A IMPORTÂNCIA DA ENFERMAGEM NA PREVENÇÃO E IDENTIFICAÇÃO PRECOCE DA SEPSE HOSPITALAR

THE IMPORTANCE OF NURSING IN THE PREVENTION AND EARLY IDENTIFICATION OF HOSPITAL SEPSIS

REGISTRO DOI: 10.70773/revistatopicos/790717158

RESUMO
Introdução: A sepse é uma síndrome clínica grave caracterizada por uma resposta desregulada do organismo frente a um processo infeccioso, podendo ocasionar disfunção orgânica, choque séptico e morte. Considerada um importante problema de saúde pública, apresenta elevada incidência e morbimortalidade. Metodologia: é uma revisão integrativa da literatura, de abordagem qualitativa e caráter exploratório, objetivo analisar a importância da enfermagem na prevenção, identificação precoce da sepse hospitalar, destacando sua contribuição para a redução das complicações e da mortalidade. Resultado: Foram utilizados descritores relacionados à sepse, enfermagem, assistência de enfermagem e diagnóstico precoce, a amostra final foi composta por 16 artigos científicos com corte temporal em 2016 e 2026. A enfermagem exerce papel estratégico na monitorização clínica, reconhecimento precoce dos sinais e sintomas, implementação da Sistematização da Assistência de Enfermagem e execução de protocolos institucionais voltados ao manejo da sepse. Conclusão: que a identificação precoce e a atuação qualificada da equipe de enfermagem contribuem significativamente para a melhoria dos desfechos clínicos, redução da morbimortalidade e promoção da segurança do paciente.
Palavras-chave: Sepse; Assistência de Enfermagem; Diagnóstico Precoce; Segurança do Paciente; Cuidados de Enfermagem.

ABSTRACT
Introduction: Sepsis is a severe clinical syndrome characterized by a dysregulated host response to an infection, potentially leading to organ dysfunction, septic shock, and death. Considered a major public health issue, it presents high incidence and morbidity-mortality rates. Methodology: This is an integrative literature review with a qualitative approach and exploratory nature, aiming to analyze the importance of nursing in the prevention and early identification of hospital-acquired sepsis, highlighting its contribution to reducing complications and mortality. Results: Descriptors related to sepsis, nursing, nursing care, and early diagnosis were used; the final sample consisted of 16 scientific articles published between 2016 and 2026. Nursing plays a strategic role in clinical monitoring, early recognition of signs and symptoms, implementation of the Nursing Care Systematization process, and execution of institutional protocols for sepsis management. Conclusion: Early identification and skilled action by the nursing team contribute significantly to improved clinical outcomes, reduced morbidity and mortality, and the promotion of patient safety.
Keywords: Sepsis; Nursing Care; Early Diagnosis; Patient Safety; Nursing Care.

1. INTRODUÇÃO

A sepse constitui uma síndrome clínica grave resultante de uma resposta desregulada do organismo frente a um processo infeccioso, capaz de desencadear alterações fisiológicas, biológicas e bioquímicas que comprometem o funcionamento normal dos órgãos e sistemas. Considerada um importante problema de saúde pública, apresenta elevada incidência em ambientes hospitalares e está associada a altas taxas de morbimortalidade, especialmente entre pacientes críticos. A complexidade dessa condição está relacionada à sua rápida evolução clínica, tornando imprescindível o reconhecimento precoce e a adoção imediata de medidas terapêuticas adequadas para evitar desfechos desfavoráveis1.

O desenvolvimento da sepse ocorre quando uma infecção desencadeia uma resposta inflamatória exacerbada do organismo, promovendo a liberação descontrolada de mediadores inflamatórios capazes de provocar alterações vasculares, imunológicas e metabólicas. Esse processo pode comprometer órgãos vitais, como pulmões, rins, fígado e coração, evoluindo progressivamente para disfunção orgânica múltipla e choque séptico. Os principais agentes etiológicos envolvidos incluem bactérias, fungos, vírus e outros microrganismos capazes de causar infecções sistêmicas, especialmente em indivíduos imunocomprometidos, submetidos a procedimentos invasivos ou hospitalizações prolongadas1.

As definições mais recentes caracterizam a sepse como uma disfunção orgânica potencialmente fatal decorrente de uma resposta inadequada do hospedeiro à infecção, reforçando a necessidade de identificação precoce dos sinais clínicos e laboratoriais. Entre as principais manifestações observam-se febre ou hipotermia, taquicardia, taquipneia, hipotensão arterial, alterações do estado mental e comprometimento das funções orgânicas, exigindo monitoramento contínuo por parte da equipe de saúde. Nesse contexto, a rápida progressão da doença evidencia a necessidade de intervenções oportunas para minimizar danos e reduzir a mortalidade associada à síndrome2.

A sepse pode ser adquirida tanto na comunidade quanto no ambiente hospitalar. As infecções respiratórias, urinárias, abdominais e cutâneas representam importantes portas de entrada para o desenvolvimento da síndrome. No âmbito hospitalar, fatores como ventilação mecânica, cateteres venosos centrais, sondas vesicais de demora, procedimentos cirúrgicos e longos períodos de internação aumentam significativamente o risco de infecções relacionadas à assistência à saúde, favorecendo o surgimento da sepse hospitalar. Dessa forma, medidas preventivas e o controle rigoroso das infecções constituem estratégias fundamentais para a redução dos casos e das complicações associadas à doença3.

Apesar dos avanços científicos e tecnológicos na área da saúde, a sepse continua sendo uma das principais causas de mortalidade em unidades hospitalares e de terapia intensiva. Estudos recentes evidenciam que o sucesso do tratamento está diretamente relacionado à rapidez do diagnóstico e à implementação precoce das intervenções terapêuticas. O tratamento farmacológico baseia-se principalmente na administração imediata de antimicrobianos de amplo espectro, reposição volêmica, controle do foco infeccioso e suporte hemodinâmico, conforme a necessidade clínica do paciente. Quanto menor o intervalo entre o reconhecimento da sepse e o início das medidas terapêuticas, maiores são as chances de recuperação e menores os índices de mortalidade associados à síndrome4.

Nesse cenário, a enfermagem desempenha papel essencial em todas as etapas do cuidado ao paciente séptico, desde a prevenção das infecções até a identificação precoce dos sinais clínicos e a implementação das intervenções previstas nos protocolos institucionais. Por meio da Sistematização da Assistência de Enfermagem (SAE), o enfermeiro realiza avaliação contínua, monitorização dos sinais vitais, identificação de alterações clínicas e planejamento de cuidados individualizados. Além disso, a permanência da equipe de enfermagem junto ao paciente favorece o reconhecimento rápido de agravamentos clínicos, contribuindo para a tomada de decisões e para melhores desfechos assistenciais5.

Diversos estudos têm demonstrado que a utilização de protocolos gerenciados por enfermeiros, associada à capacitação contínua da equipe, contribui significativamente para o reconhecimento precoce da sepse e para a redução das complicações decorrentes da doença. A implementação de ferramentas como escores de alerta precoce, protocolos assistenciais e treinamentos permanentes possibilita maior segurança na identificação dos pacientes em risco, favorecendo intervenções rápidas e eficazes6; 7; 8; 9.

Além disso, pesquisas recentes reforçam que a atuação do enfermeiro é determinante para a redução da mortalidade associada à sepse, sobretudo em unidades de urgência, emergência e terapia intensiva. O enfermeiro frequentemente é o primeiro profissional a identificar alterações sugestivas da síndrome, sendo responsável por comunicar a equipe multiprofissional, iniciar medidas preconizadas pelos protocolos e garantir a continuidade da assistência. Dessa forma, a enfermagem assume posição estratégica na prevenção, detecção precoce e manejo clínico da sepse, contribuindo significativamente para a segurança do paciente e para a qualidade da assistência prestada10; 11; 12.

Após essa contextualização, foi elaborada a seguinte questão norteadora do estudo: como a atuação da enfermagem contribui para a prevenção, identificação precoce e redução das complicações associadas à sepse hospitalar?

A partir dessa questão, definiu-se como objetivo analisar a atuação do enfermeiro na prevenção, identificação e tratamento precoce da sepse hospitalar, destacando sua contribuição para redução da morbimortalidade e a contribuição da assistência te enfermagem (SAE) humanizada e holística ao paciente.

2. MÉTODOLOGIA

Trata-se de uma pesquisa de abordagem qualitativa, do tipo revisão integrativa da literatura, realizada com o objetivo de analisar a atuação do enfermeiro na identificação, prevenção e tratamento precoce da sepse hospitalar. A busca dos estudos foi realizada nas bases de dados Scientific Electronic Library Online (SciELO), Biblioteca Virtual em Saúde (BVS) e Literatura Latino-Americana e do Caribe em Ciências da Saúde (LILACS), no período de 15 de Julho a 10 de Setembro de 2026. Foram utilizados os descritores controlados cadastrados nos Descritores em Ciências da Saúde (DeCS): Sepse; Assistência de Enfermagem; Diagnóstico Precoce; Segurança do Paciente; Cuidados de Enfermagem.

Como critérios de inclusão, foram considerados: artigos disponíveis na íntegra, em idioma português, publicados no período de 2016 a 2026, que abordassem a temática proposta. Como critérios de exclusão, foram adotados: artigos publicados antes de 2016, estudos duplicados, fora do tema proposto ou que não apresentassem aprofundamento sobre o tratamento e prevenção precoce na sepse no contexto da enfermagem.

Após a aplicação dos descritores nas bases de dados, foram identificados 230 estudos, sendo 80 na SciELO, 90 na BVS e 60 na LILACS. Após a aplicação do filtro de idioma português, foram selecionados 160 artigos para leitura. Destes, 60 foram excluídos por não atenderem ao recorte temporal estabelecido (2016–2026). Em seguida, foram excluídos 50 estudos por duplicidade, inadequação ao tema ou ausência de aprofundamento e 34 foram excluídos por não estarem em fontes gratuitas. Ao final do processo de seleção e análise dos estudos, foram incluídos 16 artigos científicos que compuseram a amostra final desta revisão integrativa.

O total de documentos encontrados com os descritores citados foram apresentados no quadro 1 e no fluxograma 1 e das fases da seleção dos artigos nas bases pesquisadas.

Quadro 1. Cruzamento dos descritores nas bases e a seleção dos artigos.

DESCRITORES

SCIELO

BVS

LILACS

TOTAL DE ARTIGOS

Enfermagem And Assistência de enfermagem

15

20

16

51

Diagnóstico precoce And Sepse

20

15

10

45

Segurança do paciente And Enfermagem

10

10

10

30

Sepse And Enfermagem And

Tratamento

20

20

09

49

Cuidados de enfermagem And Sepse

15

25

15

55

Total de artigos nas bases

80

90

60

230

Total de artigos selecionados em cada base

6

5

5

16

Fonte: Dados da Pesquisa (2026).

Fluxograma Prisma 1. Descarte dos artigos a partir dos critérios de inclusão e exclusão do estudo.

Fonte: PRISMA 2020 flow diagram for new systematic reviews which included searches of databases and registers only, adaptado pelos autores (2026).

3. RESULTADOS

Após a escolha dos artigos segundo os critérios de inclusão e exclusão, constituiu-se a amostra para o estudo de 16 artigos para a produção deste trabalho, estes estão em ordem cronológica de publicação no quadro 2 assim como suas características quanto aos títulos, autores, ano e revista de publicação e a metodologia.

Quadro 2. Características das publicações utilizadas neste estudo quanto: títulos, autores, ano, revista e a metodologia usada nos estudos selecionados.

TÍTULO

AUTOR

ANO

REVISTA

OBJETIVO

PRINCIPAIS ACHADOS

METODOLOGIA

Sepse: Epidemiologia, Fisiopatologia e Tratamento

Pereira et al. (1)

2016 / Multitemas

Descrever aspectos epidemiológicos, fisiopatológicos e terapêuticos da sepse.

Evidenciou a sepse como importante causa de morbimortalidade e destacou a importância do diagnóstico precoce.

Revisão de Literatura

Ações do enfermeiro na identificação precoce de alterações sistêmicas causadas pela sepse grave

Garrido et al. (2)

2017 / ABCS Health Science

Identificar o conhecimento dos enfermeiros sobre alterações sistêmicas causadas pela sepse grave e sua capacidade de reconhecimento precoce em pacientes internados em UTI.

Evidenciou dificuldades dos profissionais na identificação precoce dos sinais da sepse, reforçando a necessidade de capacitação e protocolos assistenciais.

Estudo descritivo, transversal, com abordagem quantitativa.

Ações do Enfermeiro na Identificação Precoce da Sepse

Ribeiro; Gonçalves; Pereira (13)

2018 / Enfermagem Revista

Verificar as ações desenvolvidas pelos enfermeiros para identificação precoce da sepse em pacientes internados em UTI.

Evidenciou que a monitorização contínua dos sinais vitais, o reconhecimento das alterações sistêmicas e a utilização de protocolos assistenciais favorecem o diagnóstico precoce da sepse. O estudo também apontou a necessidade de capacitação permanente da equipe de enfermagem.

Pesquisa descritiva, exploratória, com abordagem qualitativa.

Características e Desfechos de Pacientes com Sepse Adquirida na Comunidade e no Hospital

Westphal et al. (3)

2019 / Revista Brasileira de Terapia Intensiva

características clínicas e os desfechos de pacientes com sepse adquirida na comunidade e no hospital.

significativamente superior à sepse comunitária, reforça a necessidade de estratégias para detecção precoce e tratamento oportuno da sepse.

Estudo de coorte retrospectivo observacional.

Sistematização da Assistência de Enfermagem a Pacientes Adultos com Diagnóstico de Sepse

Ferreira Júnior et al. (5)

2020 / Revista Baiana de Saúde Pública RBSP

Analisar as evidências científicas relacionadas à SAE aplicada ao paciente adulto com diagnóstico de sepse.

Evidenciou que a SAE contribui para a organização do cuidado, identificação precoce de alterações clínicas, implementação de diagnósticos de enfermagem, intervenções e avaliação dos resultados, promovendo assistência mais segura e qualificada.

Revisão integrativa da literatura.

Detecção Precoce de Sepse nos Serviços de Urgência e Emergência

Antunes et al. (6)

2021 / Rev. Enfermagem UERJ

Investigar estratégias para reconhecimento precoce da sepse.

Evidenciou a necessidade de capacitação contínua dos profissionais.

Revisão Integrativa

Reconhecimento precoce dos critérios diagnósticos de um paciente com sepse e implementação do pacote de uma hora por enfermeiros: estudo transversal

Campos et al (14)

2022 / RevistaBrasileira de Pesquisa em Saúde/Brazilian Journal of Health Research 

Analisar sinais e sintomas utilizados para identificação precoce da sepse.

Mostrou que a observação clínica da enfermagem é essencial para o diagnóstico oportuno.

Revisão Narrativa

Escores de alerta precoce em pacientes com suspeita ou diagnóstico de sepse: uma revisão integrativa

Sousa et al. (7)

2022 / Revista Enfermagem UERJ

Identificar os principais escores de alerta precoce utilizados em pacientes com suspeita ou diagnóstico de sepse.

Demonstrou a eficácia dos escores de alerta precoce na identificação da deterioração clínica.

Revisão integrativa

Educação Permanente em Saúde: implementação do protocolo gerenciado da sepse em uma Unidade de Pronto-Atendimento

Sousa et al. (9)

2023 / Revista Bahiana de saúde pública RBPS

Avaliar a implementação do pacote/ protocolo de sepse de uma hora.

Evidenciou melhora nos desfechos clínicos quando os protocolos são iniciados precocemente.

Estudo Descritivo

Protocolos Gerenciados por Enfermeiros para Identificação Precoce da Sepse: Revisão de Escopo

Henrique et al. (8)

2023 / Rev. Enfermagem UERJ

Mapear evidências sobre protocolos gerenciados por enfermeiros para identificação precoce da sepse.

Evidenciou que protocolos gerenciados por enfermeiros favorecem o reconhecimento precoce e a padronização da assistência.

Revisão de Escopo

Perfil clínico dos pacientes suspeitos e confirmados de sepse admitidos em uma unidade de emergência

Campoi; Stabile (16)

2024 / Revista Enfermagem UERJ

Caracterizar o perfil clínico de pacientes com suspeita e confirmação de sepse admitidos em unidade de emergência.

Identificou características clínicas relevantes e reforçou a necessidade de avaliação contínua dos pacientes.

Estudo quantitativo transversal.

Sepse: A Relevância do Papel da Enfermagem na Identificação e Tratamento Precoce

Toussaint et al. (4)

2024 / BJSCR

Analisar a contribuição da enfermagem na assistência ao paciente séptico.

Destacou a importância do diagnóstico precoce e da implementação imediata do tratamento.

Revisão Integrativa

A Atuação do Enfermeiro Frente à Sepse em Unidades de Urgência e Emergência reconhecimento precoce e implementação de protocolos

Alencar et al. (10)

2025 / Revista Foco

Analisar a atuação do enfermeiro na identificação precoce da sepse e aplicação de protocolos assistenciais.

Evidenciou que a capacitação profissional e o uso de protocolos reduzem a mortalidade associada à sepse.

Revisão Integrativa

Perfil clínico e assistencial de pacientes com sepse/choque séptico internados em terapia intensiva: estudo retrospectivo

David et al. (11)

2025 / Revista de Pesquisa Cuidado é Fundamental Online

Descrever o perfil clínico e assistencial de pacientes com sepse e choque séptico internados em UTI.

Evidenciou a importância da vigilância contínua e do reconhecimento precoce das alterações clínicas.

Estudo retrospectivo documental.

A Atuação da Enfermagem na Identificação Precoce da Sepse em Pacientes Internados em UTI

Véras et al. (12)

2026 / Journal of Multidisciplinary Brazilian Research

Analisar a atuação da enfermagem na identificação precoce da sepse em UTI.

Destacou a monitorização contínua e os protocolos assistenciais como estratégias fundamentais para o diagnóstico precoce.

Revisão Integrativa

Sepse em Pacientes Internados na UTI: Atuação e Cuidados Essenciais de Enfermagem

Silva; Sousa (15)

2026 / Revista FT

Discutir os cuidados essenciais de enfermagem ao paciente séptico.

Evidenciou a relevância da monitorização contínua e dos cuidados sistematizados.

Revisão narrativa

Fonte: Autora do estudo (2026).

No gráfico 1 representa análise metodológica dos 16 estudos selecionados para esta revisão integrativa, observou-se predominância de pesquisas do tipo revisão integrativa, correspondendo a 56,25% da amostra (n=9). Em seguida, identificaram-se três estudos observacionais/documentais (18,75%), representados por pesquisas quantitativas, transversais e retrospectivas. As revisões de literatura narrativa corresponderam a 12,50% dos estudos (n=2), enquanto a revisão de escopo e o relato de experiência representaram, cada um, 6,25% da amostra (n=1). Esses resultados demonstram que a produção científica sobre a atuação da enfermagem na prevenção e identificação precoce da sepse hospitalar tem sido desenvolvida principalmente por meio de revisões de literatura, evidenciando o interesse dos pesquisadores em sintetizar evidências científicas e consolidar conhecimentos acerca das estratégias de reconhecimento precoce, manejo clínico e implementação de protocolos assistenciais voltados ao paciente séptico

Gráfico 1. Distribuição dos estudos quanto a quantidade e percentual de cada

Fonte: autores do estudo (2026)

A análise dos estudos selecionados evidenciou uma distribuição temporal entre os anos de 2016 e 2026. Observou-se que nos anos de 2016, 2017, 2018, 2019, 2020 e 2021 foi identificado um estudo em cada ano. A partir de 2022 verificou-se um aumento no número de publicações relacionadas à temática, sendo encontrados dois estudos em 2022, dois em 2023, dois em 2024, dois em 2025 e dois em 2026.Esses resultados demonstram um crescimento da produção científica sobre a atuação da enfermagem na prevenção, identificação precoce e manejo da sepse nos últimos anos, evidenciando o interesse crescente da comunidade científica em fortalecer estratégias assistenciais capazes de reduzir complicações, melhorar a segurança do paciente e contribuir para a diminuição da morbimortalidade associada à sepse. Segue no gráfico 2 o demonstrativo quanto ao ano e seu quantitativo.

Gráfico 2. Distribuição dos estudos achados em cada ano respectivamente.

Fonte: autores do estudo (2026)

A análise dos periódicos utilizados nesta revisão integrativa evidenciou predominância de estudos publicados em revistas da área da Enfermagem, totalizando 10 publicações. Esse resultado demonstra o protagonismo da enfermagem na produção científica relacionada à prevenção, identificação precoce e manejo da sepse, reforçando a relevância da atuação do enfermeiro na assistência ao paciente séptico. Em seguida, observaram-se três (3) estudos publicados em periódicos da área de Saúde Pública, os quais abordaram aspectos relacionados à segurança do paciente, protocolos assistenciais e organização dos serviços de saúde. Também foi identificado um (1) estudo publicado em periódico especializado em Terapia Intensiva, evidenciando a importância do tema no contexto dos cuidados críticos. Por fim, dois (2) estudos foram publicados em periódicos multidisciplinares, demonstrando o caráter abrangente da sepse e a necessidade de integração entre diferentes áreas do conhecimento para o enfrentamento dessa condição clínica. Esses achados evidenciam que a produção científica sobre sepse está fortemente concentrada na área da enfermagem, refletindo a responsabilidade desse profissional na vigilância clínica, na implementação de protocolos assistenciais e na identificação precoce dos sinais e sintomas da síndrome. Segue no gráfico 3 o valor achado é a qual corresponde a cada período selecionado.

Gráfico 3. Quantitativo dos períodos quanto a área de sua publicação.

Fonte: autores do estudo (2026)

4. DISCUSSÃO

Após a leitura dos estudos selecionados para a elaboração do trabalho, agrupamos esses artigos em 4 tópicos relevantes para o estudo, desta forma, tornou-se possível a discussão do assunto conforme se desdobrará a seguir. 4.1. Conceitos, Fisiopatologia e Fatores de Risco da Sepse; 4.2. Identificação Precoce da Sepse e Atuação da Enfermagem; 4.3. Assistência de Enfermagem, SAE e Protocolos no Manejo da Sepse; 4.4. Impacto da Atuação da Enfermagem na Redução da Morbimortalidade por sepse.

4.1. Conceitos, Fisiopatologia e Fatores de Risco da Sepse

A análise dos estudos selecionados evidenciou que a sepse é uma das principais causas de morbimortalidade hospitalar, caracterizando-se como uma síndrome clínica grave resultante de uma resposta desregulada do organismo frente a um processo infeccioso. Segundo Pereira et al (1), essa resposta inflamatória exacerbada desencadeia alterações imunológicas, metabólicas e hemodinâmicas capazes de comprometer órgãos vitais, podendo evoluir para disfunção orgânica e óbito.

De acordo com Garrido et al. (2), a sepse deve ser reconhecida como uma emergência médica, pois sua progressão pode ocorrer rapidamente. Entre os principais sinais clínicos destacam-se febre ou hipotermia, taquicardia, taquipneia, hipotensão arterial e alterações do nível de consciência, exigindo monitoramento contínuo por parte da equipe de saúde.

Em relação aos fatores de risco, Westphal et al. (3) identificaram que infecções respiratórias, urinárias, abdominais e de corrente sanguínea constituem importantes portas de entrada para o desenvolvimento da síndrome. Além disso, procedimentos invasivos, uso de dispositivos médicos, internações prolongadas, idade avançada e doenças crônicas aumentam significativamente a vulnerabilidade dos pacientes à sepse.

Ribeiro, Gonçalves e Pereira (13) ressaltam que o reconhecimento precoce dos fatores de risco e das manifestações clínicas é fundamental para reduzir complicações e mortalidade, destacam que a utilização de protocolos assistenciais e instrumentos de avaliação clínica contribui para a identificação precoce da deterioração do paciente, favorecendo intervenções rápidas e melhores desfechos clínicos, fatores podem contribuir para o desenvolvimento da sepse, especialmente em pacientes hospitalizados. Entre os principais fatores de risco destacam-se a idade avançada, presença de doenças crônicas como diabetes mellitus, hipertensão arterial, neoplasias e insuficiência renal, além de condições que comprometem o sistema imunológico. Também foram identificados como fatores predisponentes as infecções respiratórias, urinárias, abdominais e da corrente sanguínea, consideradas importantes portas de entrada para a síndrome6;7;8.

No ambiente hospitalar, o uso de dispositivos invasivos, como cateteres venosos centrais, sondas vesicais de demora e ventilação mecânica, associado a procedimentos cirúrgicos e longos períodos de internação, aumenta significativamente o risco de infecções relacionadas à assistência à saúde e, consequentemente, de evolução para sepse. identificação precoce desses fatores constitui uma importante estratégia para prevenção, monitoramento e redução das complicações associadas à doença 1; 13; 3. Segue no quadro 3 os fatores de risco para sepse e descrição.

Quadro 3. Fatores de risco para sepse e sua descrição conforme o autor referenciado.

AUTOR

FATOR DE RISCO PARA SEPSE

DESCRIÇÃO

Pereira et al (1)

Doenças crônicas

Pacientes com diabetes mellitus, insuficiência renal, neoplasias e outras comorbidades apresentam maior suscetibilidade ao desenvolvimento da sepse.

Pereira et al (1)

Imunossupressão

A redução da resposta imunológica favorece a progressão de infecções para quadros sépticos.

Ribeiro, Gonçalves e Pereira (13)

Identificação tardia da infecção

O atraso no reconhecimento dos sinais clínicos aumenta o risco de agravamento e evolução para sepse.

Westphal et al. (3)

Infecções respiratórias

Constituem uma das principais portas de entrada para o desenvolvimento da sepse.

Westphal et al. (3)

Infecções urinárias

Frequentemente associadas à evolução para sepse, principalmente em pacientes hospitalizados.

Westphal et al. (3)

Infecções abdominais

Representam importante fator predisponente para o desenvolvimento da síndrome.

Westphal et al. (3)

Infecções da corrente sanguínea

Associadas a rápida disseminação sistêmica da infecção.

Westphal et al. (3)

Idade avançada

Pacientes idosos apresentam maior vulnerabilidade devido às alterações fisiológicas e imunológicas.

Westphal et al. (3)

Internação prolongada

Aumenta a exposição a microrganismos hospitalares e infecções relacionadas à assistência.

Westphal et al. (3)

Cateter venoso central

Favorece infecções relacionadas à assistência à saúde.

Westphal et al. (3)

Sonda vesical de demora

Aumenta o risco de infecção do trato urinário e evolução para sepse.

Westphal et al. (3)

Ventilação mecânica

Associada ao desenvolvimento de pneumonia relacionada à ventilação e sepse.

Westphal et al. (3)

Procedimentos invasivos e cirúrgicos

Favorecem a entrada de microrganismos e o surgimento de infecções hospitalares.

Antunes et al. (6)

Falhas na detecção precoce

O reconhecimento tardio dos sinais de deterioração clínica contribui para a progressão da sepse.

Sousa et al. (7)

Ausência de monitorização sistematizada

Dificulta a identificação precoce de alterações clínicas sugestivas de sepse.

Fonte: Pereira et al (1); Ribeiro, Gonçalves e Pereira (13); Westphal et al. (3); Antunes et al. (6); Sousa et al. (7); adaptados pelos autores de (2026). 

4.2. Identificação Precoce da Sepse e Atuação da Enfermagem

A identificação precoce da sepse foi apontada pelos estudos analisados como uma das principais estratégias para reduzir complicações, tempo de internação e mortalidade associada à doença. Nesse contexto, a enfermagem assume papel essencial por estar continuamente ao lado do paciente, realizando avaliações clínicas frequentes e monitorando possíveis alterações sugestivas de deterioração do quadro clínico. Ribeiro, Gonçalves e Pereira (13) destacam que o reconhecimento precoce dos sinais e sintomas permite intervenções rápidas e aumenta as chances de recuperação do paciente.

Entre as manifestações clínicas mais frequentemente relacionadas à sepse estão febre ou hipotermia, taquicardia, taquipneia, hipotensão arterial, redução do débito urinário e alterações do nível de consciência. Segundo Garrido et al. (2), a observação sistemática desses sinais pelo enfermeiro é fundamental para identificar precocemente a evolução da síndrome e comunicar imediatamente a equipe multiprofissional, favorecendo o início oportuno do tratamento.

Os estudos de Antunes et al. (6), Sousa et al. (7) e Henrique et al. (8) evidenciaram que a utilização de protocolos assistenciais, escores de alerta precoce e instrumentos padronizados de avaliação clínica contribui significativamente para o reconhecimento rápido da sepse. Além disso, a capacitação permanente da equipe de enfermagem aumenta a segurança na tomada de decisão e reduz atrasos diagnósticos, melhorando a qualidade da assistência prestada.

Corroborando esses achados, Campos et al. (14), Toussaint et al. (4), Alencar et al. (10) e Véras et al. (12) ressaltam que instituições que investem na qualificação dos profissionais e na implementação de protocolos específicos apresentam melhores indicadores assistenciais e menores taxas de mortalidade. Dessa forma, a atuação da enfermagem na identificação precoce da sepse constitui um elemento indispensável para o sucesso do tratamento e para a segurança do paciente.

4.3. Assistência de Enfermagem, SAE e Protocolos no Manejo da Sepse

A análise dos estudos selecionados evidenciou que a assistência de enfermagem desempenha papel fundamental no manejo da sepse, especialmente por meio da monitorização contínua do paciente, identificação precoce de alterações clínicas e implementação de intervenções terapêuticas oportunas. Ribeiro, Gonçalves e Pereira (13) destacam que o enfermeiro, por permanecer continuamente ao lado do paciente, possui maior possibilidade de reconhecer sinais sugestivos de deterioração clínica, contribuindo para o diagnóstico precoce e para a redução das complicações associadas à síndrome.

No contexto da organização do cuidado, Ferreira Júnior et al. (5) evidenciam que a Sistematização da Assistência de Enfermagem (SAE) constitui uma importante ferramenta para o planejamento, execução e avaliação dos cuidados prestados ao paciente séptico. A SAE permite a identificação das necessidades individuais, a elaboração de diagnósticos de enfermagem e a implementação de intervenções específicas, favorecendo uma assistência mais segura, organizada e baseada em evidências científicas.

Além disso, os estudos demonstraram que a utilização de protocolos assistenciais contribui significativamente para o reconhecimento precoce da sepse e para a padronização das condutas clínicas. Antunes et al. (6), Sousa et al. (7) e Henrique et al. (8) destacam que ferramentas de triagem, escores de alerta precoce e protocolos gerenciados por enfermeiros auxiliam na identificação rápida dos pacientes em risco, reduzindo atrasos diagnósticos e favorecendo a tomada de decisão clínica.

Os achados de Campos et al. (14), Sousa et al. (9), Toussaint et al. (4), Alencar et al. (10), Véras et al. (12) e Silva e Sousa (15) reforçam que a adesão aos protocolos institucionais, associada à capacitação permanente da equipe de enfermagem, favorece a implementação precoce do tratamento, incluindo administração de antimicrobianos, monitorização hemodinâmica e controle do foco infeccioso. Dessa forma, a atuação sistematizada da enfermagem, aliada ao uso da SAE e dos protocolos assistenciais, contribui diretamente para a melhoria dos desfechos clínicos, redução da mortalidade e aumento da segurança do paciente com sepse.

Segue na Quadro 4. Achados dos autores e seus aspectos abordados na continuação para manejo da sepse.

Quadro 4. Contribuições da SAE e dos Protocolos Assistenciais no Manejo da Sepse segundo os estudos selecionados

AUTOR(ES)

ASPECTO ABORDADO

CONTRIBUIÇÃO PARA O MANEJODA SEPSE

Ribeiro, Gonçalves e Pereira (13)

Assistência de Enfermagem

Destacam a importância da monitorização contínua e da identificação precoce dos sinais clínicos da sepse pelo enfermeiro.

Ferreira Júnior et al. (5)

Sistematização da Assistência de Enfermagem (SAE)

Evidenciam que a SAE organiza o cuidado, auxilia na elaboração de diagnósticos de enfermagem e direciona intervenções individualizadas.

Antunes et al. (6)

Protocolos de detecção precoce

Demonstram que protocolos assistenciais favorecem a identificação precoce da sepse nos serviços de urgência e emergência.

Campos et al. (14)

Pacote de uma hora

Ressaltam que a implementação precoce do pacote de uma hora contribui para redução das complicações e mortalidade.

Sousa et al. (7)

Escores de alerta precoce

Evidenciam que os escores auxiliam na identificação rápida da deterioração clínica e no reconhecimento precoce da sepse.

Henrique et al. (8)

Protocolos gerenciados por enfermeiros

Demonstram que protocolos conduzidos pela enfermagem favorecem a padronização da assistência e a tomada de decisão clínica.

Sousa et al. (9)

Educação permanente e protocolo gerenciado

Destacam que a capacitação profissional melhora a adesão aos protocolos e a identificação precoce dos casos.

Toussaint et al. (4)

Assistência de enfermagem e tratamento precoce

Evidenciam a importância da enfermagem na monitorização clínica e no início oportuno das intervenções terapêuticas.

Alencar et al. (10)

Protocolos assistenciais

Demonstram que a utilização de protocolos institucionais melhora a qualidade da assistência e reduz a mortalidade.

Véras et al. (12)

Monitorização e protocolos em UTI

Destacam a relevância da vigilância contínua e da aplicação de protocolos para identificação precoce da sepse.

Silva e Sousa (15)

Cuidados essenciais de enfermagem

Evidenciam que a assistência sistematizada contribui para prevenção de complicações e melhoria dos desfechos clínicos.

Fonte: Adaptado de Pereira et al (1); Garrido et al. (2); Ribeiro, Gonçalves e Pereira (13); Westphal et al. (3); Ferreira Júnior et al. (5); Antunes et al. (6); Campos et al. (14); Sousa et al. (7); Henrique et al. (8); Sousa et al. (9); Toussaint et al. (4); Campoi e Stabile (16); Alencar et al. (10); David et al. (11); Véras et al. (12); Silva e Sousa (15).

4.4. Impacto da Atuação da Enfermagem nos Desfechos Clínicos dos Pacientes com Sepse

A atuação da enfermagem exerce influência direta nos desfechos clínicos dos pacientes com sepse, sendo considerada fundamental para a redução da morbimortalidade associada à síndrome. Os estudos analisados evidenciaram que a identificação precoce dos sinais de deterioração clínica, associada à implementação rápida das intervenções terapêuticas, favorece a estabilização do quadro clínico e reduz o risco de evolução para choque séptico e disfunção múltipla de órgãos13; 14.

Os resultados também demonstraram consenso quanto à importância da enfermagem no reconhecimento precoce da sepse e na aplicação das medidas recomendadas pelos protocolos assistenciais. Segundo Antunes et al. (6), Sousa et al. (7) e Henrique et al. (8), a monitorização contínua dos sinais vitais, a utilização de instrumentos de avaliação clínica e a comunicação eficiente com a equipe multiprofissional possibilitam intervenções mais rápidas e seguras, contribuindo para melhores resultados assistenciais. Além disso, a implementação de protocolos gerenciados por enfermeiros favorece a padronização do cuidado e reduz atrasos no início do tratamento.

De acordo com Toussaint et al. (4), Alencar et al. (10) e Véras et al. (12), instituições que investem na capacitação contínua da equipe de enfermagem e na utilização de protocolos específicos para sepse apresentam menores taxas de mortalidade, melhor qualidade assistencial e maior segurança do paciente. Esses achados reforçam a relevância do enfermeiro como protagonista na vigilância clínica, na tomada de decisões e na coordenação das ações necessárias para o manejo adequado da síndrome.

Nesse contexto, os cuidados de enfermagem mostram-se essenciais em todas as fases da assistência ao paciente séptico, abrangendo a prevenção de infecções, identificação precoce dos sinais e sintomas, monitorização hemodinâmica, administração correta de antimicrobianos, controle do balanço hídrico, avaliação da perfusão tecidual e implementação das intervenções previstas nos protocolos institucionais. Conforme destacam Ferreira Júnior et al. (5), Silva e Sousa (15) e David et al. (11), a assistência sistematizada e baseada em evidências contribui para a redução de complicações, diminuição do tempo de internação, melhoria dos desfechos clínicos e promoção da segurança do paciente, evidenciando a importância da enfermagem no enfrentamento da sepse hospitalar.

Quadro 5. Principais problemas identificados em pacientes com sepse, diagnósticos de enfermagem (NANDA-I), resultados esperados (NOC) e intervenções de enfermagem (NIC).

Problema Identificado na Sepse

Diagnóstico de Enfermagem (NANDA-I)

NOC (Resultado Esperado)

NIC (Intervenções de Enfermagem)

Hipertermia

Hipertermia relacionada ao processo infeccioso

Termorregulação eficaz

Monitorar temperatura corporal; administrar antitérmicos conforme prescrição; promover conforto térmico.

Hipotensão arterial

Perfusão tissular periférica ineficaz

Perfusão tecidual adequada

Monitorar pressão arterial; avaliar perfusão periférica; administrar fluidoterapia conforme prescrição.

Taquicardia

Débito cardíaco diminuído

Estabilidade cardiovascular

Monitorar frequência cardíaca; avaliar sinais de choque; acompanhar resposta terapêutica.

Dispneia e hipoxemia

Troca gasosa prejudicada

Estado respiratório adequado

Monitorar saturação de oxigênio; ofertar oxigenoterapia; avaliar padrão respiratório.

Hipoperfusão sistêmica

Perfusão tissular ineficaz

Perfusão sistêmica mantida

Avaliar enchimento capilar; monitorar lactato sérico e sinais vitais.

Oligúria

Eliminação urinária prejudicada

Função renal preservada

Controlar débito urinário; realizar balanço hídrico rigoroso.

Sepse grave com risco de deterioração clínica

Risco de choque

Estabilidade hemodinâmica mantida

Identificar precocemente sinais de agravamento; monitorização contínua.

Infecção sistêmica

Risco de infecção disseminada

Controle da infecção

Coletar culturas; administrar antimicrobianos; monitorar resposta clínica.

Alteração do nível de consciência

Confusão aguda

Estado neurológico estabilizado

Avaliar Escala de Glasgow; monitorar alterações neurológicas.

Ansiedade relacionada à hospitalização e gravidade da doença

Ansiedade

Redução da ansiedade

Fornecer apoio emocional; orientar paciente e familiares.

Restrição ao leito e instabilidade clínica

Risco de lesão por pressão

Integridade tissular preservada

Realizar mudança de decúbito; inspecionar pele diariamente.

Alterações hemodinâmicas e perdas hídricas

Volume de líquidos deficiente

Equilíbrio hídrico restabelecido

Monitorar balanço hídrico; administrar soluções intravenosas conforme prescrição.

Processo infeccioso e resposta inflamatória sistêmica

Proteção ineficaz

Redução do risco de complicações infecciosas

Manter técnica asséptica; monitorar sinais de infecção; reforçar medidas de prevenção.

Fraqueza e estado crítico prolongado

Mobilidade física prejudicada

Melhora da capacidade funcional

Estimular mobilização precoce conforme condições clínicas.

Estado crítico e múltiplos procedimentos invasivos

Risco de integridade da pele prejudicada

Manutenção da integridade cutânea

Avaliar pele diariamente; utilizar dispositivos de alívio de pressão.

Fonte: Elaborada pela autora com base em Pereira et al (1); Garrido et al. (2); Ribeiro, Gonçalves e Pereira (13); Westphal et al. (3); Ferreira Júnior et al. (5); Antunes et al. (6); Toussaint et al. (4) e Silva e Sousa (15); adaptado pelos autores do estudo (2026).

5. CONCLUSÃO

A sepse permanece como um dos principais desafios enfrentados pelos serviços de saúde em todo o mundo, configurando-se como uma síndrome complexa, potencialmente fatal e associada a elevados índices de morbimortalidade. O presente estudo possibilitou compreender os mecanismos envolvidos no desenvolvimento da doença, os fatores de risco associados e a relevância das estratégias voltadas para sua prevenção e identificação precoce no ambiente hospitalar.

A partir da análise dos estudos selecionados, verificou-se que a assistência de enfermagem desempenha papel fundamental em todas as etapas do cuidado ao paciente com sepse, desde a vigilância clínica contínua até a implementação das intervenções terapêuticas recomendadas pelos protocolos institucionais. A permanência constante da equipe de enfermagem junto ao paciente favorece o reconhecimento precoce dos sinais e sintomas, possibilitando a comunicação rápida com a equipe multiprofissional e o início oportuno das medidas terapêuticas.

Os resultados demonstraram que a utilização da Sistematização da Assistência de Enfermagem (SAE), associada à aplicação de protocolos assistenciais e ao pacote de uma hora para sepse, contribui significativamente para a organização do cuidado, redução de complicações, diminuição do tempo de internação e melhoria dos desfechos clínicos. Além disso, evidenciou-se que a capacitação permanente dos profissionais de enfermagem fortalece a tomada de decisão clínica e aumenta a segurança do paciente durante todo o processo assistencial.

Em resposta à questão norteadora deste estudo — qual a importância da assistência de enfermagem na prevenção e identificação precoce da sepse hospitalar? — conclui-se que a enfermagem constitui um dos pilares fundamentais para o sucesso do manejo clínico da sepse. Sua atuação na monitorização dos sinais vitais, identificação das alterações clínicas, implementação da SAE, execução de protocolos e promoção de cuidados individualizados contribui diretamente para a redução da morbimortalidade associada à doença.

Dessa forma, o objetivo geral deste estudo foi alcançado ao demonstrar a importância da assistência de enfermagem na prevenção e identificação precoce da sepse hospitalar. Da mesma maneira, os objetivos específicos foram contemplados ao descrever os principais aspectos relacionados à sepse, identificar as intervenções de enfermagem empregadas no cuidado ao paciente séptico e analisar a contribuição dos protocolos assistenciais para a melhoria da qualidade do atendimento.

Por fim, destaca-se a necessidade de investimentos contínuos em educação permanente, qualificação profissional e fortalecimento dos protocolos institucionais voltados ao manejo da sepse. Tais medidas são essenciais para promover uma assistência baseada em evidências científicas, garantir maior segurança ao paciente e contribuir para a redução dos impactos da sepse nos serviços de saúde.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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1 Discente do Curso Superior de Enfermagem da Faculdade do Futuro. E-mail: [clique para visualizar o e-mail]acesse o artigo original para visualizar o e-mail

2 Docente do Curso Superior de Enfermagem do Instituto Faculdade do Futuro e UNIFACIG. Doutora pela UNIRIO, Mestre em Enfermagem pela UFRJ, Pós graduação em Enfermagem Cardiológica UFRJ, Pós graduação em Estratégias Ativas e Aprendizagem Autêntica pela UNIFACIG, Graduanda em Enfermagem em Oncologia pela Universidade Estácio de Sá. Graduação em Enfermagem e Obstetrícia pela UNIRIO. E-mail: [clique para visualizar o e-mail]acesse o artigo original para visualizar o e-mail

3 Discente do Curso Superior de Enfermagem da Faculdade do Futuro. Currículo lattes: https://lattes.cnpq.br/5398248471700426. ORCID: https://orcid.org/0009-0003-5439-3989. E-mail: [clique para visualizar o e-mail]acesse o artigo original para visualizar o e-mail

4 Discente do Curso Superior de Enfermagem da Faculdade do Futuro.  E-mail:[clique para visualizar o e-mail]acesse o artigo original para visualizar o e-mail. Lattes: https://lattes.cnpq.br/6783781082113601. Orcid: https://orcid.org/0009-0009-4841-4927

5 Discente do Curso Superior de Enfermagem da Faculdade do Futuro. Orcid: https://orcid.org/0009-0003-8164-9150. Lattes: https://lattes.cnpq.br/0361100722022125. E-mail: [clique para visualizar o e-mail]acesse o artigo original para visualizar o e-mail

6 Discente do Curso Superior de Enfermagem da Faculdade do Futuro. Orcid; https://orcid.org/0009-0008-0844-6345. E-mail: [clique para visualizar o e-mail]acesse o artigo original para visualizar o e-mail

7 Discente do Curso Superior de Enfermagem da Faculdade do Futuro. Currículo lattes: https://lattes.cnpq.br/7204590446577899. Orcid: https://orcid.org/0009-0007-0484-3805. E-mail: [clique para visualizar o e-mail]acesse o artigo original para visualizar o e-mail

8 Discente do Curso Superior de Enfermagem da Faculdade do Futuro. Currículo lattes: https://lattes.cnpq.br/4155640032468859. Orcid: https://orcid.org/0009-0006-1508-1458. E-mail: [clique para visualizar o e-mail]acesse o artigo original para visualizar o e-mail

9 Discente do Curso Superior de Enfermagem da Faculdade do Futuro. Orcid:  https://orcid.org/0009-0008-4972-281X. E-mail: [clique para visualizar o e-mail]acesse o artigo original para visualizar o e-mail

10 Discente do Curso Superior de Enfermagem da Faculdade do Futuro. E-mail: [clique para visualizar o e-mail]acesse o artigo original para visualizar o e-mail