CÂNCER DE MAMA X DIAGNÓSTICO POR IMAGEM: REVISÃO INTEGRATIVA

BREAST CANCER AND DIAGNOSTIC IMAGING: AN INTEGRATIVE REVIEW

REGISTRO DOI: 10.70773/revistatopicos/774634899

RESUMO
O câncer de mama é uma das doenças que mais mata mulheres no Brasil e no mundo, portanto é importante que seja diagnosticado precocemente. Uma das formas mais adequadas de ser diagnosticado é por meio de exames de imagem pela sua alta sensibilidade. Este estudo tem como finalidade revisar artigos científicos de 2019 até 2024 contendo a temática do diagnóstico de câncer mama por meio da ultrassonografia, mamografia ou ressonância magnética. Além disso, indicar o método mais apropriado de rastreio de acordo com o tecido mamário da paciente, e apresentar maneiras de evitar resultados falsos-positivos ou negativos. As seis palavras-chave foram utilizadas nas bases de dados PubMed, BVS e SciELO, a fim de seguir os critérios de inclusão para encontrar artigos em português ou inglês, que retratassem a temática inicial e respondessem à pergunta de pesquisa “qual o melhor exame de imagem para diagnosticar câncer de mama, de acordo com o tecido mamário da paciente?”. Os critérios de exclusão se resumem aos artigos duplicados, aos que fugiram do tema e aos que não responderam à pergunta de pesquisa. Como resultado, onze estudos foram recuperados e analisados para trazer fundamento a esse texto. Apesar de haver algumas discrepâncias entre eles, foram capazes de justificar a importância de se avaliar a densidade mamária antes de escolher um dos três exames de imagem. Os estudos analisados indicaram que a ressonância magnética e a ultrassonografia são métodos mais eficazes para mamas densas, enquanto a mamografia é a técnica preferencial para mamas com menor densidade.
Palavras-chave: Câncer de mama. Diagnóstico por imagem. Tecido mamário. Mamografia. Ressonância magnética.

ABSTRACT
Breast cancer is one of the diseases that kills the most women in Brazil and around the world, so it is important that it is diagnosed early. One of the most specific ways to demonstrate this is through imaging exams due to its high sensitivity. This study aims to review scientific articles from 2019 to 2024 about diagnosing breast cancer using ultrasound, mammography or magnetic resonance imaging. Furthermore, to indicate the most appropriate screening method according to the patient's breast tissue, and to present ways to avoid false-positive or negative results. The six keywords were written in the PubMed, BVS and SciELO databases, to follow the inclusion criteria to find articles in Portuguese or English, which portrayed the initial theme and answered the research question “which one is the best imaging test to diagnose breast cancer, according to the patient's breast tissue?”. The exclusion criteria are limited to duplicated articles, those that deviated from the topic and those that did not answer the research question. As a result, eleven studies were retrieved and analyzed to provide basis for this text. Although there were some discrepancies between them, they were able to justify the importance of evaluating breast density before choosing one of the three imaging tests. The studies analyzed indicated that magnetic resonance imaging and ultrasound are more effective methods for dense breasts, while mammography is the preferred technique for breasts with lower density.
Keywords: Breast cancer. Imaging diagnosis. Breast tissue. Mammography. Magnetic resonance.

RESUMEN
El cáncer de mama es una de las principales causas de muerte en mujeres en Brasil y en todo el mundo, por lo que el diagnóstico temprano es crucial. Uno de los métodos de diagnóstico más eficaces son las pruebas de imagen debido a su alta sensibilidad. Este estudio busca revisar artículos científicos de 2019 a 2024 que abordan el diagnóstico de cáncer de mama mediante ecografía, mamografía o resonancia magnética. Además, busca identificar el método de cribado más adecuado según el tejido mamario de la paciente y presentar maneras de evitar resultados falsos positivos o falsos negativos. Se utilizaron seis palabras clave en las bases de datos PubMed, BVS y SciELO para cumplir con los criterios de inclusión y encontrar artículos en portugués o inglés que abordaran el tema inicial y respondieran a la pregunta de investigación: "¿Cuál es la mejor prueba de imagen para diagnosticar cáncer de mama, según el tejido mamario de la paciente?". Los criterios de exclusión incluyeron artículos duplicados, artículos que se desviaban del tema y artículos que no respondían a la pregunta de investigación. Como resultado, se recuperaron y analizaron once estudios para fundamentar este texto. Aunque hubo algunas discrepancias entre ellos, pudieron justificar la importancia de evaluar la densidad mamaria antes de elegir uno de los tres estudios de imagen. Los estudios analizados indicaron que la resonancia magnética y la ecografía son métodos más eficaces para mamas densas, mientras que la mamografía es la técnica preferida para mamas con menor densidad.
Palabras-clave: Cáncer de mama. Diagnóstico por imagen. Tejido mamario. Mamografía. Resonancia magnética.

1. INTRODUÇÃO

O câncer é uma doença muito discutida e estudada, pois atinge todas as áreas do corpo humano, podendo muitas vezes ser tratado e curado quando diagnosticado precocemente. O seu diagnóstico já foi um desafio, mas, ao longo dos anos, vem sendo aprimorado e facilitado pela tecnologia. Muitas vezes, o tratamento é difícil, com baixas chances de o paciente sobreviver, dependendo do estágio em que a doença se encontra, então, visa-se ao diagnóstico prévio a fim de preservar a saúde do paciente (Pinheiro et al., 2019).

Um dos tipos de câncer que recebem destaque no Brasil é o de mama, pois é o principal câncer que leva mulheres a óbito, chegando a cerca de 11,71 óbitos a cada 100 mil mulheres, em 2021, segundo o Instituto Nacional de Câncer (2023). Além disso, o diagnóstico precoce é o que possibilita encontrar mais opções terapêuticas e reduzir a morbidade do tratamento. A maneira mais apropriada de se diagnosticar essa doença é por meio de exames de imagem como ultrassonografia, mamografia e ressonância magnética (Urban et al., 2023).

A história dos exames de imagem começou com o estudo da radiação, juntamente com a radiologia, quando, em 1895, o físico alemão Wilhelm Conrad Roentgen posicionou a mão esquerda de sua esposa no chassi e obteve uma imagem em um filme fotográfico. Poucas décadas antes, o químico e físico inglês William Crookes inventou um equipamento capaz de medir radiação, o radiômetro (Pacheco; Reis, 2023). Os exames de imagem existentes hoje com toda essa tecnologia, mesmo os que não utilizam radiação, foram desenvolvidos a partir dessas ideias.

Nesse sentido, os exames de imagem realizados no intuito de diagnosticar o câncer de mama em clínicas e hospitais, atualmente, são de mamografia, de ultrassonografia e de ressonância magnética. Entre esses, apenas o primeiro envolve radiação, pois o mamógrafo obtém raios-x em doses mais baixas, atravessando o tecido mamário quando as duas placas da máquina comprimem a mama (Elias, 2020). Entretanto, a ultrassonografia é feita em um aparelho chamado transdutor onde as ondas de som chegam até a estrutura a ser avaliada e retornam como um eco, permitindo a visualização da imagem (Posses, 2024). O exame de ressonância magnética ocorre por meio de um campo magnético forte, o qual emite um rádio sinal que é captado por uma antena e transformado em imagem (Biasoli, 2016).

Apesar de existirem muitos estudos e artigos atuais sobre o assunto, ainda se discute sobre o exame mais adequado para ser realizado, de acordo com o tecido mamário da paciente. É preciso colocar em pauta que o antigo princípio de que antes dos 40 anos de idade apenas a ultrassonografia é aplicável, e, depois, apenas a mamografia (Fayer et al., 2020). Isso se deve, por exemplo, ao fato de que, com o avanço da tecnologia, a ressonância magnética se tornou capaz de complementar o rastreio de câncer em mamas densas (Urban et al., 2023). Além disso, não se deve correr o risco de um resultado falso-positivo ou falso-negativo que prejudicará a saúde da mulher, podendo levá-la a óbito por falta de conhecimento sobre qual exame de imagem deveria ter sido aplicado no caso dela. Dessa forma, o presente estudo tem como finalidade a realização de uma revisão integrativa sobre o uso de exames de imagem para o diagnóstico de câncer de mama.

1.1. OBJETIVOS

  • 1.1.1. Objetivo Geral
    Realizar uma revisão integrativa de artigos científicos sobre o diagnóstico de câncer de mama por meio dos exames de imagem de mamografia, de ultrassonografia e de ressonância magnética.

  • 1.1.2. Objetivos Específicos
    Pesquisar o exame de imagem mais adequado para o diagnóstico de câncer de mama, de acordo com o tecido mamário da mulher. E indicar métodos que evitem falsos-positivos ou falsos-negativos para câncer de mama nos exames de imagem.

2. REFERENCIAL TEÓRICO

O câncer de mama acomete muitas mulheres no Brasil e no mundo, por ser uma doença causada pela multiplicação desordenada das células mamárias (INCA, 2022). Assim como os outros tipos de câncer, não existe uma cura, mas existem tratamentos. Ao redor do mundo, foram diagnosticados uma estimativa de 2,1 milhões de novos casos de câncer de mama em mulheres no ano de 2018 (Cardoso et al., 2019) e, no Brasil, aproximadamente 60 mil, em 2019 (Quintanilha et al., 2019). Por esse motivo é uma das principais causas de morte em mulheres, e os exames de imagem são a melhor forma de se identificar essa doença para garantir o tratamento precoce. Há um sistema denominado BI-RADS (Breast Imaging Reporting and Data System), aceito mundialmente, que consiste em estimar a possibilidade de uma imagem das mamas conter câncer (Merjane et al., 2024). Essa estimativa contém um valor que varia de 1, com a interpretação de não ser câncer, a 5, com risco alto de ser câncer. Enquanto isso, o número 0 indica que outros exames de imagem precisam ser feitos antes da conclusão, e o número 6 indica que o câncer já foi comprovado.

O diagnóstico por imagem, junto com a área de estudo da radiologia, não costuma ter procedimentos invasivos, e, por esse motivo, são muitas vezes preferíveis entre os médicos na avaliação de casos. É uma maneira de visualizar os órgãos internos do corpo para investigar possíveis problemas. Os exemplos de exames de imagem mais comuns são os raios-X, tomografia computadorizada, ultrassonografia, mamografia e ressonância magnética, sendo esses três últimos os que os ginecologistas mais indicam no rastreio do câncer de mama devido à sua sensibilidade de captação de imagens (Pereira et al., 2020). É possível observar a eficiência de uma imagem de mamas por ultrassonografia na Figura 1 a seguir.

Figura 1: Ultrassonografia em mulher de 70 anos com câncer de mama lobular invasivo mostra massa hipoecócia irregular com margens angulares (seta).

Fonte: Eghtedari et al., 2021.

A mamografia é um exame da radiologia que usa a radiação para capturar a imagem das estruturas da mama. O aspecto mais significativo dos equipamentos mamográficos é o desenho único do seu tubo de raios-X, o qual possui a intensidade necessária para penetrar na base mais espessa da mama (Biasoli, 2016). Esse exame, a princípio, é o mais pedido por ginecologistas no rastreio de câncer de mama por ter uma implementação mais simples e a vantagem de comparar com mamografias anteriores (Becker, 2015).

A ultrassonografia, ou ultrassom, é um exame de imagem que não utiliza a radiação, mas sim ondas transdutoras de alta frequência. Diferente da mamografia, esse exame não é específico apenas para as mamas, porque consegue investigar várias outras partes do corpo, como pescoço, punhos, pés, e partes internas, como fígado, bexiga, entre outros. Inicialmente o ultrassom de mamas tem sido requisitado a fim de facilitar o diagnóstico de câncer junto com o laudo da mamografia, porque depende da densidade do tecido mamário da mulher (Philadelpho et al., 2021).

A ressonância magnética também não utiliza a radiação, mas sim, bobinas de radiofrequência que enviam pulsos de ondas de rádio para os pacientes, as quais são produzidas quando expostas a um forte campo magnético (Biasoli, 2016). O diagnóstico de várias doenças, como lesões musculoesqueléticas, problemas neurológicos e doenças cardíacas, depende das imagens de ressonância magnética, pois os sinais são utilizados pelo computador para criar representações detalhadas das estruturas internas do corpo, de forma que outros exames não conseguem. É considerada uma maneira sensível de diagnosticar câncer de mama, porque os tumores encontrados costumam ter perfil biológico mais agressivo em comparação com os achados na mamografia (Almeida et al., 2023).

Acresce dizer que é possível definir o termo “densidade” pela relação entre a massa e o volume de um material; portanto, a densidade das mamas é a proporção entre o tecido adiposo e o tecido fibroglandular do corpo (Benedik et al., 2020). É algo variável entre as mulheres, pois depende de genética, dos estímulos hormonais e das dietas. Quanto mais densa é a mama, mais difícil será investigar prováveis problemas, porque a densidade, por exemplo, é o que dificulta a visualização na mamografia. Cores esbranquiçadas ou como um cinza claro em um exame de imagem de mamas é o que representa esse tecido do corpo, e as manchas que aparecem nessas imagens têm cores semelhantes em muitas das vezes, o que complica a diferenciação entre os dois (Mann et al., 2022). É possível enxergar essa descrição na Figura 2 que apresenta um tecido mamário uniforme de cor cinza por ser mais denso, enquanto na Figura 3 o tecido não está todo uniforme e apresenta regiões com cores mais escuras indicando a menor densidade. Biologicamente é comum que as mamas das mulheres percam densidade conforme a idade avança, então se tornou habitual o pedido de mamografia após os 40 anos (Cardoso et al., 2019). Além de tudo isso, há um avanço ocorrendo nessa área por meio de tecnologias emergentes, como a tomossíntese mamária (mamografia 3D) e o uso da inteligência artificial na interpretação das imagens (Gao et al., 2019; Urban et al., 2023).

Figura 2 e 3: Comparação entre aspecto de mama densa e pouco densa, respectivamente, vistas por mamografia, em que na segunda imagem há um achado palpável (seta). 

Fonte: Barra, 2015; Eghtedari et al., 2021.

3. METODOLOGIA

Esse estudo foi realizado por meio de uma revisão integrativa, também conhecida como revisão integrativa da literatura. É um método de pesquisa que combina a análise de estudos de pesquisas existentes em um determinado campo ou tópico de estudo, além de sintetizar o conhecimento existente sobre um tema específico, que, nesse caso, é o diagnóstico de câncer de mama por exames de imagem. Visou-se estabelecer, com a apresentação dos dados, um padrão que evitasse falsos-negativos e falsos-positivos.

O processo de realização dessa revisão integrativa incluiu as seguintes etapas: formulação da pergunta de pesquisa, busca sistemática de literatura, seleção e triagem dos estudos, extração de dados, síntese de resultados, apresentação dos resultados, discussão e conclusão. A pergunta de pesquisa é: qual o melhor exame de imagem para diagnosticar câncer de mama, de acordo com o tecido mamário da paciente?

Para o levantamento dos artigos, realizou-se uma busca nas bases de dados Scientific Electronic Library Online (SciELO), Portal Regional da Biblioteca Virtual em Saúde (BVS) e no website da PubMed. Foram utilizadas, para busca dos conteúdos, os termos “câncer de mama”, “diagnóstico por imagem”, “mamografia”, “tecido mamário”, “ultrassonografia” e “ressonância magnética”. Os conectores “e” ou “and” foram escritos junto às palavras-chave no momento de busca nas três bases de dados.

Os critérios de inclusão utilizados para escolha dos estudos foram: artigos que retratassem a temática inicial, aqueles que foram publicados entre os anos de 2019 e 2024, independente do país de origem, assim como o fato de estarem redigidos em português ou em inglês. Para a especificação, foram utilizados os artigos que tratassem, de forma ampla, as pesquisas no campo da radiologia e/ou exames de imagem nas mamas, e por citarem estratégias mais recentes. Por outro lado, os critérios de exclusão foram os textos que não responderam à pergunta de pesquisa, artigos duplicados, além de artigos que continham conteúdos de câncer de mama em homens ou em animais, entre outros. Todos os detalhes da seleção estão descritos no fluxograma (Figura 4), e a classificação dos níveis de evidência estão na Tabela 1.

Figura 4: Fluxograma PRISMA-ScR utilizado para identificação e seleção dos estudos.

Fonte: Elaborado pelo autor. Passos, 2024.

Tabela 1: Classificação dos níveis de evidências baseados na AHRQ.

Fonte: Melnyk, Fineout-Overholt, 2005.

4. RESULTADOS E DISCUSSÕES

Nessa revisão integrativa foram recuperados 443 estudos durante a busca nas bases de dados selecionadas, entre elas PubMed = 287, SciELO = 11, e BVS = 145. Após a exclusão dos registros duplicados (n = 97), os estudos seguiram para a revisão dos títulos, dos resumos e das palavras-chaves, sendo excluídos, nessa etapa, 335 artigos. Ao fim desse processo, 11 estudos relevantes foram selecionados para leitura do texto completo e avaliação, seguindo os critérios de inclusão previamente estabelecidos. O resultado foi que esses 11 estudos seguiram para a leitura crítica e para a extração das variáveis. A Tabela 2 apresenta detalhes sobre os 11 artigos analisados, sendo 7 escritos na língua inglesa e 4 na língua portuguesa.

Tabela 2: Caracterização dos estudos incluídos.

Artigo

Nível de evidência

Autor, Periódico e Ano

Objetivo

Early breast cancer: ESMO Clinical Practice Guidelines for diagnosis, treatment and follow-up

7

Cardoso et al.,

European Society for Medical Oncology Journals, 2019

Fornecer recomendações atualizadas de última geração sobre o manejo do câncer de mama em estágio inicial (diagnóstico, tratamento e acompanhamento)

Subclassification of BI-RADS 4 Magnetic Resonance Lesions: A Systematic Review and Meta-Analysis

1

Li et al.,

Journal of Computer Assisted Tomography, 2020

Investigar e avaliar a eficácia diagnóstica da ressonância magnética na classificação de lesões do BI-RADS 4 em subcategorias: 4a, 4b e 4c, de modo a limitar biópsias de lesões suspeitas na mama

Evaluation of the accuracy of mammography, ultrasound and magnetic resonance imaging in suspect breast lesions

6

Pereira et al.,

Clinics, 2020

Revisar prontuários eletrônicos de 32 mulheres que realizaram exames de imagem de mama em um centro de diagnóstico por imagem do município de Teresina, Piauí

Comparison of Automated Breast Ultrasound and Hand-Held Breast Ultrasound in the Screening of Dense Breasts

6

Philadelpho et al., Revista Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia, 2021

Comparar a ultrassonografia convencional das mamas com a ultrassonografia automatizada das mamas no rastreio do câncer

Current Status and Future of BI-RADS in Multimodality Imaging, From the AJR Special Series on Radiology Reporting and Data Systems

1

Eghtedari et al., American Journal of Roentgenology, 2021

Descrever a origem, funções atuais e potenciais aplicações futuras do BI-RADS

Breast cancer screening in women with extremely dense breasts recommendations of the European Society of Breast Imaging (EUSOBI)

7

Mann et al.,

Springer Nature, 2022

Juntar as informações necessárias para aconselhar mulheres sobre os benefícios e riscos da mamografia e da triagem baseada em RNM

Rastreamento para câncer de mama por ressonância magnética em um centro oncológico: indicações e resultados

2

Zoghbi, Karina,

Biblioteca Fundação Antonio Prudente, 2023

Avaliar as indicações para rastreamento de câncer de mama por RNM em um centro oncológico. Calcular o risco de desenvolvimento de câncer de mama em pacientes submetidas a rastreamento por RNM. Avaliar os resultados do rastreamento por RNM em pacientes com diferentes fatores de risco para desenvolvimento de câncer de mama

Breast MRI: Clinical Indications, Recommendations, and Future Applications in Breast Cancer Diagnosis

5

Wekking et al.,

Springer Nature, 2023

Fornecer uma visão geral atualizada das indicações para RNM diagnóstica da mama, discutir os exames de imagem disponíveis

Recomendações do Colégio Brasileiro de Radiologia e Diagnóstico por Imagem, da Sociedade Brasileira de Mastologia e da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia para o rastreamento do câncer de mama no Brasil

7

Urban et al., Radiologia Brasileira, 2023

Apresentar a atualização das recomendações do Colégio Brasileiro de Radiologia e Diagnóstico por Imagem, da Sociedade Brasileira de Mastologia e da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia para o rastreamento do câncer de mama no Brasil

Estamos prontos para estratificar lesões BI-RADS 4 na ressonância magnética? Uma análise de não inferioridade/equivalência do mundo real

2

Almeida et al.,

Radiologia Brasileira, 2023

Demonstrar que os valores preditivos positivos para lesões suspeitas (categoria 4) identificadas por RNM são equivalentes aos estipulados no ACR BI-RADS para mamografia e ultrassonografia

Análise das indicações e resultados da ressonância magnética para rastreamento de câncer de mama em um centro oncológico brasileiro

4

Zoghbi et al.,

Radiologia Brasileira, 2024

Avaliar as indicações e resultados de exames de RNM para rastreamento de câncer de mama em um centro oncológico no Brasil

Fonte: Elaborado pelo autor. Passos, 2024.

Os estudos em análise nessa revisão possibilitaram uma comparação entre os seus resultados que funcionaram como base para o desenvolvimento desse texto. Atualmente o exame de mamografia isolado não deveria ser indicado para a maioria dos casos, pois possui suas limitações, como a densidade da mama que influencia na visualização (Cardoso et al., 2019; Philadelpho et al., 2021; Wekking et al., 2023). O texto de Cardoso et al. (2019) disse que esse senso comum de mamografia para a maioria dos casos na verdade traz uma falsa segurança para os médicos e suas pacientes, quando comparado com os profissionais que procuram avaliar separadamente a densidade mamária e recomendar o exame de imagem mais adequado.

No estudo transversal de Philadelpho et al. (2021), 440 pacientes com mamas densas foram submetidas à US convencional e à ultrassonografia automatizada das mamas. Quando comparada à ultrassonografia convencional, “a ABUS permitiu adequado estudo complementar no rastreio do câncer de mamas heterogeneamente densas e extremamente densas” (Philadelpho et al., 2021, p. 191). A Figura 5 mostra a eficiência desse tipo de exame em carcinomas mamários.

Figura 5: Paciente do sexo feminino, assintomática, 60 anos. Ultrassonografia automatizada de mama mostrou uma massa hipoecogênica, irregular e indistinta na mama direita - classificada como lesão BI-RADS 4. O resultado histopatológico confirmou um carcinoma lobular infiltrante.

Uma imagem contendo no interior, mesa, pizza, de madeira

Descrição gerada automaticamente
Fonte: Philadelpho et al., 2021.

Na análise retrospectiva de Almeida et al. (2023), 365 pacientes foram submetidas à ressonância magnética de mamas em dois modelos diferentes do aparelho, a Signa Excite HDxT e a Optima 360. Foram encontradas 419 lesões classificadas como BI-RADS 4A, 4B ou 4C, e concluiu-se que “lesões de baixa suspeição (4A) podem apresentar taxas mais altas de malignidade” (Almeida et al., 2023, p. 291) quando a ressonância magnética é utilizada, o que não teria sido concluído nos outros exames de imagem por terem menos sensibilidade em mamas densas. A Figura 6 apresenta um achado suspeito em uma ressonância de mamas.

Figura 6: Uma paciente de 48 anos foi encontrada com um nódulo suspeito na triagem de rotina. Imagens de RM ponderadas em T1 contrastadas axial e sagital (A e B, respectivamente) mostrando uma “massa espiculada” na mama esquerda (setas), classificada como alta suspeita — BI-RADS 4C.

Imagem em preto e branco

Descrição gerada automaticamente com confiança média
Fonte: Almeida et al., 2023.

Nesse mesmo contexto, a revisão sistemática e meta-análise de Li et al. (2020) apanhou quatorze artigos, incluindo 18 estudos entre janeiro de 2000 e julho de 2018, das bases de dados PubMed, Embase, Web of Science e Cochrane Library. Esse estudo provou uma eficácia de 95% dos casos na sensibilidade e na especificidade do BI-RADS 4, por terem sido realizados por ressonância magnética. Além disso, foi concluído que esse exame é competente na subclassificação de lesões BI-RADS 4, evitando biópsias desnecessárias.

Através de uma análise, Zoghbi (2023) avaliou prontuários eletrônicos de um centro oncológico, registrados no ano de 2020, de 597 pacientes. Foram encontrados 11 tumores malignos em mamas por ressonância magnética, dos quais apenas 3 foram diagnosticados por mamografia. A autora concluiu que há “maior sensibilidade do rastreamento por RM quando comparada aos outros métodos, o que pode resultar em benefício de sobrevida dessas pacientes” (Zoghbi, 2023, resumo), levando em conta a densidade mamária e o histórico familiar da mulher. Nesse sentido, outro artigo também afirmou, por um estudo observacional, que é melhor “considerar seguimento anual em RM das mamas para mulheres com histórico pessoal de câncer de mama, especialmente nas pacientes com mamas densas ou diagnóstico abaixo dos 50 anos” (Zoghbi et al., 2024, p. 5).

Utilizando-se de um estudo transversal, Pereira et al.. (2020) revisou 32 prontuários eletrônicos de mulheres que realizaram exames de imagem de mama em um centro de diagnóstico por imagem do município de Teresina, Piauí, no Brasil. Os resultados foram que a ressonância magnética demonstrou 100% de sensibilidade nesses casos, enquanto a mamografia teve sensibilidade limitada. Enquanto isso, a ultrassonografia mostrou ser útil nessas pacientes com alta densidade mamária.

O artigo de Mann et al. (2022) baseou-se nas recomendações da Europian Society of Breast Imaging, ou Sociedade Europeia de Imagem da Mama (EUSOBI), para o rastreio de câncer de mama em mulheres com as mamas muito densas. Foi relatado que, durante as mamografias, a maioria dos cânceres absorvem raios-X em extensão semelhante ao do tecido fibroglandular, e, então, manifestam-se como massas brancas. Esta é a mesma cor que é vista na imagem de um tecido denso, significando que o carcinoma pode ser impedido de ser detectado. Portanto, a ressonância magnética é recomendada para mulheres entre 50 e 70 anos de idade que possuem as mamas muito densas, repetindo-se de 2 a 4 anos.

A partir de um relatório, Eghtedari et al. (2021) mostrou que 10 mulheres diferentes foram submetidas aos três exames de imagem citados anteriormente. Como cada paciente realizou os três exames, foi possível comparar os seus resultados, a fim de investigar se houve diferença entre eles. Os autores discutiram que há casos em que o profissional pode considerar uma avaliação da mama incompleta e, então, requisitar uma análise mais aprofundada com os exames de ultrassom ou ressonância magnética. Além disso, perceberam que a imagem de mamografia de uma paciente de 40 anos mostrou tecido mamário extremamente denso, o que diminuiu a sensibilidade da mamografia, como observado na Figura 7.

Figura 7: Efeitos da composição do tecido mamário na interpretação de imagens por mamografia em mulher de 40 anos.

Imagem em preto e branco

Descrição gerada automaticamente
Fonte: Eghtedari et al., 2021.

O texto de Urban et al. (2023) apresentou as opiniões do comitê especialista Colégio Brasileiro de Radiologia e Diagnóstico por Imagem, da Sociedade Brasileira de Mastologia e da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia. Aqui foi recomendada a ressonância magnética junto com o exame de mamografia, a cada dois anos, para os casos de mamas com tecido extremamente denso. Nesse contexto, “recomenda-se que a US anual pode ser considerada como adjunta à MG nas mulheres com mamas densas, exceto quanto a RM for realizada” (Urban et al., 2023, p. 209). Este artigo também afirmou que mulheres de 40 a 74 anos de idade com mamas densas devem planejar a ida ao médico todos os anos para o rastreio com mamografia. Além disso, relatou que mulheres com pouca densidade nas mamas e com risco populacional usual devem realizar a mamografia anual após os 40 anos de idade.

Utilizando-se de uma revisão, Wekking et al.. (2023) discorreu sobre ter encontrado taxas altas de falso-positivo e falso-negativo em mulheres com mamas densas, isso porque, no geral, o exame de mamografia é o mais utilizado ao redor do mundo no rastreio de câncer de mama, mesmo tendo suas limitações. Contudo, a ressonância magnética da mama se provou superior na identificação de lesões em mulheres com risco médio com mamas densas, ou com risco muito alto de câncer de mama, e ainda apresentou benefícios clínicos, como a avaliação da extensão da doença.

A revisão de Cardoso et al.. (2019) enfatizou a importância de se levar em conta o rastreio de falsos-positivos. Foi discutido que não fica esclarecido o benefício de se generalizar o pedido de exame de mamografia para todas as mulheres entre 40 e 74 anos de idade, porém que pode funcionar bienalmente com mulheres de 50 a 69 anos. Por outro lado, mais uma vez foi encontrada a informação de que pacientes com histórico familiar de câncer de mama e com mamas densas devem realizar anualmente a mamografia e a ressonância magnética, com intuito de evitar falsos negativos.

Após a descrição desses artigos, observa-se que há algumas discrepâncias de opiniões entre eles. Um exemplo disso é que o estudo transversal de Pereira et al. (2020) concluiu, em seu texto, que a ultrassonografia em mamas densas obteve melhores resultados para essas pacientes, apesar de a ressonância magnética também ter funcionado. Entretanto, Zoghbi (2023) analisou prontuários de um número maior de pacientes e concluiu que a ressonância magnética teve maior sensibilidade em mulheres com mamas densas, se comparada aos outros exames de imagem.

Portanto, a limitação desse estudo consiste em que uma revisão integrativa pode apresentar dificuldades na busca sistematizada de artigos base. A realização de novos estudos pode ser capaz de esclarecer pontos não abordados nesse texto. A maioria dos estudos analisados é internacional, logo a aplicabilidade dos resultados no âmbito brasileiro é diferente devido ao contexto do Sistema Único de Saúde (SUS) e as barreiras para a implementação dos métodos citados no texto. Contudo, ressalta se uma grande vantagem desse estudo, pois é sobre uma das doenças que mais mata mulheres ao redor do mundo, e como descobrir mais rápido se uma paciente possui ou não um carcinoma, a fim de ser tratado no estágio inicial.

5. CONCLUSÃO

Esse texto foi capaz de realizar uma revisão integrativa dos melhores artigos encontrados nas três bases de dados, levando em conta a pergunta de pesquisa, os objetivos, os critérios de inclusão e de exclusão. Apesar de algumas discrepâncias sobre as opiniões dos autores terem sido encontradas, não é apenas a idade da paciente que influencia no rastreio de câncer de mama, e sim um conjunto de fatores, como a densidade das mamas e o histórico familiar. O fato de o tecido mamário de uma mulher perder densidade ao longo dos anos não é motivo suficiente para se generalizar o tipo de rastreio, pois cada paciente tem um cenário diferente. O profissional ginecologista deve primeiro entender qual o tipo de densidade mamária da paciente, além de perguntar sobre o histórico familiar, com intuito de recomendar o exame de imagem mais indicado para o caso dela. A orientação aos médicos com protocolos individualizados para as diretrizes de rastreamento é o diferencial.

Conclui-se que a ressonância magnética de mamas obteve resultados convincentes na grande maioria dos casos de rastreio de câncer em mamas densas e extremamente densas. Entretanto, a mamografia isolada não se mostrou capaz de trazer sempre laudos conclusivos, devido à sua menor sensibilidade em mamas densas, aumentando a chance de resultados falsos-negativos e falsos-positivos. Este exame continua sendo indicado para os casos de pacientes com mamas pouco densas, e é comum que seja acompanhado do exame de ultrassom. A ultrassonografia de mamas funcionou com mamas consideradas densas e pode ser utilizada sozinha nessas situações, a menos que a ressonância magnética seja a escolhida. Dessa forma, todo esse processo de se conhecer direito o caso de uma paciente e indicar o melhor exame de imagem é o que leva a evitar resultados falsos positivos e falsos-negativos, pois são estas ocasiões que induzem muitas pacientes a óbito ou a um tratamento invasivo desnecessário.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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Biomédica, Universidadedo Estado de Minas Gerais (UEMG), Minas Gerais - Brasil. E-mail: [email protected]

Mestra em Ciências, Universidade do Estado de Minas Gerais (UEMG), Minas Gerais - Brasil. E-mail: [email protected]