A RELAÇÃO ENTRE A SAÚDE MENTAL DOS JOVENS ESTUDANTES E A ADAPTAÇÃO NO MERCADO DE TRABALHO

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REGISTRO DOI: 10.5281/zenodo.10626856


Halana Cinha Rios1
Laura Caroli Eiroz1
Wyne Carolina Alves Reis1
José Cristiano de Góis2


RESUMO
A saúde mental é um parâmetro amplamente discutido na sociedade contemporânea, pois, ela engloba a capacidade de lidar com o estresse, as emoções, as relações interpessoais e as demandas da vida diária de um indivíduo, sendo tal fator, predominante na juventude. O objetivo central do trabalho é abordar e analisar o impacto da saúde mental na geração atual que será inserida no mercado de trabalho, tendo como foco a Unidade Etec de Registro, uma vez que, esta instituição contempla o ensino médio juntamente à cursos técnicos profissionalizantes. Destina-se, assim, analisar o estado emocional dos estudantes e como é a conjuntura preparatória oferecida pelo ambiente acadêmico para introduzir os alunos no setor trabalhista, apresentando reflexões acerca do gênero dessa preparação, se esta é de fato efetiva, benéfica ou maléfica.
Palavras-chave: Saúde mental, estudantes, mercado de trabalho, pressão, escola

ABSTRACT
Mental health is a widely discussed parameter in contemporary society because it encompasses the ability to deal with stress, emotions, interpersonal relationships, and the demands of an individual's daily life, with this factor being predominant in youth. The central objective of this work is to address and analyze the impact of mental health on the current generation that will be entering the workforce, with a focus on the Etec de Registro Unit, as this institution includes high school alongside technical vocational courses. Therefore, it aims to analyze the emotional state of students and the preparatory context provided by the academic environment for introducing students to the labor market, presenting reflections on the nature of this preparation, whether it is truly effective, beneficial, or detrimental.
Keywords: Mental health, students, job market, pressure, school

INTRODUÇÃO

Este artigo científico abordará a seguinte temática: “A relação entre a saúde mental dos jovens estudantes e a adaptação no mercado de trabalho”, essa pesquisa foi realizada na Escola Técnica no município de Registro/SP. O município possui uma população estimada de 60mil habitantes, localizada na região do Vale do Ribeira, as margens da Rodovia Regis Bittencourt (a rodovia do Mercosul), a localização da cidade acabou trazendo benefícios, proporcionando assim um polo comercial, e com isso atraiu muitas escolas técnicas voltadas para a qualificação do profissional para o mercado de trabalho.

A ETEC de Registro, foi instalada em fevereiro de 2009, inicialmente com duas turmas do Ensino Médio e duas do Curso Técnico em Administração, com um total de 160 (cento e sessenta) alunos, funcionando na Escola Estadual Dr. Fábio Barreto, até junho de 2009. A partir de agosto a escola foi transferida para o prédio localizado na Rua Tamekishi Takano, 05 e Rua Miguel Aby Azar, nº 135, ambos no Centro de Registro. Foram instalados laboratórios de Informática, Laboratório de Instrumentação Pneumática e Laboratório de Análises / Instrumentação (Protocolo Hart).

A Unidade nasceu da extensão da Escola Técnica Estadual Engenheiro Agrônomo Narciso de Medeiros, popularmente conhecida na região como Colégio Agrícola de Iguape, que tinha como Diretor o Professor Mauro Sérgio Adinolfi e que foi o responsável pela implantação da Classe Descentralizada de Registro. A coordenação da implantação da ETEC em Registro foi da Professora Vivian Maria Cordeiro, professora há treze anos do Centro Paula Souza. Com a criação da Etec de Registro a mesma passou a responder pela Direção Pró Tempore.

Desde 14 de julho de 2012 a ETEC está sob a direção do Professor Mauro Sérgio Adinolfi, após processo eleitoral realizado com a comunidade escolar. A ETEC foi criada pelo Decreto 56.090 de 16 de Agosto de 2010 - Escola Técnica de Registro, como Unidade de Ensino do Centro Estadual de Educação Tecnológica "Paula Souza".

Atualmente a escola funciona em dois turnos com os seguintes cursos, Ensino Técnico Integrado ao Médio nas seguintes habilitações: Técnico em Administração e Desenvolvimento de Sistemas. Também oferece curso período noturno nas seguintes áreas de Técnico em Administração e Técnico em Desenvolvimento de Sistemas.

A ETEC de Registro possui quadro docente formado por professores competentes e profissionalmente reconhecidos na cidade e região, observamos que há significativa experiência profissional e boa didática de sala de aula. No Ensino Técnico o quadro docente é formado por profissionais de excelente nível que respondem pela qualificação dos discentes na forma teórica e prática de acordo com as necessidades do mercado de trabalho.

Quanto ao corpo discente recebe alunos oriundos de diferentes cidades e escolas da região, com diferentes perfis e níveis de aprendizagem, carecendo de acompanhamento sistemático e constante. A partir do segundo semestre de 2015, a ETEC de Registro passou a ocupar outra edificação, situada a Rua Waldemar Lopes Ferraz, 232, Vila Tupi, Registro. A mudança se deve ao fato da Prefeitura Municipal de Registro, solicitar a Administração Central a devolução dos dois prédios anteriormente ocupados pela ETEC e disponibilizar uma nova edificação, devidamente aprovada pelo Setor de Infraestrutura do Centro Paula Souza, que projetou e a Prefeitura realizou as adequações requeridas.

A edificação está alugada pela Prefeitura de Registro, de particular, para o funcionamento da ETEC, conforme Convênio entre as partes. O Centro Paula Souza, é responsável pelo pagamento das contas de luz, água e telefone da escola. Diante disso a ETEC tem o desafio de sempre melhorar a sua qualidade de ensino, levando em consideração o seu histórico visando contribuir para o desenvolvimento da região.

Problematização

A falta de auxílio emocional tanto por parte das escolas técnicas no preparo dos jovens para a inserção e adaptação no mercado de trabalho, quanto pelas empresas ao lidarem com os colaboradores após serem contratados.

Justificativa

Tendo em vista que direcionamos a amostragem da nossa pesquisa na ETEC de Registro, é importante ressaltar que fatores como o trajeto que diversos alunos residentes de outros municípios do Vale do Ribeira fazem todos os dias para chegarem na escola e a carga horária de 8 horas em sala de aula prejudicam o emocional desses estudantes. Além do período em sala de aula, devemos contar também o tempo gasto no trajeto, desde a saída, até a chegada desses alunos em suas casas, o que muitas vezes totaliza aproximadamente 15 horas. Isso, atrelado à falta de suporte emocional vindo das escolas é um agravante para a entrada dos jovens no mercado de trabalho.

Ademais, segundo dados levantados pela Organização Mundial da Saúde (OMS), o Brasil atualmente é considerado o país com o maior número de pessoas ansiosas do mundo, o que ocasiona um aumento das taxas de ansiedade, depressão e desenvolvimento do burnout (doença causada pela carga excessiva de trabalho).

Objetivo Geral

Evidenciar as mudanças que ocorrerão no mercado de trabalho como resultado da influência da saúde mental dos jovens estudantes, destacando a importância de uma abordagem holística para a promoção do bem-estar emocional e psicológico, a fim de moldar uma futura geração de profissionais mais resilientes, produtivos e adaptáveis.

Objetivo específico

Realizar pesquisa com os alunos da Etec de Registro e analisar as suas condições psicológicas.

Verificar se os estudantes estarão aptos para ingressar no mercado de trabalho.

Apresentar propostas para a adequação dos alunos para atender as demandas do mercado de trabalho.

DESENVOLVIMENTO TEÓRICO

Introdução à Saúde Mental e Mercado de Trabalho

A saúde mental é um aspecto fundamental da qualidade de vida de um indivíduo e desempenha um papel crucial tanto no contexto individual quanto social. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), a saúde mental é definida como "um estado de bem-estar no qual o indivíduo realiza suas próprias habilidades, consegue lidar com os estresses normais da vida, pode trabalhar de forma produtiva e contribuir para sua comunidade". A saúde mental não se limita apenas à ausência de transtornos mentais, mas também engloba a capacidade de lidar com as pressões e desafios da vida cotidiana de maneira saudável e adaptativa.

A importância da saúde mental no contexto individual é amplamente reconhecida. Indivíduos com boa saúde mental são mais capazes de lidar com o estresse, tomar decisões informadas, manter relacionamentos saudáveis e buscar seus objetivos de vida. No entanto, sua importância se estende além do âmbito pessoal. A saúde mental tem um impacto direto na sociedade como um todo, influenciando a produtividade, a coesão social e o desenvolvimento econômico. Uma população mentalmente saudável contribui para um ambiente de trabalho mais positivo, maior criatividade, inovação e resiliência diante de desafios.

Paralelamente, o mercado de trabalho moderno passou por transformações significativas nas últimas décadas, refletindo uma complexidade cada vez maior nas demandas impostas aos trabalhadores. As exigências da economia globalizada, as rápidas mudanças tecnológicas e a natureza competitiva do mercado influenciam diretamente a maneira como os indivíduos enfrentam os desafios profissionais. A competitividade, a necessidade de se manter atualizado e a busca constante por eficiência podem gerar pressões intensas sobre os trabalhadores.

Nesse cenário, a interseção entre saúde mental e mercado de trabalho torna- se evidente. Um estudo conduzido por Harvey et al. (2017) destacou que a saúde mental dos trabalhadores está diretamente relacionada à produtividade, ao absenteísmo e à satisfação no trabalho. A pesquisa evidenciou que problemas de saúde mental podem levar a um desempenho inferior, impactando negativamente a eficiência e a eficácia no ambiente de trabalho.

Além disso, de acordo com um relatório da Aliança Global para Saúde Mental (2019), estimativas conservadoras indicam que os transtornos mentais e neurológicos custam à economia global mais de US$ 2,5 trilhões por ano em perda de produtividade. Esses números destacam a importância crucial de abordar a saúde mental no contexto do mercado de trabalho.

Impacto da Saúde Mental na Produtividade e Desempenho Profissional

A relação entre saúde mental e produtividade no ambiente de trabalho é uma área de crescente interesse e pesquisa. A compreensão da influência da saúde mental no desempenho profissional é essencial para promover um ambiente de trabalho saudável e para maximizar o potencial dos indivíduos.

Numerosos estudos têm explorado a interligação entre saúde mental e produtividade no ambiente de trabalho. Um estudo realizado por Dewa et al. (2014) examinou a relação entre problemas de saúde mental e o desempenho no trabalho. Os resultados indicaram que os problemas de saúde mental, incluindo depressão e ansiedade, estão associados a uma diminuição significativa da produtividade e eficiência no trabalho. Além disso, o estudo ressaltou que os custos relacionados a absenteísmo e presenteísmo (quando um funcionário está fisicamente presente, mas não está funcionando apropriadamente devido a problemas de saúde) são consideráveis e têm um impacto substancial nas organizações.

Um estudo longitudinal conduzido por Wang et al. (2014) analisou a relação entre o bem-estar psicológico dos funcionários e sua produtividade ao longo do tempo. Os resultados demonstraram que os funcionários que experimentam bem-estar psicológico mais elevado tendem a ter níveis consistentemente mais altos de produtividade ao longo do tempo, enquanto aqueles com problemas de saúde mental tiveram uma queda na produtividade.

Além disso, estudos de casos também ilustram vividamente a influência da saúde mental no desempenho profissional. Um exemplo notável é o estudo de caso da empresa de tecnologia Google. Em 2010, a empresa reconheceu a importância da saúde mental de seus funcionários e introduziu o programa "Search Inside Yourself", que visa melhorar o bem-estar emocional e mental dos funcionários por meio de práticas de atenção plena e inteligência emocional. O programa resultou em melhorias significativas na produtividade, criatividade e satisfação no trabalho dos funcionários (Chade-Meng Tan, 2012).

Efeitos das Pressões e Estresse no Trabalho na Saúde Mental

O ambiente de trabalho contemporâneo frequentemente é caracterizado por demandas crescentes, ritmo acelerado e pressões constantes. Essas condições podem levar a uma variedade de efeitos adversos na saúde mental dos trabalhadores, resultando em consequências individuais e organizacionais significativas.

As principais fontes de estresse e pressão no ambiente de trabalho podem variar, mas frequentemente incluem altas cargas de trabalho, prazos apertados, ambiguidade de papéis, pressão por resultados, conflitos interpessoais e falta de controle sobre as tarefas. Esses fatores podem gerar um ambiente propício ao estresse crônico, que é caracterizado pela exposição constante a situações estressantes ao longo do tempo.

O estresse crônico pode ter um impacto profundo na saúde mental dos trabalhadores. Um estudo realizado por Stansfeld e Candy (2006) demonstrou que o estresse ocupacional está associado a uma variedade de problemas de saúde mental, incluindo ansiedade, depressão e distúrbios de sono. O estresse crônico também pode aumentar o risco de desenvolvimento de transtornos mentais mais graves ao longo do tempo.

Além disso, um estudo longitudinal conduzido por Virtanen et al. (2019) examinou a relação entre o estresse no trabalho e o risco de suicídio. Os resultados indicaram que o estresse no trabalho, especialmente quando crônico e não gerenciado, está associado a um maior risco de suicídio, ressaltando a importância crítica da gestão adequada do estresse ocupacional.

A busca pelo equilíbrio entre vida profissional e pessoal emerge como uma estratégia fundamental para mitigar os efeitos adversos das pressões e estresse no trabalho. Uma pesquisa realizada pela Gallup (2018) revelou que os funcionários que se sentem apoiados em alcançar um equilíbrio saudável entre trabalho e vida pessoal tendem a ter níveis mais baixos de estresse e maior satisfação no trabalho.

A implementação de políticas e práticas que promovem o equilíbrio entre trabalho e vida pessoal, como horários flexíveis, teletrabalho, licenças parentais remuneradas e programas de bem-estar, pode ajudar a reduzir os níveis de estresse crônico e melhorar a saúde mental dos trabalhadores.

Efeitos das Pressões e Estresse no Trabalho na Saúde Mental

O ambiente de trabalho moderno é muitas vezes caracterizado por altos níveis de pressão e estresse, que podem ter um impacto substancial na saúde mental dos trabalhadores. A compreensão das principais fontes de estresse, os efeitos do estresse crônico e a importância do equilíbrio entre vida profissional e pessoal são elementos cruciais para promover o bem-estar mental e a qualidade de vida dos indivíduos no ambiente de trabalho.

Principais Fontes de Estresse e Pressão no Ambiente de Trabalho:

As principais fontes de estresse e pressão no ambiente de trabalho podem variar de acordo com o setor, a função do trabalho e a cultura organizacional. No entanto, algumas fontes comuns de estresse incluem cargas excessivas de trabalho, prazos apertados, ambiguidade de papéis, conflitos interpessoais, falta de autonomia e insegurança no emprego (Leka et al., 2015). A competição acirrada, a necessidade de se manter atualizado com as mudanças tecnológicas e a pressão por resultados também podem contribuir para um ambiente de trabalho estressante (Schaufeli et al., 2019).

Efeitos do Estresse Crônico na Saúde Mental dos Trabalhadores:

O estresse crônico, quando persistente e não gerenciado, pode ter efeitos prejudiciais na saúde mental dos trabalhadores. Pode contribuir para o desenvolvimento ou agravamento de problemas de saúde mental, como ansiedade, depressão, esgotamento profissional e transtornos de adaptação (Schaufeli et al., 2019). Além disso, o estresse crônico também está associado a uma maior vulnerabilidade a problemas físicos, como doenças cardiovasculares e comprometimento do sistema imunológico (Stansfeld & Candy, 2006).

Importância do Equilíbrio entre Vida Profissional e Pessoal:

Um fator essencial para mitigar os efeitos negativos do estresse no trabalho é a promoção do equilíbrio entre vida profissional e pessoal. A busca incessante por metas profissionais sem tempo suficiente para descanso e atividades pessoais pode levar ao esgotamento e à exaustão emocional (Greenhaus & Allen, 2011). A implementação de medidas que permitam aos trabalhadores separar o trabalho das atividades pessoais, como políticas de flexibilidade de horário, trabalho remoto e incentivos ao uso de férias, pode ajudar a reduzir o estresse e melhorar o bem-estar mental.

Gerações Anteriores versus Futuras Gerações: Mudanças na Abordagem à Saúde Mental:

A abordagem à saúde mental tem passado por transformações significativas ao longo das gerações, refletindo as mudanças nas atitudes sociais, nas percepções culturais e nas abordagens médicas. Comparar as atitudes em relação à saúde mental em gerações anteriores e na atual geração revela insights importantes sobre como a conscientização sobre saúde mental tem evoluído e quais as implicações dessas mudanças para a futura geração no mercado de trabalho.

Comparação das Atitudes em Relação à Saúde Mental:

Gerações anteriores muitas vezes mantinham uma visão estigmatizada sobre a saúde mental, considerando-a um tabu ou fraqueza pessoal. Discussões abertas sobre questões emocionais e psicológicas eram menos comuns e muitas vezes eram tratadas com desdém. Em contraste, a atual geração tem demonstrado uma maior abertura em relação à saúde mental. Há um aumento na disposição de falar sobre problemas emocionais, buscar ajuda profissional e promover a conscientização sobre questões de saúde mental (Twenge & Campbell, 2008).

Evolução da Conscientização sobre Saúde Mental:

A conscientização sobre saúde mental evoluiu consideravelmente nas últimas décadas, impulsionada por diversos fatores, como avanços na pesquisa psicológica, campanhas de conscientização, mídia e divulgação nas redes sociais. A atual geração tem acesso a informações mais amplas e compreensivas sobre saúde mental, o que tem contribuído para a redução do estigma associado aos transtornos mentais. Além disso, abordagens mais holísticas para o bem-estar, incluindo a ênfase na autoaceitação e na autocompaixão, têm ganhado destaque (Hofmann et al., 2016).

Implicações das Mudanças de Mentalidade para a Futura Geração no Mercado de Trabalho:

As mudanças de mentalidade em relação à saúde mental têm implicações profundas para a futura geração no mercado de trabalho. A crescente aceitação da importância da saúde mental pode levar a uma maior ênfase em ambientes de trabalho saudáveis, nos quais a saúde mental dos trabalhadores é valorizada tanto quanto a produtividade. Empresas que promovem uma cultura de apoio à saúde mental podem atrair e reter talentos, além de criar um ambiente mais positivo e colaborativo (World Health Organization, 2020).

No entanto, também surgem desafios, como a pressão por constantes inovações e a crescente competição. A atual geração, apesar de estar mais consciente da saúde mental, pode enfrentar estresses únicos relacionados à tecnologia, ao ritmo acelerado das mudanças e à incerteza no mercado de trabalho. A busca por um equilíbrio saudável entre trabalho e vida pessoal, juntamente com a promoção contínua da saúde mental, será fundamental para enfrentar esses desafios de forma eficaz.

Tecnologia, Conectividade e Saúde Mental:

A crescente integração da tecnologia e a constante conectividade têm proporcionado inúmeras vantagens, mas também levantam preocupações significativas em relação à saúde mental. A análise dos efeitos da tecnologia e da conectividade constante na saúde mental dos indivíduos é essencial para compreender como as ferramentas digitais afetam nosso bem-estar emocional e psicológico.

Efeitos da Tecnologia e Conectividade na Saúde Mental:

A proliferação de dispositivos eletrônicos e a presença constante da tecnologia têm sido associadas a uma série de impactos na saúde mental. A exposição excessiva a telas e o uso frequente de dispositivos eletrônicos têm sido correlacionados com distúrbios do sono, ansiedade, depressão e diminuição da capacidade de concentração (Przybylski & Weinstein, 2017). A sensação de estar sempre "ligado" e a pressão para estar disponível a qualquer momento podem contribuir para o estresse crônico e o esgotamento.

Influência das Redes Sociais:

As redes sociais, embora tenham transformado a maneira como nos comunicamos e nos conectamos, também apresentam desafios para a saúde mental. A comparação constante com os outros, a busca por validação online e a exposição a imagens filtradas da vida de outras pessoas podem levar a sentimentos de inadequação, ansiedade e depressão (Primack et al., 2017). A pressão para manter uma imagem idealizada de si mesmo nas redes sociais pode aumentar o estresse emocional.

Trabalho Remoto e Uso Excessivo de Dispositivos Eletrônicos:

O trabalho remoto, facilitado pela tecnologia, trouxe flexibilidade, mas também desafios relacionados à saúde mental. A fronteira entre trabalho e vida pessoal pode se tornar difusa, levando a um aumento no estresse e na dificuldade de desconectar do trabalho (Derks et al., 2014). O uso excessivo de dispositivos eletrônicos durante o trabalho remoto também pode prejudicar a concentração e o bem-estar.

No entanto, é importante reconhecer que a tecnologia também pode ser uma ferramenta poderosa para promover a saúde mental. Aplicativos de mindfulness, plataformas de apoio psicológico online e recursos de autocuidado digital têm o potencial de auxiliar na gestão do estresse e na promoção do bem-estar mental (Firth et al., 2019).

Programas de Bem-Estar e Apoio no Local de Trabalho:

A promoção da saúde mental dos funcionários tornou-se uma prioridade para muitas organizações conscientes da importância do bem-estar dos colaboradores para o desempenho organizacional e a satisfação no trabalho. A implementação de estratégias e programas de bem-estar mental no ambiente de trabalho visa criar um ambiente que apoie a saúde mental dos funcionários e contribua para um clima organizacional positivo.

Estratégias e Programas para a Promoção da Saúde Mental:

Empresas têm adotado uma variedade de estratégias e programas para promover a saúde mental dos funcionários. Isso inclui a oferta de serviços de aconselhamento psicológico no local de trabalho, programas de treinamento de habilidades de resiliência, promoção da atividade física, práticas de mindfulness e meditação, flexibilidade de horários e políticas de apoio a pais e cuidadores (Baicker et al., 2017). Além disso, a criação de um ambiente de trabalho inclusivo, que promova o respeito e a empatia, também é fundamental para a saúde mental dos funcionários.

Avaliação da Eficácia de Programas de Bem-Estar Mental:

A avaliação da eficácia dos programas de bem-estar mental no ambiente de trabalho é essencial para determinar se essas iniciativas estão alcançando seus objetivos e beneficiando os funcionários. Estudos têm demonstrado que programas de bem-estar mental podem resultar em melhorias significativas na saúde mental dos trabalhadores. Por exemplo, um estudo realizado por Kessler et al. (2019) avaliou os resultados de um programa de intervenção de bem-estar mental e concluiu que os participantes experimentaram reduções significativas nos sintomas de ansiedade e depressão.

Outro exemplo é o estudo de Richards et al. (2019), que avaliou os efeitos de um programa de treinamento em resiliência no local de trabalho. Os resultados indicaram que os participantes do programa relataram níveis mais baixos de estresse e maior sensação de bem-estar psicológico em comparação com os não participantes.

No entanto, é importante ressaltar que a eficácia dos programas de bem-estar mental pode depender de vários fatores, incluindo a qualidade da implementação, o engajamento dos funcionários e a cultura organizacional. Portanto, a avaliação contínua e a adaptação dos programas com base nos feedbacks dos funcionários são fundamentais para garantir resultados positivos a longo prazo (Baicker et al., 2017).

Educação e Preparação para Lidar com Desafios de Saúde Mental

A educação sobre saúde mental desde as fases iniciais do desenvolvimento é crucial para equipar os indivíduos com as habilidades necessárias para lidar com os desafios emocionais e psicológicos que podem surgir ao longo da vida. A inclusão de educação sobre saúde mental no currículo escolar não apenas ajuda a aumentar a conscientização, mas também é fundamental para construir uma futura força de trabalho saudável e resiliente.

Educação sobre Saúde Mental na Primeira Infância:

A educação sobre saúde mental deve começar desde a infância, introduzindo conceitos básicos de emoções, resiliência e habilidades de regulação emocional. Promover a inteligência emocional desde cedo pode fornecer às crianças ferramentas para reconhecer e expressar suas emoções de maneira saudável, além de desenvolver empatia e habilidades sociais (Greenberg et al., 2017).

Inclusão da Saúde Mental no Currículo Escolar:

A introdução de tópicos relacionados à saúde mental no currículo escolar ajuda a desmitificar questões de saúde mental, reduzindo o estigma associado. Programas de educação que abordam tópicos como habilidades de comunicação, resolução de conflitos, gerenciamento de estresse e autoconhecimento podem equipar os jovens com ferramentas para enfrentar os desafios emocionais e psicológicos da vida cotidiana (Hagelskamp & Vedder, 2016).

Importância das Habilidades Socioemocionais para a Força de Trabalho Futura:

A educação em saúde mental não se limita apenas a construir indivíduos emocionalmente saudáveis, mas também contribui para o desenvolvimento de habilidades socioemocionais essenciais para o sucesso na futura força de trabalho. Habilidades como empatia, resolução de problemas, colaboração e comunicação eficaz são cada vez mais valorizadas no ambiente profissional (World Economic Forum, 2018).

Além disso, a promoção da saúde mental e do bem-estar entre os jovens pode ter efeitos de longo prazo na prevenção de problemas de saúde mental e no desenvolvimento de uma geração mais resiliente e capaz de enfrentar os desafios do mercado de trabalho em constante evolução.

Equidade, Diversidade e Inclusão: Impacto na Saúde Mental no Mercado de Trabalho

A equidade, diversidade e inclusão (EDI) desempenham um papel fundamental na promoção da saúde mental no ambiente de trabalho. A análise de como fatores como equidade de gênero, diversidade étnica e inclusão afetam a saúde mental dos trabalhadores revela a importância de criar um ambiente que seja acolhedor e igualitário para todos, além de abordar os desafios específicos enfrentados por grupos marginalizados.

Impacto da Equidade, Diversidade e Inclusão na Saúde Mental:

A falta de equidade e inclusão no ambiente de trabalho pode resultar em estressores adicionais para indivíduos pertencentes a grupos marginalizados. A discriminação, o preconceito e a exclusão podem levar a um aumento do estresse psicossocial, ansiedade, depressão e sentimentos de isolamento (Kawakami et al., 2016). Por outro lado, um ambiente de trabalho inclusivo que valoriza a diversidade pode promover um senso de pertencimento e apoio, contribuindo para a saúde mental positiva dos trabalhadores (Niedhammer et al., 2013).

Desafios Específicos para Grupos Marginalizados:

Estudos de caso ilustram os desafios específicos enfrentados por grupos marginalizados no ambiente de trabalho. Por exemplo, mulheres podem enfrentar discriminação de gênero, falta de oportunidades de progresso na carreira e desigualdades salariais, o que pode contribuir para níveis mais altos de estresse e insatisfação no trabalho (Perry et al., 2018). Da mesma forma, minorias étnicas podem experimentar microagressões, estereótipos e falta de representação, afetando negativamente sua saúde mental (Williams & Mohammed, 2013).

Um estudo realizado por Caproni (2019) examinou os efeitos da discriminação no local de trabalho sobre a saúde mental dos funcionários LGBTQ+. Os resultados destacaram que a discriminação e o assédio estão associados a maiores níveis de ansiedade, depressão e baixa autoestima.

Promovendo a Equidade e Inclusão para Melhorar a Saúde Mental:

Promover a equidade, diversidade e inclusão no ambiente de trabalho não apenas é uma questão ética, mas também desempenha um papel crítico na promoção da saúde mental dos funcionários. Estratégias como treinamento em sensibilidade cultural, políticas antidiscriminatórias, programas de mentorias e a criação de ambientes que valorizem as contribuições de todos podem contribuir para um ambiente de trabalho mais saudável e equitativo (Kossek et al., 2019).

Em suma, a equidade, diversidade e inclusão são fatores fundamentais que afetam a saúde mental no mercado de trabalho. O reconhecimento e a abordagem das desigualdades e barreiras enfrentadas por grupos marginalizados são essenciais para criar um ambiente de trabalho que promova o bem-estar mental de todos os funcionários.

Perspectivas Futuras: Desafios e Oportunidades

À medida que o mercado de trabalho continua a evoluir e enfrentar transformações sociais, tecnológicas e econômicas, é essencial considerar as tendências futuras em relação à saúde mental dos trabalhadores. Compreender os desafios emergentes e as oportunidades que se apresentam permite que as empresas se preparem de maneira proativa para criar ambientes de trabalho saudáveis e produtivos.

Tendências Futuras em Relação à Saúde Mental no Mercado de Trabalho:

Impacto da Tecnologia e Trabalho Digital: A crescente adoção de tecnologia e o aumento do trabalho remoto podem trazer benefícios, mas também desafios para a saúde mental. A necessidade de desconectar do trabalho, gerenciar os limites entre trabalho e vida pessoal e lidar com o estresse tecnológico podem se tornar mais pronunciados (Derks et al., 2014).

Preocupações com a Segurança do Emprego: Mudanças rápidas no mercado de trabalho, automação e incertezas econômicas podem levar a preocupações crescentes com a segurança do emprego, contribuindo para o estresse e a ansiedade entre os trabalhadores (Forth et al., 2020).

Flexibilidade e Bem-Estar: A busca por flexibilidade no trabalho continuará a ser uma tendência, mas equilibrar essa flexibilidade com o bem-estar dos trabalhadores será um desafio. A importância de políticas que promovam o equilíbrio entre trabalho e vida pessoal será cada vez mais reconhecida (Grawitch et al., 2010).

Preparando-se para Lidar com os Desafios Emergentes:

Promoção da Conscientização e Educação: As empresas podem investir em programas de conscientização e educação sobre saúde mental, fornecendo informações sobre sinais de alerta, recursos de apoio e estratégias de autocuidado para os funcionários (Pfefferbaum & North, 2020).

Implementação de Políticas de Saúde Mental: Políticas organizacionais que promovem a saúde mental, como flexibilidade de horários, programas de bem-estar mental e apoio a pais e cuidadores, podem criar um ambiente de trabalho mais saudável e apoiador (Baicker et al., 2017).

Criação de Culturas Inclusivas e Apoio Social: Fomentar uma cultura inclusiva que valorize a diversidade e promova o apoio social pode contribuir para um ambiente de trabalho mais positivo e reduzir o estigma em relação à saúde mental (Kawakami et al., 2016).

Uso de Tecnologia para o Bem-Estar: A tecnologia também pode ser aproveitada para o bem-estar dos funcionários, com a oferta de aplicativos de saúde mental, plataformas de suporte online e programas de treinamento de resiliência (Firth et al., 2019).

À medida que as organizações se adaptam às mudanças no mercado de trabalho, a consideração cuidadosa da saúde mental dos funcionários deve ser uma prioridade central, garantindo que estejam preparadas para enfrentar os desafios emergentes e aproveitar as oportunidades que surgem.

RESULTADOS DA PEQUISA

A pesquisa de campo desempenha um papel fundamental na investigação de questões relevantes que afetam um determinado grupo ou comunidade. Neste estudo, concentramos nossos esforços em compreender a saúde mental dos alunos da Etec de Registro. Esta pesquisa, abrangeu um amplo espectro de alunos incluindo tanto aqueles integrados no ensino médio, quanto aqueles matriculados no curso modular da instituição.

A importância da saúde mental dos estudantes é um tema cada vez mais premente, dado o ambiente acadêmico desafiador em que se encontram. Para obter informações abrangentes e significativas, utilizamos um questionário projetado especificamente para avaliar a saúde mental desses indivíduos.

Ao coletar um total de 210 respostas, estamos agora em posição de analisar e compartilhar os resultados desta pesquisa. Neste tópico, apresentaremos as descobertas e conclusões decorrentes das respostas dos alunos, contribuindo assim para a compreensão e discussão da problemática relacionada à saúde mental nesta comunidade acadêmica.

Pergunta 1: Qual a sua idade?

Fonte: equipe de pesquisa, 2023.

Coletamos respostas de 42 alunos com idades entre 14 e 15 anos, de 139 alunos com idades entre 16 e 17 anos, e de 29 alunos com 18 anos ou mais. A análise desses dados nos permite concluir que a faixa etária predominante entre os respondentes é a de 16/17 anos, representando cerca de 64% do total de participantes.

Pergunta 2: Em que período ou módulo da Etec de Registro você estuda?

Fonte: equipe de pesquisa, 2023.

A pesquisa abrangeu um total de 220 alunos de diferentes cursos oferecidos pela instituição. Ao analisarmos esses dados, podemos notar uma distribuição representativa dos estudantes em três categorias distintas.

O curso de "Etim Administração" contou com a maior participação, totalizando 113 alunos, o que equivale a aproximadamente 51% do número total de participantes da pesquisa. Isso reflete a expressiva presença e o interesse dos alunos nesse curso em compartilhar suas opiniões e perspectivas.

Em seguida, o curso de "Etim Desenvolvimento de Sistemas" também teve uma participação substancial, com um total de 85 alunos, representando aproximadamente 38% do conjunto de respondentes. Isso demonstra o envolvimento ativo dos estudantes desse curso na pesquisa.

Por fim, o curso de "Módulo Administração" contou com a participação de 22 alunos, correspondendo a cerca de 10% dos respondentes. Apesar de ser uma proporção menor em relação aos outros cursos, a contribuição desses alunos ainda é valiosa para a nossa pesquisa, oferecendo uma perspectiva única.

Essa distribuição diversificada de alunos por curso enriquece nossa pesquisa, permitindo-nos capturar uma ampla variedade de opiniões e experiências, e contribui para uma análise mais completa e representativa dos dados coletados.

Pergunta 3: Em que cidade você reside?

Fonte: equipe de pesquisa, 2023.

Essa pergunta se referiu à origem geográfica dos estudantes. Ao analisarmos os dados, observamos que somente 71 dos alunos que participaram de nossa pesquisa, o que equivale a aproximadamente 32%, residem em Registro. Isso indica que a maioria dos educandos é proveniente de outros municípios, como Pariquera- Açu, Jacupiranga, Cananeia, Cajati, Sete Barras e diversas outras localidades situadas na região do Vale do Ribeira. Essa constatação demonstra a diversidade geográfica dos alunos envolvidos em nossa pesquisa, contribuindo para uma compreensão abrangente de perspectivas regionais.

Pergunta 4: Quanto tempo você demora para se deslocar até a escola?