A EDUCAÇÃO E SEUS INDICADORES PARA O DESENVOLVIMENTO REGIONAL DE APARECIDA DE GOIÂNIA-GO

EDUCATION AND ITS INDICATORS FOR THE REGIONAL DEVELOPMENT OF APARECIDA DE GOIÂNIA, GOIÁS

REGISTRO DOI: 10.70773/revistatopicos/787105739

RESUMO
Uma das inovações do desenvolvimento de políticas sociais é a importância aos indicadores educacionais, que atuam como meios para transformação das sociedades e para o desenvolvimento regional. O Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (IDEB) é um indicador educacional criado em 2007 para contribuir com a melhoria da qualidade na educação. O IDEB nasceu em um momento em que a sociedade, em especial, a acadêmica, buscava melhoria na qualidade do ensino na educação básica. A busca de uma melhoria vem desde a década de 1990, quando o país iniciava o Sistema de Avaliação da Educação Básica (SAEB), como uma política de avaliação externa da qualidade da educação ofertada nas escolas, tendo como análises principais a leitura, a interpretação e o raciocínio lógico. O objetivo desse artigo foi compreender, por meio do IDEB, a importância do indicador educacional para a mensuração do desempenho dos jovens estudantes em Matemática e Português em Aparecida de Goiânia-GO. Por meio de uma pesquisa exploratória e uma revisão bibliográfica, autores como Freire (2003), Saviani (2003), Soares e Xavier (2013), entre outros, refletimos sobre o tema da qualidade na educação para o desenvolvimento regional em Aparecida de Goiânia. Entender com mais profundidade a qualidade da educação básica através da análise do IDEB, nos permite compreender como esses próprios índices refletem o conhecimento, as habilidades e as competências adquiridas pelos alunos, requisitos básicos e fundamentais para o alicerce de um desenvolvimento regional através da geração de emprego e renda, de forma sustentável e com a redução das desigualdades.
Palavras-chave: Desenvolvimento Regional; Educação; Indicadores Educacionais.

ABSTRACT
One of the innovations in social policy development is the emphasis placed on educational indicators, which serve as tools for societal transformation and regional development. The Basic Education Development Index (IDEB) is an educational indicator created in 2007 to help improve the quality of education. IDEB emerged at a time when society—and the academic community in particular—was seeking improvements in the quality of basic education. This pursuit of improvement dates back to the 1990s, when the country launched the Basic Education Assessment System (SAEB) as a policy for the external evaluation of the quality of education provided in schools, focusing primarily on reading, comprehension, and logical reasoning. This article aimed to understand, through the IDEB, the importance of this educational indicator in measuring the performance of young students in Mathematics and Portuguese in Aparecida de Goiânia, Goiás. Drawing on exploratory research and a literature review—incorporating authors such as Freire (2003), Saviani (2003), and Soares and Xavier (2013), among others—we reflect on the theme of educational quality in relation to regional development in Aparecida de Goiânia. Gaining a deeper understanding of basic education quality through IDEB analysis allows us to see how these indices reflect the knowledge, skills, and competencies acquired by students—fundamental prerequisites for building regional development through sustainable job and income generation and the reduction of inequalities.
Keywords: Education; Educational Indicators; Regional development.

1. INTRODUÇÃO

A melhoria da qualidade da educação em Aparecida de Goiânia-GO, por meio de políticas públicas, pode impactar positivamente não apenas o desenvolvimento individual dos estudantes, mas também o progresso socioeconômico e cultural da região, contribuindo para a Política Nacional de Desenvolvimento Regional (PNDR). No entanto, dentro do sistema capitalista, que busca acumulação ilimitada de capital, recursos naturais e trabalho humano, a sustentabilidade se torna um desafio, já que o consumo ocorre em uma escala temporal muito mais acelerada do que a capacidade de regeneração da natureza.

Para enfrentar essa questão, é fundamental adotar políticas que equilibrem crescimento econômico e preservação ambiental, considerando também a diversidade cultural. Valorizar o próprio município permite que a educação seja mais inclusiva, fomentando inovação e desenvolvimento regional de forma justa e sustentável. Dessa maneira, a educação se torna não apenas um instrumento de progresso econômico, mas também uma ferramenta de preservação e fortalecimento das tradições culturais, promovendo uma sociedade mais justa e sustentável

Entretanto, a diversidade social dentro das salas de aula em Aparecida de Goiânia, abrange alunos, professores, técnicos administrativos e trabalhadores terceirizados de modo a demonstrar a necessidade de uma abordagem educacional que reconheça essa heterogeneidade. Para que o direito de educação a todos seja plenamente atendido, é essencial que o currículo contemple as identidades culturais e sociais do município.

A avaliação do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (IDEB) é crucial para ajustar estratégias e propor novos caminhos, incluindo a escuta ativa de toda a comunidade escolar. Esse processo estimula a promoção de uma educação que fortaleça o pensamento crítico e o exercício da cidadania, conforme preconizado por Freire (2003).

Ao relacionar as políticas públicas com indicadores socioeconômicos, torna-se possível mensurar e aperfeiçoar estratégias de desenvolvimento, promovendo um sistema mais justo e sustentável.

A análise dos dados de Aparecida de Goiânia nos ajuda a compreender de que forma essas políticas públicas contribuem para o índice na qualidade da educação e nos resultados dos alunos.

2. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA OU REVISÃO DA LITERATURA

Pensar as raízes e revoluções que desencadeou o desenvolvimento da Educação na história, implica entender o contexto histórico no qual trilhou um caminho árduo e complexo, marcado por lutas, avanços e retrocessos e reconhecer as diversas e complexas forças que atuam nessa arena.

Ao longo do tempo, a educação tem funcionado como um mecanismo de controle social, refletindo os interesses das classes dominantes em diferentes contextos históricos. Embora a escola devesse garantir um ensino equitativo, sua estrutura é orientada por prioridades que muitas vezes reforçam desigualdades sociais.

Nesse cenário, disciplinas que estimulam o pensamento crítico, como Sociologia e Filosofia, são gradualmente desvalorizadas, enquanto conteúdos voltados para o mercado, como empreendedorismo, ganham espaço no currículo escolar. Esse modelo limita o acesso do trabalhador a uma formação que favoreça a reflexão crítica e a transformação social, contribuindo para a perpetuação das desigualdades estruturais.

O modelo econômico que prevaleceu no Brasil após a independência política manteve a estrutura colonial ao priorizar a produção voltada para o mercado externo, em vez de fortalecer a economia interna. Essa dependência da exportação e a subordinação aos interesses estrangeiros impediram o país de desenvolver uma estrutura econômica autônoma e diversificada (Prado, 2011).

O analfabetismo funcional, anteriormente restrito à leitura e à escrita, expandiu-se para o campo tecnológico, evidenciando dificuldades no uso eficiente das ferramentas digitais. Embora a tecnologia tenha sido desenvolvida com o propósito de facilitar a vida cotidiana, observa-se que ela contribuiu para a ampliação das jornadas de trabalho, característica neoliberal para o aprofundamento das disparidades no acesso e na utilização dos recursos digitais.

Conforme Anderson (1995, p. 21-22)

[...] o que se sabe é que o neoliberalismo ‘é um movimento ideológico, em escala verdadeiramente mundial, como o capitalismo jamais havia produzido no passado. Trata-se de um corpo de doutrina coerente, autoconsciente, militante, lucidamente decidido a transformar todo o mundo à sua imagem, em sua ambição estrutural e sua extensão internacional’.

O neoliberalismo segue em constante adaptação, ajustando-se rapidamente aos contextos em que está inserido, especialmente na era da transformação digital. Seu funcionamento busca atender às demandas do sistema capitalista, impulsionando mudanças que exigem ajustes constantes por parte das pessoas.

Segundo Saviani (2007), o trabalho é uma prática histórica e essencialmente educativa, desempenhada ao longo dos séculos e interpretada de diferentes maneiras pelas sociedades e pelos indivíduos. Por um lado, ele pode ser visto como um mecanismo inserido na lógica capitalista, onde a qualificação da força de trabalho serve apenas para atender às demandas produtivas, resultando na alienação do trabalhador. Por outro, o trabalho pode ser um instrumento de realização pessoal e social, capaz de estimular a criatividade e proporcionar melhorias nas relações humanas. Dessa forma, seu potencial emancipatório só se concretiza por meio da conscientização crítica, que se contrapõe à alienação e contribui para a construção de uma sociedade mais justa e igualitária.

Desde a Educação Infantil até o Ensino Superior, cada etapa do processo educacional deveria estimular a reflexão e a autonomia intelectual, permitindo que os indivíduos compreendam e questionem a realidade, em vez de apenas se adequarem às demandas do mercado. No entanto, o sistema educacional tende a perpetuar modelos que favorecem a lógica capitalista, priorizando habilidades técnicas e produtivas em detrimento de uma formação crítica e emancipadora.

De acordo com Libâneo (1994, p. 16-17), “a educação é um fenômeno social e universal, sendo uma atividade humana necessária à existência e funcionamento de toda a sociedade." Assim, percebe-se a educação como fundamental para a integração do indivíduo em um grupo social. Os costumes e valores que ele adquire através da educação devem estar alinhados com os do grupo ao qual pertence, facilitando sua aceitação e participação na sociedade, em especial, Aparecida de Goiânia-GO.

A família também desempenha um papel crucial na educação informal, transmitindo costumes essenciais como linguagem, comportamento social, práticas religiosas e valores culturais desde os primeiros anos de vida. Essa evolução, no entanto, não ocorre necessariamente de maneira equitativa, sendo influenciada não apenas por interesses políticos e econômicos, mas também por fatores sociais dentro do município de Aparecida de Goiânia-GO.

Embora a educação tenha um potencial transformador, historicamente tem sido utilizada como ferramenta de controle social, perpetuando estruturas de poder e limitando seu alcance emancipatório. Em contextos em que há investimento efetivo na educação, observa-se uma redução das desigualdades e um fortalecimento dos laços comunitários, mas essa realidade ainda não se concretiza de maneira abrangente.

A preocupação do município de Aparecida de Goiânia-GO, deve ser a redução do índice de analfabetismo, garantindo melhorias na leitura, na escrita e no raciocínio lógico, além de promover a inclusão e assegurar melhores condições de vida para a maioria da população. O acesso equitativo à educação possibilita que todos tenham oportunidades que contribuam para o desenvolvimento social e econômico local.

Conforme Libâneo (1994), a assimilação de conhecimentos resulta da reflexão estimulada pela percepção sensorial e pelas ações mentais, fundamentais para o pensamento crítico e lógico dos alunos. Este processo não se limita à mera absorção de informações, mas envolve uma compreensão profunda e uma capacidade de aplicação prática dos conceitos aprendidos.

No contexto educacional, as palavras desempenham um papel crucial como veículos de aprendizagem, facilitando a formação de conceitos e a reflexão sobre fenômenos complexos do ambiente. O ensino, portanto, é a chave para o progresso intelectual dos alunos, permitindo não apenas a transmissão de conteúdo, mas também o desenvolvimento de habilidades críticas e analíticas.

É imprescindível que o currículo escolar se conecte às experiências reais dos alunos, contemplando discussões que possibilitem reflexões sobre a sociedade, ou seja, sobre Aparecida de Goiânia-GO, sua organização e suas desigualdades.

Paralelamente, a valorização dos professores deve ser central, pois são eles que mediam esse processo de formação, atuando como agentes de transformação social. A legitimação da escola, nesse contexto, depende da construção de um espaço que respeite a diversidade de pensamentos e realidades, permitindo que os estudantes compreendam sua posição social, sua classe, suas oportunidades e desafios em Aparecida de Goiânia-GO. Esse processo possibilita a formação de sujeitos críticos e protagonistas de sua própria aprendizagem.

No papel de mediador, o professor não apenas transmite conhecimentos, mas também orienta o processo de aprendizagem, incentivando a assimilação ativa dos conteúdos pelos alunos. Ele planeja atividades que desafiam os estudantes, estimulando-os a pensar criticamente sobre o próprio município, resolver problemas e construir seus próprios conhecimentos. Essa interação dinâmica entre professor e aluno cria um ambiente educativo que promove o desenvolvimento integral das capacidades cognitivas, intelectuais e sociais dos alunos (Silva, 2017).

É importante reiterar que a aprendizagem significativa se caracteriza pela interação entre conhecimentos prévios e conhecimentos novos, e que essa interação é não literal e não arbitrária. Nesse processo, os novos conhecimentos adquirem significado para o sujeito e os conhecimentos prévios adquirem novos significados ou maior estabilidade cognitiva (Moreira, 2012).

De forma a deixar claro o motivo dos alunos na atualidade terem tanta dificuldade de ler e interpretar um texto ou um problema de matemática, está no fato que desde a colonização fomos controlados de maneira a não incentivarem a nossa capacidade de criar e produzir. O estudante não é valorizado quando tem curiosidade intelectual, livre iniciativa ao observar, refletir e criticar o que é passado em teoria. Afinal de contas é mais fácil controlar alguém que não tenha criticidade.

Logo, o ensino de Português e Matemática é fundamental para o desenvolvimento intelectual e social dos indivíduos, servindo como base para a aquisição de diversas outras habilidades e conhecimentos ao longo da vida. Essas duas disciplinas, embora distintas em seus enfoques e métodos, se complementam de maneiras profundas e significativas, contribuindo para a formação integral dos estudantes. Um sistema educacional eficiente deve formar cidadãos capazes de atuar dentro da estrutura social, promovendo solidariedade e senso de pertencimento.

Menezes (2011, p. 68-69) enfatiza que

primeiro, a aprendizagem depende da capacidade de o aluno estabelecer conexões entre o seu conhecimento e as diferentes matérias que está a estudar e igualmente entre elas. Por isso, promover um ensino por gavetas, separando o Português da Matemática, não contribui, em nada para essa necessária conexão de saberes e, em consequência, enfraquece a aprendizagem. Segundo, as características especificas de cada um dos saberes (linguístico e matemático) potenciam o outro campo de saber. A Matemática fornece à língua, e em particular à literatura, estruturação de pensamento, organização lógica e articulação do discurso. Já a língua fornece à Matemática capacidades comunicativas, como a leitura e interpretação de texto (escrito e oral) e também a capacidades de expressão escrita e oral, em particular a discussão.

O desinteresse dos alunos pode ser tanto uma causa quanto uma consequência desse quadro, já que a falta de motivação frequentemente resulta da percepção de que o ensino não está conectado às suas realidades e necessidades. Portanto, para reverter esse cenário, é essencial uma abordagem multifacetada que inclua a melhoria das condições de ensino, a valorização e o suporte aos professores, e a criação de estratégias pedagógicas que tornem o aprendizado mais relevante e significativo para os estudantes.

Camargo (2004, p.130-131) com relação ao insucesso destaca que

para esses alunos, o ciclo de "fracasso contínuo" pode gerar sentimentos de exclusão, rejeição e abandono. Essas experiências, especialmente quando combinadas com expectativas elevadas não correspondidas, podem levar à resistência, fobias e evasão diante das atividades educacionais.

Nessa ótica, quando o estudante enfrenta dificuldades de aprendizagem, isso pode resultar em desmotivação e falta de interesse pelas atividades escolares.

Furtado (2007, p. 03) esclarece que

quando a aprendizagem não se desenvolve conforme o esperado para a criança, para os pais e para a escola ocorre a ‘dificuldade de aprendizagem’. E antes que a ‘bola de neve’ se desenvolva é necessário a identificação do problema, esforço, compreensão, colaboração e flexibilização de todas as partes envolvidas no processo: criança, pais, professores e orientadores. O que vemos são crianças desmotivadas, pais frustrados pressionando a criança e a escola.

A educação desempenha um papel fundamental no desenvolvimento de Aparecida de Goiânia-GO, servindo como alicerce para o crescimento pessoal e profissional dos indivíduos. Através dela, são transmitidos não apenas conhecimentos técnicos, mas também valores essenciais para a convivência em comunidade, ou seja, dentro do próprio município, com ética, cidadania e respeito à diversidade.

Nesse contexto, torna-se crucial analisar os diferentes componentes do sistema educacional para identificar áreas de melhoria e implementar estratégias eficazes e, dessa forma os indicadores de desempenho servem como instrumentos de avaliação nas habilidades de leitura, de interpretação e de raciocínio lógico, para a compreensão da eficácia do processo de ensino e aprendizagem.

3. METODOLOGIA

A avaliação escolar desempenha um papel fundamental no processo educativo, indo além da simples atribuição de notas e classificações.

Libâneo (1994), aponta que é comum os professores utilizarem a avaliação como um meio de classificação dos alunos, sem explorar plenamente seu potencial educativo. Isso pode resultar em práticas que premiam os alunos com melhores notas e penalizam os que têm dificuldades, em vez de promover um ambiente de aprendizagem mais inclusivo e formativo.

Assim, uma abordagem equilibrada da avaliação escolar deve não apenas verificar o conhecimento adquirido pelos alunos, mas também promover um desenvolvimento integral que inclua habilidades críticas, reflexivas e práticas necessárias para sua participação efetiva na sociedade.

Para que a avaliação escolar vá além da mera atribuição de notas e desempenhe sua função diagnóstica e pedagógica, é necessário um sistema de ensino que ofereça suporte aos docentes, reduzindo a sobrecarga e permitindo estratégias avaliativas mais eficazes. Para tanto a formação continuada dos professores, combinada com condições de trabalho dignas e gestão educacional eficiente, pode permitir que a avaliação escolar cumpra seu papel formativo sem se tornar apenas um mecanismo burocrático.

Oliveira e Chadwick (2001, p. 170) enfatizam que

o uso de paráfrases é eficaz para comprovar (avaliar) a compreensão do aluno. Depois de ler um trecho (conto, história, livro, artigo, parágrafo), o professor pede ao aluno que diga o que leu usando suas próprias palavras. Tanto na avaliação do que o aluno compreendeu quanto na análise e apreciação de textos, pode-se ensinar aos alunos a utilidade de fazer esquemas, roteiros, resumos, resenhas, mapas conceituais. O uso do raciocínio na compreensão de textos serve para desenvolver as capacidades de inferência, dedução e indução

O panorama educacional brasileiro, tanto antes quanto após a implementação do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (IDEB), continua marcado por desafios estruturais e pedagógicos que impactam diretamente a qualidade do ensino. Embora o IDEB tenha sido introduzido como uma ferramenta de monitoramento e melhoria do sistema educacional, muitos dos problemas persistem, como a precarização das escolas, a desigualdade no acesso à educação e a dificuldade na aplicação prática dos dados coletados para efetivas melhorias no ensino.

De acordo com Soares e Xavier (2013) os indicadores educacionais são ferramentas essenciais para medir o processo de ensino-aprendizagem. Eles fornecem uma visão quantitativa da qualidade do ensino, onde analisa-se não apenas o desempenho dos estudantes, mas também o contexto econômico e social no qual ocorre o processo de ensino-aprendizagem. Nas décadas anteriores ao IDEB, o sistema educacional brasileiro enfrentava problemas crônicos, como altas taxas de evasão e repetência escolar, infraestrutura inadequada, e uma significativa disparidade entre as regiões do país. Essas questões eram exacerbadas por um financiamento insuficiente e mal distribuído, que não conseguia atender às necessidades das escolas, especialmente nas áreas rurais e periferias urbanas.

O IDEB, ao adotar critérios padronizados para mensurar o desempenho escolar, desconsidera as particularidades regionais que influenciam diretamente a aprendizagem. Em um país marcado por profundas desigualdades socioeconômicas, infraestrutura precária e diversidade cultural, uma avaliação homogênea não reflete a realidade educacional de cada localidade. Assim, é essencial que instrumentos como o IDEB sejam adaptáveis, considerando os contextos específicos dos alunos e das escolas. A inclusão de elementos qualitativos e subjetivos na avaliação permitiria diagnósticos mais precisos e políticas públicas mais eficazes, promovendo uma educação mais justa e alinhada à diversidade brasileira.

O contexto educacional antes do IDEB, também era caracterizado por uma limitada participação social na gestão escolar. As comunidades, pais e alunos tinham pouca voz nos processos decisórios, o que contribuía para uma desconexão entre as políticas educacionais e as reais necessidades das escolas. A gestão escolar, muitas vezes, operava de forma centralizada e burocrática, sem um mecanismo eficaz de responsabilização que garantisse a transparência e a responsabilidade na aplicação dos recursos e na condução das ações pedagógicas.

Os índices educacionais, como o IDEB, são ferramentas importantes para monitorar a qualidade do ensino, mas sua padronização pode mascarar desafios estruturais e sociais das escolas, como infraestrutura precária, falta de professores qualificados e desigualdade regional. Além disso, em alguns contextos, os dados podem ser manipulados para atender a interesses políticos e institucionais, criando uma falsa percepção de progresso. Assim, é essencial que a avaliação educacional vá além das métricas quantitativas, considerando as condições reais das escolas e dos alunos para garantir uma educação pública eficaz e equitativa.

A preocupação com a avaliação da qualidade da educação não é uma questão recente, mas passou a ganhar destaque com as reformas educacionais implementadas no final dos anos 1990. Essas reformas estabeleceram uma abordagem de gestão escolar focada no monitoramento dos resultados e desempenho dos alunos em testes padronizados, considerados indicadores da eficiência das escolas e do sistema educacional como um todo (Sousa, 2008).

Essa abordagem de avaliação tem ajudado a estabelecer um novo modelo de gestão da educação que recontando o papel do Estado quanto a concepção de educação pública. A proposta promove a ideia de qualidade educacional através de diferenciações dentro dos sistemas públicos de ensino, que são vistas como essenciais para a produção de qualidade. Nesse contexto, a função do Estado seria incentivar a oferta de uma educação diferenciada ao instituir mecanismos para medir a qualidade, divulgar os resultados e estimular a competição entre as instituições envolvidas (Sousa, 2009).

Freitas (2007), ao examinar a implementação desse modelo de gestão e avaliação educacional, afirma que a abordagem adotada introduziu novas formas de monitoramento e controle sobre a qualidade da educação. O autor destaca que essa mudança busca promover uma maior eficiência na administração escolar, mas também levanta questões sobre como esses modelos impactam a prática pedagógica e a equidade dentro dos sistemas educacionais.

Desde a introdução do IDEB em 2007, diversas mudanças e adaptações foram implementadas no sistema educacional brasileiro, refletindo o impacto significativo desse indicador na avaliação da qualidade da educação. Uma das principais mudanças foi a ampliação da abrangência e da transparência das avaliações. Antes do IDEB, o sistema de avaliação educacional no Brasil era menos integrado, e a qualidade da educação muitas vezes não era medida de maneira consistente em todas as regiões e níveis de ensino. O IDEB trouxe uma abordagem mais sistemática e uniforme, permitindo a comparação entre diferentes estados e municípios, e proporcionando uma visão mais clara dos avanços e desafios enfrentados por cada local.

Ao combinar dados sobre o desempenho dos alunos em avaliações padronizadas com a taxa de aprovação escolar, o IDEB fornece uma visão completa da qualidade do ensino em diferentes regiões e escolas, a exemplo de Aparecida de Goiânia-GO. Essa informação é vital para os gestores educacionais, permitindo que políticas sejam formuladas com base em evidências concretas, e não em suposições.

Tosta e Ney (2016, p.165-166) pontuam que

no campo da Educação, o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (IDEB) se mostra na atualidade como a principal forma de avaliar a educação básica, servindo de base para a tomada de várias decisões dentro do campo educacional. Assim, haja vista a necessidade de se diagnosticar de forma precisa a realidade educacional, para uma intervenção de qualidade.

Além disso, o IDEB estabelece metas claras e objetivas, incentivando uma cultura de responsabilidade e transparência. As metas do IDEB funcionam como um norte para as políticas educacionais, definindo padrões de qualidade que todas as escolas devem alcançar. Essas metas são essenciais para motivar gestores, professores e comunidades escolares a se engajarem em processos de melhoria contínua. O acompanhamento periódico do IDEB permite ajustar estratégias e políticas em Aparecida de Goiânia-GO, conforme necessário, mantendo o foco no progresso e na qualidade.

Dessa maneira, o impacto do IDEB também se reflete nas políticas de incentivo e reconhecimento. Aparecida de Goiânia-GO pode premiar escolas e redes de ensino que atingem ou superam suas metas do IDEB, promovendo um ambiente de competição saudável e valorização do esforço. Essas políticas de incentivo não apenas reconhecem o bom desempenho, mas também inspiram outras escolas a buscar melhores resultados.

4. RESULTADOS E DISCUSSÕES OU ANÁLISE DOS DADOS

Localizada na Região Metropolitana de Goiânia, Aparecida de Goiânia considera a educação um pilar fundamental para o desenvolvimento regional. A análise dos indicadores educacionais do município permite identificar tanto os desafios quanto as potencialidades locais, direcionando políticas públicas que visam à melhoria da qualidade do ensino e ao progresso socioeconômico da região, mas ainda enfrentas obstáculos para sua efetivação.

Em 2022, Aparecida de Goiânia contava com uma população de aproximadamente 527.796 habitantes, apresentando uma densidade demográfica de 1.885,3 habitantes por quilômetro quadrado. O município possui uma ampla diversidade de instituições de ensino, incluindo escolas regulares, integrais e militares, cada uma desempenhando um papel único na formação dos estudantes.

A cidade conta com 154 escolas de Ensino Fundamental e 59 escolas de Ensino Médio. Dentre essas unidades, 127 escolas integram o Programa de Inovação Educação Conectada, uma iniciativa do Ministério da Educação do Brasil que visa universalizar o acesso à internet de alta velocidade nas escolas públicas de educação básica e fomentar o uso de tecnologias digitais como ferramentas pedagógicas.

Apesar dos avanços na infraestrutura educacional, Aparecida de Goiânia ainda enfrenta desafios importantes, como a democratização do acesso à educação e a melhoria dos indicadores educacionais, fatores essenciais para garantir um ensino de qualidade e inclusivo no município (IBGE, 2022).

Com uma população em crescimento e uma economia diversificada, Aparecida de Goiânia precisa oferecer uma educação de qualidade que prepare seus cidadãos para os desafios do mercado de trabalho e para uma participação ativa na sociedade.

Ao analisar a educação básica em Aparecida de Goiânia, é evidente que os indicadores de desempenho são ferramentas essenciais para medir a eficácia do processo educacional e suas implicações no desenvolvimento futuro dos estudantes e, por extensão, no desenvolvimento local, desde que ligados a investimentos na infraestrutura das escolas.

Os conteúdos ministrados desempenham um papel crucial na avaliação do desempenho educacional, ou seja, para a mensuração dos indicadores educacionais. A leitura, interpretação e raciocínio lógico não são apenas habilidades isoladas, mas indicadores vitais do sucesso do processo de ensino e aprendizagem e, consequentemente, do desenvolvimento do município.

Indicadores educacionais, como taxas de alfabetização, índices de aprovação e reprovação, desempenho em avaliações nacionais e a infraestrutura das escolas, são ferramentas essenciais para avaliar o cenário atual da educação e identificar áreas que demandam intervenções prioritárias.

A relação entre educação e desenvolvimento regional é intrínseca, uma vez que uma educação de qualidade contribui para a formação de capital humano qualificado, impulsiona a economia local e fomenta a inovação. O acesso equitativo à educação é crucial para reduzir desigualdades sociais e garantir oportunidades iguais para todos.

Dessa forma, a análise dos dados apresentados na Tabela 1 abaixo evidencia tendências importantes na evolução do ensino fundamental em Aparecida de Goiânia. Identificar os fatores que influenciam esses indicadores é essencial para a formulação de políticas públicas mais eficientes, garantindo a equidade na educação e promovendo avanços sustentáveis para a melhoria contínua do ensino.

Tabela 1. Ensino Fundamental - Anos Iniciais 2017 a 2023

Aparecida de Goiânia-GO - Ensino Fundamental - Anos Iniciais de 2017 a 2023

Anos

Notas SAEB Matemática

Notas SAEB Portugues

Aprendizado

X

Fluxo

=

IDEB

Meta

Variação

2017

207,73

206,53

5,68

X

0,98

=

5,5

5,6

98%

2019

212,96

204,07

5,74

X

0,97

=

5,6

5,9

95%

2021

203,83

201,27

5,51

X

0,97

=

5,4

6,2

87%

2023

209,08

205,71

5,69

X

0,98

=

5,6

6,2

90%

Fonte: elaborado pelos autores a partir dos dados do INEP/2024

Dessa forma, a variação média geral no período representou em Aparecida de Goiânia 93%, ou seja, a soma de 98% mais 95% mais 87% mais 90% dividido por 4 (quatro).

O Ensino Fundamental, Anos Finais, é crucial para o aprofundamento do aprendizado, desenvolvimento de habilidades críticas e preparação para o Ensino Médio. Monitorar os indicadores de desempenho em Aparecida de Goiânia-GO, é essencial para identificar avanços, entender dificuldades e implementar estratégias que garantam uma educação de qualidade e inclusiva.

Conforme os dados da Tabela 2 abaixo, o desempenho educacional dos alunos do Ensino Fundamental - Anos Finais no município de Aparecida de Goiânia, entre os anos de 2017 e 2023 foi feito por meio de uma análise comparativa. Os indicadores avaliados incluem as notas do Sistema de Avaliação da Educação Básica (SAEB) em Matemática e Português, o índice de aprendizado, o fluxo escolar, o IDEB, as metas estipuladas e a variação percentual em relação às metas. Esses dados oferecem uma compreensão ampla sobre os avanços e desafios enfrentados por essas localidades ao longo dos anos.

As notas do SAEB revelam oscilações no desempenho dos alunos em ambas as disciplinas ao longo do período analisado. Em Aparecida de Goiânia, as notas de Matemática variaram entre 248,77 em 2021 e 254,94 em 2019, enquanto as de Português oscilaram entre 254,28 em 2021 e 260,28 em 2019.

O índice de aprendizado reflete a evolução das médias em Matemática e Português. Em Aparecida de Goiânia, esse indicador oscilou entre 5,05 em 2021 e 5,25 em 2019, demonstrando um padrão de relativa estabilidade.

A taxa de fluxo escolar, que mede a aprovação dos alunos, em Aparecida de Goiânia revelou que os valores se mantiveram entre 0,89 em 2017 e 0,98 em 2023, sugerindo que a taxa de retenção escolar apresentou poucas variações ao longo dos anos.

O Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (IDEB) combina os dados de aprendizado e fluxo escolar para fornecer um panorama geral do desempenho educacional. Em Aparecida de Goiânia, o IDEB variou entre 4,6 em 2017 e 5,1 em 2023, demonstrando um avanço gradual, mas sem grandes saltos.

As metas do IDEB também variaram ao longo dos anos. Em Aparecida de Goiânia, a meta cresceu de 4,7 em 2017 para 5,2 em 2023, evidenciando expectativas de progresso que não foram integralmente atingidas.

A variação percentual indica o grau de cumprimento das metas estabelecidas. Em Aparecida de Goiânia, os índices permaneceram abaixo das metas em diversos anos, registrando 96% em 2019 e 98% em 2023.

Tabela 2. Ensino Fundamental - Anos Finais 2017 a 2023

Aparecida de Goiânia-GO - Ensino Fundamental - Anos Finais de 2017 a 2023

Anos

Notas SAEB Matemática

Notas SAEB Portugues

Aprendizado

X

Fluxo

=

IDEB

Meta

Variação

2017

251,99

258,98

5,18

X

0,89

=

4,6

4,7

98%

2019

254,94

260,28

5,25

X

0,91

=

4,8

5,0

96%

2021

248,77

254,28

5,05

X

0,98

=

5,0

5,2

96%

2023

253,35

256,71

5,17

X

0,98

=

5,1

5,2

98%

Fonte: elaborado pelos autores a partir dos dados do INEP/2024

O Ensino Médio é uma etapa essencial da educação, voltada para a formação cidadã e a preparação para a vida adulta. A Tabela 3 que segue, destaca o desempenho de Aparecida de Goiânia, de forma a evidenciar avanços e desafios em relação às metas estabelecidas, com base em indicadores de aprendizado e eficiência escolar.

As notas do SAEB em Matemática e Português revelam oscilações nos desempenhos dos alunos em ambas as disciplinas ao longo dos anos. Em Aparecida de Goiânia, as notas de Matemática passaram de 259,53 em 2017 para 274,88 em 2023, indicando um crescimento gradual, embora com variações nos anos intermediários. As notas de Português também apresentaram evolução, indo de 262,38 em 2017 para 284,72 em 2023.

O índice de aprendizado é um indicador que sintetiza os resultados das avaliações do SAEB e reflete a capacidade dos alunos de assimilar os conteúdos. Em Aparecida de Goiânia, esse índice evoluiu de 4,26 em 2017 para 4,81 em 2023, de modo a evidenciar uma melhora no desempenho educacional.

O fluxo escolar, que mede a taxa de aprovação dos alunos, em Aparecida de Goiânia, os valores variaram de 0,85 em 2017 para 0,97 em 2023, indicando uma melhora na progressão dos estudantes entre os anos escolares.

O IDEB, que combina os dados de aprendizado e fluxo escolar, revelou que em Aparecida de Goiânia, o índice variou de 3,6 em 2017 para 4,6 em 2023, demonstrando um crescimento significativo ao longo dos anos.

As metas do IDEB, estipuladas para Aparecida de Goiânia, reflete as expectativas de avanço no ensino médio. No município, a meta cresceu de 3,8 em 2017 para 4,0 em 2023.

A variação percentual em relação às metas evidencia o grau de cumprimento dos objetivos estabelecidos. Em Aparecida de Goiânia, a variação foi de 95% em 2017 e chegou a 115% em 2023, indicando que, nos últimos anos, houve uma superação das metas previstas.

A partir dessas análises, é possível observar que Aparecida de Goiânia demonstrou um crescimento expressivo em determinados períodos. A identificação dos fatores que influenciam esses indicadores é essencial para a formulação de políticas públicas que garantam equidade educacional e promovam melhorias sustentáveis no ensino médio dessas localidades.

Tabela 3. Ensino Médio 2017 a 2023

Aparecida de Goiânia-GO - Ensino Médio de 2017 a 2023

Anos

Notas SAEB Matemática

Notas SAEB Portugues

Aprendizado

x

Fluxo

=

IDEB

Meta

Variação

2017

259,53

262,38

4,26

x

0,85

=

3,6

3,8

95%

2019

277,4

283,55

4,83

x

0,86

=

4,2

3,8

111%

2021

265,4

274,93

4,53

x

0,94

=

4,3

4,0

108%

2023

274,88

284,72

4,81

x

0,97

=

4,6

4,0

115%

Fonte: elaborado pelos autores a partir dos dados do INEP/2024

A variação do IDEB/META é um indicador essencial para avaliar o progresso educacional, refletindo o cumprimento das metas estabelecidas para a qualidade do ensino básico. Esse parâmetro deve ser analisado em conjunto com o PIB, o IDHM e o IDHM Educação, pois todos esses fatores estão interligados na construção do desenvolvimento humano e social. O PIB, que representa a riqueza gerada por um município, influencia diretamente os investimentos em infraestrutura educacional, capacitação docente e programas de ensino.

A Tabela 4 abaixo apresenta a variação percentual do IDEB/META para Aparecida de Goiânia em três níveis de ensino: Ensino Fundamental Anos Iniciais, Ensino Fundamental Anos Finais e Ensino Médio, entre os anos de 2017, 2019, 2021 e 2023. A análise comparativa dos dados permite identificar padrões na evolução da qualidade educacional e compreender como os municípios têm respondido às metas estabelecidas para a educação básica.

Aparecida de Goiânia registrou índices inferiores com relação ao Ensino Fundamental e, no Ensino Médio, apresentou um crescimento expressivo, que alcançou 111% em 2019, 108% em 2021 e 115% em 2023, o que demonstra avanços na qualidade do ensino nessa etapa.

Tabela 4. Variação IDEB/ META (2017-2023) – Aparecida de Goiânia-GO

Aparecida de Goiânia-GO - Variação IDEB/META - 2017 a 2023

Etapa

2017

2019

2021

2023

Ensino Fundamental - Anos Iniciais

98%

95%

87%

90%

Ensino Fundamental - Anos Finais

98%

96%

96%

98%

Ensino Médio

95%

111%

108%

115%

Fonte: elaborado pelos autores a partir dos dados do INEP/2024

A análise da Tabela 5 que segue apresenta a evolução do PIB (Produto Interno Bruto) de Aparecida de Goiânia nos anos de 2017, 2019 e 2021. Os dados indicam que Aparecida de Goiânia manteve um crescimento econômico significativo, aumentando seu PIB de R$ 23.774,80 milhões em 2017 para R$ 28.213,26 milhões em 2021.

Tabela 5. Aparecida de Goiânia-GO - PIB: 2017 – 2019 – 2021

Aparecida de Goiânia - GO

2017

2019

2021

PIB

23.774,80

23.782,62

28.213,26

Fonte: elaborado pelos autores a partir dos dados do IMB/2024

A Tabela 6 destaca a relação entre a variação do IDEB/META e o PIB no município de Aparecida de Goiânia-GO, o que permite uma comparação precisa do desenvolvimento nessa cidade.

Os dados demonstram que, em Aparecida de Goiânia, a variação do IDEB/META no Ensino Fundamental – Anos Iniciais apresentou um índice de 98% em 2017, 95% em 2019, 87% em 2021 e 90% em 2023, enquanto o PIB cresceu de R$ 23.774,80 milhões em 2017 para R$ 28.213,26 milhões em 2021.

Nos anos finais do Ensino Fundamental, Aparecida de Goiânia apresentou índices inferiores com relação a meta (98% em 2017, 96% em 2019, 90% em 2021 e 92% em 2023), apesar de sua capacidade econômica. Já no Ensino Médio, mostrou crescimento significativo, atingindo 95% em 2017, 111% em 2019, 108% em 2021 e 115% em 2023. Isso indica que, no ensino médio, Aparecida de Goiânia conseguiu reverter a tendência observada no ensino fundamental e apresentar um crescimento mais sólido na qualidade educacional.

Essa comparação entre variação do IDEB/META e PIB evidencia que o crescimento econômico não é o único fator determinante para a evolução da qualidade do ensino, mas também políticas públicas bem direcionadas e investimentos estratégicos que, através da análise desses indicadores é essencial para compreender o impacto dos investimentos na educação sobre a relação entre desenvolvimento econômico e evolução da qualidade do ensino.

Tabela 6. Variação( IDEB/ Meta) e PIB

Variação IDEB (2017 - 2019 - 2021 - 2023) e PIB (2017 -2019 - 2021)

Aparecida de Goiânia - GO

IDEB 2017

IDEB 2019

IDEB 2021

IDEB 2023

PIB 2.017,00

PIB 2.019,00

Ensino Fundamental - Anos Iniciais

98%

95%

87%

90%

23.774,80

23.782,62

Ensino Fundamental - Anos Finais

98%

96%

96%

98%

Ensino Médio

95%

111%

108%

115%

Fonte: elaborado pelos autores a partir dos dados do IMB/2024

A análise da variação do IDEB/META deve considerar o PIB, IDHM e IDHM Educação, pois esses indicadores estão diretamente ligados ao desenvolvimento humano e social, refletindo o impacto dos investimentos e das políticas públicas na educação.

A ausência de dados recentes sobre o IDHM e o IDHM Educação ocorre porque esses indicadores são calculados com base em censos populacionais, realizados a cada dez anos, limitando sua atualização. Para comparações mais frequentes, utilizam-se dados históricos em relação às taxas de variação do IDEB e META, que refletem mudanças imediatas na qualidade educacional. Apesar da defasagem dos índices do IDHM, eles ainda são relevantes para avaliar tendências de desenvolvimento, a efetividade das políticas públicas e o impacto do crescimento educacional no progresso social e econômico.

A Tabela 7 abaixo apresenta a evolução do IDHM (Índice de Desenvolvimento Humano Municipal) e do IDHM Educação no município de Aparecida de Goiânia nos anos de 1991, 2000 e 2010. A análise desses indicadores permite compreender o impacto da educação no desenvolvimento humano ao longo das décadas e sua relação com o contexto atual.

Os dados demonstram que Aparecida de Goiânia registrou um aumento contínuo nos índices, com o IDHM subindo de 0,445 em 1991 para 0,718 em 2010, enquanto o IDHM Educação evoluiu de 0,229 para 0,62 no mesmo período. Essa progressão indica que, ao longo dos anos, os investimentos em educação contribuíram significativamente para a melhoria das condições sociais e econômicas do município.

Relacionando esses dados com a atualidade, é possível observar que o IDHM Educação acompanha de perto o crescimento do IDHM geral, evidenciando a relação direta entre escolaridade e qualidade de vida. No entanto, apesar dos avanços expressivos até 2010, desafios como evasão escolar, desigualdade no acesso à educação e infraestrutura escolar podem influenciar a trajetória futura desses indicadores. A importância da educação como fator determinante no desenvolvimento humano reforça a necessidade de políticas públicas eficazes, que garantam a continuidade desse progresso para elevar ainda mais o IDHM e promover inclusão social.

Tabela 7. IDHM e IDHM Educação: 1991 - 2000 - 2010

IDHM E IDHM EDUCAÇÃO: 1991 - 2000 - 2010

Aparecida de Goiânia - GO

IDHM

IDHM EDUCAÇÃO

IDHM

IDHM EDUCAÇÃO

IDHM

IDHM EDUCAÇÃO

1991

1991

2000

2000

2010

2010

0,445

0,229

0,582

0,403

0,718

0,620

Fonte: elaborado pela autora a partir dos dados do BRASIL /2024

Portanto, a comparação entre os indicadores demonstra que o crescimento econômico não se traduz automaticamente em avanços educacionais, sendo necessário um planejamento estratégico para garantir que os investimentos na educação sejam eficazes e promovam impactos positivos na qualidade do ensino e no desenvolvimento humano.

5. CONSIDERAÇÕES FINAIS

O cenário educacional no Brasil, no decorrer dos anos, foi marcado por um modelo autoritário e excludente, com ênfase em tarefas repetitivas e mecânicas, sem atenção às necessidades individuais ou às diferenças culturais.

O investimento na educação não serve apenas para elevar o nível de conhecimento e habilidades da população, mas também estimula o desenvolvimento econômico, a inovação e o desenvolvimento regional.

A avaliação do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (IDEB) é crucial para ajustar estratégias e propor novos rumos, incluindo a escuta ativa de toda comunidade escolar, estimulando a promoção de uma educação que forme o pensamento crítico e o exercício da cidadania, conforme preconizado por Freire (2003).

Aparecida de Goiânia, assim como outras grandes cidades metropolitanas, insere-se no contexto da Política Nacional de Desenvolvimento Regional (PNDR), que buscam um desenvolvimento equilibrado e alinhado aos princípios da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB).

Os dados econômicos do município goiano em 2010 e 2019, demonstram que Aparecida de Goiânia apresentou um crescimento econômico e populacional, aumentou sua participação no PIB estadual de 5,4% para 6,6%. Esse avanço econômico deveria refletir diretamente na educação, uma vez que municípios com maior arrecadação tendem a ter mais recursos para investimentos em infraestrutura escolar, qualificação docente e programas educacionais, influenciando os indicadores educacionais.

Em 2010, a taxa de escolarização de 6 a 14 anos foi de 95,3% em Aparecida de Goiânia, de modo a constatar que o crescimento econômico, impulsionado pelo aumento do PIB, não garantiu avanços educacionais proporcionais. Isso ressalta a necessidade de um planejamento eficiente, que fortaleça toda a educação básica.

Ao analisar dados de Aparecida de Goiânia, abrangendo os três eixos (Ensino Fundamental - Anos Iniciais; Ensino Fundamental -Anos Finais; e Ensino Médio) no período de 2017 a 2023, observa-se que, embora o PIB, o IDHM e o IDHM Educação sejam fatores relevantes, eles não determinam, por si só, os resultados educacionais. O desempenho escolar nessa cidade reflete, sobretudo, a efetividade das políticas educacionais e os investimentos direcionados à infraestrutura, capacitação docente e estratégias pedagógicas inclusivas.

A análise do Ensino Fundamental - Anos Iniciais e Finais (2017-2023) em Aparecida de Goiânia evidencia o impacto dos fatores socioeconômicos no desempenho escolar. O município manteve estabilidade, sem avanços significativos, enfrentando desafios na evolução dos indicadores. A variação percentual reforça a necessidade de ações mais incisivas para impulsionar o progresso educacional em Aparecida de Goiânia.

Já no Ensino Médio (2017-2023) em Aparecida de Goiânia evidencia avanços e desafios no desempenho educacional com um crescimento acelerado, alcançando 115% em 2023, refletindo investimentos, políticas públicas e infraestrutura escolar.

A análise da relação entre IDEB/META, PIB, IDHM e IDHM Educação em Aparecida de Goiânia demonstra que a qualidade da educação não depende exclusivamente do volume de recursos financeiros, mas da forma como os investimentos são aplicados. Os dados reforçam que o crescimento econômico não garante, por si só, melhorias na qualidade do ensino, sendo fundamental investimentos estratégicos e gestão educacional eficiente para garantir progresso contínuo, equidade e desenvolvimento sustentável na educação básica.

Portanto, para que Aparecida de Goiânia alcance um modelo de desenvolvimento regional, é fundamental que os indicadores educacionais sejam analisados para além de suas métricas numéricas, valorizando a implementação de um currículo inclusivo e contextualizado em consonância com os objetivos estabelecidos pela Política Nacional de Desenvolvimento Regional (PNDR). A interdependência entre sociedade e escola, respaldada por políticas educacionais eficazes, constitui um mecanismo central para impulsionar o progresso regional e formar cidadãos preparados para os desafios socioeconômicos contemporâneos.

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1 Mestra em Desenvolvimento Regional. Centro Educacional Alves Faria, Goiânia, Goiás, Brasil. Lattes: http://lattes.cnpq.br/8066932077544014. Orcid: https://orcid.org/0009-0007-3915-4591. E-mail: [clique para visualizar o e-mail]acesse o artigo original para visualizar o e-mail

2 Docente no Programa de Mestrado Profissional em Desenvolvimento Regional. Centro Educacional Alves Faria, Goiânia, Goiás, Brasil. Lattes: http://lattes.cnpq.br/4712315192117860. Orcid: https://orcid.org/0000-0001-6002-5494. E-mail: [clique para visualizar o e-mail]acesse o artigo original para visualizar o e-mail