REGISTRO DOI: 10.70773/revistatopicos/790024011
RESUMO
A obesidade infantil representa um importante problema de saúde pública, com aumento significativo nas últimas décadas e impactos negativos sobre a saúde e a qualidade de vida das crianças. O ambiente escolar possui papel fundamental na formação dos hábitos alimentares, tornando a alimentação escolar uma estratégia relevante para a prevenção e o controle do excesso de peso infantil. Este estudo teve como objetivo analisar, por meio de uma atualização da literatura, a influência da alimentação escolar sobre a obesidade infantil, considerando a qualidade das refeições ofertadas, o consumo de alimentos ultraprocessados, a formação dos hábitos alimentares e a aplicação das diretrizes do Programa Nacional de Alimentação Escolar. Foi realizada revisão bibliográfica de abordagem qualitativa e caráter descritivo, com análise de publicações científicas e documentos oficiais relacionados à nutrição infantil, alimentação escolar, obesidade e políticas públicas. A literatura demonstra que a oferta de refeições adequadas, associada a ações de educação alimentar e nutricional, pode contribuir para a formação de hábitos alimentares mais saudáveis. Em contrapartida, a exposição frequente a alimentos ultraprocessados e a ambientes alimentares inadequados pode favorecer comportamentos associados ao excesso de peso. Conclui-se que a alimentação escolar constitui importante estratégia de promoção da saúde e prevenção da obesidade infantil, especialmente quando integrada à educação alimentar, à participação familiar e à atuação do nutricionista.
Palavras-chave: alimentação escolar; obesidade infantil; nutrição infantil; hábitos alimentares; educação alimentar e nutricional.
ABSTRACT
Childhood obesity is an important public health problem, with a significant increase in recent decades and negative impacts on children's health and quality of life. The school environment plays a fundamental role in the formation of eating habits, making school meals an important strategy for preventing and controlling childhood overweight. This study aimed to analyze, through a literature update, the influence of school meals on childhood obesity, considering the quality of meals offered, the consumption of ultra-processed foods, the formation of eating habits, and the implementation of the guidelines of the Brazilian National School Feeding Program. A qualitative and descriptive literature review was conducted, analyzing scientific publications and official documents related to child nutrition, school feeding, obesity, and public policies. The literature indicates that offering adequate meals, combined with food and nutrition education activities, may contribute to the development of healthier eating habits. In contrast, frequent exposure to ultra-processed foods and inadequate food environments may favor behaviors associated with excess weight. Therefore, school meals represent an important strategy for health promotion and childhood obesity prevention, particularly when integrated with food and nutrition education, family participation, and professional nutritionist involvement.
Keywords: childhood obesity; school meals; child nutrition; eating habits; food and nutrition education.
1. INTRODUÇÃO
A obesidade infantil consolidou-se, nas últimas décadas, como um dos principais desafios de saúde pública, com crescimento expressivo em países em desenvolvimento, como o Brasil. Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) indicam que o excesso de peso na infância vem aumentando de forma significativa, sendo considerado um fator de risco para diversas doenças crônicas ainda na fase adulta (Miranda et al., 2015; Reis; Vasconcelos; Barros, 2011).
No contexto brasileiro, informações do Sistema de Vigilância Alimentar e Nutricional (SISVAN), vinculado ao Ministério da Saúde, apontam uma elevação consistente nos índices de sobrepeso e obesidade entre crianças, especialmente em idade escolar. Nesse cenário, a alimentação escolar ganha destaque, uma vez que a escola representa um dos principais ambientes de formação de hábitos alimentares, podendo atuar tanto como fator de proteção quanto como elemento de risco para o desenvolvimento da obesidade infantil (Brasil, 2019; Brasil, 2022).
A etiologia da obesidade infantil é multifatorial, porém está fortemente relacionada aos hábitos alimentares e ao ambiente em que a criança está inserida, incluindo o contexto escolar. Observa-se que a oferta e o consumo de alimentos ultra processados como salgadinhos, refrigerantes, doces e lanches industrializados ainda são frequentes em muitas instituições de ensino ou em seu entorno, contribuindo para o aumento da ingestão calórica e o baixo valor nutricional da dieta. Além disso, a substituição de refeições equilibradas por lanches rápidos e pouco nutritivos, associada à ausência de educação alimentar no ambiente escolar, favorece escolhas inadequadas (Reis; Vasconcelos; Barros, 2011; Pereira, 2012; Miranda et al., 2015).
Paralelamente, o sedentarismo, intensificado pelo uso excessivo de telas, agrava esse quadro. Dessa forma, a alimentação escolar, quando não planejada de forma adequada, pode contribuir diretamente para o desenvolvimento da obesidade infantil, evidenciando a necessidade de estratégias que promovam práticas alimentares saudáveis no ambiente educacional (Reis; Vasconcelos; Barros, 2011; Brasil, 2019; Brasil, 2022).
A prevenção da obesidade infantil está diretamente relacionada à promoção de hábitos alimentares saudáveis desde o primeiro ano de vida, e a escola tem um papel de extrema importância, sendo um ambiente estratégico para essa intervenção. Nesse contexto, a educação nutricional desempenha um papel fundamental ao fornecer conhecimento e informações importantes para que as crianças entendam os benefícios de uma alimentação saudável e equilibrada, incentivando escolhas mais saudáveis no dia a dia (Sociedade Brasileira de Pediatria, 2019).
O papel do nutricionista na alimentação escolar é de extrema importância, desde o planejamento diário de cardápios saudáveis e equilibrados até a educação nutricional nas escolas, orientando alunos, professores e pais sobre a importância de escolhermos um estilo de vida mais saudável, sempre priorizando alimentos mais saudáveis, naturais e menos industrializados. O nutricionista também tem um papel de extrema importância no combate e prevenção da obesidade infantil, dentro e fora das escolas (Brasil, 2026).
O aumento da obesidade infantil tem gerado grande preocupação entre profissionais da saúde e da educação, principalmente pelos seus efeitos e complicações a longo prazo, como o desenvolvimento precoce de doenças crônicas, como diabetes. Considerando que o ambiente escolar é um local onde as crianças aprendem novos hábitos diariamente e é um ambiente onde é fornecida alimentação e a grande maioria se alimentam na escola, estudar a relação entre a alimentação escolar e a obesidade infantil torna-se fundamental (Miranda et al., 2015; Pereira, 2012; Reis; Vasconcelos; Barros, 2011).
O objetivo dessa pesquisa foi investigar a relação entre a alimentação escolar com o desenvolvimento e permanência da obesidade infantil, com foco na identificação de fatores que contribuem para o desenvolvimento do sobrepeso em crianças, atualizar protocolos de intervenção e compreender as barreiras que impedem a adesão a hábitos mais saudáveis, bem como propor a valorização de ações educativas e nutricionais que auxiliam na prevenção dessa condição no contexto escolar, e também na melhoria dos cardápios e da alimentação escolar.
2. CONCEITO E EPIDEMIOLOGIA DA OBESIDADE INFANTIL
A obesidade infantil caracteriza-se pelo excesso de gordura corporal capaz de provocar repercussões negativas à saúde. Trata-se de uma condição crônica e multifatorial, influenciada pela interação entre fatores genéticos, ambientais, sociais, econômicos e comportamentais. Dessa forma, sua ocorrência não pode ser atribuída exclusivamente à alimentação ou à falta de atividade física, sendo necessário considerar o contexto em que a criança está inserida (World Health Organization, 2024).
Entre os fatores ambientais, destaca-se o acesso aos alimentos. A maior disponibilidade de produtos industrializados e ultraprocessados, associada à facilidade de aquisição, praticidade e estratégias de marketing direcionadas ao público infantil, pode contribuir para mudanças no padrão alimentar. Ao mesmo tempo, fatores socioeconômicos podem limitar o acesso regular a alimentos saudáveis, favorecendo ambientes alimentares que dificultam escolhas adequadas (Canella et al., 2014).
O aumento do excesso de peso infantil no Brasil acompanha transformações no estilo de vida da população. A alimentação passou a apresentar maior participação de produtos ultraprocessados, enquanto atividades físicas ao ar livre perderam espaço para períodos prolongados em frente a televisores, computadores, celulares e outros dispositivos eletrônicos. Esse conjunto de mudanças favorece o desequilíbrio entre ingestão e gasto energético (Louzada et al., 2021).
A obesidade durante a infância possui consequências que ultrapassam o ganho de peso. Crianças com excesso de peso apresentam maior risco de alterações metabólicas e cardiovasculares e podem apresentar maior probabilidade de desenvolver hipertensão arterial, diabetes mellitus e outras doenças crônicas ao longo da vida. Além das repercussões físicas, a condição pode afetar aspectos emocionais, sociais e relacionados à qualidade de vida (Sociedade Brasileira de Pediatria, 2019).
2.1. Fatores de Risco e Determinantes da Obesidade Infantil
A obesidade infantil apresenta relação com múltiplos determinantes, entre os quais se destacam fatores familiares, ambientais, alimentares e comportamentais. O contexto em que a criança vive influencia diretamente a disponibilidade dos alimentos, as oportunidades de atividade física e os comportamentos relacionados ao consumo alimentar (Sociedade Brasileira de Pediatria, 2019).
O padrão alimentar representa um dos principais fatores associados ao excesso de peso. A substituição de alimentos in natura ou minimamente processados por produtos ultraprocessados, como refrigerantes, salgadinhos, biscoitos recheados, doces e produtos de fast food, pode aumentar a densidade energética da alimentação e reduzir sua qualidade nutricional (Canella et al., 2014).
A família também exerce influência importante, uma vez que os hábitos alimentares das crianças são construídos por meio da observação e da repetição. A disponibilidade de determinados alimentos em casa, os horários das refeições e o comportamento alimentar dos responsáveis podem influenciar as escolhas realizadas pelas crianças (Louzada et al., 2021).
Além disso, aspectos sociais e econômicos devem ser considerados. O acesso desigual a alimentos saudáveis, a disponibilidade de estabelecimentos comerciais próximos à residência e à escola e as estratégias de publicidade de alimentos podem contribuir para a formação de ambientes obesogênicos (Azeredo et al., 2016).
2.2. Papel da Alimentação Escolar na Formação dos Hábitos Alimentares
A alimentação escolar possui papel relevante na formação dos hábitos alimentares infantis, especialmente porque a escola representa um ambiente de convivência diária, aprendizagem e construção de comportamentos. Durante a infância, o contato repetido com diferentes alimentos pode contribuir para o desenvolvimento de preferências e maior aceitação de preparações saudáveis (Silva et al., 2018).
A Lei nº 11.947, de 16 de junho de 2009, estabeleceu diretrizes relacionadas à alimentação escolar e à educação alimentar e nutricional no ambiente educacional. O PNAE, por sua vez, constitui importante instrumento de promoção da segurança alimentar e nutricional entre estudantes da educação básica (Brasil, 2009).
Estudo realizado com escolares brasileiros identificou que maior número de refeições realizadas na escola esteve associado a uma alimentação menos processada, reforçando o potencial do ambiente escolar como espaço de promoção da qualidade da dieta (Silva et al., 2018).
2.3. Qualidade Nutricional da Merenda Escolar e Adequação Às Recomendações Nutricionais
A qualidade nutricional da alimentação escolar é fundamental para garantir que as refeições oferecidas contribuam para as necessidades nutricionais dos estudantes. Durante a infância, nutrientes como proteínas, ferro, cálcio, zinco e vitaminas são importantes para o crescimento, desenvolvimento cognitivo, formação óssea e funcionamento adequado do organismo (Brasil, 2026).
O PNAE estabelece critérios para a organização da alimentação escolar, considerando as características dos estudantes e o período de permanência na escola. Dessa maneira, a composição dos cardápios deve considerar as necessidades nutricionais e os princípios de alimentação adequada e saudável (Brasil, 2026).
2.4. Influência do Ambiente Escolar no Comportamento Alimentar Infantil
O comportamento alimentar infantil resulta da interação entre fatores biológicos, sociais, culturais e ambientais. Entre esses fatores, o ambiente escolar exerce influência significativa, pois proporciona experiências alimentares frequentes e relações sociais que podem interferir nas escolhas dos estudantes.
A presença de merendas, cantinas, máquinas de venda de alimentos e estabelecimentos comerciais próximos às escolas pode determinar quais produtos estão disponíveis para consumo. Quando existe fácil acesso a produtos ultraprocessados, a criança pode apresentar maior exposição a alimentos ricos em açúcares, gorduras e sódio (Azeredo et al., 2016).
2.5. Relação Entre Alimentação Escolar e Prevenção Ou Agravamento da Obesidade Infantil
A alimentação escolar pode atuar tanto como fator de proteção quanto como elemento associado ao risco de obesidade, dependendo da qualidade do ambiente alimentar e das práticas adotadas pela instituição (Reis; Vasconcelos; Barros, 2011).
Quando a escola oferece refeições equilibradas, compostas principalmente por alimentos in natura ou minimamente processados, cria-se um ambiente que favorece o consumo de alimentos com maior qualidade nutricional. Essa estratégia pode contribuir para a redução da exposição a produtos ultraprocessados e para a formação de hábitos alimentares mais adequados (Silva et al., 2018).
2.6. Estratégias e Políticas Públicas para Promoção da Alimentação Saudável no Ambiente Escolar
As políticas públicas relacionadas à alimentação escolar são fundamentais para ampliar o acesso das crianças a refeições adequadas e promover hábitos alimentares saudáveis. No Brasil, o PNAE representa uma das principais estratégias governamentais voltadas à alimentação dos estudantes da educação básica (Brasil, 2026).
A legislação atual do PNAE, estabelecida pela Resolução CD/FNDE nº 4/2026, atualizou as normas relacionadas à gestão e à oferta da alimentação escolar. A agricultura familiar também apresenta importância dentro do programa, aproximando a alimentação da produção local (Brasil, 2026).
3. METODOLOGIA
A presente pesquisa caracteriza-se como um estudo de natureza qualitativa do tipo descritiva. Será utilizada a metodologia de revisão bibliográfica de abordagem qualitativa, com o objetivo de analisar a relação entre a alimentação escolar e o desenvolvimento da obesidade infantil. Essa abordagem permite uma compreensão abrangente das tendências e lacunas na literatura, fornecendo uma base sólida para futuras investigações.
A busca por artigos científicos será conduzida em bases de dados eletrônicas reconhecidas por sua abrangência nas áreas da saúde e nutrição. Utilizaremos combinações de palavras-chave em português e inglês, exemplos de termos de busca incluem: alimentação escolar; obesidade infantil; nutrição infantil; hábitos alimentares; saúde escolar; consumo alimentar; estado nutricional; educação alimentar e nutricional; qualidade da alimentação; crianças em idade escolar, school feeding; childhood obesity; child nutrition; eating habits; school health; food consumption; nutritional status; food and nutrition education; diet quality; school-age children.
A seleção dos artigos ocorrerá em duas fases: primeiramente, será feita uma triagem inicial dos títulos e resumos dos artigos resultantes da busca. Em seguida, os artigos pré-selecionados serão lidos na íntegra para confirmar sua elegibilidade de acordo com os critérios definidos.
A análise do conteúdo dos artigos será realizada de forma qualitativa e descritiva, buscando identificar padrões, temas recorrentes, divergências e consensos na literatura sobre o tema do artigo. A síntese dos achados permitirá construir um panorama robusto do conhecimento existente, respondendo aos objetivos da presente revisão.
4. RESULTADOS E DISCUSSÕES
A análise da literatura, conforme Quadro 1, demonstrou que a relação entre alimentação escolar e obesidade infantil deve ser compreendida dentro de um contexto amplo, considerando a multifatorialidade da obesidade e a influência dos diferentes ambientes nos quais a criança está inserida (World Health Organization, 2024).
Quadro 1. Análise da literatura em comparação com os objetivos do artigo
Referência (Autores e Título) | Ano | Principal Achado | Relevância para o Artigo |
SILVA, C. A. M. et al. - Maior número de refeições nas escolas está associado a uma alimentação menos processada | 2018 | O consumo mais frequente de refeições realizadas na escola está associado a uma dieta com menor ingestão de produtos processados e ultraprocessados. | Comprova a hipótese de que a merenda escolar, quando consumida regularmente, atua como um elemento protetor e promove a qualidade global da dieta das crianças. |
LOUZADA, M. L. C. et al. - Impacto do consumo de alimentos ultraprocessados na saúde de crianças, adolescentes e adultos: revisão de escopo | 2021 | Há uma associação direta entre o consumo de alimentos ultraprocessados e desfechos negativos à saúde, incluindo o aumento do excesso de peso. | Justifica a necessidade de limitar a oferta desses produtos no ambiente escolar, evidenciando o dano direto que causam à saúde e ao desenvolvimento infantil. |
AZEREDO, C. M. et al. - Food environments in schools and around schools in Brazil: a systematic review | 2016 | A presença de cantinas e comércios próximos às escolas facilita o acesso e aumenta a exposição das crianças a produtos ricos em açúcares, gorduras e sódio. | Destaca o desafio do "ambiente obesogênico" escolar e fundamenta a necessidade de intervenções que modifiquem o ambiente alimentar no qual a criança está inserida. |
REIS, C. E. G. et al. - Políticas públicas de nutrição para o controle da obesidade infantil | 2011 | A falta de planejamento adequado da alimentação e a ausência de educação alimentar favorecem escolhas inadequadas, exigindo estratégias promotoras de saúde. | Fundamenta a discussão sobre a urgência de políticas públicas sólidas e do planejamento nutricional para frear o avanço da obesidade. |
MIRANDA, J. M. Q. et al. - Prevalência de sobrepeso e obesidade infantil em instituições de ensino: públicas vs. privadas | 2015 | O excesso de peso na infância aumentou de forma significativa dentro das instituições de ensino, consolidando-se como fator de risco para doenças crônicas. | Contextualiza a gravidade epidemiológica do problema e justifica a escolha da escola como o ambiente estratégico central para pesquisa e intervenção. |
Fonte: Autores (2026).
O aumento do consumo de alimentos ultraprocessados constituiu um dos principais desafios para a alimentação adequada na infância. A literatura científica evidenciou associação entre o consumo desses produtos e diferentes desfechos negativos à saúde, especialmente relacionados à qualidade da dieta e ao excesso de peso (Canella et al., 2014; Louzada et al., 2021).
Os estudos também indicaram que o número e a qualidade das refeições realizadas na escola estão relacionados à qualidade global da alimentação. Entre escolares brasileiros, maior participação da alimentação escolar foi associada a uma dieta menos processada, indicando que o fornecimento de refeições adequadas atua como elemento protetor (Silva et al., 2018).
Entretanto, a oferta de refeições adequadas, isoladamente, não é suficiente para controlar a obesidade infantil. A condição apresenta origem multifatorial e também está relacionada à atividade física, comportamento sedentário, contexto familiar, fatores socioeconômicos e exposição ao marketing de alimentos (Azeredo et al., 2016).
A atuação do nutricionista destacou-se nesse contexto, pois a qualidade do programa depende da aplicação prática das normas. O planejamento adequado dos cardápios, a avaliação das refeições, a adequação às necessidades dos estudantes e o desenvolvimento de ações educativas foram considerados componentes vitais para a efetividade da política (Brasil, 2026).
A literatura sobre a adequação dos cardápios escolares brasileiros demonstrou que ainda existem diferenças na qualidade nutricional das refeições e na adequação às recomendações, indicando a importância de monitoramento e avaliação permanentes.
Dessa maneira, a alimentação escolar demonstrou ser uma ferramenta relevante na prevenção da obesidade infantil, mas seus efeitos dependeram da qualidade das refeições, da redução da oferta de alimentos ultraprocessados, da educação alimentar e nutricional e da integração com outras estratégias de promoção da saúde.
5. CONSIDERAÇÕES FINAIS
A alimentação escolar apresenta papel relevante na promoção da alimentação adequada e na prevenção da obesidade infantil, especialmente durante a fase em que hábitos alimentares e comportamentos relacionados à saúde estão sendo formados.
A análise realizada demonstra que a oferta regular de refeições equilibradas, associada à valorização de alimentos in natura e minimamente processados e à redução da exposição a alimentos ultraprocessados, pode contribuir para a melhoria da qualidade da alimentação das crianças.
Também se evidencia a importância da educação alimentar e nutricional como estratégia complementar à oferta de refeições, possibilitando que os estudantes desenvolvam conhecimentos e comportamentos que podem ser mantidos ao longo da vida.
O ambiente escolar, portanto, deve ser compreendido como espaço estratégico para promoção da saúde. A atuação integrada entre escola, família, nutricionista, profissionais da saúde e políticas públicas pode favorecer a construção de ambientes alimentares mais adequados e contribuir para a prevenção do excesso de peso.
Conclui-se que a alimentação escolar, quando planejada e executada de acordo com as recomendações nutricionais e com a legislação vigente, constitui importante ferramenta de promoção da saúde e prevenção da obesidade infantil. A continuidade de ações de monitoramento, educação alimentar e nutricional e qualificação das práticas alimentares escolares permanece fundamental para enfrentar o crescimento do excesso de peso entre crianças e adolescentes.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
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BRASIL. Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação. Resolução CD/FNDE nº 4, de 26 de fevereiro de 2026. Dispõe sobre a gestão e a oferta da alimentação escolar aos estudantes da educação básica no âmbito do Programa Nacional de Alimentação Escolar – PNAE e dá outras providências. Brasília: FNDE, 2026.
BRASIL. Lei nº 11.947, de 16 de junho de 2009. Dispõe sobre o atendimento da alimentação escolar e do Programa Dinheiro Direto na Escola aos alunos da educação básica. Brasília: Diário Oficial da União, 2009.
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BRASIL. Ministério da Saúde. II Encontro Regional sobre Ações de Prevenção da Obesidade Infantil. Brasília: Ministério da Saúde, 2019. Disponível em: https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/noticias/2019/junho/ii-encontro-regional-sobre-acoes-de-prevencao-da-obesidade-infantil. Acesso em: abr. 2026.
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WORLD HEALTH ORGANIZATION. Childhood overweight and obesity. Geneva: World Health Organization, 2024.
1 Discente do Curso Superior do Departamento de Nutrição, Centro Universitário Cidade Verde (UNICIVE), Maringá, PR, Brasil
2 Discente do Curso Superior do Departamento de Nutrição, Centro Universitário Cidade Verde (UNICIVE), Maringá, PR, Brasil
3 Docente do Curso Superior do Departamento de Nutrição, Centro Universitário Cidade Verde (UNICIVE), Maringá, PR, Brasil
4 Docente do Curso Superior do Departamento de Nutrição, Centro Universitário Cidade Verde (UNICIVE), Maringá, PR, Brasil
5 Docente do Curso Superior do Departamento de Nutrição, Centro Universitário Cidade Verde (UNICIVE), Maringá, PR, Brasil