o artigo original para visualizar o e-mail

3 Auxiliar de desenvolvimento Infantil Municipal de Cáceres, MT. E-mail: [clique para visualizar o e-mail]acesse o artigo original para visualizar o e-mail