O TRATAMENTO DE CÂNCER DE MAMA EM GESTANTES: O PAPEL DO ENFERMEIRO

BREAST CANCER TREATMENT IN PREGNANT WOMEN: THE ROLE OF THE NURSE

REGISTRO DOI: 10.70773/revistatopicos/786591628

RESUMO
O câncer de mama durante a gravidez é uma condição rara, sendo diagnosticado tanto no período gestacional quanto no primeiro ano após o parto. Objetivo: Analisar o papel do enfermeiro no cuidado à gestante com câncer de mama, destacando sua atuação nas diferentes fases do tratamento, na promoção da saúde, na humanização do atendimento e no suporte à paciente e sua família. Método: Para a realização do trabalho foi utilizado coleta de dados por meio de leitura cuidadosa, detalhada e interpretativa de títulos, objetivos e resumos para facilitar o registro de informações relevantes ao tema proposto. Resultado e Discussão: Por meio da base de dados após a filtragem e aplicando os critérios de inclusão e exclusão, resultaram se em pesquisas, que foram analisadas para saber se encaixavam no tema da pesquisa, sobrando artigos, que compuseram a discussão desta pesquisa. Conclusão: o enfermeiro atua no suporte emocional, ajudando a paciente e sua família a lidarem com os desafios impostos pelo diagnóstico e tratamento oncológico, atuação da equipe de enfermagem vai além do cuidado clínico, sendo essencial na promoção da saúde materno-infantil, na adesão ao tratamento e na melhoria da qualidade de vida das gestantes diagnosticadas com câncer de mama. 
Palavras-chave: Câncer de mama; Neoplasia mamária; Tratamento oncológico na gestação.

ABSTRACT
Breast cancer during pregnancy is a rare condition, diagnosed either during the gestational period or within the first year postpartum. Objective: To analyze the role of the nurse in the care of pregnant women with breast cancer, highlighting their involvement across different treatment phases, health promotion, the humanization of care, and support for the patient and her family. Method: Data collection was conducted through a careful, detailed, and interpretive reading of titles, objectives, and abstracts to facilitate the recording of information relevant to the proposed topic. Results and Discussion: Following database filtering and the application of inclusion and exclusion criteria, the resulting studies were analyzed for thematic relevance; the remaining articles formed the basis of this study's discussion. Conclusion: Nurses provide emotional support, helping the patient and her family cope with the challenges posed by the diagnosis and oncological treatment; the nursing team's role extends beyond clinical care, proving essential for promoting maternal-infant health, ensuring treatment adherence, and improving the quality of life for pregnant women diagnosed with breast cancer.
Keywords: Breast cancer; Mammary neoplasm; Oncological treatment during pregnancy.

1. INTRODUÇÃO

O câncer de mama é um problema significativo de saúde pública no Brasil e representa um grande desafio para o sistema de saúde, especialmente no que diz respeito a garantir o acesso equitativo e completo da população ao diagnóstico e tratamento dessa doença. Assim, o diagnóstico precoce deve ser realizado assim que o processo da doença se torne detectável, no início de sua patogênese (Zapponil; Tocantins; Vargens, 2015)

O câncer é um termo que engloba mais de 100 doenças caracterizadas pelo crescimento descontrolado de células que invadem tecidos e órgãos. Essas células, ao se multiplicarem rapidamente, tendem a ser altamente agressivas e incontroláveis, levando à formação de tumores, que podem se espalhar para outras partes do corpo. O câncer representa 21% de todas as mortes no mundo, com grande impacto, especialmente em países de baixo e médio desenvolvimento, devido ao elevado número de óbitos prematuros (Pedrosa; et al, 2020)

A dimensão do problema torna-se evidente ao observar os dados estatísticos. Segundo estimativas da Organização Mundial da Saúde (OMS), o câncer de mama é responsável por mais de 2 milhões de novos casos e mais de 600 mil mortes a cada ano em todo o mundo (Correia; et al, 2023)

O câncer de mama durante a gravidez é uma condição rara, sendo diagnosticado tanto no período gestacional quanto no primeiro ano após o parto. Representa a forma mais comum de câncer invasivo em gestantes, com uma incidência estimada de 6,5 casos para cada 100.000 nascidos vivos. O risco é maior em mulheres com mais de 35 anos, e, devido ao adiamento da maternidade, a frequência dessa doença tem aumentado (Silva; et al, 2018)

O câncer de mama associado à gravidez é caracterizado como a neoplasia que afeta a mulher grávida ou que se desenvolve no período de 1 a 2 anos após o parto. A gestação na faixa etária entre a 4ª e a 5ª década de vida da mulher é considerada um dos fatores que favorecem o surgimento dessa patologia. Além disso, o aumento da densidade mamária e a nodularidade comuns durante a gestação dificultam o diagnóstico, uma vez que interferem tanto no exame clínico quanto nos exames de imagem utilizados na investigação rotineira do câncer de mama (Junior; et al, 2023)

Esse tipo de neoplasia tem aumentado progressivamente, pois muitas mulheres têm optado por adiar a maternidade. Desde as décadas de 1970 e 1980, com o surgimento do movimento feminista, as mulheres começaram a conquistar maior independência, tanto no âmbito profissional quanto no contexto familiar. Dentro do modelo econômico atual, elas também conquistaram seu espaço na sociedade. Esse processo de transformação feminina refletiu diretamente na medicina moderna, especialmente na obstetrícia, já que é cada vez mais comum que as mulheres posterguem a gravidez para a terceira ou até quarta década de suas vidas. Como resultado, doenças típicas da idade adulta estão sendo associadas com maior frequência a gestações tardias (Pedrosa; et al, 2020)

Receber o diagnóstico de câncer de mama representa um momento extremamente desafiador para a maioria das mulheres. Além do impacto emocional causado pela descoberta da doença, o tratamento impõe transformações físicas, como alterações na aparência, e desperta sentimentos de culpa, medo da morte e incertezas em relação ao futuro. Os efeitos colaterais das terapias como queda de cabelo, fadiga e náuseas intensificam ainda mais o sofrimento emocional, afetando significativamente o bem-estar e a qualidade de vida dessas pacientes (Vital; et al, 2019)

A gestação exerce um efeito ambíguo sobre o desenvolvimento do câncer de mama, podendo atuar tanto como fator protetor quanto como fator de risco. Isso ocorre porque, logo após a gravidez, há um aumento temporário no risco de desenvolvimento de tumores, devido às intensas mudanças hormonais e à proliferação celular nas mamas durante a gestação, o que torna o tecido mamário mais vulnerável a mutações (Valente; et al, 2025)

Embora a ocorrência de câncer de mama durante a gestação seja rara, é fundamental que o exame físico das mamas seja realizado ao longo de toda a gravidez. A detecção precoce pode reduzir complicações tanto para a mãe quanto para o feto. Caso sejam identificadas alterações durante o exame, a paciente deve ser encaminhada a serviços especializados para uma avaliação mas detalhada (Prado; et al, 2020)

A gestação é por si só, um período delicado para a mulher e sua família, e quando ocorre o diagnóstico de câncer de mama durante esse período, o momento se torna ainda mais sensível e angustiante. A presença do câncer na gestação é muitas vezes associada a uma doença agressiva, o que gera medo e insegurança nas grávidas diagnosticadas. A principal preocupação é o impacto da doença, com a incerteza sobre a própria vida e a do feto, o que frequentemente resulta em traumas e desespero (Silva; Freitas; Maia, 2021)

A Atenção Primária à Saúde representa a principal porta de entrada dos usuários no sistema de saúde e exerce um papel fundamental no controle do câncer. Conforme estabelece a Política Nacional de Atenção Oncológica, a Atenção Básica por meio das Unidades de Atenção Básica e das equipes da Estratégia Saúde da Família é responsável por ações individuais e coletivas voltadas à promoção da saúde e à prevenção do câncer. Além disso, atua na identificação precoce da doença, no cuidado de suporte aos pacientes e na oferta de cuidados paliativos quando necessário. A Atenção Secundária tem como foco a detecção precoce e o encaminhamento para tratamento especializado, enquanto a Atenção Terciária está direcionada à reabilitação dos indivíduos acometidos pela patologia (Ramirez E Martins, 2023)

A Lei nº 911/2004, que dispõe sobre o Código de Ética da Enfermagem, ressalta que o cuidado com a saúde e a vida é a essência da profissão. Esse cuidado deve estar fundamentado na comunicação eficaz e nas relações interpessoais humanizadas entre o profissional de enfermagem, o indivíduo, a família e o grupo social, considerando as diversas fases da vida, os diferentes contextos de saúde e os ambientes em que o cuidado ocorre. Diante disso, evidencia-se a relevância da atuação da enfermagem no cuidado de pacientes com câncer de mama, bem como no suporte à sua rede de apoio familiar e social (Moreira; Perez, 2023)

A enfermagem desempenha um papel fundamental no acompanhamento contínuo da gestante, estando presente em todas as fases e contextos do cuidado. Sua atuação inicia-se na atenção primária, contribuindo para a identificação precoce da doença, e se estende aos níveis secundário e terciário, oferecendo uma assistência integral e centrada nas necessidades físicas, emocionais e sociais da paciente (Valente; et al, 2025)

Os principais tratamentos indicados para gestantes com câncer de mama incluem a mastectomia e a quimioterapia. A radioterapia, por outro lado, é contraindicada durante a gestação devido ao elevado risco de toxicidade para o feto. A administração de quimioterápicos exige cuidados específicos: deve ser evitada no primeiro trimestre, período em que há maior risco de aborto e alterações no desenvolvimento embrionário (organogênese). A partir do segundo trimestre, embora o risco fetal diminua, ainda é necessário cautela, pois podem ocorrer outros efeitos adversos (Eckert; Correa; Pereira, 2024)

Diante da complexidade que envolve o diagnóstico de câncer de mama durante a gestação, torna-se essencial compreender o papel da equipe de enfermagem na assistência a essas pacientes. A sobreposição entre as necessidades do tratamento oncológico e os cuidados com a gestação impõe desafios que exigem preparo técnico, sensibilidade e atuação humanizada. Neste contexto, o enfermeiro desempenha um papel central na promoção do cuidado integral, orientando, acolhendo e oferecendo suporte emocional à gestante e sua família. Assim, este estudo será conduzido pelas seguintes questões norteadoras: 1) Qual a relação entre o diagnóstico de câncer de mama durante a gestação e os desafios enfrentados pela equipe de enfermagem no cuidado à gestante? 2) Como a atuação do enfermeiro pode contribuir para o cuidado humanizado, seguro e eficaz à gestante com câncer de mama? A partir disso, o objetivo é identificar, na literatura, o papel do enfermeiro na assistência a gestantes diagnosticadas com câncer de mama, destacando sua importância no cuidado integral e humanizado, bem como na orientação e apoio emocional dessas mulheres durante o processo de tratamento.

A relevância em abordar o tema do câncer de mama durante a gestação reside na necessidade de sintetizar e expandir o conhecimento sobre essa condição específica, além de contribuir para pesquisas futuras na área. Este estudo visa oferecer subsídios para a reflexão e a elaboração de ações que promovam o rastreamento sistemático das condições de saúde das gestantes, com foco especial nos cuidados essenciais que devem ser adotados. A discussão sobre o câncer de mama na gestação também busca incentivar a implementação de medidas de prevenção e diagnóstico precoce, visando à melhoria da saúde da mãe e do feto, assim como ao aprimoramento da qualidade de vida das mulheres afetadas por essa doença durante a gravidez.

Sendo assim este estudo tem como problema de pesquisa: "Quais são os desafios enfrentados pela equipe de enfermagem no cuidado integral à gestante com câncer de mama, considerando os aspectos clínicos, emocionais e éticos do tratamento durante a gestação?”

2. OBJETIVO

2.1. Objetivo Geral

Analisar a atuação do enfermeiro no cuidado integral á gestante com diagnostico de câncer de mama, considerando as necessidades clinicas, emocionais e sociais durante o tratamento.

2.2. Objetivo Específico

  • Explorar as evidências disponíveis sobre prevenção, diagnóstico, tratamento e prognóstico do câncer de mama durante a gestação.

  • Compreender as competências do enfermeiro na prestação de assistência à mulher com câncer de mama durante a gestação.

  • Identificar as principais intervenções de enfermagem realizadas durante o diagnóstico e tratamento do câncer de mama em gestantes

3. MATERIAL E METODO

Trata-se de uma revisão integrativa da literatura, que se refere a um estudo com coleta de dados realizada a partir de fontes secundárias, por meio de levantamento bibliográfico e baseado na experiência vivenciada pelos autores por ocasião da realização de uma revisão da literatura (Souza; et al, 2010).

A inspeção integrativa de pesquisa ou a pesquisa integrativa, como alguns autores preferem denominá-la, possibilita ao interessado reconhecer os profissionais que mais investigam um assunto, suas áreas de atuação e suas contribuições mais relevantes; permite separar o achado científico de opiniões e ideias; permite descrever o conhecimento no seu estado atual; e promove o impacto da pesquisa sobre a prática profissional. Este método permite fazer generalizações sobre determinados assuntos estudados por vários pesquisadores, em diferentes lugares e momentos, mantendo os interessados atualizados e facilitando as modificações da prática cotidiana como conseqüência da pesquisa (Roman; et al, 1998). 

3.1. Identificação, Localização das Fontes e Período de Estudo

Para a realização do trabalho foi utilizado coleta de dados por meio de leitura cuidadosa, detalhada e interpretativa de títulos, objetivos e resumos para facilitar o registro de informações relevantes ao tema proposto. Foram utilizados artigos completos publicados nas bases de dados Google Acadêmico, Biblioteca Virtual da Saúde e Biblioteca Eletrônica Científica Online (SciELO) dentro do periodo de 2015 a 2025.

3.2. Critérios de Inclusão

Pesquisas publicadas na língua portuguesa com descritores: Câncer de mama, Neoplasia mamária, Tratamento oncológico na gestação. Os estudos incluídos estão disponíveis gratuitamente em meio eletrônico e na íntegra.

3.3. Critérios de Exclusão

Para a exclusão foi utilizado à Indisponibilidade do artigo completo em meio eletrônico; estudos em duplicidade e relatos de experiência, bem como artigos publicados fora do período estabelecido, publicações temáticas não relacionadas aos objetivos e artigos não disponíveis de forma gratuita.

3.4. Técnicas de Leitura do Material

Para o alcance de interpretação temática de leituras pertinentes ao assunto deste estudo foi utilizado análise textual, a partir dos resumos. Trata-se de uma leitura rápida, que possibilitou a primeira aproximação ao tema do estudo. Após essa analise foi selecionado os materias condizente ao tema.

3.5. Análise do Material Selecionado

Os dados foram analisados de forma clara e consistente a partir da reflexão critica por meio da leitura analítica dos artigos incluídos, com foco no alcance do objetivo deste estudo.

4. RESULTADO E DISCUSSÃO

Por meio da base de dados após a filtragem e aplicando os critérios de inclusão e exclusão, resultaram se em pesquisas, que foram analisadas para saber se encaixavam no tema da pesquisa, sobrando artigos, que compuseram a discussão desta pesquisa. No quadro pode se observar os artigos que foram selecionados para o projeto.

Quadro 1. Caracterização dos artigos que foram selecionados, segundo autores, título, objetivo, nome da revista, ano.

Autores

Titulo

Objetivo

Revista

Ano

Azevedo; et al

 

O conhecimento de mulheres acerca do rastreamento do câncer de mama e suas implicações

Analisar o conhecimento de mulheres entre 35-69 anos cadastradas na Estratégia de Saúde da Família (ESF) de Alfenas - MG, acerca do rastreamento do câncer de mama

Revista de medicina

2019

Cadorin e Molin

Enfrentamento da mulher no diagnóstico e tratamento do câncer de mama gestacional

Descrever as ações de enfrentamento da mulher frente ao diagnóstico e tratamento do câncer de mama gestacional descritas na literatura

 

Produção do Conhecimento em Enfermagem e Saúde: compartilhando experiências de acadêmicos e professores

2023

Cipriano, e Oliveira

Gestação e câncer de mama: proposta de guia de orientações

 

Realizar uma revisão crítica da literatura sobre o CA de mama, durante a gestação, e elaborar um guia de orientação fisioterapêutica para grávidas, baseado nas informações mais relevantes encontradas nos artigos selecionados nessa pesquisa

Fisioterapia brasil

2015

Lelis; et al

Tratamento do Câncer de Colo do Útero em Gestantes

Escrever os tratamentos existentes para gestantes com diagnóstico de câncer de colo do útero e a problemática enfrentada pelo profissional da saúde

Id on Line Rev. Mult. Psic

2019

Prado; et al.

Gestante com diagnóstico de câncer de mama: prevenção, diagnóstico e assistência

Descrever as evidências disponíveis na literatura sobre a prevenção, diagnóstico e prognóstico de câncer de mama na gravidez

Brazilian Journal Health Review

2020

Pedrosa; et al

Metodos terapêuticos indicados no tratamento do câncer de mama gestacional.

Investigar os métodos terapêuticos indicados na condução do tratamento do câncer de mama gestacional

Revista Multidisciplinar do Nordeste Mineiro

2020

Rodrigue s; et al.

Câncer de mama no ciclo gravídico-puerperal: uma revisão narrativa

Apresentar as evidências mais recentes sobre diagnóstico e tratamento dessa doença

Revista IberoAmericana de Humanidades, Ciências e Educação

2024

Rodrigue s; et al.

Repercussão do tratamento das neoplasias durante a gestação

Descrever, por meio de uma revisão integrativa, os tipos mais comuns de cânceres detectados no período gestacional, assim como,as principais formas e tratamentos do câncer no período gestacional

Rev. Ciênc. Saúde Nova Esperança

2016

Silva;

Freitas e Maia

Cuidado de enfermagem em gestantes com câncer de mama: revisão integrativa

 

Verificar quais cuidados precisam ser adotados pela equipe de Enfermagem às gestantes com diagnóstico de câncer de mama durante o período gestacional, analisar as estratégias utilizadas pelos enfermeiros em vista de assistência holística considerando suas vulnerabilidades e analisar o papel da Enfermagem na atuação e tratamento da portadora de neoplasia mamária no período gravídico

Research, Society and Development

2021

Silva

Câncer de mama na gestação: abordagem diagnóstica e terapêutica.

 

Realizar uma abordagem sobre o tema, abordando como se faz sua detecção e os cuidados em grávidas que possuem câncer de mama

ACTA MEDICA

2018

Fonte: Dados de pesquisas de autoria própria, 2025

Após leituras dos artigos selecionados para compor esta discussão, foram analisados, e construiu-se as seguintes categorias, sendo elas: conceito, diagnostico, tratamento, prevenção, o papel da enfermagem.

O câncer de mama geralmente se manifesta como uma massa palpável, indolor, com bordos irregulares e consistência endurecida. Durante o exame clínico da mama, diversos sinais podem indicar a presença de um tumor, como edema da pele, inversão do mamilo, dor localizada, hiperemia, descamação, irritação ou ulceração do mamilo, além de secreção papilar, que pode ser transparente, rosada ou avermelhada (Cadorin e Molin, 2023)

O sexo feminino já representa um fator de risco para o desenvolvimento do câncer de mama, devido à maior quantidade de tecido mamário e à exposição ao estrogênio. Além disso, diversos aspectos podem aumentar a probabilidade de surgimento da doença, como idade avançada, histórico familiar em parentes de primeiro grau, menopausa tardia (após os 50 anos), obesidade, câncer de ovário, alta densidade mamária, exposição ao tabaco, pesticidas e radiação ionizante. Ademais, mulheres que já tiveram câncer em uma das mamas apresentam um risco médio de 5% a 10% de recorrência ou de desenvolvimento da neoplasia na mama oposta (Silva; et al, 2018; Pedrosa; et al, 2020)

O controle do câncer de mama depende, em grande parte, da detecção precoce. Os métodos mais eficazes para esse diagnóstico incluem o exame clínico das mamas, a mamografia e o autoexame realizado pela própria mulher, permitindo que ela participe ativamente do monitoramento de sua saúde. Pesquisas indicam que a maioria das pacientes identificou a doença por meio do autoexame, evidenciando a relevância da orientação dos profissionais de saúde e da conscientização sobre a realização desse procedimento (Prado; et al, 2020)

O câncer de mama gestacional é caracterizado pelo crescimento desordenado e acelerado das células mamárias, que passam a se multiplicar de forma rápida. Essas células tendem a ser altamente agressivas e incontroláveis, resultando na formação de tumores malignos que podem se espalhar para outras partes do corpo. O câncer pode ser identificado por meio de uma massa palpável, indolor, firme e irregular na mama, embora alguns tumores possam ter uma consistência mais macia, forma globosa e bordas bem definidas. Outros sinais de câncer de mama incluem edema da pele, dor, inversão do mamilo, vermelhidão, descamação ou ulceração do mamilo, além de secreção papilar, que pode ser transparente, rosada ou avermelhada devido à presença de glóbulos vermelhos (Pedrosa; et al, 2020).

4.1. Diagnostico

O diagnóstico de câncer de mama em gestantes é desafiador devido às alterações fisiológicas da mama durante a gravidez, como hipertrofia, ingurgitamento, nodularidade e secreção mamária. Essas mudanças podem levar a um diagnóstico tardio, frequentemente em estágios avançados, o que impacta negativamente o prognóstico (Silva; et al, 2018)

Diante da suspeita de câncer de mama, a gestante deve ser submetida a uma investigação detalhada, incluindo mamografia com proteção abdominal, ultrassonografia mamária e, se necessário, biópsia. No entanto, a interpretação dos exames de imagem pode ser desafiadora devido às mudanças fisiológicas que ocorrem na mama durante a gestação. A ressonância magnética é indicada apenas em casos essenciais para o diagnóstico, uma vez que ainda não há estudos conclusivos sobre a segurança e eficácia do contraste para o feto (Prado; et al, 2020)

Nas gestantes, a mamografia é realizada com as precauções necessárias para garantir a proteção do feto. Caso sejam identificadas anormalidades durante o exame, procede-se com uma punção aspirativa por agulha fina ou uma punçãobiópsia com agulha grossa para confirmar o diagnóstico (Cadorin e Molin, 2023). 

4.2. Tratamento

O tratamento do câncer de mama durante a gestação deve seguir as diretrizes estabelecidas para mulheres não grávidas, com algumas adaptações. As decisões terapêuticas devem ser personalizadas, considerando a idade gestacional no momento do diagnóstico, o estágio da doença e as preferências da paciente (Silva; et al, 2018). 

O tratamento do câncer em gestantes é uma situação desafiadora, pois envolve riscos significativos tanto para a mãe quanto para o feto. Isso requer uma abordagem integrada e um consenso entre oncologistas, obstetras e neonatologistas (Cipriano e Oliveira, 2015). 

O tratamento de uma gestante com câncer depende da idade gestacional. No primeiro trimestre, o câncer é tratado sem levar em conta a gestação; no segundo trimestre, é necessário considerar as particularidades da gestante; e no terceiro trimestre, deve-se avaliar a viabilidade fetal, realizar a interrupção da gestação por cesariana e iniciar o tratamento do câncer imediatamente (Rodrigues; et al, 2016)

A exposição fetal à radiação pode causar alterações no crescimento e desenvolvimento neurológico, além de aumentar o risco de neoplasias infantis. Por isso, a radioterapia deve ser realizada após o parto, e a amamentação interrompida caso o bebê seja lactente. No entanto, adiar a radioterapia pode elevar o risco de recorrência da doença. Para tumores pequenos, a cirurgia conservadora pode ser uma opção, desde que a radioterapia inicie em até seis meses. A quimioterapia adjuvante pode ser iniciada a partir do segundo trimestre até a 34ª semana de gestação, embora haja risco de parto prematuro e baixo peso ao nascer. As antraciclinas são os quimioterápicos de primeira escolha, mas o trastuzumabe não deve ser utilizado em casos de câncer de mama HER2 positivo devido à possível redução do líquido amniótico (Rodrigues; et al, 2024)

Alguns estudos sugerem que alterações fisiológicas da gravidez, como o aumento do volume plasmático e a taxa de filtração glomerular (TFG), podem reduzir a eficácia dos quimioterápicos nas doses habituais. Durante a gestação, a hormonioterapia e o uso de anticorpos monoclonais devem ser evitados (Prado; et al, 2020)

O tratamento cirúrgico conservador permite a amamentação de forma segura, especialmente pela mama contralateral, embora possa reduzir a produção de leite na mama que passou pelo procedimento. Quando há a realização de radioterapia, a amamentação não é recomendada na mama irradiada (Rodrigues; et al, 2024)

Algumas pesquisas indicaram que as gestações seguintes ao câncer de mama não foram impactadas, e os fetos dessas novas gravidezes não apresentaram efeitos adversos relacionados ao tratamento antitumoral anterior. Recomenda-se esperar, no mínimo, dois anos após o término do tratamento para planejar uma nova gravidez, uma vez que as recidivas e o surgimento de metástases são mais frequentes nos primeiros dois anos após o tratamento do câncer (Rodrigues; et al, 2024). 

4.3. Prevenção

Destaca-se que as medidas preventivas para o câncer de mama gestacional são limitadas, pois muitos dos fatores relacionados ao desenvolvimento da doença não são passíveis de modificação. Assim, a prevenção desse tipo de câncer envolve o controle dos fatores de risco e a promoção de hábitos protetores, especialmente aqueles que podem ser alterados. Estima-se que a adoção de uma alimentação equilibrada e a prática regular de atividades físicas possam reduzir em até 28% o risco de uma mulher desenvolver câncer de mama. Além disso, a amamentação é reconhecida como um fator protetor contra essa condição (Pedrosa; et al, 2020)

O autoexame das mamas deve ser praticado antes, durante e após a gestação, pois a detecção precoce da doença facilita a escolha do tratamento adequado, visando garantir a saúde tanto da mãe quanto do feto. A realização de mamografias, especialmente para mulheres com histórico familiar de câncer de mama, independentemente da idade, são essenciais. Sabendo-se que o risco de desenvolver câncer durante a gestação está relacionado ao adiamento da maternidade, recomenda-se que as mulheres tenham filhos antes dos 32 anos (RODRIGUES; et al, 2016).

O rastreamento do câncer de mama permite a detecção precoce da doença, o que aumenta as chances de cura e possibilita a utilização de tratamentos menos invasivos e sistêmicos. Isso, por sua vez, reduz as consequências do tratamento e favorece uma recuperação mais eficiente (Azevedo; et al, 2019).

4.4. O Papel do Enfermeiro

Os enfermeiros envolvidos no cuidado durante o período gestacional e o câncer de mama devem oferecer uma assistência especializada, tomando decisões fundamentadas em princípios éticos, legais e científicos, sempre considerando a situação específica de cada paciente. Entre as responsabilidades do enfermeiro estão as práticas educativas voltadas para a promoção, prevenção e recuperação da saúde da mãe e do filho (Silva; Freitas; Maia, 2021)

O enfermeiro desempenha um papel fundamental no prognóstico favorável do câncer de mama durante a gestação. Durante as consultas de pré-natal e no período pós-parto, é essencial realizar o exame clínico das mamas. A função do enfermeiro está diretamente relacionada à detecção precoce, uma vez que ele é capacitado para identificar alterações não fisiológicas e outros achados nas mamas, facilitando a identificação precoce de neoplasias mamárias (Cadorin e Molin, 2023)

O papel do enfermeiro na gestão do câncer durante a gestação é fundamental para a paciente. A assistência envolve não apenas o diagnóstico e tratamento, mas também a reabilitação da gestante. O enfermeiro deve se concentrar em esclarecer sobre a doença e suas opções terapêuticas, fornecer informações sobre autocuidado, oferecer suporte emocional, aliviar a dor e incentivar a paciente a enfrentar a doença e suas possíveis consequências com coragem (Lelis; et al, 2019)

A importância do enfermeiro na assistência às gestantes, especialmente em seu papel como educador em saúde, reside na oportunidade de orientar durante o pré-natal sobre a relevância do exame clínico e do autoexame das mamas, além da realização da colpocitologia. Esse processo contribui para uma melhor compreensão do conhecimento científico e demonstra o compromisso ético e profissional do enfermeiro com a população assistida, visando reduzir os riscos à saúde materna e otimizar a sobrevida do feto (Rodrigues, et al, 2016)

Os enfermeiros desempenham um papel fundamental ao oferecer apoio emocional inicial às mulheres e seus familiares. Compreender a atuação desses profissionais no cuidado de gestantes com câncer de mama é crucial para a comunidade. A enfermagem surge como o primeiro ponto de assistência para a gestante, que enfrenta não apenas questões físicas, mas também desafios emocionais, como o impacto no corpo e a incerteza quanto à perda do feto. Assim, torna-se evidente a necessidade de um cuidado de enfermagem de qualidade, envolvendo a gestante e sua família, com o objetivo de melhorar a expectativa de vida das mulheres grávidas com neoplasia mamária (Silva; Freitas; Maia, 2021).

5. CONCLUSÃO

Conclui-se que o tratamento do câncer de mama durante a gestação apresenta desafios significativos, exigindo uma abordagem multidisciplinar para equilibrar a saúde da mãe e a preservação do feto. O manejo terapêutico deve ser individualizado, considerando a idade gestacional, o estágio do tumor e as opções terapêuticas mais seguras para ambos. Diagnóstico precoce, escolha adequada dos tratamentos e monitoramento contínuo são essenciais para otimizar os desfechos materno-fetais.

A enfermagem desempenha um papel fundamental, proporcionando assistência humanizada e qualificada, orientando a gestante sobre a doença, os efeitos colaterais do tratamento e os cuidados necessários ao longo do processo. Além disso, o enfermeiro atua no suporte emocional, ajudando a paciente e sua família a lidarem com os desafios impostos pelo diagnóstico e tratamento oncológico, atuação da equipe de enfermagem vai além do cuidado clínico, sendo essencial na promoção da saúde materno-infantil, na adesão ao tratamento e na melhoria da qualidade de vida das gestantes diagnosticadas com câncer de mama.

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Trabalho de conclusão de curso apresentado a disciplina de TCC no curso de Enfermagem da Universidade de Mogi das Cruzes.

1 RGM: 11221104656

2 RGM: 11211103003

3 RGM 11211102805