INTERVENÇÃO FONOAUDIOLÓGICA PRECOCE E COMUNICAÇÃO PRAGMÁTICA NO TEA: REVISÃO NARRATIVA EM PARANHOS (MS)

EARLY SPEECH-LANGUAGE INTERVENTION AND PRAGMATIC COMMUNICATION IN ASD: A NARRATIVE REVIEW IN PARANHOS, BRAZIL

REGISTRO DOI: 10.70773/revistatopicos/793588154

RESUMO
O artigo analisa a intervenção fonoaudiológica precoce voltada à comunicação pragmática e à participação escolar de crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA), considerando Paranhos (MS). Trata-se de revisão narrativa de estudos científicos e fontes educacionais. A literatura sugere que intervenções individualizadas com brincadeiras, participação familiar e interação entre pares podem apoiar a comunicação funcional, mas diferenças metodológicas limitam comparações. Paranhos registrou 12.921 habitantes no Censo 2022. Indicadores municipais do Censo Escolar não foram apresentados, pois seus totais não foram confirmados diretamente em fonte oficial do INEP nesta revisão. Matrículas nacionais categorizadas como TEA não indicam prevalência populacional nem estimam o número de crianças autistas no município. Destaca-se a colaboração entre Fonoaudiologia, família e escola.
Palavras-chave: Transtorno do Espectro Autista; Fonoaudiologia; Comunicação pragmática; Linguagem infantil; Inclusão escolar.

ABSTRACT
This article examines early speech-language intervention for pragmatic communication and school participation among children with Autism Spectrum Disorder (ASD), considering Paranhos, Mato Grosso do Sul, Brazil. This narrative review examines selected scientific studies and educational sources. The literature suggests that individualized interventions using play, family participation, and peer interaction may support functional communication, although methodological differences limit comparison. Paranhos had 12,921 residents in the 2022 Census. Municipal School Census indicators were not presented because the totals could not be confirmed directly in an official INEP source for this review. National enrollments classified as ASD do not indicate population prevalence or estimate the number of autistic children locally. Collaboration among speech-language pathologists, families, and schools is emphasized.
Keywords: Autism Spectrum Disorder; Speech-Language Pathology; Pragmatic Communication; Child Language; School Inclusion.

1. INTRODUÇÃO

A comunicação é uma atividade social que envolve mais do que produzir palavras. Ela inclui iniciar e manter interações, compartilhar interesses, responder ao parceiro comunicativo, alternar turnos, adaptar mensagens ao contexto e utilizar recursos verbais e não verbais para expressar necessidades, escolhas e experiências. No Transtorno do Espectro Autista (TEA), o perfil comunicativo é heterogêneo: algumas crianças utilizam fala fluente, mas encontram desafios no uso social da linguagem; outras apresentam fala emergente, utilizam poucas palavras ou dependem de recursos alternativos e aumentativos de comunicação. Portanto, a avaliação não deve pressupor um único padrão comunicativo nem tomar a fala oral como o único desfecho válido. (Botura et al., 2021)

A pragmática corresponde ao uso da linguagem em situações sociais e está relacionada às condições de participação em brincadeiras, atividades escolares e conversas cotidianas. Uma revisão sistemática com foco em crianças falantes do português brasileiro encontrou resultados heterogêneos: entre nove estudos selecionados, dois não identificaram alterações pragmáticas e os demais apresentaram achados variados, o que limitou conclusões definitivas e evidenciou a necessidade de medidas comparáveis entre estudos. (Pereira et al., 2020)

A intervenção fonoaudiológica precoce pode apoiar o desenvolvimento da comunicação funcional quando os objetivos são construídos a partir do perfil da criança e trabalhados em contextos significativos. No entanto, a idade de início da intervenção, isoladamente, não garante resultados uniformes. É necessário considerar a intensidade e a qualidade das oportunidades de aprendizagem, o envolvimento dos cuidadores, as características do ambiente e a adequação dos objetivos ao cotidiano. Estudos de intervenção lúdica e mediada por pares demonstram resultados promissores, embora não eliminem a necessidade de avaliação crítica do desenho de cada pesquisa (Ferreira et al., 2025; Parsons et al., 2019).

No Brasil, revisões recentes ampliaram o panorama sobre os modelos de intervenção e as estratégias fonoaudiológicas. Uma revisão integrativa sobre modelos de promoção da linguagem reuniu 21 estudos após busca inicial em diferentes bases; outra revisão de escopo sobre práticas fonoaudiológicas em serviços brasileiros incluiu 49 estudos e identificou predominância de ações terapêuticas e avaliativas, com menor volume de pesquisas sobre promoção da saúde e inclusão social (Bastos; Abreu; Britto, 2025; Barros et al., 2025). A existência dessas revisões significa que um novo manuscrito precisa declarar com clareza sua contribuição: neste trabalho, o foco é discutir a ligação entre objetivos pragmáticos, participação escolar e organização de ações intersetoriais em municípios de pequeno porte, utilizando Paranhos apenas como contexto para reflexão e planejamento.

Paranhos, no sul de Mato Grosso do Sul, registrou 12.921 habitantes no Censo Demográfico de 2022, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE, [s. d.]). Embora existam indicadores municipais do Censo Escolar divulgados por plataformas de compilação, os totais locais não foram incluídos nesta revisão porque não foram confirmados diretamente em tabela ou arquivo oficial do INEP. Essa opção evita apresentar como verificados números cuja extração e critérios de contabilização não foram reproduzidos.

Em âmbito nacional, o Censo Escolar registrou 294.394 matrículas na categoria TEA em 2021 e 1.298.637 em 2025. A elevação do número de matrículas é relevante para o planejamento de serviços educacionais, mas não deve ser interpretada diretamente como aumento equivalente da prevalência populacional: matrículas são registros administrativos de estudantes no sistema escolar, sujeitos a mudanças na identificação, na declaração e no acesso à escola. A estatística nacional também não substitui uma extração municipal validada dos microdados. (INEP, 2026).

Diante desse contexto, este artigo examina contribuições da intervenção fonoaudiológica para a comunicação pragmática e a participação escolar de crianças com TEA, discutindo a transferência de estratégias para ambientes naturais e os limites da evidência disponível. A discussão de Paranhos é contextual e não equivale a um estudo epidemiológico municipal.

2. OBJETIVO

Discutir, a partir de literatura científica selecionada, as contribuições e os limites da intervenção fonoaudiológica precoce voltada à comunicação pragmática e à participação social de crianças com TEA, com atenção à articulação entre clínica, família e escola e à aplicação prudente de indicadores demográficos e educacionais de Paranhos (MS).

3. MÉTODO

Trata-se de uma revisão narrativa focal, acompanhada de contextualização por indicadores públicos secundários. Foi realizado levantamento exploratório em páginas de periódicos científicos, SciELO, PubMed e repositórios acadêmicos, utilizando combinações em português e inglês dos termos “Transtorno do Espectro Autista”, “autismo”, “intervenção fonoaudiológica precoce”, “linguagem pragmática”, “comunicação social”, “participação escolar”, “autism spectrum disorder”, “early speech-language intervention” e “pragmatic language”. Foram priorizados estudos diretamente relacionados a intervenções comunicativas em crianças autistas, revisões brasileiras recentes e uma pesquisa experimental sobre intervenção pragmática mediada por brincadeiras e pares.

A busca e a conferência das fontes públicas foram realizadas entre 10 de agosto e 20 de setembro de 2026. A seleção não seguiu protocolo de revisão sistemática, não teve como objetivo estimar efeito combinado e não utiliza contagem de registros identificados como resultado. Os achados dos estudos foram sintetizados de forma temática, considerando objetivo, desenho, amostra quando informada, intervenção e limites interpretativos.

As fontes administrativas foram consultadas separadamente: página do IBGE para Paranhos e dados divulgados pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (INEP). Os indicadores municipais do Censo Escolar de 2025 encontrados em fonte independente não foram reproduzidos no artigo, pois não foi possível confirmar diretamente seus totais em fonte oficial do INEP (IBGE, [s. d.]; INEP, 2026).

Os dados demográficos e educacionais foram tratados como informações de contexto e não como dados primários de crianças. Não houve consulta a prontuários, recrutamento de participantes ou coleta de informações individuais. Não foram estimados nem apresentados totais municipais de matrículas de estudantes com TEA. A eventual inclusão de indicadores municipais requer extração e validação dos microdados oficiais do INEP por código do município, ano, etapa e variável de deficiência/TEA, com documentação dos critérios utilizados.

4. RESULTADOS E DISCUSSÃO

4.1. Comunicação Pragmática: Objetivos Funcionais e Perfil Individual

A literatura selecionada converge para a importância de avaliar a comunicação no contexto em que ela acontece. Iniciar uma interação, responder ao outro, compartilhar atenção, fazer escolhas, pedir ajuda, recusar, comentar e participar de uma atividade são exemplos de comportamentos comunicativos relevantes, mas sua importância depende das prioridades da criança e de sua família. O desempenho pode variar entre casa, clínica e escola, razão pela qual uma sessão estruturada não deve ser considerada, isoladamente, prova de que a habilidade ocorre espontaneamente em outros ambientes. (Bastos; Abreu; Britto, 2025)

A heterogeneidade identificada na revisão brasileira sobre pragmática (Botura et al., 2021) alerta contra generalizações sobre todas as crianças com TEA. O planejamento terapêutico deve integrar entrevista com cuidadores, observação em interação, avaliação de linguagem receptiva e expressiva quando pertinente e análise dos recursos não verbais ou de comunicação alternativa e aumentativa utilizados pela criança. A meta clínica deve priorizar acesso à comunicação e participação, e não conformidade a padrões sociais arbitrários.

4.2. Evidências de Intervenção Precoce e Mediada por Brincadeiras

Ferreira e colaboradores avaliaram intervenção fonoaudiológica baseada em princípios do DIR/Floortime em crianças pequenas com TEA. Vinte crianças concluíram o estudo, que incluiu 24 sessões de intervenção e avaliações antes e depois. Os autores relataram aumento médio de 0,8 atos comunicativos e de 6,66 pontos percentuais na ocupação do espaço comunicativo, com significância estatística (Ferreira et al., 2025).

Esses resultados sinalizam potencial benefício para medidas comunicativas específicas, mas precisam ser lidos conforme o desenho longitudinal, o tamanho amostral e as condições particulares da intervenção. Não é adequado concluir, a partir desse estudo isolado, que o mesmo efeito será observado em todas as crianças ou serviços.

Um ensaio randomizado realizado na Austrália investigou intervenção pragmática baseada em brincadeiras e mediada por pares em crianças com autismo. O protocolo incluiu dez sessões semanais, participação de pares e prática mediada por familiares em casa. A análise de 62 participantes mostrou ganhos no desempenho pragmático para o grupo que iniciou a intervenção primeiro, com efeito moderado e manutenção de ganhos em seguimento de três meses. A investigação fornece evidência útil para o valor de combinar brincadeira, pares e prática fora da clínica, embora sua implementação em municípios brasileiros dependa de adaptação cultural, recursos humanos, formação e avaliação de viabilidade. (Parsons et al., 2019).

Em conjunto, esses trabalhos apoiam intervenções individualizadas, com objetivos mensuráveis e oportunidades de prática em situações funcionais. Não indicam, porém, que exista um único modelo superior para todos os perfis de TEA. A escolha terapêutica deve levar em consideração evidências disponíveis, preferências da família, perfil comunicativo, condições sensoriais e cognitivas, recursos locais e resposta observada ao longo do acompanhamento. (Ferreira et al., 2025).

4.3. Evidência Brasileira e Lacuna Entre Terapia e Inclusão Social

A revisão integrativa de Bastos, Abreu e Britto reuniu 21 estudos de intervenção para promoção da linguagem publicados no período investigado, após busca inicial de 5.012 registros nas bases consultadas (Bastos; Abreu; Britto, 2025). Os autores identificaram diferentes modelos e metodologias, o que aponta para um campo de pesquisa heterogêneo. A revisão de escopo de Barros e colaboradores reuniu 49 estudos sobre práticas fonoaudiológicas com crianças autistas em serviços brasileiros e observou predominância de abordagens avaliativas e terapêuticas em contextos como clínicas-escola, além de número reduzido de investigações voltadas à promoção da saúde e à inclusão social (Barros et al., 2025).

Uma meta-análise de 17 estudos sobre treinamento de habilidades sociais em crianças e adolescentes com TEA encontrou efeitos pequenos a moderados em diferentes resultados sociais, incluindo comunicação social, reciprocidade e atenção compartilhada. Esse achado é convergente com a relevância de oportunidades de interação, mas treinamento de habilidades sociais não é sinônimo de terapia fonoaudiológica e não permite atribuir todos os ganhos à intervenção de linguagem. A interpretação mais prudente é que a participação social pode exigir componentes complementares, selecionados de acordo com as metas e o perfil de cada criança. (Alahmari et al., 2025)

Essas revisões indicam que a questão científica não se limita a verificar se uma intervenção pode produzir mudança em medidas de linguagem. Também é necessário compreender se as habilidades desenvolvidas favorecem a participação em sala de aula, brincadeiras, relações com colegas e autonomia comunicativa. Para isso, estudos futuros devem descrever com precisão o contexto, a dose terapêutica, a participação da família e dos profissionais da escola, os instrumentos utilizados e a manutenção das habilidades fora do ambiente clínico. (Botura et al., 2021; Bastos; Abreu; Britto, 2025).

4.4. Contextualização de Paranhos (MS): O Que os Dados Permitem Afirmar

O IBGE informa que Paranhos tinha 12.921 habitantes no Censo Demográfico de 2022 (IBGE, [s. d.]). Os totais municipais do Censo Escolar de 2025 não são apresentados nesta análise, pois não foram confirmados diretamente em tabela ou arquivo oficial do INEP. Essa delimitação impede que valores obtidos em plataforma independente sejam tratados como estatísticas municipais validadas.

Como contexto nacional, as matrículas escolares na categoria TEA passaram de 294.394 em 2021 para 1.298.637 em 2025, uma elevação aproximada de 341% na série divulgada pelo INEP (INEP, 2026). O crescimento desses registros sugere maior importância do planejamento para inclusão e apoio comunicativo nos ambientes educacionais. Contudo, ele não permite calcular a prevalência de TEA em Paranhos, nem inferir que determinada proporção dos estudantes locais tenham diagnóstico. Para responder a essa pergunta seria necessário analisar a variável específica de TEA nos microdados municipais, considerando rede, etapa, ano e regras de contabilização; mesmo então, a contagem seria de matrículas declaradas, não de todas as crianças residentes com TEA.

Tabela 1. Indicadores públicos utilizados apenas para contextualização

Indicador

Valor e ano

Fonte / interpretação

População residente de Paranhos

12.921 (Censo 2022)

IBGE; dado demográfico municipal, não específico de crianças com TEA.

Matrículas categorizadas como TEA no Brasil

294.394 (2021); 1.298.637 (2025)

INEP; aumento aproximado de 341% nos registros de matrícula, não medida direta de prevalência.

Fonte: Elaborado pela autora com base em IBGE ([s. d.]) e INEP (2026).
Nota: As matrículas categorizadas como TEA no Brasil são registros administrativos escolares e não constituem medida direta de prevalência. O dado populacional de Paranhos não permite estimar o número de crianças autistas residentes no município.

4.5. Implicações para o Trabalho Fonoaudiólogo em Municípios de Pequeno Porte

Para municípios de menor população, a organização do cuidado pode se beneficiar de fluxos simples e documentados entre atenção primária, serviços especializados, família e escola. A partir das evidências revisadas, sugerem-se quatro eixos de planejamento: (a) metas de comunicação individualizadas e funcionais; (b) participação de cuidadores na prática cotidiana, respeitando disponibilidade e contexto familiar; (c) articulação com professores para ampliar oportunidades de comunicação na sala de aula e em brincadeiras; e (d) monitoramento de resultados em mais de um ambiente, distinguindo aquisição da habilidade e generalização para o cotidiano. Essas recomendações são propostas de aplicação da literatura, não descrição de serviços atualmente disponíveis em Paranhos. (Barros et al.,2025)

Na escola, a atuação colaborativa não substitui avaliação ou terapia fonoaudiológica, assim como o professor não deve ser responsabilizado por diagnosticar TEA. O professor pode contribuir com observações sobre comunicação, participação, compreensão de instruções, interação com pares e barreiras ambientais, registrando exemplos concretos para discussão com a família e a equipe de saúde. O fonoaudiólogo pode traduzir as metas clínicas em estratégias acessíveis, orientar parceiros comunicativos e acompanhar se os recursos escolhidos favorecem a participação real. (Ferreira et al., 2025)

A comunicação alternativa e aumentativa deve ser considerada quando pertinente ao perfil e às necessidades da criança, sem ser tratada como obstáculo à fala. A avaliação de resultados precisa contemplar se a criança consegue expressar escolhas, recusar, pedir ajuda, comentar e participar, independentemente de utilizar fala, gestos, figuras, dispositivos ou uma combinação desses meios. A prioridade é ampliar a autonomia e a efetividade comunicativa, não impor um meio exclusivo de expressão. (Parsons et al., 2019).

4.6. Memória Operacional Fonológica: Dimensão Complementar, Não Substituto da Avaliação Comunicativa

A memória operacional fonológica pode ser relevante para manter temporariamente sequências sonoras e apoiar tarefas verbais, como repetir não palavras ou acompanhar determinadas instruções. Entretanto, a literatura focalizada neste manuscrito não permite afirmar que uma intervenção pragmática precoce produza, de forma direta e previsível, melhora nesse domínio cognitivo. Comunicação social e memória operacional fonológica são constructos relacionados apenas em parte e devem ser avaliados com procedimentos adequados a cada pergunta clínica ou de pesquisa. (Alahmari et al., 2025)

Assim, a memória operacional fonológica pode ser incluída em pesquisas futuras como desfecho secundário, com hipótese, instrumento e plano analítico definidos previamente. Em estudos de intervenção, seria importante medir separadamente a comunicação funcional, a pragmática, a participação escolar e o desempenho em tarefas de memória, evitando concluir transferência entre domínios quando ela não tiver sido diretamente testada. (Barros et al.,2025).

4.7. Limitações da Evidência e da Contextualização Municipal

Esta revisão tem caráter narrativo e focal; não equivale a uma revisão sistemática, não pretende esgotar a literatura e não estima efeito combinado. Os estudos diferem em faixa etária, intensidade, modelo terapêutico, instrumentos e contexto, o que limita comparações diretas. Além disso, parte da evidência internacional foi produzida em sistemas educacionais e de saúde diferentes do brasileiro.

A contextualização municipal limita-se ao dado populacional oficial do IBGE. Os indicadores locais do Censo Escolar de 2025 não foram incluídos porque seus totais não puderam ser confirmados diretamente em fonte oficial do INEP no âmbito desta revisão. Não foram coletados dados primários de Paranhos; portanto, não se apresentam resultados municipais sobre prevalência, acesso à terapia, fila de espera ou evolução de crianças com TEA.

5. CONSIDERAÇÕES FINAIS

A literatura discutida sugere que a intervenção fonoaudiológica precoce pode apoiar aspectos da comunicação pragmática de crianças com TEA, sobretudo quando o trabalho é individualizado e inclui oportunidades funcionais de interação, brincadeira, participação familiar e prática em ambientes naturais. Os resultados devem ser interpretados de acordo com a metodologia de cada estudo, pois a heterogeneidade dos perfis comunicativos e dos protocolos não sustenta a ideia de uma abordagem única ou de efeitos garantidos para todas as crianças.

A aplicação dessas evidências ao contexto escolar requer cooperação entre fonoaudiólogos, família e educação, com objetivos centrados na comunicação efetiva e na participação. O dado populacional oficial de Paranhos contextualiza o município, mas não permite calcular o número local de crianças com TEA. A principal limitação da contextualização municipal é a ausência, neste artigo, de indicadores educacionais locais validados diretamente em fonte oficial, além da necessidade de investigações éticas e metodologicamente adequadas sobre acesso aos serviços, necessidades comunicativas e articulação escola-saúde.

Recomenda-se que futuras pesquisas em municípios de pequeno porte descrevam fluxos de encaminhamento, barreiras de acesso, uso de comunicação alternativa e aumentativa, participação escolar e resultados funcionais acompanhados longitudinalmente. Para investigar memória operacional fonológica, esse domínio deve ser tratado como variável independente de interesse, com medidas específicas e sem pressupor melhora como consequência automática da intervenção pragmática.

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1 Estudante do 6º semestre de Fonoaudiologia do Centro Universitário UniFatecie. Endereço postal: Paranhos, MS, Brasil – Rua Marechal Dutra n.77 CEP: 799250-63. E-mail: [clique para visualizar o e-mail]acesse o artigo original para visualizar o e-mail