REGISTRO DOI: 10.70773/revistatopicos/782178686
RESUMO
O estudo analisa o judô como ferramenta de inclusão para crianças com Transtorno do Espectro Autista (A), frente aos déficits de comunicação, interação social e coordenação motora característicos do transtorno. A partir de metodologias estruturadas e progressivas, a modalidade atua como prática educativa e esportiva, potencializando o desenvolvimento motor, cognitivo e comportamental por meio do estímulo à disciplina, autonomia e socialização. Objetivo: Analisar os benefícios do judô no processo de inclusão de crianças com TEA, considerando suas especificidades pedagógicas e o impacto das atividades no desenvolvimento global infantil. Metodologia: Trata-se de uma pesquisa de caráter bibliográfico e descritivo, fundamentada em autores da área do desenvolvimento infantil, educação inclusiva e práticas esportivas. Resultados: Os resultados apontam que o judô, enquanto esporte de combate e ferramenta educativa, favorece o fortalecimento das habilidades motoras, da lateralidade, da coordenação física e cognitiva, além de contribuir para o convívio social e o controle emocional. Conclusão: Conclui-se que a modalidade possui potencial significativo no processo de inclusão, proporcionando um ambiente estruturado, acolhedor e adaptável às necessidades das crianças com TEA.
Palavras-chave: Judô; Inclusão; Transtorno do Espectro Autista; Desenvolvimento motor; Educação inclusiva.
ABSTRACT
This study analyzes judo as an inclusion tool for children with Autism Spectrum Disorder (ASD), addressing the communication, social interaction, and motor coordination deficits characteristic of the disorder. Using structured and progressive methodologies, the modality acts as both an educational and sporting practice, enhancing motor, cognitive, and behavioral development through the stimulation of discipline, autonomy, and socialization. Objective: To analyze the benefits of judo in the inclusion process of children with ASD, considering its pedagogical specificities and the impact of activities on overall child development. Methodology: This is a bibliographic and descriptive research, based on authors in the fields of child development, inclusive education, and sports practices. Results: The results indicate that judo, as a combat sport and educational tool, favors the strengthening of motor skills, laterality, physical and cognitive coordination, in addition to contributing to social interaction and emotional control. Conclusion: It is concluded that this modality has significant potential in the inclusion process, providing a structured, welcoming environment that is adaptable to the needs of children with ASD.
Keywords: Judo; Inclusion; Autism Spectrum Disorder; Motor development; Inclusive education.
1. INTRODUÇÃO
A crescente prevalência do Transtorno do Espectro Autista (TEA) vem sendo sinalizado, despertando á atenção de pesquisadores, educadores e profissionais da área da saúde, em favor á necessidade de práticas inclusivas capazes de promover o desenvolvimento integral dessa população. No Brasil, dados recentes indicam que aproximadamente 2,4 milhões de pessoas possuem diagnóstico de TEA, o que corresponde a cerca de 1,2% da população. Entre crianças de 5 a 9 anos, esse percentual é ainda mais significativo, alcançando cerca de 2,6% (IBGE, 2025). Seguindo a premissa deste estudo, observou-se a crescente presença desse público no contexto escolar e esportivo, tornando-se essencial o desenvolvimento de práticas pedagógicas que atendam ás especificidades dessas crianças.
No Brasil, importantes avanços legislativos têm fortalecido os direitos das pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA) e ampliado as garantias relacionadas à inclusão social, educacional e ao acesso a serviços essenciais. A Lei nº 12.764, de 27 de dezembro de 2012, instituiu a Política Nacional de Proteção dos Direitos da Pessoa com Transtorno do Espectro Autista, reconhecendo a pessoa com TEA como pessoa com deficiência para todos os efeitos legais e assegurando o direito à educação, à saúde, ao trabalho e à participação social.
Posteriormente, a Lei nº 13.146, de 6 de julho de 2015, conhecida como Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência (LBI), reforçou os princípios da igualdade de oportunidades, da acessibilidade e da participação plena e efetiva na sociedade. Nesse contexto, a inclusão ultrapassa a garantia do acesso aos diferentes espaços sociais, exigindo também condições que favoreçam a participação, o desenvolvimento e a autonomia das pessoas com deficiência.
O Autismo é uma palavra de origem grega autós (αὐτός), cujo significado é “por si só”, e, unido ao sufixo -ismo, da origem a substantivos que indicam estados ou inclinações.que. É um termo usado para denominar os comportamentos humanos voltados para o próprio indivíduo (Orrú, 2012). As causas que levam ao desenvolvimento do autismo ainda carecem de esclarecimento, mas é sabido que há influência de fatores genéticos, sociais e neurológicos que levam a diferentes graus de severidade. Ao longo dos tempos, o termo autismo passou por diversas alterações e atualmente é definido como Transtorno do Espectro Autista (TEA).
Segundo o Manual de Diagnóstica e Estatística dos Transtornos Mentais – (DSM-V 2014), os déficits motores e sensoriais entre indivíduos com TEA são bem comuns com destaque para a dificuldade de equilíbrio e marcha (Fournier et al. 2010). Transtorno do Espectro Autista, é uma condição do neurodesenvolvimento caracterizada por diferenças na comunicação, interação social e comportamento, além de alterações no processamento sensorial.
o Judô, com seu foco em movimentos repetitivos e técnicas de autocontrole, pode ser particularmente eficaz na melhoria das funções executivas, tais como planejamento, atenção e flexibilidade cognitiva, que são áreas frequentemente prejudicadas em crianças com TEA (Santos Melo et al. 2022). O Judô, além de ser uma arte marcial reconhecida globalmente, oferece uma série de benefícios que vão além do desenvolvimento físico, impactando positivamente as funções motoras, cognitivas e emocionais de crianças com TEA. (Bourguignon, 2024)
Nesta perspectiva, pode-se citar sintomas mais perceptivos, como desenvolvimento potencializados em áreas especificas, dificuldade em fazer contato visual, déficit de atenção, padrões repetitivos na fala, ausência de comunicação verbal, resistência a comandos, isolamento social, hiperfoco em atividades repetitivas, movimentos estereotipados como andar nas pontas do pés, dificuldades de adaptação, dificuldade em associar estímulos motores, imaginação fértil e desenvolvimento potencializados em áreas especificas . Eles precisam aprender as regras de convívio como qualquer outro aluno iniciante. Também precisam entender que existe o certo e o errado e o momento específico para cada atividade. E fica para os demais a mensagem que somos todos um pouquinho diferente um do outro, mas que isso não interfere em nada no nosso convívio. (TELES, 2018).
Dessa forma, iniciativas que promovam o desenvolvimento integral e ampliem as oportunidades de interação social, como a prática de atividades físicas e esportivas, tornam-se relevantes para a efetivação dos direitos assegurados por essas legislações. As práticas esportivas são consideradas atividades imprescindíveis ao desenvolvimento humano. São preceitos fundamentais à cidadania, à diversidade e à inclusão. (Bontempo; Chaves; Araujo, 2012).
Nesta perspetiva, ressalta-se a prática do Judô como ferramenta de tratamento e inclusão de pessoas com TEA, uma vez que, em sua estrutura estão presentes algumas especificidades — como a organização das aulas, os rituais de respeito, o contato corporal orientado e o desenvolvimento progressivo das habilidades — favorecem o desenvolvimento motor, social e emocional de crianças com TEA. No Brasil, estima-se que a modalidade conte com cerca de 2 a 2,5 milhões de praticantes, sendo uma das artes marciais mais difundidas no país (CBJ, 2025).
Fundado no ano de 1882 no Japão, o judô se tornou um esporte amplo e generalizado, onde revelou seu grande potencial inclusivo desde o princípio. Sua base intregra dois princípios centrais, fortificando a essência do judô, não só como esporte, mas como filosofia de vida. Criado por Jigoro Kano, na cidade de Tóquio, no Instituto Kodokan, que significa caminho suave (da suavidade), foi pensado com um propósito maior que lutar, mas formar caráter, disciplina e contribuir para a sociedade. Santos Melo et al. (2022) apontam que o Judô proporciona um ambiente seguro no qual as crianças podem explorar e controlar suas emoções especialmente a agressividade.
O judô apresenta importante contribuição para o desenvolvimento das habilidades motoras, favorecendo o fortalecimento da lateralidade por meio das práticas realizadas em aula e das experiências cotidianas. Nesse contexto, a base motora proporcionada pela modalidade torna-se essencial para o desenvolvimento da coordenação física e cognitiva. Enquanto esporte de combate, o judô ultrapassa a dimensão competitiva, apresentando-se como uma prática educativa capaz de favorecer diferentes aspectos do desenvolvimento infantil. Os benefícios específicos do Judô para crianças autistas, principalmente no que diz respeito à melhoria da coordenação motora, do controle postural e das funções emocionais. Couto et al. (2021), Esses benefícios são amplamente discutidos por autores como Oliveira (2024) e Morales Aznar et al. (2022), que destacam como a prática regular dessa arte marcial contribui para o desenvolvimento de habilidades essenciais para a autonomia e qualidade de vida das crianças com TEA.
Seus principios centrais são Seiryoku Zenyo e Jita Kyoei, nos quais o primeiro significa melhor uso da força física e mental de forma inteligente, deve-se aplicar o método ou a técnica mais eficaz para usar a mente e o corpo” (Kano, 2005, p. 43). O grupo oferece uma vantagem que você não teria sozinho e somente se todas as partes forem capazes de trabalhar juntas no grupo. Kano chamou esse conceito de “sojo sojou jita kyoei, que significa prosperidade mútua por meio de assistência e concessão mútuas” (Kano, 2005, p. 71) o abreviou para jita kyoei. Judô mostra-se uma intervenção promissora para o desenvolvimento integral de crianças com TEA, com potenciais ainda inexplorados. Com mais investigações e adaptações adequadas, ele pode se consolidar como uma ferramenta acessível e eficaz para o tratamento e inclusão dessas crianças, contribuindo significativamente para sua autonomia e qualidade de vida. (Bourguignon, 2024).
Diante disso, o presente estudo tem como objetivo analisar o judô como ferramenta de inclusão para crianças com TEA, destacando suas contribuições no desenvolvimento motor, social e comportamental, a partir de práticas pedagógicas adaptadas e da vivência no ambiente esportivo.
2. MÉTODOS
O presente estudo caracteriza-se como uma revisão integrativa da literatura, ou seja, constitui-se em um método que proporciona a síntese de conhecimento e a incorporação da aplicabilidade de resultados de estudos significativos na prática. A revisão integrativa é a mais ampla abordagem metodológica referente às revisões, permitindo a inclusão de estudos capítulos de livros e monografias de alta relevância acadêmica devido à especificidade temática, estudos experimentais e não-experimentais para uma compreensão completa do fenômeno analisado. Combina também dados da literatura teórica e empírica, além de incorporar um vasto leque de propósitos: definição de conceitos, revisão de teorias e evidências, e análise de problemas metodológicos de um tópico particular, (Dantas et al., 2021).
A formulação da pergunta de pesquisa pautou-se na estratégia PICo (População, Interesse e Contexto), um acrômio metodológico recomendado pelo Joanna Briggs Institute (JBI) para a estruturação de revisões e investigações de natureza qualitativa e pedagógica. Definiu-se como População (P) crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA); o Interesse (I) centrou-se nas contribuições do judô no desenvolvimento motor, social e comportamental a partir de práticas pedagógicas adaptadas; e o Contexto (Co) delimitou-se à vivência no ambiente esportivo inclusivo. Complementarmente, a relevância e a exequibilidade do problema científico foram validadas pelos critérios FINER (Feitosa, 2021), assegurando que a questão norteadora — "De que maneira as práticas pedagógicas adaptadas do judô no ambiente esportivo contribuem para a inclusão e o desenvolvimento motor, social e comportamental de crianças com TEA?" — preenchesse os requisitos de originalidade, ética e relevância clínica e educacional, mitigando o risco de vieses de escopo na condução da revisão de literatura subsequente.
A elaboração da presente revisão seguiu seis etapas: (1) elaboração da pergunta norteadora; (2) busca ou amostragem na literatura; (3) coleta de dados; (4) análise crítica dos estudos incluídos; (5) discussão dos resultados; e (6) apresentação da revisão integrativa, (Dantas et al., 2021).
Uma análise inicial foi feita com base nos títulos dos trabalhos. Quando o título e o resumo não eram esclarecedores, ou seja, quando se tinham dúvidas com relação ao conteúdo do artigo, buscava-se o artigo na íntegra para não correr o risco de deixar estudos importantes fora da revisão. Os títulos duplicados eram selecionados e o título repetido excluído da seleção. Após a seleção dos títulos, passou-se a leitura dos resumos para a seleção dos artigos. Assim, após a análise dos títulos e resumos, passou-se à leitura dos artigos na íntegra afim de possibilitar a seleção final dos artigos que serão utilizados para a pesquisa em foco.
Os estudos selecionados foram analisados utilizando-se da análise de conteúdo (Bardin, 2016), que, por sua vez, configura-se como uma técnica sistemática de tratamento e interpretação de dados qualitativos, abrangendo três etapas: pré-análise, composta pela leitura flutuante, ou seja, o pesquisador faz uma leitura geral do material, buscando impressões e orientações iniciais, escolha dos documentos que comporão o corpus de análise, seguindo regras de exaustividade, representatividade, homogeneidade e pertinência, Formulação/reformulação dos objetivos e formulação dos indicadores, ou seja, identificação dos elementos e indicadores que subsidiarão a exploração do material. A etapa da exploração de material, que consiste na codificação e categorização, e a terceira etapa versa sobre o tratamento dos resultados e interpretação recorrendo-se à inferência e interpretação, onde compreende-se a descrição e interpretação dos dados.
A busca dos estudos foi realizada nas bases de dados LILACS (Literatura Latino-Americana e do Caribe em Ciências da Saúde), PubMed/MEDLINE e Google Acadêmico. Foram utilizados descritores e combinações de termos como: “artes marciais”, “judô”, “inclusão social”, “Transtorno do Espectro Autista”, “educação inclusiva”, “desenvolvimento motor” em associação com os organizadores booleanos “AND”, “OR”, tanto no idioma português como também no inglês.
Quanto à elegibilidade dos estudos foram incluídos estudos empíricos quantitativos, qualitativos ou mistos; ensaios clínicos/quase-experimentos, estudos observacionais, revisões sistemáticas, estudos de intervenção pedagógica com avaliação de resultados, estudos cujos participantes situam-se na faixa etária escolar e transição para a vida adulta de 0–25 anos, estudos cujos textos encontram disponíveis integralmente, estudos publicados nos idiomas inglês e português, estudos publicados nos últimos 10 anos. Foram excluídos estudos que não apresentavam relação direta com o tema, publicações duplicadas, estudos sobre artes marciais em geral sem análise separada do judô, trabalhos incompletos e aqueles fora do recorte temporal estabelecido.
A seleção dos estudos foi realizada por meio da leitura dos títulos, resumos e, posteriormente, dos textos completos, garantindo maior rigor metodológico e relevância científica na composição da amostra final da revisão.
3. RESULTADOS
A busca pelas produções identificou 839 artigos potencialmente relevantes nas bases de periódicos investigadas. De acordo com os critérios de inclusão, após a leitura dos títulos de 600 artigos e a exclusão de 17 títulos de artigos duplicados, 222 artigos foram selecionados para a leitura dos resumos. Em seguida, após a avaliação dos resumos, 183 artigos foram lidos e 53 foram escolhidos para leitura na íntegra, dos quais somente 8 artigos foram selecionados.
Figura 1 – Fluxograma do processo de seleção dos estudos.
O quadro 1 apresenta de forma sintetizada os estudos selecionados, demonstrando que a prática do judô, como atividade física, apresenta potencial positivo em diferentes aspectos do desenvolvimento de crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA).
Quadro 1 – Síntese dos Artigos incluídos na Revisão Integrativa. PI, 2026
Nº | AUTOR/ANO | TÍTULO | PERIÓDICO | METODOLOGIA | OBEJETIVOS | RESULTADOS |
1 | Silva, Lopes, Rabay, Santos e Moura (2018) | Os Benefícios da Atividade Física para Pessoas com Autismo | Revista Diálogos em Saúde, v.1, n.1 | Pesquisa bibliográfica de abordagem qualitativa. Levantamento de artigos nas bases Scielo, Lilacs e Google Acadêmico, além de livros. | Demonstrar a importância e os benefícios das atividades físicas para pessoas com autismo, bem como as dificuldades enfrentadas pelos profissionais de Educação Física. | A revisão identificou benefícios físicos, motores, comportamentais e sociais decorrentes da prática de atividades físicas. Entre os resultados destacados estão melhorias na coordenação motora, equilíbrio, força muscular, atenção, interação social, redução de estereotipias e ampliação dos processos de inclusão social. O artigo também aponta que técnicas de Kata (judô) contribuíram para a redução de comportamentos estereotipados em indivíduos com TEA. |
2 | Loureiro, T. B.; Fiorini, M. L. S. 2025 | A Importância dos Conteúdos das Aulas de Educação Física para a Inclusão de Alunos com Transtorno do Espectro Autista | Revista da Associação Brasileira de Atividade Motora Adaptada (SOBAMA), v.26, n.2, p.185-198 | Pesquisa bibliográfica, com abordagem qualitativa e interpretativa. O levantamento foi realizado nas bases Google Acadêmico e SciELO, utilizando artigos científicos, livros, dissertações, teses, anais de eventos e documentos governamentais. | Identificar a importância dos conteúdos das aulas de Educação Física para promover a inclusão de alunos com TEA | Os resultados indicam que a Educação Física escolar, quando planejada e adaptada, contribui positivamente para o desenvolvimento motor, social e emocional de crianças com TEA. O estudo destaca que conteúdos como brincadeiras e jogos, esportes, ginásticas, danças e lutas favorecem a inclusão, a interação social, a expressão corporal, o controle emocional, a autonomia e o desenvolvimento integral dos estudantes. Também ressalta a importância das estratégias pedagógicas do professor para garantir acesso, participação e aprendizagem. |
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3 | Pierantozzi, E.; Morales, J.; Fukuda, D.H.; Garcia, V.; Gomez, A.M.; Guerra-Balic, M.; Carballeira, E. (2022) | Efeitos de um programa de judô adaptado a longo prazo na aptidão física relacionada à saúde de crianças com TEA | International Journal of Environmental Research and Public Health (IJERPH), v.19, artigo 16731 | Estudo experimental longitudinal com grupo experimental (n=21) e grupo controle (n=19). O grupo experimental participou de um programa de judô adaptado durante 6 meses, com sessões semanais de 90 minutos. Foram avaliados indicadores de aptidão física, saúde cardiometabólica e capacidade cardiorrespiratória | Avaliar os efeitos de um programa de judô adaptado de longa duração sobre a aptidão física relacionada à saúde de crianças com TEA. | O programa de judô adaptado promoveu melhora significativa da saúde cardiometabólica e da aptidão cardiorrespiratória das crianças com TEA. Houve redução da circunferência da cintura e melhora dos indicadores de risco cardiovascular em comparação ao grupo controle. Os autores concluíram que o judô adaptado pode ser uma intervenção complementar eficaz para melhorar a saúde física dessa população. |
4 | PEREIRA, W. T. S.,2021 | Transtorno do Espectro Autista e Possíveis Dificuldades Encontradas no Processo de Desenvolvimento da Coordenação: Avaliação e Intervenções | Livro Autismo: Reflexões e Perspectivas | Revisão bibliográfica sistemática. Foram pesquisados estudos entre 2001 e 2021 nas bases PubMed, SciELO, Google Acadêmico e LILACS, envolvendo TEA, coordenação motora, intervenções motoras e utilização do teste KTK. | Identificar estudos que utilizaram o teste KTK para avaliar a coordenação motora e verificar quais intervenções motoras têm sido utilizadas com indivíduos com TEA. | A revisão mostrou que crianças com TEA frequentemente apresentam déficits ou perturbações na coordenação motora. Os estudos analisados indicaram que intervenções motoras, jogos, brincadeiras e práticas esportivas podem melhorar o repertório motor, equilíbrio, lateralidade, força e coordenação. Os autores destacam ainda que a prática de atividade física favorece a inclusão, a socialização e o desenvolvimento motor dessas crianças. |
5 | Sefen, J. A. N.; Al-Salmi, S.; Shaikh, Z.; Al-Mulhem, J. T.; Rajab, E.; Fredericks, S. (2020) | Uso benéfico e potencial eficácia da atividade física no gerenciamento do Transtorno do Espectro Autista | Frontiers in Behavioral Neuroscience, v.14, artigo 587560). | Revisão rápida | Discutir os benefícios da atividade física para pessoas com TEA e sua potencial eficácia quando empregada como ferramenta para o manejo do transtorno. | O artigo relata que meta-análises e revisões sistemáticas encontraram efeitos positivos da atividade física nas habilidades sociais e no comportamento de crianças e adolescentes com TEA. Também apresenta evidências de melhora da função social, comunicação, cooperação, autocontrole, habilidades motoras e redução de comportamentos estereotipados. Além disso, cita que artes marciais foram apontadas como particularmente benéficas e que o treinamento de kata apresentou redução dos déficits de comunicação e dos comportamentos estereotipados. |
6 | BAYAS, J. A. G.;ANDOSILLA, A. A. C.; SÁNCHEZ, K. V. B.; NAVARRO, M. A. N.; PEÑA, F. R. P., 2023 | Eficácia das artes marciais no comportamento de pessoas com transtorno do espectro autista (TEA): uma revisão sistemática. | Mentor: Journal of Educational and Sports Research, v.2, n.6 | Revisão sistemática. A técnica utilizada foi coleta de dados e o instrumento utilizado foi um protocolo de revisão. Foram pesquisados artigos nas bases Scopus, PubMed e DOAJ, sendo selecionados 15 artigos científicos. | Analisar a eficácia das artes marciais para melhorar o comportamento de pessoas diagnosticadas com Transtorno do Espectro Autista (TEA). | A revisão concluiu que as artes marciais são eficazes para melhorar o comportamento de pessoas com TEA. As modalidades encontradas foram Judô, Jiu-Jitsu, Karatê (Kata), MMA, Tai Chi Chuan e Aikido. Os autores destacam que Judô e Karatê (Kata) apresentaram maior suporte científico. Também relatam melhorias em interação social, comunicação, autocontrole, coordenação e redução de comportamentos inadequados. |
7 | TORQUATO, E.; COUTO, C. R. 2021 | Efeitos da prática do judô na coordenação motora de crianças e adolescentes autistas | Revista da Associação Brasileira de Atividade Motora Adaptada (SOBAMA), v.22, n.1, p.3-14 | Estudo desenvolvimentista do tipo transversal, caracterizado como pesquisa de campo-participante, dentro de uma investigação qualitativa com abordagem exploratória. A amostra foi composta por 10 crianças e adolescentes autistas do sexo masculino, divididos em grupo praticante de judô (GJ) e grupo controle (GC). A coordenação motora foi avaliada por meio do teste KTK. | Investigar os efeitos da prática do judô na coordenação motora de crianças e adolescentes autistas. | Os resultados mostraram superioridade do grupo praticante de judô em relação ao grupo controle nos subtestes de equilíbrio dinâmico e salto monopedal. O grupo judô apresentou classificação de "perturbação na coordenação", enquanto o grupo controle apresentou "insuficiência na coordenação". Apesar de nenhum grupo apresentar níveis satisfatórios de coordenação, os praticantes de judô demonstraram desempenho superior, indicando efeitos benéficos da modalidade sobre a coordenação motora |
8 | Teles, P. S.; Crguz, C. L. P (2018). | A Prática Esportiva como Instrumento de Inclusão: Um Estudo de Caso sobre Aprendizagem e Desenvolvimento de Aluno com Transtorno do Espectro Autista (TEA) | GT 6 – Educação, Inclusão, Gênero e Diversidade (Anais de evento científico) | Estudo de caso, realizado dentro de uma abordagem histórico-cultural, de cunho qualitativo. Foram utilizadas pesquisa bibliográfica, observação da cerimônia de troca de faixa e questionário de perguntas abertas com o professor de judô. | Retratar como a prática do judô auxilia na inclusão, aprendizagem e no desenvolvimento de uma criança com TEA | As autoras concluíram que o judô favoreceu o desenvolvimento psicomotor e cognitivo da criança analisada, promoveu a construção de vínculos sociais, a socialização, a participação em diferentes contextos sociais e contribuiu para a inclusão. O estudo também destaca que a prática esportiva fortalece laços sociais e pode oportunizar a inclusão em diferentes esferas da vida social |
9 | Lockard, B. S.; Dallara, M.; O'Malley, C. (2023) | A Short Report on the Impact of Judo on Behaviors and Social Skills of Children With Autism Spectrum Disorde | Cureus, v.15, n.7, e41516 | Estudo piloto. Participaram 24 alunos do Riverside Youth Judo Club com diagnóstico de TEA e/ou deficiência do desenvolvimento. Os pais responderam a um questionário elaborado para o estudo e ao formulário SSIS-SEL (Social Skills Improvement System – Social Emotional Learning Edition). Foram analisadas medidas comportamentais e de habilidades sociais após participação no judô. | Avaliar se a prática do judô melhora o comportamento e as habilidades sociais em crianças com TEA. | No questionário, 62,5% dos pais concordaram que seus filhos apresentaram melhora em todas as seis categorias avaliadas. As maiores melhorias ocorreram em comportamento em casa, comportamento na escola, habilidades sociais e desempenho escolar. Os autores concluíram que o judô teve impacto positivo nos comportamentos e nas habilidades sociais das crianças participantes e que a prática a longo prazo pode contribuir para a melhoria da qualidade de vida |
Fonte: Próprio autor (2026).
4. DISCUSSÃO2.1 A ATIVIDADE FÍSICA COMO INSTRUMENTO DE INCLUSÃO PARA CRIANÇAS COM TEA
4.1. A Atividade Física Como Instrumento de Inclusão para Crianças com TEA
A inclusão de crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA) retrata o desafio que envolve não apenas o acesso aos diferentes meios sociais, mas também a oportunidade de participação efetiva nesses espaços. Nesse contexto, Silva et al. (2018), destaca bem a importância da atividade física para crianças com TEA, onde destaca benefícios físicos, motores, comportamentais e sociais decorrentes da prática de atividades físicas. Revelando como a atividade física tem se destacado como uma importante estratégia para favorecer o desenvolvimento global e ampliar as oportunidades de interação social, auxiliando nos processos de inclusão.
Os estudos analisados demonstram que a prática regular de atividades físicas pode promover benefícios em diferentes etapas no desenvolvimento de crianças com TEA. Analisados os resultados, Loureiro et al. (2025), enfatiza melhorias no desenvolvimento quando ocorre o planejamento adaptado das aulas, favorecendo positivamente o desenvolvimento motor, social e emocional de crianças com TEA.
Ao participar de atividades estruturadas, a criança é estimulada a compreender regras, respeitar limites, coopera com outras crianças, desenvolvendo de maneira mais efetiva a comunicação. Salienta-se que são aspectos que favorecem a inclusão, pois ampliam as participações em ambientes escolares, esportivos e sociais. Outro aspecto importante identificado nos estudos refere-se ao caráter motivador e lúdico das atividades físicas. Quando adequadamente planejadas e adaptadas ás necessidades individuais, elas favorecem o engajamento das crianças, proporcionando experiências positivas de aprendizagem e convivência.
Dessa forma, Sefen et al. (2020), relata que é evidente que existem benefícios a longo prazo para qualquer indivíduo que apresente bom desempenho acadêmico durante a infância. O treinamento de kata apresentou redução significativa dos déficits de comunicação e dos comportamentos estereotipados.
Assim, os resultados encontrados nos artigos citados sugerem a atividade física como ferramenta importante de inclusão para crianças com TEA, salientando que não favorece apenas aspectos físicos e motores, mas também nas competências comportamentais e sociais essenciais para sua participação na sociedade. Logo, a atividade física (AF) tem demonstrado melhorar no comportamento em sala de aula e aspectos do desempenho acadêmico em crianças neurotípicas (Álvarez-Bueno et al., 2017).
4.2. Efeitos Comportamentais da Prática do Judô em Crianças com TEA
Os aspectos comportamentais constituem uma das principais áreas de atenção no desenvolvimento de crianças com Transtorno do Espectro autista, tendo em vista as dificuldades relacionadas à comunicação, ao autocontrole, à adaptação social e à presença de comportamentos repetitivos podem interferir diretamente em sua participação nos diferentes contextos sociais.
Neste cenário, os estudos de Lockard et al. (2023) evidencia que após o questionário feito com pais atípicos, constatou-se que 62,5% dos pais concordaram que seus filhos apresentaram melhora em todas as seis categorias avaliadas. As maiores melhorias ocorreram nos comportamentos em casa, comportamentos na escola, habilidades sociais e desempenho escolar. Esses benefícios estão relacionados a característica da própria modalidade. O Judô é uma prática estruturada, baseada em regras, rotinas, disciplina e respeito mútuo, exigindo que os alunos desenvolva habilidades como escuta, observação, autocontrole e cumprimento de orientações. A repetição dos movimentos, a organização das atividades e a previsibilidade das aulas também podem representar fatores facilitadores para crianças com TEA, contribuindo para uma participação segura e efetiva nas práticas esportivas.
Sob a perspectiva da inclusão, Teles et al. (2018), destaca que a prática esportiva fortalece laços sociais e pode oportunizar a inclusão em diferentes esferas da vida social. Os avanços comportamentais observados nos estudos assumem papel relevante, logo podem favorecer a participação da criança em diferentes ambientes sociais. Melhorias relacionadas ao autocontrole, á atenção e á capacidade de interação contribuem para a convivência com colegas, professores e familiares, ampliando as oportunidades de participação em atividades escolares, esportivas e recreativas.
4.3. Efeitos Físicos e Motores da Prática do Judô em Crianças com TEA
O desenvolvimento físico e motor constitui uma perspectiva relevante no processo de crescimento e aprendizagem de crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA). Diversos estudos apontam que essa população pode apresentar dificuldades relacionadas á coordenação motora, equilíbrio, lateralidade e planejamento dos movimentos, fatores que podem interferir na realização de atividades do cotidiano e na participação em diferentes contextos sociais e educacionais. Nesse meandro, os estudos analisados indicam que a prática do judô pode contribuir significativamente para o desenvolvimento físico e motor de crianças com TEA.
Couto et al. (2021) observaram que crianças e adolescentes autistas praticantes de judô apresentaram desempenho superior em aspectos relacionados á coordenação motora quando comparados a indivíduos não praticantes da modalidade. De forma semelhante, Pierantozzi et al.(2022) verificaram que a participação em um programa de judô adaptado promoveu melhorias significativas da saúde cardiometabólica e da aptidão cardiorrespiratória das crianças com TEA.
Os resultados encontrados podem estar relacionados às características próprias do judô, que exige constante controle corporal, deslocamentos, mudanças de direção, manutenção de equilíbrio e execução coordenada dos movimentos. Além disso, a prática envolve atividades que estimulam simultaneamente aspectos motores, perceptivos e cognitivos, favorecendo o desenvolvimento global da criança.
Os benefícios físicos e motores observados ultrapassam o aprimoramento das capacidades corporais. A melhora as coordenação motora, do equilíbrio e da aptidão física pode favorecer a autonomia, a confiança e a participação da criança em atividades escolares, esportivas e recreativas. Dessa forma, o desenvolvimento motor proporcionado pela prática de judô pode apresentar um importante facilitador para a participação ativa da criança com TEA em diferentes ambientes sociais, contribuindo para seu processo de inclusão e qualidade e vida.
4.4. Efeitos Socioafetivos do Judô e Sua Contribuição para a Inclusão de Crianças com TEA
Os aspectos socioafetivos desempenham papel fundamental no desenvolvimento de crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA), especialmente devido às dificuldades freqüentemente observadas na comunicação, na interação social e na construção de vínculos interpessoais.
Nesse contexto, a literatura analisada evidencia que a prática do judô pode contribuir significativamente para o fortalecimento das habilidades sociais e para a ampliação das oportunidades de participação em ambientes coletivos. Os estudos selecionados apontam benefícios relacionados à socialização, à interação com colegas e professores, à cooperação e ao desenvolvimento de comportamentos favoráveis à convivência em grupo. Lockard et al. (2023) observaram melhorais nas habilidades sociais e comportamentais de crianças participantes de programas de judô, enquanto Teles e Cruz destacaram que a modalidade favoreceu a construção de vínculos sociais e ampliou as possibilidades de participação da criança em diferentes contextos sociais e ampliou as possibilidades de participação da criança em diferentes contextos sociais. De forma semelhante, Bayas et al. (2023) identificaram que as artes marciais podem contribuir para melhorias na comunicação, no autocontrole e na interação social de pessoas com TEA.
Esses resultados corroboram com as características educacionais e filosóficas do judô, que valorizam o respeito mútuo, a cooperação, a disciplina e a convivência com o outro. Durante as aulas, os praticantes são constantemente estimulados a compartilhar espaços, seguir regras coletivas, respeitar parceiros de treino e desenvolver atitudes de respeito e responsabilidade. Tais experiências favorecem a construção de relações interpessoais positivas e ampliam as oportunidades de interação social.
Os benefícios socioafetivos observados por Loureiro e Fiorini (2025) assumem que conteúdos como brincadeiras e jogos, esportes, ginásticas, danças e lutas favorecem a inclusão, a interação social, a expressão corporal, o controle emocional, a autonomia e o desenvolvimento integral das crianças com TEA, uma especial relevância, uma vez que a participação social constitui um dos principais desafios enfrentados por muitas crianças neurodivergentes.
Pereira (2021), enfatiza que intervenções motoras, jogos, brincadeiras e práticas esportivas podem melhorar o repertório motor, equilíbrio, lateralidade, força e coordenação, destacam ainda que a prática de atividade física favorece a inclusão, a socialização. Outrossim, os resultados encontrados sugerem que o judô ultrapassa os benefícios físicos e esportivos, configurando-se como uma importante ferramenta de inclusão social e desenvolvimento humano para crianças com TEA.
5. CONSIDERAÇÕES FINAIS
O presente estudo teve como objetivo analisar o judô como ferramenta de inclusão para crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA), buscando compreender os benefícios proporcionados pela modalidade em diferentes dimensões do desenvolvimento infantil. A partir da análise da literatura selecionada, foi possível identificar que o judô apresenta potencial para contribuir significamente para o desenvolvimento comportamental, físico, motor e socioafetivo dessa população.
Os estudos analisados evidenciaram que a prática do judo judô favorece melhorias relacionadas ao autocontrole, à disciplina, à atenção e á adaptação comportamental. Além disso, foram observadas benefícios físicos e motores, especialmente no que se refere à coordenação motora, ao equilibrio, à aptidão física e á autonomia.
No âmbito socioafetivo, destacram-se avanços na interação social, na construção de vínculos, no sentimento de pertencimento e na participação em atividades coletivas. Outro aspecto relevante identificado na literatura refere-se às características próprias da modalidade, como a organização das aulas, a previsibilidade das atividades, o respeito às regras, a disciplina e a valorização da cooperação. Esses elementos fortificam a criação de um ambiente favorável ao desenvolvimento de crianças com TEA, proporcionando oportunidades para que elas explorem suas potencialidades, desenvolvam autonomia e fortaleçam suas relações interpessoais.
Dessa forma, os resultados encontrados permitem concluir que o judô ultrapassa os benefícios tradicionalmente associados á prática esportiva, configurando-se como uma importante ferramenta de inclusão para crianças com TEA. As características pedagógicas, filosóficas e organizacionais da modalidade favorecem não apenas o desenvolvimento global da criança, mas também sua participação mais ativa em diferentes contextos sociais, educacionais e esportivos.
Embora os resultados encontrados sejam promissores, observou-se uma quantidade ainda limitada de estudos específicos sobre a prática do judô em crianças com TEA, especialmente pesquisas de longo prazo e com amostras mais representativas. Dessa forma, torna-se importante o desenvolvimento de novas investigações que ampliem a compreensão sobre os impactos da modalidade e contribuam para o fortalecimento de práticas inclusivas fundamentadas em evidências científicas.
Por fim, conclui-se que o judô apresenta potencial para atuar como ferramenta de inclusão de crianças com Transtorno do Espectro Autista, promovendo benefícios que ultrapassam o desenvolvimento físico e esportivo. Ao favorecer a participação, a interação social, a autonomia e o desenvolvimento integral, a modalidade reafirma seu valor como instrumento educacional, social e humano, capaz de contribuir para uma sociedade mais inclusiva e acessível às diferenças.
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1 Mestre em Educação (UFPI). Especialista em Educação Física Escolar (UFPI). Docente do Centro Universitário Santo Agostinho/UNIFSA. E-mail: [clique para visualizar o e-mail]acesse o artigo original para visualizar o e-mail. ORCID: https://orcid.org/0000-0003-3313-9845
2 Acadêmica do 8º período de Bacharelado em Educação Física – Centro Universitário Santo Agostinho (UNIFSA). E-mail: [clique para visualizar o e-mail]acesse o artigo original para visualizar o e-mail. ORCID: https://orcid.org/0009-0001-7740-6098