ACOLHIMENTO DA FAMÍLIA PELA EQUIPE MULTIDISCIPLINAR FRENTE A MORTE ENCEFÁLICA PARA A DOAÇÃO DE ORGÃOS

FAMILY SUPPORT BY THE MULTIDISCIPLINARY TEAM IN THE FACE OF BRAIN DEATH FOR ORGAN DONATION

REGISTRO DOI: 10.70773/revistatopicos/785171013

RESUMO
O estudo teve como objetivo discutir o papel da equipe multidisciplinar no processo de morte encefálica e na doação de órgãos e tecidos, por enfatizar a atuação técnica, ética e humanizada. Realizou-se uma revisão narrativa qualitativa de 12 artigos publicados entre 2019 e 2024 nas bases BVS, LILACS, MEDLINE e SciELO. Os resultados evidenciaram que a equipe multidisciplinar é fundamental na aplicação dos protocolos de morte encefálica, na manutenção clínica do potencial doador e no acolhimento às famílias, ao exercer as funções que exigem conhecimento científico e sensibilidade. Entretanto, ainda persistem desafios, como a carência de treinamento adequado, as dificuldades de comunicação com familiares e a resistência em aceitar a morte encefálica. A discussão mostrou que o êxito da doação depende da combinação entre preparo técnico, comunicação eficaz e empatia, associados a protocolos claros e capacitação contínua. Conclui-se que a equipe multidisciplinar é essencial para a doação de órgãos, apoio às famílias e eficácia do processo.
Palavras-chave: Morte encefálica; Obtenção de tecidos e órgãos; Tomada de decisão; Família.

ABSTRACT
This study aimed to describe the role of nurses in the process of brain death and organ and tissue donation, emphasizing their technical, ethical, and humanized performance. A qualitative narrative review of 12 articles published between 2019 and 2024 in the BVS, LILACS, MEDLINE, and SciELO databases was conducted. The results showed that nurses are fundamental in applying brain death protocols, maintaining the clinical stability of potential donors, and supporting families, requiring both scientific knowledge and sensitivity. However, challenges such as insufficient training, communication difficulties with families, and resistance to accepting brain death persist. The discussion highlighted that successful donation depends on the combination of technical preparation, effective communication, and empathy, supported by clear protocols and continuous training. It is concluded that nurses are essential for organ donation, family support, and the overall effectiveness of the process.
Keywords: Brain death; Organ and tissue procurement; Nursing care; Decision-making; Family.

1. INTRODUÇÃO

A escolha do tema, discorre da relevância ética, social e profissional que envolve a prática diante de um cenário delicado e de alta complexidade no ambiente hospitalar (Cavalcanti, 2021).

A morte encefálica, definida como a cessação irreversível de todas as funções encefálicas, é reconhecida legalmente como morte no Brasil, conforme a Resolução do Conselho Federal de Medicina (CFM). Esse processo clínico não apenas encerra juridicamente a vida do paciente, mas também abre a possibilidade da doação de órgãos, um ato que pode salvar múltiplas vidas, desde que o diagnóstico seja realizado de forma criteriosa e acompanhado de assistência humanizada à família. (Ribeiro et al., 2020; Wagner et al., 2021).

Nesse cenário, os profissionais tem um papel essencial, não só presta assistência técnica ao paciente com morte encefálica, mas também envolve suporte intensivo ao paciente, apoio à família, para explicar o processo de doação e cuida clinicamente dos potenciais doadores (Sindeaux et al., 2021).

Pela enfermagem, deve-se planejar, coordenar e realizar os cuidados para assegurar que os órgãos permaneçam viáveis, pela medicina, prescrição de medicamentos e controles fisiológicos vitais, sendo a dieta definida junco com a nutricionista, já a fisioterapia o cuidado respiratório para evitar eventos adversos, com a assistente social, garantir os direitos sem ferir a ética profissional e cívica, o psicólogo o acolhimento a família e profissionais (Wagner et al., 2021).

Assim, a atuação mostra um compromisso ético e legal, além de uma atitude humanizada e socialmente transformadora, participa de comissões hospitalares de doação de órgãos e tecidos para transplante (Knihs, 2020).

Na prática, observou-se situações reais vivenciadas no ambiente hospitalar, em que famílias enfrentavam momentos de profunda dor diante da morte do paciente com morte encefálica, mas simultaneamente, eram chamadas a tomar decisões sobre a doação de órgãos, o que justifica a atuação da equipe multidisciplinar (Ribeiro et al., 2020).

A maneira como os profissionais gerenciam esse processo, unindo sensibilidade e conhecimento técnico, mostrou ser crucial para a aceitação da doação, a importância de entender e melhorar o serviço, pela vivência buscou-se reconhecer a importância da atuação para a preservação não apenas dos ôrgãos, como também da família (Wagner et al., 2021).

A relevância da pesquisa se dá pelo impacto direto na saúde pública do Brasil, dada a falta de órgãos para transplantes e o grande número de pacientes que aguardam, tanto, que estimativas recentes mostram de 2020 a 2025, houve cerca de 18.900 casos de morte encefálica por ano no país, o que poderia aumentar as doações (Ribeiro et al., 2020).

No entanto, a notificação ser baixa e as diferenças regionais atrapalham esse processo. Assim, é importante notar o papel de cada profissional, já que, segundo Knihs (2020), uma equipe bem-preparada ajuda a identificar a morte encefálica, cuidar dos possíveis doadores e dar apoio ético às famílias, o que aumenta a aceitação da doação e ajuda a salvar vidas.

Um maior conhecimento profissional na morte encefálica e na doação de órgãos, permite profissionais mais preparados e a criação de referenciais teóricos e práticos, que podem ser integrados a bioética, ética profissional, terapia intensiva e transplantes, o que se propõe reflexões em relação entre ciência, ética e humanização do cuidado, que são pontos essenciais na formação de especialistas e pesquisadores da área da saúde.

Ao compreender os critérios clínicos e legais utilizados na identificação da morte encefálica, a investigação para uma manutenção do potencial doador após o diagnóstico dessa condição, analisa a abordagem familiar e no processo de autorização para a doação de órgãos, por identificar os desafios enfrentados pelos profissionais nesse contexto.

O presente estudo, tem como objetivo discutir o papel da equipe multidisciplinar no processo de morte encefálica e na doação de órgãos e tecidos, por enfatizar a atuação técnica, ética e humanizada.

2. METODOLOGIA

Trata-se de uma revisão narrativa da literatura com abordagem qualitativa, que visa descrever e analisar a produção científica sobre um tema específico. Esse tipo de pesquisa é importante para a prática profissional, pois oferece uma visão ampla do conhecimento existente, fundamenta teoricamente as ações do profissional e aponta lacunas para novas investigações.

A questão de pesquisa consistiu em: Qual é o papel da equipe multidisciplinar no processo de morte encefálica e na doação de órgãos e tecidos, por enfatizar a atuação técnica, ética e humanizada? Essa pergunta orientou a busca, seleção e análise dos artigos, além de definir os critérios de inclusão e exclusão, cuja formulação sintetiza o problema investigado e assegura a coerência entre os objetivos propostos e os resultados alcançados.

A dinâmica da pesquisa consistiu na seleção criteriosa de artigos científicos por meio de uma busca estruturada nas bases de dados Biblioteca Virtual em Saúde (BVS), Literatura Latino-Americana e do Caribe em Ciências da Saúde (LILACS), Medline industries INC (MEDLINE), Scientific Electronic Library Online (SciELO), utilizou-se os descritores “Morte encefálica”, “Obtenção de tecidos e órgãos”, “Tomada de decisão” e “Família”. Optamos por estudos publicados entre 2019 e 2024, que estavam em português, disponíveis na íntegra, e que falavam da atuação da equipe multidisciplinar em situações de morte encefálica e doação de órgãos.

No total, foram encontrados 214 artigos sobre o tema do estudo. Desses, 4 foram excluídos porque estavam duplicados nas bases LILASC e BDENF. Após revisar os títulos e os anos, 184 artigos foram descartados, tendo apenas 30 para ler por completo. Depois de analisar os resumos, mais 18 artigos foram excluídos por não se alinharem a pesquisa, incluiu-se 12 artigos que foram utilizados na pesquisa.

Todos os artigos selecionados foram lidos na íntegra, o que possibilitou a coleta sistematizada dos dados e a análise detalhada do conteúdo. Essa estratégia permitiu a elaboração fundamentada dos resultados e da discussão.

Embora a revisão narrativa ajude a entender melhor o tema, uma limitação do estudo é a falta de um protocolo rigoroso para seleção e análise, como acontece em outras revisões sistemáticas. Isso pode deixar a interpretação dos dados um pouco mais subjetiva. Além disso, as restrições de tempo e idioma podem limitar a pesquisa, que deixou de fora estudos importantes que estão em outras línguas ou foram publicados fora do período analisado.

3. RESULTADOS

Esse estudo analisou 12 artigos científicos publicados entre 2019 e 2024, retirados das bases de dados como a Biblioteca Virtual em Saúde (BVS), LILACS, MEDLINE e SciELO. A partir dessa revisão, buscou-se entender o papel da equipe profissional no processo de morte encefálica e na doação de órgãos, ao mostrar as responsabilidades técnicas, de comunicação e emocionais que envolvem essa tarefa.

Tabela 1. Principais contribuições e desafios do papel da equipe multidisciplinar na morte encefálica e doação de órgãos segundo a literatura revisada (2019-2024).

Autor(es) e Ano

Tema Principal

Contribuições

Principais Desafios Identificados

Recomendações / Observações

FIGUEIREDO et al. (2020)

Envolvimento integral na doação de órgãos

Participação em todas as etapas e cuidado humanizado

Necessidade de atualização contínua

Educação continuada e trabalho em equipe

RIBEIRO et al. (2020)

Diagnóstico e comunicação sobre morte encefálica

Explicações claras, apoio emocional e respeito à decisão

Dificuldade de aceitação da morte encefálica

Comunicação clara e empática

KNIHS et al. (2020)

Gerenciamento do cuidado e suporte familiar

Acolhimento, comunicação empática e suporte técnico

Barreiras emocionais e culturais

Fortalecer comissões intra-hospitalares (CIHDOTT)

SILVA (2019)

Atribuições da equipe multiprofissional

Suporte técnico para manutenção clínica do potencial doador

Integração entre equipes e lacunas de conhecimento

Trabalho multidisciplinar e capacitação

MARCONDES et al. (2019)

Abordagem familiar para doação

Comunicação clara, diálogo e esclarecimento de dúvidas

Resistência, desconfiança e desconhecimento das famílias

Preparação e educação continuada

SINDEAUX et al. (2020)

Sistematização da assistência de enfermagem

Organização, padronização e registros da assistência

Falta de preparo técnico e emocional

Treinamento e protocolos bem definidos

SINDEAUX et al. (2021)

Cuidados de enfermagem ao potencial doador

Aplicação da SAE, monitoramento clínico, suporte emocional

Carência de conhecimento técnico e insegurança emocional

Investir em capacitação e suporte institucional

Basso (2019)

Esclarecimento sobre diagnóstico e processo

Redução de conflitos, facilitação da doação

Ambiente e tempo inadequados para diálogo

Ambientes adequados e tempo reservado para conversa

CAVALCANTI et al. (2021)

Conhecimentos e obstáculos no cuidado ao potencial doador

Intervenções para estabilizar o doador e monitorar alterações

Falta de conhecimento técnico e emocional

Capacitação técnica e emocional

FLORES (2023)

Cuidados em serviço de urgência

Conhecimento dos protocolos para captação de doadores

Falta de conhecimento gera atrasos

Treinamento específico em protocolos

KNIHS et al. (2024)

Aplicação do protocolo de morte encefálica

Incentivo ao cumprimento dos protocolos

Resistência e insegurança dos enfermeiros

Supervisão e suporte institucional

Alves et al. (2019)

Avaliação diagnóstica e condições clínicas

Papel fundamental na avaliação e cuidado

Desafios na comunicação e atualização técnica

Atualização constante e desenvolvimento de habilidades

Fonte: Autores (2025)

Os resultados evidenciam a importância da combinação entre conhecimento técnico, empatia e suporte às famílias para o êxito do processo de doação, além de apontar os principais desafios enfrentados pelos profissionais da equipe multidisciplinar na prática cotidiana.

4. DISCUSSÃO

O aumento das doenças crônicas, impulsionado por hábitos alimentares inadequados e estilos de vida pouco saudáveis, tem feito a procura por transplantes de órgãos crescer em todo o mundo. Isso se mostra nas filas cada vez maiores para doações, sendo crucial ter um processo eficiente para captar órgãos, em que os profissionais têm um papel importante (Knihs et al., 2020).

A morte encefálica é reconhecido como o critério para morte no Brasil e é bem aceito na medicina, mas a população, tanto familiares quanto alguns profissionais de saúde observa-se dúvidas sobre as explicações da morte encefálica, que se define como perda total e irreversível das funções do cérebro, que inclui o tronco cerebral (Ribeiro et al., 2020; Sindeaux et al., 2020).

A doação de órgãos e tecidos é um processo complicado que envolve muitos fatores, como questões técnicas, burocráticas, éticas e emocionais, nesse cenário, o trabalho dos profissionais são essenciais (Cavalcanti, 2021).

O protocolo vai desde identificar quem pode ser um doador até apoiar a família e cuidar bem do doador. Segundo Figueiredo (2020), os profissionais envolvidos em todas as etapas da doação e sua presença é fundamental para garantir um cuidado completo e humano.

Mesmo com os protocolos para diagnóstico, a experiência do examinador e a interpretação dos sinais podem afetar o processo. Além disso, muitos familiares têm dificuldade em aceitar esse diagnóstico, especialmente quando o corpo ainda está aquecido e há batimentos cardíacos e respiração artificial. Isso mostra a importância de ter uma abordagem empática e clara por parte da equipe multidisciplinar (Marcondes et al., 2019).

A identificação e confirmação da morte encefálica, na maioria dos hospitais, acontece nas UTIs e segue um protocolo em duas etapas, com pelo menos seis horas de intervalo. A primeira etapa é uma avaliação clínica, onde se verifica a falta de respostas a estímulos neurológicos e reflexos básicos. A segunda etapa consiste em fazer exames complementares que mostram que não há atividade cerebral (Knihs et al., 2024).

Entre os exames complementares, o teste de apneia feito pelo médico e fisioterapeuta respiratório é muito importante, pois verifica se a respiração está ausente, que também se observa a falta de reflexos, como da tosse e do tronco encefálico. Esses pontos são essenciais para identificar claramente a morte encefálica. Segundo Sindeaux et al. (2021), com base em critérios científicos, éticos e morais, um paciente com morte encefálica é visto como legal e clinicamente morto, mesmo que continue a receber suporte de vida artificial.

O enfermeiro tem um papel fundamental em conectar a equipe de saúde com os familiares, é responsável por dar informações claras e acolhedoras sobre o diagnóstico, os procedimentos e a possibilidade de doação. A Resolução nº 611/2019 do Conselho Federal de Enfermagem (COFEN) diz que é função do enfermeiro assegurar que os familiares entendam bem o processo, ao respeitar a decisão que tomarem, seja a favor ou contra (Cofen, 2019).

A qualidade da comunicação com a família é essencial para aceitar a doação. Pesquisas mostram, que muitas vezes, as rejeições estão ligadas à falta de informações claras, à falta de acolhimento e ao ambiente inadequado durante as conversas. Criar um vínculo de confiança, com empatia e respeito pelo luto, ajuda os familiares a entenderem a irreversibilidade da situação e, em muitos casos, ver a doação como uma maneira de transformar a dor da perda em solidariedade (Marcondes et al., 2019).

Knihs (2020) ressalta o papel da equipe multidisciplinar nesse processo, especialmente como parte da Comissão Intra-Hospitalar de Doação de Órgãos e Tecidos para Transplante (CIHDOTT), onde deve-se ouvir e apoiar as famílias de forma contínua.

Assim, no acolhimento à família, o psicólogo atua em um processo de humanização do momento de luto até a decisão final, mas cabe ressaltar, que este profissional não convence os entes para a doação e sim garante que compreenda o diagnóstico e tenha o suporte necessário a decisão de doar ou não (Rieth; Viana, 2024).

Dessa forma, a atuação do psicólogo é norteada para o acolhimento das notícia do estado de saúde do possível doador no suporte psicológico e emocional ao respeitar o tempo da dor, diferente do tempo biológico e cirúrgico necessário à retirada dos órgãos, frente a confirmação do diagnóstico de morte encefálica na compreensão do significado também, o que desmitifica crenças de que pode acordar, o que permite a expressão na escuta ativa da dor, raiva ou confusão em um ambiente seguro, sem julgamentos, consciente e autônoma, ao facilitar a comunicação entre a família e equipe multidisciplinar (Carlos; Rocha, 2019; Sindeaux et al., 2021).

Além de cuidar das emoções e da comunicação, a equipe multidisciplinar também tem o papel de garantir que o doador esteja clinicamente estável. Isso inclui a prescrição de medicamentos, monitorar os sinais vitais, manter a ventilação mecânica, controlar a função dos rins, regular a glicose e hidratar as córneas, entre outros cuidados que ajudam a preservar os órgãos. Segundo Silva et al. (2020) essas práticas são fundamentais para o sucesso do transplante e exigem o conhecimento técnico e decisões rápidas e seguras.

A abordagem com a família precisa de preparo e aprendizado constante. Marcondes et al. (2020) apontam que ter informações claras e manter um bom diálogo ajuda os familiares a entenderem e aceitarem as situações.

Mas ainda existem dificuldades, como a falta de confiança dos profissionais, o desconhecimento dos procedimentos e a resistência em falar sobre a morte. Por isso, é importante oferecer educação continuada e investir nas instituições para que o trabalho tenha mais segurança e empatia (Silva, 2019)

É fundamental treinar os profissionais, para que consigam lidar melhor com a situação de morte encefálica e com o processo de doação, o que ajuda a garantir um cuidado mais qualificado e ético, que evita a falta de conhecimento técnico e emocional nos profissionais, que pode afetar a qualidade do atendimento, sendo necessário a sistematização através de protocolos assistenciais, que é super importante para o processo de doação (Sindeaux et al., 2020; Sindeaux et al., 2021).

Após a confirmação do diagnóstico de ME, a equipe multidisciplinar participa ativamente da abordagem à família, momento delicado que exige sensibilidade e domínio técnico, com a conversa para impactar na decisão da família. Por isso, o ambiente, o tempo dedicado a acolhê-los e a clareza na comunicação são muito importantes. Muitas vezes, a recusa acontece porque a família não entende o diagnóstico ou não recebe orientações corretas, além de considerações culturais e religiosas que podem influenciar (Ribeiro et al., 2020).

É importante a explicação do diagnóstico de morte encefálica, dos exames que precisam ser realizados, a necessidade de manter o corpo na UTI, o que envolve a transferência da cirurgia para retirar os órgãos, isso é fundamental para o apoio à família, ajuda a diminuir conflitos e facilita o processo de doação de órgãos (Basso, 2019).

A manutenção da saúde do doador é um desafio bem importante. Cavalcanti et al. (2021) apontam que podem acontecer mudanças no metabolismo, na circulação e nos hormônios depois do diagnóstico de morte encefálica, o que pode afetar a saúde dos órgãos. Por isso, a equipe multidisciplinar precisa fazer intervenções, como monitorar a temperatura, controlar a circulação, repor fluidos e realizar exames laboratoriais para prevenir problemas nos órgãos.

Para manter as funções orgânicas, a atuação do nutricionista no Centro de Terapia Intensiva é relevante diante de pacientes em morte encefálica que seja possível para doação de órgãos, nessa situação, o profissional de nutrição cuida da manutenção da homeostase metabólica, para garantir que o organismo se mantenha em condições até a efetivação do processo de captação, que inclui o controle glicêmico e equilíbrio hidroeletrolítico para preservar a viabilidade dos órgãos destinados à doação (Souza; Oliveira, 2020).

Além disso, o nutricionista elabora estratégias de suporte nutricional, frente as alterações fisiológicas da morte encefálica, como instabilidade hemodinâmica e alterações hormonais. Assim, a presença do nutricionista na equipe multiprofissional do CTI fortalece a abordagem integrada e assegura maior efetividade no processo de manutenção do potencial doador (BRASIL, 2017).

Apesar de alguns progressos no Brasil com transplantes, falhas ainda ocorrem principalmente nos serviços de urgência. Conforme apontado por Flores et al. (2023), que a falta de conhecimento da equipe sobre os protocolos pode atrasar o início do processo de captação. A formação dos profissionais de saúde, que geralmente foca em salvar vidas, pode fazer com que muitos tenham dificuldades em aceitar a morte encefálica como um critério de morte Knihs et al. (2024) observaram que alguns da equipe ainda hesitam em seguir o protocolo de morte encefálica, mesmo ao saber que pode ajudar a salvar vidas.

O desempenho das atuações na identificação da morte encefálica e no cuidado ao potencial doador, com conhecimento técnico, empatia e boa comunicação, facilita as etapas do processo, contribui para o acolhimento da família e para o sucesso da doação de órgãos, os profissionais em conjunto, orientam as famílias da doação de órgãos, ao esclarecer o processo, pelos órgãos doáveis e que não há custos, todavia ressalta-se que a decisão final é da família. (Alves et al., 2019, Figueiredo et al., 2020).

5. CONCLUSÃO

A análise da literatura mostrou que a equipe multidisciplinar em um papel importante na identificação da morte encefálica e na doação de órgãos e tecidos. Desde que é confirmada a morte até o apoio à família, os profissionais são a peça-chaves entre os lados técnicos, éticos e humanos do cuidado. Os dados mostraram que, além do conhecimento técnico, é essencial saber se comunicar de forma acolhedora, ter empatia e trabalhar bem em equipe. Esses fatores são importantes para que um possível doador se torne um doador de verdade.

A análise dos artigos científicos ajudou a entender melhor a atuação dos profissionais na doação de órgãos. Isso inclui desde a busca por potenciais doadores, monitorização do estado de saúde, o acompanhamento clínico e o suporte às famílias. A questão principal era saber na literatura a presença de profissionais treinados, para trazer segurança e humanidade, para ocorrer de forma respeitosa e eficaz.

Apesar dos avanços, ainda há desafios, como a falta de treinamento, problemas de comunicação e a resistência em aceitar a morte encefálica. Por isso, é crucial investir em educação continuada e em políticas que ajudem a melhorar o conhecimento sobre o assunto. Isso permite o trabalho com segurança e sensibilidade, para garantir o atendimento mais humano e incentivo de aumentar as doações.

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