CAFÉ E SUAS VARIEDADES

COFFEE AND ITS VARIETIES

REGISTRO DOI: 10.70773/revistatopicos/791153506

RESUMO
O presente artigo apresenta a experiência educativa intitulada “Café e Suas Variedades”, desenvolvida durante o ano letivo de 2025 com estudantes da Educação de Jovens e Adultos do Campo (EJA Campo), nas salas externas da Escola EREM João Vicente de Queiroz-Usina, localizadas em assentamentos da reforma agrária no município de Água Preta, região da Mata Sul de Pernambuco. A experiência teve como eixo a valorização dos saberes tradicionais presentes nas famílias camponesas e sua articulação com os conhecimentos escolares, a Agroecologia, a cultura alimentar e o território. Participaram aproximadamente 190 educandos diretamente, alcançando posteriormente cerca de 230 pessoas, entre professores, famílias camponesas, lideranças, mulheres e jovens das comunidades. A experiência partiu da observação da agrobiodiversidade local, envolvendo cultivos como feijão-guandu, milho, açaí e quiabo, com destaque para o conhecimento compartilhado por uma educanda sobre a produção do denominado “café de quiabo”, preparado a partir das sementes do quiabo. A problemática foi orientada pela seguinte questão: como os saberes tradicionais das comunidades camponesas podem ser valorizados no processo educativo da Educação do Campo? O objetivo geral consistiu em valorizar os saberes tradicionais das comunidades camponesas no processo educativo da Educação do Campo. Como objetivos específicos, buscou-se identificar práticas e conhecimentos relacionados ao cultivo, manejo, aproveitamento e transformação das sementes; articular os conteúdos escolares às experiências vivenciadas pelos educandos; promover o diálogo entre conhecimentos populares e científicos, reconhecendo o saber-fazer camponês como elemento do processo educativo; e fortalecer a memória e a identidade camponesa por meio das práticas culturais e alimentares presentes no território. Metodologicamente, caracteriza-se como um relato de experiência de abordagem qualitativa, participativa, interdisciplinar e contextualizada, envolvendo rodas de conversa, aulas práticas, atividades em roçados e quintais produtivos, escuta dos conhecimentos comunitários, expedição pedagógica e socialização da experiência. Os resultados evidenciaram o fortalecimento do protagonismo dos educandos, da memória cultural, da identidade camponesa e da aproximação entre escola, família e comunidade, além da inserção da Agroecologia nas práticas curriculares. Conclui-se que o saber-fazer tradicional pode constituir importante mediação pedagógica para uma Educação do Campo vinculada à realidade dos sujeitos e aos territórios camponeses.
Palavras-chave: Educação do Campo; Agroecologia; saberes tradicionais; cultura camponesa; práticas educativas.

ABSTRACT
This article presents and analyzes the educational experience entitled “Coffee and Its Varieties”, developed during the 2025 school year with students from Rural Youth and Adult Education (EJA Campo), in the external classrooms of EREM João Vicente de Queiroz-Usina School, located in agrarian reform settlements in the municipality of Água Preta, in the Mata Sul region of Pernambuco, Brazil. The experience focused on valuing traditional knowledge present in peasant families and its articulation with school knowledge, Agroecology, food culture, and territory. Approximately 190 students participated directly in the experience, which subsequently reached approximately 230 people, including teachers, peasant families, community leaders, women, and young people from the communities. The experience began with the observation of local agrobiodiversity, involving crops such as pigeon pea, corn, açaí, and okra, with emphasis on the knowledge shared by a student about the production of the so-called “okra seed coffee,” prepared from okra seeds. The research problem was guided by the following question: how can the traditional knowledge of peasant communities be valued in the educational process of Rural Education? The general objective was to value the traditional knowledge of peasant communities within the educational process of Rural Education. The specific objectives were to identify practices and knowledge related to the cultivation, management, use, and processing of seeds; to articulate school content with the experiences lived by the students; to promote dialogue between popular and scientific knowledge, recognizing peasant know-how as an element of the educational process; and to strengthen peasant memory and identity through cultural and food practices present in the territory. Methodologically, the study is characterized as an experience report with a qualitative, participatory, interdisciplinary, and contextualized approach, involving conversation circles, practical classes, activities in fields and productive home gardens, listening to community knowledge, a pedagogical field trip, and dissemination of the experience. The results demonstrated the strengthening of student protagonism, cultural memory, peasant identity, and the connection between school, family, and community, as well as the incorporation of Agroecology into curricular practices. It is concluded that traditional know-how can constitute an important pedagogical mediation for Rural Education connected to the reality of its subjects and to peasant territories.
Keywords: Rural Education; Agroecology; traditional knowledge; peasant culture; educational practices.

1. INTRODUÇÃO

A Educação do Campo constitui uma perspectiva educativa vinculada às condições concretas de vida dos sujeitos que vivem e trabalham nos territórios rurais. Diferentemente de uma concepção de educação apenas localizada geograficamente no campo, essa proposta considera as experiências sociais, culturais, produtivas e históricas das comunidades como elementos constitutivos do processo educativo. Nessa perspectiva, a escola assume o desafio de estabelecer relações entre os conteúdos escolares e os conhecimentos construídos pelos educandos em suas trajetórias de vida.

Na Educação de Jovens e Adultos do Campo (EJA Campo), essa dimensão adquire particular relevância, uma vez que os educandos chegam à escola trazendo conhecimentos construídos nas relações familiares, no trabalho, na agricultura, nas práticas culturais e na participação comunitária. A experiência dos sujeitos constitui, portanto, um ponto de partida para a construção de novas aprendizagens.

Essa concepção aproxima-se do pensamento de Freire (1996), especialmente da defesa do respeito aos saberes dos educandos, do diálogo e da construção da autonomia. O processo educativo não se reduz à transmissão de conteúdos, mas envolve a capacidade de estabelecer relações entre os conhecimentos sistematizados e a realidade vivenciada pelos sujeitos.

No contexto da Educação do Campo, essa relação entre conhecimento escolar e realidade territorial torna-se ainda mais significativa. Caldart (2009) destaca que a Educação do Campo está relacionada aos sujeitos camponeses, aos territórios, às lutas sociais e à construção de uma proposta pedagógica vinculada às condições concretas de vida das populações do campo.

É nesse contexto que se insere a experiência “Café e Suas Variedades”, desenvolvida com estudantes da EJA Campo da Escola EREM João Vicente de Queiroz-Usina, em suas salas externas localizadas nos assentamentos da reforma agrária da cidade de Água Preta, na Mata Sul de Pernambuco. A experiência foi realizada entre ano de 2025, tendo como referência o Tempo Comunidade, envolvendo educandos, professores, famílias camponesas e lideranças locais.

O Tempo Comunidade, nesse processo, possibilitou aproximar o conhecimento trabalhado na escola das experiências presentes no território. Os educandos puderam observar, investigar, compartilhar e sistematizar conhecimentos relacionados à agricultura, à alimentação, às sementes e às práticas desenvolvidas pelas famílias. Dessa maneira, a comunidade foi compreendida também como espaço educativo e de produção de conhecimentos.

A proposta surgiu a partir da observação da agrobiodiversidade existente nas comunidades, destacando-se cultivos como quiabo, milho, açaí e feijão-guandu. Nesse processo, foi desenvolvido de experimento das sementes uma bebida tipo café, mais a semente que mais se aproximou do sabor do café, foi a semente do quiabo, tendo como destaque reproduzido pela educanda dos anos iniciais que compartilhou com a turma um conhecimento tradicional relacionado ao preparo de uma bebida denominada “café de quiabo”, produzida a partir das sementes do quiabo. O conhecimento envolvia diferentes etapas, desde o cultivo até a colheita, secagem e torrefação das sementes.

O episódio permitiu transformar uma prática familiar em objeto de investigação e aprendizagem. O conhecimento que poderia permanecer restrito ao âmbito doméstico passou a circular na escola, permitindo a construção de diálogos entre gerações, conhecimentos populares e conhecimentos escolares. A experiência também possibilitou problematizar a valorização dos saberes produzidos no campo.

O projeto identificou que alguns educandos inicialmente não reconheciam os conhecimentos relacionados à “roça” como conhecimentos relevantes para o espaço escolar. Essa situação revelou a necessidade de construir práticas pedagógicas capazes de reconhecer os sujeitos camponeses como produtores de conhecimento.

Nesse sentido, o projeto justifica-se pela necessidade de fortalecer práticas educativas que estabeleçam relações entre escola, comunidade e território. O saber tradicional não é compreendido apenas como uma atividade cotidiana, mas como uma forma de produção de conhecimento construída historicamente pelas famílias camponesas.

A produção do café a partir da semente do quiabo, portanto, não se limita à elaboração de uma bebida alternativa. A experiência articula memória, cultura, alimentação, agricultura, território, identidade, saber-fazer e Agroecologia, transformando uma prática existente na comunidade em uma experiência pedagógica contextualizada.

Do ponto de vista agroecológico, a experiência também possibilita refletir sobre o aproveitamento dos recursos disponíveis no território, a valorização da agrobiodiversidade e a construção de práticas sustentáveis. Altieri (2012) destaca a importância dos recursos locais e da agricultura camponesa para a construção de sistemas produtivos sustentáveis.

A Problemática dessa experiência foi orientada pela seguinte questão: Como os saberes tradicionais das comunidades camponesas podem ser valorizados no processo educativo da Educação do Campo? – A questão parte da constatação de que conhecimentos produzidos pelas comunidades nem sempre são reconhecidos pela escola como conhecimentos legítimos. A experiência demonstrou, entretanto, que práticas relacionadas à agricultura, à alimentação e à cultura podem constituir importantes pontos de partida para a construção de aprendizagens contextualizadas.

Diante dessa problemática, o objetivo geral desta experiencia foi valorizar os saberes tradicionais das comunidades camponesas no processo educativo da Educação do Campo. Para alcançar esse propósito, foram definidos como objetivos específicos: identificar práticas e conhecimentos relacionados ao cultivo, manejo, aproveitamento e transformação das sementes; articular os conteúdos escolares às experiências vivenciadas pelos educandos; promover o diálogo entre conhecimentos populares e científicos, reconhecendo o saber-fazer camponês como elemento do processo educativo; fortalecer a memória e a identidade camponesa das práticas culturais e alimentares presentes no território.

A realização deste projeto justifica-se pela necessidade de valorizar os saberes tradicionais presentes nas comunidades camponesas, reconhecendo-os como conhecimentos que contribuem para os processos educativos, culturais, sociais e produtivos do território. Na Educação do Campo, esses saberes não devem ser compreendidos apenas como práticas cotidianas relacionadas ao trabalho agrícola, mas como formas de produção de conhecimento construídas historicamente pelas famílias camponesas e transmitidas entre gerações.

O encadeamento desses saberes contribui para uma proposta educativa fundamentada na perspectiva do saber-fazer, compreendendo que o conhecimento é produzido na relação entre experiência, reflexão, prática e realidade. A produção do café a partir da semente do quiabo evidencia que uma prática originada no cotidiano das famílias pode transformar-se em objeto de estudo, investigação, diálogo e aprendizagem.

A experiência ganha significado especial quando desenvolvida no Tempo Comunidade, pois possibilita estabelecer relações entre aquilo que é estudado na escola e os conhecimentos produzidos no cotidiano das comunidades. O território passa a ser compreendido como espaço de aprendizagem, memória e produção de conhecimento. Dessa forma, a proposta ultrapassa a dimensão de uma simples atividade produtiva ou da preparação de uma bebida alternativa. Trata-se de uma experiência educativa que articula memória, cultura, alimentação, agricultura, território, identidade, saberes tradicionais e Agroecologia.

A relevância da experiência está, portanto, na possibilidade de aprender com o território e a partir dele, transformando o saber-fazer das comunidades em elemento de reflexão pedagógica e fortalecendo os vínculos entre escola, família e comunidade.

2. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA

2.1. Educação Dialógica e Valorização dos Saberes dos Educandos

A compreensão da experiência “Café e Suas Variedades” encontra importante fundamentação em Paulo Freire (1996), sobretudo na concepção de educação como prática dialógica. Para o autor, o processo educativo exige respeito aos saberes dos educandos, reconhecendo que os sujeitos chegam à escola portadores de experiências e conhecimentos construídos em suas relações com o mundo.

Essa compreensão é especialmente relevante na EJA Campo. Os educandos possuem conhecimentos relacionados ao cultivo, às sementes, ao clima, aos alimentos, aos animais, ao solo, às formas de trabalho e às relações comunitárias. Esses conhecimentos não devem ser ignorados pelo currículo escolar.

No contexto educacional o conhecimento sobre o preparo do café de semente de quiabo constitui exemplo concreto dessa relação, de pertencimento, ao âmbito familiar, que passa a ocupar espaço no processo pedagógico, criando condições do sujeito que também ensina e produz conhecimento. Nesse sentido, a prática educativa assume caráter dialógico. O professor não deixa de exercer sua função pedagógica, mas passa a construir situações de aprendizagem em que diferentes conhecimentos possam ser problematizados e relacionados.

2.2. Educação do Campo e território

A Educação do Campo está relacionada a uma construção histórica protagonizada por sujeitos e organizações sociais do campo. Caldart (2009) destaca a importância de compreender essa proposta educativa a partir dos sujeitos, dos territórios e das práticas sociais que constituem a vida camponesa.

Essa concepção permite compreender que a escola localizada em assentamentos não pode ser desvinculada da realidade comunitária. Os roçados, quintais produtivos, espaços de convivência, associações e famílias constituem espaços nos quais conhecimentos são produzidos e socializados.

Segundo Brasil (2023), a Pedagogia da Alternância constitui uma forma de organização dos processos educativos que busca atender às especificidades das comunidades do campo, considerando seus modos de vida, culturas, tradições, saberes e sistemas produtivos. Na experiência “Café e Suas Variedades”, o território foi utilizado como espaço de investigação e aprendizagem. O Tempo Comunidade1 permitiu que os educandos relacionassem os conteúdos escolares às práticas presentes em suas comunidades.

O Tempo Comunidade1, no âmbito da Educação do Campo, constitui um momento pedagógico destinado à articulação entre os conhecimentos construídos no espaço escolar e os saberes, experiências, práticas culturais, sociais e produtivas presentes no território camponês. Inserido na perspectiva da alternância pedagógica, possibilita que os educandos desenvolvam atividades de investigação, observação, participação e intervenção em suas comunidades, relacionando os conteúdos escolares à realidade concreta em que vivem. Dessa forma, o território passa a ser compreendido como espaço educativo e de produção de conhecimentos, valorizando os saberes das famílias camponesas e fortalecendo a relação entre escola, comunidade e território. Na EJA Campo, essa perspectiva contribui para uma educação contextualizada, dialógica e vinculada às experiências dos sujeitos, permitindo que os conhecimentos populares e os conhecimentos escolares sejam colocados em diálogo e sistematizados coletivamente.

Dessa maneira, o território deixa de ser compreendido apenas como espaço físico e passa a ser entendido como espaço social, cultural, produtivo e educativo.

2.3. Agroecologia Como Prática Educativa

A Agroecologia constitui outro eixo estruturante do projeto. Altieri (2012) compreende a Agroecologia como uma abordagem voltada à construção de sistemas agrícolas sustentáveis, valorizando recursos locais e conhecimentos associados à agricultura camponesa.

Gliessman (2015) amplia essa compreensão ao relacionar Agroecologia à construção de sistemas alimentares sustentáveis. Nessa perspectiva, a produção agrícola não pode ser analisada de maneira isolada, mas deve considerar relações ecológicas, sociais, culturais e econômicas.

No projeto, a Agroecologia aparece tanto como conteúdo quanto como prática. As atividades envolveram roçados, quintais produtivos, adubação orgânica e compostagem. Segundo o registro da experiência, essas ações contribuíram para a recuperação de áreas de cultivo em sete das nove comunidades envolvidas.

A experiência com a semente do quiabo também permite refletir sobre a utilização dos recursos disponíveis no território e sobre possibilidades de valorização da agrobiodiversidade.

2.4. Saberes Tradicionais e Diálogo Entre Conhecimentos

Os saberes tradicionais são construídos a partir das experiências históricas dos grupos sociais e podem ser transmitidos por meio da oralidade, da observação, da participação e da convivência. Brandão (2007) contribui para compreender a educação como processo que ocorre em diferentes espaços sociais, não se restringindo à instituição escolar.

No contexto da experiência analisada, o conhecimento relacionado ao café de semente de quiabo foi produzido no âmbito familiar e posteriormente compartilhado na escola. Essa trajetória evidencia a relação entre memória e educação.

Santos (2019), ao discutir as epistemologias do Sul e a ecologia de saberes, contribui para problematizar a hierarquização das diferentes formas de conhecimento. A experiência demonstra que o diálogo entre saber popular e conhecimento científico não significa substituir um pelo outro, mas criar possibilidades de interação e aprendizagem.

Assim, a escola pode desempenhar papel importante na valorização dos conhecimentos comunitários, sem deixar de promover sua problematização e articulação com os conhecimentos científicos.

3. METODOLOGIA

O presente trabalho caracteriza-se como um relato de experiência, de natureza qualitativa, com abordagem participativa, interdisciplinar e contextualizada. A experiência foi desenvolvida com estudantes da EJA Campo da Escola EREM João Vicente de Queiroz-Usina, em suas salas externas localizadas nos assentamentos da reforma agrária do município de Água Preta, Pernambuco.

O período de realização compreendeu ao ano letivos de 2025, tendo o Tempo Comunidade como referência para o desenvolvimento das ações. Participaram aproximadamente 190 educandos na experiência e posteriormente aponta um alcance aproximado de 230 pessoas entre, mulheres e jovens, além de professores, famílias e membros das comunidades.

A metodologia foi organizada em cinco movimentos articulados.

3.1. Levantamento dos saberes locais

Inicialmente, foram identificados conhecimentos presentes nas famílias e comunidades relacionados aos cultivos, às sementes, à alimentação e às práticas agrícolas. Esse levantamento permitiu reconhecer a diversidade de conhecimentos existentes nos territórios e identificar possibilidades de articulação com os conteúdos escolares.

3.2. Socialização dos conhecimentos

Foram realizadas rodas de conversa e momentos de escuta, permitindo que os educandos compartilhassem suas experiências, histórias familiares e conhecimentos relacionados às práticas agrícolas e alimentares. A escuta assumiu papel importante para reconhecer os sujeitos como participantes ativos do processo educativo.

3.3. Experimentação pedagógica

Os conhecimentos identificados foram transformados em atividades práticas. Foram desenvolvidas ações relacionadas ao cultivo, observação, preparo e aproveitamento das plantas. A experiência com a semente do quiabo tornou-se o eixo articulador para discutir diferentes dimensões do conhecimento, incluindo alimentação, cultura, agricultura e sustentabilidade.

3.4. Interdisciplinaridade

A temática foi trabalhada de maneira articulada aos diferentes componentes curriculares da EJA Campo. O documento registra a integração da experiência às disciplinas, favorecendo uma abordagem interdisciplinar e contextualizada.

A experiência possibilitou trabalhar, entre outros aspectos:

  • Ciências: sementes, plantas, secagem, torrefação e transformação;

  • Matemática: medidas, quantidades, proporções e produção;

  • Língua Portuguesa: oralidade, relatos, narrativas e produção textual;

  • História: memória familiar e história das comunidades;

  • Geografia: território, agricultura e organização do espaço;

  • Arte: cultura alimentar e representação das experiências;

  • Práticas Agrárias: compostagem, adubação orgânica e sustentabilidade.

Foram realizadas visitas aos roçados das famílias agricultoras, possibilitando a observação das etapas do ciclo produtivo do quiabo, como germinação, floração e frutificação. Durante essas atividades, os estudantes puderam acompanhar práticas de preparo do solo, manejo da cultura, espaçamento entre plantas e técnicas utilizadas no controle de pragas.

Algumas atividades descritas e retratadas nas: figura1 (visitas ao roçado e quintais), figura2 (preparo e estudo do solo), figura3 (preparo do café com a semente do quiabo), figura4 (torra da semente do quiabo), Figura5 (Professores, alunos e comunidade, etapas de colheita, secagem e torra das sementes).

Figura 1. Visita ao Roçado de quiabo

Figura 2. Estudo do solo

Figura 3. Preparo do café com a semente do quiabo

Figura 4. Torra da semente de quiabo

Figura 5. Professores, alunos e comunidade, etapas de colheita, secagem e torra das sementes

A integração entre atividades educativas e práticas produtivas possibilitou aos estudantes compreender diferentes aspectos relacionados ao cultivo do quiabo, incluindo preparo do solo, manejo da cultura, ciclo de desenvolvimento da planta e importância nutricional do alimento. Esse processo possibilitou uma aprendizagem significativa, baseada no diálogo entre conhecimentos escolares e saberes tradicionais, o que contribuiu para o desenvolvimento de uma abordagem pedagógica transdisciplinar, centrada no aprender fazendo e na troca de experiências entre gerações.

Nas Tabelas 1 e 2 apresentam uma síntese das dimensões educativas e das práticas produtivas desenvolvidas durante a experiência pedagógica realizada na comunidade.

Tabela 1. Dimensões de aprendizagem desenvolvidas nas atividades pedagógicas sobre a cultura do quiabo.

Dimensão

Evidências de Aprendizagem

Cognitiva

Compreensão do ciclo produtivo, nutrição e importância socioeconômica do quiabo

Cultural

Resgate da memória afro-brasileira e da luta e renovação da cultura camponesa nos territórios

Política

Conscientizar a importância da terra, cultura e seus modos de cultivos tradicionais

Técnica

Incentivos a não utilização de produtos e manejo sem insumos químicos

Criativa

Escolha da área, recuperação do solo com práticas orgânicas e cultivo das sementes

Fonte: Elaborado pela autora (2025).

Tabela 2. Etapas do cultivo agroecológico do quiabo e principais resultados observados na experiência pedagógica.

Etapa

Ação Desenvolvida

Principais Resultados

Preparo do solo

Uso de matéria orgânica e correção natural

Aumento da fertilidade do solo, recuperação e produção de adubo orgânico

Plantio das sementes

Semeadura das sementes de covas com espaçamento de 40cm a 60cm entrelinhas

Aumento do desenvolvimento da planta e na colheita do fruto

Manejo agroecológico

Capinar manuais, cobertura morta e biofertilizantes

Eliminação da germinação da erva daninha e servir de matéria orgânica do solo

Irrigação orientada

Controle hídrico constante

Melhora no florescimento e na formação dos frutos

Colheita

Intervalo de 2 a 3 dias

Frutos mais jovens, macios e com maior valor comercial

Fonte: Elaborado pela autora (2025).

3.5. Expedição pedagógica e socialização

A experiência incluiu uma expedição pedagógica para a cidade de Taquaritinga do Norte, possibilitando aos educandos conhecer uma região tradicionalmente relacionada à produção de café e comparar diferentes formas de produção e conhecimentos.

Posteriormente, a experiência foi inscrita na Secretaria de Educação do Estado de Pernambuco, representando todas as escolas da GRE Mata Sul de Pernambuco, na modalidade “Práticas Inspiradoras da Educação do Campo”. A experiência foi socializada no Seminário de Agroecologia na Educação do Campo, realizado na cidade de Gravatá-PE, entre os dias 16 e 18 de junho de 2025. Se consagrando em 1º lugar na categoria, entre todas as escolas do Estado de Pernambuco, como “Práticas Inspiradoras da Educação do Campo”.

Registros nas imagens das: Figura6 (organização da equipe EJA Campo Água Preta para o Seminário de Agroecologia na Educação do Campo em Gravatá-PE), figura7 (Expedição Pedagógica, na cidade de Taquaritinga do Norte-PE), figura8 (Troféu prêmio Práticas Inspiradoras na Educação do Campo 2025, Categoria: Produtos Inovadores.

Figura 6. Organização da equipe EJA Campo Água Preta para o Seminário de Agroecologia na Educação do Campo em Gravatá-PE

Figura 7. Expedição Pedagógica, na cidade de Taquaritinga do Norte-PE

Figura 8. Troféu prêmio Práticas Inspiradoras na Educação do Campo 2025, Categoria: Produtos Inovadores

4. RESULTADOS E DISCUSSÃO

4.1. Resultados

Um dos principais resultados da experiência foi a socialização de um conhecimento familiar relacionado ao preparo do café de semente de quiabo. A educanda do Acampamento Almecega compartilhou com a turma conhecimentos relacionados ao processo de plantio, colheita, secagem e torra das sementes de quiabo.

A experiência possibilitou que um conhecimento anteriormente restrito ao âmbito familiar fosse compartilhado no espaço escolar, envolvendo os educandos em momentos de diálogo, observação e aprendizagem prática. Durante o desenvolvimento do projeto, foi identificada inicialmente uma percepção de desvalorização dos saberes relacionados às práticas da roça. Alguns educandos não reconheciam esses conhecimentos como conteúdos relevantes para o espaço escolar.

Com o desenvolvimento das rodas de conversa, aulas práticas e momentos de escuta das experiências dos mais velhos, os conhecimentos locais passaram a ser incorporados às atividades educativas. Os educandos participaram de diferentes momentos de experimentação e socialização dos conhecimentos relacionados ao cultivo, aproveitamento e transformação da semente do quiabo.

Outro resultado identificado foi a realização de atividades relacionadas à Agroecologia. Os estudantes participaram de ações desenvolvidas nos roçados e quintais produtivos, incluindo práticas de adubação orgânica e compostagem. De acordo com o registro da experiência, essas ações contribuíram para a recuperação de áreas de cultivo em sete das nove comunidades envolvidas, fortalecendo práticas de cuidado com o solo e utilização de recursos disponíveis no território.

A experiência também contribuiu para o resgate de conhecimentos relacionados à alimentação e à cultura das comunidades. O preparo do café de semente de quiabo possibilitou recuperar conhecimentos familiares relacionados ao cultivo, aproveitamento das sementes, preparação dos alimentos e transmissão de práticas entre gerações.

O projeto registrou contribuições para o fortalecimento da memória cultural, da identidade camponesa e da valorização de práticas alimentares consideradas saudáveis e sustentáveis.

As rodas de conversa e os momentos de escuta das experiências dos mais velhos constituíram estratégias utilizadas para recuperar e socializar conhecimentos tradicionais. Esses momentos possibilitaram a participação de diferentes sujeitos da comunidade e favoreceram a circulação de conhecimentos entre gerações, aproximando os saberes familiares das práticas educativas desenvolvidas pela EJA Campo.

A experiência foi integrada às diferentes disciplinas da EJA Campo. O tema do café de semente de quiabo possibilitou desenvolver atividades relacionadas às características das plantas, sementes, cultivo, secagem, transformação, alimentação e agricultura familiar.

A utilização de um tema presente no cotidiano das comunidades permitiu desenvolver atividades pedagógicas articuladas entre diferentes áreas do conhecimento. A realização de uma expedição pedagógica para Taquaritinga do Norte ampliou as possibilidades de aprendizagem dos educandos. Durante a atividade, os estudantes conheceram uma região tradicionalmente relacionada à produção de café e estabeleceram comparações com a experiência desenvolvida nas comunidades da EJA Campo.

A atividade possibilitou aos participantes conhecer outros espaços de produção e estabelecer relações entre diferentes práticas agrícolas e conhecimentos relacionados ao café. O documento registra aproximadamente 190 estudantes envolvidos diretamente na experiência. Posteriormente, aponta um alcance aproximado de 230 pessoas, considerando estudantes, mulheres, jovens e outros participantes dos assentamentos.

Dessa maneira, a experiência ultrapassou a relação direta entre professor e estudante e envolveu diferentes sujeitos das comunidades participantes. A experiência foi apresentada no Seminário de Agroecologia na Educação do Campo, realizado em Gravatá-PE, entre os dias 16 e 18 de junho de 2025.

Conforme registrado no projeto, a experiência foi inscrita pela GRE Mata Sul na modalidade “Práticas Inspiradoras da Educação do Campo” e recebeu o primeiro lugar na categoria “Produtos Inovadores”. A apresentação possibilitou a socialização da experiência desenvolvida nas comunidades para outros participantes envolvidos com Educação do Campo e Agroecologia.

4.2. Discussão

Os resultados demonstram que a experiência possibilitou transformar um conhecimento produzido no cotidiano familiar em objeto de aprendizagem. A participação da educanda do Acampamento Almecega evidencia que os sujeitos da EJA Campo não são apenas receptores de conhecimentos, mas também possuem experiências e saberes que podem contribuir para o processo educativo.

Essa perspectiva aproxima-se de Freire (1996), para quem a prática educativa deve considerar os conhecimentos trazidos pelos educandos. Nesse sentido, o conhecimento relacionado ao preparo do café de semente de quiabo deixa de ser compreendido apenas como uma prática doméstica ou produtiva e passa a ser reconhecido como conhecimento que pode ser investigado, sistematizado e socializado no espaço escolar.

A experiência também dialoga com Santos (2019), ao considerar a existência de diferentes formas de produção do conhecimento. A valorização dos saberes construídos pelas comunidades camponesas contribui para questionar a ideia de que somente o conhecimento científico produzido institucionalmente possui legitimidade educativa.

Os resultados indicam que a realidade do território pode constituir uma importante referência para a prática pedagógica. Os roçados, quintais produtivos, práticas alimentares e conhecimentos familiares foram incorporados às atividades da EJA Campo.

Essa perspectiva aproxima-se da concepção de Educação do Campo apresentada por Caldart (2009), na qual a educação está relacionada à realidade, à cultura, às formas de vida e às experiências dos sujeitos do campo.

A experiência demonstra, portanto, que o território não deve ser compreendido apenas como espaço geográfico. Ele também constitui espaço de produção de conhecimentos, relações sociais, memória, cultura e identidade.

A realização de atividades de adubação orgânica, compostagem, cultivo e aproveitamento dos recursos locais demonstra que a Agroecologia pode ser trabalhada para além de conteúdos teóricos.

Para Altieri (2012), a Agroecologia considera as relações entre os sistemas agrícolas, os recursos naturais e os conhecimentos relacionados às práticas de produção. Na experiência analisada, essa dimensão aparece quando os educandos participam diretamente de práticas de cuidado com o solo, cultivo e utilização dos recursos disponíveis nas comunidades.

Gliessman (2015) também contribui para essa compreensão ao relacionar Agroecologia à construção de sistemas alimentares sustentáveis. Assim, a experiência do café de semente de quiabo apresenta uma dimensão educativa que articula produção, alimentação, sustentabilidade e conhecimentos locais.

O resultado relacionado ao resgate da memória cultural permite compreender o café de semente de quiabo como uma prática que ultrapassa a dimensão alimentar. O processo envolve conhecimentos sobre cultivo, sementes, preparo, família e território.

A prática alimentar, nesse sentido, constitui uma forma de expressão cultural e de transmissão de conhecimentos. Quando esses conhecimentos são levados para a escola, passam a integrar um processo educativo que articula memória, identidade e território.

Essa dimensão é particularmente significativa na Educação do Campo, pois permite que os educandos reconheçam suas próprias experiências como parte de sua formação escolar.

A escuta das experiências dos mais velhos demonstra a importância da escola como espaço de diálogo entre gerações. Os conhecimentos tradicionais são transmitidos por meio da oralidade, da observação e da prática cotidiana, e as atividades educativas podem contribuir para sua continuidade e ressignificação.

Nesse processo, não se trata simplesmente de reproduzir uma prática antiga. O conhecimento é colocado em diálogo com novas experiências, conteúdos escolares e conhecimentos científicos. Dessa forma, a escola pode contribuir para a atualização dos saberes tradicionais sem desconsiderar sua origem e significado comunitário.

A integração da experiência às diferentes disciplinas da EJA Campo demonstra que um fenômeno concreto pode ser analisado a partir de diferentes áreas do conhecimento.

O cultivo e a transformação da semente do quiabo permitem abordar conteúdos relacionados às Ciências da Natureza, Matemática, Língua Portuguesa, História, Geografia, Agroecologia, alimentação e cultura. A interdisciplinaridade, portanto, não se limita à presença de várias disciplinas em torno de um mesmo tema, mas envolve a construção de relações entre conhecimentos a partir de uma realidade concreta.

Essa abordagem favorece uma aprendizagem contextualizada, pois os conteúdos escolares passam a dialogar com situações vivenciadas pelos educandos.

A experiência também pode ser compreendida à luz da Pedagogia da Alternância e do Tempo Comunidade, especialmente por articular os conhecimentos escolares às experiências desenvolvidas no território.

A Resolução CNE/CP nº 1, de 16 de agosto de 2023, estabelece diretrizes relacionadas à Pedagogia da Alternância e reconhece a importância da articulação entre diferentes espaços e tempos educativos. Nesse contexto, as experiências desenvolvidas nas comunidades podem constituir momentos efetivos de formação.

A expedição pedagógica para Taquaritinga do Norte reforça essa compreensão. Ao sair do espaço tradicional da sala de aula, os educandos tiveram contato com outra realidade produtiva e puderam estabelecer relações entre diferentes formas de produção e conhecimento.

O alcance aproximado de 230 participantes evidencia que a experiência não ficou restrita à relação entre professor e estudante. A participação de mulheres, jovens, estudantes e outros sujeitos das comunidades ampliou a dimensão educativa do projeto.

Essa participação reforça a compreensão da educação como processo coletivo. Na perspectiva freireana, o conhecimento é construído no diálogo e na relação entre os sujeitos (Freire, 1996). Assim, a experiência possibilitou que diferentes conhecimentos circulassem entre escola, família e comunidade.

A desvalorização inicial dos saberes da roça constitui um aspecto importante para a discussão. O resultado demonstra que a simples inserção de conhecimentos tradicionais no currículo não garante sua valorização. É necessário desenvolver estratégias pedagógicas que possibilitem aos educandos reconhecerem a relevância de suas próprias experiências.

As rodas de conversa, as aulas práticas, a escuta dos mais velhos e as atividades realizadas no território constituíram estratégias para enfrentar esse desafio. Nesse sentido, a experiência evidencia a necessidade de uma prática educativa baseada no diálogo, na participação e na valorização dos conhecimentos produzidos pelos próprios sujeitos do campo.

A participação no Seminário de Agroecologia na Educação do Campo possibilitou ampliar a circulação da experiência para além das comunidades participantes. A socialização em um espaço voltado à Educação do Campo e à Agroecologia contribuiu para apresentar o trabalho desenvolvido na EJA Campo e evidenciar suas possibilidades educativas.

O reconhecimento registrado no projeto, na modalidade “Práticas Inspiradoras da Educação do Campo” e na categoria “Produtos Inovadores”, constitui parte da trajetória de socialização da experiência. Mais importante, do ponto de vista pedagógico, é a possibilidade de compartilhar práticas desenvolvidas no território e estabelecer diálogos com outras experiências de Educação do Campo.

A análise dos resultados permite compreender que o café de semente de quiabo funcionou como elemento articulador entre saberes tradicionais, Agroecologia, Educação do Campo, memória, cultura, alimentação, território e formação dos educandos.

Os resultados apresentados indicam que a experiência não se restringiu à produção de uma bebida alternativa. Ela constituiu uma prática educativa na qual os conhecimentos produzidos pelas comunidades foram incorporados ao processo escolar, possibilitando diálogo entre saberes populares e conhecimentos escolares.

5. CONSIDERAÇÕES FINAIS

A análise da experiência “Café e Suas Variedades” permite concluir que a articulação entre Educação do Campo, Agroecologia e saberes tradicionais pode produzir importantes possibilidades pedagógicas para a EJA Campo. O ponto central da experiência foi o reconhecimento de que os educandos carregam conhecimentos construídos em suas trajetórias familiares e comunitárias. O caso da educanda demonstrou que um conhecimento tradicional relacionado ao preparo do café de semente de quiabo pode transformar-se em conteúdo educativo quando acolhido e problematizado pela escola.

A contribuição de Paulo Freire (1996) permite compreender essa experiência a partir do diálogo, da valorização dos saberes dos educandos e da construção da autonomia. A perspectiva da Educação do Campo de Caldart (2009) permite compreender a importância de vincular o processo educativo aos sujeitos e aos territórios camponeses. A abordagem de Altieri (2012) contribui para interpretar as práticas desenvolvidas a partir da Agroecologia, dos recursos locais e da agricultura camponesa. Já Santos (2019) ajuda a compreender a importância do diálogo entre diferentes formas de conhecimento.

Os resultados demonstraram avanços nas dimensões social, ambiental, cultural e pedagógica. O projeto envolveu aproximadamente 190 estudantes diretamente e alcançou cerca de 230 pessoas quando considerados os diferentes sujeitos das comunidades. A experiência também demonstrou que a Agroecologia pode constituir uma prática educativa concreta, especialmente quando articulada ao cultivo, à alimentação, à compostagem, à adubação orgânica e à valorização dos recursos existentes no território.

Outro aspecto relevante foi o fortalecimento da memória cultural. As rodas de conversa e a escuta dos mais velhos contribuíram para estabelecer relações entre gerações e recuperar conhecimentos que poderiam permanecer restritos ao âmbito familiar. Entretanto, a experiência também evidencia que ainda existem desafios. A desvalorização inicial dos conhecimentos da roça demonstra que a escola precisa continuar criando estratégias para reconhecer os sujeitos do campo como produtores de conhecimento.

Nesse sentido, a principal contribuição da experiência não está apenas no produto final — o café produzido a partir da semente de quiabo —, mas no processo educativo construído em torno dele. O café de quiabo tornou-se uma mediação pedagógica para discutir cultura, agricultura, memória, sustentabilidade, alimentação, identidade e conhecimento. A experiência demonstra, portanto, que práticas simples, quando desenvolvidas de maneira participativa e contextualizada, podem produzir processos significativos de aprendizagem e fortalecer os vínculos entre escola, família e comunidade, de memórias e conhecimentos relacionados às sementes, aos cultivos e às práticas alimentares tradicionais.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

ALTIERI, Miguel A. Agroecologia: bases científicas para uma agricultura sustentável. 3. ed. São Paulo: Expressão Popular; Rio de Janeiro: AS-PTA, 2012. A obra é apresentada pela Articulação Nacional de Agroecologia como referência para a disseminação da Agroecologia no Brasil, incluindo a valorização dos recursos locais e da agricultura familiar camponesa.

BRANDÃO, Carlos Rodrigues. O que é educação. São Paulo: Brasiliense, 2007.

BRASIL. Ministério da Educação. Conselho Nacional de Educação. Conselho Pleno. Resolução CNE/CP nº 1, de 16 de agosto de 2023. Dispõe sobre as Diretrizes Curriculares da Pedagogia da Alternância na Educação Básica e na Educação Superior. Diário Oficial da União: Brasília, DF, 17 ago. 2023, Seção 1, p. 41-42.

BRASIL. Ministério da Educação. Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização, Diversidade e Inclusão. Diretrizes operacionais para a educação de jovens e adultos do campo. Brasília, DF: MEC/SECADI, 2013.

CALDART, Roseli Salete. Educação do campo: notas para uma análise de percurso. Trabalho, Educação e Saúde, Rio de Janeiro, v. 7, n. 1, p. 35-64, 2009. DOI: 10.1590/S1981-77462009000100003. Disponível em: Trabalho, Educação e Saúde – Fiocruz. Acesso em: 21 set. 2026.

FREIRE, Paulo. Pedagogia da autonomia: saberes necessários à prática educativa. São Paulo: Paz e Terra, 1996. Disponível no acervo digital da Fundação Paulo Freire. Acervo Paulo Freire – Pedagogia da Autonomia

GLIESSMAN, Stephen R. Agroecology: the ecology of sustainable food systems. 3. ed. Boca Raton: CRC Press, 2015.

PERNAMBUCO. Secretaria de Educação e Esportes. Gerência Regional de Educação da Mata Sul – GRE Mata Sul. Palmares, PE: Secretaria de Educação e Esportes de Pernambuco, [s.d.].

SANTOS, Boaventura de Sousa. O fim do império cognitivo: a afirmação das epistemologias do Sul. Belo Horizonte: Autêntica, 2019.

SILVA, Adriana Pereira da. Café e suas variedades. Relato de experiência popular: Educação em Agroecologia. Universidade Federal do Vale do São Francisco – UNIVASF, 2025.

TAQUARITINGA DO NORTE. Prefeitura Municipal. Histórico e tradição do cultivo do café. Taquaritinga do Norte, PE. Disponível em: https://www.ta­quaritingadonorte.pe.gov.br. Acesso em: 11 jun. 2025.


1 Discente do Curso de Pós-Graduação Mestrado em Extensão Rural da Universidade Federal do Vale do São Francisco-UNIVASF, Campus Juazeiro-BA. E-mail: [clique para visualizar o e-mail]acesse o artigo original para visualizar o e-mail

2 Docente da Universidade Federal do Vale do São Francisco-UNIVASF, Campus Juazeiro-BA, E-mail: [clique para visualizar o e-mail]acesse o artigo original para visualizar o e-mail