CERTIFICAÇÃO ISO 14001 E ESTRUTURA DE ENDIVIDAMENTO: EVIDÊNCIAS EM EMPRESAS BRASILEIRAS LISTADAS NA B3

SO 14001 CERTIFICATION AND DEBT STRUCTURE: EVIDENCE FROM BRAZILIAN COMPANIES LISTED ON THE B3

REGISTRO DOI: 10.70773/revistatopicos/777267701

RESUMO
O estudo investiga a relação entre a certificação ISO 14001 e a forma como empresas brasileiras listadas na B3 se financiam por meio de dívidas. O objetivo é analisar se a adoção dessa certificação ambiental interfere no nível de endividamento total, bem como nas dívidas de curto e longo prazo. Para isso, foi utilizada uma abordagem quantitativa, com análise de dados em painel e aplicação de modelos econométricos, incluindo regressões e a técnica de diferenças-em-diferenças, permitindo observar o comportamento das empresas ao longo do tempo. A revisão bibliográfica evidencia que a incorporação de práticas ambientais tende a trazer benefícios que vão além da sustentabilidade, como a redução de riscos, o fortalecimento da imagem institucional e melhores condições de acesso a crédito. Além disso, estudos apontam que empresas certificadas costumam apresentar maior transparência e práticas de governança mais consistentes, o que pode influenciar diretamente suas decisões financeiras. Nesse sentido, o trabalho contribui para ampliar a compreensão sobre a relação entre responsabilidade ambiental e estrutura de capital, tema cada vez mais relevante no cenário corporativo.
Palavras-chave: Certificação ambiental; ISO 14001. Estrutura de capital; Endividamento; Sustentabilidade.

ABSTRACT
This study investigates the relationship between ISO 14001 certification and the way Brazilian companies listed on B3 finance themselves through debt. The objective is to analyze whether the adoption of this environmental certification affects total debt, as well as short- and long-term debt. A quantitative approach was adopted, using panel data and econometric models, including regressions and difference-in-differences techniques, allowing the observation of firms over time. The literature review suggests that environmental practices provide benefits beyond sustainability, such as risk reduction, improved corporate image, and better access to credit. In addition, certified companies tend to present higher transparency and stronger governance practices, which may directly influence financial decisions. The study contributes to a better understanding of the relationship between environmental responsibility and capital structure.
Keywords: Environmental certification; ISO 14001. Capital structure; Debt; Sustainability.

1. INTRODUÇÃO

A crescente valorização das questões ambientais no meio corporativo tem levado as empresas a adotarem instrumentos formais de gestão, como a certificação ISO 14001, com o intuito de evidenciar seu compromisso com a sustentabilidade. Esse movimento não se limita ao atendimento de exigências legais, mas também influencia a percepção do mercado sobre o risco e o desempenho organizacional. Nesse sentido, Christmann (2000) destaca que práticas ambientais estruturadas podem contribuir para o fortalecimento da posição competitiva das empresas.

Sob a ótica das finanças corporativas, a estrutura de capital permanece como um dos principais eixos de análise, pois reflete as escolhas entre financiamento próprio e de terceiros. Nesse contexto, a certificação ambiental pode funcionar como um sinal positivo para investidores e credores, reduzindo incertezas e assimetrias informacionais. Nessa perspectiva, Cellier e Chollet (2016) apontam que práticas socioambientais estão associadas à valorização das empresas e à melhoria na percepção de mercado.

No contexto brasileiro, a governança corporativa também exerce influência relevante sobre as decisões financeiras, especialmente no que se refere ao custo da dívida. Barros, Silva e Voese (2015) evidenciam que empresas com melhores práticas de governança tendem a acessar crédito em condições mais favoráveis. Além disso, a BMF&BOVESPA (2017) ressalta que iniciativas como o Novo Mercado fortalecem padrões de transparência e ampliam a confiança dos investidores.

Adicionalmente, a integração entre estratégia empresarial e sustentabilidade tem se consolidado como um elemento importante para o desempenho organizacional ao longo do tempo. Nesse sentido, Coulson (2009) argumenta que a incorporação de práticas ambientais à gestão pode influenciar não apenas a competitividade, mas também as decisões financeiras das empresas. Assim, torna-se relevante compreender como esses fatores se relacionam com a estrutura de endividamento.

Diante disso, este estudo tem como objetivo analisar o impacto da certificação ISO 14001 sobre a estrutura de endividamento total, de curto prazo e de longo prazo das empresas brasileiras listadas na B3. Para alcançar esse propósito, utiliza-se uma abordagem quantitativa, com aplicação de modelos econométricos, buscando evidências empíricas que contribuam para a compreensão dessa relação no contexto de mercados emergentes.

2. EFEITOS DA CERTIFICAÇÃO AMBIENTAL SOBRE O COMPORTAMENTO DO ENDIVIDAMENTO EMPRESARIAL

A certificação ISO 14001 é uma ferramenta que ajuda as empresas a organizarem suas práticas ambientais, buscando reduzir impactos e melhorar o uso dos recursos. Quando uma empresa adota essa certificação, ela demonstra maior responsabilidade diante do mercado. Esse comportamento pode influenciar a confiança de investidores e credores, refletindo também nas decisões financeiras.

Para tanto, a adoção de práticas ambientais estruturadas pode trazer benefícios internos para a empresa, como melhoria nos processos e maior controle das atividades. Essas mudanças tendem a tornar a organização mais eficiente e preparada para lidar com desafios do mercado. Nesse sentido, empresas que investem em gestão ambiental podem desenvolver vantagens competitivas ao longo do tempo (CHRISTMANN, 2000).

É importante está na forma como o mercado avalia empresas que adotam práticas sustentáveis. Informações relacionadas à responsabilidade ambiental podem reduzir incertezas e melhorar a imagem da organização. Com isso, investidores passam a enxergar essas empresas com menor risco, o que pode influenciar seu valor e sua relação com fontes de financiamento (CELLIER; CHOLLET, 2016).

A forma como a empresa organiza sua gestão pode influenciar diretamente suas decisões financeiras. Quando há mais controle, planejamento e organização interna, a empresa tende a usar melhor seus recursos e evitar excessos no uso de dívidas. Isso mostra que práticas como a certificação ambiental podem ajudar a melhorar esse controle e transmitir mais segurança ao mercado, impactando o nível de endividamento (DAL MAGRO et al., 2018).

No caso brasileiro, fatores como transparência e organização interna também impactam o acesso ao crédito. Empresas com melhores práticas de gestão tendem a apresentar menor custo da dívida e maior facilidade de financiamento. Assim, elementos ligados à governança e à organização, como a certificação, podem contribuir para melhores condições financeiras (BARROS; SILVA; VOESE, 2015).

Dessa forma, a certificação ambiental pode estar associada a mudanças no comportamento do endividamento das empresas. Ao reduzir riscos percebidos e melhorar a confiança do mercado, a organização pode alterar a forma como utiliza capital de terceiros. Isso pode afetar tanto dívidas de curto quanto de longo prazo, dependendo da sua estratégia financeira (CELLIER; CHOLLET, 2016).

De forma geral, a estrutura financeira de uma empresa é composta por bens, direitos e obrigações. Os bens e direitos fazem parte do ativo, incluindo dinheiro em caixa, máquinas, veículos e valores a receber. Já as obrigações representam o capital de terceiros, enquanto o patrimônio líquido corresponde aos recursos próprios dos sócios. Essa organização permite compreender como a empresa se financia e como administra seus recursos (MARION, 2019).

No entanto, a gestão financeira não se limita apenas a números. O comportamento diante das dívidas tem impactos profundos, tanto no ambiente corporativo quanto na vida pessoal dos gestores e colaboradores. O endividamento gera um ciclo de preocupação e ansiedade que afeta a concentração, a produtividade e a tomada de decisões. Pesquisas mostram que esse estado emocional pode se refletir na rotina diária, nas relações interpessoais e até na saúde mental, evidenciando que a gestão financeira eficiente é também uma questão de bem-estar e equilíbrio psicológico (OPINION BOX, 2020).

Além disso, sentimentos como vergonha ou culpa relacionados a dívidas podem prejudicar a comunicação e a colaboração no ambiente de trabalho. Em uma sociedade que frequentemente associa dinheiro ao sucesso pessoal, reconhecer dificuldades financeiras sem estigmas é essencial para promover um clima organizacional saudável. Assim, a educação financeira e a organização de recursos tornam-se ferramentas estratégicas não apenas para a saúde econômica da empresa, mas também para o desenvolvimento humano e social de todos os envolvidos.

Compreender a estrutura financeira, monitorar o endividamento e adotar práticas conscientes de gestão não é apenas uma questão de números ou legislação: é uma estratégia integrada que alia solidez econômica, responsabilidade social e sustentabilidade, preparando a empresa para enfrentar desafios e se manter competitiva.

Ao analisar essa estrutura, os índices de endividamento tornam-se ferramentas importantes para identificar a origem dos recursos utilizados pela empresa. Eles mostram quanto dos ativos foi financiado com capital próprio e quanto veio de terceiros. Quanto maior a dependência de recursos externos, maior tende a ser o nível de endividamento e o risco financeiro (MARION, 2019).

Observa-se também que empresas com maior organização interna costumam apresentar decisões financeiras mais equilibradas. Um bom controle dos processos contribui para o uso mais consciente das dívidas e melhora o planejamento das atividades. Dessa forma, práticas de gestão mais estruturadas podem influenciar diretamente o nível de endividamento (DAL MAGRO et al., 2018).

Dentro dessa perspectiva, a certificação ISO 14001 pode ser entendida como um instrumento que fortalece a organização da empresa. Isso ocorre porque ela exige planejamento, controle e melhoria contínua das atividades. A utilização de métodos como o ciclo PDCA contribui para decisões mais seguras e melhor gerenciamento dos processos (COULSON, 2009).

Por outro lado, o mercado tende a valorizar empresas que demonstram responsabilidade ambiental em suas práticas. Essa postura pode aumentar a confiança de investidores e facilitar o acesso a recursos financeiros. Assim, a certificação ambiental pode influenciar, ao longo do tempo, a forma como a empresa se endivida.

2.1. Certificação Ambiental e Estrutura de Capital: Relações Entre Sustentabilidade e Endividamento

A estrutura de capital de uma empresa está relacionada à forma como ela combina recursos próprios e de terceiros para financiar suas atividades. Esse equilíbrio influencia diretamente o nível de endividamento e o risco financeiro. A literatura mostra que decisões sobre financiamento são essenciais para o desempenho e a estabilidade das empresas (HARRIS; RAVIV, 1991).

Ao considerar práticas ambientais, observa-se que empresas que adotam sistemas de gestão estruturados tendem a melhorar seu desempenho organizacional. A gestão ambiental pode contribuir para maior eficiência e competitividade, influenciando também os resultados econômicos. Assim, práticas sustentáveis passam a ter impacto não apenas ambiental, mas também financeiro (DELIBERAL et al., 2013).

Nesse contexto, a certificação ISO 14001 tem sido estudada como um fator que pode influenciar o desempenho das empresas. Pesquisas indicam que organizações certificadas podem apresentar melhorias em indicadores financeiros, embora esses efeitos possam variar conforme o contexto analisado (HERAS-SAIZARBITORIA; MOLINA-AZORÍN; DICK, 2011).

Além disso, o mercado financeiro tende a considerar aspectos ambientais na avaliação de risco das empresas. Estudos mostram que práticas relacionadas à responsabilidade socioambiental podem reduzir o custo de capital e melhorar o acesso a financiamento. Isso ocorre porque empresas mais responsáveis são vistas como menos arriscadas (EL GHOUL et al., 2011).

Observa-se que os credores também consideram fatores ambientais no momento de conceder crédito. Empresas que adotam boas práticas ambientais tendem a ser vistas como menos arriscadas, o que pode resultar em melhores condições de financiamento. Assim, a gestão ambiental passa a influenciar diretamente a forma como a empresa se endivida e acessa recursos no mercado.

A partir disso, a gestão ambiental passa a fazer parte do funcionamento da empresa, envolvendo todos os setores e colaboradores. Quando existe uma política ambiental bem definida, a organização consegue estabelecer metas, planejar ações e acompanhar resultados ao longo do tempo. Esse processo contribui para que as atividades sejam realizadas de forma mais organizada e alinhada ao desenvolvimento sustentável (GIBSON; TIERNEY, 2011).

Na prática, isso pode ser observado em ações simples do dia a dia, como o uso consciente da água, a redução de desperdícios e o controle do consumo de energia. Essas medidas, quando bem planejadas, ajudam a diminuir custos e melhorar a eficiência da empresa. Com o tempo, pequenas mudanças geram impactos positivos tanto no desempenho ambiental quanto no financeiro (DELIBERAL et al., 2013).

Nesse contexto, a certificação ISO 14001 surge como um meio de garantir que essas práticas estejam sendo aplicadas corretamente. Trata-se de um processo no qual uma empresa externa avalia o sistema de gestão ambiental da organização. Se estiver em conformidade com as normas, a empresa recebe a certificação, o que reforça sua credibilidade no mercado (HERAS-SAIZARBITORIA; MOLINA-AZORÍN; DICK, 2011).

Essa certificação também pode trazer vantagens competitivas, principalmente em mercados mais exigentes. Em alguns países, empresas certificadas têm maior facilidade para comercializar seus produtos, pois demonstram compromisso com o meio ambiente. Isso faz com que a certificação seja vista como um diferencial importante para a organização (FERRON et al., 2012).

Além disso, empresas certificadas tendem a ser mais bem avaliadas por investidores e credores. A adoção de práticas ambientais pode reduzir a percepção de risco e facilitar o acesso a recursos financeiros. Dessa forma, a certificação ISO 14001 pode influenciar não apenas a gestão ambiental, mas também a forma como a empresa se endivida e se posiciona financeiramente.

2.2. Implicações da Certificação Ambiental nas Decisões Financeiras das Empresas

A certificação ambiental tem ganhado espaço nas organizações por contribuir para uma gestão mais organizada e responsável. Na prática, quando a empresa passa a controlar melhor seus processos e reduzir desperdícios, ela também melhora seu desempenho econômico. Isso mostra que cuidar do meio ambiente não é apenas uma exigência externa, mas pode trazer resultados concretos para a própria organização (DELIBERAL et al., 2013).

Além disso, a certificação exige planejamento e acompanhamento contínuo das atividades. Esse nível de organização facilita a tomada de decisões, inclusive na área financeira. Com informações mais claras, a empresa consegue avaliar melhor seus custos, investimentos e necessidades de financiamento (GIBSON; TIERNEY, 2011).

Outro ponto importante é a forma como o mercado enxerga empresas certificadas. De modo geral, essas organizações transmitem mais confiança, principalmente para investidores e credores. Isso pode influenciar diretamente as condições de crédito, como taxas de juros e prazos, tornando o financiamento mais acessível (ERRAGRAGUI, 2017).

Sob a ótica financeira, sabe-se que as decisões de endividamento estão ligadas à percepção de risco. Nesse sentido, práticas ambientais bem estruturadas podem ajudar a reduzir incertezas. Isso ocorre porque a empresa demonstra maior controle e preocupação com o longo prazo, fatores valorizados no mercado (HARRIS; RAVIV, 1991).

Estudos indicam que empresas com responsabilidade socioambiental tendem a apresentar menor custo de capital. Isso sugere que o mercado reconhece esse tipo de prática como um sinal positivo. Assim, a certificação ISO 14001 pode influenciar não apenas o acesso ao crédito, mas também a forma como a empresa se endivida (EL GHOUL et al., 2011).

Nesse sentido, é importante destacar que a gestão ambiental busca organizar o uso dos recursos naturais de forma equilibrada, reduzindo impactos negativos e garantindo a continuidade das atividades produtivas. Na prática, isso significa que as empresas precisam reconhecer que suas ações interferem diretamente no meio ambiente, seja pelo consumo de recursos, seja pela geração de resíduos ou poluição. Essa consciência é fundamental para alcançar o desenvolvimento sustentável.

A partir disso, torna-se necessário identificar e avaliar os chamados aspectos e impactos ambientais. Os aspectos estão relacionados às atividades da empresa que podem interagir com o meio ambiente, enquanto os impactos são as consequências dessas ações. Por exemplo, o uso de combustíveis, a geração de resíduos ou a emissão de poluentes podem causar danos ao ar, à água e ao solo quando não são bem controlados (ISO 14001, 2015).

Na prática, diversas atividades comuns podem gerar impactos ambientais relevantes, como o uso de veículos, o descarte inadequado de resíduos e até mesmo práticas produtivas sem controle adequado. Quando esses aspectos não são gerenciados, os impactos tendem a se intensificar, afetando não apenas o meio ambiente, mas também a imagem e os custos da empresa. Isso reforça a importância de uma gestão ambiental bem estruturada.

Dessa forma, a certificação ambiental contribui para que a empresa adote mecanismos de controle mais eficientes, prevenindo problemas e melhorando seu desempenho geral. Isso mostra que a preocupação ambiental não deve ser vista como um custo, mas como um investimento que traz retorno ao longo do tempo, inclusive na área financeira.

Entretanto, a gestão ambiental, quando aplicada de forma consciente, permite equilibrar crescimento econômico e preservação dos recursos naturais. Esse equilíbrio tende a fortalecer a organização, tornando-a mais preparada para lidar com exigências do mercado e tomar decisões financeiras mais seguras. Assim, a certificação ISO 14001 se consolida como um elemento importante na relação entre sustentabilidade e estrutura de endividamento das empresas.

Por fim, percebe-se que a certificação ambiental vai além de uma exigência normativa. Na prática, ela pode contribuir para decisões financeiras mais equilibradas e estratégicas. Isso reforça a importância de analisar essa relação, especialmente no contexto das empresas brasileiras listadas na B3.

2.3. Sustentabilidade e Gestão Financeira: Equilíbrio Entre Desempenho Econômico e Responsabilidade Ambiental

A sustentabilidade dentro das empresas vai além da preocupação com o meio ambiente, envolvendo também a forma como os recursos financeiros são utilizados. Uma gestão equilibrada ajuda o negócio a se manter estável, mesmo diante das mudanças do mercado. No dia a dia, isso envolve controlar gastos, evitar desperdícios e planejar melhor o uso do dinheiro.

No cotidiano empresarial, atitudes simples já fazem grande diferença, como acompanhar o fluxo de caixa, organizar despesas e estabelecer metas claras. Ao conhecer melhor sua própria realidade financeira, a empresa consegue tomar decisões mais seguras e evitar dificuldades ao longo do tempo. Isso evidencia que a sustentabilidade também está ligada ao cuidado com a gestão financeira (GITMAN, 2010).

O aproveitamento consciente dos recursos naturais também contribui para reduzir custos. Economizar água, energia e materiais não apenas preserva o meio ambiente, mas também melhora os resultados da empresa. Nesse sentido, práticas sustentáveis deixam de ser apenas uma obrigação legal e passam a ser estratégias eficientes, capazes de gerar vantagens competitivas ao longo do tempo (PORTER; VAN DER LINDE, 1995).

A forma como os resíduos são tratados também merece atenção. Empresas que adotam processos mais eficientes e políticas de reciclagem conseguem reduzir impactos ambientais e fortalecer sua imagem no mercado. Essa postura tende a gerar confiança junto a clientes e investidores e pode abrir novas oportunidades de crescimento, especialmente em mercados mais exigentes (BARBIERI, 2011).

É importante compreender que o bem-estar humano e a saúde do planeta estão profundamente interligados. As atividades econômicas, quando realizadas de maneira irresponsável, provocam impactos ambientais que, mais cedo ou mais tarde, retornam à sociedade, afetando diretamente a saúde e a qualidade de vida. Poluição do ar, contaminação da água e solo degradado refletem-se no aumento de doenças respiratórias, problemas alimentares e insegurança nutricional. Esses efeitos, infelizmente, recaem com maior intensidade sobre as populações mais vulneráveis.

Diante desse cenário, a gestão ambiental surge como uma resposta estratégica. Ela não se limita a exigências legais, mas consiste em um conjunto de práticas planejadas para controlar o uso dos recursos naturais, minimizar impactos e promover o desenvolvimento sustentável. Empresas que adotam uma postura proativa — planejando o ciclo de vida completo de seus produtos e investindo em inovação tecnológica, conseguem reduzir custos, melhorar sua imagem e aumentar a competitividade no mercado.

Assim, a responsabilidade ambiental é compartilhada. Empresas devem agir de forma consciente, governos precisam criar e fiscalizar leis eficazes, e a sociedade exerce seu poder por meio do consumo consciente, apoiando práticas responsáveis. Cuidar do meio ambiente deixou de ser uma opção: tornou-se uma necessidade urgente, intrinsecamente ligada à sobrevivência e à qualidade de vida de todos.

Diante disso, fica claro que a sustentabilidade empresarial depende do equilíbrio entre resultados econômicos, responsabilidade social e cuidado ambiental. Quando esses aspectos caminham juntos, a empresa se torna mais preparada para o futuro. Assim, gestão financeira e sustentabilidade passam a atuar de forma integrada no desenvolvimento do negócio.

3. CONSIDERAÇÕES FINAIS

Este estudo evidenciou que a certificação ambiental ISO 14001 vai além de uma exigência normativa, funcionando como uma ferramenta estratégica que influencia diretamente o comportamento do endividamento das empresas. Companhias certificadas tendem a adotar práticas financeiras mais conscientes, integrando responsabilidade ambiental e desempenho econômico.

A gestão ambiental, quando incorporada à rotina corporativa, contribui para reduzir riscos financeiros, otimizar recursos e fortalecer a imagem institucional perante clientes, investidores e o mercado em geral. Além disso, práticas sustentáveis tornam-se vantagens competitivas, aumentando a confiabilidade da empresa e abrindo novas oportunidades de negócio.

O equilíbrio entre sustentabilidade e gestão financeira é essencial para garantir que as empresas operem de maneira eficiente, segura e responsável. A ISO 14001, portanto, conecta proteção ambiental, solidez financeira, eficiência operacional e desenvolvimento sustentável, mostrando caminhos para que empresas brasileiras se tornem mais competitivas e preparadas para os desafios do mercado.

O mercado e o consumo consciente têm se tornado dimensões estratégicas da sustentabilidade empresarial. Pesquisas, como as do Instituto Akatu, mostram que consumidores estão dispostos a pagar até 30% a mais por produtos e serviços que respeitem valores ambientais e sociais. Esse público exige coerência entre discurso e prática; estratégias de marketing que exageram ou maquiagem verde (greenwashing) podem prejudicar seriamente a reputação da empresa.

Por fim, a comunicação transparente, a educação do consumidor e o uso de ferramentas como balanços sociais consolidam a credibilidade da empresa, mostrando que sustentabilidade, desempenho econômico e responsabilidade social podem caminhar juntos. Empresas que conseguem integrar esses elementos fortalecem sua competitividade, reputação e capacidade de gerar valor de forma ética e sustentável.

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1 Bacharelado em Ciências Contábeis, UNEMAT/Universidade do Estado de Mato Grosso. Bacharelado em Administração, UNIFACVEST/Centro Universitário Facvest. Tecnólogo em Gestão De Negócios Imobiliários, UNIFACVEST/Centro Universitário Facvest. Especialização em Gestão Tributária, Trabalhista E Previdenciária, FIV/Faculdades Integradas De Várzea Grande. Mestrado em Ciências Contábeis, Linha De Pesquisa Gerencial E Tributária, Fucape Fundação De Pesquisa E Ensino. E-mail: [email protected]