A INFLUÊNCIA DA PARTICIPAÇÃO FAMILIAR NA AVALIAÇÃO DA APRENDIZAGEM EM MATEMÁTICA NOS ANOS INICIAIS: UM ESTUDO DE CASO
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REGISTRO DOI: 10.5281/zenodo.18776283
Natali de Souza Holanda1
Magno de Souza Holanda2
RESUMO
A presente pesquisa tem como objetivo analisar a influência da participação da família no processo de avaliação da aprendizagem em matemática nos anos iniciais do ensino fundamental, tomando como referência teórico-metodológica a tese de Holanda (2023). O estudo adotou uma abordagem qualitativa, configurando-se como um estudo de caso realizado com alunos do 3º ano do Ensino Fundamental da Escola Municipal Santa Luzia, situada no município de Macaíba/RN. A metodologia empregada, alinhada aos procedimentos apresentados por Holanda (2023), envolveu entrevistas semiestruturadas com pais, professores e equipe gestora, além de aplicação de questionários e observações em sala de aula. Os resultados, em consonância com as evidências apontadas na tese de base, demonstraram que o envolvimento da família exerce impacto significativo no desempenho dos estudantes, especialmente na disciplina de matemática. Observou-se que, nas avaliações realizadas com a participação ativa dos pais, os estudantes alcançaram índices de acertos entre 95% e 100%, enquanto nas situações em que os responsáveis não estiveram presentes, o desempenho variou de 20% a 50%. Tais dados reafirmam a conclusão de Holanda (2023) ao destacar o papel essencial da família como parceira no processo educativo e no fortalecimento das práticas avaliativas. Diante desse cenário, conclui-se que o engajamento familiar não apenas favorece melhores resultados acadêmicos, mas também contribui para a formação integral da criança, promovendo um ambiente escolar mais colaborativo, inclusivo e motivador à aprendizagem. Nesse sentido, reforça-se a importância de ações pedagógicas que estimulem a aproximação entre escola e família, de modo a consolidar práticas avaliativas mais efetivas e participativas.
Palavras-chave: Avaliação familiar. Ensino fundamental. Participação dos pais. Rendimento escolar. Matemática.
ABSTRACT
This study aims to analyze the influence of family participation in the assessment process of mathematics learning in the early years of elementary education, based on the doctoral thesis by Holanda (2023). The research adopted a qualitative approach, configured as a case study conducted with 3rd-grade students from Escola Municipal Santa Luzia, located in the municipality of Macaíba/RN, Brazil. The methodology, aligned with the procedures presented by Holanda (2023), included semi-structured interviews with parents, teachers, and the school management team, as well as questionnaires and classroom observations. The results, consistent with the findings of the referenced thesis, revealed that family involvement has a significant impact on students’ academic performance, particularly in mathematics. It was observed that in assessments conducted with active parental participation, students achieved accuracy rates between 95% and 100%, whereas in the absence of family involvement, performance dropped to 20%–50%. These findings reinforce Holanda’s (2023) conclusion that the family plays a fundamental role as a partner in the educational process and in strengthening assessment practices. Therefore, it is concluded that family engagement not only enhances academic outcomes but also contributes to the student’s holistic development, fostering a more collaborative and motivating learning environment. In this regard, it is essential to implement pedagogical practices that promote stronger connections between school and family, thus consolidating more effective and participatory assessment processes..
Keywords: Family assessment. Elementary education. Parental involvement. Academic performance. Mathematics.
INTRODUÇÃO
A avaliação da aprendizagem constitui um eixo central no processo educativo, pois permite ao professor identificar as potencialidades e dificuldades dos alunos, possibilitando o planejamento de estratégias pedagógicas mais eficazes. Entretanto, quando essa avaliação é limitada ao espaço escolar, corre-se o risco de desconsiderar fatores externos que exercem influência direta sobre o desempenho acadêmico, entre eles, o ambiente familiar. A família, enquanto primeira instituição de socialização do indivíduo, exerce papel essencial na formação educacional, afetiva e social dos estudantes, sendo corresponsável pela construção de saberes, valores e atitudes que sustentam o processo de aprendizagem ao longo da vida.
Pesquisas contemporâneas têm enfatizado a relevância da presença familiar no contexto escolar como elemento determinante para o sucesso acadêmico. Costa e Souza (2019) e André e Barboza (2018) destacam que a participação ativa da família contribui não apenas para o aumento do rendimento escolar, mas também para o fortalecimento de vínculos afetivos entre escola e comunidade, a promoção da responsabilidade compartilhada e a ampliação da motivação discente. Apesar disso, observa-se na prática cotidiana uma distância considerável entre as ações institucionais e o envolvimento efetivo dos pais, especialmente no que se refere às práticas avaliativas, que muitas vezes permanecem restritas ao olhar docente e desprovidas de um diálogo mais amplo com o núcleo familiar.
Nesse cenário, a avaliação da aprendizagem em matemática nos anos iniciais do ensino fundamental emerge como um campo fecundo para investigar o papel da família na construção de aprendizagens significativas. A matemática, por demandar raciocínio lógico, abstração e capacidade de resolver problemas, frequentemente se apresenta como um desafio para os estudantes, podendo gerar insegurança e ansiedade. O acompanhamento familiar, nesse sentido, pode atuar como um fator mediador, oferecendo suporte emocional, incentivo e reforço positivo que potencializam o desempenho e a autoconfiança dos alunos.
Diante dessas considerações, o presente artigo tem como objetivo analisar de que forma a participação da família no processo de avaliação da aprendizagem em matemática influencia a compreensão, o engajamento e o desempenho dos alunos nos anos iniciais do ensino fundamental. Para tanto, baseia-se em um estudo de caso desenvolvido em uma escola pública do município de Macaíba/RN, tomando como referência teórico-metodológica a tese de Holanda (2023), que discute a relação entre educação matemática, avaliação e práticas colaborativas no ambiente escolar.
1. A PARTICIPAÇÃO DA FAMÍLIA NO PROCESSO AVALIATIVO: PERSPECTIVAS TEÓRICAS E IMPLICAÇÕES PARA A APRENDIZAGEM MATEMÁTICA
A participação da família no processo educacional é amplamente reconhecida como um fator determinante para o desenvolvimento integral do aluno e para a melhoria dos resultados de aprendizagem. No contexto da avaliação escolar, esse envolvimento adquire uma dimensão ainda mais significativa, uma vez que permite integrar aspectos afetivos, sociais e cognitivos ao acompanhamento do desempenho acadêmico. A avaliação da aprendizagem, sobretudo em disciplinas como a matemática, não deve ser entendida apenas como uma ferramenta de mensuração de conteúdos, mas como um processo pedagógico contínuo, que se enriquece com a colaboração entre escola e família.
A literatura especializada aponta que o apoio familiar influencia diretamente o rendimento escolar, a motivação dos alunos e sua relação com os conteúdos ensinados, destacando a importância de práticas avaliativas que envolvam os responsáveis no cotidiano escolar. Nesse sentido, compreender as bases teóricas que sustentam essa relação é fundamental para analisar como a presença e o envolvimento dos pais podem potencializar a aprendizagem dos estudantes nos anos iniciais do ensino fundamental.
Este capítulo, portanto, tem como objetivo apresentar um panorama teórico sobre a participação da família na aprendizagem escolar, com ênfase no processo de avaliação, especialmente no ensino de matemática. Serão discutidas as principais contribuições de autores que abordam a importância do envolvimento familiar na educação, bem como as práticas e estratégias que favorecem uma avaliação mais colaborativa e integrada entre escola e família.
1.1. A Participação da Família na Aprendizagem Escolar
A família é o primeiro espaço de socialização da criança, sendo responsável por transmitir valores, normas e práticas culturais que moldam sua visão de mundo e seu desenvolvimento pessoal. Segundo Costa e Souza (2019), o ambiente familiar oferece o suporte emocional e estrutural necessário para que a criança desenvolva suas habilidades cognitivas, sociais e afetivas, o que se reflete diretamente em seu desempenho escolar. Assim, a atuação da família não deve se restringir ao cuidado básico, mas incluir também o acompanhamento do processo educacional.
Diversas pesquisas apontam que o envolvimento dos pais na vida escolar dos filhos está associado a melhores resultados acadêmicos. André e Barboza (2018) ressaltam que a participação ativa da família no cotidiano escolar é capaz de promover um ambiente favorável à aprendizagem, aumentando a motivação dos alunos e sua autoestima. Além disso, esse envolvimento estimula o senso de responsabilidade e compromisso com os estudos.
Entretanto, a interação entre escola e família ainda enfrenta obstáculos consideráveis, como a falta de canais de comunicação eficientes, a ausência de uma cultura de participação ativa e as dificuldades socioeconômicas que limitam o tempo e os recursos disponíveis dos pais. Souza et al. (2020) e Frota et al. (2020) evidenciam que essa distância entre família e escola contribui para o agravamento das dificuldades de aprendizagem, a indisciplina e, em casos mais graves, a evasão escolar.
No contexto da educação pública brasileira, essas dificuldades são potencializadas por desigualdades sociais que afetam diretamente a capacidade das famílias de se envolverem nas atividades escolares. Muitas vezes, a falta de escolarização dos próprios pais e as condições de trabalho precárias limitam sua atuação no processo educativo dos filhos. Assim, torna-se fundamental que a escola desenvolva estratégias para aproximar a família do ambiente escolar.
A construção de uma relação de parceria entre escola e família é apontada por Epstein (2001) como essencial para o sucesso educacional. Seu modelo de envolvimento parental propõe uma atuação conjunta, em que pais, escola e comunidade compartilham responsabilidades no processo de aprendizagem. Essa abordagem amplia as possibilidades de apoio ao aluno, integrando diferentes esferas da vida social.
Além do apoio nas tarefas escolares, a participação familiar deve ser compreendida em uma perspectiva mais ampla, que inclua o desenvolvimento de hábitos de estudo, a valorização da educação e o incentivo à curiosidade e ao pensamento crítico. Nesse sentido, a atuação dos pais deve ir além do cumprimento de obrigações formais, envolvendo-se de maneira afetiva e significativa no processo educativo.
A formação de uma cultura de participação ativa demanda esforços conjuntos de escola e família, com ações intencionais que promovam o diálogo, a escuta e o respeito mútuo. É necessário que a escola crie espaços de escuta ativa para os pais, oferecendo-lhes informações claras sobre o processo de ensino-aprendizagem e valorizando suas contribuições.
A valorização da participação dos pais nas decisões pedagógicas e no acompanhamento das atividades escolares fortalece o sentimento de pertencimento e corresponsabilidade, impactando positivamente no desempenho dos alunos. Essa parceria contribui para a construção de um ambiente escolar mais acolhedor e humanizado, onde o aluno se sente apoiado em todas as esferas de sua vida.
Por fim, é imprescindível que as políticas públicas de educação considerem a família como um agente ativo no processo educativo, oferecendo suporte para a implementação de práticas que favoreçam a participação familiar. A construção de uma educação de qualidade passa, necessariamente, pela valorização e integração da família nas ações pedagógicas e nas práticas de avaliação da aprendizagem.
1.2. A Família no Processo de Avaliação da Aprendizagem
A avaliação da aprendizagem, tradicionalmente restrita à verificação do desempenho escolar por meio de provas e testes, tem sido repensada à luz de concepções mais integradoras e formativas. Nesse contexto, a participação da família emerge como um elemento crucial para ampliar a visão sobre o processo avaliativo, incorporando aspectos emocionais, sociais e culturais que impactam o desenvolvimento dos alunos. Conforme Esteves e Ribeiro (2016), a avaliação não deve ser vista como um fim em si mesma, mas como uma ferramenta de diagnóstico e acompanhamento, cujo sucesso depende da colaboração entre escola e família.
A inclusão da família no processo de avaliação da aprendizagem permite uma compreensão mais holística do estudante, superando a perspectiva meramente quantitativa dos resultados escolares. Quando a escola estabelece um canal de diálogo efetivo com os pais, torna-se possível identificar fatores externos que influenciam o desempenho acadêmico, como questões emocionais, dificuldades de rotina familiar, ou mesmo desafios relacionados ao ambiente domiciliar de estudos. Essa aproximação favorece a construção de estratégias pedagógicas mais assertivas. Szymanski (2003) enfatiza que:
Em geral, a participação dos pais deve se concretizar no apoio à atuação pedagógica escolar. Isso significa oferecer à escola o suporte necessário para que a educação escolar resulte da coordenação e coerência entre as ações dos professores e da família. Por parte da escola, essa participação dos pais deve ser considerada no próprio planejamento das tarefas dos professores (Szymanski, 2003, p. 77).
O envolvimento dos pais nas práticas avaliativas não significa transferir-lhes a responsabilidade da avaliação, mas, sim, reconhecer seu papel como coeducadores. Essa parceria potencializa o processo de ensino-aprendizagem ao alinhar as expectativas da escola com as da família, criando um ambiente de suporte mútuo. Ramos e Fonseca (2015) destacam que essa integração fortalece a autoestima dos alunos e aumenta seu engajamento nas atividades escolares, sobretudo em disciplinas tradicionalmente vistas como desafiadoras, como a matemática.
Na prática, a participação familiar no processo de avaliação pode se manifestar de diversas formas: reuniões pedagógicas com foco no desenvolvimento do aluno, devolutivas individualizadas de avaliações, participação em atividades de apoio escolar, além de ações conjuntas de reflexão sobre os avanços e desafios do estudante. Tais práticas contribuem para a formação de uma rede de apoio que envolve escola, família e comunidade, ampliando o impacto positivo sobre o processo educativo.
A avaliação formativa, por exemplo, se beneficia diretamente da colaboração familiar. Por ser um processo contínuo, que busca identificar as necessidades de aprendizagem ao longo do percurso escolar, a avaliação formativa ganha em qualidade quando incorpora as observações e percepções dos responsáveis sobre o comportamento e a evolução dos alunos em casa. Essa troca de informações possibilita intervenções pedagógicas mais precisas e contextualizadas.
Outro aspecto relevante é a função da família como mediadora entre a escola e o aluno. Muitas vezes, a interpretação dos resultados de uma avaliação e a elaboração de estratégias de superação de dificuldades são mais efetivas quando realizadas em parceria com os pais, que conhecem as particularidades de seus filhos e podem oferecer insights valiosos para o planejamento pedagógico. Essa mediação fortalece o vínculo entre o aluno e o processo de aprendizagem, promovendo uma relação mais positiva com a escola.
Entretanto, para que a participação familiar no processo de avaliação seja efetiva, é necessário que a escola desenvolva uma cultura de acolhimento e valorização dos pais, reconhecendo-os como parceiros no desenvolvimento dos estudantes. Isso implica a superação de práticas burocráticas e distanciadas, substituindo-as por ações que promovam a escuta ativa, o respeito às diversidades culturais e a construção de uma relação de confiança mútua.
A formação continuada dos professores também é um fator determinante para o sucesso dessa parceria. É fundamental que os educadores estejam preparados para dialogar com as famílias, compreendendo suas realidades e promovendo uma comunicação assertiva e empática. A capacitação docente deve incluir estratégias de avaliação colaborativa, abordando a importância do envolvimento familiar no acompanhamento do processo de ensino-aprendizagem.
Por fim, as políticas públicas de educação devem contemplar a participação da família como um eixo estruturante das práticas avaliativas, incentivando a implementação de programas e projetos que promovam essa integração. A construção de uma avaliação democrática e inclusiva, que valorize a diversidade dos sujeitos e seus contextos, passa necessariamente pelo reconhecimento da família como agente ativo no processo educativo. Assim, a avaliação da aprendizagem deixa de ser um processo isolado e passa a ser um instrumento de transformação social, capaz de promover uma educação mais humanizada e efetiva.
2. METODOLOGIA
A pesquisa desenvolvida por Holanda (2023) adotou uma abordagem qualitativa, com delineamento de estudo de caso, tendo como foco a análise da participação familiar no processo de avaliação da aprendizagem em matemática nos anos iniciais do ensino fundamental. Essa escolha metodológica se justifica pela necessidade de compreender em profundidade as percepções, práticas e impactos do envolvimento familiar no contexto escolar, considerando as especificidades de uma realidade local.
Optou-se por uma pesquisa de natureza descritiva e exploratória, uma vez que buscou-se descrever e interpretar as práticas de avaliação desenvolvidas em parceria com a família, bem como explorar as percepções dos diversos atores envolvidos – pais, professores e equipe gestora. A abordagem qualitativa permitiu captar as nuances e subjetividades do fenômeno estudado, proporcionando uma análise contextualizada e reflexiva sobre o tema.
O estudo foi realizado na Escola Municipal Santa Luzia, localizada no município de Macaíba, estado do Rio Grande do Norte. Trata-se de uma instituição pública de ensino fundamental que atende estudantes em sua maioria oriundos de famílias de baixa renda. A escolha dessa escola se deu pela sua representatividade enquanto espaço educativo que enfrenta desafios comuns às redes públicas brasileiras, especialmente no que tange à participação familiar e à aprendizagem de matemática nos anos iniciais.
A amostra foi composta por 24 alunos do 3º ano do ensino fundamental, de ambos os sexos, 2 professores, 2 membros da equipe gestora da escola (diretor e coordenador pedagógico) e 10 pais e/ou responsáveis legais pelos estudantes. A seleção dos participantes se deu de forma intencional, considerando a disponibilidade e o envolvimento com as atividades propostas no estudo. Os critérios de inclusão contemplaram alunos regularmente matriculados e responsáveis que demonstrassem interesse em participar das ações de avaliação integradas à pesquisa.
A coleta de dados foi realizada por meio de entrevistas semiestruturadas com os pais e responsáveis, aplicação de questionários, observações em sala de aula e análise de documentos escolares. Além disso, foram aplicadas avaliações diagnósticas com e sem a presença dos pais, a fim de verificar possíveis variações no desempenho dos alunos. As entrevistas com professores e equipe gestora buscaram compreender a percepção desses profissionais sobre o papel da família no processo avaliativo.
As etapas de coleta de dados incluíram:
Levantamento do perfil dos alunos e seus responsáveis;
Aplicação de avaliações diagnósticas em matemática sem a presença dos pais;
Reaplicação das avaliações com a presença dos pais em sala de aula;
Registro e análise do desempenho dos alunos em ambas as situações;
Entrevistas com pais, professores e gestores para compreender suas percepções sobre o processo.
Os dados coletados foram analisados por meio da técnica de Análise de Conteúdo, conforme proposta por Bardin (2016), permitindo a categorização das informações em temas relevantes para a compreensão do objeto de estudo. As respostas das entrevistas e questionários foram organizadas em categorias analíticas, buscando identificar padrões, recorrências e singularidades nas falas dos participantes. Os dados quantitativos obtidos nas avaliações diagnósticas foram tratados de forma descritiva, com a apresentação de frequências e percentuais, de modo a complementar a análise qualitativa.
A pesquisa seguiu rigorosamente os princípios éticos previstos na Resolução nº 510/2016 do Conselho Nacional de Saúde. Todos os participantes foram informados sobre os objetivos do estudo, garantindo o sigilo e a confidencialidade das informações. A participação foi voluntária, mediante assinatura do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE) pelos responsáveis legais. O projeto foi aprovado pela direção da escola e seguiu as normas institucionais para pesquisa com seres humanos.
3. ANÁLISES E DISCUSSÕES
Os resultados obtidos na pesquisa de Holanda (2023) revelaram de forma expressiva a influência da participação familiar no desempenho dos alunos nas avaliações de matemática. As avaliações diagnósticas aplicadas com a presença dos pais mostraram índices de acertos que variaram entre 95% e 100%, enquanto as mesmas atividades, realizadas sem a presença dos responsáveis, apresentaram um desempenho significativamente inferior, com acertos variando entre 20% e 50%.
Esse dado corrobora a literatura que destaca o impacto positivo do envolvimento familiar na aprendizagem escolar. Segundo Costa e Souza (2019), o apoio dos pais atua como um fator motivador, oferecendo segurança emocional e reforço positivo, especialmente em disciplinas que geram maior ansiedade nos alunos, como a matemática. O acompanhamento familiar durante o processo avaliativo foi percebido como um elemento facilitador, capaz de diminuir a tensão dos alunos e aumentar sua autoconfiança.
As entrevistas com os pais revelaram que muitos desconheciam a importância do seu papel no processo de avaliação da aprendizagem. Para a maioria, a participação se limitava ao acompanhamento de notas e à presença em reuniões escolares esporádicas. No entanto, ao serem inseridos nas atividades avaliativas, relataram perceber uma mudança significativa no comportamento e na postura dos filhos diante dos desafios matemáticos.
Esses relatos vão ao encontro do que defendem Epstein (2001) e Esteves e Ribeiro (2016), para quem a avaliação deve ser concebida como um processo colaborativo, no qual a família tem um papel ativo e não apenas observador. A aproximação dos pais ao ambiente escolar durante as avaliações permitiu uma nova compreensão sobre as dificuldades e potencialidades dos filhos, fortalecendo o vínculo entre família e escola.
Do ponto de vista dos professores, a participação da família no processo avaliativo foi vista como uma prática enriquecedora, mas ainda pouco explorada nas rotinas escolares. Relataram que, em geral, a avaliação é tratada como uma atividade interna da escola, sem a devida mediação com os pais. No entanto, observaram que, nas atividades em que os pais participaram, houve uma mudança perceptível no comportamento dos alunos, que se mostraram mais atentos, motivados e seguros.
A equipe gestora da escola destacou a necessidade de políticas institucionais que incentivem e sistematizem a participação dos pais nas práticas avaliativas. Sugeriram que a inclusão dos responsáveis em momentos-chave do processo de avaliação poderia ser uma estratégia para melhorar o desempenho dos alunos e fortalecer a parceria escola-família.
Apesar dos resultados positivos, a pesquisa também identificou algumas barreiras que dificultam a participação efetiva da família no processo de avaliação. Entre os fatores mais citados pelos pais estão a falta de tempo, em função da jornada de trabalho, e o desconhecimento sobre como contribuir de forma eficaz com o processo de aprendizagem dos filhos. Tais obstáculos são amplamente discutidos na literatura, como apontam Frota et al. (2020), que evidenciam as desigualdades socioeconômicas como um dos principais entraves para o envolvimento familiar.
Para superar essas barreiras, a escola precisa desenvolver estratégias que promovam uma cultura de participação mais acessível, com atividades que contemplem a realidade das famílias, como reuniões em horários alternativos, utilização de tecnologias para comunicação e criação de espaços de escuta ativa. De acordo com Guimarães et al. (2019):
As TICs (tecnologias de informação e comunicação) servem de auxílio ao estudo e facilitam a aprendizagem, trazendo o conhecimento de forma mais estruturada. Estudar e usar as tecnologias de informação, transformando o que é complicado em algo útil, prático e dinâmico, além de ser mais criativo, é estimulante (Guimarães et al., 2019, p.3).
A fala de Guimarães et al. (2019) destaca a relevância das Tecnologias de Informação e Comunicação (TICs) como ferramentas que potencializam o processo de aprendizagem, ao proporcionar uma mediação mais estruturada e acessível ao conhecimento. Ao transformar conteúdos complexos em formas práticas, dinâmicas e criativas, as TICs não apenas facilitam a compreensão, mas também tornam o ato de aprender mais atrativo e estimulante para os estudantes. Essa abordagem vai ao encontro das demandas da sociedade contemporânea, que exige habilidades digitais e uma aprendizagem mais ativa, conectada com a realidade dos alunos. O uso das TICs, portanto, não se limita ao simples acesso à informação, mas amplia as possibilidades de interação, experimentação e construção do saber, promovendo um ambiente de aprendizagem mais significativo e alinhado às novas práticas educacionais.
A avaliação diagnóstica, quando realizada com a participação da família, se mostrou uma ferramenta eficaz para identificar lacunas no processo de aprendizagem e planejar intervenções pedagógicas mais assertivas. A interação entre pais e filhos durante as atividades avaliativas permitiu aos professores uma leitura mais ampla das dificuldades enfrentadas pelos alunos, possibilitando a construção de estratégias pedagógicas individualizadas.
Alves e Oliveira (2022) afirmam que a avaliação diagnóstica deve ser contínua e participativa, envolvendo todos os atores do processo educativo. A pesquisa demonstrou que a inclusão dos pais nesse processo não apenas ampliou a compreensão das dificuldades dos alunos, como também contribuiu para o desenvolvimento de um ambiente de aprendizagem mais colaborativo.
Observou-se que a presença dos pais durante as avaliações impactou diretamente a atitude dos alunos em sala de aula. Os estudantes demonstraram maior concentração, disposição para resolver as atividades e autoconfiança. Esse comportamento foi atribuído à segurança proporcionada pelo apoio emocional dos responsáveis, o que reduziu a ansiedade diante das tarefas propostas.
De acordo com Lima (2022), um ambiente familiar estável e participativo favorece o desenvolvimento de uma postura mais positiva em relação à escola e à aprendizagem, refletindo em melhores resultados acadêmicos. A pesquisa evidenciou que a simples presença dos pais foi capaz de transformar o ambiente avaliativo em uma experiência mais acolhedora e menos estressante para os alunos.
A pesquisa apontou que a prática pedagógica, ao incluir a família no processo avaliativo, torna-se mais eficiente e significativa. A colaboração entre professores e pais permite uma melhor compreensão do processo de aprendizagem, facilitando a identificação de estratégias de ensino que atendam às necessidades específicas de cada aluno. Isso implica uma reconfiguração das práticas escolares, que precisam ser mais abertas e dialógicas.
Cardona et al. (2021) ressaltam que a prática avaliativa deve ser vista como um processo de mediação pedagógica, e não apenas como um instrumento de verificação de resultados. A pesquisa reforça essa perspectiva, ao evidenciar que a participação familiar potencializa a eficácia das avaliações, tornando-as momentos de aprendizagem e desenvolvimento, e não apenas de mensuração de desempenho.
Os achados deste estudo dialogam com a produção acadêmica que destaca a importância do envolvimento familiar na aprendizagem e no processo avaliativo. Estudos de Souza et al. (2020), Pinheiro et al. (2022) e Chiqueto (2020) reforçam que a ausência de participação familiar é um fator que contribui para o baixo desempenho escolar e para a dificuldade de superação de desafios na aprendizagem de matemática. A presente pesquisa confirma essa relação, evidenciando que a aproximação da família ao processo avaliativo tem um impacto direto e positivo sobre o desempenho dos alunos.
Com base nos resultados obtidos, recomenda-se que a escola desenvolva políticas internas que incentivem a participação familiar no processo de avaliação. Isso inclui a realização de encontros pedagógicos voltados para a orientação dos pais sobre como acompanhar e apoiar as atividades escolares, a inclusão de momentos de avaliação com a presença dos responsáveis e a promoção de canais de comunicação mais eficientes entre escola e família.
Essas ações devem ser pensadas de forma contextualizada, respeitando as especificidades da comunidade escolar, e buscando criar um ambiente de parceria e corresponsabilidade. A construção de uma cultura de participação familiar demanda um esforço conjunto de gestores, professores e famílias, com o objetivo de fortalecer o processo educativo e melhorar os resultados de aprendizagem.
4. CONSIDERAÇÕES FINAIS
O estudo de Holanda (2023) evidencia que a participação da família constitui um dos pilares fundamentais para o êxito no processo de avaliação da aprendizagem em matemática nos anos iniciais do ensino fundamental. A partir dessa base teórica e metodológica, a presente pesquisa confirmou que o envolvimento familiar influencia de maneira direta e significativa o desempenho acadêmico, a motivação para aprender e a construção de uma relação mais positiva com a disciplina. Ao aproximar pais e filhos das práticas avaliativas, a escola promove não apenas melhores resultados quantitativos, mas também um ambiente emocionalmente mais estável e propício à aprendizagem.
Os resultados obtidos, em consonância com as conclusões de Holanda (2023), demonstraram que os alunos que contaram com a presença e o acompanhamento dos pais durante as avaliações apresentaram um desempenho superior àqueles que participaram das atividades sem essa interação. Esse achado reforça o entendimento de que a família deve ser vista como coautora no processo educativo, atuando não apenas no suporte às tarefas escolares, mas como parceira ativa no acompanhamento do desenvolvimento cognitivo e socioemocional da criança.
Além da melhora no desempenho acadêmico, a pesquisa revelou ganhos expressivos no campo afetivo e comportamental. A presença dos pais nas atividades avaliativas contribuiu para o fortalecimento da autoconfiança, da perseverança e da capacidade dos alunos de enfrentarem desafios, aspectos amplamente discutidos por Holanda (2023) em sua tese. O ambiente mais acolhedor e seguro, proporcionado pela interação familiar, reduziu significativamente os níveis de ansiedade e favoreceu o engajamento e a concentração dos estudantes.
Contudo, também se observaram barreiras que dificultam o envolvimento familiar de forma contínua e efetiva, entre elas as condições socioeconômicas adversas, a falta de tempo dos responsáveis e o desconhecimento acerca de estratégias adequadas de apoio à aprendizagem. Esses fatores apontam para a necessidade urgente de políticas e práticas escolares que promovam a inclusão e a corresponsabilidade, respeitando as particularidades de cada comunidade educativa.
Nesse sentido, recomenda-se que as escolas fortaleçam os vínculos com as famílias por meio de ações formativas, reuniões pedagógicas participativas e canais de comunicação acessíveis, inclusive digitais, que facilitem o diálogo e o acompanhamento do percurso escolar dos alunos. A formação continuada dos professores desponta como elemento central nesse processo, uma vez que o educador precisa estar preparado para dialogar com as famílias, compreender suas realidades e construir relações de confiança mútua.
Do ponto de vista das políticas públicas, torna-se imprescindível que os sistemas de ensino reconheçam e institucionalizem a participação familiar como eixo estruturante das práticas avaliativas e pedagógicas. A criação de programas de incentivo à corresponsabilidade educacional, conforme defendido por Holanda (2023), pode contribuir para uma educação mais democrática, inclusiva e equitativa, assegurando que o processo de avaliação da aprendizagem seja compreendido como um esforço coletivo e não apenas como um instrumento de mensuração individual.
Por fim, reconhece-se que este estudo, por se tratar de um estudo de caso localizado, apresenta limitações quanto à generalização dos resultados. No entanto, os achados aqui apresentados oferecem subsídios relevantes para reflexões e práticas em contextos semelhantes, podendo inspirar futuras investigações sobre o papel da família na aprendizagem escolar.
Conclui-se, portanto, à luz das evidências apresentadas por Holanda (2023) e pelos dados empíricos deste trabalho, que a participação familiar é um fator determinante para o sucesso escolar e para a formação integral do aluno. Ao integrar escola e família em uma relação de parceria, diálogo e corresponsabilidade, torna-se possível construir práticas avaliativas mais humanas, reflexivas e significativas, capazes de promover não apenas o aprendizado matemático, mas também o desenvolvimento de cidadãos críticos, autônomos e conscientes de seu papel na sociedade contemporânea.
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1 Doutoranda em Ciências da Educação pela Universidad de la Integración de las Américas – UNIDA.
2 Doutor em Ciências da Educação pela Universidad de la Integración de las Américas – UNIDA.