AVALIAÇÃO DA RELAÇÃO ENTRE A HIGIENIZAÇÃO DE PRÓTESE REMOVÍVEL E A INCIDÊNCIA DE ESTOMATITE PROTÉTICA

EVALUATION OF THE RELATIONSHIP BETWEEN REMOVABLE PROSTHESIS HYGIENE AND THE INCIDENCE OF PROSTHETIC STOMATITIS

REGISTRO DOI: 10.70773/revistatopicos/779628225

RESUMO
Introdução: A estomatite protética é uma alteração inflamatória frequente em usuários de próteses removíveis, estando diretamente relacionada ao acúmulo de biofilme, à presença de microrganismos e à higienização inadequada da prótese e da cavidade oral. Objetivo: Analisar a relação entre os hábitos de higiene de usuários de próteses removíveis e o desenvolvimento da estomatite protética, além de abordar formas de prevenção dessa condição. Materiais e Métodos: Trata-se de uma revisão de literatura de caráter bibliográfico, com abordagem qualitativa e descritiva. Foram utilizados artigos científicos publicados entre os anos de 2015 e 2024, pesquisados nas bases de dados PubMed, SciELO e Google Acadêmico. Os estudos selecionados abordavam temas relacionados à higienização de próteses removíveis, presença de Candida albicans, prevalência da estomatite protética e métodos preventivos. Resultados: Os estudos analisados demonstraram que a higienização inadequada das próteses removíveis, o uso contínuo durante o período noturno e a falta de acompanhamento odontológico estão entre os principais fatores associados ao desenvolvimento da estomatite protética. Observou-se também que protocolos de limpeza que associam escovação mecânica e desinfecção química apresentam melhores resultados no controle do biofilme e na prevenção de lesões inflamatórias. Conclusão: Conclui-se que os hábitos de higiene exercem influência direta no desenvolvimento da estomatite protética, sendo indispensável a orientação profissional e o acompanhamento periódico para a prevenção dessa alteração e para a manutenção da saúde bucal dos usuários de próteses removíveis.
Palavras-chave: Biofilme; Candida albicans; Saúde bucal; Prótese dentária; Mucosa oral.

ABSTRACT
Introduction: Denture stomatitis is a common inflammatory condition in removable denture wearers and is directly associated with biofilm accumulation, microbial colonization, and inadequate denture and oral hygiene. Aim: To analyze the relationship between hygiene habits in removable denture users and the development of denture stomatitis, as well as to discuss preventive measures for this condition. Materials and Methods: This study consists of a bibliographic literature review with a qualitative and descriptive approach. Scientific articles published between 2015 and 2024 were selected from the PubMed, SciELO, and Google Scholar databases. The selected studies addressed topics related to removable denture hygiene, Candida albicans colonization, prevalence of denture stomatitis, and preventive methods. Results: The analyzed studies demonstrated that inadequate denture hygiene, continuous denture use during sleep, and the absence of regular dental follow-up are among the main factors associated with the development of denture stomatitis. It was also observed that hygiene protocols combining mechanical brushing and chemical disinfection are more effective in controlling biofilm and preventing inflammatory lesions. Conclusion: It can be concluded that hygiene habits have a direct influence on the development of denture stomatitis, making professional guidance and periodic follow-up essential for preventing this condition and maintaining oral health in removable denture users. 
Keywords: Biofilm; Candida albicans; Oral health; Dental prosthesis; Oral mucosa.

1. INTRODUÇÃO

A perda dentária ainda representa um importante problema de saúde pública, especialmente entre adultos e idosos, interferindo diretamente em funções essenciais como mastigação, fonação e estética, além de impactar aspectos psicossociais relacionados à autoestima e à qualidade de vida dos indivíduos. Nesse contexto, as próteses dentárias removíveis são amplamente utilizadas como alternativa reabilitadora, principalmente devido ao seu menor custo e acessibilidade, sendo uma opção frequente na prática clínica odontológica (Felton et al., 2011).

A higienização das próteses removíveis é um fator determinante para a manutenção da saúde bucal, uma vez que sua limpeza inadequada favorece o acúmulo de biofilme e de resíduos alimentares. A superfície das próteses, especialmente as confeccionadas em resina acrílica, apresenta características que facilitam a adesão de microrganismos, contribuindo para a formação de um ambiente propício à proliferação microbiana (Budtz-Jorgensen, 1990).

Entre as principais alterações associadas ao uso de próteses removíveis destaca-se a estomatite protética, caracterizada por um processo inflamatório na mucosa em contato com a prótese. Clinicamente, essa condição se manifesta por áreas eritematosas e pode estar relacionada a múltiplos fatores, incluindo aspectos mecânicos, biológicos e comportamentais, o que reforça seu caráter multifatorial (Newton, 1962).

A estomatite protética apresenta alta prevalência entre usuários de próteses removíveis, sendo influenciada por fatores como o tempo de uso da prótese, a ausência de acompanhamento profissional e o nível de conhecimento do paciente quanto aos cuidados necessários. Além disso, a colonização por microrganismos, especialmente do gênero Candida, desempenha papel importante no desenvolvimento e manutenção dessa condição (Gendreau; Loewy, 2011).

A adoção de medidas preventivas, como a higienização adequada das próteses, o uso de agentes de limpeza específicos e a remoção da prótese durante o período noturno, é fundamental para o controle do biofilme e para a manutenção da saúde dos tecidos bucais. Essas práticas, associadas ao acompanhamento clínico periódico, contribuem significativamente para a redução de alterações relacionadas ao uso de próteses removíveis (Webb et al., 1998).

Além disso, o uso de próteses removíveis exige que o paciente tenha disciplina e entendimento sobre os cuidados necessários no dia a dia. Muitas vezes, mesmo após receber orientações do cirurgião-dentista, essas recomendações não são seguidas corretamente, seja por falta de informação, descuido ou dificuldade na rotina. Essa falta de cuidado pode prejudicar tanto a adaptação à prótese quanto a saúde dos tecidos bucais, facilitando o aparecimento de alterações associadas ao seu uso contínuo (Felton et al., 2011).

Apesar das recomendações estabelecidas na literatura, observa-se na prática clínica que muitos pacientes não realizam corretamente a higienização das próteses removíveis nem seguem as orientações quanto ao seu uso adequado, o que pode contribuir para o aumento da ocorrência de alterações na mucosa oral, especialmente a estomatite protética.

Diante disso, este estudo tem como objetivo analisar a relação entre os hábitos de higiene de usuários de próteses removíveis e o desenvolvimento da estomatite protética, além de abordar formas de prevenção dessa condição. Para isso, foi realizada uma revisão de literatura de caráter bibliográfico, com abordagem qualitativa e descritiva, baseada em artigos científicos publicados entre os anos de 2015 e 20-24. As buscas foram feitas em bases de dados como PubMed, SciELO e Google Acadêmico, utilizando trabalhos que tratam diretamente da higienização de próteses removíveis, da presença de Cândida e da estomatite protética. Essa forma de estudo permite reunir diferentes informações já publicadas e entender melhor como esses fatores estão relacionados, além de ajudar a identificar a importância dos cuidados diários com a prótese e do acompanhamento com o cirurgião-dentista para evitar problemas na mucosa bucal.

2. REFERENCIAL TEÓRICO

2.1. Prevalência dos Usuários de Próteses Removíveis

No Brasil, estudos com participantes idosos em instituições de cuidados de longa permanência descobriram que tanto o uso quanto a necessidade de próteses removíveis, tanto totais quanto parciais, estavam associados a fatores como gênero, frequência de visitas ao dentista e presença de doenças crônicas. O estudo mostra que fatores sociodemográficos, questões de saúde e acesso a serviços odontológicos afetam o uso e a necessidade de próteses dentárias entre os idosos (Ribeiro, Santos e Baldani, 2023).

Vários autores demonstram a demanda extremamente alta por próteses removíveis entre os idosos brasileiros. Um estudo nacional observou que a grande maioria dessa população necessita de próteses dentárias de um tipo específico, especificamente próteses totais duplas e próteses parciais removíveis. A necessidade é ainda destacada por resultados que relatam sobre idade, baixo nível de escolaridade, doenças crônicas e percepção negativa da saúde bucal (Ministério da Saúde, 2023).

No entanto, de acordo com um estudo recente do Ministério da Saúde na pesquisa SB Brasil 2023, a necessidade de próteses dentárias, especialmente entre os idosos brasileiros, ainda é alta, apesar do desenvolvimento de políticas públicas de saúde bucal. Quase metade das pessoas com idades entre 65 e 74 anos necessita de algum tipo de prótese, seja total ou parcial, devido ao curso de vida da perda dentária e à importância da reabilitação protética para melhorar a qualidade de vida. Observou-se que uma parte significativa do tratamento odontológico oferecido pelo Sistema Único de Saúde a essa população está relacionada ao estabelecimento, modificação ou manutenção de próteses removíveis, sugerindo a necessidade contínua, bem como o papel fundamental do SUS na prestação desses tipos de serviços (Ministério da Saúde, 2023).

Além da elevada necessidade protética entre idosos, estudos também demonstram que o uso de próteses removíveis está diretamente relacionado às desigualdades sociais e econômicas presentes no Brasil. Indivíduos com menor renda e menor escolaridade apresentam maior índice de perdas dentárias e, consequentemente, maior dependência de reabilitações protéticas. Essa realidade evidencia que o edentulismo ainda permanece como um importante problema de saúde pública, principalmente nas regiões Norte e Nordeste, onde o acesso aos serviços odontológicos especializados ainda é mais limitado (Brasil, 2024).

Outro aspecto relevante está relacionado ao impacto funcional causado pela ausência dentária. A perda de elementos dentários compromete funções essenciais como mastigação, fonação e estética, além de influenciar diretamente na autoestima e no convívio social do paciente. Dessa forma, o uso de próteses removíveis não representa apenas uma reabilitação bucal, mas também uma importante estratégia de promoção da qualidade de vida, especialmente entre idosos e pacientes com múltiplas perdas dentárias (Brasil, 2024; Peric et al., 2024).

A ampliação da oferta de próteses dentárias pelo Sistema Único de Saúde tem contribuído significativamente para a redução dos impactos do edentulismo. Programas como o Brasil Sorridente fortalecem a atenção em saúde bucal por meio da oferta de próteses totais e parciais removíveis nas unidades públicas, favorecendo o acesso da população mais vulnerável ao tratamento reabilitador. Entretanto, mesmo com esses avanços, a demanda ainda permanece elevada, exigindo políticas públicas contínuas e maior investimento em prevenção da perda dentária ao longo da vida (Brasil, 2024).

2.2. Definição da Estomatite Protética

A estomatite protética é uma alteração inflamatória bastante frequente em pacientes usuários de próteses removíveis, principalmente em próteses totais superiores, devido ao maior contato da base acrílica com a mucosa palatina. Essa condição é caracterizada clinicamente por áreas de eritema, edema e, em alguns casos, hiperplasia papilar inflamatória, podendo também estar associada a sintomas como ardência, desconforto, sensação de queimação e halitose. Em muitos pacientes, a lesão pode se apresentar de forma assintomática, sendo identificada apenas durante o exame clínico de rotina realizado pelo cirurgião-dentista (McReynolds et al., 2023; Wadia, 2023).

Embora a presença de Candida albicans seja fortemente relacionada ao desenvolvimento da estomatite protética, sua etiologia é considerada multifatorial. A superfície interna da prótese favorece a retenção de biofilme, reduz a oxigenação local e dificulta a ação protetora da saliva, criando um ambiente propício para a proliferação de microrganismos. Além disso, fatores como xerostomia, tabagismo, diabetes mellitus, imunossupressão, uso prolongado de antibióticos e próteses mal adaptadas aumentam significativamente o risco de surgimento da lesão (Perić et al., 2024; Le Bars et al., 2022).

O uso contínuo da prótese, especialmente durante o período noturno, também contribui para o agravamento do quadro inflamatório. A permanência prolongada da prótese sobre a mucosa reduz a renovação salivar e dificulta a oxigenação dos tecidos, favorecendo a colonização fúngica e bacteriana. Além disso, a falta de higienização adequada potencializa o acúmulo de biofilme e intensifica a resposta inflamatória local, tornando a estomatite protética uma condição de forte relação com os hábitos de higiene e manutenção da prótese (Abuhajar et al., 2023).

Além dos impactos locais na mucosa oral, a estomatite protética pode apresentar repercussões sistêmicas, principalmente em pacientes idosos e institucionalizados. A presença de biofilme contaminado na prótese pode favorecer infecções oportunistas e aumentar o risco de complicações, como pneumonia aspirativa, especialmente quando associada à higiene deficiente e ao uso contínuo da prótese. Dessa forma, o diagnóstico precoce, a intervenção profissional e a orientação adequada ao paciente são fundamentais para a manutenção da saúde bucal e da saúde geral (McReynolds et al., 2023; Wadia, 2023).

2.3. Relação da Estomatite Protética e a Falta de Higiene

A higienização inadequada das próteses removíveis e da mucosa oral é considerada um dos principais fatores associados ao desenvolvimento da estomatite protética. Quando a limpeza da prótese não é realizada de forma correta e frequente, ocorre o acúmulo de biofilme sobre sua superfície, favorecendo a proliferação de microrganismos, especialmente fungos do gênero Candida, que possuem importante participação no processo inflamatório da mucosa. Esse biofilme funciona como um agente irritativo constante, promovendo alterações inflamatórias persistentes e aumentando significativamente a ocorrência de lesões na mucosa de suporte (Perić et al., 2024).

Além da higienização da prótese, a limpeza da própria cavidade oral também exerce papel fundamental na prevenção da estomatite protética. Muitos pacientes concentram seus cuidados apenas no dispositivo protético e acabam negligenciando a higienização da mucosa palatina, da língua e das gengivas. Essa falha favorece a permanência de resíduos alimentares e microrganismos patogênicos na boca, dificultando o controle microbiológico local. A escovação da mucosa oral e da língua contribui para a redução da carga microbiana e auxilia no controle da colonização por Candida albicans, sendo uma medida simples, porém extremamente eficaz (Le Bars et al., 2022).

Outro hábito fortemente relacionado ao surgimento da estomatite protética é o uso contínuo da prótese durante o período noturno. Dormir com a prótese reduz a oxigenação da mucosa, dificulta a renovação salivar e aumenta o tempo de contato entre a superfície contaminada da prótese e os tecidos bucais. Essa condição favorece a inflamação local e o desenvolvimento de processos infecciosos, principalmente em pacientes idosos e imunossuprimidos. Estudos demonstram que pacientes que removem a prótese para dormir apresentam menor prevalência de estomatite protética quando comparados àqueles que mantêm o uso contínuo, reforçando a importância da orientação profissional durante o acompanhamento odontológico (Darvishi et al., 2023; Wadia, 2023).

A literatura também demonstra que o uso inadequado de produtos de limpeza ou a ausência de métodos químicos de desinfecção contribuem para o agravamento da condição. Muitos usuários realizam apenas a lavagem superficial da prótese com água ou creme dental comum, o que não é suficiente para eliminar completamente o biofilme aderido à superfície acrílica. A associação entre escovação mecânica e imersão em soluções desinfetantes específicas apresenta resultados mais eficazes no controle microbiológico e na prevenção de lesões inflamatórias associadas ao uso da prótese removível (Salles et al., 2015).

Outro aspecto importante é a falta de orientação profissional sobre a forma correta de higienização das próteses. Muitos pacientes utilizam próteses por anos sem receber instruções adequadas sobre limpeza, armazenamento e tempo ideal de substituição. A educação em saúde bucal realizada pelo cirurgião-dentista é essencial para reduzir os índices de estomatite protética, pois pacientes bem orientados tendem a apresentar melhores hábitos de higiene e maior adesão às consultas de acompanhamento. Dessa forma, a prevenção da doença depende não apenas da conduta do paciente, mas também do acompanhamento clínico contínuo e da promoção de informação adequada (Carvalho-Silva et al., 2025).

2.4. Prevalência da Estomatite

A estomatite protética apresenta elevada prevalência entre usuários de próteses removíveis, sendo considerada uma das alterações mais comuns da mucosa oral nessa população. Essa condição acomete principalmente idosos usuários de próteses totais superiores, devido ao maior tempo de uso, à dificuldade de higienização e à presença de fatores sistêmicos associados ao envelhecimento. Estudos de revisão demonstram que a frequência dessa patologia pode variar entre 20% e 67% dos indivíduos avaliados, dependendo das características da população estudada, do tempo de uso da prótese e das condições de higiene bucal e protética (Perić et al., 2024).

Entre os fatores mais relacionados à alta prevalência da estomatite protética está o uso contínuo da prótese durante o dia e durante o sono. O contato prolongado entre a base protética e a mucosa oral favorece a retenção de biofilme, a redução da circulação salivar e o trauma mecânico repetitivo sobre os tecidos de suporte. Esses fatores criam um ambiente propício para a proliferação de Candida albicans e para o surgimento de processos inflamatórios crônicos, principalmente quando associados à má higienização da prótese e da cavidade oral (Wadia, 2023).

O tempo de utilização da prótese também influencia diretamente no aparecimento da lesão. Próteses antigas, desgastadas e mal adaptadas favorecem traumas constantes sobre a mucosa oral, além de apresentarem maior retenção de resíduos alimentares e microrganismos. Quando não há manutenção periódica ou substituição adequada, essas condições aumentam significativamente o risco de inflamação crônica e do desenvolvimento da estomatite protética, especialmente em pacientes idosos que utilizam a mesma prótese por muitos anos (McReynolds et al., 2023).

Outro aspecto relevante observado na literatura é a maior ocorrência da estomatite protética em pacientes do sexo feminino. Essa prevalência pode estar relacionada à maior expectativa de vida, ao uso mais frequente de próteses totais e à maior procura por atendimento odontológico. Além disso, alterações hormonais e condições sistêmicas associadas ao envelhecimento podem contribuir para maior vulnerabilidade da mucosa oral, favorecendo o desenvolvimento da lesão inflamatória (Yang et al., 2023).

Pacientes institucionalizados também apresentam índices mais elevados de estomatite protética, principalmente devido à dependência para realização da higiene bucal, ao uso prolongado das próteses e à presença de doenças crônicas. A dificuldade de acesso ao acompanhamento odontológico periódico e a menor autonomia para os cuidados diários favorecem o agravamento da condição. Isso demonstra que a prevalência da estomatite não depende apenas de fatores locais, mas também de aspectos sociais, sistêmicos e da qualidade da assistência em saúde oferecida ao paciente (Perić et al., 2024).

2.5. Como Evitar a Estomatite Protética

A literatura evidencia que a adoção de práticas preventivas simples é essencial para reduzir o risco de estomatite protética. Entre elas destacam-se a retirada da prótese durante o sono, a limpeza diária cuidadosa da prótese com escova apropriada e soluções de imersão, e a realização de consultas odontológicas periódicas. Esses hábitos contribuem para a manutenção da saúde das mucosas de suporte e para a prevenção da inflamação associada à prótese (Darvishi et al., 2023).

Estudos clínicos indicam que a adoção de rotinas de higiene corretas para usuários de próteses removíveis contribui significativamente para a redução da estomatite protética. Na prática, isso significa que o usuário não deve depender apenas da escovação da prótese, mas adotar um protocolo que una escovação e imersão desinfetante. Na etapa mecânica, recomenda-se fazer a escovação da prótese com escova apropriada e sabonete neutro, o que ajuda a desprender a camada inicial de biofilme que se fixa no acrílico. Após essa primeira etapa, a imersão química potencializa o controle microbiano. Um estudo clínico que avaliou diferentes protocolos de limpeza observou bons resultados com a imersão da prótese em solução de hipoclorito de sódio a 0,25% por cerca de vinte minutos. Essa concentração foi capaz de reduzir significativamente a presença de Cândida na superfície da prótese, mostrando desempenho superior quando comparada aos métodos apenas mecânicos. Os autores destacam que a combinação entre escovação e imersão é mais eficiente para manter a prótese descontaminada e prevenir inflamações relacionadas ao uso contínuo (Salles et al., 2015).

Além disso, a combinação entre escovação mecânica e imersão química da prótese apresenta melhores resultados na prevenção da doença. A escovação com escova apropriada e sabonete neutro auxilia na remoção inicial do biofilme aderido à superfície da prótese, enquanto a imersão em soluções como hipoclorito de sódio a 0,25% potencializa o controle microbiano. Estudos clínicos demonstram que esse protocolo reduz significativamente a presença de Candida e melhora a condição da mucosa oral, contribuindo para a prevenção e o controle da estomatite protética (Salles et al., 2015; Carvalho-Silva et al., 2025).

3. CONSIDERAÇÕES FINAIS

Com base nos estudos analisados, foi possível observar que a higienização inadequada das próteses removíveis está diretamente relacionada ao desenvolvimento da estomatite protética, principalmente devido ao acúmulo de biofilme e à proliferação de microrganismos como a Candida albicans. Além disso, hábitos comuns entre os usuários, como dormir com a prótese, utilizar o mesmo dispositivo por muitos anos sem substituição e não realizar acompanhamento odontológico periódico, contribuem significativamente para o surgimento dessa alteração inflamatória.

Também foi possível entender que a estomatite protética apresenta caráter multifatorial, envolvendo não apenas fatores relacionados à higiene, mas também condições sistêmicas, adaptação inadequada da prótese e aspectos comportamentais do paciente. Entretanto, os estudos demonstram que medidas simples de prevenção, quando realizadas corretamente, podem reduzir significativamente a ocorrência da lesão e melhorar a saúde da mucosa oral.

Por isso, é importante que o cirurgião-dentista oriente os pacientes sobre os cuidados diários com a prótese removível, incluindo a escovação adequada, a desinfecção química, a remoção da prótese durante o período noturno e a realização de consultas periódicas para avaliação e manutenção protética. A educação em saúde bucal também possui papel fundamental na conscientização dos pacientes e na adoção de hábitos de higiene mais adequados.

Assim, pode-se concluir que a prevenção da estomatite protética depende diretamente da associação entre bons hábitos de higiene, acompanhamento profissional contínuo e uso correto das próteses removíveis. Além de devolver funções importantes, como mastigação, fala e estética, é essencial que o uso da prótese aconteça de maneira segura, preservando a saúde bucal e contribuindo para uma melhor qualidade de vida dos usuários.

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Artigo Científico apresentado como requisito parcial para obtenção do título de Bacharel em Odontologia, pelo Curso de Odontologia da Faculdade de Ilhéus. Orientador: Prof. Esp. Murillo Freitas Matos

1 Discente do curso de Odontologia da Faculdade de Ilhéus, Centro de Ensino Superior, Ilhéus, Bahia. E-mail: [clique para visualizar o e-mail]acesse o artigo original para visualizar o e-mail 

2 Docente do curso de Odontologia da Faculdade de Ilhéus, Centro de Ensino Superior, Ilhéus, Bahia. E-mail: [clique para visualizar o e-mail]acesse o artigo original para visualizar o e-mail

3 Discente do curso de Odontologia da Faculdade de Ilhéus, Centro de Ensino Superior, Ilhéus, Bahia. E-mail: [clique para visualizar o e-mail]acesse o artigo original para visualizar o e-mail

4 Discente do curso de Odontologia da Faculdade de Ilhéus, Centro de Ensino Superior, Ilhéus, Bahia. E-mail: [clique para visualizar o e-mail]acesse o artigo original para visualizar o e-mail

5 Discente do curso de Odontologia da Faculdade de Ilhéus, Centro de Ensino Superior, Ilhéus, Bahia. E-mail: [clique para visualizar o e-mail]acesse o artigo original para visualizar o e-mail

6 Discente do curso de Odontologia da Faculdade de Ilhéus, Centro de Ensino Superior, Ilhéus, Bahia. E-mail: [clique para visualizar o e-mail]acesse o artigo original para visualizar o e-mail