SOBRECARGA DE TRABALHO E SAÚDE MENTAL DE PROFISSIONAIS DE ENFERMAGEM: REVISÃO INTEGRATIVA DA LITERATURA

WORK OVERLOAD AND MENTAL HEALTH OF NURSING PROFESSIONALS: AN INTEGRATIVE LITERATURE REVIEW

REGISTRO DOI: 10.70773/revistatopicos/779250931

RESUMO
Introdução: Este estudo sobre os impactos e desafios da sobrecarga de trabalho na saúde mental dos profissionais de Enfermagem foi motivado pela campanha "cuidar de quem cuida" do COFEN. A categoria lida com responsabilidades elevadas, condições precárias de trabalho e baixos salários, o que causa desgaste físico e psíquico. Dados apontam altos índices de ansiedade, depressão e síndrome de burnout, intensificados pela pandemia de COVID-19. A pesquisa busca analisar esses impactos, contribuir para estratégias de prevenção e fortalecer políticas que promovam o bem-estar dos enfermeiros, garantindo também a qualidade da assistência à saúde coletiva. Metodologia: Trata-se de uma revisão integrativa da literatura, com busca em bases científicas e institucionais, incluindo estudos publicados entre 2024 e 2026, que abordam a sobrecarga de trabalho e seus impactos na saúde mental de profissionais de enfermagem. Resultados: Os estudos evidenciaram que a sobrecarga de trabalho está associada ao desenvolvimento de ansiedade, depressão, estresse e síndrome de burnout, além de condições de trabalho precárias, jornadas extensas e déficit de profissionais. Conclusão: Conclui-se que a sobrecarga de trabalho impacta negativamente a saúde mental da enfermagem, sendo essencial a implementação de medidas institucionais que promovam melhores condições de trabalho e suporte psicológico aos profissionais.
Palavras-chave: Sobrecarga de trabalho; Saúde mental; Enfermagem; Esgotamento profissional; Estresse ocupacional.

ABSTRACT
Introduction: This study on the impacts and challenges of work overload on the mental health of nursing professionals was motivated by COFEN's "caring for those who care" campaign. The category deals with high responsibilities, precarious working conditions, and low salaries, which causes physical and psychological strain. Data indicate high rates of anxiety, depression, and burnout syndrome, intensified by the COVID-19 pandemic. The research seeks to analyze these impacts, contribute to prevention strategies, and strengthen policies that promote the well-being of nurses, also ensuring the quality of collective health care. Methodology: This is an integrative literature review, with a search in scientific and institutional databases, including studies published between 2024 and 2026, which address work overload and its impacts on the mental health of nursing professionals. Results: The studies showed that work overload is associated with the development of anxiety, depression, stress, and burnout syndrome, in addition to precarious working conditions, long hours, and a shortage of professionals. Conclusion: It is concluded that work overload negatively impacts the mental health of nursing professionals, making it essential to implement institutional measures that promote better working conditions and psychological support for these professionals.
Keywords: Work overload; Mental health; Nursing; Burnout; Occupational stress.

1. INTRODUÇÃO

Esse estudo tem como objeto de pesquisa as evidências científicas sobre a relação entre sobrecarga de trabalho e a saúde mental em profissionais de enfermagem e foi motivado por uma campanha, realizada pelo Conselho Federal de Enfermagem, que tinha como tema "cuidar de quem cuida" e ele trazia a saúde mental dos profissionais de Enfermagem como uma grande preocupação, não só pelas responsabilidades e atribuições aos quais tinham que executar em quantidade expressiva seu exercício, mas também pelas condições precárias de trabalho, tanto na prerrogativa de recursos humanos, como materiais, e associado a isso, os baixos valores remuneratórios.

A saúde mental constitui um elemento essencial do bem-estar emocional, psicológico e social, influenciando diretamente a qualidade de vida e o desempenho profissional. No contexto da Enfermagem, cuidar da própria saúde mental é indispensável para garantir uma assistência segura e humanizada, sobretudo porque esses trabalhadores lidam diariamente com sofrimento, dor e situações de alta complexidade.

A sobrecarga laboral, cada vez mais presente nos serviços de saúde, caracteriza-se pelo acúmulo de demandas, pressão emocional constante, responsabilidades ampliadas, remuneração insuficiente, jornadas extensas e déficit de profissionais, fatores que intensificam o desgaste físico e psíquico (Oliveira, 2025).

De acordo com Oliveira (2025) o conceito de risco ocupacional reside na probabilidade de um trabalhador sofrer alguma lesão ou desenvolver algum agravo de saúde devido à ocorrência de algum evento no ambiente de trabalho, ou trajeto. Portanto, resulta em uma combinação de fatores de probabilidade de ocorrência de um evento em conjunto com a gravidade das consequências para a saúde do trabalhador.

Esses riscos são classificados de acordo com o ambiente ou características inerentes ao trabalho exercido. Sendo assim, classificam-se em: físico, químico, biológico, ergonômico e mecânico. A depender do tipo e do ambiente de trabalho, o profissional pode estar exposto a mais de um tipo simultaneamente. Dessa forma, é essencial a efetivação de Programas de Gerenciamento de Riscos (PGA) para identificação oportuna de áreas de risco, assim como o desenvolvimento de estratégias de redução e eliminação desse evento (Martins; Diniz; Tiago, 2025).

Em algumas pesquisas foram demonstradas a exaustão mental de profissionais de Enfermagem o que justifica o estudo atual. A pesquisadora Maria Helena Machado apresentou dados da pesquisa Perfil da Enfermagem, destacando a predominância feminina na profissão — 85% dos profissionais de Enfermagem são mulheres, percentual que chega a mais de 75% entre os chamados Trabalhadores Invisíveis da Saúde (TIS). Foi abordado os desafios cotidianos enfrentados por esses profissionais, evidenciando que a precarização das relações de trabalho, somada à sobrecarga de tarefas, aos vínculos temporários e à insuficiência de infraestrutura nos serviços de saúde, tem agravado os quadros de adoecimento mental e físico (Cofen-MS, 2026).

Vale ressaltar que a Organização Mundial da Saúde (OMS) destaca a importância de ambientes de trabalho saudáveis para prevenir problemas de saúde mental e física, especialmente em contextos críticos como o vivenciado na pandemia de COVID-19. Durante esse período, os desafios enfrentados pelos profissionais de enfermagem se intensificaram, com jornadas extenuantes, aumento da pressão emocional e maior risco de exaustão (Leite, 2025).

Dados comprovam que alguns setores de atuação da Enfermagem são capazes de aumentar a chance de adoecimento mental, estudos mostram que, com o advento da pandemia da COVID-19, a saúde mental dos enfermeiros ficou prejudicada, tendo em vista a sobrecarga de trabalho e a aflição gerada pela transmissão do vírus5-6. Estudo realizado na Itália demonstrou que 66% dos enfermeiros referiram estar mais estressados. Estudo realizado no Estado do Rio Grande do Norte, Brasil, identificou que 30,4% da equipe de enfermagem obteve diagnóstico de algum transtorno mental, sendo os principais: a ansiedade (39,6%), depressão (38%) e síndrome de burnout (62,4%) (Moraes, 2025).

Assim, a presente pesquisa teve a seguinte questão norteadora: como se apresenta o adoecimento mental e a sobrecarga de trabalho na saúde mental de profissionais de enfermagem, bem como as estratégias de enfrentamento?

Para responder tal pesquisa o trabalho teve como objetivo geral: identificar a partir da literatura, a presença de adoecimento mental e a sobrecarga de trabalho na saúde mental de profissionais de Enfermagem, bem como as estratégias de enfrentamento. Essa pesquisa justifica-se devido à dificuldade, durante a fase exploratória, na revisão da literatura sobre o tema, constatou-se a escassez de estudos que abordam o adoecimento mental de enfermeiros e as estratégias de enfrentamento diante de situações estressoras proporcionadas pela atuação da enfermagem em variados cenários e nas variadas práticas ocupacionais.

Existem setores de maior estresse como nas Unidades de Terapia Intensiva (UTI) e Setores de Urgência e Emergência que requer do profissional tanto conhecimentos e habilidades imediatista, assim como a atuação com tecnologia de ponta e destreza com as mesmas, sendo uma área que demanda maior cuidado quanto à saúde mental da Equipe.

Considerando que os profissionais de enfermagem desempenham papel central no cuidado contínuo e próximo aos pacientes, torna-se relevante compreender os aspectos relacionados ao adoecimento mental desses profissionais, bem como a relação entre suas condições psicológicas e as demandas estressoras do cotidiano laboral. Esse estudo irá contribuir com informações que permitem a elaboração de intervenções de cuidado visando à melhoria e à promoção da saúde mental e laboral desses profissionais com a qualidade da assistência e com a saúde coletiva. (MORAES, 2025).

2. METODOLOGIA

Esse estudo consistiu em uma revisão integrativa da literatura, de caráter descritivo e uma abordagem metodológica que possibilita reunir, analisar e sintetizar resultados de pesquisas já publicadas sobre o tema, contribuindo para uma compreensão ampla e integrada do fenômeno investigado.

A construção deste estudo foi realizada a partir da definição do tema e da elaboração da seguinte pergunta norteadora: quais os impactos e desafios da sobrecarga de trabalho na saúde mental dos profissionais de enfermagem? A partir dessa pergunta buscamos trabalhos científicos que abordassem a temática proposta.

A busca dos estudos foi realizada por meio de publicações do Coren-MT, Cofen, Revista Nursing, Revista JRG de estudos acadêmicos, SciELO Brasil, Instituto Federal de Pernambuco (IFPE), Revista Brasileira de Enfermagem (REBEn). Onde tratam sobre a sobrecarga de trabalho e da saúde mental na enfermagem. Foram utilizados descritores relacionados ao tema. Como: Sobrecarga de trabalho; Saúde mental; Profissionais de enfermagem.

Como critérios de inclusão foram considerados artigos disponíveis na íntegra, publicados em português no período de 2024 a 2026, que abordassem diretamente a temática da sobrecarga de trabalho e seus impactos na saúde mental dos profissionais da enfermagem.

Concluída seleção, os estudos foram analisados de forma descritiva, com foco na identificação dos principais fatores associados à sobrecarga laboral e suas repercussões na saúde mental dos profissionais da enfermagem. As informações extraídas foram organizadas de acordo com categorias predefinidas como tipos de fatores casuais e modalidades de impactos na saúde mental e serão discutidos utilizando como referencial as evidências consolidadas pela literatura científica.

FIGURA 1: Fluxograma PRISMA de seleção da amostra dos artigos.

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Fonte: Produzida pelos autores, 2026.

Fluxograma PRISMA 2020 demonstra o processo de identificação, triagem, elegibilidade e inclusão dos estudos utilizados na revisão integrativa. Inicialmente, foram identificados 40 registros em diferentes bases de dados e periódicos científicos. Após a remoção de 8 registros duplicados e 2 excluídos por não atenderem ao período de publicação definido (2024-2026), permaneceram 30 estudos para leitura de título e resumo.

Em seguida, 14 registros foram excluídos por não abordarem a temática proposta ou não responderem à questão norteadora da pesquisa, e 1 artigo não foi recuperado, pois não houve acesso ao texto completo, mesmo após busca complementar. Dessa forma, 15 estudos foram avaliados na íntegra para verificação de elegibilidade.

Após a leitura completa, 8 estudos foram excluídos por motivos como inadequação temática, não resposta ao objetivo do estudo ou desenho metodológico incompatível com o propósito desta revisão. Ao final, 7 estudos foram incluídos na revisão integrativa.

3. RESULTADOS

A análise dos estudos incluídos evidenciou a relação entre a sobrecarga de trabalho e os impactos na saúde mental dos profissionais da enfermagem. Os estudos analisados indicam que esses trabalhadores enfrentam múltiplos estressores simultâneos, como jornadas extensas de trabalho, acúmulo de funções e dimensionamento inadequado de pessoal. Somam-se a esse cenário a precarização das condições de trabalho e a escassez de materiais básicos onde frequentemente demandam a improvisação da assistência prestada aos pacientes e o serviço ofertado pelo profissional da enfermagem.

Além disso, a remuneração incompatível com a responsabilidade do cargo, a constante pressão psicológica e a exposição de episódios de violência verbal e física, por parte de pacientes e acompanhantes, configuram um ambiente de vulnerabilidade ao adoecimento psíquico. Ao analisar os trabalhos selecionados, foi possível perceber que a sobrecarga de trabalho interfere de uma forma direta na saúde mental dos profissionais da enfermagem. No dia a dia, esses trabalhadores lidam com diversos fatores que causam o desgaste através das jornadas de trabalho longas, acúmulo de funções, a pressão emocional juntamente com as condições inadequadas de trabalho.

Os dados evidenciam a presença significativa de transtornos mentais entre esses profissionais. Ademais, em âmbito internacional, um estudo desenvolvido na Itália apontou que 66% dos enfermeiros relataram aumento dos níveis de estresse, principalmente durante a pandemia de COVID-19, demonstrando como situações de crise intensificam o desgaste emocional desses trabalhadores.

O enfrentamento ao adoecimento mental entre os profissionais de enfermagem ocorre por meio de estratégias que envolvem tanto a esfera individual quanto a institucional, visando minimizar os impactos da sobrecarga de trabalho no âmbito pessoal, práticas como o suporte mútuo entre colegas, a cultura do autocuidado, a busca por acompanhamento psicológico e o fortalecimento da resiliência emocional se mostram fundamentais. Essas ações capacitam o profissional a lidar de maneira mais saudável com as pressões e adversidades do ambiente laboral.

Por outro lado, no contexto institucional, as medidas de enfrentamento devem contemplar o dimensionamento adequado de pessoal, a melhoria das condições de trabalho, a redução de jornadas de trabalho excessivas, a oferta de suporte especializado e, sobretudo, a valorização profissional. Tais iniciativas são essenciais não apenas para prevenir o adoecimento, mas também para promover uma melhor qualidade de vida a esses trabalhadores.

Entre os problemas identificados, o estresse ocupacional destaca-se como uma das manifestações mais prevalentes, estando relacionadas a pressão constante e exigência da precisão nas atividades desenvolvidas, que muitas vezes em ambientes totalmente desgastantes que adoecem o emocional de qualquer profissional. A síndrome de burnout se destaca como umas das causas mais preocupantes, caracterizada pela exaustão emocional, despersonalização e diminuição da realização profissional.

Por último, os resultados mostram que fatores como a precarização das relações de trabalho, instabilidade de vínculos empregatícios e a falta de recursos humanos e estruturais contribuem para o agravamento tornando o ambiente de trabalho um espaço propício ao adoecimento e comprometimento da saúde mental dos profissionais da enfermagem, "que cuidam dos outros" colocando em risco a sua própria saúde mental e física e a qualidade e segurança da assistência prestada aos pacientes.

QUADRO 1. Quadro de síntese dos artigos selecionados, Maceió- AL.

Autor

Ano

Tipo de estudo

Objetivo

Principais achados

Araújo et al.

2024

Revisão integrativa

Analisar a relação entre sobrecarga de trabalho e saúde mental na enfermagem

Identificou alta prevalência de estresse, ansiedade e burnout associados à carga emocional e excesso de trabalho

COREN-MT

2026

Relatório institucional

Analisar afastamentos por saúde mental

Apontou enfermagem como uma das profissões com maior índice de afastamento por transtornos mentais

Leite et al.

2025

Estudo descritivo primária

Avaliar fatores de risco e estratégias para burnout

Destacou burnout como consequência de sobrecarga, com impacto direto na qualidade de vida e assistência.

Martins et al.

2025

Revisão integrativa

Investigar impactos da sobrecarga laboral na enfermagem

Evidenciou que condições precárias, jornadas extensas e baixa valorização contribuem para adoecimento mental.

Moraes et al.

2025

Estudo de campo

Analisar estratégia de enfrentamento de enfermeiro

Apontou alta incidência de ansiedade, depressão e burnout, além de necessidade de suporte psicológico.

Oliveira et al.

2025

Estudo descritivo

Investigar transtorno mentais e impactos ocupacionais

Mostrou que sobrecarga e baixa remuneração aumentam risco de adoecimento psíquico.

Santos et al.

2024

Estudo qualitativo

Analisar os impactos da pandemia na sobrecarga de profissionais

Identificou sofrimento moral, exaustão emocional e aumento da carga de trabalho. durante a COVID-19

Fonte: Produzido pelos autores, 2026.

4. DISCUSSÃO

Os achados desta revisão evidenciam que a sobrecarga de trabalho constitui um dos principais determinantes do adoecimento mental entre profissionais de enfermagem. Tal resultado corrobora os estudos de Araújo et al. (2024) e Martins et al. (2025), os quais destacam que o desgaste ocupacional não se limita ao volume de atividades desempenhadas, estando fortemente relacionado à carga emocional inerente ao cuidado, especialmente diante da exposição contínua ao sofrimento, à dor e à finitude humana.

Nesse contexto, observa-se que a ocorrência de transtornos como ansiedade, depressão e síndrome de burnout está associada a um processo progressivo de exposição a condições laborais adversas. Conforme apontado por Leite et al. (2025), a ausência de reconhecimento profissional, aliada às jornadas extensas e à precariedade das condições de trabalho, contribui para a formação de um ciclo de adoecimento, no qual o profissional, ao vivenciar o desgaste físico e emocional, apresenta redução de sua capacidade funcional e maior vulnerabilidade psicossocial.

Outro aspecto amplamente abordado na literatura refere-se aos impactos decorrentes da pandemia de COVID-19. De acordo com Santos et al. (2024), esse período intensificou significativamente as demandas assistenciais, além de potencializar o sofrimento moral dos profissionais, que passaram a lidar com decisões complexas, limitações estruturais e elevada frequência de óbitos, muitas vezes sem suporte institucional adequado.

Diante disso, torna-se evidente que a saúde mental dos profissionais de enfermagem está diretamente relacionada à organização do processo de trabalho. Nesse sentido, Oliveira e Sá (2025) ressaltam a importância da implementação de estratégias efetivas de gerenciamento de riscos ocupacionais, contemplando não apenas a segurança física, mas também a proteção psicológica dos trabalhadores, com vistas à promoção de ambientes laborais mais seguros e saudáveis.

Os resultados desta revisão demostraram que o adoecimento mental entre profissionais de enfermagem está intimamente ligado às condições de trabalho, especialmente no que se refere à sobrecarga laboral, a pressão emocional constante e a precarização do ambiente assistencial. Os estudos analisados apresentam pontos em comum ao evidenciar que sintomas como estresse, ansiedade, depressão e a síndrome de burnout são frequentes na prática diária, configurando-se como consequências diretas das intensas exigências físicas e psicológicas impostas a categoria.

Outro aspecto relevante diz respeito aos setores de atuação, sendo os ambientes de alta complexidade, como Unidades de Terapia Intensiva (UTI) e serviços de emergência, aqueles onde se observa maior incidência de transtornos mentais. Nessas áreas, a sobrecarga de trabalho é intensificada pela necessidade de decisões rápidas, pela elevada demanda assistencial e pela exposição contínua a cenários críticos. Durante a pandemia de COVID-19, tais fatores foram ainda mais acentuados, resultando em um aumento significativo do sofrimento psíquico, da exaustão emocional e do esgotamento profissional.

A literatura também evidencia que o perfil majoritariamente feminino da enfermagem pode representar um fator maior de vulnerabilidade ao adoecimento mental. Isso ocorre em virtude da dupla jornada de trabalho, que combina responsabilidades profissionais e domésticas, além de questões socioculturais que acabam intensificando a sobrecarga emocional. A desvalorização profissional, marcada por remuneração inadequada e falta de reconhecimento, configura-se ainda como importante elemento de risco.

No que se refere às estratégias de enfrentamento, os estudos apontam para a necessidade de ações tanto individuais quanto institucionais. No âmbito pessoal, destacam-se o autocuidado, o suporte social, a espiritualidade e a busca por acompanhamento especializado. Contudo, essas medidas mostram-se limitadas quando não acompanhadas de suporte organizacional. Desse modo, torna-se imprescindível a implementação de políticas que garantam melhores condições laborais, redução da carga horária, dimensionamento correto das equipes e oferta de suporte psicológico contínuo.

5. CONCLUSÃO

Este estudo evidenciou que a sobrecarga de trabalho representa um importante risco à saúde mental dos profissionais da enfermagem, influenciando diretamente no desenvolvimento de transtornos mentais como ansiedade, depressão e, especialmente, a síndrome de burnout. Ficou evidente que as condições inadequadas de trabalho, setores específicos em níveis de complexidade assistencial, as longas jornadas de trabalho, a instabilidade nos vínculos empregatícios e a falta de estrutura, o fato e serem literalmente mulheres, são fatores que contribuem diretamente para o adoecimento dessa categoria.

Os dados demonstraram índices elevados de comprometimento psicológico, revelando que o profissional que cuida da saúde da população também necessita de cuidado e atenção, uma vez que o desgaste emocional interfere diretamente na sua qualidade de vida. Portanto, torna-se fundamental a implementação de políticas e ações que visem à melhoria das condições laborais, com oferta de suporte psicológico e valorização profissional.

Cuidar da saúde mental da equipe de enfermagem é essencial não apenas para o bem-estar desses trabalhadores, mas também para garantir uma assistência de qualidade, segura e humanizada. Por fim, destaca-se a necessidade de novas pesquisas sobre a temática, a fim de ampliar o conhecimento científico e subsidiar estratégias mais eficazes de promoção da saúde mental no ambiente de trabalho.

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Trabalho de conclusão de curso apresentado como requisito parcial, para Conclusão do curso de graduação de Enfermagem, do Centro Universitário Cesmac. Orientadora: Hulda Alves De Araújo Tenório.

1 Graduanda do Curso de Enfermagem do Centro Universitário Cesmac. E-mail: [clique para visualizar o e-mail]acesse o artigo original para visualizar o e-mail

2 Graduanda do Curso de Enfermagem do Centro Universitário Cesmac. E-mail: [clique para visualizar o e-mail]acesse o artigo original para visualizar o e-mail

3 Profa. Mestre do Curso de Enfermagem do Centro Universitário Cesmac.