REGISTRO DOI: 10.70773/revistatopicos/778435085
RESUMO
O objetivo deste artigo é investigar a influência da formação profissional nos desafios cotidianos dos professores da educação de jovens e adultos. A importância desse tipo de investigação deve-se ao fato de que são múltiplas as dificuldades que esses professores enfrentam em seu cotidiano para levar o conhecimento a estudantes jovens e adultos que estão em busca de formação básica. A realidade dos professores dessa modalidade de educação é complexa, visto que não há uma formação inicial específica para o ensino na modalidade educação de jovens e adultos. Tal aspecto torna o cotidiano pedagógico do professor um desafio diário no que se refere às necessidades educativas desses alunos. Por isso, buscou-se conhecer as experiências de professores para a prática pedagógica na educação de jovens e adultos e também como ocorre a formação desses professores. A pesquisa foi realizada por meio de revisão bibliográfica e entrevista com seis professores que atuam nos últimos dez anos na educação de jovens e adultos em escolas públicas e particulares da cidade de Araguari, Minas Gerais, com a finalidade de analisar sobre a formação inicial e a formação continuada desses professores. Portanto, diante dos desafios enfrentados diariamente pelos professores da educação de jovens e adultos, vê-se a necessidade de uma formação específica para atender as demandas desses estudantes.
Palavras-chave: formação profissional; professores; educação de jovens e adultos; desafios cotidianos.
ABSTRACT
The objective of this article is to investigate the influence of professional training on the daily challenges faced by teachers in youth and adult education. The importance of this type of investigation stems from the multiple difficulties these teachers face in their daily work to impart knowledge to young and adult students seeking basic education. The reality for teachers in this educational modality is complex, given the lack of specific initial training for teaching in youth and adult education. This aspect makes the teacher's daily pedagogical work a daily challenge in terms of the educational needs of these students. Therefore, this study sought to understand the experiences of teachers in pedagogical practice in youth and adult education, as well as how their training occurs. The research was conducted through a literature review and interviews with six teachers who have worked in youth and adult education in public and private schools in the city of Araguari, Minas Gerais, for the past ten years, with the aim of analyzing their initial and continuing education. Therefore, given the challenges faced daily by teachers in youth and adult education, there is a need for specific training to meet the demands of these students.
Keywords: professional training; teachers; youth and adult education; daily challenges.
RESUMEN
El objetivo de este artículo es investigar la influencia de la formación profesional en los desafíos cotidianos de los docentes de educación de jóvenes y adultos. La importancia de este tipo de investigaciones se debe a que son múltiples las dificultades que enfrentan estos docentes en su día a día para acercar conocimientos a estudiantes jóvenes y adultos que buscan una formación básica. La realidad de los docentes en este tipo de educación es compleja, pues no existe una formación inicial específica para la docencia en la modalidad educación de jóvenes y adultos. Este aspecto hace que el desafío pedagógico diario del docente sea un desafío diario en cuanto a las necesidades educativas de estos estudiantes. Por lo tanto, buscamos comprender las experiencias de los docentes para la práctica pedagógica en la educación de jóvenes y adultos y también cómo se forman estos docentes. La investigación se realizó a través de una revisión bibliográfica y entrevistas a seis docentes que actuaron durante más de diez años en la educación de jóvenes y adultos en escuelas públicas y privadas de la ciudad de Araguari, Minas Gerais, con el objetivo de analizar la situación inicial. y la formación continua de estos docentes. Por lo tanto, dados los desafíos que enfrentan diariamente los profesores de educación de jóvenes y adultos, surge la necesidad de una formación específica para satisfacer las demandas de estos estudiantes.
Palabras-clave: formación profesional, docentes, educación de jóvenes y adultos, desafíos cotidianos.
ABSTRACT
The objective of this article is to investigate the influence of professional training on the daily challenges of youth and adult education teachers. The importance of this type of investigation is due to the fact that there are multiple difficulties that these teachers face in their daily lives in bringing knowledge to young and adult students who are seeking basic training. The reality of teachers in this type of education is complex, as there is no specific initial training for teaching in the youth and adult education modality. This aspect makes the teacher's daily pedagogical challenge a daily challenge in terms of the educational needs of these students. Therefore, we sought to understand the experiences of teachers for pedagogical practice in the education of young people and adults and also how these teachers are trained. The research was carried out through a bibliographical review and interviews with six teachers who have worked for more than ten years in the education of young people and adults in public and private schools in the city of Araguari, Minas Gerais, with the purpose of analyzing initial and the continued training of these teachers. Therefore, given the challenges faced daily by youth and adult education teachers, there is a need for specific training to meet the demands of these students.
Keywords: professional training; teachers; youth and adult education; everyday challenges.
1. INTRODUÇÃO
A influência da formação profissional nos desafios cotidianos dos Professores da Educação de Jovens e Adultos (EJA) é um tema de extrema importância no cenário educacional atual. A formação profissional dos professores que atuam nessa modalidade de ensino pode fazer toda a diferença na maneira como lidam com os desafios do dia a dia.
A Educação de Jovens e Adultos é uma modalidade de ensino que possui características específicas e desafios próprios. Os alunos da Educação de Jovens e Adultos muitas vezes retornam à escola após longos anos afastados dos estudos, o que pode implicar em dificuldades de aprendizagem e de adaptação ao ambiente escolar. Além disso, muitos desses alunos possuem responsabilidades familiares e profissionais que demandam grande parte do seu tempo e energia.
Nesse contexto, os professores da Educação de Jovens e Adultos enfrentam desafios únicos, que exigem habilidades e competências específicas. A formação profissional desses educadores é essencial para que possam lidar de forma eficaz com as demandas dessa modalidade de ensino. Uma formação adequada pode preparar os professores para desenvolver estratégias pedagógicas que atendam às necessidades dos alunos da Educação de Jovens e Adultos, promovendo a inclusão e o sucesso escolar.
Além disso, a formação profissional dos professores da Educação de Jovens e Adultos Educação de Jovens e Adultos também pode contribuir para a sua própria valorização e motivação. Professores bem formados se sentem mais preparados para enfrentar os desafios do cotidiano escolar, o que pode refletir positivamente em sua prática pedagógica e no seu bem-estar profissional.
Porém, o que se observa é que há uma lacuna na formação inicial dos professores para a docência da educação de jovens e adultos. Além disso, não há políticas permanentes que garantam a formação continuada para professores dessa modalidade de educação no Brasil, mesmo que ela tenha sido contemplada na Lei de Diretrizes e Bases da Educação (Lei 9.394 de 1996).
Isso se deve ao fato de que, nos cursos de licenciatura não há uma formação para atuar na Educação de Jovens e Adultos e, quando há uma disciplina voltada para essa modalidade de educação, ela é apenas teórica e fragmentada, não apresentando metodologias de ensino para a educação de jovens e adultos.
Portanto, é fundamental que os professores da Educação de Jovens e Adultos recebam uma formação profissional de qualidade, que os prepare para os desafios específicos dessa modalidade de ensino. Investir na formação desses educadores é investir na qualidade da educação oferecida aos jovens e adultos que buscam a escolarização, contribuindo para a construção de uma sociedade mais justa e inclusiva.
Diante disso, a pergunta que orienta essa pesquisa é: Quais são as habilidades e competências dos Professores da Educação de Jovens e Adultos atuantes nos últimos 10 anos, no enfrentamento dos desafios dos cotidianos nas redes de ensino de Araguari/MG?
Para buscar uma resposta a essa pergunta, o objetivo desta pesquisa é investigar a influência da formação profissional nos desafios cotidianos dos Professores da Educação de Jovens e Adultos.
Para alcançar esse objetivo, a metodologia escolhida foi a pesquisa bibliográfica para dar fundamentação à entrevista realizada com seis professores que atuam há mais de dez anos na educação de jovens e adultos em escolas públicas e particulares da cidade de Araguari (MG).
2. FORMAÇÃO PROFISSIONAL DOS PROFESSORES DA EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS
O profissional de ensino de qualquer área, mas especialmente a educação de jovens e adultos (EJA), muitas vezes não possui formação inicial adequada. Portanto, é fundamental que ele adquira uma formação que vá além do conhecimento do conteúdo que leciona, compreendendo a sua importância como indivíduo na sociedade e o papel da escola na geração e compartilhamento de novos conhecimentos para o aluno jovem adulto que está em busca de aprendizado.
A construção da formação não se dá apenas pela acumulação de conhecimentos e técnicas, mas sim através de um trabalho constante reflexivo e crítico sobre as práticas e a constante proteção da identidade pessoal. Por isso, é fundamental valorizar e dar um estatuto ao conhecimento adquirido através da experiência. Esta formação consiste em atividades que oferecem para a melhoria da prática pedagógica, onde a interação entre teoria e prática é fundamental, mediada por diferentes saberes e sujeitos. Sobre isso, o Parecer CNE/CEB nº 11/2000 (Conselho Nacional de Educação/ Câmara de Educação Básica) traz que:
A exigência de uma formação específica para a EJA, a fim de que se resguarde o sentido primeiro do termo adequação (reiterado neste inciso) como um colocar-se em consonância com os termos de uma relação. No caso, trata-se de uma formação em vista de uma relação pedagógica com sujeitos, trabalhadores ou não, com marcadas experiências vitais que não podem ser ignoradas. E esta adequação tem como finalidade, dado o acesso à EJA, a permanência na escola via ensino com conteúdos trabalhados de modo diferenciado com métodos e tempos intencionados ao perfil deste estudante. Também o tratamento didático dos conteúdos e das práticas não pode se ausentar nem da especificidade da EJA e nem do caráter multidisciplinar e interdisciplinar dos componentes curriculares (BRASIL, 2000, p. 58).
Observa-se que, de acordo com o que traz o Parecer, para a atuação profissional na educação de jovens e adultos, é necessário que o professor tenha uma formação voltada para esse público, não podendo ser a mesma formação recebida para ensinar na educação básica comum. Mesmo porque, a formação profissional desempenha um papel crucial na capacitação dos professores da Educação de Jovens e Adultos. É através dela que os educadores adquirem as ferramentas necessárias para desenvolver estratégias de ensino adaptadas às necessidades específicas desse público, além de aprenderem a lidar com questões como a evasão escolar, a falta de motivação dos alunos e a diversidade cultural presente em suas turmas.
Por isso, a reflexão sobre a educação de jovens e adultos deve estar inserida em um campo que deve ser moldado por conexões de cooperação entre os variados atores que possuem tipos específicos de conhecimento. Esse deve ser um espaço de debates e de interesses nos quais se estabelecem relações dialógicas e, por consequência, um espaço dinâmico e em constante transformação, pois a formação inicial e continuada dos professores da Educação de Jovens e Adultos é o principal elemento para a qualidade do ensino e para a garantia do sucesso dos alunos.
Sobre a formação do professor, Bourdieu (2019, p. 89) explica que “a formação do professor refere-se aos diferentes espaços sociais que possuem objetos de disputas e interesses específicos e por isso mesmo são irredutíveis aos objetos de lutas e aos interesses próprios de outros campos”. Entretanto, o que se observa é que não há uma formação adequada para que os professores atuem na Educação de Jovens e Adultos, isso resulta no desenvolvimento de uma prática pedagógica deficiente e limitada que pode resultar no desinteresse dos alunos e levando à reprovação dos jovens e adultos, os quais podem evadir da escola devido ao fato de que a prática pedagógica dos professores não atenderem às suas necessidades educativas específicas.
Sendo assim, para atender as necessidades educativas desses alunos, é necessário pensar em uma formação para os professores que seja voltada para a revisão das práticas educativas da formação inicial e continuada desses professores, visto que a educação de jovens e adultos deve considerar tanto o contexto socioeconômico, político e cultural como as especificidades e as particularidades dos educandos dessa modalidade de educação. É nesse sentido que Moura (2004) afirma que a formação inicial e continuada dos professores é um direito que deve ser assegurado pelas políticas educacionais vigentes no Brasil. Mesmo porque, essas políticas devem proporcionar condições para a formação adequada de professores para a educação de jovens e adultos, a fim de contribuir para a qualidade da oferta da Educação de Jovens e Adultos e para a qualidade da educação.
Os jovens e adultos quando voltam a estudar, eles buscam uma escola que os auxiliem em seu percurso formativo e, para isso, é necessário que haja intervenções apropriadas por parte dos professores que possam ampliar seus conhecimentos, suas habilidades e ampliar suas experiências. É nesse aspecto que a formação continuada do professor da Educação de Jovens e Adultos deve focar, a fim de garantir um espaço educacional comprometido com saberes, metodologias e possibilidades que atendam as expectativas dos estudantes e os mantenham na escola.
De acordo com Soares e Pedroso (2016), mesmo que as diretrizes que tratam das instituições voltadas para os cursos de licenciaturas indiquem a necessidade da formação inicial e continuada de professores habilitados para a educação de jovens e adultos, tal necessidade não vem sendo cumprida. Diante desse cenário, a formação profissional dos professores da Educação de Jovens e Adultos tem sido um tema de extrema importância para garantir a qualidade do ensino oferecido a esse público. Afinal, os professores que atuam nessa modalidade precisam estar preparados para lidar com as especificidades e com os desafios que envolvem o ensino de jovens e adultos. Por isso, a formação profissional dos professores da Educação de Jovens e Adultos deve contemplar não apenas os aspectos pedagógicos, mas também a compreensão das particularidades do público atendido. É fundamental que os professores estejam atentos às necessidades e realidades dos alunos, buscando estratégias e metodologias que favoreçam a aprendizagem e a inclusão de todos.
Mesmo porque, a formação profissional do professor da Educação de Jovens e Adultos deve estar relacionada com a aquisição de conhecimentos fundamentais para esses estudantes e com capacidades práticas para o ensino a fim de concretizar sua práxis profissional. Além do mais, a formação profissional dos professores da Educação de Jovens e Adultos deve promover a reflexão sobre a prática docente, incentivando a busca constante por atualização e aprimoramento.
Os professores devem estar abertos ao diálogo e à troca de experiências, buscando sempre novas formas de atuar e de se relacionar com os alunos. Nesse sentido, Soares e Pedroso (2016, p. 256) afirmam que “a formação dos educadores tem se inserido na problemática mais ampla da instituição da EJA como um campo pedagógico específico que, desse modo, requer a profissionalização de seus agentes”. Por isso, é fundamental entender que a formação profissional dos professores da Educação de Jovens e Adultos não se encerra com a conclusão de um curso ou de uma especialização. Pelo contrário, trata-se de um processo contínuo e em constante evolução, que deve acompanhar as transformações sociais e educacionais.
Portanto, investir na formação profissional dos professores da Educação de Jovens e Adultos é fundamental para garantir a qualidade do ensino oferecido a esse público. Afinal, são eles os responsáveis por promover a educação e a transformação na vida de jovens e adultos que buscam a oportunidade de aprender e se desenvolver.
2.1. Importância da Formação Continuada para os Professores da Educação de Jovens e Adultos
O curso de licenciatura não significa que o professor tenha formação adequada para atuar na educação de jovens e adultos. A formação profissional do professor não finaliza na formação inicial, esta é somente uma etapa essencial que fornece orientações iniciais referentes ao trabalho que o professor desenvolverá na sua práxis pedagógica.
Essa formação deve ser seguida da formação continuada, visto que o conhecimento está em constante evolução e a aprendizagem do professor deve ser contínua em sua atuação profissional. A continuidade da formação do professor propicia seu desenvolvimento profissional e a qualidade do ensino, pois desenvolve suas competências pedagógicas, atualiza seus conhecimentos e práticas profissionais no seu contexto de atuação. Por isso, a formação continuada tem adquirido uma importância fundamental no campo educacional, tendo em vista as constantes transformações sociais e culturais pelas quais o mundo vem passando.
Diante desse contexto, a formação continuada tem sido uma exigência no campo profissional, especialmente na docência, por não se restringir somente aos conhecimentos já sistematizados, mas também aos conhecimentos que estão surgindo continuamente. A formação continuada não deve se resumir somente à prática ou ao conhecimento de teorias, não se trata de oferecer aos professores cursos de atualização, ela deve estar integrada ao cotidiano das escolas como uma ferramenta de fundamental para a profissionalização pedagógica. É importante ressaltar que a formação continuada dos professores da Educação de Jovens e Adultos não se resume apenas a cursos e workshops, mas também inclui a troca de experiências com outros profissionais, a participação em grupos de estudo e a reflexão constante sobre a prática pedagógica. Afinal, a educação é um processo dinâmico e em constante evolução, e os professores precisam estar sempre dispostos a se atualizar e a se reinventar.
Portanto, investir na formação continuada dos professores da Educação de Jovens e Adultos é investir na qualidade da educação oferecida a esse público tão importante. Afinal, são esses profissionais que têm o poder de transformar vidas, proporcionando oportunidades de aprendizado e crescimento a pessoas que muitas vezes foram excluídas do sistema educacional. E, para isso, é fundamental que esses professores estejam sempre em busca de aprimoramento e atualização, garantindo assim um ensino de qualidade e mais inclusivo para todos.
A formação continuada engloba todas as aprendizagens adquiridas pelos professores, seja em cursos, seminários, oficinas, congressos, simpósios, cursos de especialização, entre outros. Essas aprendizagens devem ser compartilhadas nas reuniões pedagógicas da escola a fim de que os professores possam buscar as melhores metodologias para o ensino dos alunos da Educação de Jovens e Adultos. Essa formação continuada desses professores é de extrema importância para garantir a qualidade do ensino oferecido a esse público tão especial, visto que a Educação de Jovens e Adultos atende pessoas que não tiveram a oportunidade de concluir seus estudos na idade adequada, seja por motivos pessoais, profissionais ou sociais. Por isso, a educação continuada desses professores deve ocorrer durante toda sua vida profissional; pois, de acordo com Haddad (2007, p. 27), a educação continuada:
É aquela que se realiza ao longo da vida, continuamente, é inerente ao desenvolvimento da pessoa humana e relaciona-se com a ideia de construção do ser. Abarca, de um lado, a aquisição de conhecimentos e aptidões e, de outro lado, atitudes e valores, implicando no aumento da capacidade de discernir e agir. Essa noção de educação envolve todos os universos da experiência humana, além dos sistemas escolares ou programas de educação não formal.
O significado da educação continuada, conforme o autor acima, envolve tanto o processo de formação humana, como o processo de crescimento e de realização pessoal, o que é característico ao desenvolvimento do ser humano e se relaciona com a construção humana. Mesmo porque, esse tipo de educação abrange tanto a aquisição de conhecimentos e de aptidões como de virtudes de atitudes e de valores, aumentando a capacidade de compreender e de atuar de acordo com as necessidades educativas dos estudantes.
A formação continuada do professor da Educação de Jovens e Adultos é fundamental porque esses professores enfrentam desafios excepcionais por lidarem com alunos que, na maioria das vezes, têm experiências de vida singulares, diferentes dos alunos de outras modalidades de educação, como a educação básica comum, por exemplo. Devido a essa especificidade é essencial que esses professores busquem sempre se atualizarem a fim de estarem preparados para satisfazer as necessidades intrínsecas dos estudantes da Educação de Jovens e Adultos. Sobre a importância da formação continuada dos professores, Freire (2019, p. 22) argumenta:
Por isso é que, na formação permanente dos professores, o momento fundamental é o da reflexão crítica sobre a prática. É pensando criticamente a prática de hoje ou de ontem que se pode melhorar a próxima prática. O próprio discurso teórico, necessário à reflexão crítica, tem de ser tal modo concreto que quase se confunde com a prática. O seu "distanciamento" epistemológico da prática enquanto objeto de sua análise e maior comunicabilidade exerce em torno da superação da ingenuidade pela rigorosidade.
A formação continuada dos professores da Educação de Jovens e Adultos permite que eles se aprimorem constantemente, adquirindo novas habilidades e conhecimentos que os ajudarão a desenvolver práticas pedagógicas mais eficazes. Além disso, essa formação também contribui para o fortalecimento da autoestima e da motivação dos professores, que se sentem mais confiantes e preparados para enfrentar os desafios do dia a dia.
Além disso, a formação contínua é fundamental para que o professor da Educação de Jovens e Adultos possa se manter atualizado e preparado para enfrentar os constantes desafios que surgem no dia a dia da sala de aula. Através de cursos, workshops e outras atividades de capacitação, os educadores podem aprimorar suas habilidades e desenvolver novas estratégias para melhorar o processo de ensino e aprendizagem.
Portanto, é inegável a influência da formação profissional nos desafios cotidianos dos professores da Educação de Jovens e Adultos. Investir na capacitação desses educadores é fundamental para garantir uma educação de qualidade para os alunos dessa modalidade de ensino, contribuindo para a formação de cidadãos críticos, autônomos e preparados para enfrentar os desafios do mundo contemporâneo.
3. DESAFIOS COTIDIANOS DOS PROFESSORES DA EJA
Os professores da Educação de Jovens e Adultos enfrentam diversos desafios em seu cotidiano. Conforme Soares (2006), lidar com alunos de diferentes idades, bagagens educacionais e experiências de vida pode ser um verdadeiro desafio para esses educadores. Por isso, segundo Vóvio (2010), um elemento fundamental que se deve considerar em relação ao perfil do educador e à formação referente ao professor de jovens e adultos, que é o alicerce teórico que irá respaldar a sua prática.
A formação profissional é um aspecto fundamental na vida de qualquer professor, especialmente aqueles que atuam na Educação de Jovens e Adultos. Os desafios enfrentados diariamente por esses educadores são únicos e demandam uma preparação específica para lidar com as demandas desse público. Segundo Arroyo (2006, p. 18), “o perfil do educador de EJA e sua formação encontram-se ainda em construção”. Na visão de Vóvio (2010), a formação do professor da Educação de Jovens e Adultos é essencial para garantir que ele esteja preparado para os desafios que irá enfrentar em sala de aula. Lidar com alunos que muitas vezes retornam à escola após anos afastados, com diferentes níveis de conhecimento e experiências de vida, requer uma abordagem diferenciada e sensível por parte do educador.
Por isso, um dos principais desafios dos professores da Educação de Jovens e Adultos é a falta de motivação dos alunos. Muitas vezes, esses estudantes já tiveram experiências negativas na escola, o que pode fazê-los desanimar facilmente. Cabe ao professor da Educação de Jovens e Adultos encontrar maneiras criativas de engajar os alunos e mostrar a importância da educação em suas vidas. Além disso, a diversidade de perfis dos alunos da Educação de Jovens e Adultos também é um desafio para os professores. Enquanto alguns alunos podem ter facilidade em determinadas disciplinas, outros podem apresentar dificuldades significativas. O professor da Educação de Jovens e Adultos precisa estar preparado para adaptar sua metodologia de ensino e oferecer suporte individualizado para cada aluno.
Outro desafio enfrentado pelos professores da Educação de Jovens e Adultos é a falta de recursos e materiais adequados. Muitas vezes, esses educadores precisam lidar com salas de aula superlotadas, falta de livros didáticos e materiais pedagógicos desatualizados. Isso exige muita criatividade e dedicação por parte dos professores para garantir um ensino de qualidade para seus alunos. Na visão de Freire (2014, p. 42), “educação e qualidade são sempre uma questão política, fora de cuja reflexão, de cuja compreensão, não nos é possível entender nem uma nem outra”. Nesse contexto, apesar de todos os desafios, os professores da Educação de Jovens e Adultos são verdadeiros heróis que dedicam seu tempo e esforço para proporcionar uma educação de qualidade para aqueles que, por algum motivo, não tiveram a oportunidade de concluir seus estudos na idade adequada. É importante valorizar e reconhecer o trabalho desses educadores, que desempenham um papel fundamental na transformação da vida de tantas pessoas.
Os desafios educacionais enfrentados pelos professores da Educação de Jovens e Adultos são muitos e variados. Esses educadores têm a difícil tarefa de lidar com alunos que muitas vezes têm histórias de vida complicadas, com dificuldades de aprendizagem e que estão retornando aos estudos depois de um longo período afastados da escola.
Um dos principais desafios enfrentados pelos professores da Educação de Jovens e Adultos é a diversidade de níveis de conhecimento dos alunos. Em uma mesma sala de aula, é comum encontrar estudantes com habilidades e conhecimentos muito diferentes, o que torna o processo de ensino e aprendizagem ainda mais complexos. Além disso, muitos alunos da Educação de Jovens e Adultos têm dificuldades de concentração e de disciplina, o que exige dos professores estratégias pedagógicas diferenciadas.
Outro desafio enfrentado pelos professores da Educação de Jovens e Adultos é a falta de recursos e materiais adequados para trabalhar com esse público. Muitas vezes, as escolas que oferecem a Educação de Jovens e Adultos não têm estrutura física adequada, bibliotecas bem equipadas ou materiais didáticos específicos para atender às necessidades dos estudantes. Isso faz com que os professores tenham que se desdobrar para encontrar maneiras criativas de ensinar e motivar os alunos.
Além disso, os professores da Educação de Jovens e Adultos muitas vezes lidam com alunos que têm baixa autoestima e pouca confiança em suas habilidades acadêmicas. Por isso, é fundamental que esses educadores sejam sensíveis às necessidades emocionais dos estudantes e saibam como motivá-los a continuar os estudos, mesmo diante das dificuldades.
Para enfrentar esses desafios, os professores da Educação de Jovens e Adultos precisam de apoio e formação continuada. É fundamental que as escolas ofereçam suporte pedagógico e psicológico aos educadores que atuam nessa modalidade de ensino, além de promoverem espaços de troca de experiências e capacitação profissional.
Apesar de todos os obstáculos, os professores da Educação de Jovens e Adultos desempenham um papel fundamental na transformação da vida de muitos estudantes. Com dedicação, criatividade e empatia, esses educadores conseguem superar os desafios educacionais e contribuir para a formação de cidadãos mais críticos, autônomos e preparados para enfrentar os desafios do mundo contemporâneo.
Portanto, é fundamental que os professores da Educação de Jovens e Adultos recebam o apoio e o reconhecimento que merecem, para que possam continuar enfrentando os desafios do dia a dia e contribuindo para a formação de cidadãos mais capacitados e conscientes de seu papel na sociedade.
4. A VISÃO DOS PROFESSORES SOBRE A INFLUÊNCIA DA FORMAÇÃO PROFISSIONAL NOS DESAFIOS COTIDIANOS DOS PROFESSORES DA EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS
4.1. Metodologia
O tipo de pesquisa escolhida foi a pesquisa de campo. De acordo com Lakatos e Marconi (2017), a pesquisa de campo é aquela utilizada com o objetivo de conseguir informações e/ou conhecimentos acerca de um problema, para o qual se procura uma resposta, ou de uma hipótese, que se queira comprovar, ou, ainda, descobrir novos fenômenos ou as relações entre eles. Na opinião de Vergara (2016, p. 46), a pesquisa de campo “pode incluir entrevistas, aplicação de questionários, testes e observação participante ou não”. Para esta pesquisa, escolheu-se a entrevista como instrumento de coleta de dados.
A escolha pela entrevista semiestruturada deu-se pelo fato de que o diálogo com o entrevistado torna-se mais fácil a compreensão das respostas relacionadas às questões acerca da importância da formação profissional nos desafios cotidianos enfrentados pelos professores da Educação de Jovens e Adultos. Segundo Lakatos e Marconi (2017, p. 198), a entrevista “é um procedimento utilizado na investigação social, para a coleta de dados ou para ajudar no diagnóstico ou no tratamento de um problema social”. Na análise das entrevistas traçou-se um diálogo entre a fala dos participantes e a fala dos teóricos.
A entrevista foi realizada com seis professores da educação de jovens e adultos da cidade de Araguari (MG), que atuam nos últimos 10 anos nessa modalidade de ensino. Três desses professores atuam em escolas particulares e os outros três atuam em escolas da rede pública. Todos os entrevistados atuam na Educação de Jovens e Adultos há mais de quatro anos e estão na faixa etária entre 30 e 50 anos de idade. Todos atuam no segundo segmento da Educação de Jovens e Adultos, o que equivale aos anos finais do ensino fundamental (6º ao 9º ano).
Quatro dos entrevistados são mulheres e dois são homens. Dois são formados em Letras português, um é formado em História, um é formado em Geografia, um é formado em Ciências naturais e o último é formado em matemática. Todos eles possuem especialização; dois têm pós-graduação em Educação de Jovens e Adultos, um tem especialização em Psicopedagogia, um tem especialização em História do Brasil, um possui especialização em matemática e o outro tem especialização em metodologia do ensino de ciências. Na análise das entrevistas, os professores serão identificados por meio de letras a fim de preservar a identidade dos mesmos.
4.2. Análise das Entrevistas
No diálogo introdutório, ao falarem sobre o comprometimento que possuem com o aprendizado de seus alunos, os professores deixaram claro que se sentem responsáveis pela aquisição de conhecimento e pela formação de seus alunos.
A primeira entrevistada foi a Professora A, de 42 anos de idade. Ela é formada em Letras português, tem especialização em Psicopedagogia e atua na Educação de Jovens e Adultos há cinco anos. Não possui especialização e nem formação em Educação de Jovens e Adultos, mas fez dois cursos rápidos de atualização após iniciar a docência na Educação de Jovens e Adultos. Ela encara seu trabalho como um desafio e hoje ela se sente realizada dando aula nessa modalidade de ensino.
De início, senti muitas dificuldades para me adaptar com a maneira de dar aula na EJA, pois é muito diferente das aulas dadas no ensino regular, até mesmo as necessidades e as expectativas dos alunos são diferentes, assim como nossas expectativas, pois o que tivermos que resolver, resolvemos com o aluno e não com a família. No quesito conhecimento, há muita troca de experiência, o que enriquece muito as aulas (Professora A).
A fala da professora mostra que a atuação dos professores da Educação de Jovens e Adultos é sempre um desafio, cada dia novas experiências podem ser trocadas entre os alunos e entre eles e os professores. Segundo Freire (2016), para ensinar alunos da Educação de Jovens e Adultos é preciso trabalhar com temas “geradores”, ou seja, temas que fazem parte da vida dos alunos. Esse método valoriza a experiência vivida pelo educando e o processo de aprendizagem. Mas para isso, o autor coloca que é necessário que a escola tenha um projeto que reconheça a cultura do educando. Isto porque, na filosofia educacional de Freire (2016), observam-se dois aspectos que são fundamentais na relação entre o professor e os alunos: o diálogo e a conscientização. Ainda sobre sua formação e a busca de conhecimentos, a Professora A explica que:
A falta de formação inicial e de formação continuada voltada especificamente para a atuação pedagógica na EJA torna o nosso fazer pedagógico um verdadeiro desafio. Quando sinto necessidade de conhecer mais sobre essa modalidade sempre busco autores que falam sobre a EJA, faço buscas na internet e vejo vídeos no youtube, além de conversar com meus colegas para buscarmos metodologias que possam atingir esses alunos e ensinar nossos conteúdos de forma a incentivá-los a continuar estudando.
Ao analisar a fala da Professora A observa-se que a falta de formação inicial e de formação continuada deixa o professor por conta própria para buscar conhecimentos sobre essa modalidade de ensino, principalmente no que se refere aos tipos de metodologia que podem ser utilizadas para incentivar os alunos na aquisição de conhecimentos. O pouco conhecimento sobre a docência na Educação de Jovens e Adultos torna o trabalho desse professor solitário, pois muitas vezes, os outros professores têm as mesmas dúvidas, dificuldades e desafios que ele; por isso, esses professores buscam individualmente pelos conhecimentos pedagógicos que necessitam e trocam experiências com êxito com seus colegas.
A segunda entrevistada foi a Professora B, de 39 anos de idade. Ela é formada em Letras e possui pós-graduação em Educação de Jovens e Adultos. A professora explicou que fez a especialização nessa modalidade de ensino devido as dificuldades que encontrou há seis anos atrás quando assumiu a docência de português em turmas de Educação de Jovens e Adultos. Segundo a professora, foi um choque para ela, pois estava acostumada a dar aula para alunos da educação básica (8º e 9º ano), que tem uma realidade totalmente diferente, tanto no relacionamento com os alunos como na maneira de ensinar. Os alunos jovens e adultos têm experiências que os outros alunos não têm e suas necessidades educativas são diferentes. De acordo com a professora:
Quando iniciei a docência na EJA eu tive um choque de realidade. Os alunos não se adaptaram à maneira tradicional de dar aula, isso me deixava frustrada, pois eu não sabia o que fazer. Quando fiz a pós graduação em EJA, me senti um pouco mais confiante, mas não totalmente, pois ainda tinha muitas dúvidas, então, comecei a estudar por conta própria e hoje me sinto mais realizada.
Nota-se que, de acordo com a professora B, mesmo os cursos de especialização não dão segurança para os professores da Educação de Jovens e Adultos para que possam para que possam atuar de maneira mais confiante, por isso, buscam conhecimentos continuamente por conta própria.
Um dos maiores desafios que enfrentei foi o fato de que os alunos tinham muitas dificuldades de leitura, interpretação de texto e produção textual. Então, busquei metodologias que me auxiliassem a desenvolver essas habilidades nos estudantes (Professora B).
A leitura e a escrita, portanto, não são conhecimentos adquiridos sozinhos, na individualidade. Pois, segundo Pausas (2004, p. 21), “a aprendizagem da escrita e da leitura é um processo de construção pessoal de conhecimento que, no entanto, não deve acontecer sozinho”. Sendo assim, esse é um aprendizado que se faz com ajuda, com interação; visto que no contexto escolar a aprendizagem na Educação de Jovens e Adultos se faz também na troca de experiências. Por isso, é preciso que os professores da Educação de Jovens e Adultos devem levar em consideração que, devido a fatores socioeconômicos e culturais, muitos são os alunos que não possuem motivação para a leitura e a escrita, nesse caso, a escola deve aprender a trabalhar com essa diversidade, e disponibilizar uma variedade de textos, espaços e tempo diferenciados para motivar essa clientela que não tem acesso às oportunidades de leitura disponíveis na sociedade letrada.
A terceira entrevistada foi a Professora C, de 50 anos de idade. Ela é formada em matemática e possui especialização nessa área, voltada para a lógica e a análise matemática. Iniciou sua docência na Educação de Jovens e Adultos há quatro anos atrás e se sentiu frustrada no início, pois os alunos possuíam conhecimentos básicos de matemática, a maioria deles sabiam apenas as quatro operações básicas e isso a deixou desanimada:
Muitos dos alunos não têm conhecimento mais aprofundado de matemática, por isso, comecei devagar, construindo o aprendizado deles a partir daquilo que sabiam: as quatro operações básicas (adição, subtração, multiplicação e divisão). A partir daí fui aumentando o nível do aprendizado, levando-os a entenderem a importância da matemática em suas vidas e, assim, conseguir que eles gostassem de matemática.
Essa maneira que a professora utilizou para o ensino de matemática é fundamental para a formação dos alunos, pois segundo D’Ambrosio (2012), a matemática também contribui para a construção da cidadania, pois a sobrevivência na sociedade depende cada vez mais desse conhecimento. Nesse aspecto, a matemática pode dar sua contribuição ao desenvolver metodologias que enfatizam a construção de estratégias, a comprovação e justificativa dos resultados, a criatividade, a iniciativa pessoal, o trabalho coletivo e a autonomia advinda da confiança na própria capacidade para enfrentar desafios. Além disso, o PCN (BRASIL, 1997) relata que:
A Matemática comporta um amplo campo de relações, regularidades e coerências que despertam a curiosidade e instigam a capacidade de generalizar, projetar, prever e abstrair, favorecendo a estruturação do pensamento e o desenvolvimento do raciocínio lógico. Faz parte da vida de todas as pessoas nas experiências mais simples como contar, comparar e operar sobre quantidades.
Dessa maneira, a construção do conhecimento matemático possibilitado pela professora está de acordo com o que os Parâmetros Curriculares Nacionais trazem para o ensino de matemática. A professora também relata que “para despertar o gosto dos alunos pela matemática, comecei a usar exemplos da vida cotidiana deles para incentivá-los no aprendizado da matemática”. Com isso, ela coloca os alunos como sendo responsáveis pelo seu aprendizado, descobrindo o uso da matemática em todos os aspectos de sua vida.
A quarta entrevistada foi a Professora D, de 30 anos de idade. Ela é formada em Geografia e tem pós-graduação em Educação de Jovens e Adultos, a escolha por essa especialização foi devido ao fato de que recebeu uma proposta para dar aula para essa modalidade de ensino no turno noturno de uma escola da rede privada. No turno diurno, ela dá aula para o ensino regular (7º ano do ensino fundamental). Devido a diferença de metodologia e abordagem dos temas nas duas modalidades, sentiu necessidade de se especializar para a docência na Educação de Jovens e Adultos. Segundo a Professora D:
Senti muitas dificuldades quando ingressei na EJA, pois não tinha formação nessa modalidade de ensino. Mesmo apreensiva, encarei o desafio e foi gratificante, pois percebi que eu e os alunos crescíamos juntos. A falta de preparação para a docência na EJA faz com que muitos professores sintam-se apreensivos para encarar o desafio que é ensinar jovens e adultos, pois é mais difícil motivá-los.
Nota-se que a falta de preparação dos professores nos cursos de graduação para assumirem turmas da Educação de Jovens e Adultos causam muita apreensão aos professores. Isso porque os alunos da Educação de Jovens e Adultos, geralmente, voltam a estudar devido às necessidades impostas pelo cenário laboral. Por isso, diante das dificuldades dos alunos e de sua insegurança, a professora disse que, “ao invés de dar aula como na educação básica regular, adotei o diálogo com os alunos sobre os temas referentes à Geografia, levando-os a construírem seus conhecimentos”. Isso foi importante porque as pessoas, jovens e adultos, quando voltam à escola, geralmente estão tímidos, inseguros e até mesmo envergonhados de voltarem aos bancos da escola depois de adultos. De acordo com Antunes (2012), o mais importante no ensino de Geografia é a dialogicidade que deve estar presente em todas as aulas, visto que é a bagagem cultural dos alunos que irá enriquecer as aulas, por isso é preciso conectar a experiência dos alunos aos conteúdos ministrados.
O quinto entrevistado foi o Professor E, de 42 anos de idade. Ele é formado em Biologia e possui pós-graduação em metodologia do ensino de ciências. O professor começou a dar aula na Educação de Jovens e Adultos há seis anos e foi um dos maiores desafios em sua vida profissional:
Não tinha nenhum tipo de formação para dar aula para jovens e adultos, minha experiência sempre foi com alunos adolescentes, por isso, de início me senti um pouco intimidado. Busquei autores que discutem sobre a EJA a fim de formar com conhecimento do que deveria ensinar e como ensinar para meus alunos; conversei com outros colegas e percebi que a maioria de meus colegas também tinham dúvidas, então decidi utilizar metodologias diferentes, como a aula dialogada, a troca de experiências e roda de conversa sobre os temas abordados.
A falta de experiência e de formação do professor não o impediu de buscar uma formação individualizada e buscar as melhores metodologias para ensinar sua disciplina aos seus alunos. Sobre o ensino de ciências na Educação de Jovens e Adultos, o Professor E relatou que “os conteúdos de ciências possibilitam, principalmente, que os jovens e adultos ampliem seus conhecimentos ao reconhecer as relações entre as pessoas e o meio ambiente onde vivem”. Além disso, argumentou que “nosso objetivo é despertar a curiosidade dos alunos e sua criticidade por meio do conhecimento dos temas estudados”. O ensino de ciências na Educação de Jovens e Adultos, conforme a fala do professor, deve despertar a curiosidade dos alunos, seu espírito crítico e sua vontade de aprender, pois é uma área que possibilita múltiplos conhecimentos. Para Krasilchik (2000), o ensino de ciências dá diversas possibilidades de aprendizagem para os alunos e, nesse contexto, o professor deve ser o mediador do conhecimento.
O sexto entrevistado foi o Professor F, de 35 anos de idade. Ele é formado em História e tem pós-graduação em História do Brasil, no entanto, não tem nenhuma especialização para o ensino na Educação de Jovens e Adultos:
O que sei sobre o ensino para jovens e adultos eu aprendi em conversas com meus colegas e em minicursos, seminários e palestras que fiz virtualmente. Na graduação não houve preparação para enfrentar essa realidade, por isso temos que investir no nosso conhecimento para ajudar nossos alunos em seu processo de aprendizagem da melhor maneira que pudermos (Professor F).
O que se observa na fala do professor é que a falta de preparação na graduação não é empecilho para que os alunos tenham um ensino de qualidade. Isso mostra o comprometimento dos professores em levar aos alunos os conhecimentos que eles necessitam para sua ascensão, seja no campo social, seja no campo do trabalho.
De acordo com todos os entrevistados, há problemas e desafios diversos que são enfrentados diariamente pelos professores para conseguir ensinar os alunos. Há problemas na estrutura da escola, há falta de material pedagógico, os alunos chegam cansados na escola, muitos deles não possuem motivação. Mesmo assim, os professores não desistem, pois o papel do professor é o de conduzir o aluno para uma aprendizagem significativa a fim de que o estudante identifique suas dificuldades, percebendo os obstáculos, compreendendo-os e buscando caminhos para solucioná-los. Para Freire (2019, p. 119):
Ensinar e aprender têm que ver com o esforço metodicamente crítico do professor de desvelar a compreensão de algo e com o empenho igualmente crítico do aluno de ir entrando como sujeito em aprendizagem, no processo de desvelamento que o professor ou professora deve deflagrar.
Nesse contexto, os professores precisam encontrar ferramentas diversificadas para um bom aproveitamento escolar dos alunos da Educação de Jovens e Adultos, desde a aquisição e construção de conhecimentos e pensamentos crítico-reflexivos, até o gostar de estar em sala de aula e trocar experiências com colegas e professores, tornando a escola um ambiente prazeroso de frequentar e não uma obrigatoriedade.
5. CONSIDERAÇÕES FINAIS
A modalidade da Educação de Jovens e Adultos (EJA) é uma tentativa do governo de acabar com o analfabetismo no Brasil, visto que, pela Constituição brasileira, todos têm direito à educação e esta deve primar-se pela qualidade. Não é devido ao fato de que esta modalidade educacional está voltada para a recuperação dos anos escolares perdidos, que ela deve perder em qualidade para o ensino regular, pois todos devem receber os mesmos ensinamentos e as mesmas possibilidades de desenvolverem suas capacidades e habilidades.
Além disso, trazer os jovens e adultos para a sala de aula é uma maneira de fazê-los sentirem-se integrados na sociedade na qual vivem, visto que, atualmente, a escrita e a leitura são muito cobradas nos ambientes sociais e ambientes de trabalho. Nesse caso, a Educação de Jovens e Adultos é um importante instrumento de inclusão dos jovens e dos adultos na sociedade na qual estão inseridos.
Por isso, é preciso, como visto nas entrevistas realizadas que o professor dessa modalidade de ensino tenha uma formação inicial e uma formação continuada adequada para que possa dar aos alunos da Educação de Jovens e Adultos uma educação de qualidade. Isso porque, a formação do professor da Educação de Jovens e Adultos é essencial para que atenda às necessidades educativas dos alunos; pois, o que se observa é que há uma lacuna na formação dos professores, visto que os cursos de licenciatura não preparam os professores para atuarem na Educação de Jovens e Adultos (EJA).
Mesmo com essa defasagem, o que se percebeu foi que os professores que participaram da pesquisa estão engajados em buscar conhecimentos e metodologias para o melhor ensino de seus alunos; isso mostra o comprometimento dos professores em proporcionar o aprendizado dos alunos e motivá-los a continuar sua formação.
Portanto, é fundamental que o professor tenha uma boa formação e que sejam oportunizadas a eles uma formação continuada para que possam construir metodologias que de ensino que alcancem as necessidades educativas de seus alunos, dando a eles a oportunidade de crescerem e de formarem conhecimentos necessários para sua vida, seja no campo social, pessoal ou profissional.
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1 Fisioterapeuta, Especialista em Acupuntura , Mestre em Educação, Doutorando em Educação, Professor de Graduação e Pós Graduação. E-mail: [clique para visualizar o e-mail]acesse o artigo original para visualizar o e-mail. ORCID: https://orcid.org/0000-0002-9488-7794.
2 Graduado em Biologia pela Universidade Federal da Paraíba (UFPB); Especialista em Gestão Pública pela Faculdade Albert Einstein de Brasília (FALBE); Mestre em Educação pela Universidad de Los Pueblos de Europa (UPE) e Doutor pela Universidade Federal de Uberlândia (UFU). Professor Secretaria de Estado de Educação do Distrito Federal. E-mail: [clique para visualizar o e-mail]acesse o artigo original para visualizar o e-mail. ORCID: https://orcid.org/0009-0009-6649-7148.