A EDUCAÇÃO FÍSICA ESCOLAR E SUA CONTRIBUIÇÃO PARA A PROMOÇÃO DA SAÚDE E QUALIDADE DE VIDA DOS ESTUDANTES

SCHOOL PHYSICAL EDUCATION AND ITS CONTRIBUTION TO THE PROMOTION OF STUDENTS' HEALTH AND QUALITY OF LIFE

REGISTRO DOI: 10.70773/revistatopicos/788924778

RESUMO
O presente artigo objetiva analisar a contribuição da Educação Física escolar para a promoção da saúde e da qualidade de vida dos estudantes da educação básica. Trata-se de pesquisa qualitativa, de natureza bibliográfica, fundamentada em autores da área da Educação Física escolar e da saúde coletiva. Os resultados evidenciam que a Educação Física, quando desenvolvida a partir de uma perspectiva crítica e não apenas tecnicista, contribui para o desenvolvimento motor, cognitivo e socioafetivo dos estudantes, além de favorecer a adoção de hábitos saudáveis e a prevenção de doenças associadas ao sedentarismo. Constatam-se, todavia, desafios relacionados à precarização da infraestrutura escolar, à redução da carga horária da disciplina e à permanência de práticas pedagógicas tradicionais centradas no esporte de rendimento. Conclui-se que a Educação Física escolar, compreendida como componente curricular obrigatório e integrado ao projeto pedagógico da escola, constitui-se em espaço privilegiado para a formação de hábitos saudáveis e para a promoção da qualidade de vida ao longo da trajetória escolar e para além dela.
Palavras-chave: Educação Física Escolar; Saúde; Qualidade de Vida; Estudantes.

ABSTRACT
This article aims to analyze the contribution of school Physical Education to the promotion of health and quality of life among basic education students. This is a qualitative, bibliographic study grounded in authors from the fields of school Physical Education and collective health. The results show that Physical Education, when developed from a critical and non-technicist perspective, contributes to students' motor, cognitive, and socio-affective development, in addition to fostering healthy habits and preventing diseases associated with sedentary behavior. However, challenges are identified related to the precariousness of school infrastructure, the reduction of the subject's weekly workload, and the persistence of traditional pedagogical practices centered on competitive sport performance. It is concluded that school Physical Education, understood as a compulsory curricular component integrated into the school's pedagogical project, constitutes a privileged space for the formation of healthy habits and for the promotion of quality of life throughout and beyond school life.
Keywords: School Physical Education; Health; Quality of Life; Students.

1. INTRODUÇÃO

A promoção da saúde no ambiente escolar constitui-se como temática de crescente relevância, sobretudo diante do aumento dos índices de sedentarismo, sobrepeso e obesidade entre crianças e adolescentes, fenômenos associados a mudanças nos hábitos de vida contemporâneos, marcados pelo uso excessivo de tecnologias digitais e pela redução das atividades físicas cotidianas. Nesse contexto, a Educação Física escolar assume papel estratégico como espaço formal de vivência corporal, capaz de contribuir significativamente para a saúde e a qualidade de vida dos estudantes.

Conforme destaca Darido (2015), a Educação Física escolar não deve se restringir ao ensino de modalidades esportivas ou ao desenvolvimento de aptidão física, mas deve assumir uma perspectiva mais ampla, voltada à formação integral do estudante, contemplando dimensões cognitivas, afetivas, sociais e culturais relacionadas à cultura corporal de movimento.

Diante desse cenário, este artigo busca responder à seguinte problemática: de que forma a Educação Física escolar contribui para a promoção da saúde e da qualidade de vida dos estudantes? Como objetivo geral, pretende-se analisar essa contribuição; como objetivos específicos, busca-se (i) discutir a relação entre Educação Física escolar e promoção da saúde, (ii) identificar práticas pedagógicas favoráveis a esse propósito, (iii) apontar os desafios enfrentados pela disciplina no contexto escolar contemporâneo, e (iv) mapear, a partir da produção científica recente indexada na base SciELO, evidências epidemiológicas, curriculares e docentes sobre a relação entre Educação Física escolar, saúde e qualidade de vida.

A relevância deste estudo justifica-se pela necessidade de valorização da Educação Física como componente curricular essencial à formação humana integral, para além de concepções reducionistas centradas exclusivamente no desempenho físico ou esportivo. Como apontam Rosas et al. (2024), a produção científica brasileira sobre Educação Física escolar relacionada à saúde tem crescido significativamente na última década, o que reforça a necessidade de sistematização crítica desse conhecimento.

2. METODOLOGIA

A pesquisa caracteriza-se como qualitativa, de tipo bibliográfico, desenvolvida a partir da análise de obras e artigos científicos da área da Educação Física escolar e da saúde coletiva. Segundo Gil (2019, p. 34), a pesquisa bibliográfica possibilita ao pesquisador "o exame de um tema sob novo enfoque ou abordagem, chegando a conclusões inovadoras", a partir da análise crítica da produção científica já existente.

O levantamento de dados foi realizado em bases científicas nacionais e latino-americanas, com destaque para o SciELO e periódicos consolidados da área como Revista Brasileira de Ciências do Esporte, Movimento, Educação em Revista, Journal of Physical Education e Revista Brasileira de Atividade Física & Saúde —, utilizando como descritores os termos "educação física escolar", "saúde", "qualidade de vida" e "cultura corporal". Foram priorizadas obras de referência da área, bem como estudos publicados nas últimas duas décadas, considerados representativos do debate contemporâneo sobre o tema.

A análise dos dados foi organizada em categorias temáticas, estruturadas a partir das seguintes dimensões: (i) a contribuição pedagógica da Educação Física para a saúde e a qualidade de vida; (ii) os desafios estruturais e pedagógicos enfrentados pela disciplina no contexto escolar; (iii) evidências de revisões sistemáticas e integrativas sobre a relação entre saúde e Educação Física escolar; (iv) percepções docentes e saberes escolares sobre saúde; (v) sedentarismo e (in)atividade física entre escolares; (vi) qualidade de vida e condições de trabalho docente; e (vii) equidade e inclusão na Educação Física Escolar.

3. RESULTADOS E DISCUSSÃO

3.1. A Educação Física Escolar Como Espaço de Promoção da Saúde

A literatura consultada evidencia que a Educação Física escolar, quando fundamentada em uma abordagem crítico-emancipatória, contribui significativamente para a promoção da saúde dos estudantes. De acordo com Darido (2015), a disciplina possibilita o desenvolvimento de competências relacionadas não apenas ao desempenho motor, mas também à compreensão crítica sobre o próprio corpo, sobre hábitos saudáveis e sobre a importância da atividade física regular ao longo da vida.

Nesse sentido, Betti e Zuliani (2018) argumentam que a Educação Física deve proporcionar aos estudantes a vivência e a reflexão sobre diferentes manifestações da cultura corporal de movimento jogos, esportes, danças, lutas e práticas corporais diversas —, favorecendo tanto o desenvolvimento físico quanto a formação de valores relacionados à cooperação, ao respeito às diferenças e à autonomia para a prática de atividades físicas para além do contexto escolar. Em sentido convergente, Almeida (2022) defende que a saúde na Educação Física escolar deve ser compreendida não como ausência de doença, mas como afirmação das vidas dos estudantes, superando abordagens biomédicas reducionistas que reduzem a disciplina à mera prescrição de exercícios.

Adicionalmente, destaca-se o papel da disciplina na prevenção de doenças crônicas não transmissíveis associadas ao sedentarismo, como obesidade infantil, hipertensão e diabetes tipo 2, cujos índices têm crescido significativamente entre crianças e adolescentes nas últimas décadas.

3.2. Desafios Enfrentados Pela Educação Física Escolar

Apesar de seu reconhecido potencial, a Educação Física escolar enfrenta desafios importantes para a efetivação de seu papel na promoção da saúde. Um dos principais obstáculos refere-se à precarização da infraestrutura escolar, com ausência ou insuficiência de espaços e materiais adequados à prática das aulas, sobretudo na rede pública de ensino.

Outro desafio relevante diz respeito à redução da carga horária destinada à disciplina em muitas redes de ensino, o que compromete a continuidade e a efetividade das vivências corporais ao longo da trajetória escolar. Segundo Darido (2015), essa redução reflete, muitas vezes, uma concepção equivocada que subestima a importância da Educação Física frente às demais disciplinas do currículo.

Por fim, destaca-se a permanência, em algumas realidades escolares, de práticas pedagógicas tradicionais, centradas exclusivamente no esporte de rendimento e na repetição de gestos técnicos, em detrimento de uma abordagem mais ampla e inclusiva, capaz de contemplar a diversidade de interesses, habilidades e condições físicas dos estudantes. Vasques e Wittizorecki (2022), ao investigarem a reorganização dos laços educativos e da prática pedagógica em Educação Física escolar, evidenciam que crises institucionais e curriculares tendem a acentuar tanto o distanciamento da disciplina de seu potencial formativo quanto a sobrecarga de trabalho docente.

3.3. A Relação Entre Saúde e Educação Física Escolar: Evidências de Revisões Sistemáticas e Integrativas

Um conjunto relevante de estudos recentes tem se dedicado a sistematizar, por meio de revisões integrativas e de escopo, as evidências disponíveis sobre a relação entre Educação Física escolar e saúde. Mantovani, Maldonado e Freire (2021), em revisão integrativa sobre o tema, constatam que a literatura brasileira tende a tratar a saúde na Educação Física escolar de maneira ainda fragmentada, oscilando entre abordagens biológicas centradas na aptidão física e perspectivas socioculturais mais amplas, sem que se tenha consolidado, até o momento, um consenso teórico-metodológico sobre como articular esses enfoques na prática pedagógica.

Corroborando esse diagnóstico, Rosas et al. (2022; 2024), em revisão de escopo sobre estudos brasileiros que relacionam Educação Física escolar e saúde, identificam que a maior parte da produção nacional enfatiza objetivos relacionados ao aumento do nível de atividade física e à ampliação de conhecimentos sobre estilo de vida ativo e saudável, havendo, contudo, poucos estudos que avaliam sistematicamente os efeitos dessas intervenções a médio e longo prazo. Narduchi e Struchine (2023), em revisão sistemática sobre Educação Física e saúde na escola pública, reforçam essa lacuna, evidenciando que a maioria dos estudos disponíveis é de natureza descritiva, sendo ainda escassas as pesquisas de intervenção com delineamento experimental robusto.

Já Oliveira et al. (2017), em estudo de revisão sobre os saberes escolares em saúde na Educação Física, destacam que a abordagem da temática saúde nas aulas frequentemente se limita à transmissão de informações biomédicas descontextualizadas, sem a devida problematização das condições sociais, econômicas e culturais que determinam os processos de saúde e adoecimento dos estudantes reforçando a necessidade de uma perspectiva crítica, tal como defendida por Almeida (2022) na subseção anterior.

3.4. Percepções Docentes, Formação e Saberes Escolares Sobre Saúde

A forma como os professores de Educação Física compreende e mobiliza o tema saúde em suas práticas pedagógicas constitui eixo central da literatura investigada. Ferreira, Oliveira e Sampaio (2013), em estudo pioneiro sobre a percepção de professores acerca da interface entre saúde e Educação Física escolar, constataram que, embora os docentes reconheçam a relevância do tema, muitos relatam insegurança conceitual e metodológica para tratá-lo de forma consistente em suas aulas, evidenciando lacunas na formação inicial.

Nessa mesma direção, Oliveira, Martins e Bracht (2015), em estudo sobre projetos e práticas de educação para a saúde na Educação Física escolar, identificam experiências pedagógicas que articulam a disciplina a políticas públicas de saúde, como o Programa Saúde na Escola, apontando resultados positivos quando há planejamento interdisciplinar entre os setores de educação e saúde. Paiva et al. (2017), ao analisarem propostas curriculares para o ensino da Educação Física no Nordeste brasileiro, constatam que o tratamento do tema saúde nos documentos oficiais ainda é heterogêneo e, em muitos casos, superficial, o que dificulta sua efetivação nas práticas cotidianas de sala de aula.

Complementarmente, Malacarne e Rocha (2023), em análise de dissertações sobre Educação Física escolar e educação em saúde, identificam que a produção acadêmica brasileira sobre o tema tem crescido nos últimos anos, mas ainda concentra-se predominantemente em contextos urbanos e em determinadas regiões do país, revelando disparidades regionais na produção de conhecimento sobre saúde escolar.

3.5. Sedentarismo e (In)atividade Física Entre Escolares: Evidências Epidemiológicas

Estudos de base epidemiológica reforçam a urgência da atuação da Educação Física escolar frente ao quadro de sedentarismo infanto-juvenil. Monteiro et al. (2020), em pesquisa sobre hábitos alimentares, atividade física e comportamento sedentário entre escolares brasileiros, identificaram elevados índices de comportamento sedentário associados ao uso excessivo de telas, reforçando a necessidade de que a escola, e em especial a Educação Física, atue como espaço de contraponto a esse padrão de vida contemporâneo.

Ferreira et al. (2020), em estudo publicado na Revista de Saúde Pública, demonstraram que a inatividade física no lazer e no período escolar está associada a maior prevalência de fatores de risco cardiovascular entre adolescentes, o que reforça a relevância da Educação Física escolar como estratégia de saúde pública voltada à prevenção primária de doenças crônicas não transmissíveis. Corroborando esses achados, Santos et al. (2019) investigaram os fatores associados à não participação de estudantes nas aulas de Educação Física escolar, identificando que barreiras como desmotivação, práticas pedagógicas pouco atrativas e ausência de infraestrutura adequada contribuem para o afastamento de parte significativa dos estudantes das vivências corporais oferecidas pela disciplina o que compromete justamente seu potencial de promoção da saúde.

Historicamente, Orti e Carrara (2012) já alertavam, em análise comportamental sobre Educação Física escolar e sedentarismo infantil, que a ausência de estratégias pedagógicas atrativas e centradas no interesse dos estudantes tende a reforçar, e não combater, o comportamento sedentário fora do ambiente escolar. Garcia e Fisberg (2011), em estudo com adolescentes atendidos em serviço especializado, identificaram como principais barreiras à prática de atividades físicas a falta de tempo, o desinteresse e a ausência de locais adequados resultado que dialoga diretamente com os desafios estruturais discutidos na seção 3.2 deste artigo. Já Barros da Cunha et al. (2022), em estudo com escolares ingressantes no Ensino Médio, constataram correlação significativa entre a prática de Educação Física escolar de qualidade e níveis mais elevados de atividade física global dos estudantes, reforçando o papel da disciplina como fator protetivo diante do sedentarismo.

3.6. Qualidade de Vida e Condições de Trabalho Docente em Educação Física Escolar

Embora a maior parte da literatura sobre qualidade de vida na Educação Física escolar enfoque os estudantes, um conjunto relevante de estudos recentes tem voltado a atenção também às condições de trabalho e à qualidade de vida dos próprios professores da disciplina, reconhecendo que a saúde docente é condição necessária para a efetividade pedagógica. Machado, Andrade e Gurgel (2023), em análise da qualidade de vida de professores de Educação Física escolar, identificaram que fatores como sobrecarga de trabalho, turmas numerosas e infraestrutura inadequada impactam negativamente o bem-estar físico e psicológico desses profissionais, o que pode repercutir na qualidade das aulas oferecidas aos estudantes.

Testa, Piovani e Both (2025), em estudo sobre a influência da síndrome de burnout do professor de Educação Física sobre sua autopercepção profissional, reforçam essa preocupação, evidenciando que o esgotamento docente está associado a menor satisfação com a carreira e a maior propensão ao afastamento da profissão. Historicamente, Almeida, Heckert e Barros (2011) já discutiam, em pesquisa sobre a relação saúde-trabalho de professoras, como as condições concretas de trabalho na escola pública podem comprometer a saúde docente, evidenciando que a promoção da saúde no ambiente escolar não pode se restringir aos estudantes, devendo contemplar também os profissionais responsáveis por sua formação.

3.7. Equidade, Inclusão e a Educação Física Escolar Como Direito

Por fim, cabe destacar a produção científica recente voltada à discussão da equidade e da inclusão na Educação Física escolar, dimensão essencial para que a promoção da saúde e da qualidade de vida alcance a totalidade dos estudantes. Oliva e Beltrán (2020) discutem o sentido e os alcances práticos da Educação Física Escolar como um direito, argumentando que sua efetivação depende de políticas públicas que garantam infraestrutura, formação docente e currículo adequados a todos os estudantes, independentemente de sua condição socioeconômica.

Lopes et al. (2026), em estudo sobre experiências em Educação Física e Esporte, analisam desigualdades no acesso a essas vivências entre diferentes grupos de estudantes, evidenciando que fatores como gênero, raça e condição socioeconômica seguem influenciando as oportunidades de participação nas aulas. De modo complementar, Lopes e Vecchio (2026) investigam barreiras e facilitadores à prática de atividade física entre estudantes LGBT+ do Ensino Médio, identificando que ambientes escolares pouco acolhedores constituem barreira significativa à participação plena desses estudantes nas aulas de Educação Física o que compromete diretamente os benefícios de saúde e qualidade de vida que a disciplina poderia proporcionar. Moraes, Dias e Oliveira (2022; 2023), em revisão de escopo sobre narrativas de gênero na Educação Física escolar, reforçam esse diagnóstico, evidenciando a persistência de práticas pedagógicas que reproduzem estereótipos de gênero e limitam a participação equitativa de meninas e estudantes não binários nas atividades corporais oferecidas pela escola.

4. CONCLUSÃO

Conclui-se que a Educação Física escolar constitui-se em componente curricular fundamental para a promoção da saúde e da qualidade de vida dos estudantes, ao proporcionar vivências corporais diversificadas, capazes de contribuir para o desenvolvimento motor, cognitivo e socioafetivo, bem como para a formação de hábitos saudáveis ao longo da vida. As revisões sistemáticas e integrativas analisadas (MANTOVANI; MALDONADO; FREIRE, 2021; ROSAS et al., 2022; 2024; NARDUCHI; STRUCHINE, 2023) confirmam esse potencial, ao mesmo tempo em que evidenciam a persistência de fragilidades teórico-metodológicas na forma como o tema saúde é tratado na literatura e nas práticas pedagógicas da disciplina.

A análise das percepções e da formação docente revelou que os professores, embora reconheçam a relevância do tema saúde, frequentemente relatam insegurança conceitual para tratá-lo de forma consistente (FERREIRA; OLIVEIRA; SAMPAIO, 2013), o que reforça a necessidade de qualificação da formação inicial e continuada, bem como de currículos oficiais mais consistentes (PAIVA et al., 2017; MALACARNE; ROCHA, 2023). As evidências epidemiológicas discutidas confirmam a urgência dessa qualificação, ao demonstrar a associação entre sedentarismo, uso excessivo de telas e fatores de risco cardiovascular entre estudantes brasileiros (MONTEIRO et al., 2020; FERREIRA et al., 2020), bem como as barreiras concretas estruturais e pedagógicas que afastam parte significativa dos estudantes das aulas (SANTOS et al., 2019; GARCIA; FISBERG, 2011).

Entretanto, para que esse potencial se concretize plenamente, é necessário enfrentar os desafios relacionados à infraestrutura escolar, à valorização da carga horária da disciplina e à superação de práticas pedagógicas tradicionais centradas exclusivamente no rendimento esportivo. A revisão evidenciou, ainda, duas dimensões frequentemente negligenciadas no debate sobre saúde e qualidade de vida na Educação Física escolar: de um lado, as condições de trabalho e a qualidade de vida dos próprios professores da disciplina, cuja saúde ocupacional impacta diretamente a qualidade do ensino oferecido (MACHADO; ANDRADE; GURGEL, 2023; TESTA; PIOVANI; BOTH, 2025); de outro, a necessária atenção à equidade e à inclusão, de modo que os benefícios da disciplina alcancem efetivamente todos os estudantes, independentemente de gênero, orientação sexual, raça ou condição socioeconômica (OLIVA; BELTRÁN, 2020; LOPES et al., 2026; LOPES; VECCHIO, 2026; MORAES; DIAS; OLIVEIRA, 2023).

A Educação Física escolar, compreendida em sua dimensão crítica, formativa e inclusiva e não como afirmação de vidas restrita a parâmetros biomédicos de aptidão física (ALMEIDA, 2022) —, apresenta-se, portanto, como espaço privilegiado para a promoção da saúde e da qualidade de vida de toda a comunidade escolar, contribuindo significativamente para a formação integral dos estudantes e para a valorização do trabalho docente.

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1 Mestre em Educação Profissional e Tecnológica. Instituto Federal de Roraima – IFRR. Boa Vista/Roraima/Brasil. E-mail: [clique para visualizar o e-mail]acesse o artigo original para visualizar o e-mail. ORCID: https://orcid.org/0009-0009-7349-237X

2 Pós-graduada em Educação Especial e Inclusiva pela Faculdade Iguaçu. Boa Vista/Roraima/Brasil. E-mail: [clique para visualizar o e-mail]acesse o artigo original para visualizar o e-mail.

3 Mestrado em Ciências Ambientais. Universidade Federal do Pará – UFPA. Santa Maria do Pará/Pará/Brasil. E-mail: [clique para visualizar o e-mail]acesse o artigo original para visualizar o e-mail

4 Pós Graduação – lato sensu em Educação Infantil e Ensino Fundamental. Faculdade Iguaçu – FI. Capanema/Paraná/Brasil. E-mail: [clique para visualizar o e-mail]acesse o artigo original para visualizar o e-mail. ORCID: https://orcid.org/0009-0001-5534-296X

5 Especialização em Educação Física Escolar. UNINTER. Teresina/Piauí/Brasil. E-mail: [clique para visualizar o e-mail]acesse o artigo original para visualizar o e-mail.

6 Mestrando em Agroecologia, Ambiente, Sociedade e Amazônia. Universidade Estadual de Roraima - UERR. Boa vista/Roraima/Brasil. E-mail: [clique para visualizar o e-mail]acesse o artigo original para visualizar o e-mail. ORCID: https://orcid.org/0000-0001-7156-2244