REGISTRO DOI: 10.70773/revistatopicos/776805317
RESUMO
Podemos dizer que a filosofia é o conhecimento do conhecimento ou, também, um movimento contínuo de saída da caverna (superação do senso comum e a busca da verdade). O começo da filosofia é a admiração. É a admiração que sempre levou os homens e mulheres a filosofar. O pensamento filosófico representa, em certa medida, uma continuidade do mito, mas, por outro lado, uma ruptura. Para que filosofia? Para não aceitarmos de imediato os acontecimentos, sem maiores considerações. A filosofia é pensamento crítico, rigoroso, radical e de conjunto; é a sempre renovada pergunta pelo sentido de nossa vida no mundo. O filósofo visa conhecer o todo, a unidade última que sustenta os fenômenos. A filosofia é amor à sabedoria. Só ela possibilita a independência interior.
Palavras-chave: filosofia; mito; pensamento crítico; reflexão; sabedoria.
Abstract: We can say that philosophy is the knowledge of knowledge; a continuous movement out of the cave (overcoming common sense and the search for truth). The beginning of philosophy is wonder. It is admiration that has always led men and women to philosophize. Philosophical thought represents to a certain extent a continuity of the myth, but on the other hand a rupture. For what philosophy? So that we do not immediately accept the events, without further consideration. Philosophy is critical, rigorous, radical and overall thought; it is the ever-renewed question about the meaning of our life in the world. The philosopher aims to know the Whole, the ultimate unity that sustains the phenomena. philosophy is love of wisdom.
Keywords: philosophy; myth; critical thinking; reflection; wisdom.
1. INTRODUÇÃO
A intenção deste trabalho é apresentar, não de forma exaustiva ou mesmo conclusiva – tarefa que consideramos impossível – alguns sentidos (organizados em 7 itens) que julgamos relevantes em nossa perspectiva. Buscamos, deste modo, desenvolver reflexões sobre o sentido da filosofia. Diante disso propomos a seguinte questão: Qual é o papel da filosofia na construção do pensamento crítico e na atribuição de sentido à existência humana no mundo de hoje?
O mundo atual nos pede urgentemente a busca do pensar. Saber pensar é condição sine qua non para a conquista da autonomia e da emancipação intelectual. Saber pensar faz parte do saber viver. Saber pensar a si mesmo é um dos traços mais profundos do saber pensar. Condição central na caminhada no rumo da libertação e da humanização. Definimos como pensar a própria questão do sentido do ser –, e que nos parece estar abandonada –; esquecemos de refletir, pensar nosso viver, nosso momento de estar, e acabamos vivendo a obviedade do passar pela vida e, muitas vezes, a limitada capacidade de compreensão do nosso viver. Estar no mundo e não pensar sobre ele – sobre nós mesmos, o outro, o conhecimento – e, assim, dar sentido e esperança para o aqui e agora, a fim de expandirmos a possibilidade de um amanhã com mais justiça, ética, amor, paz e, principalmente, entendermos o sentido da vida como mote de estarmos aqui; é como não respirar. O ser humano está no mundo para pensar! Nossa capacidade pensante nos faz humanos. Pensar nossa sociedade, cultura, educação, política, enfim, todas as questões afins ao humano. Ou seja, o mundo está necessitando do pensar. Para tanto, valemo-nos de uma aproximação sobre o filosofar – aqui nos referimos como forma de pensar – e assim, descrevemos no artigo uma explanação sobre a Filosofia.
Nosso ponto de partida será algumas aproximações com a ajuda valiosa de autores a respeito do que entendemos ser propriamente a filosofia e o pensamento filosófico. No passo seguinte apresentamos a admiração como a origem da filosofia. Na sequência, trabalhamos a relação entre mito e filosofia no sentido de continuidade, mas, também, de ruptura. Neste movimento nos deparamos com a pergunta recorrente: Para que filosofia? Na busca de respostas encontramos o conceito de reflexão. A filosofia se realiza como atitude reflexiva. Seu objetivo é provocar um questionamento radical da obviedade e desenvolver um pensamento crítico para novos horizontes de leitura do real. Esta abertura de horizontes, provocada pela reflexão, conduz à busca de sentido do existir humano. Fazer filosofia é a tentativa de respostas às questões metafísicas que colocam em jogo o sentido último da nossa existência no mundo (nascer, viver, lutar, morrer). No ato de filosofar buscamos não só o sentido do existir pessoal, mas a compreensão do mundo na sua totalidade. Finalmente, apresentamos o sentido da filosofia como amor à sabedoria, mas não como posse definitiva, absoluta, mas como desejo, paixão e amor infinito. O filósofo tende à sabedoria, sem jamais poder atingi-la.
2. O QUE É FILOSOFIA?
Que representa a filosofia? – é uma das rasas possibilidades de existência criadora. Seu dever é tornar as coisas mais refletidas, mais profundas (Heidegger, 1955 apud Buzzi, 1987, p. 107).
Para dizer e entender o que é filosofia, é preciso já estar dentro dela. O que é a filosofia já é uma questão filosófica, pois o que é a filosofia dá início à filosofia. O conceito de filosofia é parte integrante do fazer filosófico, então, dizer o que é a filosofia já é um filosofar.
A pergunta instaura o filosofar que consiste, antes de tudo, em distinguir, definir e classificar as coisas do mundo e as ações humanas, já que ela pressupõe constantemente a disponibilidade para a indagação.
A pergunta o que é a filosofia acompanha toda a história da filosofia. Ela é antiga e, ao mesmo tempo, contemporânea. Ela é permanente desde a infância até a velhice. Na realidade, todos os homens são naturalmente filósofos, pois, pensar é mais do que saber ou conhecer. Pensar é questionar os primeiros princípios, as causas das coisas, o sentido da vida e da morte. É um indagar sobre a racionalidade e a animalidade do humano, o universo, a dimensão divina, as possibilidades do conhecimento, a natureza da realidade e da linguagem (Paviani, 2014, p. 16).
Filosofar é pensar por conta própria, é questionamento do mundo em seus princípios primeiros e últimos. Podemos afirmar que a filosofia é um conhecimento teórico que trabalha com conceitos abstratos, define princípios e investiga questões fundamentais.
O que é filosofia? Poderia ser: A decisão de não aceitar como naturais, óbvias e evidentes as coisas, as ideias, os fatos, as situações, os valores, os comportamentos de nossa existência cotidiana; jamais aceitá-los sem antes havê-los investigado e compreendido (Chaui, 2010, p. 21).
Com a filosofia não se faz nada (no sentido útil e produtivo). No entanto, ela faz algo conosco, pois pode mudar nossa visão de mundo e nossa compreensão dos outros e, assim, tornar-se essencial para o desenvolvimento do indivíduo e da sociedade.
A filosofia não é uma disciplina, mas uma força de interrogação e de reflexão dirigida não apenas aos conhecimentos e à condição humana, mas também aos grandes problemas da vida. Neste sentido, filósofo deveria estimular, em tudo, a aptidão crítica e autocrítica, insubstituíveis fermentos da lucidez, e exortar à compreensão humana, tarefa fundamental da cultura (Morin, 2001, p. 54).
Nesta linha de pensamento, filosofia é o uso do saber em proveito do ser humano e é um termo grego composto que acena para o amor ao saber, amor à sabedoria. Portanto, é o estudo da sabedoria, e, por sabedoria, não se entende somente a prudência nas coisas, mas um perfeito conhecimento de todas as coisas que o ser humano pode conhecer, tanto para a conduta de sua vida, quanto para a conservação de sua saúde e a invenção de todas as artes. “A filosofia é uma grande vontade de clareza. Seu propósito fundamental é descobrir o oculto ou velado; filosofar é dizer o ser das coisas” (Gasset, 1961, p. 87). Conhecimento filosófico é não se contentar com as coisas conforme nos apresentam, mas buscar, por trás delas, seu ser.
O verdadeiro objeto da filosofia é o conhecimento coerente e lógico. Podemos dizer que a filosofia é o conhecimento do conhecimento (suas possibilidades e limites); exercício crítico da razão. É a guardiã da racionalidade e sua intérprete,
[...] uma especulação infinita e desregrada em torno de qualquer assunto ou questão, ao sabor de cada autor, de suas preferências e mesmo seus humores. Há mesmo quem afirme não caber à Filosofia resolver, e sim unicamente sugerir questões e propor problemas, fazer perguntas cujas respostas não têm maior interesse, e com o fim unicamente de estimular a reflexão, aguçar a curiosidade (Prado, 1996, p. 6).
É o conhecimento causal e, por outro lado, a utilização deste conhecimento em benefício do ser humano. Ciência unificadora dos resultados das outras ciências e, segundo Jaspers (1965), a filosofia se destina ao ser humano e diz respeito a todos. O objetivo do pensar filosófico é levar a uma forma de pensamento capaz de iluminar-nos interiormente e de iluminar o caminho diante de nós, permitindo-nos apreender o fundamento onde encontramos significado e orientação. A filosofia é universal. Nada existe que a ela não diga respeito. Quem se dedica à filosofia interessa-se por tudo. Mas não há pessoa que possa conhecer tudo. Quem distingue a vã pretensão de tudo saber do propósito filosófico de aprender o todo? O saber filosófico é difuso. O simples saber é uma acumulação, a filosofia é uma unidade. O saber é racional e igualmente acessível a qualquer inteligência. A filosofia é o modo de pensamento que termina por constituir a essência de um ser humano.
A tarefa da filosofia é verificar a validade do saber, determinando seus limites e condições, suas possibilidades efetivas. De acordo com Stein (1996), em primeiro lugar, a filosofia, no seu núcleo, trata de dois campos fundamentais: de um lado, analisa o problema da verdade dos enunciados, a verdade das proposições teóricas; de outro, há o problema da fundamentação da ação humana a partir de certas normas morais. Estes são os seus dois temas fundamentais enquanto reflexão racional.
Deleuze e Guattari (1992) lhe definem como a arte de formar, de inventar, de fabricar conceitos. O filósofo inventa e pensa o conceito, pois ele é o amigo do conceito, é conceito em potência. A filosofia, mais rigorosamente, é a disciplina que consiste em criar conceitos. E se caracteriza por ser uma crítica do conhecimento e esforço de libertação do ser humano de ignorâncias e preconceitos. Filosofar é procurar, é afirmar que há algo a ver e a dizer sobre o mundo e, também, nossa existência. A filosofia fala do mundo e da nossa existência em busca de sentido. Podemos dizer que na sua origem está a experiência da existência humana em plenitude. De certo modo, não existe nenhuma pessoa que possa estar plenamente livre de toda a filosofia, por mais primitiva, infantil, ingênua ou inconsciente que seja. Cada ser humano pensa, fala, usa de noções, de categorias, de símbolos, de mitos, pronuncia apreciações. A fé mais pueril está sempre ligada a alguma filosofia. Ela (a filosofia),
[...] é uma dimensão constitutiva da existência humana. Uma vez que somos dotados de vida e razão, coloca-se para todos nós, inevitavelmente, a questão de articular uma à outra essas duas faculdades. Não podemos, sem filosofar, pensar nossa vida e viver nosso pensamento: já que isto é a própria filosofia (Comte-Sponville, 2002, p. 13).
Em todos os tempos e em todos os lugares, a vida cotidiana dá a possibilidade de filosofar.
A filosofia nunca é uma ciência perfeita que se possa ensinar ou aprender. Pode-se apenas aprender a filosofar, a exercitar o talento da razão na aplicação dos seus princípios universais a determinadas investigações, mas sempre com a ressalva de que é direito da razão investigar esses princípios em suas fontes, para confirmá-los ou recusá-los (Abbagnano, 2000, p. 455).
A filosofia nos desperta para o que há de problemático em si na existência do mundo e na nossa, de tal modo que nunca deixamos de procurar uma solução. Já que “O que caracteriza o filósofo é o movimento que leva incessantemente do saber à ignorância, da ignorância ao saber, e um certo repouso neste movimento” (Merleau-Ponty, 1998, p. 11). Talvez, a filosofia nada mais é do que um movimento contínuo de saída da caverna (senso comum, atitude ingênua) na direção da luz e da verdade (sabedoria).
2.1. Admiração
O começo da filosofia é a admiração, ou espanto (thaúma, θαῦμα), como já observava Aristóteles (Metafísica, I, 982b), que entendia este espanto como o momento em que nos deparamos com o inesperado e somos chamados a refletir. É a admiração que leva os homens a filosofar. Existimos para admirar. E admirar significa ver e sentir o estranhamento do que aparece. O máximo que o ser humano pode atingir é a admiração. O poder da admiração pertence às supremas possibilidades da natureza humana. De acordo com as reflexões de Pieper (2007), o sentido da admiração é a experiência de que o mundo é mais profundo, mais amplo, mais misterioso do que parece ao entendimento comum. A admiração não apenas é o começo da filosofia, mas é o princípio, origem interna e permanente do filosofar. A admiração mantém a filosofia, é sua alma e respiração.
Pela admiração os seres humanos chegam agora e chegaram, antigamente, à origem imperante do filosofar. A essência do filosofar é praticamente idêntica à essência da admiração. Na admiração, transpomos a objetividade, saltando da coisa observada a sua radiante presença. A admiração nos dá imediatamente a compreensão e o sentido de cada presença e nos introduz na questão por excelência que é a busca do sentido profundo do real. “A admiração é a paixão fundamental do filósofo, porque permite que o real o interpele e o prepare para compreendê-lo” (Buzzi, 1987, p. 126), e, através dela, o ser humano sente-se nascido a cada momento para a eterna novidade do mundo.
2.2. Mito e Filosofia
O mito é a primeira forma de dar significado ao mundo. Fundada no desejo de segurança, a imaginação cria histórias que nos tranquilizam, que são exemplares e nos guiam no dia a dia. “O pensamento mítico consiste em uma forma pela qual um povo explica aspectos essenciais da realidade em que vive: a origem do mundo, o funcionamento da natureza e dos processos naturais e as origens deste povo, bem como seus valores básicos” (Marcondes, 2004, p. 20).
O pensamento mítico pressupõe a adesão, a aceitação dos indivíduos, na medida em que constitui as formas de sua experiência do real. “O mito nasce do desejo de entender o mundo, para afugentar o medo e a insegurança. O ser humano, à mercê das forças naturais, que são assustadoras, passa a emprestar-lhes qualidades emocionais” (Aranha; Martins, 1998, p. 63). Este pensamento, ainda, está ligado à magia, ao desejo, ao querer que as coisas aconteçam de um determinado modo. O mito expressa o saber de que o ser humano não é senhor de si mesmo, de que não só é dependente dentro do mundo conhecido, mas, também, antes de tudo, depende das potências que estão além do conhecido, de que ele justamente, nesta dependência, pode libertar-se das potências conhecidas. Aranha e Martins (1998, p. 64) corroboram ao afirmar que “[...] além de acomodar e tranquilizar o ser humano diante de um mundo assustador, dando-lhe a confiança de que, através de suas ações mágicas, o que acontece no mundo natural depende, em parte, dos seus atos, o mito também fixa modelos exemplares de todas as funções e atividades humanas”.
O mito é uma primeira fala sobre o mundo, uma primeira atribuição de sentido ao mundo, sobre o qual a afetividade e a imaginação exercem grande papel, e cuja função principal não é explicar a realidade, mas, acomodar o ser humano ao mundo. Um dos elementos centrais do pensamento mítico e de sua forma de explicar a realidade é o apelo ao sobrenatural, ao mistério, ao sagrado, à magia. As causas dos fenômenos naturais, aquilo que acontece aos homens, tudo é governado por uma realidade exterior ao mundo humano e natural, superior, misteriosa, divina, a qual só os sacerdotes, os magos, os iniciados, são capazes de interpretar, ainda que apenas parcialmente. A coerência do mito provém muito mais de uma unidade de sentimento do que de regras lógicas. Esta unidade é um dos impulsos mais fortes e mais profundos do pensamento primitivo. Assim sendo,
Outra característica do mito é o fato de ser sempre dogmático, isto é, apresentar-se como verdade que não precisa ser provada e que não admite constatação. A sua aceitação se dá, então, por meio da fé e da crença. E por não ser uma aceitação racional, o mito não pode ser provado nem questionado (Aranha; Martins, 1998, p. 64).
Não há discussão do mito porque ele constitui a própria visão de mundo dos indivíduos pertencentes a uma determinada sociedade, tendo, portanto, um caráter global que exclui outras perspectivas a partir das quais ele poderia ser discutido. O pensamento filosófico representa uma ruptura com o pensamento mítico, enquanto forma de explicar a realidade a partir de argumentos alicerçados na razão. O mito se apresenta como verdade absoluta e o pensamento filosófico se caracteriza pela atitude crítica. Para Aranha e Martins (2009), o pensamento nascente ainda apresentava vinculações com o mito (continuidade), por outro lado, existe uma ruptura entre mito e filosofia. “Enquanto o mito é uma narrativa cujo conteúdo não se questiona, a filosofia problematiza e, portanto, convida à discussão. No mito a inteligibilidade é dada, na filosofia ela é procurada” (Aranha; Martins, 2009, p. 41).
2.3. Para Que Filosofia?
Uma das coisas fundamentais que a filosofia nos ensina é a de que não devemos aceitar de imediato as coisas, sem maiores considerações, uma vez que:
Em toda investigação temos três resultados possíveis: acreditamos ter encontrado a resposta, acreditamos ser impossível encontrar a resposta ou continuamos buscando. No primeiro caso, nos tornamos dogmáticos e a investigação cessa; no segundo caso, somos também dogmáticos, ainda que em um sentido negativo, e a investigação igualmente cessa; só no terceiro caso temos a autêntica filosofia, aquela que continua a investigar, para a qual a busca é mais importante que a resposta (Marcondes, 1999, p. 9).
Para entrar no espírito da filosofia, é preciso duvidar de tudo, abandonar todos os pressupostos (postura ingênua) a fim de possuí-los novamente, gerados, então, pela atitude crítica. É preciso ter duvidado para poder filosofar, pois ela começa pela dúvida. Filosofamos não para resolver dúvidas, mas para adquiri-las. A cada conclusão, no exercício filosófico, corresponde uma nova dúvida. E a cada dúvida, um problema. Portanto, refletir filosoficamente é refletir extensa e intensamente. Pensar e duvidar são inseparáveis. A dúvida é a própria filosofia; sem dúvida não há saber. Tudo o que não começa pela dúvida, seja lá o que for, não é filosofia. A pessoa em dúvida, eis o começo da filosofia.
A dúvida gera a reflexão e a busca pelo pensar mais profundo a respeito de todas as coisas. A filosofia tem suas origens e ponto de partida quando o pensamento investigador do ser humano se volta reflexivamente sobre si próprio e seu conteúdo de conhecimentos já elaborados e conceituados a fim de compreender o processo de sua elaboração, conceder-lhe segurança e orientação adequada para a utilização prática a que se destinam. Zilles (1994, p. 51) argumenta que, “O costume de Sócrates é tomar a palavra do outro e refutá-la e não responder nunca. Provoca a dúvida metódica preparando os interlocutores para uma nova investigação. Luta contra a auto-suficiência de um saber aparente”.
Para Sócrates, a filosofia era uma forma de vida que envolvia reflexão permanente. Uma vida sem reflexão não vale a pena ser vivida.
Segundo o pensamento de Oliveira (1995b, p. 9):
[...] a filosofia, desde seu nascimento, surgiu das grandes aporias vigentes na sociedade e sempre procurou abrir um espaço, no nível da tematização dos fundamentos da vida humana, para enfrentar a problemática em questão. Talvez seja muito o que o filósofo tenha a dizer, mas indispensável para abrir o horizonte de um discurso sensato sobre as questões, que põem em jogo o sentido do próprio ser do homem no mundo. Por isso, tudo, absolutamente tudo que coloca em jogo o sentido da vida individual e coletiva dos seres humanos, é ou pode – deve – ser alvo do interesse do filósofo.
2.4. A Atitude Crítica
Nada mais há que atrofie tanto o pensamento, como o acolhimento não crítico de uma interpretação do mundo. O estudo da filosofia desenvolve o espírito crítico e nos desafia a conhecer a realidade por si próprios, tornando-se ele mesmo esclarecido, portador de luz, força de discernimento, já que ele “[...] realiza um alargamento da visão e das dimensões da existência, em extensão e profundidade, e neste sentido podemos dizer que filosofar é viver mais” (Mendonça, 1973, p. 24).
A filosofia é uma reflexão crítica radical no sentido de explicitar os fundamentos da vida histórica do ser humano. Sua intenção é encontrar o significado mais profundo dos fenômenos. Para Saviani (1996), o afrontamento, pelo homem, dos problemas que a realidade apresenta, eis aí, o que é filosofia. Isto significa, então, que ela não se caracteriza por um conteúdo específico, mas é, fundamentalmente, uma atitude que o ser humano toma perante a realidade. Ao desafio da realidade, representado pelo problema, o ser humano responde com a reflexão. Assim, o impulso original do filosofar é o núcleo da própria existência refletida. E, a filosofia é, sobretudo, a experiência de um pensar permanente. “Refletir é o ato de retomar, reconsiderar os dados disponíveis, revisar, vasculhar numa busca constante de significado. É examinar detidamente, prestar atenção, analisar com cuidado. E é isto o filosofar” (Saviani, 1996, p. 16). Para que uma reflexão possa ser adjetivada de filosófica, ela deve ser radical, rigorosa e de conjunto. Radical no sentido de ir até às raízes da questão, até seus fundamentos, pois exige-nos que operemos uma reflexão em profundidade. Rigorosa porque devemos proceder com rigor, sistematicamente evitando generalizações apressadas (o que nos distancia da verdade). E de conjunto, uma vez que o problema não pode ser examinado de modo parcial (fragmentado), mas numa perspectiva de conjunto, relacionando-se o aspecto em questão com os demais aspectos do contexto no qual está inserido. A filosofia analisa sempre o contexto e visa compreender a totalidade do real.
O saber filosófico é como a luz. Quando aumentamos a luz cresce a luminosidade. E com isso, as coisas que estavam no escuro aparecem com mais clareza; o superficial se torna mais profundo. “Na luminosidade da luz a vista chega a ver o aspecto das coisas. Na luminosidade da ideia, o pensamento chega ao enigma íntimo da realidade” (Buzzi, 1987, p. 110). É possível dizer que a filosofia é a sempre renovada pergunta pelo sentido de nossas vidas na história. É um modo de pensar, é uma postura diante do mundo. Ela não é um conjunto de conhecimentos prontos, um sistema acabado, fechado em si mesmo. Mas é, antes de mais nada, um modo de se colocar diante da realidade, procurando refletir sobre os acontecimentos a partir de certas posições teóricas.
A filosofia, enquanto busca de fundamentos e instauração de pressupostos, não se perde num fixismo objetivista, porque é um esforço crítico. Ela é o esforço constante de regresso crítico aos fundamentos. Isso quer dizer que a filosofia é a busca das condições de possibilidade do real. A filosofia é a luta constante contra as evidências ingênuas (Stein, 2005, p. 18).
O filósofo está em constante exercício de vida, no confronto diário com as águas de superfície do saber. “Para que a luz apareça como combinação de possibilidade das coisas, é necessário um abalo na crença cotidiana” (Buzzi, 1987, p. 109).
Fazer filosofia sempre foi e continua sendo fazer a explicação do mundo. Enquanto pensamento crítico e busca dos fundamentos, a filosofia reflete o real. A situação histórica em seu movimento dialético constitui desafio para a reflexão filosófica.
Para a filosofia, não há nada que não possa ser posto em questão. Deve ser possível discutir tudo. E é o caráter inconclusivo das respostas que nos convida a retomar as questões, a repensá-las, a procurar nossas próprias respostas, fatalmente também inconclusivas (Marcondes, 1999, p. 9).
De certo modo, em filosofia, o essencial é a discussão, a conversação infinita em torno das grandes questões humanas, já que ela só se dá quando retomamos criticamente uma questão e a fazemos nossa – exatamente porque não há respostas definitivas, mas sempre novas interpretações em um processo evolutivo. A filosofia nasce, vive e perdura graças aos debates dos filósofos entre si. Ela é uma disputa perpétua. “A filosofia não é saber dogmático (metafísico), mas ciência crítica dos fundamentos. O filósofo não pode repousar sobre afirmações absolutas, mas deve, com fidelidade constante, refazer criticamente suas convicções” (Stein, 2005, p. 47).
O pensamento filosófico há de ser sempre original. É exercício de pensar por nós mesmos. Todo ser humano deve exercê-lo por si. A filosofia é reflexão do começo ao fim. Refletir é pensar, considerar cuidadosamente o que já foi pensado. “No conhecimento por ideias há de fato um íntimo e profundo contato com a realidade; um contato transparente e lúcido; um conhecimento; um nascimento do real junto ao pensamento” (Buzzi, 1987, p. 113).
Como um espelho que reflete a nossa imagem, a reflexão do filósofo deixa ver, revela, mostra, traduz, os valores envolvidos nos acontecimentos e nas ações humanas.
O que fazia de Sócrates tão sábio era o fato de continuar fazendo perguntas e de estar sempre disposto a debater suas ideias. A vida, declarava ele, só vale a pena ser vivida quando pensamos no que estamos fazendo. Uma existência sem análise é adequada para o gado, mas não para os seres humanos (Warburton, p. 4, 2012).
É filósofo aquele que pensa aquilo que o resto da humanidade vive sem a dimensão reflexiva e crítica. Podemos afirmar que a filosofia nasce por uma desconstrução inicial das estruturas automáticas da vida “[...] é uma inimiga mortal da obviedade [...]; A filosofia, o filosofar, significa em linhas gerais e profundas, o questionamento radical da obviedade das estruturas que se pretendem substituir à vida” (Souza, 2003, p. 19; 73).
2.5. A Busca de Sentido
A filosofia pensa a profundidade da experiência humana com suas circunstâncias históricas. Ela não parte de si mesma, e sim das coisas e dos problemas. Ela é essencialmente humana e não pode ser pensada separada do nosso ser no mundo com suas angústias e inquietações. “Uma filosofia que não seja aprofundamento da existência integral é vazio e estéril exercício lógico” (Sciacca, 1967, p. 7).
A filosofia é a tarefa do ser humano que se encontra perdido, para conseguir uma certeza fundamental que lhe permita saber o que ater-se em sua vida. Esta é a razão do porquê e para que filosofa o ser humano.
De onde viemos? Para onde vamos? Qual o sentido do mundo e de nossa vida? O universo teve um começo? Terá um fim? Há leis que regem o curso do universo? Essas leis valem também para nós? Podemos desobedecer a estas leis? O que acontece quando desobedecemos a elas? Há recompensa e castigo? Há mesmo ou deve haver? Isso ocorre já durante esta vida ou numa existência após a morte? Pode-se pensar, sem contradição, uma vida eterna, uma existência após a morte? Pode haver um tempo depois que todo tempo acaba? Pode haver um depois após o último e definitivo depois? Afinal, o que somos? Estas são as perguntas que, desde a Antiguidade, toda pessoa que fica adulta sempre se coloca. Estas são as perguntas que, desde os pré-socráticos, ocupam os filósofos. Filosofia é a tentativa sempre frustrada e sempre de novo retomada, de dar uma resposta racional a estas questões (Cirne-Lima, 1996, p. 11).
Na visão de Mendonça (1973, p. 141),
[...] de todos os problemas da filosofia, o problema do sentido da vida é aquele que se põe com a maior naturalidade. Se ouvirmos a nós mesmos, se auscultamos as nossas próprias inquietações, na sua maior profundidade, veremos que o que se passa é que colocamos espontaneamente a questão da significação da existência. De onde viemos? Quem somos? Para onde vamos? Estas questões se põem naturalmente. Basta que possamos nos desligar por instantes das preocupações que nos aprisionam à vida prática. O problema que se põe espontaneamente, para o homem, é este: conhecer a significação deste fato de nascer, viver e morrer.
No âmbito da filosofia existencial, destacamos o pensamento de Soeren Kierkegaard (2010), que considera a vida humana como um processo marcado pela tríade liberdade, escolha e responsabilidade individual. Em sua obra O conceito de angústia, o autor analisa essa experiência como essencial à condição humana, na medida em que revela a abertura do indivíduo diante das múltiplas possibilidades da existência. Neste contexto, afirma: “A angústia é a realidade da liberdade, como possibilidade antes da possibilidade. Por isso não se encontrará angústia no animal, justamente porque este em sua naturalidade não está determinado como espírito” (Kierkegaard, 2010, p. 45).
O autor evidencia que a angústia não é um simples sentimento negativo, mas uma experiência existencial fundamental, ligada profundamente à liberdade humana. Diferentemente dos animais, o ser humano possui a capacidade de refletir sobre suas possibilidades e escolhas, e é justamente esta abertura de múltiplas possibilidades que gera angústia. Neste sentido, a angústia funciona como um sinal da liberdade e da responsabilidade, revelando, ao indivíduo, a necessidade de assumir e viver suas escolhas. Ao tomar consciência de suas próprias decisões, o sujeito precisa agir de forma autônoma e assumir sua vida de maneira consciente; desta forma, ele aprofunda a compreensão da busca de sentido como uma tarefa essencialmente individual e existencial (Kierkegaard, 2010).
Kierkegaard (2010, p. 163) reforça essa ideia ao afirmar:
Se um homem fosse um animal ou um anjo, não poderia angustiar-se. Dado que ele é uma síntese, pode angustiar-se, e quanto mais profundamente se angustia, tanto maior é o ser humano [...] A angústia é a possibilidade da liberdade, só esta angústia é, pela fé, absolutamente formadora, na medida em que consome todas as coisas finitas, descobre todas as suas ilusões.
Estas palavras evidenciam que a angústia não é algo externo, mas produzido pelo próprio indivíduo, emergindo da consciência da liberdade e da responsabilidade existencial. Como o filósofo acrescenta: “Aquele que é formado pela angústia é formado pela possibilidade, e só quem é formado pela possibilidade está formado de acordo com sua infinitude. A possibilidade é, por conseguinte, a mais pesada de todas as categorias” (Kierkegaard, 2010, p. 164).
Desta forma, a angústia contribui para a formação do indivíduo, evidenciando a relação entre liberdade, responsabilidade e desenvolvimento do próprio ser. Ao final de O conceito de angústia, Kierkegaard (2010 p. 163) apresenta um conto dos Irmãos Grimm para ilustrar esse processo: um jovem sai pelo mundo para aprender a angustiar-se. Segundo o autor, esta é uma aventura que todos deveriam viver: “[...] para que não se venham a perder, nem por jamais terem estado angustiados nem por afundarem na angústia; por isso, aquele que aprendeu a angustiar-se corretamente, aprendeu o que há mais de elevado”.
Deste modo, a angústia não apenas revela a liberdade e a responsabilidade, mas, também, forma o ser humano, indicando que aprender a enfrentar a própria angústia é uma das experiências mais elevadas da existência. Como demonstra o conto mencionado por Kierkegaard (2010), esta aprendizagem é uma aventura que todos necessitam viver, e, somente ao assumir esta experiência, o indivíduo pode exercer plenamente sua liberdade e responsabilidade. Neste sentido, a perspectiva kierkegaardiana reflete que a busca de sentido é uma tarefa profundamente individual e existencial, que exige reconhecer, compreender e atravessar a própria angústia como parte essencial da vida humana.
2.6. Pensamento Sistemático
A filosofia é a explicitação da totalidade sempre pressuposta, na qual cada particular tem seu sentido, sua razão de ser. Podemos caracterizar o pensamento filosófico como um esforço sistemático para se chegar à estrutura última da realidade, sem o que se torna insuficiente a nossa tarefa filosófica na busca pela compreensão coerente da realidade em sua complexidade.
A tarefa do filosofar é e continua sendo dar-nos uma abertura – para a amplitude da realidade abrangente, para a ousadia de comunicar em todos os sentidos da verdade numa luta amorosa, preservando sempre pacientemente a razão alerta mesmo na presença tanto do que seja mais estranho quanto do que retira-se em fracasso, em última instância, encontrar um caminho de casa que está na realidade (Jaspers, 1973, p. 107).
A filosofia tem a ver com o todo, com a totalidade, com o todo do compreender humano. Filosofar é a realização da disposição natural da essência do espírito humano para a totalidade; é o desejo e a procura do todo; é aspiração a conhecer o real na sua unidade e totalidade.
Precisamente enquanto conhecimento dos pressupostos inevitáveis de todo e qualquer saber, a filosofia é um conhecimento absoluto, portanto dos princípios de toda a realidade. Neste sentido, a filosofia é necessariamente saber da totalidade e por esta razão seu conhecimento é essencialmente sistemático (Oliveira, 1995a, p. 76).
Se o real deve ser considerado estruturalmente como uma multiplicidade, não podemos abstrair aspectos da realidade, isto é, não podemos fazer cortes no real para compreendê-lo, e sim devemos mantê-lo no contexto próprio que possibilite a compreensão das relações ali existentes. As ciências explicam as partes e isso é característica de sua atividade. A ciência não se preocupa em refletir sobre seus postulados. A filosofia pergunta sobre o porquê das ciências, sobre o porquê se faz ciência. Ela está interessada na reflexão sobre a totalidade, e a abrangência de suas questões transcende o científico. Talvez, esta diferença entre a filosofia e as ciências voltadas ao útil (produção/eficiência), tenha levado Heidegger a afirmar que:
[...] “a ciência não pensa”. O filósofo em seu esforço reflexivo busca a unidade. O objetivo visado pela filosofia é a compreensão da realidade a partir de um princípio último de unidade. O verdadeiro é o todo. É filósofo aquele que pensa o Todo. “No ato de filosofar realiza-se a relação do homem com a totalidade do ser. Filosofar dirige-se para o mundo como um todo (Pieper, 2007, p. 55).
Para Savater (2015), a filosofia não tenta analisar tudo de maneira aforística – ou seja, isolada –, mas, sim, encontrar uma relação. Procura ter uma visão total de conjunto, criando um espaço para guardar as coisas que vão surgindo; ou seja, o problema hoje não é que não saibamos as coisas, mas que recebemos uma quantidade imensa de informações principalmente pela internet. O autor é preciso quando afirma:
[...] porém, essa massa de informações pode ser verdadeira ou falsa, irrelevante ou importantíssima, ter fundamento ou não. O problema não é receber informações, ao contrário: a quantidade delas é tão grande que não conseguimos lidar com tudo. O importante é saber aplicá-las em algo, para não ficar sufocados. Assim, a filosofia pretende criar um espaço que abrigue as coisas relevantes e sirva de muralha contra o irrelevante, o trivial, o enganoso. É preciso ter critério, saber separar o joio do trigo, permanecendo apenas com o que é valioso (Savater, 2015, p. 9).
2.7. Amor à Sabedoria
Filosofia sempre é e continua sendo apenas amor à sabedoria. “Pertence à natureza da filosofia tender para uma sabedoria que, todavia, lhe permanece inalcançável. Essa sabedoria é objeto da filosofia, mas como algo procurado com amor, não como algo possuído” (Pieper, 2007, p. 51). O filósofo jamais atingirá a sabedoria, mas pode progredir em sua direção. A filosofia não é a sabedoria, mas um modo de vida e um discurso determinado pela ideia de sabedoria. “A filosofia só tem sentido na medida em que nos aproxima da sabedoria: trata-se de pensar melhor para viver melhor, e somente isso é filosofar de verdade” (Comte-Sponville, 2002, p. 136). O amor, o desejo da sabedoria, torna-se o programa da filosofia. O filósofo tende para a sabedoria, sem jamais poder atingi-la. “A sabedoria será como um ideal que guia e atrai o filósofo e, sobretudo, a filosofia será considerada um exercício, a prática de um modo de vida” (Hadot, 1999, p. 83).
3. CONSIDERAÇÕES FINAIS
Em filosofia é sempre um desafio chegar a conclusões porque sua vocação é ser uma conversação infinita sobre temáticas de interesse das pessoas e das suas vidas em sociedade visando normalmente o bem viver, a vida boa. Mas, provisoriamente, podemos concluir que a filosofia tem por objetivo desenvolver o pensar por conta própria (autonomia) e o exercício do espírito crítico. Seu propósito é analisar, refletir e criticar os fundamentos da ciência, o sentido dos acontecimentos humanos e das criações humanas sempre de modo sistemático visando captar o sentido profundo da nossa existência no mundo, instigando a busca pela sabedoria associada à ética e à vida justa.
A filosofia, assim, se apresenta como um convite contínuo à reflexão e aos questionamentos críticos sobre a vida, os valores, o sentido da existência e outros aspectos fundamentais, conduzindo a uma vida vivida com responsabilidade, liberdade de pensamento, espírito crítico e sentido.
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1 Doutor em Educação pela UFRGS, pós-doutorando em Educação, Culturas e Humanidades pela UFRGS. E-mail: [email protected].
2 Doutor em Filosofia pela UFRGS, professor da Rede Pública de Educação de São Leopoldo. E-mail: [email protected].