REGISTRO DOI: 10.70773/revistatopicos/792439184
RESUMO
O estudo analisa o papel do Departamento de Integração Ensino, Pesquisa e Extensão (DIEPE) no IFRO Campus Ariquemes e suas possíveis contribuições para a permanência e o êxito dos estudantes das Ciências Agrárias. O objetivo consiste em compreender de que modo a articulação entre ensino, pesquisa e extensão, mediada pela organização das unidades educativas de produção, pode favorecer experiências formativas mais significativas. A pesquisa adota abordagem qualitativa, de natureza descritiva, documental e interpretativa, com recorte temporal entre outubro de 2024 e 2026. O corpus é constituído por documentos oficiais e registros institucionais, analisados com base nos princípios da Análise de Conteúdo de Bardin. Os resultados evidenciam a ressignificação das unidades produtivas como espaços formativos, a ampliação de sua utilização em atividades de ensino, a articulação entre produção e assistência estudantil e o fortalecimento de experiências de pesquisa aplicada e estágio. Conclui-se que o DIEPE pode potencializar a integração entre ensino, pesquisa e extensão, contribuindo para ampliar as experiências acadêmicas, fortalecer vínculos institucionais e favorecer condições associadas à permanência e ao êxito estudantil.
Palavras-chave: Educação Profissional e Tecnológica; Ensino; pesquisa e extensão; Permanência estudantil; Ciências Agrárias; Institutos Federais.
ABSTRACT
This study analyzes the role of the Department of Teaching, Research and Extension Integration (DIEPE) at IFRO Campus Ariquemes and its potential contributions to student retention and academic success in Agricultural Sciences. The objective is to understand how the articulation among teaching, research and extension, mediated by the organization of educational production units, can foster more meaningful formative experiences. The research adopts a qualitative, descriptive, documentary and interpretative approach, covering the period from October 2024 to 2026. The corpus consists of official documents and institutional records analyzed according to the principles of Bardin’s Content Analysis. The results highlight the redefinition of production units as formative spaces, the expansion of their use in teaching activities, the articulation between production and student support, and the strengthening of applied research and internship experiences. It is concluded that DIEPE can enhance the integration of teaching, research and extension, contributing to broader academic experiences, stronger institutional ties and conditions associated with student retention and academic success.
Keywords: Vocational and Technological Education; Teaching; research and extension; Student retention; Agricultural Sciences; Federal Institutes .
1. INTRODUÇÃO
Garantir a permanência e o êxito dos estudantes constitui um dos desafios enfrentados pelas instituições que integram a Rede Federal de Educação Profissional, Científica e Tecnológica. Nos cursos vinculados às Ciências Agrárias, essa questão assume contornos particulares, uma vez que parte dos estudantes ingressa na instituição trazendo experiências relacionadas às atividades agropecuárias e aos contextos rurais dos quais provém. Nesse cenário, a articulação entre conhecimentos científicos, tecnológicos e experiências práticas pode assumir papel relevante na construção de percursos formativos que aproximem os conteúdos desenvolvidos no espaço acadêmico das situações concretas do campo profissional.
A Educação Profissional e Tecnológica, entretanto, não se restringe à preparação técnica para o exercício de uma ocupação. Em uma perspectiva de formação humana mais ampla, implica articular trabalho, ciência, tecnologia e cultura, superando concepções que reduzem a formação profissional à adaptação às demandas imediatas do mercado (Frigotto, 2007). No âmbito dos Institutos Federais, essa concepção se materializa também na articulação entre ensino, pesquisa e extensão e na vinculação das práticas educativas às necessidades sociais e aos contextos locais e regionais (Pacheco, 2011).
No Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Rondônia (IFRO), os campi agrícolas contam com o Departamento de Integração Ensino, Pesquisa e Extensão (DIEPE), estrutura responsável pela organização e orientação das atividades desenvolvidas nas unidades educativas de produção e por sua articulação às ações de ensino, pesquisa e extensão. No Campus Ariquemes, essas unidades compreendem diferentes setores relacionados à produção animal, vegetal e agroindustrial e constituem espaços nos quais podem ser desenvolvidas aulas práticas, atividades de pesquisa, projetos, estágios e outras experiências vinculadas à formação profissional.
A existência desses espaços, contudo, não garante, por si só, sua integração aos processos formativos. Torna-se necessário compreender de que maneira as ações desenvolvidas nesses ambientes podem favorecer a articulação entre as diferentes dimensões da formação e fortalecer a relação dos estudantes com a instituição. Diante disso, este estudo parte da seguinte questão: de que modo as ações desenvolvidas pelo Departamento de Integração Ensino, Pesquisa e Extensão (DIEPE), no IFRO Campus Ariquemes, podem contribuir para a permanência e o êxito dos estudantes das Ciências Agrárias, considerando a articulação entre ensino, pesquisa e extensão?
Nessa direção, o objetivo deste estudo é analisar as ações desenvolvidas pelo Departamento de Integração Ensino, Pesquisa e Extensão (DIEPE) no IFRO Campus Ariquemes, buscando compreender de que modo a articulação entre ensino, pesquisa e extensão pode contribuir para a permanência e o êxito dos estudantes das Ciências Agrárias.
A investigação adota abordagem qualitativa, de natureza descritiva, documental e interpretativa, considerando como recorte temporal o período compreendido entre outubro de 2024 e 2026. O corpus é constituído por documentos oficiais e registros institucionais relacionados às ações desenvolvidas pelo DIEPE, cuja análise foi orientada pelos princípios da Análise de Conteúdo de Bardin (2016). A discussão fundamenta-se, especialmente, nas contribuições de Frigotto (2007) e Pacheco (2011), na legislação relativa à Educação Profissional e Tecnológica e aos Institutos Federais e nos documentos institucionais do IFRO.
A análise das ações permitiu identificar quatro eixos principais: a ressignificação das unidades produtivas como espaços formativos; a reorganização desses ambientes e sua articulação com as atividades de ensino; a relação entre produção, assistência estudantil e pertencimento institucional; e a ampliação das experiências de pesquisa aplicada e estágio. Esses movimentos indicam possibilidades de fortalecimento da articulação entre ensino, pesquisa e extensão e permitem discutir o papel das unidades educativas de produção na formação e na permanência dos estudantes.
2. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA OU REVISÃO DA LITERATURA
2.1. Educação Profissional e Tecnológica: Formação Humana e Articulação Entre Teoria e Prática
A Educação Profissional e Tecnológica (EPT) integra a estrutura da educação nacional e encontra na Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB), Lei nº 9.394/1996, um de seus principais marcos normativos. Em sua redação atual, o art. 39 estabelece que a EPT se integra aos diferentes níveis e modalidades de educação e às dimensões do trabalho, da ciência e da tecnologia, evidenciando que a formação profissional não deve ser compreendida de maneira isolada dos demais processos educativos.
Essa compreensão amplia o sentido atribuído à formação profissional, na medida em que desloca o foco de uma preparação restrita ao exercício de funções específicas para uma formação articulada a conhecimentos científicos, tecnológicos e sociais mais amplos. Nessa direção, Frigotto (2007) chama atenção para os limites de concepções de educação profissional orientadas predominantemente pela adaptação às necessidades imediatas do mercado. Para o autor, a compreensão da Educação Profissional e Tecnológica exige situá-la no interior das relações sociais e dos projetos de sociedade que historicamente configuram a educação brasileira.
Ao analisar a constituição histórica da educação profissional no país, Frigotto (2007) problematiza a permanência de uma formação marcada pela dualidade entre educação geral e preparação para o trabalho. Essa dualidade, segundo o autor, relaciona-se a uma organização social que destinou, historicamente, diferentes percursos formativos aos distintos grupos sociais, restringindo para parcela significativa da população o acesso a uma educação que articulasse formação científica, cultural e profissional. Nessa perspectiva, superar uma concepção estritamente instrumental da educação profissional implica compreender o trabalho não apenas como destino ocupacional, mas como dimensão constitutiva da formação humana.
Tal perspectiva permite compreender que a preparação profissional não se esgota no domínio de técnicas ou procedimentos. Frigotto (2007, p.1135) defende uma educação profissional articulada a uma educação básica socialmente referenciada e que “não se reduza ao adestramento pragmático do mercado”. A crítica formulada pelo autor contribui para pensar a EPT como espaço de apropriação de conhecimentos capazes de favorecer não somente a inserção no mundo do trabalho, mas também a compreensão dos processos científicos, tecnológicos e sociais que o constituem.
Nessa mesma direção, a legislação educacional brasileira reforça a articulação entre formação profissional e diferentes dimensões do conhecimento. Além de integrar a EPT ao trabalho, à ciência e à tecnologia, a LDB prevê sua articulação com o ensino regular e reconhece que conhecimentos adquiridos no trabalho podem ser avaliados e incorporados aos percursos formativos. Desse modo, a relação entre teoria e prática não deve ser compreendida como simples justaposição entre momentos de estudo e momentos de execução de tarefas, mas como uma articulação necessária à produção e à apropriação do conhecimento.
Essa concepção adquire especial relevância no contexto das instituições de Educação Profissional e Tecnológica, sobretudo quando os espaços destinados às atividades práticas são compreendidos como ambientes formativos. Nesses espaços, a prática pode ultrapassar a condição de aplicação mecânica de conteúdos previamente estudados e constituir-se em oportunidade para que os estudantes mobilizem conhecimentos científicos e tecnológicos, formulem questões, analisem situações concretas e atribuam novos sentidos ao que aprendem. A aproximação entre conhecimentos teóricos e experiências práticas pode, assim, contribuir para processos formativos mais significativos e para uma compreensão ampliada do próprio campo profissional.
Essa discussão também encontra ressonância em estudos recentes sobre os Institutos Federais. Em artigo publicado na própria Revista Tópicos, Marinho e Silva (2026) retomam a trajetória histórica da educação profissional brasileira e destacam a passagem de modelos predominantemente disciplinares e instrumentais para propostas que buscam articular formação profissional, inclusão, autonomia e formação humana. Os autores também ressaltam que a criação dos Institutos Federais, por meio da Lei nº 11.892/2008, introduziu uma institucionalidade orientada pela integração entre formação geral e profissional e pela articulação entre ensino, pesquisa e extensão.
Sob essa perspectiva, compreender a Educação Profissional e Tecnológica como processo de formação humana permite atribuir às atividades práticas uma função que ultrapassa a preparação imediata para o mercado de trabalho. Quando intencionalmente organizadas como situações educativas, essas experiências podem favorecer a articulação entre conhecimentos científicos, saberes técnicos, experiências dos estudantes e situações concretas do mundo do trabalho. Essa compreensão oferece uma base importante para analisar, no âmbito dos Institutos Federais, a organização de espaços e setores nos quais ensino, pesquisa, extensão e atividades produtivas podem assumir caráter formativo.
2.2. A Constituição dos Institutos Federais e a Integração Entre Ensino, Pesquisa e Extensão
A criação dos Institutos Federais de Educação, Ciência e Tecnologia, por meio da Lei nº 11.892, de 29 de dezembro de 2008, constituiu um marco na organização da Educação Profissional e Tecnológica brasileira. Ao instituir a Rede Federal de Educação Profissional, Científica e Tecnológica, a legislação conferiu aos Institutos Federais uma configuração pluricurricular e multicampi, especializada na oferta de educação profissional e tecnológica em diferentes níveis e modalidades de ensino, fundamentada na articulação entre conhecimentos técnicos e tecnológicos e suas práticas pedagógicas (BRASIL, 2008).
Mais do que ampliar a oferta da Educação Profissional e Tecnológica, a Lei nº 11.892/2008 atribuiu aos Institutos Federais finalidades que ultrapassam uma concepção estritamente profissionalizante. Entre elas, destacam-se a formação e a qualificação de cidadãos para atuação nos diferentes setores da economia, a atenção ao desenvolvimento socioeconômico local, regional e nacional, a geração e a adaptação de soluções técnicas e tecnológicas às demandas sociais e às especificidades regionais e o fortalecimento dos arranjos produtivos, sociais e culturais dos territórios nos quais essas instituições se encontram inseridas (BRASIL, 2008).
Essa concepção encontra-se explicitada no art. 6º da Lei nº 11.892/2008, ao definir entre as finalidades e características dos Institutos Federais:
desenvolver a educação profissional e tecnológica como processo educativo e investigativo de geração e adaptação de soluções técnicas e tecnológicas às demandas sociais e peculiaridades regionais; [...] orientar sua oferta formativa em benefício da consolidação e fortalecimento dos arranjos produtivos, sociais e culturais locais [...]; desenvolver programas de extensão e de divulgação científica e tecnológica; realizar e estimular a pesquisa aplicada, a produção cultural, o empreendedorismo, o cooperativismo e o desenvolvimento científico e tecnológico (BRASIL, 2008, art. 6º).
A amplitude dessas finalidades evidencia que a constituição dos Institutos Federais não se restringe à oferta de formação técnica, mas se fundamenta em uma proposta institucional na qual ensino, pesquisa e extensão se articulam às necessidades sociais, econômicas e culturais dos territórios. A própria Lei nº 11.892/2008 estabelece, entre os objetivos dessas instituições, a realização de pesquisas aplicadas, o desenvolvimento de atividades de extensão em articulação com o mundo do trabalho e os diferentes segmentos sociais e o estímulo a processos educativos relacionados à geração de trabalho, renda e desenvolvimento socioeconômico local e regional (BRASIL, 2008).
Essa configuração aproxima-se da concepção de Educação Profissional e Tecnológica discutida por Frigotto (2007), para quem a formação profissional não pode ser compreendida como simples resposta às exigências imediatas do mercado. Ao problematizar uma educação técnico-profissional de caráter restrito, o autor defende uma formação que não se reduza ao “adestramento pragmático do mercado”, situando-a em um projeto educacional mais amplo, articulado à formação humana e às condições concretas da sociedade brasileira (Frigotto, 2007, p. 1135).
A perspectiva de Frigotto contribui para compreender que a nova institucionalidade inaugurada pelos Institutos Federais contém possibilidades de superação de concepções historicamente marcadas pela separação entre formação geral e formação profissional. Nessa direção, a articulação entre trabalho, ciência, tecnologia e cultura assume centralidade, na medida em que a preparação profissional passa a ser compreendida como parte de um processo educativo mais amplo, e não apenas como aquisição de habilidades voltadas à execução de tarefas.
Pacheco (2011) também destaca que os Institutos Federais não devem ser compreendidos como instituições voltadas exclusivamente à formação de profissionais para atender às demandas imediatas do mercado. Em sua concepção, a Educação Profissional e Tecnológica desenvolvida nessas instituições deve articular ciência, tecnologia e cultura e contribuir para o desenvolvimento da capacidade de investigação, da autonomia intelectual e da compreensão crítica da realidade. O compromisso com os contextos locais e regionais constitui, nessa perspectiva, uma dimensão fundamental da função social dos Institutos Federais (Pacheco, 2011).
Essa compreensão também aparece em produção recente publicada na própria Revista Tópicos. Marinho e Silva (2026), ao analisarem a trajetória histórica da Educação Profissional no Brasil, destacam que a criação dos Institutos Federais representa uma inflexão em relação a modelos formativos historicamente marcados pela fragmentação entre educação geral e profissional. Os autores relacionam essa nova institucionalidade à integração curricular, à democratização do conhecimento e à articulação entre ensino, pesquisa e extensão.
Ao retomar a concepção que orienta os Institutos Federais, os autores ressaltam ainda que sua consolidação depende não apenas dos dispositivos legais que os instituíram, mas das formas pelas quais tais princípios se materializam nas práticas e nas relações institucionais. Essa consideração é particularmente relevante para a análise proposta neste artigo, uma vez que permite deslocar o olhar do plano normativo para as formas concretas de organização dos espaços educativos nos campi.
Nos campi voltados à formação nas Ciências Agrárias, essa articulação adquire contornos específicos. Unidades produtivas, laboratórios, áreas experimentais e demais espaços destinados às práticas profissionais podem ultrapassar uma função estritamente operacional e constituir-se como ambientes nos quais ensino, pesquisa e extensão se inter-relacionam. Nesses contextos, a produção agropecuária pode adquirir intencionalidade educativa ao favorecer a articulação entre conhecimentos científicos e tecnológicos, práticas profissionais, investigação e interação com a comunidade.
Compreender os Institutos Federais a partir dessa perspectiva permite reconhecer que a integração entre ensino, pesquisa e extensão não se limita a um princípio formal de sua organização institucional, mas pode materializar-se nas práticas, nos espaços e nas estruturas responsáveis pela formação dos estudantes. É nesse horizonte que se insere, no Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Rondônia, o Departamento de Integração Ensino, Pesquisa e Extensão (DIEPE), cuja organização e atuação serão discutidas na seção seguinte.
2.3. O DIEPE no Âmbito do IFRO: Integração Formativa, Unidades de Produção e Permanência Estudantil
No Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Rondônia (IFRO), a organização das ações acadêmicas e institucionais é orientada pelo Plano de Desenvolvimento Institucional (PDI) 2023–2027, documento que explicita a filosofia de trabalho da instituição, suas diretrizes pedagógicas, sua estrutura organizacional e as atividades acadêmicas a serem desenvolvidas no período. O PDI constitui, desse modo, um instrumento de planejamento e de orientação da gestão institucional, articulando as finalidades do IFRO às ações de ensino, pesquisa, extensão e assistência estudantil.
Entre as diretrizes assumidas pelo IFRO, destaca-se a incorporação da Política de Acesso, Permanência e Êxito ao planejamento estratégico institucional, bem como o reconhecimento do papel das políticas de assistência estudantil na permanência e no êxito dos estudantes e no fortalecimento de sua participação nas ações institucionais (IFRO, 2023). O documento também explicita como objetivos institucionais contribuir para as condições de permanência ao longo do percurso formativo, consolidar o apoio à formação acadêmica integral, enfrentar desigualdades sociais e regionais e reduzir índices de retenção e evasão.
No contexto dos campi agrícolas, essas diretrizes se materializam, entre outras formas, na atuação do Departamento de Integração Ensino, Pesquisa e Extensão (DIEPE). No Campus Ariquemes, objeto deste estudo, o Regimento Interno estabelece que o departamento é responsável pela organização, pelo planejamento e pela orientação das atividades desenvolvidas nas Unidades de Produção, integrando-as às ações de ensino, pesquisa e extensão (IFRO, 2016).
O próprio Regimento define as Unidades de Produção como setores destinados à criação de animais, à produção vegetal e ao processamento de matérias-primas, utilizados para o ensino e a aprendizagem como laboratórios voltados ao desenvolvimento dos diferentes cursos e componentes curriculares ofertados pelo campus. Essa definição é particularmente significativa para a compreensão do papel educativo atribuído aos espaços produtivos, pois evidencia que sua função institucional não se restringe à obtenção de resultados de produção, mas se vincula diretamente aos processos formativos.
Essa concepção encontra respaldo nas competências atribuídas ao DIEPE. Entre elas, o Regimento prevê a colaboração para a formação profissional de estudantes e professores, o fortalecimento dos processos de aprender e ensinar, o fomento a atividades de ensino, pesquisa e extensão e o apoio ao desenvolvimento institucional, científico e tecnológico do campus. Também estabelece a articulação do departamento com a Diretoria de Ensino, com o Departamento de Extensão e com outros setores institucionais para o planejamento de atividades pedagógicas, estágios e projetos de extensão (IFRO, 2016).
Ao assumir tais atribuições, o DIEPE ocupa uma posição que favorece a aproximação entre diferentes dimensões da formação na Educação Profissional e Tecnológica. As Unidades de Produção podem constituir-se, nesse sentido, em espaços nos quais conhecimentos científicos e tecnológicos são mobilizados em situações concretas de ensino, experimentação, pesquisa e intervenção. A atividade produtiva passa, assim, a adquirir intencionalidade pedagógica quando articulada ao planejamento docente, às práticas curriculares e aos projetos desenvolvidos pela comunidade acadêmica.
No caso do Campus Ariquemes, essa estrutura compreende, conforme o Regimento Interno, a Coordenação de Produção Animal, a Coordenação de Produção Vegetal e a Coordenação de Processamento de Produtos Vegetais e Animais, vinculadas ao DIEPE. A organização desses setores possibilita a realização de atividades relacionadas às diferentes áreas das Ciências Agrárias e cria condições institucionais para que os estudantes participem de experiências que articulam práticas profissionais, ensino, pesquisa e extensão.
Essa configuração dialoga diretamente com as ações apresentadas neste estudo. A reorganização dos setores produtivos, o estabelecimento de fluxos para utilização das unidades pelos docentes, a ampliação das atividades práticas, a oferta de estágios e o desenvolvimento de parcerias para pesquisa aplicada evidenciam formas concretas pelas quais o DIEPE pode contribuir para ampliar as experiências formativas dos estudantes. No texto original do relato, essas ações já aparecem relacionadas à aproximação entre teoria e prática e ao fortalecimento do vínculo dos discentes com a instituição. DIEPE
Nessa perspectiva, a relação entre DIEPE, formação e permanência estudantil não deve ser compreendida apenas em termos administrativos. Ao ampliar as oportunidades de participação dos estudantes nas atividades acadêmicas e profissionais, favorecer seu envolvimento com os espaços formativos e possibilitar que os conhecimentos desenvolvidos em sala de aula sejam mobilizados em situações concretas, o departamento pode contribuir para fortalecer o pertencimento institucional e a atribuição de sentido à trajetória formativa. Tal compreensão se aproxima das diretrizes expressas no PDI 2023–2027, que associa permanência e êxito à formação integral e à participação dos estudantes na vida institucional.
Desse modo, o DIEPE pode ser compreendido como uma estrutura institucional que potencializa a integração entre ensino, pesquisa e extensão nos campi agrícolas do IFRO. Mais do que administrar espaços produtivos, sua atuação pode favorecer a transformação desses ambientes em espaços educativos, nos quais produção, investigação, formação profissional e interação com a comunidade se articulam. É a partir dessa compreensão que, nas seções seguintes, serão analisadas as ações desenvolvidas no Campus Ariquemes e suas possíveis contribuições para a permanência e o êxito dos estudantes.
3. METODOLOGIA
Este estudo caracteriza-se como uma pesquisa de abordagem qualitativa, de natureza descritiva e interpretativa, desenvolvida no Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Rondônia (IFRO), Campus Ariquemes. A opção pela abordagem qualitativa decorre da natureza do objeto investigado, uma vez que se busca compreender ações institucionais, práticas educativas e processos de articulação entre ensino, pesquisa e extensão a partir do contexto em que são produzidos. Nessa perspectiva, a investigação qualitativa possibilita apreender processos, relações e significados que não se restringem à mensuração de dados quantitativos, favorecendo uma leitura contextualizada da realidade investigada (Minayo; Deslandes; Gomes, 2024).
Quanto aos objetivos, a pesquisa assume caráter descritivo, por se voltar à apresentação e à análise das ações desenvolvidas pelo Departamento de Integração Ensino, Pesquisa e Extensão (DIEPE), considerando sua organização, seus processos de trabalho e as iniciativas relacionadas às atividades práticas, à pesquisa aplicada, aos estágios e à permanência estudantil.
O recorte temporal compreende o período iniciado em outubro de 2024, correspondente ao início da gestão do DIEPE considerada neste estudo, estendendo-se até 2026. O contexto da investigação é o IFRO Campus Ariquemes, unidade que oferta cursos vinculados às Ciências Agrárias e dispõe de unidades educativas de produção nas áreas de produção animal, produção vegetal e agroindústria.
Constituíram corpus da pesquisa documentos oficiais e registros institucionais relacionados às ações desenvolvidas pelo departamento durante o período analisado, entre eles editais, documentos administrativos, registros referentes à organização e utilização das unidades educativas de produção e demais materiais produzidos no acompanhamento das atividades do DIEPE. Dessa forma, a investigação incorpora procedimentos de pesquisa documental, considerando os documentos institucionais como fontes para a compreensão das práticas, dos processos e das decisões produzidas no contexto investigado.
A análise do material foi orientada pelos princípios da Análise de Conteúdo, conforme Bardin (2016), contemplando a organização do corpus, a leitura e exploração dos documentos, a identificação de núcleos temáticos recorrentes e a posterior interpretação dos dados. A partir desse movimento analítico, os dados foram organizados em quatro eixos: a ressignificação das unidades produtivas como espaços formativos; a reorganização desses ambientes e sua articulação com as atividades de ensino; a relação entre produção, assistência estudantil e pertencimento institucional; e a ampliação das experiências de pesquisa aplicada e estágio. Na etapa interpretativa, esses eixos foram analisados em diálogo com as categorias discutidas na fundamentação teórica, especialmente a formação humana, a articulação entre teoria e prática, a integração entre ensino, pesquisa e extensão e a permanência e o êxito estudantil.
4. RESULTADOS E DISCUSSÕES
4.1. Da Lógica Produtiva à Constituição das Unidades Como Espaços Formativos
A análise dos documentos institucionais evidencia que a organização das unidades produtivas nos campi agrícolas do IFRO passou por um processo de ressignificação. No Campus Colorado do Oeste, originado da antiga Escola Agrotécnica Federal de Colorado do Oeste, o então Departamento de Produção concentrava suas atribuições na gestão dos setores agropecuários e na condução das atividades produtivas. Essa configuração expressava uma lógica em que a produção ocupava posição central na organização desses espaços.
Com a expansão da Rede Federal em Rondônia e a implantação de outros campi agrícolas, entre eles Ariquemes e Cacoal, essa estrutura foi inicialmente mantida. A reformulação dos regimentos internos do IFRO, em 2016, entretanto, introduziu uma mudança institucional ao substituir os Departamentos de Produção pelos Departamentos de Integração Ensino, Pesquisa e Extensão. Tal alteração sinaliza mais do que uma mudança de nomenclatura, pois redefine a função atribuída às unidades produtivas ao vinculá-las, de forma explícita, às dimensões de ensino, pesquisa e extensão.
Sob essa nova configuração, os espaços produtivos passam a ser compreendidos não apenas como locais destinados à execução de atividades agropecuárias, mas como ambientes com potencial formativo. Essa mudança se aproxima da concepção de Educação Profissional e Tecnológica discutida por Frigotto (2007), para quem a formação profissional deve ultrapassar o caráter estritamente instrumental e articular conhecimentos científicos, tecnológicos e sociais em um processo formativo mais amplo.
A análise também permite relacionar essa transformação à concepção de Instituto Federal apresentada por Pacheco (2011), especialmente no que se refere à articulação entre formação profissional, produção de conhecimento e desenvolvimento social. Nesse sentido, a ressignificação das unidades produtivas amplia suas possibilidades educativas ao favorecer a integração entre atividades curriculares, pesquisa aplicada, extensão e práticas profissionais.
No contexto do Campus Ariquemes, esse movimento assume particular relevância, uma vez que as unidades educativas de produção constituem espaços nos quais diferentes dimensões da formação podem se articular. A produção, quando integrada ao planejamento pedagógico e às ações acadêmicas, passa a assumir intencionalidade educativa e deixa de ser compreendida como finalidade em si mesma. Desse modo, os dados analisados indicam uma transição de uma lógica predominantemente produtiva para uma concepção em que esses ambientes passam a integrar, de forma mais sistemática, os processos de formação dos estudantes.
4.2. A Reorganização das Unidades Produtivas e a Articulação Entre Teoria e Prática
Entre as ações identificadas no período analisado, destaca-se a reorganização dos setores de produção animal, produção vegetal e agroindústria, acompanhada da criação de um fluxo institucional voltado à utilização pedagógica das unidades educativas de produção. Uma das medidas adotadas consistiu no cadastramento desses espaços no Sistema Unificado de Administração Pública (SUAP), possibilitando aos docentes o agendamento prévio das atividades práticas e a indicação das necessidades de insumos, equipamentos e apoio técnico.
A adoção desse fluxo contribuiu para sistematizar o acesso às unidades produtivas e ampliar sua integração às atividades de ensino. Ao mesmo tempo, possibilitou maior articulação entre os docentes e os servidores técnico-administrativos vinculados ao DIEPE, que passaram a oferecer suporte às atividades desenvolvidas nos setores produtivos. Desse modo, a organização institucional desses espaços deixa de estar centrada exclusivamente na produção e passa a responder, de forma mais direta, às demandas pedagógicas dos cursos.
A análise desses procedimentos permite compreender que a reorganização das unidades produtivas não se restringe a uma dimensão administrativa. Ao favorecer sua utilização em aulas práticas e outras atividades formativas, cria condições para que os estudantes mobilizem conhecimentos desenvolvidos em sala de aula diante de situações concretas relacionadas ao campo profissional. Nesse movimento, teoria e prática deixam de constituir momentos isolados e passam a integrar um mesmo processo formativo.
Essa articulação assume especial relevância nos cursos das Ciências Agrárias, nos quais parte dos estudantes ingressa na instituição trazendo conhecimentos e experiências relacionados às atividades agropecuárias e aos contextos rurais de origem. A aproximação entre esses saberes e os conhecimentos científicos e tecnológicos desenvolvidos nos cursos pode favorecer processos de aprendizagem mais contextualizados, permitindo que experiências anteriores sejam confrontadas, ampliadas e ressignificadas no percurso formativo.
Essa compreensão encontra respaldo em Frigotto (2007), ao problematizar concepções de Educação Profissional voltadas à mera execução de tarefas e à adaptação imediata ao mercado de trabalho. Nessa perspectiva, a prática assume caráter formativo quando possibilita ao estudante compreender os fundamentos científicos e tecnológicos dos processos com os quais se envolve, e não apenas reproduzir procedimentos técnicos.
No contexto analisado, portanto, o uso pedagógico das unidades educativas de produção pode ser compreendido como uma possibilidade de aproximação entre conhecimentos teóricos, experiências práticas e situações próprias do campo profissional. A reorganização desses espaços, quando vinculada ao planejamento das atividades acadêmicas, contribui para fortalecer sua função educativa e para ampliar as oportunidades de participação dos estudantes em experiências coerentes com os princípios da Educação Profissional e Tecnológica.
4.3. Produção, Assistência Estudantil e Pertencimento Institucional
Outro movimento identificado na atuação do DIEPE refere-se à destinação dos excedentes produzidos nas unidades educativas para o refeitório do campus. Hortaliças provenientes de aulas práticas, projetos de pesquisa e atividades de extensão, bem como produtos oriundos dos setores de produção animal, passaram a compor a alimentação disponibilizada à comunidade estudantil.
Segundo os registros analisados, o Campus Ariquemes oferece diariamente mais de 2.000 refeições. Nesse contexto, a destinação da produção das unidades educativas ao refeitório estabelece uma relação concreta entre as atividades desenvolvidas nos setores produtivos e as ações institucionais voltadas à alimentação estudantil.
Esse movimento amplia o significado atribuído à produção no interior do campus. Se, historicamente, os setores produtivos estiveram relacionados principalmente aos processos agropecuários, sua integração ao refeitório evidencia uma dimensão social e formativa mais ampla: o resultado das atividades desenvolvidas nesses espaços retorna à própria comunidade acadêmica.
A análise desse processo permite compreender que a produção deixa de constituir uma finalidade isolada e passa a integrar uma dinâmica institucional na qual ensino, pesquisa, extensão e assistência estudantil se aproximam. Essa articulação reforça o caráter educativo das unidades de produção e amplia sua inserção no cotidiano acadêmico.
Sob essa perspectiva, a participação dos estudantes em atividades cujos resultados beneficiam a própria comunidade pode favorecer a construção de sentidos relacionados ao pertencimento, à responsabilidade e à participação institucional. Tais dimensões não devem ser compreendidas como efeitos automáticos, mas como possibilidades produzidas pela inserção dos estudantes em experiências formativas que ultrapassam a execução de tarefas e se vinculam a objetivos coletivos.
Essa interpretação encontra respaldo nas diretrizes institucionais voltadas à permanência e ao êxito, que compreendem o percurso estudantil para além do acesso formal à instituição. Permanecer envolve também participar de experiências que fortaleçam vínculos, ampliem a participação acadêmica e permitam ao estudante reconhecer-se como parte da comunidade institucional.
No contexto analisado, portanto, a destinação dos excedentes ao refeitório evidencia uma articulação entre produção, formação e assistência estudantil. Ao mesmo tempo em que contribui para o aproveitamento dos produtos gerados nas unidades educativas, essa dinâmica amplia o potencial desses espaços como ambientes de aprendizagem, participação e integração com a vida institucional.
4.4. Pesquisa Aplicada e Estágio Como Experiências de Formação e Permanência
No campo da pesquisa, os documentos analisados evidenciam a ampliação de parcerias com o setor produtivo, entre as quais se destaca a estabelecida com a empresa Santa Helena Sementes. A parceria possibilitou a implantação de áreas experimentais destinadas à avaliação de cultivares de milho voltadas à produção de silagem, inserindo os estudantes em atividades vinculadas à pesquisa agropecuária.
A participação discente compreende diferentes etapas do processo experimental, desde a implantação das áreas até a coleta e a análise dos dados. Essa inserção favorece a mobilização de conhecimentos científicos e técnicos em situações concretas de investigação, aproximando os estudantes de procedimentos próprios da pesquisa aplicada e ampliando as possibilidades de articulação entre formação acadêmica e realidade profissional.
Além da dimensão formativa, a parceria inclui três bolsas de estágio, no valor mensal de R$ 700,00 e duração de seis meses. Esse aspecto introduz uma relação importante com a permanência estudantil, uma vez que oportunidades remuneradas de participação acadêmico-profissional podem constituir formas de apoio ao percurso dos estudantes na instituição, ao mesmo tempo em que ampliam sua experiência no campo de formação.
A parceria também viabiliza o fornecimento de insumos e a utilização da produção obtida nas áreas experimentais. O milho cultivado é destinado à alimentação animal, por meio da produção de silagem, e também dá suporte às atividades de ensino desenvolvidas nas unidades produtivas. Nesse movimento, pesquisa, produção e ensino deixam de configurar ações isoladas e passam a estabelecer relações no interior do funcionamento institucional.
Outro resultado identificado refere-se à ampliação das oportunidades de estágio curricular obrigatório nas unidades vinculadas ao DIEPE. A publicação de edital destinado aos estudantes de graduação possibilitou sua inserção nos setores de produção animal, vegetal e agroindustrial, permitindo o acompanhamento de rotinas técnicas, processos produtivos, atividades de planejamento, gestão e ações relacionadas ao ensino, à pesquisa e à extensão.
Essa experiência ultrapassa o atendimento de uma exigência curricular na medida em que coloca o estudante em contato com situações próprias de seu campo profissional. Planejamento, acompanhamento de processos, tomada de decisões e resolução de problemas passam a integrar a experiência formativa, favorecendo a aproximação entre os conhecimentos desenvolvidos no curso e as demandas concretas da área.
Essa articulação encontra respaldo na concepção de Instituto Federal apresentada por Pacheco (2011), especialmente no que se refere à integração entre formação profissional, produção de conhecimento e desenvolvimento social. Também dialoga com Frigotto (2007), ao reforçar uma compreensão de Educação Profissional que não se restringe ao treinamento técnico, mas busca articular conhecimento, prática e formação humana.
Em conjunto, os dados analisados indicam que as ações relacionadas à pesquisa aplicada e ao estágio ampliam as oportunidades formativas dos estudantes e fortalecem a integração entre ensino, pesquisa e extensão. No contexto do Campus Ariquemes, essas experiências podem contribuir para aproximar os estudantes de situações concretas do campo profissional, ampliar sua participação na vida acadêmica e favorecer condições associadas à permanência e ao êxito estudantil.
5. CONSIDERAÇÕES FINAIS
A análise desenvolvida neste estudo permitiu compreender de que modo as ações do Departamento de Integração Ensino, Pesquisa e Extensão (DIEPE), no IFRO Campus Ariquemes, podem contribuir para a permanência e o êxito dos estudantes das Ciências Agrárias, especialmente quando articuladas às dimensões de ensino, pesquisa e extensão. Os resultados indicam que a atuação do departamento ultrapassa a gestão operacional das unidades produtivas e pode assumir caráter formativo ao integrar esses espaços aos processos acadêmicos e profissionais dos estudantes.
A ressignificação das unidades educativas de produção, sua maior inserção nas atividades de ensino, a articulação entre teoria e prática, a destinação dos excedentes ao refeitório, o desenvolvimento de pesquisas aplicadas e a ampliação das oportunidades de estágio evidenciam diferentes formas pelas quais produção, formação e participação institucional podem se aproximar. Esses movimentos reforçam a compreensão das unidades produtivas como ambientes educativos capazes de favorecer experiências formativas mais amplas e vinculadas às especificidades da Educação Profissional e Tecnológica.
Os resultados também permitem compreender a permanência e o êxito estudantil para além de sua dimensão estritamente financeira ou assistencial. O envolvimento em atividades práticas, projetos de pesquisa, estágios e ações que produzem efeitos concretos na comunidade acadêmica pode favorecer o fortalecimento de vínculos, a participação institucional, o sentimento de pertencimento e a atribuição de sentido ao percurso formativo. Tais dimensões, embora não constituam efeitos automáticos das ações analisadas, mostram-se relevantes para pensar estratégias institucionais voltadas à continuidade e ao êxito dos estudantes.
Nesse sentido, o DIEPE pode ser compreendido como uma estrutura institucional com potencial para materializar, no cotidiano dos campi agrícolas, princípios centrais da Educação Profissional e Tecnológica, especialmente a articulação entre ensino, pesquisa e extensão e a aproximação entre conhecimentos científicos, práticas profissionais e demandas concretas do campo de formação. Sua atuação contribui, portanto, para ampliar as possibilidades educativas das unidades produtivas e para fortalecer sua inserção no processo formativo.
Por fim, cabe reconhecer que os resultados apresentados se referem a um contexto institucional específico e a um recorte temporal delimitado, o que recomenda cautela quanto à generalização das conclusões. Ainda assim, a experiência analisada oferece elementos para refletir sobre a organização das unidades educativas de produção em outros campi agrícolas da Rede Federal e aponta para a pertinência de estudos futuros que aprofundem, especialmente a partir da perspectiva dos próprios estudantes, as relações entre experiências formativas, pertencimento institucional, permanência e êxito na Educação Profissional e Tecnológica.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
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1 Mestre em Aquicultura pela Universidade Nilton Lins (UNINILTON). Professor do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Rondônia (IFRO), Campus Ariquemes, e coordenador do Curso Técnico em Zootecnia Integrado ao Ensino Médio. E-mail: [clique para visualizar o e-mail]acesse o artigo original para visualizar o e-mail.
2 Mestre em Produção Animal pela Universidade Brasil. Docente dos cursos de graduação em Engenharia Agronômica, Medicina Veterinária e Zootecnia e do Curso Técnico em Agropecuária do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Rondônia (IFRO), Campus Colorado do Oeste. E-mail: [clique para visualizar o e-mail]acesse o artigo original para visualizar o e-mail.
3 Doutoranda em Educação pela Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho” (UNESP), Campus de Marília. Professora do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Rondônia (IFRO). E-mail: [clique para visualizar o e-mail]acesse o artigo original para visualizar o e-mail.
4 Doutor em Ciências Veterinárias pela Universidade Federal de Lavras (UFLA). Professor do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Sul de Minas Gerais (IFSULDEMINAS), Campus Machado. E-mail: [clique para visualizar o e-mail]acesse o artigo original para visualizar o e-mail
5 IFRO. Mestre em Produção Vegetal pela Universidade Federal do Acre. Docente dos cursos de graduação em Medicina Veterinária e do Curso Técnico em Agropecuária do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Rondônia (IFRO), Campus Colorado do Oeste. E-mail: [clique para visualizar o e-mail]acesse o artigo original para visualizar o e-mail
6 UNINASSAU. Mestre em Produção Animal pela Universidade Brasil Campus Descalvado - SP, Professora e Coordenadora de Curso do Centro Universitário Maurício de Nassau de Vilhena - UNINASSAU Vilhena. E-mail: [clique para visualizar o e-mail]acesse o artigo original para visualizar o e-mail