ANÁLISE DE BIOMOLÉCULAS PRESENTES NA RESINA DE ANGICO-VERMELHO ANADENANTHERA COLUBRINA VAR. CEBI
PDF: Clique aqui
REGISTRO DOI: 10.5281/zenodo.18142559
Francisco José Mininel1
Silvana Márcia Ximenes Mininel2
RESUMO
Anadenanthera colubrina var. cebil, conhecida popularmente como angico-vermelho ou simplesmente angico, é uma espécie arbórea nativa da América do Sul, com ampla distribuição no Brasil, ocorrendo na Caatinga, Cerrado e Mata Atlântica. A espécie possui grande importância para os ecossistemas onde ocorre, sendo versátil e destinada a inúmeras utilidades, desde usos tradicionais pelas populações locais até aplicações industriais. Partes da planta, como a casca e a resina, são amplamente utilizadas na medicina popular por suas propriedades expectorantes, anti-inflamatórias e cicatrizantes, sendo indicadas para o tratamento de tosses, gripes, bronquite e problemas uterinos. A extração da resina foi realizada por meio de um corte na casca de quatro espécimes de Anadenanthera colubrina var. cebil. e coletados 25g, após 15 dias, quando já cristalizada. Para o preparo da solução, utilizaram-se 10g de pó de resina da planta em 15 mL de água destilada, colocados para fervura. Foram feitos os testes de Molish, para identificação de carboidratos, teste de solubilidade de lipídios, para identificar presença ou ausência de lipídios, e reação do Biureto, para identificação de proteínas. Observou-se que a reação foi positiva para carboidratos, possivelmente não há lipídios, ou sua concentração é baixa, e não há presença de proteínas, uma vez que não houve alteração de cores. Dessa forma, a partir dos testes realizados, o angico-vermelho apresenta apenas carboidratos. Este estudo abre novas possibilidades de pesquisas para o uso medicinal de Anadenanthera colubrina var. cebil.
Palavras-chave: Anadenanthera colubrina var. cebil. Angico-vermelho. Medicina popular. Carboidratos.
ABSTRACT
Anadenanthera colubrina var. cebil, popularly known as red angico or simply angico, is a tree species native to South America, with a wide distribution in Brazil, occurring in the Caatinga, Cerrado, and Atlantic Forest biomes. The species is of great importance to the ecosystems where it occurs, being versatile and used for numerous purposes, from traditional uses by local populations to industrial applications. Parts of the plant, such as the bark and resin, are widely used in folk medicine for their expectorant, anti-inflammatory, and healing properties, being indicated for the treatment of coughs, flu, bronchitis, and uterine problems. The resin was extracted by cutting the bark of four specimens of Anadenanthera colubrina var. cebil, and 25g were collected after 15 days, when it had already been crystallized. To prepare the solution, 10g of resin powder from the plant were used in 15 mL of distilled water, which was then brought to a boil. Molish tests were performed to identify carbohydrates, lipid solubility tests to identify the presence or absence of lipids, and the Biuret reaction to identify proteins. It was observed that the reaction was positive for carbohydrates, possibly indicating no lipids or a low concentration, and no proteins were present, since there was no color change. Thus, based on the tests performed, the red angico tree contains only carbohydrates. This study opens new possibilities for research into the medicinal use of Anadenanthera colubrina var. cebil.
Keywords: Anadenanthera colubrina var. cebil. Red angico. Folk medicine. Carbohydrates.
1. INTRODUÇÃO
De acordo com o Sistema de Classificação de Cronquist, a taxonomia de Anadenanthera colubrina var. cebil obedece à seguinte hierarquia: Divisão: Magnoliophyta (Angiospermae) Classe: Magnoliopsida (Dicotiledonae) Ordem: Fabales Família: Mimosaceae (Leguminosae Mimosoideae).
Apresenta-se como árvore semicaducifólia, com 8 a 20 m de altura e 30 a 50 cm de DAP, podendo atingir até 30 m de altura e 120 cm de DAP, na idade adulta, na floresta estacional. No Cerrado e na Caatinga, o angico-vermelho apresenta porte menor, com altura variando de 3 a 15 m. Tronco: reto ou tortuoso. Fuste com até 13 m de altura. Ramificação: cimosa, dicotômica. Copa abaulada, com os galhos apresentando acúleos e lenticelas. Casca: com espessura de até 30 mm. A casca externa é geralmente pardo-grisácea acinzentada, com muitas variações em sua morfologia, como: completamente coberta de acúleos, escura, profundamente gretada, áspera, apresentando arestas salientes; com poucos acúleos, podendo ser lisa, totalmente desprovida de acúleos e ter fissuras longitudinais pouco profundas. A casca interna é esbranquiçada. Folhas: bipinadas, com até 30 pares de folíolos opostos e 60 a 80 pares de foliólulos; pecíolo com glândula preta elipsóide, localizada junto à inserção e mais algumas menores entre os últimos pares de folíolos. Flores: hermafroditas, de coloração branca, pequenas, reunidas em capítulos globosos axilares ou terminais. O fruto possui folículo achatado (LIMA, 1985), deiscente, coriáceo, castanho-avermelhado, com superfície rugosa e dotada de pequenas excrescências, com 8 a 32 cm de comprimento por 1,5 a 3 cm de largura (Figura 1). Cada fruto contém 8 a 15 sementes. A semente possui coloração marrom-escura, tendendo para preto, orbicular chata, lisa lustrosa, sem asa, comprimida ou achatada, com pequena reentrância hilar, com 12 a 20 mm de comprimento e 12 a 15 mm de largura (SOUZA & LIMA, 1982).
Fonte: https://www.amazon.com.br/Gen%C3%A9rico-Muda-Angico-Vermelho-40cm/dp/B0DHY2KFPQ
O angico-vermelho apresenta expressiva regeneração natural via sementes. Num inventário realizado em Alagoinha, PE, numa vegetação de Caatinga, o total de indivíduos encontrados num hectare foi de 192, assim distribuídos: 88,55% de jovens, 4,17% de juvenis e 7,29% adultos (SILVA & BARBOSA, 1997). Na floresta primária, ocorre somente como árvore adulta.
Anadenanthera colubrina var. cebil é encontrada de forma natural no norte e no nordeste da Argentina, no sul da Bolívia, e no leste do Paraguai. No Brasil, essa espécie ocorre nos seguintes Estados (Mapa 12): Bahia, Ceará, Espírito Santo entre outros (Figura 2).
Fonte: LIMA et al., 1999.
Possui alta durabilidade e alta resistência ao apodrecimento. Estacas de cerne dessa espécie mostraram-se ser altamente resistentes a fungo e resistente ao cupim (CAVALCANTE et al., 1982). Estacas soterradas por 20 anos indicam que a vida média da madeira dessa espécie é de 15 a 20 anos (ROCHA et al., 2000).
2. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA
2.1. Bioquímica
A Bioquímica estuda a vida no seu nível molecular. Assim sendo, a bioquímica é o estudo de moléculas que compõem os corpos dos seres vivos (biomoléculas). Biomoléculas são compostos químicos que participam da estrutura e do funcionamento dos seres vivos, como carboidratos, lipídeos e proteínas. Os estudos bioquímicos permitem o entendimento de processos que garantem a sobrevivência dos seres vivos (VOET, 2013).
2.1.1. Carboidratos
A palavra carboidrato significa hidrato de carbono. A fórmula é (CH2O)n. Os carboidratos são os compostos orgânicos mais abundantes do mundo vegetal. Eles atuam como armazéns de energia química (glicose, amido, glicogênio) e são componentes de várias estruturas, como celulose, quitina, ribose e desoxirribose (BETTELHEIM et al., 2016). Os carboidratos são classificados em: monossacarídeos, que são derivados de aldeídos ou cetonas de álcoois poli-hidroxílicos de cadeia não ramificada contendo, pelo menos, três átomos de carbono; os dissacarídeos que contêm duas unidades de monossacarídeos, e os polissacarídeos, que também são conhecidos como glicanos, consistem em monossacarídeos ligados por ligações glicosídicas (VOET, 2013).
2.1.2. Lipídios
Segundo Harvey e Ferrier (2012), os lipídeos formam um grupo heterogêneo de moléculas orgânicas insolúveis em água (hidrofóbicas) podendo ser extraídas dos tecidos por solventes apolares. Os lipídeos desempenham três funções principais na bioquímica humana: armazenam energia nas células de gordura, constituem parte das membranas que separam os compartimentos celulares que contêm as soluções aquosas e atuam como mensageiros químicos (BETTELHEIM et al., 2016).
Os lipídios são compostos de grande importância que podem ser encontrados em alimentos e são elementares para a saúde humana, pois são fonte energética e alguns possuem função biológica específica (BOBBIO; BOBBIO, 2003). A determinação da quantidade de lipídios em alimentos é de interesse no campo da nutrição, pois, sabendo as quantidades desse composto, podem-se elaborar dietas balanceadas (ANDRADE, 2006).
2.1.3. Proteínas
As proteínas são as macromoléculas orgânicas presentes em maior quantidade nas células, sendo ligadas entre si por ligações peptídicas. A palavra proteína introduzida pelo pesquisador Jons J. Berzelius, em 1838, tem origem grega e significa “de primeira classe”, para salientar a importância desta classe de moléculas nos organismos vivos. As proteínas exercem papéis cruciais em, virtualmente, todos os processos biológicos, tais como catálise enzimática, transporte e armazenamento, movimento coordenado, sustentação mecânica, proteção imunitária, geração e transmissão de impulsos nervosos e controle do crescimento e da diferenciação celular (VERLENGIA et al., 2013). As proteínas são fundamentais para a função e estrutura das células, principalmente por realizarem diversas funções cruciais para o organismo vivo.
2.1.4. Desnaturação Proteica
As proteínas podem sofrer processo de desnaturação, que é a perda da estrutura tridimensional, levando à perda da função delas. Várias proteínas podem ser desnaturadas pelo calor, assim como também por mudanças do pH, ácidos e bases, íons de metais pesados, alguns solventes orgânicos, como álcool, ou as cetonas, e certos solutos como a ureia, ou por detergentes.
2.1.5. Resina
A resina é uma substância sólida ou viscosa, que é obtida de forma natural com a secreção orgânica de determinadas plantas. Com isso, cada planta pode conter um tipo diferente de resina e, assim, terá uma utilidade. Da casca de Anadenanthera colubrina var. cebil extraem-se as resinas para a fabricação de vernizes, os conhecidos copais (ALMEIDA; SILVA; RIBEIRO, 1987). Além disso, o jatobá pode ser usado em caráter medicinal devido à sua resina.
2.1.5. Usos do Angico
A resina extraída do angico vermelho (Anadenanthera colubrina var. cebil) é uma substância com diversos usos tradicionais na medicina popular e algumas aplicações conhecidas. A resina de angico vermelho é valorizada por sua coloração mais avermelhada e sabor suave em comparação com a de outras variedades. É reconhecida popularmente por suas propriedades medicinais como expectorantes e peitorais sendo muito utilizada para tratar problemas respiratórios, como bronquite, tosse e coqueluche, ajudando a eliminar secreções. Cicatrizantes e Anti-inflamatórias, onde a casca e a resina são usadas topicamente para auxiliar na cicatrização de contusões e no tratamento de reumatismo. Também é indicada na medicina popular para problemas uterinos, depuração do sangue e proteção ao fígado. Tradicionalmente, a resina pode ser deixada de molho em água por 24 horas para se obter uma bebida medicinal, ou até mesmo assada. É semelhante à goma arábica e, por vezes, usada no preparo de xaropes caseiros.
2.1.6. Composição Química
A composição química da Anadenanthera colubrina var. cebil inclui a presença de taninos condensados (especialmente na casca), além de alcaloides, esteroides como o estigmasterol e o β-sitosterol.
Anadenanthera colubrina var. cebil destaca-se por suas propriedades medicinais, que incluem a aplicação no tratamento de distúrbios inflamatórios em diferentes tecidos (DE ALBUQUERQUE & OLIVEIRA, 2007). Diversos estudos têm demonstrado as várias propriedades farmacológicas de produtos derivados da A. colubrina (principalmente extratos e frações das folhas e raízes), que incluem propriedades antimicrobianas (SILVA et al., 2019), antioxidantes, cicatrizantes, anti-inflamatórias, antinociceptivas e antiproliferativas (LIMA et al., 2014). Apesar do potencial terapêutico, há pouca informação disponível sobre as propriedades químicas e atividades biológicas do biopolímero extraído do exsudato do tronco de A. colubrina, a goma angica vermelha (GAV), do nordeste do Brasil. Estudos anteriores (SILVA & RODRIGUES, 1998) relataram que a composição da GAV, determinada por cromatografia líquida de alta eficiência, apresentou alto teor de arabinose (67,8%), seguido por galactose (24,1%) e uma pequena quantidade de ramnose (2,0%), sendo esta um heterossacarídeo rico em arabinose com cadeia principal composta por β-D-Galp, incluindo também α-L-Araf e β-L-Arap (LIMA et al., 2014). Estudos etnofarmacológicos demonstram que a GAV é amplamente utilizada na medicina popular. Lorenzi (2002) relatou que esse exsudato tem sido consumido desde os tempos antigos pelos habitantes locais, e preparações hidrossolúveis são comumente usadas como emoliente peitoral, em distúrbios broncopulmonares, incluindo tosse, bronquite, asma e faringite, facilitando assim a expulsão do escarro. Este mesmo estudo também descreve o uso do exsudato de RAG para o tratamento de doenças gastrointestinais, incluindo diarreia.
As gomas naturais são polissacarídeos obtidos dos exsudatos de troncos de árvores, sementes, algas ou por fermentação microbiológica. Elas tendem a hidratar em água fria ou quente, formando dispersões coloidais, soluções altamente viscosas ou mesmo géis, e têm inúmeras aplicações tecnológicas e medicinais (MILLER, 1997). Os polissacarídeos extraídos têm potencial para serem usados como novos produtos bioativos para tratamentos terapêuticos. Estudos anteriores realizados por nosso grupo de pesquisa mostraram efeitos benéficos no alívio de queixas gastrointestinais, como úlceras gástricas induzidas por naproxeno e diarreia, usando esses exsudatos. Além disso, os polissacarídeos não são absorvidos pela mucosa intestinal, permanecendo lá por longos períodos sem produzir efeitos sistêmicos, proporcionando uma vantagem substancial em comparação com a maioria dos medicamentos padrão (WANG et al., 2018). No entanto, ainda há falta de estudos baseados em evidências sobre os efeitos do RAG na diarreia, bem como sobre seu mecanismo de ação que justifique o uso do exsudato da árvore de angico vermelho na medicina popular por algumas comunidades locais do nordeste do Brasil.
A diarreia é um sintoma comum associado a distúrbios gastrointestinais e caracterizada por aumento da frequência de evacuações (três ou mais vezes ao dia), aumento da fluidez das fezes e/ou presença de sangue e muco, o que pode levar ao desequilíbrio hidroeletrolítico (WANG et al., 2018). Na maioria dos países em desenvolvimento, a diarreia continua sendo uma das causas mais comuns de hospitalização, morbidade e mortalidade, principalmente entre crianças menores de cinco anos de idade, em todo o mundo (WANG et al., 2018). Geralmente, em países em desenvolvimento, a diarreia infecciosa, incluindo bactérias produtoras de enterotoxinas (Vibrio cholerae e Escherichia coli), parasitas (Entamoeba histolytica) e vírus (Rotavírus), são as principais causas dessa manifestação clínica. A transmissão desses agentes infecciosos ocorre por meio de contato físico.
No trabalho publicado por Araújo et al (2020), foi realizada uma análise química para investigar a atividade antidiarreica e o perfil de segurança da goma de angico-vermelho (GAV), um biopolímero extraído do exsudato do tronco de A. colubrina (Figura 3). A espectroscopia FT-IR revelou bandas nas regiões de 1608 cm⁻¹, 1368 cm⁻¹ e 1029 cm⁻¹, relacionadas, respectivamente, à vibração de moléculas de água O-H, à vibração de deformação das ligações C-O e à vibração da ligação C-O do polissacarídeo, todas pertinentes às ligações glicosídicas. A massa molar máxima da GAV foi de 1,89 × 10⁵ g/mol, com potencial zeta indicando eletronegatividade. O RAG demonstrou alto rendimento e solubilidade com baixo grau de impureza.
Fonte: ARAÚJO et al., 2020.
3. METODOLOGIA
Este trabalho foi realizado no Laboratório de Bioquímica da Universidade Brasil (UB), Campus de Fernandópolis-SP. Os procedimentos e os testes estão descritos a seguir.
3.1. Extração
A extração da resina de Anadenanthera colubrina var. cebil foi realizada em Veredas, distrito de João Pinheiro, feita por meio de um corte na casca do A. colubrina, e coletada após 15 dias, quando já estava cristalizada. Para esse experimento, foram realizados cortes de facão em 4 indivíduos vivos da espécie e, após 15 dias, foi retirada a resina expelida, dando no total 25g.
3.2. Preparo da Solução
Para o preparo da solução, foram necessários dois béqueres de 50mL, resina de Anadenanthera colubrina var. cebil em pó, água destilada e um bico de Bunsen. Separaram-se 15 mL de água destilada nos dois béqueres, adicionaram-se 10g do pó da resina em ambos. Aqueceu-se um dos béqueres no bico de Bunsen até começar a ferver; foi necessário identificá-los de forma a distinguir qual o béquer aquecido e qual não foi.
3.2.1. Carboidratos
O primeiro teste foi o de Molisch para identificar a presença de carboidratos. Para esse teste, foram necessários dois tubos de ensaio, três pipetas, solução alcoólica de alfa-naftol, ácido sulfúrico e a solução da resina de Anadenanthera colubrina var. cebil. Primeiramente, pipetaram-se 3 mL da solução aquecida em um tubo de ensaio e 3 mL da solução não aquecida em outro. Adicionaram-se 5 gotas de alfa-naftol aos dois tubos, que foram agitados manualmente. Em seguida, pipetaram-se 2mL de ácido sulfúrico em cada tubo. Os tubos estavam inclinados, deixando o ácido escorrer sem agitar. Logo após, observaram-se os resultados.
3.2.2. Lipídios
Para o teste de solubilidade de lipídios, foram necessários dez tubos de ensaio, sete pipetas, solução da resina de Anadenanthera colubrina var. cebil, água destilada, ácido clorídrico, hidróxido de sódio, álcool etílico e éter etílico. Primeiramente, enumeraram-se os tubos de ensaio e, então, adicionaram-se 3 mL de água destilada no tubo 1, 3 mL de ácido clorídrico no tubo 2, 3 mL de hidróxido de sódio no tubo 3, 3 mL de álcool etílico no tubo 4 e 3 mL de éter etílico no tubo 5. Em seguida, adicionou-se 1 mL da solução aquecida em cada um dos tubos. Repetiu-se o procedimento para a solução que não foi aquecida. Observaram-se os resultados para ambas as soluções.
3.2.3. Proteínas
O último teste que foi realizado neste estudo foi para a identificação da presença de proteínas e aminoácidos, por meio da reação de Biureto. Para esse teste, foram necessários três tubos de ensaio, quatro pipetas, solução da resina de Anadenanthera colubrina var. cebil, reativo de Biureto, água destilada. Primeiramente, adicionaram-se 2 mL do reativo de biureto nos tubos de ensaio enumerados. Em seguida, adicionou-se 1 mL da solução que foi aquecida no tubo um, 1 mL da solução que não foi aquecida no tubo dois e 1 mL de água destilada no tubo 3. Agitaram-se os tubos e observaram-se os resultados (SANTOS et al., 2013).
Fonte: Os autores.
4. RESULTADOS E DISCUSSÕES
Em relação a parte botânica, Anadenanthera colubrina var. colubrina distingue-se por três características morfológicas: a estrutura da inflorescência, as características do fruto e o padrão de enervação dos folíolos, sendo este último particularmente útil no estudo de material estéril. A var. colubrina coexiste com a var. cebil (Figura 5).
Fonte: A Y B, DE NOVARA 3848 (MCNS 11392); C, de Novara 13039 (MCNS 11385); D, de GARCÍA & BARRANDEGUY s.n. (MCNS 11945).
Em relação ao Teste de Molisch, as soluções tanto a aquecida quanto a não aquecida apresentaram resultados positivos para a presença de carboidratos. Observou-se a formação de um anel violeta-escuro na solução, porém o tubo de ensaio que continha a solução não aquecida apresentou um anel com uma coloração lilás bem clara. Portanto, baseado no estudo de Hans Molisch (1856-1937), os testes realizados tiveram os resultados esperados, com o aparecimento do anel violeta ou lilás confirmando a presença de carboidratos na resina de Anadenanthera colubrina var. cebil.
No experimento de solubilidade dos lipídios, observou-se que a solução com a resina apresentou solubilidade com água destilada, ácido clorídrico, hidróxido de sódio e álcool etílico e insolubilidade com éter etílico.
O teste de solubilidade de lipídios baseia-se na característica apolar dos lipídios; apresenta boa solubilidade com soluções apolares, ou seja, as amostras que não contêm lipídios formam soluções de mais de uma fase com os reagentes apolares e uma fase com os reagentes polares.
De acordo com essa definição, o teste apresentou resultado esperado. Nas condições experimentais, a resina foi solúvel em água destilada, que possui característica polar e não houve presença de precipitado indicando que possivelmente não há lipídios ou uma concentração bem pequena.
Para a identificação de proteínas na resina de Anadenanthera colubrina var. cebil., foi utilizado como reagente o Reativo de Biureto. Não houve alteração de cores em nenhum dos tubos de ensaio.
O Reativo de Biureto é desenvolvido pela influência mútua entre moléculas de proteínas e um íon livre de cobre na presença de uma base forte, que atua como catalisador da interação. Quando o Biureto é formado a partir da reação, a solução em que ele se encontra exibe uma coloração violeta, indicando presença de proteína.
Em virtude disso, o resultado do teste com o Reativo de Biureto foi negativo, já que não houve alteração na cor de nenhuma das soluções, comprovando que a resina de Anadenanthera colubrina var. cebil. não possui proteínas na sua composição.
5. CONCLUSÕES
Pode-se concluir, a partir da observação dos resultados dos testes, que a amostra coletada de resina de Anadenanthera colubrina var. cebil. apresentou resultado positivo para a presença de carboidratos e negativo para a presença de lipídios e proteínas. Por meio de pesquisas feitas para o andamento do estudo, foi possível trazer conhecimento sobre a família e as diversas propriedades do angico vermelho.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
ARAÚJO, Thiago SL et al. Biopolymer extracted from Anadenanthera colubrina (Red Angico Gum) exerts therapeutic potential in mice: antidiarrheal activity and safety assessment. Pharmaceuticals, v. 13, n. 1, p. 17, 2020.
CAVALCANTE, M. S.; MONTAGNA, R. G.; LOPEZ, G. A. A. MUCCI, E. S. F. Durabilidade natural de madeiras em contacto com o solo. Silvicultura em São Paulo, São Paulo, v. 16 A, pt. 2, p.1383-1389, 1982. Edição de Anais do Congresso Nacional de Essências Nativas, Campos do Jordão, SP, set. 1982.
DE ALBUQUERQUE, U.P.; DE OLIVEIRA, R.F. Is the use-impact on native caatinga species in Brazil reduced by the high species richness of medicinal plants? J. Ethnopharmacol. 113, 156–170, 2007.
DRIVER, R.; ASOKO, H.; LEACH, J.; MORTIMER, E.; SCOTT, P. Construindo conhecimento científico na sala de aula. Química Nova na Escola, São Paulo, v.1, n.9, p.31-40, mai.1999.
LIMA, M. P. M. de. Morfologia dos frutos e sementes dos gêneros da tribo Mimoseae (Leguminosae Mimosoideae) aplicada à sistemática. Rodriguésia, Rio de Janeiro, v. 37, n. 62, p. 53-78, 1985.
LIMA, P. C. F.; LIMA, J. L. S. de; DRUMOND, M. A.; LIMA, A. Q. Levantamento florístico de uma área de caatinga em Pilar, Jaguari, Bahia. In: CONGRESSO NACIONAL DE BOTÂNICA, 50., 1999.
LIMA, R.F.; ALVES, E.P.; ROSALEN, P.L.; RUIZ, A.L.T.G.; DUARTE, M.C.T.; GOÉS, V.F.F.; DE MEDEIROS, A.C.D.; PEREIRA, J.V.; GODOY, G.P.; COSTA, E.M.M.B. Antimicrobial and Antiproliferative Potential of Anadenanthera colubrina (Vell.) Brenan. Evid. Based Complement. Altern. Med., 2014, 1–7, 2014.
LORENZI, H. Árvores Brasileiras: Manual de Identificação e Cultivo de Plantas Arbóreas do Brasil, 4th ed.; Nova Odessa: São Paulo, Brazil; Instituto Plantarum: Acre, Brazil, pp. 360–368. ISBN 85-86714-16-X, 2002.
MILLER, J.N. Industrial Gums. In Encyclopedia of Polymer Science and Engineering; John Wiley & Sons: New York, NY, USA; p. 589, 1987.
ROCHA, F. T.; LOPEZ, G. A. C.; SPEGEORIN, L.; YOKOMIZO, N. K. S.; MONTAGNA, R. G.; FLÖRSHEIM, S. M. B. Durabilidade natural de madeiras em contato com o solo: V – avaliação final (20 anos). Revista do Instituto Florestal, São Paulo, v. 12, n. 1, p. 59-66, 2000.
SILVA, A.G.; RODRIGUES, J.F.; PAULA, R.C.M. Composição e propriedades reológicas da goma do Angico (Anadenanthera Macrocarpa Benth). Polímeros, 8, 34–40, 1998.
SILVA, D.R.; ROSALEN, P.L.; FREIRES, I.A.; SARDI, J.C.O.; LIMA, R.F.; LAZARINI, J.G.; COSTA, T.K.V.L.; PEREIRA, J.V.; GODOY, G.P.; COSTA, E.M.M.B. Anadenanthera Colubrina vell Brenan: Anti-Candida and antibiofilm activities, toxicity and therapeutical action. Braz. Oral Res, 33, 1–11, 2019.
SOUZA, S. M. de; LIMA, P. C. F. Caracterização de sementes de algumas espécies florestais nativas do nordeste. Silvicultura em São Paulo, São Paulo, v. 16 A, pt. 2, p. 1156-1167, 1982.
WANG, X.Y.; YIN, J.Y.; ZHAO, M.M.; LIU, S.Y.; NIE, S.P.; XIE, M.Y. Gastroprotective activity of polysaccharide from Hericium erinaceus against ethanol-induced gastric mucosal lesion and pylorus ligation-induced gastric ulcer, and its antioxidant activities. Carbohydr. Polym. 186, 100–109, 2018.
1 Docente do Curso Superior de Farmácia da Universidade Brasil, Campus de Fernandópolis-SP. Doutor em Química pelo Instituto de Química UNESP, Campus de Araraquara-SP. E-mail: [email protected]
2 Docente do Curso Superior de Farmácia da Universidade Brasil, Campus de Fernandópolis-SP. Mestre em Química (PPGQUIM/UNESP - Araraquara-SP). E-mail: [email protected]