A HORA DE MACABÉA: A IMAGEM DA DECADÊNCIA E OS CONFLITOS DA PERSONAGEM DE FICÇÃO

THE HOUR OF MACABÉA: THE IMAGE OF DECADENCE AND THE CONFLICTS OF THE FICTIONAL CHARACTER

REGISTRO DOI: 10.70773/revistatopicos/779459417

RESUMO
A Hora da Estrela, de Clarice Lispector, narra a vida de Macabéa, uma jovem nordestina que migra para o Rio de Janeiro e enfrenta pobreza, solidão e invisibilidade social. Este estudo analisa como sua trajetória reflete a marginalização de grupos vulneráveis, destacando sua alienação e falta de pertencimento. Criada em meio a privações e violências simbólicas, Macabéa personifica a fragilidade humana, com uma linguagem limitada e uma existência marcada pela passividade. Sua dificuldade em se comunicar e se reconhecer como sujeito evidencia os efeitos da exclusão social. Publicada durante o regime militar, a obra literária critica estruturas sociais opressoras, usando a narrativa introspectiva para denunciar desigualdades. Através de Macabéa, Clarice Lispector explora temas como identidade, abandono e a busca frustrada por significado, transformando a personagem em símbolo da negligência sistêmica. A obra permanece relevante por sua potência crítica e humanista, convidando à reflexão sobre justiça social e empatia. 
Palavras-chave: Clarice Lispector; Macabéa; personagem de ficção.

ABSTRACT
The Hour of the Star, by Clarice Lispector, narrates the life of Macabéa, a young woman from the Northeast who migrates to Rio de Janeiro and faces poverty, loneliness and social invisibility. This study analyzes how her trajectory reflects the marginalization of vulnerable groups, highlighting her alienation and lack of belonging. Raised amidst deprivation and symbolic violence, Macabéa personifies human fragility, with limited language and an existence marked by passivity. Her difficulty in communicating and recognizing herself as a subject highlights the effects of social exclusion. Published during the military regime, the literary work criticizes oppressive social structures, using introspective narrative to denounce inequalities. Through Macabéa, Clarice Lispector explores themes such as identity, abandonment and the frustrated search for meaning, transforming the character into a symbol of systemic neglect. The work remains relevant for its critical and humanist power, inviting reflection on social justice and empathy.
Keywords: Clarice Lispector; ficcional caracter; Macabéa.

1. INTRODUÇÃO

A Hora da Estrela é uma novela escrita por Clarice Lispector e lançada em 1977, ano de sua morte. Contextualizando a grande migração dos nordestinos para os grandes centros do Brasil, a obra traz à tona temas como preconceito, desigualdade social e alienação. Assim, atua como uma crítica implícita às condições de vida das camadas mais pobres da população, bem como à falta de empatia e atenção às necessidades dessas camadas por parte das elites governantes.

Em seu último livro, Clarice Lispector apresenta a história de Macabéa, uma nordestina órfã que viaja com a tia de Alagoas para o Rio de Janeiro. Macabéa é uma personagem simples, ingênua e pobre que é marginalizada pela sociedade carioca. No decorrer da narrativa, o leitor é convidado a conhecer a realidade de uma protagonista desprovida de força, que não luta contra a realidade imposta, não pensa em seu futuro e nem ao menos se conhece.

Assim, a trajetória da personagem reflete as dificuldades enfrentadas por muitos migrantes nordestinos na tão vislumbrada cidade grande. Sua vida é marcada por um trabalho mal remunerado e condições de moradia precárias, refletindo a realidade de tantos que deixaram suas terras em busca de oportunidades.

Além disso, a escolha narrativa de Clarice Lispector em dar protagonismo para uma personagem tão marginalizada, lança luz não somente à injustiça social, mas também à invisibilidade dessas vidas no contexto cultural e político do nosso país. Macabéa enfrenta não só a pobreza material, ela também sofre com a falta de reconhecimento de sua própria identidade e valor pessoal, ou seja, a nordestina não questiona seu lugar no mundo e não consegue perceber que vive num ambiente totalmente hostil, indiferente à sua existência.

Em vista disso, percebe-se que Clarice Lispector constrói sua trama utilizando alguns aspectos, como: o existencialista, ao explorar a condição humana, em meio a temas como simplicidade, subjetividade e alienação; dentre esses, vale-se do elemento social ao abordar a condição precária da protagonista. Desta maneira, a presente pesquisa lançou olhar sobre os desdobramentos de Macabéa dando enfoque a esse aspecto social trabalhado pela autora e como ele, por muitas vezes, influencia na subjetividade da personagem.

Assim, durante os estudos da obra surgiu a seguinte questão: De que maneira as relações estabelecidas pela personagem Macabéa revelam conflitos sociais em A Hora da Estrela? A hipótese levantada é feita a partir de uma reflexão sobre os desdobramentos da personagem, os quais estão relacionados à precariedade em que ela vivia, sua criação, a falta de uma educação formal e exclusão social, que se observa ao longo dos acontecimentos. Esses aspectos moldaram sua personalidade e o modo como enxergava a vida, tornando-a uma personagem altamente alienada e conformada com sua situação socioeconômica.

Ao debruçar-se sobre o aspecto social que está ligado à Macabéa, abre-se um caminho para compreensão e análise do retrato da marginalização e da desigualdade social presentes em A Hora da Estrela. Através desta investigação, é possível a análise e discussão de questões importantes como pobreza, falta de oportunidades e exclusão social, temas recorrentes na Literatura Brasileira.

À luz disso, o estudo justifica-se dada a importância de fomentarmos a pesquisa sobre as questões sociais que permeiam a narrativa de Macabéa, em A Hora da Estrela. Questões essas que possibilitam uma reflexão sobre como a desigualdade social afeta a vida e a coletividade, levando em consideração que determinados grupos sociais têm seus corpos marginalizados e invisibilizados. Ao investigar o contexto social da personagem, pode-se ampliar a compreensão sobre as lutas e desafios enfrentados por grupos excluídos, bem como sobre a importância de políticas públicas para promover uma sociedade mais justa e igualitária.

De forma geral, objetivou-se analisar os desdobramentos da personagem Macabéa no percurso narrativo de A Hora da Estrela, as relações sociais que são estabelecidas bem como a conjuntura em que está inserida. Para dar embasamento aos argumentos defendidos neste trabalho, optou-se por realizar uma pesquisa bibliográfica com foco qualitativo. Pois, segundo Bortoni-Ricardo (2008), a pesquisa qualitativa busca compreender e interpretar fenômenos sociais inseridos em um contexto. Assim, considerando o exposto e o fato de o presente trabalho apresentar um cunho social e reflexivo, a pesquisa qualitativa se mostrou como a mais adequada.

Como corpus deste estudo, foi utilizada a obra A Hora da Estrela, de Clarice Lispector (2020). A fim de realizar o estudo pretendido, buscou-se subsídios para a análise dos desdobramentos da personagem Macabéa e para um aprofundamento dos temas que circundam este trabalho. Desse modo, aliado à analise de trechos da obra, a pesquisa dividiu-se nas seguintes etapas: primeiro, apresenta-se uma contextualização das articulações entre literatura e sociedade, através de consultas ao estudo de Candido (2011 e 1980), destacando o papel da literatura na formação de um identitário cultural e social.

Também, foram analisados os desdobramentos da personagem Macabéa à luz dos estudos de Candido (2009) que aborda a personagem de ficção. Além disso, realizou-se uma investigação sobre as questões sociais reveladas através da linguagem da personagem utilizando como embasamento o estudo de Bakhtin (2006 e 2013); posteriormente, buscou-se entrelaçar o contexto desfavorecido de Macabéa com sua identidade e visão de mundo, recorrendo aos estudos de Silva (2000) e Lipovetsky (2009).

Ao longo destas etapas, a pesquisa buscou integrar teorias literárias e sociais para proporcionar uma análise profunda e contextualizada da personagem Macabéa, destacando a relevância dos temas abordados para a compreensão de questões sociais tão contemporâneas.

2. ARTICULAÇÕES ENTRE LITERATURA E SOCIEDADE

Após os eventos da Semana de Arte Moderna em 1922 que marcou o início do Modernismo no Brasil, vários autores voltaram os seus olhos para as mazelas sociais presentes em nosso país e passaram a escrever romances que abordam tais dilemas de forma complexa e analítica, em detrimento dos demais movimentos literários como o Romantismo e Naturalismo, que se ocupavam com outras formas de representar aspectos sociais do Brasil.

Nesse contexto, ao falar de literatura e sociedade, pode-se visualizar uma via de mão dupla onde uma influencia a outra: ao mesmo passo que a sociedade interfere nas temáticas da produção literária da sua época, a literatura atua como um reflexo e influenciador de dinâmicas culturais, políticas e sociais de uma comunidade. Assim, ao longo da produção literária brasileira, escritores têm utilizado suas obras como instrumentos para explorar e retratar os aspectos mais profundos da condição humana, muitas vezes com o intuito de gerar alguma mudança, moldando e também sendo moldados pelas sociedades a que pertencem.

Em seu ensaio, Candido (2011, p. 187) dispõe que

Tanto no caso da literatura messiânica e idealista dos românticos, quanto no caso da literatura realista, na qual a crítica assume o cunho de verdadeira investigação orientada da sociedade, estamos em face de exemplo de literatura empenhada numa tarefa ligada aos direitos humanos. No Brasil isto foi claro nalguns momentos do Naturalismo, mas ganhou força real sobretudo no decênio de 1930, quando o homem do povo com todos os seus problemas passou a primeiro plano e os escritores deram grande intensidade ao tratamento literário do pobre.

Ainda segundo o autor, isso se deve pelo fato de o romance voltado para o social ter passado de apenas uma denúncia retórica ou de mera descrição, para uma espécie de crítica corrosiva que poderia atuar explicitamente como podemos observar no movimento modernista no Brasil.

Diante disso, autores modernistas como Graciliano Ramos, Jorge Amado, Raquel de Queirós e José Lins do Rego escancaram a realidade de um grupo até então esquecido ou mal descrito nas obras literárias antecessoras a esses escritores. Até a produção literária da geração de trinta era produzida uma literatura preocupada com aspectos naturais, linguajar, hábitos e costumes, como é o caso do Romantismo, ou uma produção que retratava o comportamento humano através de uma lente determinista e de pretensão científica, como se pode observar no Naturalismo.

Os modernistas, no entanto, exploravam o regionalismo para investigar as relações complexas entre o homem e a sua terra, os fenômenos naturais, a memória, a persistência e o poder da tradição como é o caso de romances como Vidas Secas (1938), de Graciliano Ramos e Grande Sertão: Veredas (1956), de Guimarães Rosa. Os autores deste movimento adotaram uma visão mais crítica e analítica das relações sociais, mergulhando na psicologia dos seus personagens de tal forma que, como aponta Bosi (2006), a trama passa a perder os contornos e divisões bem definidas e tende a dissolver-se em um fluxo de memórias que evoca os acontecimentos.

Neste cenário, Candido (1980) afirma que houve um momento onde o valor de uma obra dependia se ela conseguia ou não exprimir determinados aspectos sociais. Posteriormente tomou-se uma posição contrária em que consideravam as operações formais presentes na obra, tais operações tornavam a obra independente de qualquer condicionamento.

Ainda segundo o autor, chegou-se a um entendimento de que essas duas posições não devem ser tomadas de forma dissociada, pelo contrário, só podemos entender uma obra literária:

[...] fundindo texto e contexto numa interpretação dialeticamente íntegra, em que tanto o velho ponto de vista que explicava pelos fatores externos, quanto o outro, norteado pela convicção de que a estrutura é virtualmente independente, se combinam como momentos necessários do processo interpretativo (Candido, 1980, p. 12-13).

Além disso, Candido (1980) afirma que o fator social que é externo à obra não deve atuar como causa ou significado, mas sim como um elemento que desempenha um papel na constituição da obra, tornando-se assim interno.

Além de servir como reflexo da sociedade, a literatura também desempenha um papel ativo na promoção da mudança, questionando normas estabelecidas, escancarando injustiças e provocando uma reflexão crítica no leitor. Assim, a literatura desafia as narrativas dominantes oferecendo espaço para vozes marginalizadas. Ao representar uma ampla gama de perspectivas, a literatura contribui para a construção de uma compreensão mais completa e inclusiva da sociedade. Nesse sentido, escritores que exploram as identidades subalternas em suas obras desafiam estereótipos, contribuindo para uma narrativa mais rica e representativa.

Em A Hora da Estrela, pode-se perceber a presença desse elemento de denúncia social através de Macabéa, seja pela sua posição de nordestina migrante que enfrenta a exclusão e preconceito no Rio de Janeiro, seja por suas relações com os outros personagens e às questões sociais reveladas por meio delas. Além disso, a novela é um reflexo da sociedade brasileira por fazer referências a espaços (como o de Maceió e Rio de Janeiro), à cultura, à visão de mundo, à alienação social e às camadas sociais. Assim, Clarice Lispector consegue capturar a essência da época em questão, trazendo para o debate aspectos culturais, problemáticas e temas políticos atemporais.

Desse modo, o aspecto reflexivo presente em A Hora da Estrela proporciona aos leitores uma possível forma de identificação e autoconhecimento, assim como afirma Candido (1980), ao dizer que a literatura desempenha uma função educativa ao expor os indivíduos a uma variedade de culturas e perspectivas, moldando suas visões de mundo e contribuindo para a formação de suas identidades sociais e culturais.

3. PERSONAGEM DE FICÇÃO E OS (DES)CAMINHOS DA LINGUAGEM EM A HORA DA ESTRELA

3.1. Personagem de Ficção

Se a Literatura serve como espelho de nossa sociedade, a personagem de ficção é o principal instrumento utilizado nessa ação reflexiva. Nessa perspectiva, Candido (2009, p. 51) dispõe que é “[...] a personagem, que representa a possibilidade de adesão afetiva e intelectual do leitor, pelos mecanismos de identificações, projeção, transferência etc. A personagem vive o enredo e as ideias, e os torna vivos.”

A personagem de ficção desempenha um papel crucial na adesão do leitor com a narrativa. É através dela que as pessoas conseguem estabelecer uma ligação com a obra, ao se identificar com algum elemento da personagem, seja aparência, origem, desejos ou personalidade.

Em A Hora da Estrela, Clarice Lispector, assim como vários autores da terceira geração modernista, traçou uma representação de grupos sociais. Para tanto, ela usa a personagem Macabéa como o retrato de vários brasileiros, sejam eles nordestinos, migrantes ou mulheres, mostrando assim a força e o papel que a personagem desempenha dentro do seu romance.

Macabéa traz consigo representatividade e para entender melhor esse elemento, deve-se primeiramente, atentar para o contexto político e social em que a obra está inserida. A novela foi publicada em um período de intensa transformação socioeconômica e política do nosso país. A história se passa na década de 1970, uma época marcada pelo regime militar, que governava o país desde 1964. Durante esse período, o governo adotou políticas de modernização econômica, buscando o desenvolvimento industrial e tecnológico do país, o que levou à urbanização acelerada de algumas cidades, que por sua vez, ocasionou um aumento da população gerando falta de moradias adequadas, infraestrutura básica insuficiente e serviços precários de saúde e educação para os mais pobres, em especial aos nordestinos migrantes.

Em vista do contexto social e político da novela em debate, pode-se pensar certas nuances da personagem. Macabéa é apresentada como uma pessoa que “nascera inteiramente raquítica, herança do sertão [...] Com dois anos de idade lhe haviam morrido os pais de febres ruins no sertão de Alagoas, lá onde o diabo perdera as botas.” (Lispector, 2020, p. 24). A origem de Macabéa remonta a um contexto de pobreza e deslocamento social. A jovem enfrenta uma vida de dificuldades desde seu nascimento, vindo ao mundo com raquitismo, uma doença que afeta sua estrutura óssea, e ficando órfã aos dois anos de idade.

Após a morte de seus pais, a garota foi mandada para Maceió onde fora criada por uma tia beata que a castigava com frequência, como se observa neste trecho:

As pancadas ela esquecia, pois esperando-se um pouco a dor termina por passar. Mas o que doía mais era ser privada da sobremesa de todos os dias: goiabada com queijo, a única paixão na sua vida. Pois não era que esse castigo se tornara o predileto da tia sabida? (Lispector, 2020, p. 25).

A tia deu à Macabéa uma criação regada de castigo, privação e aprisionamento. Não permitia que a sobrinha tivesse contato com outras meninas por medo dela virar “mulher da vida”. Nesse sentido, as duas viajam então para o Rio de Janeiro, bem como assinala Gotlib (1995, p. 88):

Como se não bastasse ter nascido e vivido no lugar que é a própria metáfora da “fome e da miséria”, a personagem vem para o Rio de Janeiro e tenta, como a maioria das pessoas da cidade, sobreviver no ‘cenário agressivo’ de uma grande capital.

Depois que a tia morre, Macabéa volta a ficar sozinha no mundo. A nordestina passa então a dividir um quarto alugado com mais quatro moças na Rua do Acre. O próprio narrador admite a precariedade do espaço que a personagem se encontrava: “Rua do Acre. Mas que lugar. Os gordos ratos da rua do Acre. Lá é que não piso pois tenho horror sem nenhuma vergonha do pardo pedaço da vida imunda.” (Lispector, 2020, p. 27).

Sua ocupação como datilógrafa também contribui para sua situação desfavorecida já que a moça além de viver à beira da demissão, ganhava menos que um salário mínimo, ocasionando em uma péssima alimentação: “Às vezes antes de dormir sentia fome e ficava meio alucinada pensando em coxa de vaca. O remédio então era mastigar papel bem mastigadinho e engolir.” (Lispector, 2020, p. 28).

As privações que Macabéa enfrenta também são retratadas através de sua alimentação, a qual era inadequada, refletindo a falta de acesso a recursos básicos para uma vida saudável, o que agrava sua condição de vulnerabilidade. A falta de uma instrução mais formal limita as oportunidades da alagoana e, assim também as suas perspectivas de ascensão social, contribuindo para sua vulnerabilidade socioeconômica e alienação.

Podemos constatar ainda como a vida amorosa de Macabéa é marcada pela solidão e pelo desamparo. A ausência de relacionamentos afetivos sólidos acentua a sensação de isolamento social e emocional da personagem. Mesmo quando a retirante conhece Olímpico, outro nordestino, Macabéa sempre é tratada com desdém e indiferença.

Ao refletir sobre o percurso narrativo de Macabéa, desde suas origens e migração para o Rio de Janeiro até sua vida conturbada na grande metrópole, fica evidente que a moça é o retrato de um grupo social que foi desenraizado de suas origens. No tocante a esse tema, Bosi (2013, p. 176-177) discorre que:

O migrante perde a paisagem natal, a roça, as águas, as matas, a caça, a lenha, os animais, a casa, os vizinhos, as festas, a sua maneira de vestir o entoado nativo de falar, de viver, de louvar a Deus... Suas múltiplas raízes se partem. Na cidade a sua fala é chamada de ‘código restrito’ pelos linguistas, seu jeito de viver, “carência cultural”, sua religião, crendice ou folclore. Seria mais justo pensar a cultura de um povo migrante em termos de desenraizamento.

A nordestina gera no imaginário das diversas pessoas que tiveram contato com essa realidade, identificação e representação. O desenraizamento da personagem, assim como o de vários sertanejos, resulta em uma sensação de isolamento e perda de identidade cultural, haja vista que as tradições e costumes muitas vezes se perdem no processo de adaptação a um novo ambiente e a uma nova cultura.

Macabéa é uma personagem que, mesmo aparentemente simples, é capaz de representar questões universais e complexas sobre a condição humana. Sozinha numa “cidade totalmente feita contra ela”, a jovem vê-se impotente contra toda aquela exclusão que sofria. Além do mais, era desprovida de força física devido ao raquitismo e má alimentação, mas também de força mental, devido às suas origens e à criação opressora dada pela tia.

Macabéa é um símbolo da invisibilidade social, da solidão e da busca por identidade, revelando como as personagens de ficção podem transcender suas características individuais, desdobrando-se no decorrer da narrativa, o que pode ser notado através de seu comportamento, da aparência física ou da forma de se comunicar. Nesse contexto, abordaremos no subtópico a seguir como a linguagem de Macabéa revela sua simplicidade e pobreza.

3.2. A Linguagem de Macabéa e a (Não) Constituição do Sujeito

A formação do indivíduo é fortemente influenciada pela linguagem, pois é através dela que o sujeito desenvolve a consciência de si mesmo e dos outros. Em seus vários escritos, Mikhail Bakhtin discute a linguagem como prática discursiva onde ela, por sua vez, dispõe de um locutor que tem o que dizer e para quê dizer e um interlocutor. Nesta concepção, o indivíduo se faz pela linguagem, constituindo-a, como se fosse um encontro entre pessoas e a palavra, a qual serve de ponte (Bakhtin, 2006).

No caso de Macabéa, o que se percebe é que ela não consegue dispor dessa concepção. Sua linguagem é parca e limitada, a alagoana não compreende plenamente o que os outros dizem a ela, nem consegue expressar-se claramente com os outros por meio de palavras, revelando assim a vida empobrecida da personagem. Nesse sentido, Mello (2021) afirma que se a palavra é um sinal de humanidade e liberdade, sua ausência pode refletir a carência ou a restrição desses atributos, evidenciando um empobrecimento da realidade.

Não conseguindo estabelecer uma comunicação dialógica, isto é, uma relação onde existe uma troca dinâmica entre ela e os outros personagens, Macabéa acaba se isolando ainda mais na grande cidade que a cercava e a sufocava. No cerne dessa discussão, corrobora o pensamento de Bakhtin (2013, p. 224), quando afirma o seguinte:

A linguagem só vive na comunicação [...] daqueles que a usam. É precisamente essa comunicação dialógica que constitui o verdadeiro campo da vida da linguagem. Toda a vida da linguagem, seja qual for o seu campo de emprego (a linguagem cotidiana, a prática, a científica, a artística, etc.), está impregnada de relações dialógicas.

Essa dificuldade em se estabelecer através da linguagem, indica, portanto, uma vida de restrições e isolamento, além de reafirmar a falta de educação formal da protagonista que não conseguiu avançar em seus estudos como é dito no fragmento a seguir: “Ela que devia ter ficado no sertão de Alagoas com vestido de chita e sem nenhuma datilografia, já que escrevia tão mal, só tinha até o terceiro ano primário.” (Lispector, 2020, p. 13).

Ainda na sua infância, Macabéa fora privada de brincar com as crianças da vizinhança pois “a tia a queria para varrer o chão” (Lispector, 2020, p. 29). A infância de Macabéa, marcada pela pobreza e pela falta de interação com outras pessoas, propiciou uma dificuldade em se comunicar efetivamente na vida adulta. Desde cedo, Macabéa não teve acesso a um ambiente que desenvolvesse habilidades linguísticas e sociais.

A falta de estímulo durante a infância da alagoana resultou em um vocabulário limitado, dificuldades para articular seus pensamentos de maneira clara e coerente e de entender enunciados simples como é revelado no diálogo a seguir entre a personagem e Olímpico:

Ele: – Pois é.

Ela: – Pois é o quê?

Ele: – Eu só disse pois é!

Ela: – Mas “pois é” o quê?

Ele: – Melhor mudar de conversa porque você não me entende.

Ela: – Entender o quê?

Ele: – Santa Virgem, Macabéa, vamos mudar de assunto e já!

Ela: – Falar então de quê?

Ele: – Por exemplo, de você.

Ela: – Eu?!

Ele: – Por que esse espanto? Você não é gente? Gente fala de
gente.

Ela: – Desculpe mas não acho que sou muito gente.

Ele: – Mas todo mundo é gente, Meu Deus!

Ela: – É que não me habituei.

Ele: – Não se habituou com quê?

Ela: – Ah, não sei explicar.

Ele: – E então?

Ela: – Então o quê?

Ele: – Olhe, eu vou embora porque você é impossível!

Ela: – É que só sei ser impossível, não sei mais nada. Que é
que eu faço para conseguir ser possível?

Ele: – Pare de falar porque você só diz besteira! Diga o que é do
teu agrado.

Ela: – Acho que não sei dizer.

Ele: – Não sabe o quê?

Ela: – Hein?

Ele: – Olhe, até estou suspirando de agonia. Vamos não falar
em nada, está bem?

Ela: – Sim, está bem, como você quiser.

Ele: – É, você não tem solução. Quanto a mim, de tanto me
chamarem, eu virei eu. No sertão da Paraíba não há
quem não saiba quem é Olímpico. E um dia o mundo
todo vai saber de mim.

– É?

– Pois se eu estou dizendo! Você não acredita?

– Acredito sim, acredito, acredito, não quero lhe ofender. (Lispector, 2020, p. 43-44).

Macabéa não consegue estabelecer um diálogo, falar de si mesma, se reconhecer como um ser e entender uma coisa que para muitos é simples como um “pois é”, dificultando sua comunicação com Olímpico e com os demais personagens ao seu redor.

Isolada do mundo, a alagoana se apega à Rádio Relógio, um programa transmitido via rádio e que indicava a passagem dos minutos. No intervalo entre cada minuto o programa noticia curiosidades, é através disso que a personagem estabelece uma conexão com o mundo e tem contato com novas palavras.

Por diversas vezes a alagoana recorre a Olímpico, a quem considera muito inteligente, para saber o que significa algumas dessas palavras:

– Você sabia que na Rádio Relógio disseram que um homem escreveu um livro chamado “Alice no País das Maravilhas” e que era também um matemático? Falaram também em “élgebra”. O que é que quer dizer “élgebra”?

– Saber disso é coisa de fresco, de homem que vira mulher. Desculpe a palavra de eu ter dito fresco porque isso é palavrão para moça direita.

– Nessa rádio eles dizem essa coisa de “cultura” e palavras difíceis, por exemplo: o que quer dizer “eletrônico”? (Lispector, 2020, p. 44-45).

Macabéa encontra na Rádio Relógio um tipo de companhia, algo que preenche o vazio de sua existência solitária. As palavras que ela ouve, embora muitas vezes desprovidas de contexto ou relevância prática, ganham um significado especial em sua vida. A rádio se torna uma espécie de professor invisível, oferecendo-lhe fragmentos de conhecimento que, para outros, poderiam parecer irrelevantes, mas que para ela eram preciosos.

Diante do exposto, podemos afirmar que Macabéa, entre outros porquês, não consegue se afirmar nos processos de interação e exercer de maneira plena o papel social que tanto almeja. Logo, a formação do sujeito se realiza principalmente através da interação verbal, posto que há trocas de experiências as quais fornecem uma base para a formação do “eu”. A datilógrafa não é uma personagem que utiliza a linguagem para afirmar sua presença ou para interagir ativamente com as pessoas e o mundo ao seu redor. Em vez disso, suas palavras são simplistas de forma que ela não consegue utilizar o poder da palavra para se definir. Afinal, como afirma Bakhtin (2006), toda palavra serve como forma de expressão de um em relação ao outro, definindo um locutor em relação a um interlocutor e em relação à coletividade.

4. MACABÉA: A DECADÊNCIA E OS CONFLITOS DE UMA PERSONAGEM DE FICÇÃO

Neste tópico, abordaremos como as origens e o contexto social desfavorecido em que Macabéa está inserida influenciou de maneira significativa sua identidade e visão de mundo. Segundo Silva (2000), a identidade é influenciada e definida pelo contexto social do indivíduo, sendo moldada pelas relações de poder e pelos discursos dominantes em uma sociedade específica. Tornando assim, o contexto social como elemento fundamental para a formação de nossa identidade e maneira como percebemos o mundo.

Como discutido nos tópicos anteriores, a protagonista de A Hora da Estrela nasce no interior do sertão de Alagoas, fica órfã aos dois anos de idade e, logo, após passa a ser criada por uma tia beata que a prende e isola do mundo. Já no Rio de Janeiro, a alagoana se vê em meio a uma sociedade desigual e em uma posição marginalizada, onde sua condição de mulher e migrante agrava ainda mais sua posição de vulnerabilidade.

Tudo o que Macabéa vivenciou a empurrou para um abismo de autoesquecimento e alienação. A vida negara a ela o direito de se conhecer e de pensar de forma crítica sobre si mesma, a moça, como se vê: “Nem se dava conta de que vivia numa sociedade técnica onde ela era um parafuso dispensável.” (Lispector, 2020, p. 26). Nesse contexto, observa-se que a personagem é descrita como um mero objeto, o que parece interferir em sua própria condição humana. Além disso, a narrativa aponta que a jovem não pensava em si como um ser subjetivo, como podemos constatar no seguinte fragmento: “Só uma vez se fez uma trágica pergunta: quem sou eu? Assustou-se tanto que parou completamente de pensar.” (Lispector, 2020, p. 29).

Nota-se, por meio desses elementos, que a nordestina é levada a um estado de conformismo que mobiliza uma certa falta ou mesmo um interesse de autocuidado com sua saúde e aparência. Devido a condição socioeconômica precária, a jovem gasta seu salário com cachorro-quente e refrigerante, por ser uma comida mais barata, ou seja, não consegue se alimentar corretamente.

Como é revelado no diálogo a seguir:

– O que é que você come?

– Cachorro-quente.

– Só?

– Às vezes como sanduíche de mortadela.

– Que é que você bebe? Leite?

– Só café e refrigerante (Lispector, 2020, p. 60).

O estado de saúde da personagem, que já não andava bem devido às suas tosses constantes, agrava-se após sentir uma ânsia de vômito. Ela vai ao médico e descobre que está com início de tuberculose pulmonar. Assim, sem ter consciência da gravidade da doença e achando que ir ao médico já era grande coisa, ignora o resultado do exame, revelando mais uma vez seu estado de alienação e de negação.

Macabéa também não possuía uma boa autoestima, ela tinha vergonha de se ver nua, não sabendo ao certo se essa vergonha era fruto da beatice da tia que a criou ou dos olhares que recebia na rua devido sua aparência, tal qual a narrativa indica: “E adianto um fato: trata-se de uma moça que nunca se viu nua porque tinha vergonha. Vergonha por pudor ou por ser feia?” (Lispector, 2020, p. 19).

Sua criação regada de privações e castigos, a falta de acesso a uma educação mais formal e o abandono social a transformaram em uma mulher que não era vaidosa como as demais, ela não se maquiava, tinha o rosto manchado e um “cheiro morrinhento”. Macabéa não desenvolveu sua feminilidade “Pois até mesmo o fato de vir a ser uma mulher não parecia pertencer à sua vocação. A mulherice só lhe nasceria tarde porque até no capim vagabundo há desejo de sol” (Lispector, 2020, p. 25).

Conforme se vê, a alagoana era alguém que se conformava com as rasteiras da vida sem se perguntar o porquê, levando em consideração que sempre era castigada sem justificativa ou explicação pela tia quando criança, aprendera a nunca questionar o porquê as coisas eram como eram: “A menina não perguntava por que era sempre castigada mas nem tudo se precisa saber e não saber fazia parte importante de sua vida.” (Lispector, 2020, p. 25).

Macabéa não aspirava muita coisa, não desejava. “Ela sabia o que era desejo - embora não soubesse que sabia.” (Lispector, 2020, p. 40). No entanto, um dia, em um lampejo de desejo e consciência, a datilógrafa desejou um livro que viu na mesa de seu patrão:

O título era Humilhados e ofendidos. Ficou pensativa. Talvez tivesse pela primeira vez se definido numa classe social. Pensou, pensou e pensou! Chegou à conclusão que na verdade ninguém jamais a ofendera, tudo acontecia era porque as coisas são assim mesmo e não havia luta possível, para que lutar? (Lispector, 2020, p. 36).

Mesmo em seu vislumbre de consciência, Macabéa aceitava sua posição desfavorecida e a forma que era marginalizada pelas pessoas ao seu redor. Ademais, em uma das conversas com seu até então namorado, Olímpico de Jesus, é revelado um desejo: ser uma artista de cinema.

Tal vontade veio de suas andanças ao cinema nos dias em que Seu Raimundo, o patrão, fazia um pagamento. Macabéa havia se encantado com um ideal glamouroso e sedutor para muitas mulheres, ideal esse vendido pela indústria cinematográfica, especialmente por Hollywood. A nordestina havia comprado de forma passiva a imagem de estrelas de cinema como ícones de beleza, sucesso e estilo de vida luxuoso. A esse respeito, Lipovetsky (2009) afirma que Hollywood, ao transformar suas atrizes em ícones de beleza e luxo, contribuiu para a criação de um ideal feminino inalcançável, perpetuando a ideia de que a felicidade e o sucesso estão ligados à aparência física e ao estilo de vida luxuoso.

Diante de todo o exposto, podemos inferir que a personalidade de Macabéa foi moldada por sua trajetória conturbada. A ausência de uma estrutura familiar e o ambiente de pobreza extrema no sertão nordestino privaram Macabéa de uma infância saudável e da construção de pilares tão importantes como a autoestima e o pensamento crítico, deixando marcas profundas em sua vida.

Assim, a migração para o Rio de Janeiro, longe de trazer boas oportunidades, acentuou seu sentimento de inadequação e isolamento. Na metrópole, ela enfrentou um cotidiano de invisibilidade, humilhação e de um trabalho sem perspectivas de ascensão social. A falta de educação e a baixa autoestima impediram-na de questionar sua situação social e econômica ou lutar por mudanças, perpetuando assim um ciclo de pobreza.

5. CONSIDERAÇÕES FINAIS

À luz das análises feitas até aqui, foi possível perceber que as experiências de vida da datilógrafa, desde sua infância no sertão até sua migração para o Rio de Janeiro, moldaram uma personalidade marcada pelo conformismo, falta de ambição e alienação. Isolada e privada de uma estrutura familiar adequada, a moça nunca desenvolveu uma autoestima saudável ou pensamento crítico, o que a levou a aceitar sua condição de pobreza e invisibilidade social.

Ao longo deste estudo foi possível perceber também a realidade social que Clarice Lispector queria compartilhar com seus leitores. Apesar de não ter intenção de alterar a sociedade através de sua escrita (como a escritora afirma em entrevista para a TV Cultura em 1977), por meio da vida conturbada de Macabéa, a autora consegue fazer uma crítica à estrutura social do nosso país, expor barreiras que mantêm muitas pessoas à margem e revelar condições que perpetuam a exclusão e a marginalização de grupos sociais como nordestinos e migrantes.

Através de sua personagem, Clarice Lispector entrelaça ficção e realidade, trazendo à tona o papel que a personagem de ficção desempenha dentro da narrativa como um elemento capaz de representar um grupo social e atuar na construção da identidade de um povo. Macabéa é o retrato do sertanejo deslocado em uma metrópole, vivendo em condições precárias e preso a um trabalho mal remunerado. Dessa forma, a personagem se torna um símbolo das dificuldades enfrentadas por aqueles que, como ela, são marginalizados e esquecidos pela sociedade.

A crítica social feita através da narrativa de Macabéa desafia os leitores a confrontar estereótipos e preconceitos embutidos em nossa coletividade, provocando uma discussão necessária sobre o papel da literatura na denúncia e na conscientização de dilemas sociais. Através da nordestina, Clarice Lispector não só documenta a vida de uma personagem, mas também revela a importância de enxergar e reconhecer as diversas realidades invisibilizadas que nos cercam diariamente.

Em vista destas considerações, embora se tenha alcançado o objetivo da pesquisa, reconhece-se que ainda há espaço para aprofundar o estudo sobre a personagem Macabéa e A Hora da Estrela em pesquisas futuras. Em especial, seria interessante realizar uma investigação mais detalhada das dinâmicas entre a nordestina e os aspectos socioculturais que influenciam sua trajetória ou mesmo sua relação com os demais personagens da trama como Glória e Seu Raimundo. Isso porque, em uma análise literária, sempre existem possibilidades de novos desdobramentos e interpretações que podem enriquecer ainda mais a compreensão da obra.

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1 Mestrando em Letras pelo Programa de Pós-Graduação em Letras da Universidade Estadual do Maranhão (PPGLetras/UEMA). Licenciado em Letras - Língua Portuguesa pela Universidade Estadual do Maranhão (UEMA). E-mail: [clique para visualizar o e-mail]acesse o artigo original para visualizar o e-mail. ORCID: https://orcid.org/0009-0007-5084-6425.

2 Doutora em Letras pela Universidade Federal do Pará (UFPA). Mestre em Letras pela Universidade Estadual do Piauí (UFPI). Licenciada em Letras pela Universidade Estadual do Maranhão (UEMA). Docente do Curso de Letras da Universidade Estadual do Maranhão (UEMA), Campus Zé Doca. E-mail: [clique para visualizar o e-mail]acesse o artigo original para visualizar o e-mail. Orcid: https://orcid.org/0009-0002-8957-976X