#VACINANÃO: A REPERCUSSÃO DA FASE DE IMUNIZAÇÃO DE CRIANÇAS DE 5 A 11 ANOS NO FACEBOOK DURANTE A CRISE DA COVID-19 NO BRASIL

PDF: Clique aqui


REGISTRO DOI: 10.5281/zenodo.18331796


Ana Paula Miranda Costa Ribeiro1


RESUMO
O artigo analisa a repercussão da vacinação infantil contra a Covid-19 no Facebook Brasil, focando na hashtag #VacinaNão. A pesquisa justifica-se pela tensão entre a autorização técnica da Anvisa e o discurso negacionista de autoridades governamentais, que fomentou a desconfiança sobre a imunização. Fundamenta-se na Análise Crítica do Discurso (ACD) sob a perspectiva sociocognitiva de Teun van Dijk, explorando a relação entre poder, controle do discurso e construção de modelos mentais. Metodologicamente, utiliza a Ciência de Dados para extração via CrowdTangle e visualização de grafos semânticos no Gephi. Os resultados identificaram 57 postagens públicas organizadas em oito clusters temáticos. Os achados revelam a predominância de uma narrativa conservadora, patriótica e religiosa, que utiliza a desinformação para defender liberdades individuais em detrimento da saúde coletiva. Conclui-se que o ambiente digital permitiu a atores influentes exercerem poder ao deslegitimar decisões científico-técnicas, consolidando a resistência à vacinação por meio de estratégias discursivas coordenadas.
Palavras-chave: Análise Crítica do Discurso. Facebook. Vacinação infantil. Desinformação. Relações de poder.

ABSTRACT
This article analyzes the impact of child vaccination against Covid-19 on Facebook Brazil, focusing on the hashtag #VacinaNão. The research is justified by the tension between Anvisa’s technical authorization and the negacionist discourse of government authorities, which fueled distrust regarding immunization. It is grounded in Critical Discourse Analysis (CDA) through Teun van Dijk's sociocognitive perspective, exploring the relationship between power, discourse control, and the construction of mental models. Methodologically, it employs Data Science for extraction via CrowdTangle and semantic graph visualization in Gephi. Results identified 57 public posts organized into eight thematic clusters. The findings reveal the predominance of a conservative, patriotic, and religious narrative, using disinformation to advocate for individual freedoms over collective health. The study concludes that the digital environment allowed influential actors to exercise power by delegitimizing technical-scientific decisions, consolidating resistance to vaccination through coordinated discursive strategies.
Keywords: Critical discourse analysis. Facebook. Child vaccination. Disinformation. Power relations.

1. INTRODUÇÃO

No dia 12 de novembro de 2021, o consórcio Pfizer BioNTech deu entrada em um pedido de autorização juntamente à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para que sua vacina contra a Covid-19 pudesse ser aplicada em crianças brasileiras com idades entre 5 e 11 anos (Valente, 2021), em um cenário mundial no qual a agência reguladora americana já havia autorizado o uso da vacina Pfizer BioNTech em crianças no dia 29 de outubro de 2021, com o início da vacinação das crianças americanas em 3 de novembro de 2021 (O Globo, 2022). No contexto pandêmico daquela ocasião, a vacinação de adultos e adolescentes com mais de 12 anos seguia avançando no Brasil, país que acumulava, naquele momento, mais de 610 mil mortes por Covid-19 desde o início da crise em 2020 (Portal G1, 2021).

A Anvisa autorizou o uso da vacina Pfizer BioNTech em crianças de 5 a 11 anos em 16 de dezembro de 2021 (Anvisa, 2021), pouco mais de um mês após o pedido do consórcio. Na mesma data, o presidente da República Jair Bolsonaro, visivelmente descontente com a decisão da agência reguladora, disse, em uma live transmitida por meio de suas redes sociais, que iria divulgar o nome dos funcionários da Anvisa que autorizaram o uso da vacina em crianças (O Globo, 2022). A fala do chefe do executivo nacional pesou dentro da agência reguladora, com o órgão rechaçando publicamente as ameaças do presidente e falando em “ativismo político violento” (O Globo, 2022). Em meio à polêmica, o Ministério da Saúde anunciou que faria uma consulta pública para decidir sobre o tema, e o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, minimizou o número de mortes de crianças mais de uma vez em entrevistas à imprensa (O Globo, 2022).

A polêmica ganhou ainda mais força com o presidente Jair Bolsonaro insistindo em criticar a autorização da Anvisa, defendendo a vacinação de crianças apenas com autorização dos pais e receita médica. Ele chegou a dizer que não iria vacinar sua filha (O Globo, 2022). Por causa da repercussão da decisão da agência, a Polícia Federal abriu inquérito para apurar ameaças contra membros da Anvisa (O Globo, 2022). Entidades passaram a criticar a consulta pública realizada pelo Ministério da Saúde, como a Frente pela Vida, apoiando publicamente a decisão técnica da Anvisa (Conselho Nacional de Saúde, 2022). Em meio a esse cenário, a vacinação das crianças de 5 a 11 anos teve início em 14 de janeiro de 2022 (Granchi, 2022).

Esse tema despertou nossa atenção para estabelecer uma investigação nos sites de redes sociais, para saber como repercutiram essas falas especificamente do presidente da República Jair Bolsonaro entre a audiência conectada. Buscamos identificar quais foram as articulações semânticas e os léxicos envolvidos na produção discursiva sobre esse tema. A rede social elencada para nossa investigação é o Facebook, plataforma que permite que os usuários compartilhem conteúdos com textos, fotos e vídeos em tempo real, ou até mesmo realizem transmissões de acontecimentos para suas audiências. Apesar de enfrentar a concorrência de outras plataformas como TikTok, Twitter e Instagram, ainda é popular no País e em todo o mundo, com mais de 2,6 bilhões de usuários ativos (Alecrim, 2020).

Entendemos que o Facebook, assim como as demais redes sociais, representam um significativo território de trocas e interações conversacionais, determinando novas sociabilidades contemporâneas nas quais os indivíduos realizam processos de participação e discussão sobre temas relacionados às suas vivências individuais e coletivas, ao mesmo tempo que estão circunscritos a uma regulação algorítmica de suas próprias vidas.

2. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA OU REVISÃO DA LITERATURA

Os processos comunicacionais são fundamentais para a interação humana em todos os níveis. É por meio deles que os indivíduos constroem relacionamentos, compartilham conhecimentos e desenvolvem habilidades sociais e profissionais. Atualmente, vivemos em um cotidiano midiatizado onde as mídias digitais atuam como o "tecido conjuntivo" da sociedade (Shirky, 2011), tornando a sociabilidade contemporânea dependente de trocas informacionais mediadas por plataformas conectadas.

Neste cenário, atores dotados de dispositivos móveis criam conteúdo e se comunicam simultaneamente, vivenciando a cultura da convergência. Nela, velhas e novas mídias colidem e "o poder do produtor e o do consumidor interagem de maneiras imprevisíveis" (Jenkins, 2009, p. 343). A convergência envolve tanto o fluxo de conteúdos em múltiplas plataformas quanto o comportamento migratório do público e a cooperação entre mercados, sustentando novas formas de sociabilidade.

As redes sociais são espaços vivos que conectam dimensões da vida humana, indo além da mercantilização de afetos sob regulação algorítmica (Castells, 2013). Elas transformam a cultura ao induzir ao compartilhamento, mas a comunicação não depende apenas da infraestrutura tecnológica; ela deriva do contexto sociocultural e dos acordos tácitos entre os envolvidos (Castells, 2015). Assim, a comunicação não é fruto de um determinismo tecnológico, mas de um relacionamento centrado na experiência social digital.

Por fim, a comunicação está intrinsecamente atrelada aos mecanismos de poder. A difusão das redes digitais modificou as práticas de poder, "aumentando a influência da sociedade civil e de atores não institucionais" (Castells, 2015, p. 33). Na estrutura social atual, as redes comunicativas são fontes decisivas e integrantes do plano sistêmico do poder (Castells, 2013).

O poder é definido como uma relação de força onde sujeitos agem sobre outros (Foucault, 1995). Longe de ser apenas repressivo, o poder é produtivo: ele gera saberes, racionalizações e "efeitos de verdade". Para que se consolide, o poder depende intrinsecamente do discurso, que funciona como seu principal instrumento de circulação e funcionamento (Foucault, 2015).

Nesse sentido, a verdade não é absoluta, mas uma construção social mediada por tensões e coerções. Ela emerge de sistemas que regulam a produção e a circulação de enunciados, criando o que se chama de "regime de verdade": a política geral que define quais discursos uma sociedade aceita e faz funcionar como verdadeiros.

No cenário contemporâneo, a capacidade de enunciação — ou seja, quem detém o controle da narrativa — é uma forma direta de poder. Quem domina o discurso estabelece a estrutura de saber/poder que rege os demais. Diante da saturação de estímulos no ambiente midiatizado, torna-se essencial o exercício de uma análise crítica sobre os discursos que circulam e moldam a nossa percepção da realidade.

A Análise Crítica do Discurso (ACD) fundamenta-se no estudo da linguagem enquanto prática social situada, onde o discurso não apenas reflete, mas molda e sustenta estruturas de poder e desigualdades (Batista Jr. et al., 2018). Para além da análise lexical, a ACD busca desvelar como a linguagem em uso estabiliza distorções sociais, exigindo a compreensão dos papéis dos interlocutores e da dinâmica macroestrutural em que a enunciação ocorre. Assim, o discurso atua como ferramenta de mediação e perpetuação de hegemonias, servindo de suporte para a difusão do poder institucional.

Segundo a perspectiva de Teun Van Dijk (2016a), a ACD deve integrar o micronível das interações discursivas ao macronível das estruturas sociais e políticas. O domínio sobre os meios de comunicação e recursos discursivos — como as redes sociais digitais — confere à elite simbólica o poder de afetar a cognição dos indivíduos. O controle das estruturas do texto e da fala permite influenciar indiretamente as intenções, ideologias e modelos mentais dos destinatários, reproduzindo dominâncias de forma subjetiva.

Dessa forma, a construção de modelos mentais é influenciada por escolhas retóricas e lexicais que podem induzir à formação de estereótipos ou à legitimação de interesses de grupos poderosos. Nesse contexto, a noção de modelo de contexto (Van Dijk, 2017) torna-se central: o contexto não é um dado objetivo, mas um construto subjetivo dos participantes que controla a produção e a interpretação do discurso. Essa maleabilidade permite que atores políticos, como exemplificado no cenário da pandemia de Covid-19, ressignifiquem situações concretas para validar narrativas específicas e manter a adesão de suas bases, evidenciando o fechamento do ciclo entre produção discursiva, cognição social e manutenção do poder.

3. METODOLOGIA

A grande dispersão textual dos usuários das plataformas conectadas deu origem ao que é conhecido atualmente como big data, um grande volume de dados disponibilizado no ciberespaço, que se tornou um desafio para pesquisadores de todo o mundo, por conta da complexidade de recursos disponíveis — textos, imagens, áudios e vídeos, produzidos em larga escala por usuários diariamente. De fato, a análise de um grande banco de dados permite novas abordagens metodológicas, que possibilitam fazer e responder às perguntas de outras maneiras, constituindo-se em uma ferramenta de múltiplas possibilidades. A ciência de dados (data science) é o ramo científico que nasceu como forma de estudar os fenômenos provenientes dos megadados (Cancian; Malini, 2017). A análise do big data possibilitou dar uma atenção a informações antes consideradas sem valor, como um comentário em uma rede social, por exemplo. A ciência de dados está focada na obtenção de informações a partir dos dados, ao contrário de outras ciências que buscam os relatos em fatos históricos (Cancian; Malini, 2017).

A abordagem se mostra promissora em entender as trocas comunicacionais de múltiplos atores na internet, assim como suas redes, com pesquisas interessadas em usar os megadados como principal metodologia de análise. Nosso desafio é compreender todas as implicações metodológicas possíveis de se estabelecer uma análise crítica do discurso a partir de um grande volume de dados. Cancian e Malini (2017) entendem que, na área política, a ciência de dados consegue dar conta de desvendar o comportamento dos atores envolvidos nas trocas linguísticas, compreendendo, por meio do contexto semântico dos meios digitais, ideologias e sentimentos de usuários, por exemplo.

Por conta das amplas possibilidades metodológicas, consideramos que a ciência de dados permite identificar e rastrear os discursos que estão circulando nas redes entre diversos grupos sociais, garantindo a possibilidade de que os analistas do discurso possam fazer suas investigações com apoio das ferramentas de data science. A Análise Crítica do Discurso é a abordagem metodológica escolhida em nossa investigação, por considerar as tensões e relações de poder existentes entre enunciadores e enunciatários.

O desafio de fazer uma análise crítica do discurso a partir da extração de dados do Facebook é justamente compreender os sentidos que as práticas discursivas acionam em redes sociais digitais. Por isso, consideramos que a ciência de dados combinada com a ACD pode levar a um resultado que identifica algumas facetas das movimentações interacionais e semânticas dos atores nos ambientes conectados, suas intenções, suas motivações, suas emoções, entre outros aspectos. Entendemos que é possível estabelecer processos da ciência de dados — que inclui a extração, mineração e modelagem de postagens realizadas por usuários das redes sociais digitais com um tratamento computacional da linguagem — para posterior realização da abordagem qualitativa, com a implementação da análise crítica do discurso, neste caso específico, tendo o poder como categoria principal na constituição dos modelos mentais e dos modelos de contexto, e a análise a partir das noções de variação semântica/lexical (Van Dijk, 2017).

Para empreender a coleta, sistematização e processamento de dados do Facebook, escolhemos a ferramenta CrowdTangle, que permite monitorar e identificar conteúdos que estão em evidência em plataformas como Facebook, Instagram, entre outras redes sociais. Os dados são extraídos a partir de períodos temporais estabelecidos, de termos elencados para filtragem, de postagens públicas da plataforma. No caso deste estudo, coletamos a hashtag #VacinaNão de 12 de novembro de 2021 a 21 de janeiro de 2022, quando obtivemos 57 postagens públicas do Facebook que tratavam do tema, o que constituiu nosso dataset de trabalho. O CrowdTangle forneceu esse material em uma planilha .csv, elencado em ordem decrescente, de acordo com a quantidade de interações obtidas (soma das curtidas, reações, comentários e compartilhamentos) no período de consulta.

Esse arquivo .csv foi analisado pelo método digital de tratamento Ford, tecnologia de extração e mineração de dados desenvolvida pelos pesquisadores do Laboratório de Internet e Ciência de Dados (Labic), localizado na Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes). Esse script permite organizar as postagens, identificando as reações dos demais perfis e os comentários realizados, filtrar algumas colunas de dados, entre outras tarefas. Após a coleta, o Ford libera arquivos em formato .gdf e permite a análise e visualização dos dados extraídos a partir do aplicativo Gephi, que permite, por sua vez, gerar a visualização dos dados em formato de grafos, representações gráficas que evidenciam as associações entre os diversos atores em rede, ou as organizações semânticas entre os termos mais recorrentes nas plataformas, com uma topologia discursiva própria, que pode ser interpretada pelo analista do discurso.

Após o processamento do dataset no Ford, com a filtragem e a eliminação das linhas em duplicidade, chegamos a um total de 57 postagens para análise, que constituiu nosso corpus de trabalho. Isolamos a coluna “message” do dataset original, para elaborar o arquivo a ser processado no Gephi. O Ford nos entregou um resultado adicional, que é a planilha top words, um arquivo com extensão .csv que traz os termos mais recorrentes estatisticamente na coluna “message”, que permite realizar uma análise combinada com o grafo de palavras. Serve como um recurso complementar em nosso trabalho de decifrar o que estava sendo dito no Facebook no período de tempo elencado para a análise.

Entendemos que há muitos desafios em estabelecer uma pesquisa interdisciplinar, tendo como corpus um grande banco de dados extraído da internet para interpretação, portanto entendemos que, para realizar a análise, a abordagem elaborada por Van Dijk (2016b, 2016a, 2017 e 2005) seja a mais adequada, por ter uma concepção sociocognitiva. Para Van Dijk (2016b, p. s27), a interdisciplinaridade é imprescindível porque “o uso da língua e o discurso são ao mesmo tempo atos linguísticos, cognitivos, socioculturais e políticos”. Para Van Dijk (2016b), a teoria do discurso, em busca de coerência, deve evidenciar como todos esses atos (linguístico, cognitivo, sociocultural e político) estão relacionados nos níveis macro e micro da análise.

4. RESULTADOS E DISCUSSÕES OU ANÁLISE DOS DADOS

A partir da coleta dos dados, obtivemos um total de 57 postagens usando a hashtag #VacinaNão durante o período temporal considerado para a análise, que foi de 12 de novembro de 2021 a 21 de janeiro de 2022. A ferramenta CrowdTangle forneceu um dataset organizado de acordo com as postagens que obtiveram uma maior performance no período, que é considerada como sendo a soma do total de interações de uma postagem no Facebook (curtidas, comentários, reações e compartilhamentos). Há que se considerar que o número de postagens coletadas não é tão expressivo, porém é importante frisar que o CrowdTangle fez a coleta de postagens públicas de páginas ou pessoas que assumiram um posicionamento negacionista nas redes sociais, indo contra a imunização de crianças de 5 a 11 anos de idade. A lista com as 20 palavras mais recorrentes estatisticamente pode ser conferida no Quadro 1, em ordem decrescente.

Quadro 1. As 20 palavras mais recorrentes.

PalavraQuantidadePalavraQuantidade
Juntos56Covid196
Liberdade56Presidente6
Família55Federal6
Deus54Miocardite6
Lutarei53Tenha5
Pátria53Vida5
Crianças11Vacinados5
Casos8Vacina5
Vacinação7Passaporte5
Vacinas6Deputado5

Fonte: coleta realizada pela autora via CrowdTangle/Ford.

A lista traz muitos termos que dão a entender que havia uma determinada narrativa antivacina, que buscava enfraquecer a fase de imunização das crianças de 5 a 11 anos contra a Covid-19, usando léxicos que remetem a um patriotismo, como “pátria” e “lutarei”, além de léxicos que trazem um sentido mais conservador e religioso, como “Deus e “família”. Havia ainda um sentido de se buscar uma certa liberdade individual, ao recusar participar da vacinação direcionada a toda a coletividade, como estava acontecendo no país na época, com as campanhas de vacinação contra Covid-19.

Para entender como esses termos se organizaram lexicalmente nas 57 narrativas selecionadas para nossa análise, e como esses sentidos se conectavam ou se distanciavam nos arranjos textuais, elaboramos um grafo com as 30 palavras mais recorrentes nas postagens, que pode ser conferido na Figura 1. Além das 30 palavras mais frequentes nas postagens filtradas, temos as 10 palavras mais associadas a cada uma dessas 30, montadas em uma teia de conexões entre todas as palavras associadas, que pode ser visualizada por meio de um grafo (representação matemática de relações entre entidades), formado por nós (que trazem as palavras/rótulos) e arestas (número de vezes que as palavras aparecem juntas nas mensagens). Nas arestas, há um peso lexical, que, no grafo, é representado pela largura das linhas entre elas (Malini et al., 2020). Assim, quanto mais espessa a linha, mais intensa é a relação de uma palavra com a outra. Quanto maior é o tamanho da palavra, mais vezes ela foi mencionada nos posts. Na Figura 1, temos um grafo dirigido com um total de 307 nós e 806 arestas, como pode ser verificado abaixo.

Figura 1. Grafo com as 30 palavras mais recorrentes nas postagens.

Fonte: autoria própria.

Quadro 2. Distribuição de perspectivas nas postagens analisadas.

CorPorcentagemPalavras de referência
Roxa/Lilás25,08%“presidente”, “vida”, “país”, “parabéns”, “rouanet”, “Ivete”, “Sangalo”, “mamata”, “cresce”, “revolta”, “autoritarismo”, “onda”, “acabou”, “prender”, “pessoa”, “recusar”, “disse”, “ficar”, “sair”, “Novak”, “Djokovic”, “Bolsonaro”, “revolta”, “Zé”, “Abreu”, “filipino”, “jogador”, “tênis”, “adquiriu”, “objetivo”, “tratamento”, “médico”, “inibe”, “peptídeo”, “suficiente”, “chamaram”, “retrógrado”, “turistas”.
Verde16,61%“casos”, “vacinas”, “miocardite”, “vacinados”, “indica”, “graves”, “homens”, “mulheres”, “jovens”, “diminuição”, “relacionada”, “perda”, “destrutiva”, “imunidade”, “adquirida”, “pegaram”, “lobby”, “pró-vacina”, “pensado”, “interesses”, “monetários”, “morte”, “tempos”, “imunizavam”, “whisky”, “garçom”, “doses”, “chega”, “prejudicam”, “modos”, “tendem”, “lesões”.
Azul14,66%“família”, “juntos”, “liberdade”, “pátria”, “passaporte”, “lutarei”, “covid19”, “empresa”, “medida”, “ditatorial”, “luta”, “insano”, “firme”, “desejam”, “controlarnos”, “resistência”, “mostrou”, “cercear”, “socialmente”, “falar”, “governantes”, “sanitário”, “tolerância”, “direito”, “dever”, “australian”, “open”, “defesa”.
Vermelho12,05%“federal”, “tenha”, “deputado”, “medo”, “pensar”, “dra”, “sociedade”, “ministério”, “público”, “debate”, “saúde”, “cansada”, “dr”, “assistir”, “calmamente”, “desfecho”, “decisões”, “políticas”, “envolvem”, “diretamente”, “esclarecer”, “respeito”, “compulsória”, “eleitos”, “defender”.
Laranja10,1%“vacina”, “tendo”, “explica”, “garantia”, “barraram”, “vacinado”, “alegando”, “segurança”, “evento”, “fizeram”, “fanfarra”, “mídia”, “torneio”, “efeito”, “deveria”, “anulando”, “validade”.
Rosa7,49%“crianças”, “adolescentes”, “desacordo”, “pede”, “plano”, “enviada”, “STF”, “Deus”, “vacinação”, “união”, “campanha”, “diretrizes”, “nacional”, “imunização”, “médica”, “alta”, “recebeu”, “controle”.
Amarelo7,49%“reduz”, “vírus”, “mundo”, “barrar”, “imuniza”, “transmissão”, “impede”, “grave”, “uti”, “linha”, “mortes”, “morreu”, “apoiam”, “segregação”, “falso”, “bloqueio”, “feito”, “esquema”, “vacinal”, “contágio”, “admitindo”, “vergonha”.
Azul escuro6,51%“chega”, “mostra”, “olhos”, “estudo”, “surto”, “gripe”, “questionou”, “máscara”, “deter”, “distanciamento”, “álcool”, “gel”, “queria”, “ignorante”, “ignorância”, “bênção”, “abram”, “cegueira”, “revisado”.

Fonte: coleta realizada pela autora via CrowdTangle/Ford/Gephi.

O grafo possui oito clusters (agrupamentos em núcleos de sentidos) principais, representados por oito cores distintas. Há um predomínio da rede roxa/lilás (25,08%), que possui uma maior quantidade de conexões (arestas) e pontos (nós) interligados, envolvendo termos importantes no grafo como “presidente”, “vida” e “país”. Apesar da maior quantidade de nós, eles não são tão expressivos como alguns nós da rede azul, que possuem um maior destaque, como “lutarei”, “família”, “juntos” e “liberdade”. Os nós da rede azul são maiores por conta da quantidade de conexões de seus principais termos, ganhando destaque por conta do peso atribuído pelo próprio Gephi ao fazer o processamento dos dados. Porém, entendemos que a rede roxa/lilás possui uma maior centralidade, com elementos com grande coesão lexical que se conectam com muitos outros termos.

A rede roxa/lilás também traz temas que viralizaram no período temporal elencado para nossa análise, como o caso do tenista Novak Djokovic que foi deportado da Austrália, ficando de fora de uma competição internacional de tênis por não ter se vacinado (ESPN, 2022), e o caso da cantora Ivete Sangalo, que incentivou o público a vaiar o presidente Jair Bolsonaro durante um de seus shows (SPLASH, 2021). É uma perspectiva mais factual, com acontecimentos que chamaram a atenção da audiência conectada no Facebook.

Após analisar os léxicos envolvidos, entendemos que o núcleo de sentidos azul tem um predomínio de termos de repúdio à vacinação de crianças de 5 a 11 anos de idade com base nas liberdades individuais de cada cidadão, amparados em um argumento de que as famílias devem decidir o que fazer em relação a seus filhos. Além disso, traz um caráter de patriotismo e conservadorismo em suas narrativas. Há léxicos que mostram uma crítica ao passaporte vacinal, como “medida” e “ditatorial”.

A rede azul se conecta à rede rosa (7,49%), com uma proximidade que pode ser percebida no grafo, que também traz termos mais conservadores como “Deus” e “crianças”. Apesar da separação em redes distintas, as duas perspectivas possuem muitas similaridades semânticas. Consideramos que essas duas redes (azul e rosa) são as mais expressivas do grafo por trazerem narrativas que são mais recorrentes dentro do corpus que elencamos para análise. A partir da interpretação do que as duas redes reúnem, conseguimos identificar a maior parte do conteúdo das mensagens postadas no Facebook na ocasião da autorização da vacinação de crianças de 5 a 11 anos de idade. Assim como a hashtag #VacinaNão, outros termos tiveram espaço naquele cenário informacional, como hashtag #EuNãoMeVacino, em defesa de uma suposta liberdade individual em detrimento de todo um esquema vacinal direcionamento à coletividade.

Para compreender melhor o que estava sendo dito no ambiente digital, selecionamos uma postagem coletada que serve de exemplo de narrativa contrária à vacinação infantil, como pode ser observado na Figura 2.

Figura 2. Exemplo de postagem com a hashtag #VacinaNão.

Fonte: Sylvio Malheiro Junior, 2021.

A postagem exemplifica como os sentidos se construíram no ambiente digital, com enunciadores usando o Facebook para se conectar com sua audiência conectada, a fim de criar um cenário de desconfiança em relação ao uso da vacina Pfizer BioNTech, ao mesmo tempo que há um patriotismo e um aspecto religioso na enunciação, com o uso dos termos “lutarei”, “juntos”, “pátria”, “família” e “liberdade”. Há um caráter de defesa das crianças ao usar desinformação, sem constar a fonte de dados que aponta que o imunizante pode causar problemas na saúde dos mais jovens. O enunciador usa sua influência nas redes, sem poder entre sua audiência, para obter visibilidade, criando um cenário de rejeição à vacina.

A rede verde tem 16,61% da predominância no grafo, reunindo elementos que apresentam supostos perigos da vacinação das crianças, como casos de doenças causadas após a imunização. Também traz léxicos como “interesses” e “monetários”, para criticar o trabalho das empresas multinacionais que desenvolveram vacinas para combater a Covid-19. Já a rede vermelha (12,05%) traz elementos que remetem à decisão do Ministério da Saúde de realizar uma consulta pública para tratar da imunização das crianças. De qualquer forma, todas as redes identificadas em nosso estudo se conectam, em alguma medida, semanticamente, trazendo subsídios de várias naturezas (científicos, jurídicos, políticos) que repudiavam a aprovação, por parte da Anvisa, da vacina Pfizer BioNTech para imunização de crianças de 5 a 11 anos.

Ao analisar a seleção lexical das narrativas, é possível apreender os sentidos movimentados pelos atores que publicaram no Facebook durante o período de tempo elencado para análise. Van Dijk (2017) entende que a seleção lexical é sensível ao contexto, e representa uma propriedade do discurso que está mais associada a atitudes, crenças e ideologias dos atores envolvidos na enunciação. “Por meio das palavras que usam, os falantes mostram suas identidades sociais, suas relações enquanto participantes, sua adaptação à audiência, suas emoções, seus valores” (Van Dijk, 2017, p. 238). Essas escolhas lexicais acontecem na sociedade, entre falantes de um mesmo idioma, mas que possuem ambientes sociais distintos: “os ambientes, tais como os ambientes de trabalho, a classe, o gênero social e as questões de identidade podem relacionar-se de maneiras complexas enquanto condições da variação lexical” (Van Dijk, 2017, p. 241).

5. CONSIDERAÇÕES FINAIS

Neste trabalho, investigamos como a aprovação da vacina Pfizer BioNTech para a fase de imunização de crianças de 5 a 11 anos de idade impactou as redes sociais conectadas, no caso específico, o Facebook. Em nossa análise, buscamos identificar o que foi dito sobre o tema, em postagens públicas que puderam ser extraídas e analisadas. No período de análise elencado (12 de novembro de 2021 a 21 de janeiro de 2022), a imunização de brasileiros a partir dos 12 anos já estava acontecendo nos estados e municípios, porém ainda não havia nenhum imunizante aprovado para uso em menos de 12 anos de idade. Até que a Anvisa autorizou a vacinação de crianças, após parecer técnico. Outros países já estavam vacinando menores de 12 anos na ocasião, como por exemplo os Estados Unidos.

Entendemos que, naquele momento, a campanha de vacinação estava avançando, porém com algumas resistências pontuais de eleitores do presidente da República Jair Bolsonaro. Por ser um tema polêmico, identificamos que o uso da hashtag #VacinaNão ficou restrito a um público mais específico, que efetivamente usou o Facebook para semear um cenário de desconfiança sobre a eficácia da vacinação das crianças, apontando mais riscos do que benefícios em se usar o imunizante aprovado pela Anvisa. As falas do presidente da República e do ministro da Saúde só tumultuaram ainda mais o processo, impactando na formação de uma resistência à adoção da imunização entre as crianças. Também consideramos que as postagens traziam, em grande parte, desinformação, conteúdo que tem sido monitorado pelas plataformas, com punições como banimento dos internautas que são denunciados pelos excessos de suas postagens.

Por meio da análise empreendida, identificamos que a centralidade das narrativas coletadas naquele período consistia em conteúdos opinativos, sem o amparo de links de reportagens da mídia hegemônica. As críticas à imunização consistiam em apelos patrióticos e religiosos, com um caráter mais conservador em busca da proteção das famílias, eventualmente apontando interesses econômicos por trás da vacinação. Apesar de haver oito clusters temáticos (agrupamentos com núcleo de sentidos) identificados em nossa análise, entendemos que todas as narrativas convergem para o mesmo objetivo, que era colocar em descrédito a decisão técnica da Anvisa e repudiar a vacinação infantil.

Na ocasião, a imprensa tradicional repercutiu bastante as declarações do presidente da República, que lutava para colocar em descrédito o parecer técnico da Anvisa, em uma postura negacionista. O ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, também se manifestou na imprensa no sentido de minimizar a importância da vacinação das crianças, dizendo que “os óbitos de crianças estão dentro de um patamar que não implica decisões emergenciais” (Bosco, 2021). As ações do Ministério da Saúde, que queria uma consulta pública para decidir sobre a imunização, também foram criticadas por entidades da área da saúde. Dois enunciadores influentes (o presidente da República e o ministro da Saúde) usavam sua posição de poder para influenciar a audiência, criando uma instabilidade em meio aos esforços de combate ao vírus, o que acabou repercutindo no ambiente digital.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

AGÊNCIA NACIONAL DE VIGILÂNCIA SANITÁRIA (ANVISA). Anvisa aprova vacina da Pfizer contra Covid para crianças de 5 a 11 anos. 16 dez. 2021. Disponível em: https://www.gov.br/anvisa/pt-br/assuntos/noticias-anvisa/2021/anvisa-aprova-vacina-da-pfizer-contra-covid-para-criancas-de-5-a-11-anos. Acesso em 18 dez. 2025.

ALECRIM, E. Apps do Facebook chegam a 3 bilhões de usuários ativos pela 1ª vez. Tecnoblog, 24 mar. 2020. Disponível em: https://tecnoblog.net/noticias/facebook-alcanca-3-bilhoes-usuarios-ativos-primeira-vez/. Acesso em 18 dez. 2025.

BATISTA JR et al. Introdução. In: BATISTA JR et al. (org.). Análise de discurso crítica para linguistas e não linguistas. São Paulo: Parábola Editorial, 2018.

BOSCO, N. Vacinação: ‘Óbitos de crianças estão dentro de um patamar que não implica em decisões emergenciais’, diz Queiroga. O Globo, 23 dez. 2021. Disponível em: https://oglobo.globo.com/saude/vacinacao-obitos-de-criancas-estao-dentro-de-um-patamar-que-nao-implica-em-decisoes-emergenciais-diz-queiroga-1-25329864. Acesso em 18 dez. 2025.

CANCIAN, A; MALINI, F. A nova cara da direita no Brasil: um estudo sobre o grupo político MBL. In: Anais do 1o Simpósio Direitas Brasileiras, Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP, 2017. Disponível em <http://conferencias.fflch.usp.br/SDB/simposiodireitas/paper/view/2199>. Acesso em 10/12/2019.

CASTELLS, M. O poder da comunicação. SP/RJ: Paz e Terra, 2015.

CASTELLS, M. Redes de indignação e esperança. Rio de Janeiro: Zahar, 2013.

CONSELHO NACIONAL DE SAÚDE. Nota pública: Frente Pela Vida repudia consulta pública do governo sobre vacinação em crianças contra Covid-19. 18 jan. 2022. Disponível em: https://www.gov.br/conselho-nacional-de-saude/pt-br/assuntos/noticias/2022/janeiro/nota-publica-frente-pela-vida-repudia-consulta-publica-do-governo-sobre-vacinacao-em-criancas-contra-covid-19. Acesso em 18 dez. 2025.

ESPN. Novak Djokovic está fora do Australian Open e será deportado: 'Extremamente desapontado'. 16 jan. 2022. Disponível em: https://www.espn.com.br/tenis/artigo/_/id/9792424/novak-djokovic-esta-fora-do-australian-open-e-sera-deportado-extremamente-desapontado. Acesso em 18 dez. 2025.

FOUCAULT, M. Microfísica do poder. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 2015.

FOUCAULT, M. O sujeito e o poder. In: DREYFUS, H. L.; RABINOW, P. Michel Foucault, uma trajetória filosófica. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 1995.

GRANCHI, G. Vacinação de crianças no Brasil: o que sabemos até agora. BBC Brasil, São Paulo, 14 jan. 2022. Disponível em: https://www.bbc.com/portuguese/brasil-59999518. Acesso em 18 dez. 2025.

JENKINS, H. Cultura da convergência. São Paulo: Aleph, 2009.

MAINGUENEAU, D. Discurso e análise do discurso. São Paulo: Parábola, 2015.

MALINI, F. et al. Medo, infodemia e desinformação: a timeline dos discursos sobre coronavírus nas redes sociais. In: Revista UFG, volume 21, dezembro de 2020. Disponível em: https://revistas.ufg.br/revistaufg/article/view/66593. Acesso em 18 dez. 2025.

O GLOBO. Veja a linha do tempo com os fatos que retardaram a vacinação de crianças no Brasil. Brasília, 5 jan. 2022. Disponível em: https://oglobo.globo.com/saude/veja-linha-do-tempo-com-os-fatos-que-retardaram-vacinacao-de-criancas-no-brasil-25342256. Acesso em 18 dez. 2025.

OLIVEIRA, E. 83% dos principais países afetados pelo coronavírus adotaram 'lockdown', aponta levantamento. Portal G1, 18 maio 2020. Disponível em: https://g1.globo.com/bemestar/coronavirus/noticia/2020/05/18/83percent-dos-principais-paises-afetados-pelo-coronavirus-adotaram-lockdown-aponta-levantamento.ghtml. Acesso em 18 dez. 2025.

PORTAL G1. Brasil registra 612 mortes por Covid em 24 horas, com mais de dois terços em SP; estado aponta represamento. 12 nov. 2021. Disponível em: https://g1.globo.com/saude/coronavirus/noticia/2021/11/12/brasil-registra-612-mortes-por-covid-em-24-horas-com-mais-de-dois-tercos-em-sp-estado-aponta-represamento.ghtml. Acesso em 18 dez. 2025.

SHIRKY, Clay. A cultura da participação. Rio de Janeiro: Zahar, 2011.

SPLASH. Ivete Sangalo puxa coro e dança ao som de 'Ei Bolsonaro, vai tomar no c*'. 30 dez. 2021. Disponível em: https://www.uol.com.br/splash/noticias/2021/12/30/ivete-sangalo-puxa-coro-e-danca-ao-som-de-ei-bolsonaro-vai-tomar-no-c.htm. Acesso em 18 dez. 2025.

SYLVIO MALHEIRO JUNIOR. Qual será a dificuldade das pessoas entenderem que o risco benefício é absurdamente e inequivocamente negativo??? [...] 28 dez. 2021. Facebook: Sylvio Malheiro Junior. Disponível em: https://www.facebook.com/sylviomalheiro/posts/pfbid02nJ69pSBNUspQQmu6yC5Hh2DDFcQekoPZv2FXvAVCg1YRxWhgbEhHrAo3MCvj3Rdzl?rdid=7Bf834xJBDHGL4A9#. Acesso em 18 dez. 2025.

VALENTE, Jonas. Covid-19: Pfizer entra com pedido na Anvisa para vacinar crianças. Agência Brasil, Brasília, 12 nov. 2021. Disponível em: https://agenciabrasil.ebc.com.br/saude/noticia/2021-11/covid-19-pfizer-entra-com-pedido-na-anvisa-para-vacinar-criancas. Acesso em 18 dez. 2025.

VAN DIJK, T. A. Discurso e contexto. São Paulo: Contexto, 2017.

VAN DIJK, T. A. Discurso, notícia e ideologia. Porto: Campo das Letras, 2005.

VAN DIJK, T. A. Discurso-cognição-sociedade. In: Revista Letrônica. Porto Alegre, v. 9, n, esp, nov. 2016b. Disponível em: <http://revistaseletronicas.pucrs.br/ojs/index.php/letronica/article/view/23189>. Acesso em 21/04/2019.

VAN DIJK, Teun A. Análise crítica do discurso. In: TOMAZI, M.M.; ROCHA, L.H.P.; POMPEU, J.C. (orgs.). Estudos discursivos em diferentes perspectivas: Mídia, sociedade e direito. São Paulo: Terracota Editora, 2016a.


1 Doutora em Estudos Linguísticos, Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), Vitória, Espírito Santo, Brasil. E-mail: [email protected].