CONTRIBUIÇÕES DA EDUCAÇÃO EM SAÚDE NA PROMOÇÃO DO USO DE MÉTODOS CONTRACEPTIVOS ENTRE ADOLESCENTES

THE ROLE OF HEALTH EDUCATION IN PROMOTING THE USE OF CONTRACEPTIVE METHODS AMONG ADOLESCENTS

REGISTRO DOI: 10.70773/revistatopicos/791962341

RESUMO
O presente estudo aborda as contribuições da educação em saúde na promoção do uso de métodos contraceptivos entre adolescentes. O objetivo é analisar, por meio da literatura científica, essas contribuições. Trata-se de uma pesquisa de natureza qualitativa, do tipo revisão integrativa da literatura, com caráter descritivo e exploratório, realizada a partir de dados secundários e de domínio público. A busca foi realizada nas bases de dados SciELO, LILACS, BDENF e Google Acadêmico. Os dados foram organizados de forma temática e analisados por meio da comparação das diferentes abordagens e perspectivas dos autores selecionados, buscando responder à pergunta norteadora do estudo. Os estudos identificados apresentaram diferentes estratégias de educação em saúde, como palestras, oficinas, rodas de conversa, dinâmicas e recursos educativos. As ações contribuíram para ampliar o conhecimento, esclarecer dúvidas e estimular a participação dos adolescentes. Entre as dificuldades encontradas, destacaram-se o conhecimento superficial sobre os métodos, dúvidas quanto ao uso, barreiras de acesso, vergonha e medo de julgamento, além de fatores relacionados à continuidade da utilização. Conclui-se que a educação em saúde é relevante para ampliar conhecimentos e favorecer decisões mais conscientes e seguras sobre os métodos contraceptivos, destacando-se a importância de ações participativas, acessíveis e adequadas às necessidades dos adolescentes.
Palavras-chave: Adolescente; Métodos Contraceptivos; Enfermagem; Educação em Saúde; Saúde Sexual e Reprodutiva.

ABSTRACT
This study examines the contributions of health education to promoting contraceptive use among adolescents. The objective is to analyze these contributions through a review of the scientific literature. This is a qualitative study—specifically, an integrative literature review—with a descriptive and exploratory focus, conducted using secondary data and data in the public domain. The search was conducted in the SciELO, LILACS, BDENF, and Google Scholar databases. The data were organized thematically and analyzed by comparing the different approaches and perspectives of the selected authors, seeking to answer the study’s guiding question. The studies identified presented various health education strategies, such as lectures, workshops, discussion groups, interactive activities, and educational resources. These initiatives helped expand knowledge, clarify doubts, and encourage adolescent participation. Among the challenges encountered were superficial knowledge of the methods, doubts regarding their use, barriers to access, shame and fear of judgment, as well as factors related to continued use. It is concluded that health education is essential for expanding knowledge and promoting more informed and safer decisions regarding contraceptive methods, highlighting the importance of participatory, accessible initiatives tailored to adolescents’ needs.
Keywords: Adolescent; Contraceptive Methods; Nursing; Health Education; Sexual and Reproductive Health.

1. INTRODUÇÃO

A adolescência é uma fase marcada por mudanças físicas, psicológicas e sociais que também envolvem a construção da autonomia e diferentes experiências relacionadas à sexualidade. Essas experiências podem variar conforme o contexto sociocultural, as condições econômicas, as crenças e as relações estabelecidas pelos adolescentes (Lira, 2010). Nesse período, a sexualidade envolve dúvidas, escolhas e decisões, o que reforça a necessidade de informações adequadas e de espaços de diálogo sobre saúde sexual e reprodutiva (Cabral; Brandão, 2020).

Nesse contexto, o acesso a informações sobre métodos contraceptivos é importante para que os adolescentes possam tomar decisões relacionadas à sua saúde sexual e reprodutiva. O Ministério da Saúde destaca a contracepção como parte dos direitos sexuais e reprodutivos e ressalta a importância do acesso a informações e serviços de saúde (Brasil, 2025). Apesar disso, estudos mostram que adolescentes podem apresentar conhecimentos insuficientes sobre os métodos contraceptivos e, em alguns casos, não os utilizar de forma adequada (Brêtas et al., 2011).

As dificuldades relacionadas à contracepção não se limitam ao conhecimento. O acesso aos serviços de saúde, o constrangimento, o medo de julgamento, as condições sociais e as relações estabelecidas pelos adolescentes também podem interferir na utilização dos métodos contraceptivos (Alves; Brandão, 2009). Carvalho e Muraoka (2026) identificaram ainda fatores relacionados ao conhecimento, ao acesso, aos efeitos colaterais e à percepção sobre a eficácia dos métodos como aspectos envolvidos no uso contínuo. Dessa forma, oferecer o método contraceptivo não é suficiente, sendo necessário também garantir orientação adequada e acolhimento aos adolescentes.

Nesse sentido, a educação em saúde pode contribuir para ampliar conhecimentos, esclarecer dúvidas e favorecer a participação dos adolescentes nas decisões relacionadas à contracepção. O Ministério da Saúde destaca que esse processo deve envolver diálogo, troca de conhecimentos e participação, considerando as características e necessidades do público (Brasil, 2024; Brasil, 2016). Estudos sobre intervenções educativas com adolescentes identificam diferentes estratégias, como rodas de conversa, oficinas, dinâmicas e recursos educativos, com resultados relacionados principalmente à ampliação do conhecimento sobre contracepção (Silva et al., 2009; Praxedes; Queiroz, 2018; Almeida et al., 2025).

Diante disso, torna-se relevante compreender como a educação em saúde tem sido utilizada na orientação de adolescentes sobre métodos contraceptivos e quais contribuições são apresentadas pela literatura, especialmente diante das dificuldades relacionadas ao conhecimento, acesso e adesão. A partir desse contexto, estabeleceu-se a seguinte questão de pesquisa: quais são as contribuições da educação em saúde na promoção do uso de métodos contraceptivos entre adolescentes?

O objetivo geral deste estudo é analisar, por meio da literatura científica, as contribuições da educação em saúde na promoção do uso de métodos contraceptivos entre adolescentes. E como objetivos específicos: identificar as principais estratégias de educação em saúde utilizadas para orientar adolescentes sobre métodos contraceptivos; descrever as dificuldades relacionadas ao conhecimento, acesso e adesão dos adolescentes aos métodos contraceptivos; e apontar, na literatura científica, como as ações educativas podem favorecer o uso consciente e seguro dos métodos contraceptivos na adolescência.

2. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA OU REVISÃO DA LITERATURA

2.1. Adolescência e Métodos Contraceptivos

A adolescência é uma etapa do desenvolvimento humano permeada por transformações físicas, biológicas, psicológicas e sociais que influenciam a construção da identidade e da autonomia. Para Lira (2010), apesar de envolver aspectos comuns, a experiência dessa fase da vida é diferente para cada indivíduo, pois varia conforme a realidade em que está inserido, considerando características como contexto sociocultural, condições econômicas, crenças, relações construídas, entre outros fatores. Com isso, torna-se fundamental compreender essas especificidades na abordagem ao adolescente, incluindo aquelas relacionadas à sua saúde. No Brasil, o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) considera adolescente a pessoa com idade entre doze e dezoito anos. O Estatuto também considera a condição peculiar do adolescente como pessoa em desenvolvimento, assegurando-lhe o direito à vida e à saúde, assim como acesso integral à assistência e atendimento em saúde (Brasil, 1990).

Para Cabral e Brandão (2020), a sexualidade configura-se como uma dimensão do desenvolvimento do adolescente, estando relacionada a diferentes experiências afetivas e sexuais que o indivíduo vivencia nessa fase. Tais experiências envolvem uma diversidade de sentimentos e emoções, além de dúvidas, escolhas e da construção da autonomia. Diante disso, emerge a necessidade de acesso a informações adequadas e de profissionais qualificados e sensíveis ao acolhimento dessas dúvidas e à promoção do diálogo sobre a temática. De acordo com o Ministério da Saúde, a sexualidade na adolescência compreende descobertas, experimentações e o desenvolvimento da capacidade de tomar decisões, fazer escolhas e assumir responsabilidades, por isso a disponibilização de orientações seguras e acesso a serviços de saúde torna-se fundamental para que os adolescentes vivenciem sua sexualidade com segurança e exerçam seus direitos inerentes à saúde sexual e reprodutiva (Brasil, 2006).

Nesse contexto, o conhecimento sobre contracepção pode contribuir para que estes adolescentes façam escolhas orientadas e conscientes, bem como para a prevenção de uma gravidez não planejada. Nos estudos de Brêtas et al. (2011) foi identificado que os adolescentes investigados, em sua maioria, buscavam informações sobre sexualidade, embora parte deles considerasse insuficientes os conhecimentos sobre o assunto, além disso, mesmo buscando informações, muitos adolescentes declaravam não utilizar métodos contraceptivos.

Compreende-se que a experiência da sexualidade também pode estar relacionada com situações de vulnerabilidade, principalmente diante de dificuldades na adoção de medidas de proteção, podendo favorecer a ocorrência de gravidez não desejada e a exposição a infecções sexualmente transmissíveis (ISTs).

A contracepção é um direito que está associado à autonomia no exercício da sexualidade e aos processos reprodutivos, permitindo que cada indivíduo exerça sua liberdade para realizar escolhas sobre aspectos que envolvam reprodução. Para que esse direito seja garantido, é fundamental o acesso a informações e um atendimento que respeite as pessoas e os grupos sociais em sua diversidade (Brasil, 2025). Os métodos contraceptivos têm como finalidade a prevenção da gravidez, havendo diferentes alternativas com características que vão desde a forma de utilização, a duração e a eficácia dos métodos, mas que são considerados segurados quando utilizados adequadamente (OMS, 2025). Na adolescência, esses métodos integram os cuidados com a saúde sexual e reprodutiva, contribuindo para a prevenção da gravidez.

Segundo a Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE), realizada em 2019, dentre os métodos contraceptivos utilizados por adolescentes, estão o preservativo, em que os dados indicam 63,3% de uso na primeira relação sexual e 59,1% na última. Também foi identificada a utilização da pílula anticoncepcional (52,6%), seguida pela pílula do dia seguinte (17,3%) e pelos contraceptivos injetáveis (9,8%) (Brasil, 2021).

Conforme a orientação do Ministério da Saúde, na adolescência a escolha do método contraceptivo mais adequado precisa considerar as características de cada método e a decisão da adolescente. Assim, devem ser ofertados os métodos disponíveis no Sistema Único de Saúde (SUS), dentre os quais estão os preservativos externos e os internos, os contraceptivos orais, os injetáveis hormonais, o Dispositivo Intrauterino (DIU) e o implante contraceptivo subdérmico (Brasil, 2025).

2.2. Estratégias de Educação em Saúde para Orientação Sobre Métodos Contraceptivos na Adolescência

A educação em saúde é um processo em que os indivíduos desenvolvem conhecimentos fundamentais para a ampliação de sua autonomia quanto ao cuidado com a própria saúde. Para isso, deve haver interação entre os indivíduos e os profissionais de saúde, contribuindo assim para a construção do diálogo, a troca de conhecimentos e a participação nas decisões que envolvem o cuidado (Brasil, 2024). As ações de educação em saúde direcionadas ao público adolescente podem utilizar estratégias variadas para orientar, entre outros aspectos, sobre a utilização de métodos contraceptivos.

Em um estudo realizados com 20 adolescentes de uma escola pública, com idade entre 12 e 15 anos, Silva et al. (2009) utilizaram uma metodologia participativa e lúdica por meio de divisão da turma em grupo e atividades em sistema de rodízio. Foram utilizadas dinâmicas, simulações, questionamentos e além da ludicidade, como o painel de associações, que relacionava nome, descrição e modo de uso dos métodos, e a amarelinha educativa, voltada ao estímulo da participação e reflexão dos adolescentes acerca da função dos métodos contraceptivos e sua relação com a prevenção da gravidez e das ISTs.

Em um estudo descritivo com 30 adolescentes de turmas do 8ª e 9º ano do ensino fundamental, foram aplicadas estratégias participativas e dialógicas. As ações realizaram-se através de rodas de conversa e oficinas educativas e incluíram a confecção de desenhos e a construção de histórias para verificar os conhecimentos prévios dos adolescentes, a realização da dinâmica “verdade ou mito”, a apresentação e manuseio de diferentes métodos contraceptivos como preservativos, DIU, diafragma, entre outros, além de recursos ilustrativos como banner e mostruário. Os adolescentes também puderam expressar seus conhecimentos, experiências, dúvidas e curiosidades sobre contracepção (Queiroz et al., 2017).

No estudo quase experimental de Almeida et al. (2025) com 62 adolescentes escolares do ensino médio, utilizou-se a história em quadrinho associada à roda conversa. O material abordava diferentes métodos contraceptivos, suas características, formas de utilização e orientações para o uso adequado de cada alternativa. Após a leitura da história “Métodos contraceptivos: sou jovem e ainda não quero gerar uma vida”, foi realizada uma roda de conversa, onde os adolescentes tiveram a oportunidade de expor suas dúvidas, fazer questionamentos e discutir mais profundamente as informações apresentadas em relação à contracepção (Almeida et al., 2025).

Uma intervenção com 131 adolescentes do ensino fundamental II utilizou oficinas educativas como forma de orientação. Foi realizada palestra dialogada para apresentação dos métodos, forma correta de utilização, vantagens e desvantagens e eficácia, sendo abordado alternativas como preservativo masculino e feminino, diafragma, contraceptivos orais e injetáveis, DIU hormonal, implante subdérmico e contraceptivo de emergência, que puderem ser observados e manuseados pelos adolescentes. As ações abrangeram ainda jogos de perguntas e respostas sobre “mitos e verdades” quanto à contracepção, conversas em grupo e dinâmica de perguntas anônimas para o registro de dúvidas (Barbosa et al., 2022).

Em uma ação de extensão com 17 adolescente do 9º ano do ensino fundamental de uma escola pública, as estratégias para o ensino de métodos contraceptivos incluíram palestras, videoaulas, discussões grupais, quizzes envolvendo conteúdos referentes aos métodos como a camisinha, a pílula, o DIU e o implante subcutâneo. Os adolescentes também foram orientados a produzir tirinhas, panfletos e publicações em redes sociais, visando ampliar o acesso de outros adolescentes a informações sobre os métodos contraceptivos e sua relação com prevenção da gravidez e das infecções sexualmente transmissíveis (Nunes et al. 2022).

Na revisão integrativa realizada por Lima Filho et al. (2023), foram identificadas estratégias de educação em saúde em oito publicações, dentre as quais destacam as palestras (75%), dinâmicas em grupo (50%), questionários (37,5%), gincanas (25%), peças teatrais (12,5%), jogos educativos (12,5%). Além dessas, os estudos também utilizaram oficinas, rodas de conversa e ferramentas audiovisuais e visuais (vídeos, cartazes e modelo do sistema reprodutor feminino e masculino), permitindo aos adolescentes o conhecimento acerca da importância, das características e das formas de utilização desses métodos. A revisão mostrou que essas estratégias visavam estimular a participação, diálogo e troca de conhecimentos entre os participantes e sua utilização combinava diferentes ações para um ensino mais significativo.

As estratégias de educação em saúde para a orientação de adolescentes precisam considerar questões como as características e necessidades desse público, havendo a necessidade de utilização de uma linguagem adequada e acessível que favoreça a participação ativa, o diálogo e a troca de conhecimentos. Ademais, as ações devem seguir especificidades próprias como idade, escolaridades e diversidade sociocultural, para assim contribuir com a construção de sua autonomia e na tomada de decisões sobre sua saúde (Brasil, 2016).

2.3. Dificuldades Relacionadas Ao Conhecimento, Acesso e Adesão aos Métodos Contraceptivos na Adolescência

A importância dos métodos contraceptivos é fundamental para a prevenção da gravidez na adolescência. Entretanto, os muitos adolescentes ainda enfrentam dificuldades quanto ao conhecimento, ao acesso e à utilização desses métodos, que podem estar relacionadas a fatores individuais, sociais e às próprias relações estabelecidas pelos adolescentes.

Quanto ao conhecimento dos métodos contraceptivos, muitas dificuldades entre os adolescentes estão atreladas à desinformação ou ao conhecimento superficial. O adolescente pode conhecer somente a denominação do método, mas desconhece informações importantes como seu funcionamento ou a forma adequada de utilização. Além disso, alguns métodos são pouco conhecidos entre essa população, como o DIU, o diafragma e a contracepção de emergência, o que pode gerar dúvidas e informações incorretas sobre eficácia e utilização. Outra dificuldade comum está na compreensão de que nem todos os métodos protegem simultaneamente contra a gravidez e as IST. Fatores como idade, escolaridade e condições sociais e econômicas também podem influenciar o nível de conhecimento dos adolescentes (Martins et al. 2006).

O acesso aos métodos contraceptivos pelos adolescentes não depende apenas da disponibilidade dos métodos nas unidades de saúde, mas também da oferta de um ambiente acolhedor, de orientação adequada e profissionais qualificados para uma abordagem sobre sexualidade e contracepção que atenda às necessidades e especificidades desse público. A baixa frequência de adolescentes aos serviços de saúde em busca de orientação e assistência, muitas vezes está relacionada ao despreparo profissional aliado a isso existem fatores internos como situações de constrangimento, medo de exposição e preconceito (Alves; Brandão, 2009).

A adesão aos métodos contraceptivos por adolescente é dificultada por questões relacionadas ao relacionamento e às circunstâncias da relação sexual, podendo ser a não utilização na primeira relação, interrupção do uso da contracepção e redução no uso de preservativo quando o relacionamento é permeado por confiança (Alves; Brandão, 2009). Deve-se também a fatores como falta de planejamento da relação sexual, desconfiança nos métodos e rejeição do parceiro à utilização do preservativo (Brêtas et al., 2011).

Em estudo mais recente, Carvalho e Muraoka (2026) discorrem que somente 25,4% dos adolescentes declaram utilizar continuamente métodos contraceptivos, revelando dificuldades no uso regular desses métodos. Como fatores que influenciam na adesão, destacam-se a preocupação com a prevenção de uma gravidez indesejada, o conhecimento sobre o método, o acesso aos contraceptivos, os efeitos colaterais e a percepção sobre eficácia. Ademais, identificou-se questões como vergonha e medo de julgamento como barreiras para a busca por orientação profissional.

Diante disso, as dificuldades relacionadas à contracepção na adolescência não se limitam à falta de informação, envolvendo também o acesso aos serviços e as condições que influenciam a continuidade do uso. Assim, a orientação adequada e o acolhimento dos adolescentes são importantes para favorecer o uso dos métodos contraceptivos.

2.4. Contribuições das Ações Educativas para o Uso Consciente e Seguro dos Métodos Contraceptivos na Adolescência

A educação em saúde tem importante função na orientação dos adolescentes sobre a contracepção, pois permite abordar informações necessárias para o conhecimento, o uso adequado e a escolha dos métodos contraceptivos. Nesse sentido, as ações educativas podem contribuir para diferentes aspectos relacionados à saúde sexual e reprodutiva.

As ações educativas podem contribuir para ampliar o conhecimento dos adolescentes sobre os métodos contraceptivos, principalmente quando apresentam informações sobre suas características, formas de utilização e locais de acesso. Nunes et al. (2022), em uma ação de educação em saúde com adolescentes, identificaram aumento do conhecimento sobre os métodos contraceptivos após as atividades realizadas, além de maior conhecimento sobre onde encontrar a camisinha e sua proteção contra as infecções sexualmente transmissíveis. Esses resultados mostram que as ações educativas podem ajudar a esclarecer informações e reduzir dúvidas envolvendo a contracepção.

Também influenciam positivamente no uso correto e seguro dos métodos contraceptivos, ao orientar os adolescentes sobre sua finalidade e forma adequada de utilização. Numa análise sobre diferentes intervenções educativas, identificou-se o aumento no conhecimento sobre a capacidade preventiva do preservativo contra as infecções e no uso correto desse método após uma intervenção realizada com adolescentes. Dessa forma, a educação em saúde pode contribuir para que os adolescentes compreendam melhor os cuidados necessários durante o uso dos métodos contraceptivos (Praxedes; Queiroz, 2018).

A informação também pode favorecer maior autonomia dos adolescentes nas decisões sobre contracepção. Marques (2023) aponta que as ações educativas contribuem para o autoconhecimento e a autonomia sobre a sexualidade e a capacidade reprodutiva, além de auxiliarem na escolha do método contraceptivo mais adequado, favorecendo decisões mais conscientes sobre a própria saúde sexual e reprodutiva.

A abordagem da contracepção pode contribuir ainda na prevenção da gravidez não planejada e das infecções sexualmente transmissíveis. Lacerda et al. (2025) relatam uma experiência com adolescentes em escolas públicas na qual foram desenvolvidas atividades sobre gravidez não planejada, métodos contraceptivos, uso de preservativos e prevenção das ISTs. Durante os encontros, os estudantes puderam esclarecer dúvidas e discutir situações relacionadas à saúde sexual e reprodutiva. Os achados mostram que a educação em saúde pode ampliar o acesso a informações importantes para a adoção de práticas mais seguras.

Dessa forma, as ações de educação em saúde podem auxiliar significativamente para que os adolescentes tenham mais conhecimento, segurança e autonomia nas escolhas relacionadas à contracepção, favorecendo o uso adequado dos métodos e a prevenção da gravidez não planejada e das ISTs.

3. METODOLOGIA

3.1. Tipo de Pesquisa

O presente estudo é uma pesquisa de natureza qualitativa, do tipo revisão integrativa da literatura, com caráter descritivo e exploratório. Não houve contato direto com seres humanos, sendo utilizados dados secundários e de domínio público. A revisão integrativa permitiu analisar e sintetizar produções científicas sobre as contribuições da educação em saúde na promoção do uso de métodos contraceptivos entre adolescentes.

3.2. Bases de Dados e Procedimentos de Busca

A busca pelos materiais foi realizada nos meses de agosto e setembro de 2026, por meio de consulta eletrônica nas seguintes bases de dados: SciELO (Scientific Electronic Library Online), LILACS (Literatura Latino-Americana e do Caribe em Ciências da Saúde), BDENF (Base de Dados de Enfermagem) e Google Acadêmico. Para o refinamento da busca, foram utilizados os Descritores em Ciências da Saúde (DeCS): Adolescente; Métodos Contraceptivos; Enfermagem; Educação em Saúde; Saúde Sexual e Reprodutiva.

3.3. Critérios de Seleção

Foram incluídos textos disponíveis na íntegra e gratuitamente, publicados em português, espanhol ou inglês, que abordassem diretamente as contribuições da educação em saúde na promoção do uso de métodos contraceptivos entre adolescentes. Excluiu-se artigos duplicados, resumos de eventos, teses de doutorado, dissertações de mestrado e textos sem relação direta com o objetivo do estudo.

3.4. Organização e Análise dos Dados

Os dados coletados foram organizados de forma temática e analisados por meio da comparação das diferentes abordagens e perspectivas dos autores selecionados, buscando responder à pergunta norteadora e analisar as contribuições da educação em saúde na promoção do uso de métodos contraceptivos entre adolescentes. Por tratar-se de uma revisão integrativa da literatura, fundamentada em dados secundários de domínio público, não houve necessidade de submissão ao Comitê de Ética em Pesquisa, conforme estabelece a Resolução nº 510/2016 do Conselho Nacional de Saúde. Foram respeitados os princípios éticos da pesquisa científica, mediante adequada citação das fontes e fidelidade às informações dos autores consultados.

4. RESULTADOS E DISCUSSÕES OU ANÁLISE DOS DADOS

4.1. Caracterização dos Estudos Selecionados

A busca realizada permitiu identificar estudos que atenderam aos critérios estabelecidos para esta revisão. Os estudos selecionados abordaram diferentes estratégias de educação em saúde utilizadas para orientar adolescentes sobre métodos contraceptivos. Para melhor apresentar as características das publicações, foram organizadas informações referentes aos autores, ano, título, objetivo, metodologia e principais resultados, conforme apresentado no Quadro 1.

Quadro 1. Estratégias de educação em saúde para adolescentes

Nome do estudo

Autor/ano

Metodologia

Objetivo

Resultados

Métodos contraceptivos: estratégia educativa com adolescentes

Silva et al. (2009)

Relato de experiência com 20 adolescentes de 12 a 15 anos, utilizando metodologia participativa e atividades lúdicas.

Descrever estratégias educativas sobre métodos contraceptivos para adolescentes.

Identificou déficit de conhecimento sobre alguns métodos e maior conhecimento sobre a camisinha masculina. As atividades participativas favoreceram o envolvimento e a compreensão dos adolescentes.

Participação de adolescentes em ações educativas sobre saúde sexual e contracepção

Queiroz et al. (2017)

Estudo descritivo, com pressupostos da pesquisa-ação, desenvolvido com 30 adolescentes do 8º e 9º anos, por meio de rodas de conversas e oficinas educativas

Descrever a participação de adolescentes em ações educativas sobre saúde sexual e contracepção

Os adolescentes demonstraram conhecimentos, dúvidas e curiosidades sobre a prevenção da gravidez. Destacaram-se o preservativo masculino e a pílula do dia seguinte, mas também foram identificadas dúvidas sobre o uso adequado desses métodos.

Intervenção educacional com história em quadrinhos sobre contraceptivos para adolescentes: estudo quase experimental

Almeida et al. (2025)

Estudo quase experimental, realizado de setembro a outubro/2023, com 62 adolescentes escolares do ensino médio.

Avaliar o conhecimento de adolescentes escolares sobre métodos contraceptivos antes e após intervenção educacional com história em quadrinhos.

Houve aumento significativo do conhecimento dos adolescentes sobre métodos contraceptivos após a intervenção educativa. Os escores permaneceram maiores que os do pré-teste nas avaliações realizadas imediatamente, após sete e após 15 dias, indicando manutenção do conhecimento adquirido.

Oficinas de educação sexual e reprodutiva com adolescentes

Barbosa et al. (2022)

Intervenção educativa em escola pública de Ribeirão Preto/SP, com 131 alunos do ensino fundamental II, organizados em seis oficinas, utilizando jogos, palestra dialogada.

Apresentar a experiência de uma intervenção educativa realizada por enfermeiras e graduandas de enfermagem com alunos de ensino fundamental II, visando à promoção da saúde sexual e reprodutiva.

Os alunos foram receptivos, interessados e apresentaram conhecimento prévio sobre os temas, embora de forma superficial. Demonstraram preocupação com os riscos da gravidez e situações de vulnerabilidade. As oficinas foram avaliadas positivamente, e os alunos sugeriram novos temas para futuras atividades.

Educação sobre o uso de métodos contraceptivos para redução da gravidez na adolescência e planejamento familiar

Nunes et al. (2022)

Relato de extensão com 17 adolescentes do 9º ano de uma escola pública de Sapé-PB, utilizando palestras dinâmicas, videoaulas, discussões, quizzes e materiais educativos, além de ações pelo WhatsApp e Instagram.

Elaborar ações de educação em saúde sobre métodos contraceptivos, gravidez na adolescência e planejamento familiar para adolescentes.

Houve aumento do conhecimento dos adolescentes sobre métodos contraceptivos e sobre onde acessá-los, embora a participação tenha sido prejudicada pela pandemia e pelas dificuldades de acesso à internet.

Educação em saúde: uma revisão sobre prevenção da gravidez na adolescência

Lima Filho et al. (2023)

Revisão integrativa da literatura, com 8 artigos publicados entre 2017 e 2022, encontrados nas bases BVS e SciELO.

Identificar evidências científicas sobre estratégias de educação em saúde utilizadas por enfermeiros para prevenção da gravidez na adolescência.

Destacaram-se palestras (75%), dinâmicas (50%), gincanas (25%), peças teatrais e jogos educativos. As estratégias favoreceram a participação, a construção ativa do conhecimento, a troca de experiências e o diálogo com os adolescentes.

Fonte: Elaborado pelos autores, 2026

4.2. Educação em Saúde e Métodos Contraceptivos

Os estudos analisados apresentaram diferentes estratégias para orientar adolescentes sobre saúde sexual, prevenção da gravidez e métodos contraceptivos. Foram identificadas palestras, rodas de conversa, oficinas, dinâmicas, jogos, quizzes, histórias em quadrinhos, vídeos e utilização de redes sociais. Apesar das diferenças entre as atividades, as estratégias tinham em comum a busca por aproximar os adolescentes do tema e favorecer sua participação.

Silva et al. (2009) e Queiroz et al. (2017) utilizaram estratégias participativas, permitindo que os adolescentes apresentassem seus conhecimentos, dúvidas e curiosidades. Barbosa et al. (2022) também desenvolveu atividades com jogos e palestra dialogada, enquanto Nunes et al. (2022) associou diferentes recursos presenciais e virtuais. Já Almeida et al. (2025) utilizou histórias em quadrinhos como recurso educativo e identificou aumento do conhecimento após a intervenção. E Lima Filho et al. (2023), por sua vez, identificaram maior frequência de palestras e dinâmicas, além de jogos e outras atividades que favoreceram a participação e o diálogo.

Os resultados indicam que as ações educativas podem utilizar diferentes recursos para abordar a contracepção com adolescentes. As estratégias participativas favoreceram espaços para perguntas, discussões e troca de experiências, enquanto recursos como histórias em quadrinhos, vídeos e redes sociais ampliaram as formas de apresentação das informações. Dessa maneira, a educação em saúde pode ser adaptada às características do público e às condições em que as atividades são realizadas.

4.3. Conhecimento, Acesso e Adesão aos Métodos Contraceptivos

Os estudos também evidenciaram dificuldades que podem interferir na utilização dos métodos contraceptivos pelos adolescentes, envolvendo conhecimento, acesso e adesão. Em relação ao conhecimento, Silva et al. (2009), Queiroz et al. (2017) e Barbosa et al. (2022) identificaram que os adolescentes apresentavam conhecimentos prévios sobre contracepção, mas que, em alguns casos, eram superficiais ou acompanhados de dúvidas sobre a utilização correta. Esse resultado se aproxima do observado por Martins et al. (2006), que identificaram diferenças no conhecimento dos adolescentes sobre os métodos contraceptivos e influência de fatores como idade, escolaridade e condições sociais e econômicas.

Quanto ao acesso, Nunes et al. (2022) observaram que as dificuldades de acesso à internet prejudicaram a participação de alguns adolescentes nas atividades realizadas durante a pandemia. Além disso, Alves e Brandão (2009) apontam que o acesso aos métodos contraceptivos não depende apenas da disponibilidade dos insumos, mas também do acolhimento, da orientação e da preparação dos profissionais para atender esse público.

Em relação à adesão, Alves e Brandão (2009) identificaram que aspectos relacionados aos relacionamentos e às circunstâncias da relação sexual podem interferir na utilização dos métodos, incluindo a interrupção da contracepção e a redução do uso do preservativo em relações onde há confiança entre os parceiros. Brêtas et al. (2011) também apontaram fatores como falta de planejamento da relação sexual, desconfiança nos métodos e rejeição do parceiro ao uso do preservativo. Carvalho e Muraoka (2026), em estudo mais recente, identificaram dificuldades relacionadas ao uso contínuo dos métodos, envolvendo conhecimento, acesso, efeitos colaterais, percepção sobre a eficácia, vergonha e medo de julgamento.

Dessa forma, os estudos mostram que as dificuldades relacionadas à contracepção na adolescência não estão concentradas apenas na falta de informação. O conhecimento insuficiente pode coexistir com dificuldades de acesso e com fatores pessoais e relacionais que interferem na adesão aos métodos contraceptivos.

4.4. Ações Educativas para o Uso Consciente e Seguro dos Métodos Contraceptivos

Considerando os resultados encontrados, as ações de educação em saúde apresentaram contribuições principalmente relacionadas à ampliação do conhecimento, ao esclarecimento de dúvidas e à participação dos adolescentes. Almeida et al. (2025) identificou aumento do conhecimento após a intervenção com histórias em quadrinhos, com manutenção de resultados superiores aos do pré-teste nas avaliações posteriores. Silva et al. (2009), Queiroz et al. (2017) e Barbosa et al. (2022) também evidenciaram a importância de criar espaços em que os adolescentes possam participar, questionar e apresentar suas dúvidas.

A participação e o diálogo também foram destacados por Lima Filho et al. (2023), que identificaram estratégias capazes de favorecer a construção do conhecimento e a troca de experiências. Nunes et al. (2022), além de observar aumento do conhecimento, identificou maior compreensão sobre onde acessar os métodos contraceptivos. Esses resultados são relevantes diante das dificuldades de conhecimento e acesso identificadas na literatura.

Assim, os resultados desta revisão indicam que a educação em saúde pode contribuir para ampliar informações, esclarecer dúvidas e orientar os adolescentes sobre os métodos contraceptivos. As diferentes estratégias encontradas também mostram que as ações podem ser adaptadas às características e necessidades desse público, utilizando recursos que favoreçam a participação e o diálogo. Dessa forma, a educação em saúde pode contribuir para favorecer decisões mais conscientes e seguras relacionadas à saúde sexual e reprodutiva.

5. CONCLUSÃO/CONSIDERAÇÕES FINAIS

A educação em saúde contribui para a promoção do uso consciente e seguro de métodos contraceptivos entre adolescentes, principalmente por ampliar o conhecimento, esclarecer dúvidas e orientar sobre as formas de utilização e acesso aos métodos. A pesquisa mostra que essas ações têm maior contribuição quando são desenvolvidas de forma participativa, com linguagem acessível e espaço para diálogo com os adolescentes.

O objetivo geral da pesquisa é alcançado ao identificar, na literatura científica, que a educação em saúde possui papel importante na orientação dos adolescentes sobre a contracepção. Os objetivos específicos também são contemplados, uma vez que são identificadas diferentes estratégias educativas, como rodas de conversa, oficinas, palestras, dinâmicas, jogos, histórias em quadrinhos e recursos audiovisuais, além de serem observadas dificuldades relacionadas ao conhecimento, ao acesso e à utilização dos métodos contraceptivos.

A análise permite compreender que conhecer o nome de um método contraceptivo não significa, necessariamente, saber utilizá-lo de forma adequada. Por isso, a educação em saúde não deve se limitar à transmissão de informações, mas precisa possibilitar o esclarecimento de dúvidas e a compreensão sobre as características, formas de uso e acesso aos métodos. A participação dos adolescentes também se apresenta como um aspecto importante para que as orientações estejam próximas de suas necessidades.

Dessa forma, a principal contribuição desta pesquisa está em evidenciar que as ações educativas podem favorecer maior conhecimento e autonomia dos adolescentes nas decisões relacionadas à saúde sexual e reprodutiva. A educação em saúde, quando realizada de maneira acessível, participativa e adequada à realidade desse público, pode favorecer escolhas mais conscientes e o uso correto e seguro dos métodos contraceptivos.

Como limitação, destaca-se que a pesquisa é baseada em estudos disponíveis na literatura e, portanto, não permite avaliar diretamente o comportamento dos adolescentes após as ações educativas. Assim, novos estudos podem investigar os efeitos dessas estratégias na continuidade do uso dos métodos contraceptivos e nas práticas de proteção adotadas pelos adolescentes.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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1 Discente do Curso Superior de Enfermagem do Centro Universitário Fametro. Campus Parintins. E-mail: [clique para visualizar o e-mail]acesse o artigo original para visualizar o e-mail

2 Discente do Curso Superior de Enfermagem do Centro Universitário Fametro. Campus Parintins. E-mail: [clique para visualizar o e-mail]acesse o artigo original para visualizar o e-mail

3 Discente do Curso Superior de Enfermagem do Centro Universitário Fametro. Campus Parintins. E-mail: [clique para visualizar o e-mail]acesse o artigo original para visualizar o e-mail

4 Discente do Curso Superior de Enfermagem do Centro Universitário Fametro. Campus Parintins. E-mail: [clique para visualizar o e-mail]acesse o artigo original para visualizar o e-mail

5 Docente do Curso Superior de Enfermagem do Centro Universitário Fametro. Campus Parintins. E-mail: [clique para visualizar o e-mail]acesse o artigo original para visualizar o e-mail

6 Professora do Ensino Superior do curso de Enfermagem do Centro Universitário Fametro. _Campus_ Manaus, Doutora em Genética, Conservação e Biologia Evolutiva pelo Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia. E-mail: [clique para visualizar o e-mail]acesse o artigo original para visualizar o e-mail