REGISTRO DOI: 10.70773/revistatopicos/780549891
RESUMO
A polimerização do cimento resinoso na cimentação de retentores intrarradiculares é prejudicada em regiões profundas devido ao distanciamento em relação à fonte de luz. Este estudo in vitro comparou pinos de fibra de vidro (PFV, comercial) e de fibra de quartzo (PFQ, experimental) quanto à transmissão de luz e capacidade de polimerização do cimento, avaliando o grau de conversão (GC) por espectroscopia Raman (n=7 por grupo) e a microdureza Vickers (MV) (n=5 por grupo) nos terços cervical, médio e apical. Os testes utilizaram uma matriz metálica fundida, planejada digitalmente, para simular o conduto radicular de forma padronizada. A fotoativação foi realizada por 60 s (1200 mW/cm2), e os dados foram analisados por ANOVA two-way e teste de Tukey (α=5%). Não houve diferença estatisticamente significativa no GC entre PFV (38%±18%) e PFQ (43%±20%), mas o GC diminuiu gradativamente do terço cervical para o apical (p=0,007). Os PFQ apresentaram maior MV (70,63 HV±3,88) em comparação aos PFV (63,61 HV±5,45) (p=0,0151). Conclui-se que a transmissão de luz decresce em direção ao ápice, reduzindo o GC e a MV nas regiões profundas. Além disso, a maior MV no grupo experimental sugere que outros fatores, como o grau de reticulação da rede polimérica, influenciam as propriedades mecânicas do cimento além do GC.
Palavras-chave: Pinos de fibra; Espectroscopia Raman; Dureza; Quartzo; Fotopolimerização; Cimento Resinoso.
ABSTRACT
The polymerization of resin cement during the cementation of intraradicular retainers is impaired in deep regions due to the distance from the light-curing source. This in vitro study compared fiberglass posts (FGP, commercial) and quartz fiber posts (QFP, experimental) regarding light transmission and cement polymerization capacity, evaluating the degree of conversion (DC) by Raman spectroscopy (n=7 per group) and Vickers microhardness (VM) (n=5 per group) at the cervical, middle, and apical thirds. The tests utilized a digitally designed, cast metal matrix to simulate the root canal in a standardized manner. Photoactivation was performed for 60 s (1200 mW/cm2), and data were analyzed using two-way ANOVA and Tukey's test (α=5%). No statistically significant difference in DC was found between FGP (38%±18%) and QFP (43%±20%), but the DC gradually decreased from the cervical to the apical third (p=0.007). QFP exhibited higher VM (70.63 HV±3.88) compared to FGP (63.61 HV±5.45) (p=0.0151). It was concluded that light transmission decreases toward the apex, reducing DC and VM in deeper regions. Furthermore, the higher VM in the experimental group suggests that other factors, such as the degree of cross-linking of the formed polymer network, influence the mechanical properties of resin cements beyond the DC.
Keywords: Fiber posts; Raman spectroscopy; Hardness; Quartz; Light-curing; Resin cement.
1. INTRODUÇÃO
Os pinos de fibra de vidro (PFV) foram desenvolvidos para a reabilitação de dentes tratados endodonticamente com extensa perda de estrutura coronária, atuando como retentores intrarradiculares e permitindo a transmissão de luz para favorecer a polimerização do cimento resinoso ao longo de sua extensão (VIEIRA et al., 2021; RADOVIC et al., 2009). Esses pinos são constituídos por fibras unidirecionais incorporadas a uma matriz resinosa (RADOVIC et al., 2009; HO et al., 2011). Entretanto, a energia luminosa sofre redução ao longo do comprimento do pino (RADOVIC et al., 2009; HO et al., 2011), tornando a cimentação no terço apical mais imprevisível devido à maior distância em relação à fonte fotoativadora (VIEIRA et al., 2021; GORACCI et al., 2008).
Embora os cimentos resinosos de dupla ativação sejam recomendados, a polimerização exclusivamente química pode não atingir grau de conversão adequado, mantendo a importância da transmissão luminosa através do pino (RADOVIC et al., 2009). A polimerização incompleta pode comprometer a interface adesiva e resultar em falhas clínicas, como o descolamento do pino (RADOVIC et al., 2009; HO et al., 2011). A capacidade de transmissão luminosa varia de acordo com o tipo de fibra e é influenciada pela composição, arranjo estrutural e tratamentos de superfície (VIEIRA et al., 2021; GORACCI et al., 2008). Fatores como proporção fibra/matriz, orientação das fibras e qualidade da polimerização também influenciam as propriedades mecânicas e a longevidade clínica desses materiais.
Fibras dispostas longitudinalmente favorecem a condução da luz em direção à região apical, sendo descrito que os PFV apresentam melhor transmissão luminosa quando comparados aos pinos de fibra de carbono, enquanto fibras sílica-zircônia demonstram menor transmissão (PIERDONÁ et al., 2023).
Nesse contexto, os pinos de fibra de quartzo (PFQ), compostos por sílica cristalina, têm sido propostos como alternativa para otimizar a transmissão luminosa e a polimerização (PARISI et al., 2015; PIERDONÁ et al., 2023). A transmissão de luz pode ser avaliada por métodos diretos ou indiretos. A espectroscopia Raman permite mensuração precisa do grau de conversão, enquanto ensaios de microdureza, particularmente a microdureza Vickers, são amplamente utilizados para avaliar propriedades mecânicas relacionadas à polimerização.
Dessa forma, o presente estudo investigou a influência do tipo de pino (PFV ou PFQ) e da região anatômica (terços cervical, médio e apical) sobre o grau de conversão (GC) e a microdureza Vickers (MV) do cimento resinoso. As hipóteses nulas testadas foram: (1) o tipo de pino não influenciaria significativamente os desfechos avaliados; e (2) a região analisada não influenciaria significativamente os resultados.
2. MATERIAIS E MÉTODOS
Este estudo piloto in vitro avaliou o grau de conversão (GC) por meio de espectroscopia Raman e a microdureza Vickers (MV), com enfoque no cimento resinoso utilizado para a cimentação de pinos de fibra de vidro (PFV) e pinos de fibra de quartzo (PFQ). As análises foram realizadas, respectivamente, no Laboratório de Microscopia Óptica do Instituto de Física da Universidade de Brasília (IF/UnB) e no Laboratório de Engenharia Mecânica (SG-09/UnB), ambos localizados no campus Darcy Ribeiro da Universidade de Brasília, Brasília, Distrito Federal, Brasil.
O grupo comercial foi composto por pinos Exacto de fibra de vidro (Angelus, Londrina, PR, Brasil). O grupo experimental foi constituído por pinos patenteados de fibra de quartzo (Angelus, Londrina, PR, Brasil), desenvolvidos com a mesma morfologia externa e matriz resinosa semelhante à dos PFV. Entretanto, esses pinos apresentavam incorporação adicional de fibras de quartzo e modificações em seu arranjo interno. A proporção entre fibras de vidro e fibras de quartzo não foi informada pelo fabricante.
Com o objetivo de padronizar a espessura do cimento resinoso e garantir a reprodutibilidade experimental, foi desenvolvida uma matriz digital (Trion 3D, Planning Center, Brasília, DF, Brasil), baseada no escaneamento prévio de um pino experimental. Posteriormente, o dispositivo foi fundido em liga de níquel-cromo (Planning Prótese Lab, Brasília, DF, Brasil), permitindo o bloqueio da transmissão lateral de luz e restringindo sua propagação exclusivamente ao interior do pino.
A matriz apresentava altura total de 12 mm, canal interno com 3 mm de diâmetro e divisões elevadas delimitando os terços cervical, médio e apical, com 3 mm de extensão cada.
O cimento resinoso dual Allcem (FGM, Joinville, SC, Brasil) foi manipulado imediatamente antes de cada ensaio, com a finalidade de minimizar possíveis interferências relacionadas ao processo de polimerização química. Antes da cimentação, os pinos e a matriz foram submetidos à limpeza prévia com álcool a 70%.
A fotoativação foi realizada utilizando um aparelho fotopolimerizador Quazar (FGM, Joinville, SC, Brasil), posicionado perpendicularmente ao eixo longitudinal do pino, empregando irradiância de 1200 mW/cm² durante 60 segundos.
O protocolo de fotoativação adotado foi baseado em estudo prévio que demonstrou que irradiância de 1000 mW/cm² aplicada durante 40 segundos foi insuficiente para promover polimerização adequada no terço apical (HO et al., 2011). A potência emitida pelo aparelho foi verificada previamente à confecção de cada nova amostra por meio de radiômetro integrado.
O número inicial de amostras foi definido com base em metodologias semelhantes previamente descritas na literatura (HO et al., 2011; GORACCI et al., 2008; PEDREIRA et al., 2009).
2.1. Grau de Conversão (Gc)
Após a polimerização, as duas metades da matriz foram separadas para exposição da superfície do cimento resinoso. As amostras (n = 7 por grupo) foram analisadas utilizando espectroscopia Raman por meio do equipamento LabRAM HR Evolution (Horiba, Kyoto, Japão), equipado com microscópio confocal e laser calibrado em comprimento de onda de 785 nm. A utilização desse comprimento de onda foi selecionada para evitar ativação adicional do cimento resinoso, considerando que a faixa de absorção dos fotoiniciadores presentes no material encontra-se entre 400 e 500 nm (BRAGA et al., 2024).
Para cada pino, foram realizadas duas leituras em cada terço anatômico (cervical, médio e apical), totalizando seis mensurações por amostra. Todas as análises foram conduzidas em ambiente escuro, visando minimizar possíveis interferências luminosas e reduzir efeitos relacionados à incidência do laser durante a aquisição espectral.
Os espectros obtidos apresentaram dois picos principais: 1611 cm⁻¹, correspondente ao pico aromático, e 1640 cm⁻¹, correspondente ao pico alifático. O processamento espectral foi realizado utilizando o software Origin (OriginLab, Northampton, MA, Estados Unidos), incluindo correção de linha de base, cálculo da área integrada e normalização dos espectros, permitindo a separação dos picos de interesse e a comparação quantitativa entre as amostras.
Posteriormente, foi aplicada técnica de deconvolução espectral por meio do software PeakFit (Systat Software Inc., San Jose, CA, Estados Unidos), permitindo a separação de espectros sobrepostos e a obtenção individual das áreas correspondentes aos picos analisados.
As áreas obtidas foram utilizadas para o cálculo do grau de conversão (GC, %), conforme metodologia previamente descrita na literatura (HO et al., 2011; FARIA-E-SILVA et al., 2007), utilizando a seguinte equação:
2.2. Microdureza Vickers (Mv)
Para o ensaio de microdureza Vickers (MV), as amostras (n = 5 por grupo) seguiram o mesmo protocolo de preparo descrito anteriormente. Com a finalidade de proporcionar estabilidade durante as análises e melhorar a qualidade das indentações, a superfície do cimento resinoso foi submetida ao aplainamento utilizando politriz de velocidade variável (Teclago, Vargem Grande Paulista, SP, Brasil) associada a lixa de carbeto de silício granulação 1200 sob irrigação contínua, até obtenção de superfície plana e homogênea.
Posteriormente, as amostras foram analisadas em microdurômetro DuraScan 20 G5 (EMCO Test, Hallein, Áustria). Utilizando objetiva de aumento de 40×, foram selecionadas três áreas de leitura em cada terço anatômico avaliado (cervical, médio e apical). As indentações foram realizadas automaticamente utilizando carga de 0,1 kgf aplicada durante 15 segundos. Cada amostra recebeu três indentações por terço, totalizando nove medidas de microdureza Vickers por espécime.
Após cada indentação, o software do equipamento realizou automaticamente a mensuração das diagonais da impressão gerada, calculou o valor de microdureza Vickers correspondente e exibiu o resultado juntamente com a imagem da marca de indentação.
3. RESULTADOS
Os valores obtidos para grau de conversão (GC) e microdureza Vickers (MV) foram submetidos à análise estatística por meio de análise de variância bifatorial (ANOVA two-way), seguida pelo teste post hoc de Tukey, adotando-se nível de significância de 5%.
Com a finalidade de reduzir a influência de valores discrepantes e aumentar a representatividade das médias obtidas em cada terço avaliado, o menor valor individual de cada amostra foi excluído previamente em ambas as análises.
Em relação ao grau de conversão, a ANOVA demonstrou diferença estatisticamente significativa entre as regiões anatômicas avaliadas (F = 5,63; p = 0,007). Observou-se tendência de redução progressiva dos valores de GC do terço cervical em direção ao terço apical, sendo os maiores valores encontrados na região cervical, seguidos pelo terço médio e, posteriormente, pelo terço apical.
Não foram observadas diferenças estatisticamente significativas entre os grupos PFV e PFQ (F = 1,00; p = 0,324), assim como não foi identificada interação significativa entre o grupo experimental e a região anatômica analisada (F = 0,096; p = 0,909). O teste de Tukey confirmou ausência de diferenças nas comparações pareadas (p > 0,05), indicando que a variação observada no grau de conversão esteve predominantemente associada à região anatômica do pino.
Adicionalmente, foi realizada análise de componentes principais (Principal Component Analysis – PCA) dos espectros Raman com o objetivo de investigar padrões espectrais e visualizar possíveis variações entre as amostras (SHLENS, 2014).
A análise por PCA demonstrou separação entre os terços cervical, médio e apical, explicando mais de 90% da variabilidade total dos dados, o que reforça os resultados previamente observados pela ANOVA. Não foi observada separação evidente entre os grupos dentro de um mesmo terço anatômico, corroborando a ausência de diferenças estatisticamente significativas entre PFV e PFQ.
Em relação à microdureza Vickers, a ANOVA revelou diferença estatisticamente significativa entre os grupos avaliados (F = 6,16; p = 0,0151), sendo observados maiores valores médios para o grupo PFQ. Entretanto, não foram identificadas diferenças significativas entre as regiões anatômicas analisadas (F = 0,39; p = 0,6786), tampouco interação significativa entre grupo e região (F = 0,19; p = 0,8243).
4. DISCUSSÃO
A reabilitação de dentes tratados endodonticamente com extensa perda de estrutura coronária frequentemente requer a utilização de retentores intrarradiculares capazes de proporcionar retenção e estabilidade adequadas às restaurações indiretas (RADOVIC et al., 2009; PARISI et al., 2015; JUREMA et al., 2022; GORACCI et al. 2008; FERRARI, 2011). Entre os sistemas atualmente disponíveis, os pinos reforçados por fibras, especialmente os pinos de fibra de vidro (PFV) e os pinos de fibra de quartzo (PFQ), têm sido amplamente empregados devido ao seu comportamento biomecânico favorável e aos resultados estéticos superiores quando comparados aos pinos metálicos (HO et al., 2011; PIERDONÁ et al., 2023; PRADO et al., 2015; SHARMA et al., 2016).
No presente estudo, observou-se redução significativa do grau de conversão (GC) do cimento resinoso do terço cervical em direção ao terço apical. Esse achado está de acordo com estudos prévios que relataram menor eficiência de polimerização em regiões mais profundas do canal radicular, fenômeno atribuído principalmente à atenuação da intensidade luminosa ao longo do pino e ao aumento da distância entre a região analisada e a fonte fotoativadora (VIEIRA et al., 2021; PIERDONÁ et al., 2023; BAHARI et al., 2014; HARALUR et al., 2022).
Dessa forma, a posição anatômica dentro do canal radicular demonstrou influência direta sobre a polimerização do cimento resinoso. Tal comportamento reforça a relevância clínica da distribuição da energia luminosa durante procedimentos de cimentação intrarradicular, sobretudo em regiões mais profundas, nas quais a redução da irradiância pode comprometer a qualidade da polimerização.
Por outro lado, não foram observadas diferenças significativas entre PFV e PFQ em relação ao grau de conversão. Embora estudos anteriores tenham demonstrado maior transmitância luminosa dos PFQ em decorrência da organização estrutural das fibras de quartzo e da maior pureza da sílica (PARISI et al., 2015; PIERDONÁ et al., 2023), os resultados encontrados sugerem que essa característica isoladamente não foi suficiente para promover diferenças mensuráveis no grau de conversão do cimento resinoso nas condições experimentais adotadas.
Em relação à microdureza Vickers (MV), observou-se desempenho superior dos PFQ quando comparados aos PFV. A microdureza é frequentemente utilizada como indicador indireto da qualidade de polimerização, estando relacionada à resistência mecânica, estabilidade estrutural e desempenho do material após a cura (ORTIZ-MAGDALENO et al., 2023; AUNG et al., 2021).
Entretanto, materiais que apresentam valores semelhantes de grau de conversão podem exibir diferentes níveis de microdureza, sugerindo que fatores adicionais associados à organização estrutural da rede polimérica também influenciam suas propriedades mecânicas (SIROVICA et al., 2020; AL-ZAIN et al., 2018; SOH; YAP, 2004; BARSZCZEWSKA-RYBAREK, 2019).
Estudos prévios demonstraram que polímeros baseados em dimetacrilatos podem apresentar microestruturas heterogêneas, contendo regiões altamente reticuladas capazes de formar microgéis e aumentar a resistência à deformação, mesmo em situações nas quais o grau de conversão apresenta valores semelhantes (SIROVICA et al., 2020; AL-ZAIN et al., 2018; SOH; YAP, 2004; BARSZCZEWSKA-RYBAREK, 2019).
Nesse contexto, a maior microdureza observada no grupo PFQ pode estar relacionada à organização da rede polimérica formada no cimento resinoso ou à interação entre o substrato inorgânico das fibras e a matriz resinosa.
Além disso, características estruturais específicas das fibras de quartzo, como maior pureza e potencialmente maior transmissão luminosa, podem favorecer a formação de uma matriz polimérica mais homogênea ao redor do pino (GORACCI et al., 2008; PARISI et al., 2015; PIERDONÁ et al., 2023; HARALUR et al., 2022). Esses fatores podem contribuir para aumento da resistência mecânica do cimento resinoso, mesmo na ausência de diferenças estatisticamente significativas no grau de conversão.
Entre as limitações deste estudo destacam-se sua natureza in vitro, a qual não reproduz integralmente as condições clínicas reais, incluindo variações anatômicas do canal radicular, presença de umidade e processos de envelhecimento dos materiais. Adicionalmente, o reduzido tamanho amostral pode limitar a extrapolação direta dos resultados.
Dessa forma, estudos futuros devem investigar o comportamento desses sistemas em condições clínicas mais próximas da realidade, bem como avaliar parâmetros mecânicos adicionais relacionados à durabilidade e ao desempenho da cimentação intrarradicular ao longo do tempo.
Os achados do presente estudo contribuem para melhor compreensão dos fatores que influenciam a qualidade da cimentação de pinos reforçados por fibras e indicam que, além do grau de conversão, características estruturais da rede polimérica e a interação entre o pino e o cimento resinoso podem desempenhar papel relevante no comportamento mecânico do sistema restaurador.
5. CONCLUSÃO
Dentro das limitações deste estudo in vitro, foi possível concluir que a posição anatômica no interior do canal radicular influenciou significativamente o grau de conversão do cimento resinoso, sendo observados maiores valores no terço cervical e redução progressiva em direção ao terço apical.
O tipo de fibra constituinte do pino (PFV ou PFQ) não influenciou significativamente o grau de conversão do cimento resinoso. Entretanto, os pinos de fibra de quartzo apresentaram maiores valores de microdureza Vickers do cimento resinoso quando comparados aos pinos de fibra de vidro, sugerindo possível influência da estrutura do pino na organização da rede polimérica e nas propriedades mecânicas do material.
Esses resultados indicam que, embora o tipo de fibra não tenha impactado diretamente a conversão de monômeros, os PFQ podem favorecer melhores propriedades mecânicas do cimento resinoso utilizado na cimentação intrarradicular.
FINANCIAMENTO
Este estudo recebeu apoio financeiro do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), por meio de bolsa concedida durante a execução da pesquisa.
CONFLITO DE INTERESSES
Os autores declaram não possuir conflitos de interesse.
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1 Departamento de Odontologia, Universidade de Brasília (UnB), Brasília, DF, Brasil.
2 Departamento de Odontologia, Universidade de Brasília (UnB), Brasília, DF, Brasil.
3 Instituto de Física, Laboratório de Instrumentação e Sistemas Integrados (LabINS), Universidade de Brasília (UnB), Brasília, DF, Brasil.
4 Instituto de Física, Laboratório de Instrumentação e Sistemas Integrados (LabINS), Universidade de Brasília (UnB), Brasília, DF, Brasil.