BURNOUT E O DESGASTE DA SAÚDE MENTAL DE PROFESSORES DA EDUCAÇÃO BÁSICA

BURNOUT AND MENTAL HEALTH DISTRESS OF BASIC EDUCATION TEACHERS

REGISTRO DOI: 10.70773/revistatopicos/788395165

RESUMO
O espaço escolar é considerado um ambiente estressor, podendo contribuir para o desenvolvimento de patologias relacionadas a saúde mental ao longo da carreira desses profissionais. A pesquisa investigou como o espaço intra e extraescolar pode influenciar no desenvolvimento de patologias relacionadas a saúde mental de professores da educação básica. Tendo como objetivo, identificar que fatores existentes no espaço escolar e fora dele que podem contribuir para o processo de adoecimento mental de professores da educação básica nos anos iniciais, descrevendo de que forma é realizado o atendimento e apoio a esses professores da educação básica da rede pública municipal, além de caracterizar o gênero mais acometido no processo de adoecimento mental entre os professores. A pesquisa foi uma revisão siste-mática, com abordagem qualitativa, para análise dos dados e informações coletadas durante a pesquisa, quanto aos objetivos foi bibliográfica e descritiva. A pesquisa concluiu que, o estresse, exaustão emoci-onal, despersonalização, e distanciamento afetivo estão presentes em um percentual significativo dos professores da educação básica, tendo a Síndrome de Burnout, em estágio inicial, entre as mulheres, com uso de medicamentos, principalmente entre os educadores mais jovens.
Palavras-chave: Ambiente Escolar; Professores; Saúde Mental; Síndrome de Burnout.

ABSTRACT
The school space is considered a stressful environment, which can contribute to the development of pathologies related to mental health throughout the career of these professionals. The research investigated how the intra- and extra-school space can influence the development of pathologies related to the mental health of basic education teachers. With the objective of identifying which factors exist in the school space and outside it that can contribute to the process of mental illness of basic education teachers in the initial years, describing how care and support is provided to these basic education teachers in the network municipal public school, in addition to characterizing the gender most affected in the process of mental illness among teachers. The research was a systematic review, with a qualitative approach, to analyze the data and information collected during the research, with regard to the objectives, it was bibliographic and descriptive. The research concluded that stress, emotional exhaustion, depersonaliza-tion, and affective distancing are present in a significant percentage of basic education teachers, with Burnout Syndrome, in its initialstage, among women, using medication, especially among men younger educators.
Keywords: School environment; Teachers; Mental health; Burnout Syndrome.

1. INTRODUÇÃO

A sociedade compreende a relevância do professor nos diferentes níveis e modalidades da educação brasileira, entretanto, o espaço escolar é considerado um dos mais estressantes podendo contribuir para o desenvolvimento de patologias relacionadas a saúde mental ao longo da carreira desses profissionais. Segundo (Aranha,1996, p.22), “o trabalho é condição de liberdade desde que o trabalhador não esteja submetido a constrangimentos externos, tais como a exploração, situação em que deixa de buscar a satisfação das suas necessidades para realizar aquelas que lhe forma impostas por outros”.

Concordando com Aranha, as mudanças no contexto social e as exigências da sociedade moderna trouxeram para os espaços educacionais alterações nas práticas pedagógicas, transformando e exigindo dos professores mudanças na transmissão de conhecimentos, como o uso das tecnologias de informação e comunicação, para que habilidades e competências sejam desen-volvidas entre os alunos, além das cobranças extra sala de aula, influência para uma sobrecarga de atividades intra e extraescolares.

Assim sendo, “o desafio está em criar uma escola em que o trabalho ocupe um lugar de importância: que não esteja ausente nos cursos de “formação” nem se reduza ao adestramento profissional nos chamados “profissionalizantes” (Aranha,1996, p. 26).

Neste sentido, a pesquisa visa conhecer e perceber quais os desafios existentes nos espaços intra escolar e extraescolar pode influenciar para o desenvolvimento de patologias relacionadas a saúde mental de professores da educação básica.

A pesquisa pretende ainda, identificar quais fatores existentes no espaço escolar e fora dele, podem provocar e/ou contribuir para o processo de adoecimento mental dos professores da educação básica Anos Iniciais da rede pública. Além de investigar os principais transtornos emocionais estão relacionados ao adoecimento e afastamento de professores da educação básica, Anos Iniciais, descrevendo o quantitativo de atendimento e apoio direcionado aos profes-sores da educação básica da rede pública Anos Iniciais.

Diante das diferenças e amplitudes de fatores que podem causar desgastes físicos e emocionais as possíveis angústias por não conseguir contemplar as novas exigências educacionais, níveis altos de estresse, desgastes físicos, dentre outros. A saúde mental dos professores na educação básica é uma questão de relevância e urgência a ser abordada em pesquisas científicas. Assim, o tema torna-se relevante tanto para o contexto social como profissional, por compreender que a saúde mental dos professores não é apenas uma questão de bem-estar individual, mas também uma preocupação que afeta diretamente a qualidade do ensino.

A escolha do tema surgiu, por atuar no campo educacional e perceber no cotidiano as queixas dos profissionais da educação, referente as situações causadoras de estresse no espaço escolar. A saúde mental dos professores na educação básica é uma questão de extrema relevância e urgência a ser abordada em pesquisas científicas. Para o andamento da pesquisa foi usado fontes bibliográficas e dados apresentados em artigos e periódicos.

Os dados investigados devem ser voltados para professores da educação básica apenas do Ensino Fundamental, que atuam anos iniciais (1ºano ao 5º ano), e professores dos anos finais (6ºano ao 9ºano), da rede pública municipal. Além de descrever dados de rela-cionados ao quantitativo de profissionais da educação básica que foram afastados com esgota-mentos físicos e mental e /ou síndrome de Burnout.

Para melhor organização e compreensão a pesquisa está dividida, na primeira seção, a introdução apresentando a pesquisa, na segunda seção a fundamentação teórica, abordando sobre o tema, a terceira seção irá descrever os procedimentos metodológicos, a quarta seção estará apresentado os resultados das análises, a quinta seção com as considerações finais.

2. ESPAÇO ESCOLAR COMO AMBIENTE DE TRABALHO X SAÚDE MENTAL DOS PROFESSORES DOS ANOS INICIAIS

O trabalho desempenha um papel fundamental na vida das pessoas é uma parte essencial da estruturação de uma sociedade e todos que a compõe. Sua relevância é profundamente enraizaizada em vários aspectos, que vão desde o econômico até o psicológico, afetando a identidade, a autoestima e a qualidade de vida de indivíduos e comunidades como um todo.

De acordo com o autor supracitado, o trabalho desempenha um papel importante na estruturação do tempo e da rotina das pessoas. Proporciona um sentido de propósito e significado, mantendo a mente e o corpo ativo. O trabalho também promove o aprendizado contínuo, o desenvolvimento de habilidades e a busca por metas pessoais e profissionais. A interação social no ambiente de trabalho também é útil, permitindo a construção de relacionamentos e colaboração em equipe.

Para Oliveira e Santos (2021, p.03), “a situação atual da saúde mental dos profissionais da educação é reflexo direto das mudanças ocorridas nas funções exercidas pelos mesmos ao longo do processo de desenvolvimento da educação brasileira”.

Como citado acima, o trabalho docente exige no contexto atual profissionais com diferentes habilidades, buscando adaptações as novas exigências no campo escolar. Aos professores é delegado a responsabilidade de moldar a mente de crianças e jovens, promover a formação do caráter além de prepará-los para um futuro de sucesso, atendendo assim, as demandas pedagógicas e sociais.

As reformas educacionais dos últimos anos, incluindo as gestões democrático populares, trouxeram novas exigências profissionais para os professores, sem a necessária ade-quação das condições de trabalho. Podemos considerar que resultaram em maior responsabili-zação do professor pelo desempenho da escola e do aluno. Aumentaram ainda, tais reformas, a responsabilidade dos professores sobre sua formação obrigando os buscar constantemente, por sua própria conta, formas de requalificação (Oliveira et al, 2002, p. 56).

Neste contexto, observa-se que o espaço escolar enquanto ambiente de trabalho com diferentes subjetividades sociais e sistematização de ações pedagógicas, exige do professor horas de dedicação, planejamentos, práticas educacionais, salas homogêneas com diferentes comportamentos que podem levar o professor a uma sobrecarga de trabalho que pode afetar sua saúde mental.

A saúde mental dos professores na educação básica é uma preocupação crescente e permanente no contexto atual e merece atenção na sociedade, sendo uma questão relevante e de urgência. Este tema assume uma importância crescente devido aos desafios que os educadores enfrentam em seu cotidiano, impactando não apenas a qualidade de vida desses profissionais, mas também a qualidade do ensino e, por consequência, o desenvolvimento cognitivo e emocional dos estudantes. Para Moreira e Rodrigues (2018, p. 245), “a tensão resultante está muitas vezes associada a ambientes de trabalho marcados por violência psicológica e, em situações extremas, a assédio moral no trabalho”.

Concordando com Rodrigues (2018), o ambiente educacional é frequentemente caracterizado por uma série de fatores estressantes, como uma carga de trabalho significativa, salas de aula lotadas, uma pressão por resultados e, às vezes, uma falta de recursos adequados. Além disso, os professores muitas vezes enfrentam desafios emocionais ao lidar com alunos que têm dificuldades de aprendizagens, comportamentais e/ou emocionais. Essas pressões levam ao estresse estrutural, à exaustão e ao desgaste emocional, impactando diretamente a saúde mental dos educadores.

O adoecimento mental na docência ocorre, por exemplo, diante de conflitos recorrentes nas relações interpessoais, da longa e exaustiva jornada de trabalho, da diversidade e complexidade das atividades, das dificuldades inerentes às relações em sala de aula e da falta de reconhecimento social de seu trabalho. Entretanto, o adoecimento quando já instalado na vida do sujeito, pode dificultar seu engajamento profissional, provocando assim, a ruptura ou afastamento do docente de suas atividades (Oliveira e Santos, 2021, p.4).

Dialogando com os autores, o estresse específico entre os professores é uma preocupação crescente, pois pode resultar em problemas de saúde mental, como ansiedade e depressão dentre outras. A pressão constante por desempenho e a falta de apoio adequado podem tornar o trabalho na educação básica emocionalmente desgastante. A exaustão emocional, conhecida como “BURNOUT”, é uma resposta frequente a esses desafios, levando a uma diminuição da motivação e satisfação no trabalho.

De acordo com Guimarães (2008, p. 16), “Burnout é um termo que remete a uma gíria da língua inglesa que se refere, aquilo que deixou de funcionar por absoluta falta de energia (...)”. Assim sendo, é fundamental considerar que a saúde mental dos professores não afeta apenas o bem-estar individual, ela tem um impacto direto na qualidade do ensino.

Compartilhando da ideia do autor, educadores sob estresse específico podem ter diferentes dificuldades como, promover um ambiente de aprendizagem positivo. Isso pode afetar os padrões de desempenho dos estudantes e a qualidade da educação que eles recebem. O profissional que sofre de Burnout, portanto, perde completamente o sentido de sua relação com o trabalho – ele simplesmente não se importa mais e qualquer tarefa lhe parece desgastante e inútil (Sarno, 2013, p. 4).

Ballone (2005, apud Araújo, p.20), descreveu seus principais sintomas: esgotamento emocional; despersonalização ou desumanização; sintomas físicos, como fadiga crônica, insônia, úlceras digestivas, hipertensão arterial, taquicardia, desordens gastrintestinais (...).

Dito isto, salienta-se que, a sobrecarga de trabalho, a pressão por resultados, a falta de recursos adequados e o ambiente escolar são desafiadores, esses fatores podem afetar a saúde mental dos professores. O impacto negativo sobre a saúde mental não compromete apenas a satisfação no trabalho e a motivação, mas também está relacionado a uma série de consequências adversas, incluindo Burnout, depressão, ansiedade e até mesmo o abandono da profissão docente.

O Burnout é a uma combinação de esgotamento crônico e atitudes negativas em relação ao trabalho, com efeitos danosos para a saúde e a produtividade, podendo favorecer perdas diárias, exaustão e autodestruição, além da probabilidade de enfraquecer o acesso a recursos usuais na atividade exercida, no engajamento e na utilização das habilidades do trabalhador (Silva; Silva; Loureiro, 2018, p. 04, apud Bakkera; Costa, 2014).

Pelo exposto acima, compreender a saúde mental dos professores não é apenas uma questão de bem-estar individual, mas também uma preocupação que afeta diretamente a qualidade do ensino. Educadores que enfrentam altos níveis de estresse e exaustão têm menor capacidade de envolver os alunos, de promover um ambiente de aprendizado positivo e de inspirar os jovens a alcançar seu potencial máximo.

Dentre os fatores que podem influenciar no adoecimento mental, estão os fatores intraescolares, que estão relacionados aos processos e práticas pedagógicas escolares. As transformações sociais, as reformas educacionais e os modelos pedagógicos derivados das condições de trabalho dos professores provocaram mudanças na profissão docente (...). (Gasparini; Barreto; Assunção, 2005, p.191).

Concordando com os autores supracitados, a busca por uma sistematização e qualidade na educação brasileira, trouxe para os espaços escolares diferentes propostas e exigências, sejam elas relacionadas as práticas pedagógicas docente, elevações de notas nos sistemas de avaliações externas, desenvolvimento de competências que o sujeito irá colocar em prática no contexto social, até mesmo comportamentos e valores aprendidos nos espaços familiares, sendo delegados aos espaços escolares, trazendo assim mais demandas aos professores e profissionais que fazem parte desse espaço.

Penteado e Souza Neto (2019, p.147), diz que, “a tarefa de ensinar passa a ser considerada um trabalho, sendo consolidada a imagem do professor como promotor da nova ordem social e política (...)”.

Segundo Gasparini, Barreto e Assunção (2005, p.191) relatam que:

Na atualidade, o papel do professor extrapolou a mediação do processo de conhecimento do aluno, o que era comumente esperado. Ampliou-se a missão do profissional para além da sala de aula, a fim de garantir uma articulação entre a escola e a comunidade.

Compartilhando das ideias acima, é notório a necessidade de conhecer e discutir acerca da saúde mental dos docentes no Ensino Fundamental dos Anos Iniciais nas escolas públicas municipais, pois o adoecimento mental, causa impacto no número de docente, prejudica o bem-estar social do educador e causa afastamentos o que interfere no aprendizado e qualidade educacional.

3. FATORES QUE CONTRIBUEM PARA O ADOECIMENTO MENTAL

A profissão de professor é uma das mais desafiadoras e estressantes que existem, e isso pode levar a transtornos emocionais e ao adoecimento desses profissionais. Quando a escola é motivo de constante frustração para o docente, as consequências tendem a ser negativas. Ocorrendo a frustração, a impossibilidade de atingir metas ou objetivos pessoais, gera-se o estresse e outros comportamentos negativos (...) (Queiroz; Lopes, 2022, p. 108).

Concordando com a citação acima, o espaço escolar pode e a função docente os transtornos emocionais são problemas de saúde mental que prejudicam o equilíbrio emocional e o bem-estar de uma pessoa. Na educação básica, os professores enfrentam uma série de desafios que podem desencadear esses transtornos. Para Silva (2023, p.250):

A percepção desses profissionais é de ter atingido um estado de saturação emocional no qual não é mais possível suportar o encontro com as necessidades de outra pessoa, pois agora é o próprio profissional quem está num estado que, muitas vezes é de carência, ou pior de esgotamento e desespero.

Seguindo as colocações acima, a pressão por resultados exigidos pelo espaço escolar, ambientes internos com pessoas tóxicas, humilhações e constrangimentos, falta de recursos, a diversidade crescente nas salas de aula e o relacionamento com alunos, pais e administradores escolares, podem criar um ambiente estressante e emocionalmente desgastante.

Outros fatores subjetivos externos ao ambiente escolar, pode causar uma somatória sintomática causando o desenvolvimento de transtornos psíquicos, como altos níveis de estresse, ansiedade e síndromes chegando até mesmo a desenvolver a síndrome de Burnout, levando essa profissional ao isolamento e possível adoecimento e desgaste de suas capacidades profissionais.

Professores da educação básica apresentam grande risco de desenvolver a Síndrome de Burnout, pois estão expostos a ambientes de trabalho com elevada exigência profissional, como tarefas extraclasses, carga horária excessiva e pouco tempo para atualização, lazer e convívio social (Koga et al 2015, p. 269).

Nota-se que diferentes desgastes potencializam e fragilizam as funções psíquicas causando transtornos emocionais e possíveis problemas de saúde mental que prejudicam o equilíbrio emocional e o bem-estar de uma pessoa. Na educação básica, os professores enfrentam uma série de desafios que podem desencadear esses transtornos.

Segundo Diehl e Marin (2016, p.65 apud Reis et al, 2006), “a profissão docente é considerada pela Organização Internacional do Trabalho (OIT) como uma das mais estressantes, pois ensinar se tornou uma atividade desgastante, com repercussões evidentes na saúde física, mental e no desempenho profissional.

A pressão por resultados exigidos pelo sistema escolar, a falta de recursos, a diversidade crescente nas salas de aula e o relacionamento com alunos, pais e administradores escolares podem criar um ambiente estressante e emocionalmente desgastante. Moreira e Rodrigues (2018), afirmam que “a tensão resultante está muitas vezes associada a ambientes de trabalho marcados por violência psicológica e, em situações extremas, a assédio moral no trabalho”.

Silva (2023, p. 246-247), destaca ainda que “em professores, de transtornos psíquicos esgotamento profissional (Burnout), quadros clínicos de depressão, além de outros e, ainda, de diferentes distúrbios psicossomáticos (gastrite; hipertensão arterial; dores de cabeça especialmente as chamadas cefaleias por tensão)”.

Para Sarno (2013, p.12), “a Síndrome de Burnout foi descrita inicialmente como um mal que acometeria àqueles que trabalhassem com uma demanda diretamente relacionada a outras pessoas”.

Neste sentido, o espaço escolar além de ser composto por diferentes atores, dispõem de exigências que contribuem para condições de trabalho que configuram em níveis elevados de estresse. Vale ressaltar que estresse não é Burnout, porém, é uma das alterações físicas e emocionais que podem conduzir a Síndrome de Burnout.

Como afirma os autores supracitados, o estresse exacerbado é um dos principais fatores que afetam os transtornos emocionais entre os professores. O excesso de trabalho, as longas horas de planejamento de aulas, a correção de provas e o gerenciamento de comportamentos difíceis dos alunos podem levar a altos níveis de estresse, ansiedade e até depressão causando outros distúrbios psicossomáticos que podem passar despercebidos.

Para Porto (1999, p.6), “enquanto síndrome, a depressão inclui não apenas alterações do humor (tristeza, irritabilidade, falta da capacidade de sentir prazer, apatia), mas também uma gama de outros aspectos, incluindo alterações cognitivas, psicomotoras e vegetativas (sono, apetite)”.

A síndrome de Burnout, acompanha um conjunto de possíveis fatores com características, tanto individuais como organizacionais, sobre essas características. “O Burnout é a uma combinação de esgotamento crônico e atitudes negativas em relação ao trabalho, com efeitos danosos para a saúde e a produtividade, podendo favorecer perdas diárias, exaustão e autodestruição...(Silva; Silva e Loureiro, 2018, p.4”). A Síndrome de Burnout, está relacionada a uma lista de doenças relacionadas ao trabalho como descreve. Sarno, (2013, p.13);

Já a Síndrome de Burnout se apresenta em 3 fases: Fase 1 - de alerta: onde o indivíduo se depara com algum elemento estressor, interno ou externo, que, por sua vez, propicia manifestações sintomáticas agudas. Fase 2 - de resistência: onde o organismo busca restaurar seu equilíbrio interno. O indivíduo tenta manejar os estressores e as manifestações agudas tendem a diminuir e desaparecer Fase 3 - de exaustão: que surge diante de continua exposição ou grande intensidade dos estressores. Ocorre o retorno das manifestações sintomáticas agudas, e, sobretudo o organismo não consegue a restauração do seu equilíbrio interno.

De acordo com Lima (2021, p.68), “uma síndrome é conceituada como um conjunto de sintomas que caracterizam as manifestações de uma ou várias doenças ou condições clínicas, independentemente das causas que as diferenciem”.

Concordando com o autor acima, o espaço escolar apresenta diferentes manifestações de comportamentos, sintomas podem estar relacionadas à diferentes síndromes ou mesmo doenças clínicas que necessitam e exigem uma investigação cautelosa e cuidadosa.

Assim sendo, os sintomas depressivos têm suas manifestações em professores entre os professores com diferentes comportamentos. “O humor triste e o desânimo são as manifestações centrais, mas ocorrem também importantes distúrbios cognitivos, isto é, da esfera intelectual: dificuldade para concentrar a atenção, raciocinar, analisar textos (...) “ (Silva, 2023, p. 254).

“O Burnout, entretanto, confunde-se com mais de 20 categorias diagnósticas psiquiátricas, não cabem em uma única síndrome” (Lima, 2021, p.68).

O adoecimento dos professores vai além dos transtornos emocionais, enfrentamos muitos problemas de saúde físicos devido ao estresse crônico, como doenças cardíacas, distúrbios do sono, dores crônicas e problemas gastrointestinais

Isso não apenas prejudica a qualidade de vida dos professores, mas também afeta sua capacidade de ensinar de maneira eficaz. Silva e Salles (2016 apud Azevedo 2019, 111) “dizem que o estresse surgiu nos tempos modernos porque as pessoas passam a maior parte da vida no trabalho, sem tempo para o lazer com a família e amigos, o que não ocorria nos primórdios da humanidade.

Os transtornos emocionais, as exigências do cotidiano dos professores da educação básica são problemas sérios que afetam não apenas os próprios professores, mas também a qualidade da educação.

4. PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS

Esta pesquisa se fundamenta em uma revisão bibliográfica obedecendo os padrões científicos. Para Richardson (2012), a “estratégia utilizada em qualquer pesquisa científica fundamenta-se em uma rede de pressupostos ontológicos e da natureza humana que definem o ponto de vista que o pesquisador tem do mundo que o rodeia”.

A presente pesquisa foi classificada quanto aos objetivos como descritiva, estabelecendo uma inter-relação entre um determinado fenômeno e a população. Para Andrade 2001 (apud, Reis, 2012, p. 60), na pesquisa descritiva se observa, registra, classifica e interpreta os fatos sem que o pesquisador interfira ou os manipule.

Quanto aos procedimentos técnicos, a pesquisa foi bibliográfica. A pesquisa bibliográfica permite conhecer e aprofundar acerca da problemática fundamentada em leituras de autores e materiais publicados sobre o tema. Para Gil (2012, p.55), “a pesquisa bibliográfica é desenvolvida com base em material já elaborado, constituído principalmente de livros e artigos científicos”.

Os dados investigados obedecem aos critérios de classificação sendo eles: o material coletado deve estar voltado para o adoecimento e saúde mental de professores da educação básica, apenas do Ensino Fundamental, que atuam anos iniciais (1ºano ao 5º ano), e professores dos anos finais (6º ano ao 9º ano), da rede pública municipal e seu objetivo deve ter correlação com a pesquisa em questão.

A coleta dos dados foi feita através de seleção em fontes bibliográficas, periódicos e portais eletrônicos ScieELO (Scientific Eletronic Library Online), banco de dados da CAPES e BVS (Biblioteca Virtual em Saúde), onde os mesmos devem contemplar informações relacionadas a saúde mental, Burnout, professores, educação básica, trabalho. Dos 79 resultados de artigos acerca do tema, no portal da CAPES periódicos, apenas 4 foram selecionados contemplando as palavras chaves e objetivos da pesquisa. No banco de dados da ScieELO e BSV estando em ambos periódicos, totalizaram dos 101 artigos, desses apenas 9 tinham objetivos correspondentes ao da pesquisa. A seleção inicial traz um dado relevante, onde a temática não esteve tão presente nos últimos cinco anos, contemplando o objetivo da pesquisa.

Para melhor compreensão e organização dos dados da pesquisa, foram descritos os critérios de inclusão tais como: artigos publicados em periódicos nacionais em Língua Portuguesa, está disponível em periódicos on line, teses, dissertações, publicadas entre 2018 a 2023.

Os dados coletados foram organizados em quadro descrevendo: forma, autoria, título, objetivo. A partir do levantamento dos dados coletados, foi realizado leitura e percepção expostos nos dados. Na leitura dos artigos foram descritos os participantes, instrumentos e resultados.

O quadro 1 abaixo, irá apresentar as estratégias de busca nos referidos bancos de dados acima supracitados.

Quadro 1. Estratégias de busca de acordo com as bases de dados selecionadas

Base de dados

Estratégia de busca

Resultados (nº de artigos)

CAPES

Saúde mental dos professores da educação básica

Total

79

Usado

04

SCIELO e BSV
Biblioteca Virtual em Saúde

Saúde mental dos professores da educação básica

Total

101

Usado

09

Fonte: elaborada pela autora, 2024.

4.1. Critérios de Inclusão e Exclusão

A seleção dos artigos que obedecem alguns critérios de seleção e inclusão, dentre eles, a serem disponibilizados na íntegra em Língua Portuguesa, ter sido publicado em bancos de dados e anais, no critério de busca sua escrita está relacionado a Síndrome de Burnout e Saúde mental dos professores da educação básica. Como critério de exclusão, os artigos que não obedecem às normas sistematizadas, e que não vão de encontro com o objetivo de pesquisa.

4.2. Instrumento (S)

Foi realizado o levantamento bibliográfico entre os meses de março e maio de 2024, nos bancos de dados acima supracitados, obedecendo os critérios de inclusão e exclusão.

Para a coleta dos dados e organização dos itens obedeceram os seguintes itens específicos: forma, autoria, título, objetivo e sua publicação está entre os anos de 2018 a 2023.

4.3. Plano para Análise de Dados

Está pesquisa se fundamenta em uma revisão sistemática da literatura científica nacional acerca do tema da pesquisa, os dados foram analisados através da Análise de Conteúdo, que segundo Richardson 2012 (p. 224), essa técnica é utilizada “para estudar material do tipo qualitativo sem aplicação de técnicas aritméticas e sim leituras para organização das ideias” (...).

Assim sendo, foi necessário leitura e análise das produções científicas veiculadas nos periódicos já mencionados e estudo aprofundado observando a adequação do tema aos objetivos e questões norteadoras da pesquisa. Foi realizado uma seleção de material e estudos, por meio de leituras de título e resumos, obedecendo os critérios de inclusão e exclusão já exposto.

5. RESULTADOS E ANÁLISES

A pesquisa buscou através de artigos uma revisão sistematizada e integrativa, podendo ser observados no Quadro 2. Os artigos selecionados foram avaliados em sua totalidade e integralidade, levando em consideração os critérios de inclusão e exclusão, sendo assim, apenas 10 artigos científicos que trazem em seus objetivos de forma clara as principais e possíveis relação entre o espaço escolar intra e extraescolar e o adoecimento mental dos professores da educação básica.

Os resultados apresentam que dos artigos analisados 10 foram selecionados pois descrevem no título uma relação direta acerca das condições de trabalho, a síndrome de Burnout, o trabalho docente, bem como a saúde mental e o adoecimento dos professores da educação básica da rede pública de ensino.

Quadro 2. Síntese bibliográfica coletada de acordo com a forma de publicação, autores/ano, título

FORMA

AUTORES/ANO

TÍTULO

Artigo Sciello e BVS

Dalcin e Carlotto (2018)

Avaliação de efeito de uma intervenção para a Síndrome de Burnout em professores

Artigo Sciello e BVS

Silva, Silva e Loureiro (2018)

Burnout e depressão em professores do ensino fundamental: um estudo correlacional.

Artigo Sciello

Souza ( 2018).

Adoecimento mental e o trabalho do professor: um estudo de caso na rede pública de ensino.

Artigo CAPES

Pawlowytsch e Wasilkosky (2019)

Síndrome de Burnout e o trabalho docente: um estudo exploratório com professores da rede pública de ensino.

Artigo Sciello e BVS

Santos, Espinosa e Marcon (2020).

Qualidade de vida, saúde e trabalho de professores do ensino fundamental.

Artigo Sciello e BVS

MAGALHÃES, T. A de; et al. (2021).

Prevalência e fatores associados à síndrome de Burnout entre docentes da rede pública de ensino: estudo de base populacional

Artigo Sciello

Souza, Carballo, Lucca, (2023)

Fatores Psicossociais e síndrome de Burnout em professores da educação básica.

Artigo Sciello e BVS

Ribeiro et al, (2023).

Associação entre a síndrome de Burnout e a violência ocupacional em professores

Artigo CAPES

Moreira e Rodrigues (2018).

Saúde mental e trabalho docente

Artigo Sciello

SILVA, J. C et. al (2023).

Saúde mental, adoecimento e trabalho docente

Fonte: elaborada pela autora, 2024.

A prevalência da Síndrome de Burnout-SB em professores da Educação Básica

Os resultados abaixo apresentam que dos artigos analisados 6 foram selecionados a partir de leitura minuciosa, pois os objetivos descritos vão de encontro aos objetivos da pesquisa, cujas as percepções encontram-se descritas abaixo, identificados como A1, A2, A3, A4, A5 e A6.

A partir do levantamento bibliográfico, realizou-se leitura dos artigos, observando os objetivos e resultados e discussão dos textos, expostos na sessão abaixo.

Quadro 3. Objetivos, métodos e resultados dos estudos encontrados

OBJETIVO

MÉTODO

RESULTADOS

A1

Avaliar o efeito de uma intervenção para a Síndrome de Burnout em professores.

  • Estudo pré-experimental.

  • Questionário de dados sociodemográfico.

  • Questionário para avaliação da Síndrome de Burnout

  • Questionário para a Avaliação da Síndrome de Quemarse, versão adaptada para o uso no Brasil.

  • Escala de Emoções no Trabalho, traduzida e adaptada para o Brasil por Carlotto, Rodriguez e Câmara (2016) para a avaliação do trabalho emocional.

  • Sobre as emoções no trabalho demonstram que a variabilidade de emoções apresentou escore estatisticamente significativo.

  • Os resultados confirmaram parcialmente as hipóteses as escalas de SB, coping, interação trabalho-família e emoções no trabalho.

  • A Ilusão pelo trabalho foi a dimensão de Burnout que apresentou resultado significativo quando avaliada a diferença entre os dois tempos.

  • Em relação às dimensões de coping, observou-se que o coping focalizado no problema foi a única dimensão que obteve resultado estatisticamente significativo, quando comparados os tempos 1 e –

  • Os resultados obtidos sobre as emoções no trabalho demonstram que a variabilidade de emoções apresentou escore estatisticamente significativo.

A2

Verificar a prevalência de Busnout e de depressão em professores do ensino fundamental, bem como investigar possíveis correlações entre Burnout, depressão, variáveis sociodemográficas e organizacionais.

  • Questionário Geral Professores;

  • O Inventário da Síndrome de Burnout - ISB;

  • Questionário sobre Saúde do/da Paciente – PHQ-9: é um instrumento que foi adaptado do PRIME-MD por Spitzer et al. (1994) para o diagnóstico para transtornos mentais voltado para serviços de saúde, com ênfase em cuidados primários.

  • Apontou que 77% dos professores não apresentaram depressão 23% obtiveram escores indicativos de depressão, 29% dos professores apresentaram Burnout, sendo prevalentes: distanciamento emocional, com 40%, seguido de exaustão emocional, 37%, desumanização, 22%, e apenas 11% com baixa realização pessoal.

  • Dados relativos às correlações entre Burnout, depressão e variáveis demográficas e organizacionais.

A3

Verificar a associação entre os fatores psicossociais do trabalho (FPT), as características individuais e a SB em professores da rede de Educação Básica.

  • Realizou-se uma revisão sistemática da literatura, de acordo com os critérios PRISMA e os objetivos propostos quanto à prevalência de Burnout e associações dos fatores psicossociais de risco e de proteção.

  • A Síndrome de Burnout é um desfecho final negativo para a saúde dos docentes é de fundamental importância identificar os fatores de risco, ou seja, as causas primárias de estresse no ambiente de trabalho das escolas e a situação de vulnerabilidade dos professores.

  • Os resultados desta revisão assentados no desfecho final negativo da Síndrome de Burnout e as respectivas associações são importantes como diagnóstico da situação dos professores nas escolas da Educação Básica.

A4

Verificar a associação entre a violência laboral e a síndrome de Burnout em professores

  • Foi realizado um estudo transversal realizado com 200 professores do Ensino Fundamental e Médio de um município paranaense.

  • Os dados foram coletados por meio de um instrumento contendo um questionário com dados sociodemográfico, ocupacionais e de caracterização da violência laboral sofrida ou testemunhada nos últimos 12 meses e o Maslach Burnout Inventory para avaliar a síndrome de Burnout.

  • A pesquisa resultou na prevalência de violência verbal e física foi de 71,5% e 3% entre os professores, respectivamente.

  • Verificou-se que 57,5% apresentaram alta exaustão emocional, 49% alta despersonalização e 36% baixa realização profissional, e 21% possuem indicativo para síndrome de Burnout.

  • O modelo múltiplo indicou que exaustão emocional e despersonalização estiveram direta e significativamente associadas a sofrer violência física e verbal, bem como presenciar esses tipos de violência, independentemente de sexo e idade.

A5

Identificar a incidência da síndrome de Burnout em profissionais que atuam na prática docente de um município do Planalto Norte de Santa Catarina.

  • Descritiva de abordagem quantitativa e qualitativa.

  • Aplicação de dois questionários para os professores/questionário sócio demográfico/características do local de trabalho.

  • Questionário Jbeili, para identificação preliminar da Burnout, elaborado e adaptado por JBEILI (2008) inspirado no Maslach Burnout Inventory – MBI desenvolvido pela pesquisadora

  • Christina Maslach (1978), de acordo com Maslach e Jakson (1981)3 apud Almeida, Machado e Sá (2013)

  • O inventário de sintomatologia de Burnout, no qual a frequência encontrada para o índice de Burnout nos docentes, onde 35,8% possibilidade de desenvolver Burnout, 49,7% fase inicial de Burnout, 12,7% o início da instalação de Burnout e 1,7 % Burnout em fase considerável.

  • Na docência a incidência de Burnout é decorrente devido ao aumento de responsabilidades exigidas ao profissional.

A6

Compreender as percepções das condições de saúde mental de escolas públicas no interior do Rio Grande do Sul, Brasil.

  • Pesquisa quantitativa.

  • Aplicação de questionários semiestruturados em 249 professores de 11 escolas públicas, de cinco municípios do interior do estado do Rio Grande do Sul.

  • O instrumento utilizado foi um questionário adaptado do Protocolo de Atenção à Saúde Mental e Trabalho, organizado por Bahia (2014), que consiste em uma ferramenta que tem como objetivo o diagnóstico e manejo das principais situações de adoecimento e transtornos mentais relacionados ao trabalho.

  • Realizou-se a análise dos dados por intermédio do software Statistical Package for the Social Sciences – SPSS 18.

  • As pesquisas apresentadas indicam aumento significativo de exigências e demandas de trabalho dos educadores.

  • Os professores no Sul do Brasil enfrentavam dificuldades econômicas, devido ao parcelamento e atraso de salários

  • A pesquisa contou 64,7% são do sexo feminino do 16,1% do sexo masculino, 19,2%. não responderam.

  • 47,8% se percebem em esgotamento emocional, 71,5% apontam estresse no ambiente de trabalho e 48,6% da amostra estão insatisfeitos.

  • A partir desses dados podemos refletir que a profissão docente, ao longo das últimas décadas, sofreu diversas mudanças e o sistema educacional enfrenta uma crise sem precedentes, 33,7% fazem uso de alguma medicação.

  • O uso de medicamentos prescrito aos educadores perfaz 31% dos professores.

Fonte: elaborada pela autora, 2024.

Na pesquisa de Dalcin e Carlotto (2018), foi identificado como A1, teve sua pesquisa relacionado ao impacto de uma intervenção para a Síndrome de Burnout em professores da educação básica. Utilizando diferentes questionários e escalas como instrumentos para obter seus resultados, que demonstraram a variabilidade das emoções, reconhecimento de prática estressoras descrito nos escore estatísticos.

A pesquisa apresentou alto índice referente as emoções, relacionado a ilusão pelo trabalho, ou seja, expectativas e realidade, destacando que as novas demandas pedagógicas, administrativas e reformas educacionais, sobre a SB a pesquisa identificou dimensões, como ilusão, desgaste psíquico, indolência e culpa, como risco psicossocial associada a Burnout, entretanto os resultados relacionados a SB apresentou baixos níveis.

De acordo com (Sarno, 2013, p. 06), “a Síndrome de Burnout foi descrita inicialmente como um mal que acometeria àqueles que trabalhassem com uma demanda diretamente relacionada as outras pessoas.

Lozano (1994, apud Guimarães, 2008, p.20), teve seu artigo identificado como A2, com aplicação de diferentes questionários e Inventário da Síndrome de Burnout, escalas, diante do objetivo exposto, os resultados apontam variáveis associadas a síndrome de Burnout, 29% dos professores apresentaram Burnout, com as dimensões de distanciamento emocional (40%), exaustão emocional (37%), desumanização (22%) e realização pessoal (11%), com prevalência maior no gênero feminino.

O Burnout, é muito confundido com stress, acomete gravemente o indivíduo em três dimensões: exaustão emocional (incapacidade em dar de si em valores afetivos), despersonalização (sentimentos negativos, cinismo, agressividade e coisificação das relações) e distanciamento da rotina, das pessoas e da organização (anestesia das habilidades para a realização do trabalho). (Sarno, 2013, p.04).

Nos estudos de Souza, Carballo, Lucca, (2023), A3, a pesquisa verificou-se, que os professores da Educação Básica, principalmente de escolas públicas, se encontram em sofrimento físico e emocional devido aos problemas de infraestrutura e os fatores psicossociais do trabalho relacionados com as elevadas demandas de trabalho, a falta de autonomia, a qualidade ruim dos relacionamentos e a violência, que contribuíram para o desenvolvimento da SB.

A Síndrome de Burnout se mostra diferente em cada pessoa, mas um dos mais visíveis sintomas é a falta de motivação que faz com que a quantidade e qualidade do trabalho diminuam (Sarno, 2013, p.07).

Evidenciou-se também que os docentes mais comprometidos, com baixa resiliência e autoestima e que apresentaram sintomas de ansiedade e depressão se apresentaram com maior risco de SB, embora não tenha sido possível estabelecer nexo causal devido aos desenhos transversais dos estudos selecionados.

Em relação aos fatores sociodemográfico, foi evidenciado uma maior predominância nas mulheres demonstraram estar mais vulneráveis à Burnout. Os outros fatores (idade, situação conjugal, tempo de profissão) apresentaram resultados variados, não nos permitindo traçar um panorama. Os docentes com menos de 35 anos apresentaram prevalência quase duas vezes maior em relação aos mais velhos.

Os estudos de A4, apresentou em seus resultados a incidência de Burnout sendo decorrente devido ao aumento de responsabilidades exigidas ao profissional. A partir da tabela é possível perceber que quanto ao gênero 87,9% são do gênero feminino e 12,1% são do gênero masculino. Os indivíduos idealizam objetivos e depositam altas expectativas, que muitas vezes não são realistas e conduzem a experiências negativas, deixando estes indivíduos propensos ao desenvolvimento da síndrome. A pesquisa apontou que 49,70% estão na fase inicial de Burnout, 35,80 com possibilidade de desenvolver Burnout, 12,70% com início da instalação da SB e 1,70% com Burnout em fase considerável.

Os resultados descritos em A5, apresentou que a síndrome de Burnout, no público estudado, existe um percentual menor ou próximo de 24% de professores com baixos índices nos três perfis: subdesafiado, frenético e desgastado.

O perfil da síndrome de Burnout, presente entre os professores, foi, de forma decrescente, subdesafiado, frenético e desgastado. Nos níveis baixos e intermediários, o sentido de vida dos profissionais da educação foi de maior busca de sentido em comparação à presença de sentido, enquanto, no nível alto, a presença foi mais elevada do que a busca de sentido.

A pesquisa contou 64,7% são do sexo feminino do 16,1% do sexo masculino, 19,2%. A6, 47,8% se percebem em esgotamento emocional, 71,5% apontam estresse no ambiente de trabalho e 48,6% da amostra estão insatisfeitos. A partir desses dados podemos refletir que a profissão docente, ao longo das últimas décadas, sofreu diversas mudanças e o sistema educacional enfrenta uma crise sem precedentes, 33,7% fazem uso de alguma medicação. O uso de medicamentos prescrito aos educadores perfaz 31% dos professores.

6. CONSIDERAÇÕES FINAIS

Esta pesquisa tinha como objetivo investigar como o espaço intra e extraescolar pode influenciar o desenvolvimento de patologias relacionadas a saúde mental dos professores da educação básica, buscando identificar que fatores existentes no espaço escolar e fora dele, podem contribuir para o processo de adoecimento mental dos professores da educação básica.

A revisão verificou que a síndrome de Burnout, foi percebida em estágio inicial, principalmente entre os educadores da rede pública municipal, onde o sofrimento emocional está relacionado ao enfrentamento das diferentes e elevadas demandas diárias.

Sobre as patologias relacionadas ao ambiente de trabalho, os artigos descreveram, dificuldades em perceber mesmo aplicando testes, a identificação da SB, pois a mesma está relacionada a diferentes variáveis, como exaustão emocional, despersonalização e distanciamento afetivo, sendo esse o tripé multidimensional da síndrome.

Sobre os fatores relacionados fora do ambiente escolar, os artigos selecionados realizaram aplicação de questionários sociodemográfico, sendo o sexo feminino o maior quantitativo das pesquisas, onde as mesmas afirmam que o possível quantitativo está relacionado ao perfil do profissional que trabalha na educação básica Anos Inicias.

Os estudos apontam um crescimento no nível de estresse, com uso de medicamentos entre os educadores principalmente os mais jovens e com menos tempo e atuação, por não ter dificuldades em solucionar as crescentes demandas e exigências no espaço escolar no contexto atual.

Diante do contexto a pesquisa não se finda, sendo percebido a necessidade de pesquisar acerca da saúde mental dos educadores da rede pública municipal de Imperatriz - Ma, e como esses profissionais recebem apoio e se existem afastamento por diagnósticos de Síndrome de Burnout e/ou outros transtornos e síndromes.

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1 Docente Substituta do Curso de Pedagogia da Universidade Estadual da Região Tocantina do Maranhão - UEMASUL Campus Imperatriz. Mestre em Gestão e Desenvolvimento Regional (UNITAU – SP), Especialista em Metodologia do Ensino Superior (UEMA – MA). E-mail: [clique para visualizar o e-mail]acesse o artigo original para visualizar o e-mail

2 Docente do Curso de Direito da Universidade Federal do Maranhão (UFMA – CCIM), Doutora em Direito (FADISP - SP), Mestre em Gestão e Desenvolvimento Regional (UNITAU – SP), Especialista em Didática Universitária (FAMA - MA). E-mail: [clique para visualizar o e-mail]acesse o artigo original para visualizar o e-mail