A RADIOPROTEÇÃO DOS PROFISSIONAIS DAS TÉCNICAS RADIOLÓGICAS EM EXAMES RADIOGRÁFICOS

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REGISTRO DOI: 10.5281/zenodo.10724784


Isis do Nascimento Silva Lima1
Bárbara Eusébia da Silva
Maria Eduarda Neves Gerônimo dos Santos
André Luiz Silva de Jesus
Cristiane Faria Fontes Teles


RESUMO
A radiação ionizante ocorre quando a sua energia é capaz de ejetar elétrons dos seus respectivos átomos. Tal efeito pode ocasionar danos de forma direta ou indireta no DNA e divisão celular. A energia emitida dos raios x, amplamente utilizada na medicina, interage com a matéria, mais especificamente no tecido humano nas suas moléculas e células. A alta exposição à radiação ionizante no corpo humano pode ocasionar efeitos biológicos nocivos, entre eles estão os efeitos estocásticos que provocam alterações celulares ao longo da vida e os efeitos determinísticos em que há certeza de uma ocorrência a partir de uma dose conhecida. Legislações nacionais em vigor estabelecem o monitoramento das condições de trabalho dos profissionais expostos à radiação ionizante e regem medidas que proporcionam a segurança dos mesmos. As condições das salas onde os equipamentos radiográficos estão instalados, a disponibilização e condições dos equipamentos de proteção individual e coletiva, o monitoramento da exposição ocupacional são exemplos de colocações dispostas nas legislações responsáveis. Portanto, a finalidade deste trabalho é acrescentar material específico sobre radioproteção ocupacional em exames radiográficos, evidenciar os riscos ocasionados pela radiação ionizante e enfatizar a importância do conhecimento sobre as medidas de segurança descritas nas legislações por estudantes e profissionais das técnicas radiológicas.
Palavras-chave: Radioproteção. Radiografia. Radiologia.

ABSTRACT
Ionizing radiation occurs when its energy is capable of ejecting electrons from their respective atoms. This effect can cause direct or indirect damage to DNA and cell division. The energy emitted by x-rays, widely used in medicine, interacts with matter, more specifically in human tissue in its molecules and cells. High exposure to ionizing radiation in the human body can cause harmful biological effects, including stochastic effects that cause cellular alterations throughout life and deterministic effects in which there is certainty of occurrence from a known dose. Current national legislation establishes the monitoring of the working conditions of professionals exposed to ionizing radiation and regulates measures to ensure their safety. The conditions of the rooms in which radiographic equipment is installed, the availability and condition of personal and collective protection equipment, and the monitoring of occupational exposure are examples of the provisions laid down in the relevant legislation. Therefore, the purpose of this work is to add specific material on occupational radioprotection in radiographic examinations, to highlight the risks caused by ionizing radiation and to emphasize the importance of knowledge about the safety measures described in the legislation for students and professionals in radiological techniques.
Keywords: Radioprotection. Radiography. Radiology.

Introdução

A descoberta dos raios X foi realizada pelo físico alemão Wilhelm Conrad Roentgen acidentalmente em 1895 enquanto investigava o fenômeno de luminescência em tubos de raios catódicos. Ele percebeu que, mesmo quando o tubo era envolvido em papel preto, um pedaço de papel tratado com platinocianeto de bário em uma mesa próxima brilhava, concluindo que a fluorescência foi causada por um novo tipo de radiação desconhecida, que chamou de "raios X".

Figura 1 – Wilhelm Corand Rontgen.

Fonte: SOUSA et al, 1996.

Os raios X foram imediatamente reconhecidos por seu potencial uso na medicina, e logo amplamente utilizados no diagnóstico e tratamento de várias doenças. Nas décadas seguintes, a tecnologia e as técnicas com o uso dos raios X continuaram a evoluir ao permitir diagnósticos mais precisos com menores doses de radiação para os pacientes e consequentemente profissionais das técnicas radiológicas (Souza, 2010).

As preocupações decorrentes das exposições aos raios X devem-se à sua natureza energética capaz de, em nível atômico, remover elétrons de seus respectivos átomos, através do processo conhecido como ionização. Tal interação pode desencadear efeitos em nível molecular ocasionando danos que podem interferir direta ou indiretamente o DNA e divisão celular de acordo com alguns fatores como idade, tecido irradiado e dose (Bushong, 2010).

Os efeitos biológicos inerentes ao processo iniciado no nível atômico e molecular são ocasionados pela exposição inadequada à radiação, que pode ser caracterizado segundo o tempo de manifestação, taxa de exposição e dose absorvida (Costa, 2015). De acordo com Batista et al. (2019), vários fatores, como a ausência de módulos específicos voltados à radioproteção durante a graduação e falta de instrução adequada do empregador ao longo do período prático implica no desconhecimento, uso inadequado e armazenamento incorreto de alguns equipamentos de proteção radiológica pelos profissionais de saúde.

O objetivo desta pesquisa é contribuir com o conhecimento dos profissionais das técnicas radiológicas sobre a importância da radioproteção durante a realização de exames radiográficos através da descrição dos potenciais danos da exposição à radiação ionizante e a importância dos equipamentos de proteção individual (EPI's) e equipamentos de proteção coletiva (EPC’s) no contexto em que os profissionais das técnicas radiológicas estão inerentemente expostos durante sua jornada de trabalho. No entanto, estudantes também podem obter conhecimentos relevantes sobre tais métodos de radioproteção.

Metodologia

Trata-se de uma pesquisa qualitativa de investigação bibliográfica onde foram utilizados artigos específicos de acordo com os objetivos apresentados, em inglês e português entre maio e abril de 2023 nos bancos de dados do Google Acadêmico, Scielo, Biblioteca Virtual de Saúde com as palavras-chave: dosimetria, exposição ocupacional, equipamentos de proteção individual, equipamentos de proteção coletiva, proteção radiológica e radioproteção.

O acervo bibliográfico do Centro Universitário Lusíada – UNILUS também foi utilizado, consultando-se a literatura específica. A legislação relacionada também foi consultada a exemplo das:

  • Resolução da Diretoria Colegiada (RDC 611) – Ministério da Saúde;

  • Instrução Normativa nº 90;

  • Norma 3.01 CNEN – Comissão Nacional de Energia Nuclear;

  • NR 6 – Ministério do Trabalho;

  • Lei 7.394/85 – Congresso Nacional.

Desenvolvimento

Exposição à radiação

A exposição à radiação ocorre quando um indivíduo é exposto a partículas ou ondas eletromagnéticas que transportam energia suficiente para ionizar átomos e moléculas no corpo. A radiação pode ser ionizante, como raios X, raios gama e partículas alfa, ou não ionizante, como ondas de rádio, micro-ondas e luz visível. A exposição à radiação pode ser acidental, ou intencional, como em tratamentos de radioterapia (Okuno, 2018).

A exposição excessiva às radiações ionizantes pode aumentar o risco de neoplasias malignas ou outros problemas no futuro. Isto ocorre porque as radiações ionizantes podem danificar o DNA das células do corpo humano, levando a mutações genéticas. Além disso, a exposição crônica ou repetida a níveis elevados também pode afetar a função dos tecidos e órgãos do corpo, causando problemas de saúde a longo prazo. Por isso, é importante limitar a exposição a tanto quanto possível (Lared, 2010).

Por outro lado, radiação não ionizante é composta por diferentes tipos de ondas eletromagnéticas, como as ondas de rádio, micro-ondas, infravermelho, luz visível e ultravioleta. Essas ondas possuem energia suficiente para excitar os átomos e moléculas dos materiais com os quais interagem, porém não possui energia suficiente para ionizá-los, ou seja, remover elétrons dos átomos (Okuno, 2018).

A dose de exposição à radiação refere-se à quantidade de radiação absorvida pelo corpo. Ela é medida em unidades como o Gray (Gy) ou o Sievert (Sv). As autoridades regulatórias estabelecem limites para a exposição à radiação, a exemplo da Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN), para o público, pacientes e indivíduos ocupacionalmente expostos (IOE’s).

É imprescindível minimizar a exposição à radiação sempre que possível através do uso de técnicas de proteção, como o uso de equipamentos de proteção individuais (EPI’s), o monitoramento de radiação e a redução do tempo de exposição. Em caso de exposição acidental ou intencional à radiação ionizante, deve-se buscar atendimento médico imediato e iniciar a investigação de suas causas (CNEN, 2005; Lared, 2010).

Efeitos biológicos das radiações ionizantes

As moléculas biológicas são constituídas por átomos de carbono, hidrogênio, oxigênio e nitrogênio. Elétrons podem ser retirados dessas moléculas quando irradiados produzindo íons.

A energia liberada pela radiação pode gerar uma excitação dos átomos, quebra de moléculas e consequentemente radicais livres altamente reativos podendo atacar moléculas de grande importância como o DNA que pode ocasionar danos (Batista et al, 2019).

O corpo humano é formado por cerca de setenta trilhões de células, dentro do núcleo de cada célula está presente o DNA. A radiação ionizante interage com as células de forma que ao atravessá-las pode desprender elétrons e consequentemente causar uma desestabilização temporária ou permanente.

A interação com a radiação ionizante é classificada em três estágios: físico, quando ocorre a ionização; químico, quando é ocasionado pelas quebras de ligações químicas entre as moléculas e; biológico, quando ocorre danos bioquímicos e fisiológicos, como as alterações morfológicas e funcionais do corpo humano, podendo durar dias, semanas ou anos (Lima, 2020).

Os efeitos biológicos podem ser caracterizados em estocásticos ou determinísticos, imediatos (até 60 dias) ou tardios (em encargo do prazo de manifestação) ou ainda em somáticos ou genéticos.

O efeito estocástico é classificado por modificações que acontecem nas células normais, as principais são as cancerígenas e hereditárias. Tais efeitos se caracterizam principalmente pelas doses absorvidas de radiação ionizante ao longo da vida, independentemente dos níveis.

Todavia, entende-se que o efeito estocástico é aquele cuja viabilidade de ocorrência se altera em função da dose absorvida ou recebida, portanto, há uma chance desses efeitos virem a ocasionar danos sem que haja, entretanto, uma dose estabelecida (Natale, 2015).

O efeito determinístico se caracteriza em uma resposta biológica que varia de acordo a dose de radiação. Neste caso, existe um limiar de dose para o efeito ocorrer (Bushong, 2010).

Entende-se que o efeito determinístico é aquele em que há certeza de sua ocorrência, diferentemente do efeito estocástico em que sua ocorrência é probabilística. No caso do efeito determinístico a gravidade é predominante a partir de um limiar onde os efeitos ocorrerão de forma diretamente proporcional à sua dose, ou seja, quanto maior a dose maior a gravidade (Natale, 2015).

O efeito determinístico pode ser a curto ou a longo prazo, os exemplos dessas reações teciduais são: radiodermites (queimadura por radiação); opacificação dos cristalinos (catarata); alterações hematológicas e esterilidade. Em uma situação mais grave, o indivíduo ainda pode desenvolver a síndrome aguda da radiação, ocasionada quando a exposição é muito elevada (superiores a 10 Gy), acarretando danos no sistema cardiovascular e nervoso, além de morte celular generalizada, levando a óbito em poucos dias. Cabe ressaltar que tal efeito não é observado atualmente em profissionais ocupacionalmente expostos que atuam na realização de exames radiográficos, mas são consequências de acidentes que utilizam fontes radioativas com finalidades industriais, energéticas e radioterápicas, ainda que em desuso (Lima, 2020 apud Okuno, 2013).

Proteção radiológica

A proteção radiológica visa o aperfeiçoamento de quaisquer meios de princípios e medidas efetivas para minimizar a exposição ocupacional, do paciente e do público. Além disso, deve estar dentro do padrão dos princípios de ALARA (As low as reasonably achievable) que significa tão baixo quanto razoavelmente exequível, considerando fatores sociais e econômicos. Portanto para admitir uma execução que envolva um indivíduo à radiação uma análise detalhada deve ser feita de custo financeiro, benefício e danos à saúde.

Os três propósitos da proteção radiológica são:

  • Proteger dos danos irreversíveis da radiação ionizante os pacientes, seus familiares, descentes e humanidade como um todo;

  • Evitar os acontecimentos de efeitos não estocásticos;

  • Limitar os níveis consideráveis a probabilidade de acontecimentos de efeitos estocásticos.

Portanto, para executar um limite máximo de dose de radiação a ICRP (Comissão Internacional de Proteção Radiológica) estabeleceu, em 1977, limites para evitar a exposição excessiva a fim de limitar os riscos de neoplasias e danos hereditários (Deyllot, 2014).

Com base no artigo 43 da RDC 611 (Resolução de Diretoria Colegiada) devem ser observados no serviço de radiologia diagnóstica os princípios de justificação, otimização, da limitação da dose e da prevenção contra acidentes, com objetivo de garantir que a exposição do paciente aos riscos da radiação seja o mínimo possível para certificar sua segurança, qualidade da imagem e procedimentos (Ministério da Saúde, 2022).

Radiação de fuga e radiação espalhada

O tubo de raios x é um componente importante do equipamento radiográfico. Ele possui dois eletrodos: catodo (polo negativo) e anodo (polo positivo). Para que ocorra a formação dos raios x, um condutor metálico é aquecido no vácuo e uma nuvem de elétrons é formada ao seu redor. Este processo, denominado de efeito termoiônico, permite que os elétrons atinjam energia suficiente, por meio do calor, para escapar da superfície do elemento metálico emissor e ir em direção ao alvo, localizado no anodo, para que finalmente aconteça a formação dos raios x.

Após a formação dos raios x, eles passam a ser classificados em dois grupos de acordo com o seu trajeto: radiação primária e radiação secundária. Dentro da radiação primária está o feixe útil, que são emitidos através da janela e atravessam o paciente para chegar no receptor e gerar a imagem. Já no grupo de radiação secundária estão as radiações de fuga e espalhada. A radiação de fuga é a que escapa do cabeçote do tubo de raios x em todas as direções. Já a radiação espalhada surge após o feixe primário interagir com o paciente e se espalhar em todas as direções. O feixe secundário não contribui para o diagnóstico, apenas resulta na exposição desnecessária do paciente e do profissional, além de causar ruídos na imagem. Desta forma, de acordo com a literatura, a radiação espalhada é a principal fonte de exposição ocupacional (Bushong, 2010).

Portanto, o profissional que estiver presente no momento do exame, mesmo distante do feixe primário deve proteger-se da radiação secundária através do uso de equipamentos de proteção (Medeiros, 2015).

Figura 2 – Tipos de radiações durante o exame radiográfico.

Fonte: BUSHONG, 2010.

Equipamentos de proteção e dosimetria

A Resolução da Diretoria Colegiada (RDC 611/2022), Instrução Normativa n° 90, do Ministério da Saúde e Norma Regulamentadora nº 6, do Ministério do Trabalho, são legislações que regem as condições de trabalho em procedimentos que utilizam as radiações ionizantes e também determinam o conjunto de normas que devem ser seguidas para a segurança dos profissionais. Em conjunto, estas legislações enfatizam que o uso dos equipamentos de proteção individual (EPI’s) e equipamentos de proteção coletiva (EPC’s) são essenciais durante os exames. E além disso, o profissional também deve utilizar o dosímetro para monitoramento da exposição.

O dosímetro é um dispositivo responsável estritamente por medir a quantidade de radiação ionizante no qual o profissional atuante foi exposto. Sendo assim, ele não protege o profissional da radiação ionizante, somente faz a medição da dose ocupacional. Para que a medição seja realizada de forma satisfatória, ele deve ser devidamente utilizado durante toda sua jornada de trabalho, armazenado corretamente para sua conservação e trocado mensalmente para avaliação e controle da dose ocupacional de acordo com as orientações do respectivo laboratório de dosimetria. Dentre os tipos de dosímetros, o principal detector utilizado para monitoramento de radiação ocupacional é o dosímetro termoluminescente (TLD), que deve dever ser portado pelo profissional durante toda sua jornada de trabalho e enquanto permanecer em área controlada.

Os EPI’s devem estar disponíveis para o uso do profissional e do acompanhante durante a realização dos exames de raio x. Eles são responsáveis por barrar a radiação secundária que é inevitavelmente gerada durante o procedimento e protegê-los da exposição desnecessária.  A quantidade de equipamentos de proteção individual disponibilizados pela empresa deve ser equivalente ao número de funcionários expostos à radiação ionizante para que todos sejam equipados de forma satisfatória. A responsabilidade do fabricante está em executar um controle de qualidade no qual todos os EPI’s devem ser submetidos para comprovar sua eficácia e garantia. São os EPI’s mais comuns utilizados em exames radiográficos o avental plumbífero, óculos plumbífero, protetores de gônadas e protetores de tireoide (Ministério da Saúde; Ministério do Trabalho, 2022).

Figura 3 – Equipamentos de proteção individual utilizados em diagnóstico por imagem.

Fonte: tecnicoderadiologia.blogspot.com, 2013.

Os EPC’s, por sua vez, fazem parte do conjunto de medidas de prevenção em proteção radiológica além da blindagem da sala em que o equipamento radiográfico está instalado. A RDC 611/ 2022 descreve que antes da instalação do equipamento deve ser apresentado um projeto de blindagem elaborado e assinado por um profissional legalmente habilitado e, então, para que a instalação possa funcionar, o mesmo deve ser aprovado. Posteriormente, se houver necessidade de modificação do projeto, isto deve ser comunicado à autoridade sanitária competente para que seja feita uma nova avaliação. Os EPC’s correspondentes ao conjunto de medidas e prevenção estão ligados a sinalização dos ambientes onde ocorrem os exames que fazem o uso da radiação ionizante. Estas sinalizações podem ser, por exemplo, por meio de placas e luzes em cores vermelha e verde indicando o momento que é seguro abrir a porta da sala (Ministério da Saúde, 2022).

Figura 4 – Aviso e sinal luminoso na entrada da sala de exames

Fonte: DNA Diagnóstica, 2023.

Figura 5 – Avisos disponibilizados na porta da sala de exames.

Fonte: OLIVEIRA, 2007.

Legislação de radioproteção e habilitação profissional

Em território nacional, a profissão de técnico e por analogia, tecnólogo em radiologia, é regulamentada pela lei 7.394/85.

O Conselho Nacional de Técnicos em Radiologia (CONTER) através das resoluções nº 6 de 2009 e nº 2 de 2012, institui e normatiza atribuições, competências e funções dos profissionais técnicos e tecnólogos em Radiologia no setor de diagnóstico por imagem, mais especificamente nas subáreas de: radiologia convencional, radiologia digital, mamografia, hemodinâmica, tomografia computadorizada, densitometria óssea, ressonância magnética, litotripsia extracorpórea e medicina nuclear. O requisito para técnicos é o diploma de formação técnica em instituições de ensino reconhecidos e autorizados pelas Secretarias Estaduais de Educação e tecnólogos o diploma de graduação de ensino superior, reconhecido e autorizado pelo Ministério de Educação e Cultura (MEC). Em ambos os casos o estágio curricular é obrigatório.

Conforme a RDC 611/2022, em seu artigo 78, que aborda sobre proibições e restrições, nenhum indivíduo pode manusear de forma proposital a radiação ionizante ou operar algum equipamento radiológico, a não ser que seja legalmente qualificado ou esteja em treinamento sendo supervisionado por algum profissional devidamente habilitado.

O artigo 3º, inciso 6 da RDC 611/2022 indica que o único profissional qualificado para operar radiação ionizante ou equipamentos de radiologia necessita ter o ensino médio para formação do ensino técnico ou o curso superior que neste caso específico trata-se do tecnólogo em radiologia, pois cumpre todos os requisitos legais atribuídos para o exercício da profissão (Ministério da Saúde, 2022).

De acordo com a CNEN NN-3.01 de 2014 - Diretrizes Básicas de Radioproteção, o profissional habilitado em radiologia tem um limite de dose estipulado anualmente com o objetivo de proporcionar sua segurança. A dose efetiva, levando em conta o corpo inteiro, não pode ultrapassar 20 mSv anual, entretanto a dose equivalente da pele, mãos e pés tem um valor anual de 500 mSv.

Conclusão

A partir das escassas referências consultadas sobre o tema pode-se concluir que o uso inadequado ou não uso dos EPI’s pode expor os profissionais da radiologia a doses de radiação desnecessárias. Tal fato pode ocasionar efeitos prejudiciais moleculares e/ou celulares que se manifestam de forma imediata ou tardia.

Todo profissional habilitado deve possuir o conhecimento e fazer uso das medidas de segurança para que os procedimentos possam ser realizados de forma a minimizar a exposição à radiação sem afetar significativamente a qualidade da imagem. Para tanto, os EPI’s devem estar com sua garantia assegurada, amplamente disponíveis e devem ser utilizados durante todo o tempo que o profissional estiver em área controlada de acordo com a legislação vigente.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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1 Discente do 5º semestre do Curso Superior de Tecnologia em Radiologia no Centro Universitário Lusíada – UNILUS. E-mail: [email protected]