ACOLHIMENTO DA FAMÍLIA PELA EQUIPE MULTIDISCIPLINAR FRENTE A MORTE ENCEFÁLICA PARA A DOAÇÃO DE ÓRGÃOS

MULTIDISCIPLINARY TEAM SUPPORT FOR FAMILIES FACING BRAIN DEATH IN THE CONTEXT OF ORGAN DONATION

REGISTRO DOI: 10.70773/revistatopicos/785171013

RESUMO
O estudo teve como objetivo discutir o papel da equipe multidisciplinar no processo de morte encefálica e na doação de órgãos e tecidos, por enfatizar a atuação técnica, ética e humanizada. Realizou-se uma revisão narrativa qualitativa de 12 artigos publicados entre 2019 e 2025 nas bases BVS, LILACS, MEDLINE e SciELO. Os resultados evidenciaram que a equipe multidisciplinar é fundamental na aplicação dos protocolos de morte encefálica, na manutenção clínica do potencial doador e no acolhimento às famílias, ao exercer as funções que exigem conhecimento científico e sensibilidade. Entretanto, ainda persistem desafios, como a carência de treinamento adequado, as dificuldades de comunicação com familiares e a resistência em aceitar a morte encefálica. A discussão mostrou que o êxito da doação depende da combinação entre preparo técnico, comunicação eficaz e empatia, associados a protocolos claros e capacitação contínua. Conclui-se que a equipe multidisciplinar é essencial para a doação de órgãos, apoio às famílias e eficácia do processo.
Palavras-chave: Morte encefálica; Obtenção de tecidos e órgãos; Tomada de decisão; Família.

ABSTRACT
The study aimed to discuss the role of the multidisciplinary team in the process of brain death and organ and tissue donation, emphasising technical, ethical, and humanised practice. A qualitative narrative review was conducted using 12 articles published between 2019 and 2025 across the BVS, LILACS, MEDLINE, and SciELO databases. The results demonstrated that the multidisciplinary team is essential in implementing brain death protocols, maintaining the clinical care of the potential donor, and providing support to families, fulfilling duties that require both scientific knowledge and sensitivity. However, challenges persist, such as the lack of adequate training, communication difficulties with family members, and resistance to accepting brain death. The discussion showed that successful donation depends on combining technical preparedness, effective communication, and empathy, coupled with clear protocols and continuous training. It is concluded that the multidisciplinary team is essential for organ donation, family support, and the overall efficiency of the process.
Keywords: Brain death; Organ and tissue procurement; Nursing care; Decision-making; Family.

1. INTRODUÇÃO

A escolha do tema fundamenta-se em sua expressiva relevância ética, social e profissional, considerando os inúmeros desafios que permeiam a atuação dos profissionais de saúde diante de situações de elevada complexidade no ambiente hospitalar. Trata-se de um contexto em que as decisões clínicas e assistenciais frequentemente envolvem conflitos de valores, princípios bioéticos e aspectos legais, exigindo dos profissionais competências técnicas, científicas e humanísticas para garantir uma assistência segura, integral e centrada na dignidade da pessoa (Lordelo; Prá, 2025).

Além disso, a complexidade inerente ao ambiente hospitalar demanda constante articulação entre diferentes equipes multiprofissionais, comunicação efetiva com pacientes e familiares e capacidade para lidar com questões relacionadas ao sofrimento, à vulnerabilidade, à terminalidade e à tomada de decisões compartilhadas. Nesse sentido, a discussão do tema torna-se indispensável para fortalecer a prática baseada em evidências, promover a reflexão ética e contribuir para o aperfeiçoamento da assistência em saúde, favorecendo condutas mais qualificadas, humanizadas e alinhadas aos princípios que norteiam o cuidado integral. (Cavalcanti, 2021).

As mudanças de atitude frente à morte não alteram a constatação fundamental de ser um fato social e público, cuja forma de morrer que emergiu ao longo do século XX, especialmente em regiões mais industrializadas, urbanizadas e tecnicamente avançadas do mundo ocidental, trouxe um caráter de oposição às práticas anteriores, que funciona como uma imagem invertida da tradição. Nesse contexto, a sociedade passou a expulsar a morte do espaço público, preservando-a apenas como espetáculo restrito à figura dos homens de Estado (Lordelo; Prá, 2025).

A morte encefálica, definida como a cessação irreversível de todas as funções encefálicas, é reconhecida legalmente como morte no Brasil, conforme a Resolução do Conselho Federal de Medicina (CFM). Esse processo clínico não apenas encerra juridicamente a vida do paciente, mas também abre a possibilidade da doação de órgãos, um ato que pode salvar múltiplas vidas, desde que o diagnóstico seja realizado de forma criteriosa e acompanhado de assistência humanizada à família. (Ribeiro et al., 2020; Wagner; Souza; Magajewski, 2021; Lordelo; Prá, 2025).

No Brasil, o diagnóstico de morte encefálica é regulamentado pela Resolução nº 2.173/2017 do Conselho Federal de Medicina (CFM), que estabelece critérios clínicos e complementares rigorosos para sua determinação, assegurando elevado grau de segurança, confiabilidade e precisão diagnóstica (Brasil, 2017a).

O protocolo determina que o processo seja iniciado apenas em pacientes com lesão encefálica de causa conhecida, irreversível e capaz de ocasionar a perda completa e definitiva das funções encefálicas, desde que sejam excluídas condições potencialmente reversíveis que possam interferir na avaliação clínica, como hipotermia, distúrbios metabólicos e efeitos de medicamentos depressores do sistema nervoso central (Souza et al., 2026).

Além disso, a confirmação diagnóstica exige a realização de dois exames clínicos independentes, executados por médicos especificamente capacitados, associados ao teste de apneia e a um exame complementar capaz de demonstrar, de forma inequívoca, a ausência de perfusão sanguínea, atividade metabólica ou atividade elétrica encefálica (Brasil, 2017b).

Esse conjunto de procedimentos padronizados reduz significativamente a possibilidade de erros diagnósticos, confere respaldo ético, legal e científico à equipe assistencial e fortalece a confiança dos familiares e da sociedade no processo de determinação da morte encefálica, especialmente em situações relacionadas à doação de órgãos e tecidos para transplantes. (Brasil, 2017a; Souza et al., 2026).

O transplante de órgãos representa um dos mais significativos avanços da medicina moderna, constituindo uma estratégia terapêutica capaz de aumentar a sobrevida e proporcionar melhora substancial na qualidade de vida de pacientes acometidos por insuficiência ou falência irreversível de órgãos (Lima, 2025).

Essa modalidade de tratamento é indicada, sobretudo, quando as terapias clínicas ou cirúrgicas convencionais deixam de apresentar resultados satisfatórios em decorrência da progressão da doença e da perda definitiva da função fisiológica do órgão afetado. Nessas circunstâncias, o transplante passa a representar a alternativa mais eficaz para restaurar funções orgânicas essenciais, reduzir complicações associadas à doença de base, promover maior autonomia funcional e favorecer a reintegração social do paciente (Gama; Almeida; Oliveira, 2025).

Além dos benefícios individuais, os avanços científicos e tecnológicos relacionados às técnicas cirúrgicas, aos protocolos de imunossupressão, aos métodos de preservação de órgãos e ao acompanhamento multiprofissional têm contribuído significativamente para o aumento das taxas de sucesso dos transplantes, consolidando esse procedimento como uma importante política de saúde pública e um recurso indispensável no tratamento de doenças em estágio termina (Gama; Almeida; Lima, 2025).

Nesse cenário, os profissionais tem um papel essencial, não só presta assistência técnica ao paciente com morte encefálica, mas também envolve suporte intensivo ao paciente, apoio à família, para explicar o processo de doação e cuida clinicamente dos potenciais doadores (Sindeaux et al., 2021).

A decisão familiar da doação de órgãos é permeada por múltiplos fatores complexos e interdependentes, que destacam-se a causa da morte encefálica, a idade do potencial doador, o tempo decorrido da confirmação da morte, o grau de parentesco do falecido e a existência de manifestação de vontade de doar, sendo esses elementos influenciam a experiência do luto, o processo decisório da família, que evidencia a aceitação da morte e a confiança no diagnóstico constituem etapas fundamentais à viabilidade da doação (Souza et al., 2026).

Pela enfermagem, deve-se planejar, coordenar e realizar os cuidados para assegurar que os órgãos permaneçam viáveis, pela medicina, prescrição de medicamentos e controles fisiológicos vitais, sendo a dieta definida junco com a nutricionista, já a fisioterapia o cuidado respiratório para evitar eventos adversos, com a assistente social, garantir os direitos sem ferir a ética profissional e cívica, o psicólogo o acolhimento a família e profissionais (Wagner; Souza; Magajewski, 2021).

Assim, a atuação mostra um compromisso ético e legal, além de uma atitude humanizada e socialmente transformadora, participa de comissões hospitalares de doação de órgãos e tecidos para transplante (Knihs, 2020).

A atuação de assistentes sociais diante da morte em ambiente hospitalar, se insere na concretude das expressões da questão social que fundamentam as demandas relacionadas ao fim da vida, que constituem objeto central de intervenção no cotidiano profissional, exigindo respostas imediatas e qualificadas, sempre na perspectiva da garantia dos direitos das usuárias e usuários do Sistema Único de Saúde (SUS) (Lordelo; Prá, 2025).

Mediante a essa questão, o planejamento, organização e administração de benefícios e serviços sociais, assim como a realização de pesquisas para analisar a realidade social, são ferramentas essenciais para a adaptação das intervenções às necessidades emergentes da população (Oliveira, 2025).

Ao mesmo tempo, não se deve perder de vista as mediações necessárias para a superação da sociabilidade estruturada sob a lógica do capital, que condiciona tanto as práticas institucionais quanto as experiências sociais relacionadas à morte (Lordelo; Prá, 2025).

Na prática, observou-se situações reais vivenciadas no ambiente hospitalar, em que famílias enfrentavam momentos de profunda dor diante da morte do paciente com morte encefálica, mas simultaneamente, eram chamadas a tomar decisões sobre a doação de órgãos, o que justifica a atuação da equipe multidisciplinar (Ribeiro et al., 2020).

A maneira como os profissionais gerenciam esse processo, unindo sensibilidade e conhecimento técnico, mostrou ser crucial para a aceitação da doação, a importância de entender e melhorar o serviço, pela vivência buscou-se reconhecer a importância da atuação para a preservação não apenas dos ôrgãos, como também da família (Wagner; Souza; Magajewski, 2021).

A relevância da pesquisa se dá pelo impacto direto na saúde pública do Brasil, dada a falta de órgãos para transplantes e o grande número de pacientes que aguardam, tanto, que estimativas recentes mostram de 2019 a 2025, houve cerca de 18.900 casos de morte encefálica por ano no país, o que poderia aumentar as doações (Ribeiro et al., 2020).

No entanto, a notificação ser baixa e as diferenças regionais atrapalham esse processo. Assim, é importante notar o papel de cada profissional, já que, segundo Knihs (2020), uma equipe bem-preparada ajuda a identificar a morte encefálica, cuidar dos possíveis doadores e dar apoio ético às famílias, o que aumenta a aceitação da doação e ajuda a salvar vidas.

Um maior conhecimento profissional na morte encefálica e na doação de órgãos, permite profissionais mais preparados e a criação de referenciais teóricos e práticos, que podem ser integrados a bioética, ética profissional, terapia intensiva e transplantes, o que se propõe reflexões em relação entre ciência, ética e humanização do cuidado, que são pontos essenciais na formação de especialistas e pesquisadores da área da saúde (Lordelo; Prá, 2025).

Ao compreender os critérios clínicos e legais utilizados na identificação da morte encefálica, a investigação para uma manutenção do potencial doador após o diagnóstico dessa condição, analisa a abordagem familiar e no processo de autorização para a doação de órgãos, por identificar os desafios enfrentados pelos profissionais nesse contexto (Alves et al., 2019; Ribeiro et al., 2020).

A manutenção do potencial doador é essencial para viabilizar os órgãos destinados ao transplante, cuja equipe multidisciplinar deve dominar conhecimentos da fisiologia e possíveis alterações nos pacientes, para garantir a adequada preservação dos órgãos e captação em condições viáveis, ao considerar a importância da atuação dos profissionais intensivistas na manutenção do potencial doador de órgãos e tecidos para transplante (Bastos; Lima; Maramaldo, 2025).

O presente estudo, tem como objetivo discutir o papel da equipe multidisciplinar no processo de morte encefálica e na doação de órgãos e tecidos, por enfatizar a atuação técnica, ética e humanizada.

3. METODOLOGIA

Trata-se de uma revisão narrativa da literatura com abordagem qualitativa, que visa descrever e analisar a produção científica sobre um tema específico. Esse tipo de pesquisa é importante para a prática profissional, pois oferece uma visão ampla do conhecimento existente, fundamenta teoricamente as ações do profissional e aponta lacunas para novas investigações.

A questão de pesquisa consistiu em: Qual é o papel da equipe multidisciplinar no processo de morte encefálica e na doação de órgãos e tecidos, por enfatizar a atuação técnica, ética e humanizada? Essa pergunta orientou a busca, seleção e análise dos artigos, além de definir os critérios de inclusão e exclusão, cuja formulação sintetiza o problema investigado e assegura a coerência entre os objetivos propostos e os resultados alcançados.

A dinâmica da pesquisa consistiu na seleção criteriosa de artigos científicos por meio de uma busca estruturada nas bases de dados Biblioteca Virtual em Saúde (BVS), Literatura Latino-Americana e do Caribe em Ciências da Saúde (LILACS), Medline industries INC (MEDLINE), Scientific Electronic Library Online (SciELO), utilizou-se os descritores “Morte encefálica”, “Obtenção de tecidos e órgãos”, “Tomada de decisão” e “Família”. Optamos por estudos publicados entre 2019 e 2024, que estavam em português, disponíveis na íntegra, e que falavam da atuação da equipe multidisciplinar em situações de morte encefálica e doação de órgãos.

No total, foram encontrados 214 artigos sobre o tema do estudo. Desses, 4 foram excluídos porque estavam duplicados nas bases LILASC e BDENF. Após revisar os títulos e os anos, 184 artigos foram descartados, tendo apenas 30 para ler por completo. Depois de analisar os resumos, mais 18 artigos foram excluídos por não se alinharem a pesquisa, incluiu-se 12 artigos que foram utilizados na pesquisa.

Todos os artigos selecionados foram lidos na íntegra, o que possibilitou a coleta sistematizada dos dados e a análise detalhada do conteúdo. Essa estratégia permitiu a elaboração fundamentada dos resultados e da discussão.

Embora a revisão narrativa ajude a entender melhor o tema, uma limitação do estudo é a falta de um protocolo rigoroso para seleção e análise, como acontece em outras revisões sistemáticas. Isso pode deixar a interpretação dos dados um pouco mais subjetiva. Além disso, as restrições de tempo e idioma podem limitar a pesquisa, que deixou de fora estudos importantes que estão em outras línguas ou foram publicados fora do período analisado.

4. RESULTADOS

Esse estudo analisou 12 artigos científicos publicados entre 2019 e 2024, retirados das bases de dados como a Biblioteca Virtual em Saúde (BVS), LILACS, MEDLINE e SciELO. A partir dessa revisão, buscou-se entender o papel da equipe profissional no processo de morte encefálica e na doação de órgãos, ao mostrar as responsabilidades técnicas, de comunicação e emocionais que envolvem essa tarefa.

Tabela 1. Principais contribuições e desafios do papel da equipe multidisciplinar na morte encefálica e doação de órgãos segundo a literatura revisada (2019-2024)

Autor(es) e Ano

Tema Principal

Contribuições

Principais Desafios Identificados

Recomendações / Observações

FIGUEIREDO et al. (2020)

Envolvimento integral na doação de órgãos

Participação em todas as etapas e cuidado humanizado

Necessidade de atualização contínua

Educação continuada e trabalho em equipe

RIBEIRO et al. (2020)

Diagnóstico e comunicação sobre morte encefálica

Explicações claras, apoio emocional e respeito à decisão

Dificuldade de aceitação da morte encefálica

Comunicação clara e empática

KNIHS et al. (2020)

Gerenciamento do cuidado e suporte familiar

Acolhimento, comunicação empática e suporte técnico

Barreiras emocionais e culturais

Fortalecer comissões intra-hospitalares (CIHDOTT)

SILVA (2019)

Atribuições da equipe multiprofissional

Suporte técnico para manutenção clínica do potencial doador

Integração entre equipes e lacunas de conhecimento

Trabalho multidisciplinar e capacitação

MARCONDES et al. (2019)

Abordagem familiar para doação

Comunicação clara, diálogo e esclarecimento de dúvidas

Resistência, desconfiança e desconhecimento das famílias

Preparação e educação continuada

SINDEAUX et al. (2020)

Sistematização da assistência de enfermagem

Organização, padronização e registros da assistência

Falta de preparo técnico e emocional

Treinamento e protocolos bem definidos

SINDEAUX et al. (2021)

Cuidados de enfermagem ao potencial doador

Aplicação da SAE, monitoramento clínico, suporte emocional

Carência de conhecimento técnico e insegurança emocional

Investir em capacitação e suporte institucional

Basso (2019)

Esclarecimento sobre diagnóstico e processo

Redução de conflitos, facilitação da doação

Ambiente e tempo inadequados para diálogo

Ambientes adequados e tempo reservado para conversa

CAVALCANTI et al. (2021)

Conhecimentos e obstáculos no cuidado ao potencial doador

Intervenções para estabilizar o doador e monitorar alterações

Falta de conhecimento técnico e emocional

Capacitação técnica e emocional

FLORES (2023)

Cuidados em serviço de urgência

Conhecimento dos protocolos para captação de doadores

Falta de conhecimento gera atrasos

Treinamento específico em protocolos

KNIHS et al. (2024)

Aplicação do protocolo de morte encefálica

Incentivo ao cumprimento dos protocolos

Resistência e insegurança dos enfermeiros

Supervisão e suporte institucional

Alves et al. (2019)

Avaliação diagnóstica e condições clínicas

Papel fundamental na avaliação e cuidado

Desafios na comunicação e atualização técnica

Atualização constante e desenvolvimento de habilidades

Fonte: Autores (2025)

Os resultados evidenciam a importância da combinação entre conhecimento técnico, empatia e suporte às famílias para o êxito do processo de doação, além de apontar os principais desafios enfrentados pelos profissionais da equipe multidisciplinar na prática cotidiana.

5. DISCUSSÕES DOS DADOS

O aumento das doenças crônicas, impulsionado por hábitos alimentares inadequados e estilos de vida pouco saudáveis, tem feito a procura por transplantes de órgãos crescer em todo o mundo. Isso se mostra nas filas cada vez maiores para doações, sendo crucial ter um processo eficiente para captar órgãos, em que os profissionais têm um papel importante (Knihs et al., 2020).

A morte encefálica é reconhecida no Brasil como o critério legal e médico para a determinação da morte, sendo amplamente aceita pela comunidade científica e respaldada por critérios clínicos, éticos e legais rigorosamente estabelecidos. Conceitualmente, caracteriza-se pela perda completa, irreversível e definitiva de todas as funções encefálicas, incluindo aquelas desempenhadas pelo tronco cerebral, estrutura responsável pelo controle das funções vitais essenciais, como respiração espontânea, reflexos do tronco encefálico e manutenção do estado de consciência (Ribeiro et al., 2020).

Apesar do amplo consenso existente na literatura médica e dos protocolos padronizados que garantem elevada segurança diagnóstica, ainda são frequentes as dúvidas e os equívocos relacionados ao conceito de morte encefálica entre familiares de pacientes e, em alguns casos, até mesmo entre profissionais de saúde. Essas dificuldades decorrem, principalmente, do fato de que o paciente pode apresentar batimentos cardíacos mantidos por suporte ventilatório e terapias intensivas, criando a falsa percepção de que ainda existe possibilidade de recuperação (Sindeaux et al., 2020).

As recentes mudanças nos critérios diagnósticos formalizaram ajustes importantes nos procedimentos clínicos, cujo intervalo mínimo entre avaliações para pacientes com mais de dois anos foi reduzido de seis para uma hora, e a exigência de dois testes de apneia foi substituída por apenas um resultado positivo (Wagner; Souza; Magajewski, 2021).

Essa incompreensão pode gerar sofrimento emocional, insegurança durante o processo de comunicação do diagnóstico e resistência à aceitação da morte e à autorização para a doação de órgãos. Nesse contexto, torna-se imprescindível que os profissionais de saúde estejam tecnicamente capacitados e desenvolvam habilidades de comunicação humanizada, proporcionando informações claras, baseadas em evidências científicas e transmitidas de forma ética, acolhedora e empática, contribuindo para a compreensão do diagnóstico e para o fortalecimento da confiança dos familiares em um momento de extrema vulnerabilidade (Ribeiro et al., 2020; Sindeaux et al., 2020).

O parâmetro de positividade também foi modificado, passando a considerar pressão de dióxido de carbono (CO₂) superior a 55 mmHg, em vez de maior ou igual a esse valor. Além disso, foram estabelecidos pré-requisitos obrigatórios antes de cada etapa diagnóstica, incluindo pressão arterial sistólica ≥ 100 mmHg ou pressão arterial média ≥ 65 mmHg, temperatura corporal superior a 35 ºC e saturação de oxigênio acima de 94% (Wagner; Souza; Magajewski, 2021).

Os cuidados da equipe multiprofissional ao pacientes em morte encefálica, deve estar preparada para lidar com os complexos eventos fisiopatológicos decorrentes de uma lesão cerebral grave que resultam em coma não reativo e ausência dos reflexos do tronco cerebral, que pode surgir distúrbios endócrinos, pulmonares e cardiovasculares que podem comprometer a perfusão e a adequada oxigenação de órgãos vitais, como intestinos, pâncreas e rins, o que reduz a viabilidade para doação, por esta razão, a atuação qualificada da equipe é essencial para preservar a integridade dos órgãos e garantir a efetividade do processo de transplante (Alves et al., 2019; Araújo et al., 2022).

Os novos procedimentos também contemplam situações em que alterações morfológicas ou adquiridas inviabilizam a avaliação unilateral dos reflexos, permitindo o prosseguimento do diagnóstico na ausência de reflexos do lado sem alterações. Outro avanço foi a definição de critérios de formação e capacitação dos médicos examinadores, substituindo a obrigatoriedade da presença de um neurologista. Finalmente, foi estabelecido o tempo mínimo de seis horas de internação hospitalar, desde a admissão do paciente até o início dos procedimentos diagnósticos, aspecto que não estava previsto na resolução anterior (Wagner; Souza; Magajewski, 2021).

O processo de comunicação do diagnóstico de morte encefálica às famílias constitui um dos momentos delicados e complexos, que envolve a equipe multidisciplinar, tendo como atores de frente o psicólogo e o assistente social, no percurso relacionado à doação de órgãos, ainda mais na situação de extrema vulnerabilidade emocional, vivência simultânea do luto e a responsabilidade de tomar a decisão da doação, sendo imprescindível a forma como essa comunicação é conduzida influencia diretamente a confiança da família no processo e, consequentemente, a viabilidade da doação (Souza et al., 2026).

A doação de órgãos e tecidos é um processo complicado que envolve muitos fatores, como questões técnicas, burocráticas, éticas e emocionais, nesse cenário, o trabalho dos profissionais são essenciais (Cavalcanti, 2021).

A atuação do assistente social na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) é fundamental para a compreensão e o enfrentamento dos determinantes sociais que influenciam o processo saúde-doença e repercutem diretamente na condição clínica, no acesso aos serviços de saúde e na continuidade do cuidado (Oliveira, 2025; Araújo et al., 2022).

Inserido na equipe multiprofissional, esse profissional desenvolve intervenções voltadas à identificação das vulnerabilidades socioeconômicas, familiares e institucionais que podem comprometer a assistência ao paciente e à sua rede de apoio, promovendo estratégias que assegurem a integralidade do cuidado e a humanização do atendimento (Souza et al., 2026).

A prática profissional é orientada pelos princípios éticos do Serviço Social, pela legislação profissional e pelas diretrizes do Sistema Único de Saúde (SUS), que reconhecem a saúde como um direito fundamental e enfatizam os princípios da universalidade, integralidade, equidade e participação social (Oliveira, 2025).

O assistente social desempenha papel estratégico na mediação entre usuários, familiares e equipe de saúde, oferecendo acolhimento, orientação sobre direitos sociais e previdenciários, articulação com a rede de proteção social e apoio na tomada de decisões em situações de elevada complexidade, como os casos de morte encefálica, limitação terapêutica, cuidados paliativos e doação de órgãos. Sua atuação também contribui para a redução das desigualdades no acesso às políticas públicas, para o fortalecimento do vínculo entre os serviços de saúde e as famílias e para a construção de um cuidado centrado nas necessidades biopsicossociais do paciente (Araújo et al., 2022).

Dessa forma, a presença do assistente social na UTI reafirma o compromisso do SUS com a garantia de direitos, a defesa da dignidade humana e a oferta de respostas qualificadas às demandas sociais emergentes em contextos críticos de vida, morte e luto, favorecendo uma assistência ética, interdisciplinar, resolutiva e humanizada (Oliveira, 2025; Brasil, 1993).

O protocolo vai desde identificar quem pode ser um doador até apoiar a família e cuidar bem do doador. Segundo Figueiredo (2020), os profissionais envolvidos em todas as etapas da doação e sua presença é fundamental para garantir um cuidado completo e humano.

Embora o diagnóstico de morte encefálica seja fundamentado em protocolos rigorosamente padronizados e respaldados por critérios científicos, éticos e legais, sua condução envolve aspectos técnicos e humanos que podem influenciar todo o processo assistencial (Marcondes et al., 2019).

A adequada capacitação dos profissionais responsáveis pela aplicação do protocolo, aliada à experiência clínica na identificação e interpretação dos sinais neurológicos, é essencial para assegurar a precisão diagnóstica, a segurança do paciente e a credibilidade do procedimento (Araújo et al., 2022).

Paralelamente, o impacto emocional vivenciado pelos familiares representa um dos maiores desafios enfrentados pela equipe de saúde, uma vez que a manutenção da circulação sanguínea, dos batimentos cardíacos e da ventilação mecânica pode transmitir a impressão de que o paciente permanece vivo, dificultando a compreensão da irreversibilidade da perda das funções encefálicas. Essa percepção frequentemente desencadeia sentimentos de negação, esperança, insegurança e sofrimento, tornando o momento da comunicação do diagnóstico particularmente delicado (Marcondes et al., 2019).

Torna-se indispensável que a equipe multiprofissional adote uma abordagem humanizada, ética e centrada na família, baseada em comunicação clara, objetiva, acolhedora e fundamentada em evidências científicas (Araújo et al., 2022).

A atuação integrada de médicos, enfermeiros, assistentes sociais, psicólogos e demais profissionais favorece o esclarecimento de dúvidas, o acolhimento das demandas emocionais, o fortalecimento da relação de confiança entre equipe e familiares e a tomada de decisões mais conscientes, especialmente em situações relacionadas à doação de órgãos e tecidos. Dessa forma, a combinação entre excelência técnica e sensibilidade no cuidado constitui um elemento essencial para garantir uma assistência integral, qualificada e pautada nos princípios da humanização e da dignidade da pessoa humana (Marcondes et al., 2019; Souza et al., 2026; Araújo et al., 2022).

A identificação e confirmação da morte encefálica, na maioria dos hospitais, acontece nas UTIs e segue um protocolo em duas etapas, com pelo menos seis horas de intervalo. A primeira etapa é uma avaliação clínica, onde se verifica a falta de respostas a estímulos neurológicos e reflexos básicos. A segunda etapa consiste em fazer exames complementares que mostram que não há atividade cerebral (Knihs et al., 2024; Gama; Almeida; Lima, 2025).

Entre os exames complementares, o teste de apneia feito pelo médico e fisioterapeuta respiratório é muito importante, pois verifica se a respiração está ausente, que também se observa a falta de reflexos, como da tosse e do tronco encefálico. Esses pontos são essenciais para identificar claramente a morte encefálica (Araújo et al., 2022).

Segundo Sindeaux et al. (2021), com base em critérios científicos, éticos e morais, um paciente com morte encefálica é visto como legal e clinicamente morto, mesmo que continue a receber suporte de vida artificial.

O enfermeiro tem um papel fundamental em conectar a equipe de saúde com os familiares, é responsável por dar informações claras e acolhedoras sobre o diagnóstico, os procedimentos e a possibilidade de doação. A Resolução nº 611/2019 do Conselho Federal de Enfermagem (COFEN) diz que é função do enfermeiro assegurar que os familiares entendam bem o processo, ao respeitar a decisão que tomarem, seja a favor ou contra (Alves et al., 2019; Cofen, 2019).

O cuidado ao paciente com suspeita ou diagnóstico de morte encefálica requer do enfermeiro a mobilização de conhecimento científico para a manutenção da vida orgânica, crucial para a viabilidade de órgãos (Anacleto; Pereira; Carvalho, 2020; Gama; Almeida; Lima, 2025).

O enfermeiro precisa está atendo a profissionais, com falta de conhecimento e habilidades, o que aponta um desafio sendo potencializada pelo distanciamento entre a Organização de Procura de Órgãos (OPO), a central de transplante e os hospitais, o que gera fragilidade no sistema e pode aumentar a inviabilidade dos órgãos devido à demora na captação (Ilha, 2020; Gama; Almeida; Lima, 2025).

Os estudos evidenciam a existência de fragilidades e, em alguns casos, divergências no conhecimento dos enfermeiros que atuam em Unidades de Terapia Intensiva (UTIs) acerca dos cuidados prestados ao potencial doador de órgãos. Embora muitos profissionais relatem sentir-se preparados para desempenhar essa assistência, pesquisas demonstram lacunas relacionadas ao reconhecimento dos critérios diagnósticos de morte encefálica, à manutenção hemodinâmica do potencial doador, à preservação da viabilidade dos órgãos e aos aspectos éticos, legais e comunicacionais envolvidos no processo de doação e transplante (Gama; Almeida; Lima, 2025).

Essa discrepância entre a percepção de competência e o conhecimento técnico efetivamente demonstrado pode comprometer a qualidade da assistência, influenciar a segurança do processo e repercutir negativamente nas taxas de efetivação da doação de órgãos. Nesse cenário, destaca-se a necessidade de investimentos permanentes em educação continuada, capacitação profissional e atualização baseada em evidências científicas, permitindo que os enfermeiros desenvolvam competências técnicas, éticas e relacionais para atuar de forma qualificada em todas as etapas do cuidado ao potencial doador (Bastos; Lima; Maramaldo, 2025).

Além disso, o fortalecimento da atuação do enfermeiro como integrante da equipe multiprofissional favorece a implementação de protocolos assistenciais, a monitorização clínica adequada, a prevenção de complicações fisiológicas e o estabelecimento de uma comunicação humanizada com familiares, contribuindo para a segurança do paciente, a qualidade da assistência e o aumento da efetividade do processo de doação e transplante de órgãos (Gama; Almeida; Lima, 2025; Bastos; Lima; Maramaldo, 2025).

Nesse contexto, a Comissão Intra-Hospitalar de Doação de Órgãos e Tecidos para Transplante (CIHDOTT) é um elo fundamental, sendo o enfermeiro peça-chave na articulação dos processos de doação dentro do ambiente hospitalar da confirmação diagnóstica, coordenação de exames e supervisão da assistência da equipe técnica (Tolfo, Andrade & Silva,2018; Araújo et al., 2022).

Assim, o enfermeiro desempenha um papel fundamental no controle hemodinâmico, hídrico e na monitorização contínua, haja vista que, a efetividade da doação depende diretamente da qualidade da manutenção clínica, que deve ser iniciada imediatamente na suspeita e intensificada após o diagnóstico de morte encefálica (Nobre, Farias & Santos 2022; Westphal; Garcia; Almeida 2020; Gama; Almeida; Lima, 2025).

A qualidade da comunicação com a família é essencial para aceitar a doação. Pesquisas mostram, que muitas vezes, as rejeições estão ligadas à falta de informações claras, à falta de acolhimento e ao ambiente inadequado durante as conversas. Criar um vínculo de confiança, com empatia e respeito pelo luto, ajuda os familiares a entenderem a irreversibilidade da situação e, em muitos casos, ver a doação como uma maneira de transformar a dor da perda em solidariedade (Alves et al., 2019; Marcondes et al., 2019; Araújo et al., 2022).

A atuação da equipe multiprofissional é um dos pilares para a efetividade do processo de doação de órgãos e tecidos para transplante, especialmente no contexto da Comissão Intra-Hospitalar de Doação de Órgãos e Tecidos para Transplante (CIHDOTT) (Knihs, 2020).

Constituída por profissionais de diferentes áreas da saúde, a comissão desempenha funções relacionadas à identificação precoce do potencial doador, ao acompanhamento do protocolo de diagnóstico de morte encefálica, à manutenção clínica do doador e à articulação com as Centrais Estaduais de Transplantes (Oliveira, 2025).

Além dos aspectos técnicos e operacionais, a CIHDOTT exerce papel essencial no acolhimento e no acompanhamento contínuo dos familiares, reconhecendo que o processo de luto se inicia ainda durante a internação e se intensifica após a comunicação do diagnóstico de morte encefálica (Knihs, 2020).

Assim, é imprescindível que a equipe multiprofissional desenvolva uma escuta qualificada, pautada na empatia, no respeito às crenças, valores culturais e religiosos e na oferta de informações claras, consistentes e compreensíveis sobre o diagnóstico e as etapas do processo de doação (Marcondes et al., 2019).

A atuação integrada de médicos, enfermeiros, assistentes sociais, psicólogos e demais profissionais favorece a construção de uma relação de confiança com a família, reduz inseguranças e dúvidas, proporciona suporte emocional e contribui para que a decisão sobre a doação de órgãos seja tomada de forma livre, consciente e esclarecida (Alves et al., 2019).

Dessa maneira, a CIHDOTT transcende sua função organizacional, consolidando-se como um importante instrumento de humanização da assistência, de garantia dos direitos dos usuários e de fortalecimento da política nacional de transplantes, promovendo uma assistência ética, interdisciplinar e centrada nas necessidades do paciente e de sua família (Oliveira, 2025).

A transparência no diagnóstico de morte encefálica é fundamental para assegurar que todo paciente crítico tenha direito a um processo seguro de confirmação da morte, reduzindo dúvidas e o sofrimento dos familiares. Além disso, exerce impacto direto sobre o sistema de doação e transplante de órgãos, uma vez que a clareza nos critérios fortalece a confiança social e institucional (Wagner; Souza; Magajewski, 2021; Gama; Almeida; Lima, 2025; Oliveira, 2025).

A equipe multidisciplinar em um papel importante na identificação da morte encefálica e na doação de órgãos e tecidos, que após confirmada a morte até o apoio à família, os profissionais são a peça-chaves entre os lados técnicos, éticos e humanos do cuidado, além do conhecimento técnico, é essencial saber se comunicar de forma acolhedora, ter empatia e trabalhar bem em equipe. Esses fatores são importantes para que um possível doador se torne um doador de verdade (Alves et al., 2019; Rieth; Viana, 2024).

Nesse contexto, a revisão do processo diagnóstico de morte encefálica era uma demanda recorrente no Brasil, que apontam intervalos prolongados entre os testes clínicos podem comprometer a segurança do procedimento, em pacientes cujo intervalo entre os dois exames clínicos ultrapassou seis horas, a taxa de parada cardíaca foi de 14%, mas esses dados reforçam a importância da padronização e da atualização dos protocolos, garantindo maior confiabilidade e eficiência no diagnóstico e, consequentemente, no processo de captação de órgãos para transplante (Wagner; Souza; Magajewski, 2021; Flores, 2023).

No processo de acolhimento aos familiares de potenciais doadores de órgãos, o psicólogo desempenha um papel essencial na promoção da humanização da assistência, oferecendo suporte emocional desde a comunicação do diagnóstico de morte encefálica até a decisão final acerca da doação de órgãos e tecidos (Cavalcanti; Nascimento, 2021).

A atuação está fundamentada na escuta qualificada, no acolhimento das manifestações de sofrimento, na identificação das necessidades emocionais e na criação de um ambiente que favoreça o diálogo, o respeito e a elaboração do processo de luto. Entretanto, é importante destacar que a função do psicólogo não consiste em persuadir ou convencer os familiares a autorizarem a doação de órgãos (Flores, 2023).

A responsabilidade ética e profissional está voltada para assegurar que a família compreenda, de forma clara e acessível, o diagnóstico de morte encefálica, o significado clínico e legal desse diagnóstico e todas as etapas que envolvem o processo de doação, garantindo condições para que a decisão seja tomada de maneira livre, autônoma, consciente e esclarecida (Rieth; Viana, 2024).

Nesse contexto, o psicólogo atua como facilitador da comunicação entre a equipe de saúde e os familiares, contribuindo para a redução da ansiedade, do sofrimento psíquico e das possíveis dúvidas que surgem em um momento de intensa vulnerabilidade emocional (Flores, 2023).

Ao respeitar as crenças, os valores culturais, religiosos e a autonomia decisória da família, esse profissional fortalece os princípios éticos da beneficência, da não maleficência, da autonomia e da dignidade da pessoa humana, favorecendo um processo de cuidado centrado na família e pautado na humanização da assistência (Rieth; Viana, 2024; Cavalcanti; Nascimento, 2021).

Dessa forma, a atuação do psicólogo é norteada para o acolhimento das notícia do estado de saúde do possível doador no suporte psicológico e emocional ao respeitar o tempo da dor, diferente do tempo biológico e cirúrgico necessário à retirada dos órgãos, frente a confirmação do diagnóstico de morte encefálica na compreensão do significado também, o que desmitifica crenças de que pode acordar, o que permite a expressão na escuta ativa da dor, raiva ou confusão em um ambiente seguro, sem julgamentos, consciente e autônoma, ao facilitar a comunicação entre a família e equipe multidisciplinar (Carlos; Rocha, 2019; Sindeaux et al., 2021).

Além de cuidar das emoções e da comunicação, a equipe multidisciplinar também tem o papel de garantir que o doador esteja clinicamente estável. Isso inclui a prescrição de medicamentos, monitorar os sinais vitais, manter a ventilação mecânica, controlar a função dos rins, regular a glicose e hidratar as córneas, entre outros cuidados que ajudam a preservar os órgãos (Araújo et al., 2022; Gama; Almeida; Lima, 2025).

As práticas assistenciais desenvolvidas durante a identificação, manutenção e captação de órgãos do potencial doador são determinantes para o sucesso do processo de transplante, uma vez que influenciam diretamente a viabilidade dos órgãos, a segurança do procedimento e os desfechos clínicos dos receptores (Sindeaux et al., 2021).

A execução dessas atividades exige elevado conhecimento técnico-científico, domínio dos protocolos institucionais e da legislação vigente, além da capacidade de realizar avaliações clínicas contínuas e tomar decisões rápidas, precisas e fundamentadas em evidências (Araújo et al., 2022).

Considerando que o potencial doador frequentemente apresenta instabilidade hemodinâmica e alterações fisiopatológicas decorrentes da morte encefálica, a equipe multiprofissional deve atuar de forma integrada, implementando medidas para manter a perfusão tecidual, a oxigenação, o equilíbrio hidroeletrolítico e a estabilidade metabólica, preservando a funcionalidade dos órgãos destinados ao transplante (Nobre; Farias; Santos, 2022).

Nesse contexto, a agilidade na identificação de intercorrências e na adoção de condutas terapêuticas adequadas é essencial para minimizar perdas de órgãos e otimizar os resultados do transplante (Sindeaux et al., 2021).

Dessa forma, a qualificação permanente dos profissionais, associada ao cumprimento rigoroso dos protocolos assistenciais e ao trabalho interdisciplinar, constitui um fator indispensável para garantir a excelência da assistência ao potencial doador e aumentar a efetividade do sistema de transplantes (Silva et al., 2020).

A abordagem com a família precisa de preparo e aprendizado constante. Marcondes et al. (2020) apontam que ter informações claras e manter um bom diálogo ajuda os familiares a entenderem e aceitarem as situações.

Mas ainda existem dificuldades, como a falta de confiança dos profissionais, o desconhecimento dos procedimentos e a resistência em falar sobre a morte. Por isso, é importante oferecer educação continuada e investir nas instituições para que o trabalho tenha mais segurança e empatia (Silva, 2019; Souza et al., 2026; Oliveira, 2025)

É fundamental treinar os profissionais, para que consigam lidar melhor com a situação de morte encefálica e com o processo de doação, o que ajuda a garantir um cuidado mais qualificado e ético, que evita a falta de conhecimento técnico e emocional nos profissionais, que pode afetar a qualidade do atendimento, sendo necessário a sistematização através de protocolos assistenciais, que é super importante para o processo de doação (Sindeaux et al., 2020; Sindeaux et al., 2021).

Após a confirmação do diagnóstico de ME, a equipe multidisciplinar participa ativamente da abordagem à família, momento delicado que exige sensibilidade e domínio técnico, com a conversa para impactar na decisão da família (Nobre; Farias; Santos, 2022).

Por isso, o ambiente, o tempo dedicado a acolhê-los e a clareza na comunicação são muito importantes. Muitas vezes, a recusa acontece porque a família não entende o diagnóstico ou não recebe orientações corretas, além de considerações culturais e religiosas que podem influenciar (Ribeiro et al., 2020; Araújo et al., 2022).

No contexto brasileiro, a autorização familiar é condição obrigatória para a realização da doação de órgãos, nos casos em que o falecido havia manifestado em vida a intenção de ser doador também, o que torna a abordagem e o acolhimento das famílias etapas cruciais do êxito do processo de doação, fato evidenciado em 2024, 55% das famílias entrevistadas autorizaram a doação de órgãos de seus entes queridos, representando um avanço em relação aos anos anteriores e os números ainda evidenciam que metade das famílias optam pela recusa, o que reforça a necessidade de estratégias qualificadas de comunicação e apoio emocional para ampliar a confiança e a adesão ao processo de doação (Souza et al., 2026; Nobre; Farias; Santos, 2022).

É importante a explicação do diagnóstico de morte encefálica, dos exames que precisam ser realizados, a necessidade de manter o corpo na UTI, o que envolve a transferência da cirurgia para retirar os órgãos, isso é fundamental para o apoio à família, ajuda a diminuir conflitos e facilita o processo de doação de órgãos (Alves et al., 2019; Basso, 2019; Gama; Almeida; Lima, 2025).

A manutenção da saúde do doador é um desafio bem importante. Cavalcanti et al. (2021) apontam que podem acontecer mudanças no metabolismo, na circulação e nos hormônios depois do diagnóstico de morte encefálica, o que pode afetar a saúde dos órgãos. Por isso, a equipe multidisciplinar precisa fazer intervenções, como monitorar a temperatura, controlar a circulação, repor fluidos e realizar exames laboratoriais para prevenir problemas nos órgãos (Wagner; Souza; Magajewski, 2021; Marcondes et al., 2019).

Para manter as funções orgânicas, a atuação do nutricionista no Centro de Terapia Intensiva é relevante diante de pacientes em morte encefálica que seja possível para doação de órgãos, nessa situação, o profissional de nutrição cuida da manutenção da homeostase metabólica, para garantir que o organismo se mantenha em condições até a efetivação do processo de captação, que inclui o controle glicêmico e equilíbrio hidroeletrolítico para preservar a viabilidade dos órgãos destinados à doação (Souza; Oliveira, 2020; Araújo et al., 2022).

A morte encefálica caracteriza-se pela perda irreversível das funções cerebrais, embora o organismo possa ser mantido em funcionamento por suporte intensivo. Nessa condição, a preservação da viabilidade dos órgãos destinados à doação depende de rigoroso controle metabólico e fisiológico, no qual a atuação do nutricionista em unidades de terapia intensiva é fundamental (Tolfo; Andrade; Silva, 2018; Westphal; Garcia; Almeida, 2020; Flores, 2023).

O nutricionista desempenha papel estratégico na equipe multiprofissional responsável pelo cuidado ao potencial doador de órgãos, atuando na preservação da homeostase metabólica e na manutenção das condições fisiológicas necessárias para a viabilidade dos órgãos destinados ao transplante (Nobre; Farias; Santos, 2022).

A atuação envolve a avaliação contínua do estado nutricional e metabólico, o monitoramento de parâmetros bioquímicos e a implementação de condutas nutricionais individualizadas, considerando as alterações fisiopatológicas desencadeadas pela morte encefálica. O objetivo principal consiste em assegurar que variáveis como glicemia, equilíbrio hidroeletrolítico, acidobásico e metabólico permaneçam dentro de limites compatíveis com a adequada perfusão e funcionalidade dos órgãos até a efetivação da captação (Gama; Almeida; Lima, 2025).

Além disso, o nutricionista atua em conjunto com os demais profissionais da Unidade de Terapia Intensiva na definição das estratégias de terapia nutricional enteral ou parenteral, quando indicadas, contribuindo para a estabilidade clínica do potencial doador e para a redução de complicações metabólicas que possam comprometer a qualidade dos órgãos (Tolfo; Andrade; Silva, 2018).

Dessa forma, sua atuação, fundamentada em evidências científicas e integrada às demais intervenções da equipe multiprofissional, representa um componente essencial para a manutenção do potencial doador e para o sucesso do processo de transplante, favorecendo melhores desfechos clínicos para os receptores (Sindeaux et al., 2021; Knihs et al., 2022).

Entre os principais aspectos, destaca-se o controle glicêmico, uma vez que a glicose é a principal fonte energética para os tecidos. A hipoglicemia compromete a produção de ATP, reduzindo a eficiência da glicólise e do ciclo de Krebs, enquanto a hiperglicemia favorece a formação de espécies reativas de oxigênio e produtos finais de glicação avançada (AGEs), que danificam proteínas e membranas celulares, comprometendo a integridade tecidual (Knihs et al., 2022; Marcondes et al., 2019).

Outro ponto crítico é o equilíbrio hidroeletrolítico, indispensável para a manutenção da função celular. O sódio (Na⁺) regula o volume extracelular e participa da condução nervosa, enquanto o potássio (K⁺) é essencial para o potencial de membrana e para a repolarização cardíaca (Nobre; Farias; Santos, 2022; Gama; Almeida; Lima, 2025).

O cálcio (Ca²⁺) atua como segundo mensageiro intracelular, regulando contração muscular e ativação enzimática, e o magnésio (Mg²⁺) é cofator de diversas enzimas, incluindo a Na⁺/K⁺-ATPase, responsável pela manutenção do gradiente eletroquímico. Alterações nesses íons podem resultar em arritmias, falência renal ou disfunções hepáticas, inviabilizando a doação (Sindeaux et al., 2021; Oliveira, 2025).

Do ponto de vista molecular, a manutenção da homeostase garante o funcionamento contínuo de processos como a glicólise, o ciclo de Krebs e a fosforilação oxidativa, que sustentam a síntese de ATP (Knihs et al., 2022; Gama; Almeida; Lima, 2025).

Esse ATP é indispensável para o funcionamento das bombas iônicas, como a Na⁺/K⁺-ATPase, que preservam o potencial de membrana e a excitabilidade celular. Assim, o nutricionista, ao ajustar soluções de glicose e eletrólitos, assegura que os mecanismos bioquímicos fundamentais permaneçam ativos, evitando falência celular e preservando a qualidade dos órgãos (Westphal; Garcia; Almeida, 2020; Marcondes et al., 2019).

Portanto, a atuação nutricional em pacientes com morte encefálica transcende o fornecimento de nutrientes, configurando-se como uma intervenção científica e clínica crucial para a manutenção da viabilidade dos órgãos, mas o sucesso do transplante depende diretamente da estabilidade metabólica e eletrolítica, reforçando a relevância do nutricionista como parte integrante da equipe multiprofissional em terapia intensiva (Tolfo; Andrade; Silva, 2018; Knihs et al., 2022).

Além disso, o nutricionista elabora estratégias de suporte nutricional, frente as alterações fisiológicas da morte encefálica, como instabilidade hemodinâmica e alterações hormonais. Assim, a presença do nutricionista na equipe multiprofissional do CTI fortalece a abordagem integrada e assegura maior efetividade no processo de manutenção do potencial doador (BRASIL, 2017b; Oliveira, 2025; Flores, 2023).

Embora o Brasil tenha apresentado avanços significativos na organização do Sistema Nacional de Transplantes, na ampliação da capacidade técnica das equipes e no aumento do número de transplantes realizados, ainda persistem fragilidades que comprometem a identificação e a efetivação da doação de órgãos, sobretudo nos serviços de urgência e emergência (Knihs et al., 2022).

Esses ambientes caracterizam-se por elevada demanda assistencial, necessidade de decisões rápidas e alta rotatividade de pacientes, fatores que podem dificultar o reconhecimento precoce do potencial doador e a adoção tempestiva dos protocolos estabelecidos para o diagnóstico de morte encefálica e a manutenção clínica do doador (BRASIL, 2017b).

O conhecimento insuficiente dos profissionais acerca dos protocolos de identificação, notificação e manejo do potencial doador constitui um dos principais fatores associados ao atraso no início do processo de captação de órgãos. Essa limitação pode resultar em falhas na abertura do protocolo de morte encefálica, na comunicação com as Comissões Intra-Hospitalares de Doação de Órgãos e Tecidos para Transplante (CIHDOTT) e com as Centrais Estaduais de Transplantes, além de comprometer a manutenção fisiológica do potencial doador e reduzir a viabilidade dos órgãos para transplante (Flores et al., 2023).

Diante desse cenário, torna-se indispensável o fortalecimento de estratégias de educação permanente, treinamento prático e atualização contínua dos profissionais que atuam nos serviços de urgência e emergência, visando aprimorar o reconhecimento precoce do potencial doador, padronizar a aplicação dos protocolos assistenciais e qualificar a atuação multiprofissional (BRASIL, 2017b).

Tais medidas contribuem para otimizar o fluxo do processo de doação, reduzir perdas evitáveis de órgãos e ampliar as oportunidades de transplante, repercutindo positivamente na efetividade do sistema e na redução das filas de espera (Souza et al., 2026; Gama; Almeida; Lima, 2025).

A formação dos profissionais de saúde, que geralmente foca em salvar vidas, pode fazer com que muitos tenham dificuldades em aceitar a morte encefálica como um critério de morte, que alguns da equipe ainda hesitam em seguir o protocolo de morte encefálica, mesmo ao saber que pode ajudar a salvar vidas (Wagner; Souza; Magajewski, 2021; Knihs et al., 2024).

O desempenho das atuações na identificação da morte encefálica e no cuidado ao potencial doador, com conhecimento técnico, empatia e boa comunicação, facilita as etapas do processo, contribui para o acolhimento da família e para o sucesso da doação de órgãos, os profissionais em conjunto, orientam as famílias da doação de órgãos, ao esclarecer o processo, pelos órgãos doáveis e que não há custos, todavia ressalta-se que a decisão final é da família. (Alves et al., 2019; Figueiredo et al., 2020; Wagner; Souza; Magajewski, 2021).

A análise, ajudou a entender melhor a atuação dos profissionais na doação de órgãos. Isso inclui desde a busca por potenciais doadores, monitorização do estado de saúde, o acompanhamento clínico e o suporte às famílias, cuja questão principal era saber na literatura a presença de profissionais treinados, para trazer segurança e humanidade, para ocorrer de forma respeitosa e eficaz (Souza et al., 2026; Cavalcanti; Nascimento, 2021).

Apesar dos avanços, ainda há desafios, como a falta de treinamento, problemas de comunicação e a resistência em aceitar a morte encefálica, por isso, é crucial investir em educação continuada e em políticas que ajudem a melhorar o conhecimento sobre o assunto. Isso permite o trabalho com segurança e sensibilidade, para garantir o atendimento mais humano e incentivo de aumentar as doações (Figueiredo et al., 2020; Rieth; Viana, 2024; Flores, 2023).

6. CONSIDERAÇÕES FINAIS

A análise da literatura, evidenciou que a equipe multidisciplinar desempenha papel central na identificação da morte encefálica e na condução do processo de doação de órgãos e tecidos. Desde o momento da confirmação da morte até o suporte oferecido às famílias, os profissionais de saúde se tornam mediadores indispensáveis entre os aspectos técnicos, éticos e humanos do cuidado, garantindo que cada etapa seja conduzida com segurança, respeito e sensibilidade.

Embora o conhecimento técnico-científico seja um requisito indispensável para a condução segura e qualificada do processo de doação e transplante de órgãos, sua presença isolada não é suficiente para garantir a efetividade de todas as etapas envolvidas.

A complexidade desse processo exige que os profissionais de saúde desenvolvam, além das competências técnicas, habilidades interpessoais relacionadas à comunicação, ao acolhimento, à empatia e ao trabalho colaborativo, especialmente diante de famílias que vivenciam o impacto da confirmação da morte encefálica e o início do processo de luto.

A capacidade de transmitir informações de forma clara, ética, transparente e sensível, respeitando os aspectos culturais, religiosos e emocionais dos familiares, favorece o estabelecimento de vínculos de confiança e contribui para uma tomada de decisão livre e esclarecida quanto à doação de órgãos.

Da mesma forma, a atuação integrada da equipe multiprofissional, baseada na comunicação efetiva, no compartilhamento de responsabilidades e na articulação entre diferentes saberes, fortalece a qualidade da assistência e a condução dos protocolos clínicos. Nesse contexto, evidencia-se que a efetivação da doação de órgãos não depende exclusivamente da excelência técnica, mas também da capacidade dos profissionais de integrar ciência, ética e humanização em suas práticas assistenciais.

Assim, a prática clínica deve ser continuamente orientada por princípios humanísticos, equilibrando o rigor científico com a sensibilidade necessária para o cuidado em situações marcadas por elevada complexidade clínica, emocional e ética, promovendo uma assistência centrada na dignidade do paciente, no respeito à autonomia familiar e na integralidade do cuidado.

A revisão dos artigos científicos, permitiu compreender em profundidade a atuação dos profissionais envolvidos, que abrange desde a identificação de potenciais doadores, monitorização clínica e acompanhamento do estado de saúde, até o suporte emocional às famílias enlutadas. A presença de equipes treinadas e capacitadas mostrou-se decisiva para transmitir confiança e assegurar que o processo ocorra de forma ética e eficaz, respeitando tanto os aspectos legais quanto os valores humanos envolvidos.

Apesar dos avanços científicos, tecnológicos e organizacionais alcançados nas últimas décadas no processo de doação e transplante de órgãos, ainda persistem desafios expressivos que limitam a efetivação das doações e comprometem o pleno funcionamento da rede transplantadora.

Entre os principais entraves destacam-se a insuficiência de programas de educação permanente e capacitação continuada dos profissionais de saúde, fragilidades na comunicação entre a equipe multiprofissional e os familiares, dificuldades na aplicação uniforme dos protocolos assistenciais e a persistência de barreiras culturais, sociais e religiosas relacionadas à compreensão e à aceitação da morte encefálica como critério legal e médico de óbito.

Esses fatores podem favorecer insegurança, interpretações equivocadas e resistência por parte das famílias no momento da decisão sobre a doação de órgãos, além de impactar a atuação dos profissionais envolvidos no processo. Nesse cenário, torna-se imprescindível fortalecer estratégias de educação permanente em saúde, com enfoque na atualização técnico-científica, no desenvolvimento de competências comunicacionais e na humanização da assistência.

Igualmente relevante é a implementação e o monitoramento de protocolos assistenciais padronizados, aliados ao fortalecimento das Comissões Intra-Hospitalares de Doação de Órgãos e Tecidos para Transplante (CIHDOTT) e à integração entre os diferentes níveis da rede de atenção. Paralelamente, a formulação e o fortalecimento de políticas públicas voltadas à educação da população, à disseminação de informações baseadas em evidências científicas e à promoção de campanhas permanentes de conscientização sobre a morte encefálica e a doação de órgãos são fundamentais para reduzir mitos e desinformação, ampliar a confiança da sociedade no sistema de transplantes e favorecer o aumento das taxas de doação.

Dessa forma, a superação desses desafios depende de uma abordagem integrada que articule qualificação profissional, fortalecimento institucional, humanização da assistência e participação social, consolidando um sistema de transplantes mais eficiente, ético, equitativo e comprometido com a garantia do direito à vida e à saúde.

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1 Especialista em Terapia Intensiva pelo Centro universitário Celso Lisboa, RJ, Brasil. E-mail: [clique para visualizar o e-mail]acesse o artigo original para visualizar o e-mail

2 Especialista em Terapia Intensiva pelo Centro universitário Celso Lisboa, RJ, Brasil. E-mail: [clique para visualizar o e-mail]acesse o artigo original para visualizar o e-mail

3 Especialista em Terapia Intensiva pelo Centro Universitário Celso Lisboa, RJ, Brasil. E-mail: [clique para visualizar o e-mail]acesse o artigo original para visualizar o e-mail

4 Mestre em Enfermagem pela Escola de Enferma Anna Nery/UFRJ, RJ, Brasil. E-mail: [clique para visualizar o e-mail]acesse o artigo original para visualizar o e-mail

5 Mestre em Enfermagem pela Universidade Federal Fluminense, RJ/Brasil. E-mail: [clique para visualizar o e-mail]acesse o artigo original para visualizar o e-mail

6 Graduando de Nutrição pela Universidade Veiga de Almeida, RJ/Brasil. E-mail: [clique para visualizar o e-mail]acesse o artigo original para visualizar o e-mail

7 Mestre em Ciências da Saúde e Meio Ambiente em 2018 pela Anhanguera- UNIPLI, RJ, Brasil. E-mail: [clique para visualizar o e-mail]acesse o artigo original para visualizar o e-mail

8 Especialista em Enfermagem Psiquiatria e Saúde Mental, Docente pela Universidade Castelo Branco, Campus Realengo, RJ/Brasil. E-mail: [clique para visualizar o e-mail]acesse o artigo original para visualizar o e-mail

9 Especialista em Auditoria em 2021 pela Faculdade Venda Nova do Imigrante, RJ, Brasil. E-mail: [clique para visualizar o e-mail]acesse o artigo original para visualizar o e-mail

10 Mestrando em Tecnologias emergentes na educação pela MUST University, Estados Unidos. E-mail: [clique para visualizar o e-mail]acesse o artigo original para visualizar o e-mail

11 Especialista em Enfermagem em Gerontologia pela Universidade Federal Fluminense, RJ, Brasil. E-mail: [clique para visualizar o e-mail]acesse o artigo original para visualizar o e-mail

12 Mestrado em Desenvolvimento Local pelo Centro Universitário Augusto Motta, Rio de Janeiro, RJ, Brasil. E-mail: [clique para visualizar o e-mail]acesse o artigo original para visualizar o e-mail

13 Graduanda de Psicologia pela Universidade Estácio de Sá, Rio de Janeiro, RJ, Brasil. E-mail: [clique para visualizar o e-mail]acesse o artigo original para visualizar o e-mail

14 Especialista em gestão de saúde pela Universidade Estado do Rio de Janeiro, RJ/Brasil. E-mail: [clique para visualizar o e-mail]acesse o artigo original para visualizar o e-mail

15 Especialista em Parâmetros e Protocolos do Trabalho do Assistente Social na Saúde. E-mail: [clique para visualizar o e-mail]acesse o artigo original para visualizar o e-mail

16 Doutor em Ciências Sociais pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro, RJ/Brasil. E-mail: [clique para visualizar o e-mail]acesse o artigo original para visualizar o e-mail

17 Especialista em Terapia Intensiva e Alta Complexidade pela Faculdade Estácio de Sá, RJ, Brasil. E-mail: [clique para visualizar o e-mail]acesse o artigo original para visualizar o e-mail

18 Doctorado en Administración y Gestión de la Salud Pública pela Universidad Columbia del Paraguay, Paraguai. E-mail: [clique para visualizar o e-mail]acesse o artigo original para visualizar o e-mail