INFLUÊNCIA MICROBIOLÓGICA NA DEGRADAÇÃO DAS PRÓTESES TOTAIS REMOVÍVEIS

MICROBIOLOGICAL INFLUENCE ON THE DEGRADATION OF REMOVABLE COMPLETE DENTURES

REGISTRO DOI: 10.70773/revistatopicos/782325891

RESUMO
O presente artigo analisa a influência microbiológica na degradação de Próteses Totais Removíveis em parâmetros funcionais, estéticos e morfológicos. A longevidade, o sucesso, e o fracasso devem ser estudados, assim como pode se minimizar e diminuir as possibilidades destes aparelhos se degradarem rapidamente. A resistência flexural e a rugosidade estão relacionadas, entre si, e devem ser estudados, isoladamente e em conjunto, para que se tenha a noção de como isto repercute durante a sua funcionalidade. Embora este material apresente as melhores características, como rugosidade, energia livre de superfície, molhabilidade e hidrofobicidade, esses fenômenos são importantes na influência do acúmulo de biofilme e no manchamento da superfície da resina. Os parâmetros de medida de rugosidade, estão relacionados, diretamente, ao aumento da colonização bacteriana sobre sua superfície e ainda atua no desempenho clínico e na sua longevidade, juntamente com outras propriedades mecânicas como: a dureza e a resistência. No entanto, ainda não existe uma afirmativa conclusiva sobre qual resina acrílica apresenta desempenho superior quanto à rugosidade. Conclui-que os micro-organismos desempenham papel fundamental na degradação das próteses totais, atuando tanto na superfície quanto na estrutura dos materiais protéticos. A formação de biofilme, especialmente por fungos e bactérias, favorece alterações físicas, químicas e mecânicas das resinas acrílicas, como aumento da rugosidade superficial, alteração de cor, redução da resistência mecânica e maior propensão à porosidade. As superfícies lisas superficiais de bases de próteses totais convencionais ou digitais apresentam menor incidência de colonização microbiana, consequentemente há uma menor degradação do aparelho.
Palavras-chave: resina acrílica; prótese dentária; longevidade.

ABSTRACT
The present article analyzes the microbiological influence on the degradation of removable complete dentures in functional, aesthetic, and morphological parameters. Longevity, success, and failure must be studied, as well as ways to minimize and reduce the possibility of these devices degrading rapidly. Flexural strength and roughness are related and should be studied, both individually and together, to understand how this impacts functionality. Although this material presents the best characteristics, such as roughness, surface free energy, wettability, and hydrophobicity, these phenomena are important in influencing biofilm accumulation and resin surface staining. Roughness measurement parameters are directly related to increased bacterial colonization on the surface and affect clinical performance and longevity, along with other mechanical properties such as hardness and resistance. However, there is still no conclusive statement about which acrylic resin offers superior performance in terms of roughness. It is concluded that are microorganisms play a fundamental role in the degradation of complete dentures, acting on both the surface and the structure of prosthetic materials. Biofilm formation, especially by fungi and bacteria, favors physical, chemical, and mechanical alterations of acrylic resins, such as increased surface roughness, color changes, reduced mechanical resistance, and a greater propensity for porosity. Smooth surface surfaces of conventional or digital complete denture bases show a lower incidence of microbial colonization, consequently resulting in less degradation of the appliance.
Keywords: acrylic resin; dental prosthesis; longevity.

RESUMEN
Este artículo analiza la influencia microbiológica en la degradación de las prótesis completas removibles en parámetros funcionales, estéticos y morfológicos. Se estudian la longevidad, el éxito y el fracaso, así como la forma de minimizar y reducir la posibilidad de que estos dispositivos se degraden rápidamente. La resistencia a la flexión y la rugosidad están relacionadas entre sí y deben estudiarse, tanto individualmente como en conjunto, para comprender cómo esto afecta su funcionalidad. Si bien este material presenta las mejores características, como rugosidad, energía libre superficial, humectabilidad e hidrofobicidad, estos fenómenos son importantes para la acumulación de biopelículas y la tinción de la superficie de la resina. Los parámetros de medición de la rugosidad están directamente relacionados con el aumento de la colonización bacteriana en su superficie y también afectan el rendimiento clínico y la longevidad, junto con otras propiedades mecánicas como la dureza y la resistencia. Sin embargo, aún no existe una conclusión definitiva sobre qué resina acrílica ofrece un rendimiento superior en términos de rugosidad. Se concluye que los microorganismos desempeñan un papel fundamental en la degradación de las prótesis completas, actuando tanto en la superficie como en la estructura de los materiales protésicos. La formación de biopelículas, especialmente por hongos y bacterias, favorece las alteraciones físicas, químicas y mecánicas de las resinas acrílicas, como el aumento de la rugosidad superficial, el cambio de color, la reducción de la resistencia mecánica y una mayor propensión a la porosidad. Las superficies lisas de las bases de prótesis completas convencionales o digitales presentan una menor incidencia de colonización microbiana, lo que se traduce en una menor degradación de la prótesis.
Palabras-clave: resina acrílica; prótesis dental; longevidad.

INTRODUÇÃO

A cavidade oral humana constitui um dos ecossistemas microbiológicos mais complexos do organismo, abrigando centenas de espécies microbianas que coexistem em equilíbrio dinâmico com o hospedeiro (Alencar et al., 2021; Araújo et al., 2021; Fouda et al., 2023).

Esse equilíbrio é influenciado por fatores locais e sistêmicos, como presença dentária, fluxo salivar, hábitos de higiene, dieta, idade, uso de medicamentos e condições sistêmicas associadas. (Alencar et al., 2021; Araújo et al., 2021).

Em pacientes edêntulos totais, a ausência completa dos dentes promove profundas alterações anatômicas, funcionais e microbiológicas, impactando diretamente a composição e o comportamento da microbiota oral (Carvalho et al., 2023; Jung et al., 2024; Sartori et al., 2024).

A perda dentária resulta na eliminação de superfícies duras altamente especializadas para a adesão e organização do biofilme dental. Como consequência, ocorre uma redução significativa de microrganismos tradicionalmente associados às estruturas dentárias, como bactérias periodontopatogênicas e cariogênicas (Alencar et al., 2021; Araújo et al., 2021; Fouda et al., 2023). 

Entretanto, essa redução não implica diminuição da carga microbiana total, mas sim uma reorganização dos nichos ecológicos, com predominância de microrganismos adaptados às superfícies mucosas e às próteses totais removíveis (Carvalho et al., 2023; Jung et al., 2024; Sartori et al., 2024).

O polimetilmetacrilato (PMMA) é um polímero transparente e rígido, frequentemente utilizado em várias aplicações, incluindo as próteses totais removíveis (Peroz et al., 2021; Gad et al., 2022a; Gad et al., 2022b).

Ele é produzido a partir da polimerização do monômero metacrilato de metila e possui algumas propriedades tais como: alta resistência mecânica, baixa densidade, boa aderência a diferentes substratos, resistência ao calor e à umidade e ainda dureza, desgaste, resistência à compressão e à tração, resistência à flexão, estabilidade dimensional, solubilidade, reações de descoloração, degradação e rugosidade (Sartori et al., 2024).

Todas estas propriedades estão relacionadas ao grau de polimerização dos seus componentes, uma vez que a sua própria constituição estrutural depende, basicamente, da sua forma molecular adquirida e do processo realizado (Carvalho et al., 2023).

Novos materiais, como o poliestireno e o dimetacrilato de uretano ativado por luz tenham sido introduzidos, o PMMA permaneceu como o material de preferência para próteses removíveis, totais e parciais, proporcionando o tratamento de rebordos edêntulos, através do aumento da qualidade de vida, por meio da restauração de seu sorriso e de seu poder da força para mastigação (Gad et al., 2022a).

Isto ocorre devido a este material apresentar algumas características tais como: facilidade de processamento, baixo custo, leveza, excelentes propriedades estéticas, baixa absorção de água, solubilidade e possibilidade de ser reparado com facilidade (Shim et al., 2020).

Além disso, o uso e a forma de como manusear o próprio aparelho estão, diretamente, relacionados a estas propriedades químicas e físicas mencionadas (Guedes et al., 2021; Carvalho et al., 2023; Jung et al., 2024).

A longevidade, o sucesso, e o fracasso devem ser estudados, assim como pode se minimizar e diminuir as possibilidades destes aparelhos se degradarem rapidamente (Alencar et al., 2021; Araújo et al., 2021; Fouda et al., 2023).

A resistência flexural e a rugosidade estão relacionadas, entre si, e devem ser estudados, isoladamente e em conjunto, para que se tenha a noção de como isto repercute durante a sua funcionalidade (Sartori et al., 2024).

No entanto, propriedades como baixa condutividade térmica, resistência mecânica inferior, fragilidade, alto coeficiente de expansão térmica e módulo de elasticidade, relativamente, baixo o torna mais propenso a falhas durante os esforços mastigatórios (Gad et al., 2022a; Gad et al., 2022b).

Embora este material apresente as melhores características, como rugosidade, energia livre de superfície, molhabilidade e hidrofobicidade, esses fenômenos são importantes na influência do acúmulo de biofilme e no manchamento da superfície da resina (Peroz et al., 2021; Gad et al., 2022a; Gad et al., 2022b).

A rigidez destas superfícies das PTs afeta a susceptibilidade ao manchamento, conforto do paciente e a saúde dos tecidos bucais (Gad et al., 2022b).

Os parâmetros de medida de rugosidade, estão relacionados, diretamente, ao aumento da colonização bacteriana sobre sua superfície e ainda atua no desempenho clínico e na sua longevidade, juntamente com outras propriedades mecânicas como: a dureza e a resistência (Gad et al., 2022a; Gad et al., 2022b).

No entanto, ainda não existe uma afirmativa conclusiva sobre qual resina acrílica apresenta desempenho superior quanto à rugosidade (Aal- Qarni; Gad, 2022; Carvalho et al., 2023; Jung et al., 2024).

Neste sentido, este estudo apresenta como proposição analisar a influência microbiológica na degradação de Próteses Totais Removíveis em parâmetros funcionais, estéticos e morfológicos.

DESENVOLVIMENTO

O edentulismo é considerado um grave problema de saúde pública no Brasil onde, para o tratamento desse agravo, a reabilitação com uso de próteses removíveis parciais ou totais é uma alternativa viável à maioria dos pacientes mutilados que necessitam deste tipo de cuidado (Alencar et al., 2021; Araújo et al., 2021).

A mucosa oral, especialmente o palato, a língua e os rebordos alveolares reabsorvidos, passa a desempenhar papel central na colonização microbiana. Nessas regiões, observa-se maior prevalência de microrganismos oportunistas, com destaque para fungos do gênero Candida, principalmente Candida albicans (Peroz et al., 2021; Gad et al., 2022a; Gad et al., 2022b).

Esse fungo apresenta elevada capacidade de adesão às células epiteliais e aos materiais protéticos, além de mecanismos de virulência como formação de hifas, produção de enzimas hidrolíticas e resistência a agentes antimicrobianos (Alencar et al., 2021; Araújo et al., 2021; Fouda et al., 2023).

O uso de próteses totais removíveis constitui um fator determinante na modulação da microbiota oral do edêntulo total. As superfícies internas das próteses atuam como substratos ideais para a formação de biofilmes complexos, caracterizados por elevada densidade microbiana e organização tridimensional (Alencar et al., 2021; Araújo et al., 2021).

A presença de microporosidades, irregularidades superficiais e alterações físico-químicas dos materiais protéticos ao longo do tempo favorece a adesão inicial, maturação e persistência do biofilme (Carvalho et al., 2023; Jung et al., 2024; Sartori et al., 2024).

Esse biofilme protético funciona como reservatório contínuo de microrganismos, dificultando a remoção mecânica e contribuindo para processos inflamatórios crônicos da mucosa subjacente (Alencar et al., 2021; Araújo et al., 2021; Fouda et al., 2023).

Uma vez instaladas as próteses, faz-se necessário uma estratégia de higienização, no intuito de preservar a integridade dos tecidos adjacentes, a longevidade da prótese e manter o complexo estomatognático livre de infecções (Alencar et al., 2021; Araújo et al., 2021; Fouda et al., 2023).

Logo, a higienização adequada de próteses totais é de fundamental importância para a manutenção da saúde bucal e o sucesso, a longo prazo, do tratamento reabilitador protético (Carvalho et al., 2023; Jung et al., 2024; Sartori et al., 2024).

Estes aparelhos protéticos substituem todos os dentes em pacientes desdentados e são essenciais para a reabilitação da função mastigatória, fonética e estética (Alencar et al., 2021; Araújo et al., 2021; Fouda et al., 2023).

No entanto, sua higienização é frequentemente negligenciada, o que pode acarretar sérias complicações, como estomatite protética, infecções fúngicas, acúmulo de placa bacteriana e deterioração do material protético (Alencar et al., 2021; Alqanas et al., 2022).

A limpeza regular e eficiente das próteses evita o acúmulo de biofilme, restos alimentares e microrganismos patogênicos, que podem causar inflamações nas mucosas e infecções como a candidíase (Alencar et al., 2021).

A estomatite protética, por exemplo, está fortemente associada ao uso contínuo da prótese sem a devida higienização e ventilação dos tecidos orais (Silva et al., 2023).

Esta patologia oral representa a manifestação clínica mais comum associada à disbiose microbiana em edêntulos totais usuários de próteses. Trata-se de uma condição inflamatória multifatorial, relacionada à colonização fúngica, trauma mecânico, higiene inadequada, uso contínuo da prótese e alterações imunológicas locais (Peroz et al., 2021; Gad et al., 2022a; Gad et al., 2022b).

A microbiota associada à estomatite protética apresenta maior concentração de Candida spp., frequentemente em associação com bactérias acidogênicas, formando um biofilme misto com maior potencial patogênico (Alencar et al., 2021; Araújo et al., 2021; Fouda et al., 2023).

Assim é crucial orientar o paciente a remover a prótese durante o sono para permitir o descanso dos tecidos e a oxigenação da mucosa, o que também facilita a higienização do aparelho (Carvalho et al., 2023; Jung et al., 2024; Sartori et al., 2024).

Se isto não for possível, deve-se orientar a uma higienização mais primorosa dos arcos edêntulos, assim como, do aparelho protético durante o seu uso e programar a sua retirada durante à noite (Alencar et al., 2021; Nam et al., 2021).

Alterações no fluxo e na composição salivar também exercem influência significativa sobre a microbiota oral em pacientes edêntulos. A hipossalivação, comum em indivíduos idosos ou em uso de múltiplos medicamentos, compromete os mecanismos naturais de defesa da cavidade oral, como a ação tampão, a limpeza mecânica e a atividade antimicrobiana da saliva (Alencar et al., 2021; Araújo et al., 2021; Fouda et al., 2023).

A redução do fluxo salivar favorece alterações no pH oral, aumentando a proliferação de microrganismos acidotolerantes e fúngicos, além de intensificar a adesão microbiana às superfícies mucosas e protéticas (Carvalho et al., 2023; Jung et al., 2024; Sartori et al., 2024).

Do ponto de vista quantitativo e qualitativo, estudos microbiológicos demonstram que a microbiota oral de indivíduos edêntulos totais apresenta menor diversidade bacteriana quando comparada à de indivíduos dentados (Jung et al., 2024; Sartori et al., 2024).

No entanto, essa menor diversidade é acompanhada por maior predominância de espécies potencialmente patogênicas, o que caracteriza um estado de disbiose (Alencar et al., 2021; Araújo et al., 2021; Fouda et al., 2023).

Tal condição pode comprometer não apenas a saúde bucal, mas também a saúde sistêmica, considerando que a cavidade oral pode atuar como reservatório e porta de entrada para microrganismos associados a infecções respiratórias, cardiovasculares e gastrointestinais, especialmente em populações vulneráveis (Carvalho et al., 2023; Jung et al., 2024; Sartori et al., 2024).

A limpeza deve ser realizada, diariamente, com o uso de escovas específicas para próteses, sabão neutro e pastas dentais. Além disso, o uso de soluções desinfetantes específicas para imersão da prótese pode ser indicado para eliminar microrganismos que não são removidos pela escovação (Neves et al., 2020; Alencar et al., 2021).

O papel do cirurgião-dentista é essencial no acompanhamento regular desses pacientes, orientando sobre as técnicas corretas de limpeza, revisando a adaptação da prótese e garantindo que as superfícies estejam íntegras e livres de rachaduras ou fissuras, que podem favorecer o acúmulo de microrganismos (Jung et al., 2024).

O acompanhamento profissional e a educação contínua dos pacientes são essenciais para o sucesso desse tratamento reabilitador (Fouda et al., 2023; Alqarawi; Gad, 2024).

Logo, a escovação é a técnica mais utilizada devido a sua simplicidade e acessibilidade, no entanto, requer que o paciente tenha uma boa destreza manual, o que dificulta ou inviabiliza a utilização desse método por pacientes idosos e/ou portadores de necessidades especiais (Alencar et al., 2021).

Para a limpeza de próteses de pacientes com limitações motoras, são indicados o método de microondas ou método químico, este último, podendo ser adquirido em farmácias ou ambos preparados em casa (Jung et al., 2024).

Uma alternativa é realizar a combinação de métodos como, escovação ou microondas, associados a agentes químicos. Considerando que a maioria dos usuários de próteses são idosos que, eventualmente, têm sua coordenação motora diminuída ou encontram-se acamados, métodos que combinam produtos químicos com técnicas mecânicas possuem bons resultados na remoção do biofilme, porém limpadores químicos como o hipoclorito de sódio possui eficácia comprovada na literatura com sua utilização isolada (Fouda et al., 2023; Alqarawi; Gad, 2024).

O modo como o paciente pode higienizar sua prótese deve ser uma preocupação do cirurgião-dentista, pois a saúde do meio bucal está, diretamente, ligada ao fato de o paciente conseguir remover, corretamente, as bactérias que estarão presentes na superfície da prótese (Alfouzan et al., 2021; Fouda et al., 2023).

Os parâmetros de medição de rugosidade fazem com que apresente uma relação direta com o aumento da colonização bacteriana sobre sua superfície e, consequentemente, interferindo em suas propriedades mecânicas (Jung et al., 2024).

Como resultado, a redução da rugosidade da superfície faz com que seja reduzido o acúmulo de restos alimentares e bactérias. Logo, a adesão de Candida albicans à base de PTs é menor nas superfícies lisas que nas superfícies rugosas, tornando imprescindíveis as técnicas de condicionamento do próprio aparelho, durante seu uso diário (Çakmak et al., 2022).

Assim, durante a técnica de confecção de PT pela técnica convencional, pode ser influenciada pela habilidade do técnico em prótese dentária e das técnicas de acabamento e polimento utilizadas (Fouda et al., 2023).

Estes procedimentos clínicos são imprescindíveis a qualquer aparelho confeccionado, fazendo com que possam trazer benefícios para a saúde do paciente mutilado e, também, quanto ao uso do artefato (Gad, et al. 2022a; Jung et al., 2024).

Portanto, os resultados de rugosidade superficial de bases de próteses confeccionadas de forma convencional estão sujeitos a maior variabilidade, visto que existem inúmeras circunstâncias que possam estar incidindo no protocolo convencional para a confecção destas PTs (Alfouzan et al., 2022).

Por isso, o acabamento e polimento são imprescindíveis a qualquer artefato confeccionado com resina acrílica, antes da sua instalação na cavidade bucal, para que possam trazer benefícios como saúde e função (Çakmak, et al. 2023).

Em contrapartida, as resinas acrílicas digitais fresadas produzem blocos já polimerizados, industrialmente, sob alta pressão. Com isso, são menos porosos, comparados com os digitais impressos, já que o método de manufatura se difere, totalmente, sendo pelo método subtrativo (Alfouzan et al., 2022).

Neste sentido, os sistemas digitais de fresagem podem produzir superfícies de próteses ainda mais lisas do que o processo convencional (Jung et al., 2024).

Existe também uma relação direta entre a rugosidade superficial e a resistência flexural, através de formação de trincas e, consequentemente, maiores possibilidades de fraturas durante o seu uso clínico (Alfouzan et al., 2022).

No entanto, não é conclusivo supor que a rugosidade da superfície da fratura deva ser influenciada pelo comprimento da cadeia polimérica, uma vez que as forças intramoleculares não aumentam com o comprimento crescente da cadeia (Fouda et al., 2023; Alqarawi; Gad, 2024).

Uma causa muito mais plausível de falta de homogeneidade dentro da microestrutura é a geometria, tamanho e distribuição do pó de polímero (Jung et al., 2024).

Já em relação a uma liberação de monômero residual que ocorre durante o processo de manufatura é importante considerar que falhas na correta dosagem dos componentes das resinas de PMMA, que podem ocorrer alterações nas propriedades mecânicas e a estabilidade dimensional das próteses dentárias, as quais podem ser influenciadas, negativamente, pelo efeito plastificante do excesso de monômero (Sartori et al., 2024).

Com isso, teoricamente, bases de próteses digitais podem sofrer menores distorções durante o processamento e oferecem, portanto, melhor adaptação (Alkaltham et al., 2023)

Logo, o baixo teor de monômero residual e a liberação de monômero dos blocos de resina CAD-CAM reduzem a adesão de Candida albicans na superfície da resina PMMA pré-polimerizada, comparada com a convencional (Jung et al., 2024).

No entanto, Wei et al. (2022) testaram a liberação de monômero residual e os efeitos biológicos de dois tipos de resinas para base de dentaduras (Convencionais: Vertex - resina acrílica termopolimerizável; Digital: Organic PMMA eco Pink— CADCAM PMMA) e dois tipos de resinas de características provisórias (Convencional: Protemp™ 4 – resina bisacrílica; Digital: Die material—CAD-CAM PMMA).

Eles observaram que a liberação de monômero (MMA) foi verificada, apenas, no grupo de resina convencional termopolimerizada e a proliferação celular se mostrou maior nos grupos de resina CADCAM, não sendo identificada apoptose ou necrose celular, diferenciando a maioria dos estudos até então.

Contudo, mesmo no sistema digital de confecção de próteses é importante destacar que os materiais utilizados nas bases de próteses não contêm PMMA puro. Neste sentido, cada aditivo, assim como iniciadores de polimerização, aceleradores, agentes de ligações cruzadas e corantes podem influenciar as propriedades físicas e químicas do material (Gruber et al., 2023).

Isto posto, mesmo com essas diferenças nas propriedades químicas, o protocolo de processamento das resinas ainda é o principal determinante da rugosidade da superfície (Campos et al., 2023).

Para resinas de bases de próteses, técnicas de polimento de alto brilho são capazes de melhorar os resultados de rugosidade superficial em espécimes manufaturados em resina fresada, impressa e autopolimerizável, sendo as fresadas as que apresentaram os menores valores de Ra e Rz, seguido das resinas produzidas por impressão 3D (Alfouzan et al., 2022).

Consequentemente, o polimento mecânico produz uma superfície inferior, do ponto de vista da rugosidade, em comparação ao resultado obtido com o polimento químico (Gruber et al., 2023).

Clinicamente, esse é um processo que ainda precisa ser mais estudado, uma vez que na sessão de instalação de próteses totais é comum deixar a superfície mucosa da prótese sem polimento para garantir a correspondência máxima da base da prótese com os tecidos bucais, sabendo que existem outras variáveis em questão (Alfouzan et al., 2022; Carvalho et al., 2023).

No tocante a higienização das próteses totais, a escovação mecânica diária é recomendada, como também a utilização de substâncias químicas como o hipoclorito de sódio (concentração de 5,25% ou até mesmo diluída a 0,5%), com imersão por 10 minutos, semanalmente, na tentativa de eliminar ou diminuir o número de microrganismos que, eventualmente, possam estar instalados nestas próteses (Santos et al., 2020; Nam et al., 2021; Guedes et al., 2021; Çakmak et al., 2022; Jung et al., 2024).

O uso de escovas dentais com sabão neutro e/ou dentifrícios é medida de higiene necessária durante o uso destes aparelhos reabilitadores orais, nos quais devem ser utilizados, concomitantemente ou isolados (Guedes et al., 2021; Carvalho et al., 2023).

Além disso, fatores como tempo de uso da prótese, hábitos de higiene, remoção ou não da prótese durante o sono e tipo de material protético influenciam diretamente a composição da microbiota oral (Fouda et al., 2023; Alqarawi; Gad, 2024).

Próteses antigas, mal adaptadas ou confeccionadas com materiais de maior rugosidade superficial apresentam maior predisposição à colonização microbiana e à formação de biofilmes maduros e resistentes (Carvalho et al., 2023; Jung et al., 2024; Sartori et al., 2024).

Ainda não há uma análise conclusiva a respeito das resinas acrílicas digitais, frente a diferentes tipos de higienização mecânica e/ou química (Jung et al., 2024).

Contudo, pela sua morfologia estrutural e pelo seu sistema de manufatura, os polímeros digitais podem desempenhar resultados promissores quanto às propriedades mecânicas, como a rugosidade e a resistência flexural (Carvalho et al., 2023; Jung et al., 2024; Sartori et al., 2024).

Portanto, a rugosidade das resinas acrílicas submetidas a processos de higienização, durante seu uso, faz com que exista uma maior facilidade de adesão de microrganismos, assim como a possibilidade de ocorrência de microfraturas e consequentes fraturas do próprio aparelho, pois ocorre um aumento, significativo, dos valores de rugosidade, quando realizados os métodos de higienização mecânico e mecânico e químico (Chang et al., 2021; Carvalho et al., 2023).

Assim, superfícies rugosas apresentam nichos, onde microrganismos são protegidos das forças mastigatórias e dos procedimentos de higiene bucal. Já as áreas mais polidas são as mais desejáveis, em termos de limpeza e redução de infecção bacteriana, pois ocorre redução da retenção de patógenos na superfície da resina acrílica, após um procedimento de limpeza convencional, favorecendo uma saúde oral satisfatória para o portador de PT (Cankaya et al., 2020).

Logo, todas estas propriedades mecânicas avaliadas, apresentam similaridade no tocante a longevidade deste aparelho, uma vez que estão dependentes de como a PT irá se comportar, funcionalmente, durante a sua vida útil, através, principalmente, dos seus cuidados diários de uso, quer seja quando estiver em função, no seu próprio manuseio, como também, na sua higienização (Carvalho et al., 2023; Jung et al., 2024; Sartori et al., 2024).

Todos estes eventos estão relacionados entre si e devem ser considerados em conjunto quando se refere ao sucesso do artefato (Carvalho et al., 2023; Freitas et al., 2023; Choi et al., 2024).

Os resultados da rugosidade após os métodos de higiene apresentaram contrários à rugosidade do próprio material em si. Alguns resultados da referida pesquisa científica foram diferentes em relação principalmente sobre a rugosidade dos materiais (Choi et al., 2024).

Os materiais digitais que apresentam resinas acrílicas com menor quantidade de monômero residual e produzidas em laboratórios tecnológicos fazem com que, estes apresentem melhores propriedades mecânicas e com isso, uma superioridade em relação a convencional (Freitas et al., 2023; Jung et al., 2024; Sartori et al., 2024).

Para corroborar com a referida pesquisa científica, Takhtdar et al., 2023, avaliaram a rugosidade de diferentes resinas acrílicas (convencional, aditiva e subtrativa) sob o efeito de dois diferentes limpadores de dentaduras (comprimido de oxigênio bioativo e hipoclorito de sódio a 1%). Trinta ciclos de imersão de 3 min foram aplicados a cada dia durante 6 dias para simular 180 dias de imersão da dentadura. Eles concluíram que o hipoclorito de sódio aumentou significativamente a rugosidade da superfície nos grupos convencional e subtrativo.

De acordo com estes resultados sobre a utilização de hipoclorito de sódio a 1%, esta substância deve ser utilizada com bastante cautela, pois independente da metodologia empregada para o processo mecânico e químico, existe uma degradação habitual do PMMA em questão, fazendo as propriedades mecânicas, no caso a rugosidade, se altere negativamente, fazendo com que este aparelho apresente degradação pelo acúmulo de bactérias na reentrâncias da PT, além da ocorrência de microfraturas durante o uso da prótese. Logo, este método de higiene deve ser preconizado de forma individual, evitando assim, a sua perda de longevidade e sucesso clínico (Çakmak, et al., 2023).

Com isso, o uso destas substâncias químicas como o hipoclorito de sódio a 1% em imersão apresentou comportamento in vitro não satisfatório e não esperado (Carvalho et al., 2023; Jung et al., 2024; Sartori et al., 2024).

Logo, dependendo das características físicas e psicológicas do paciente que irá utilizar estes aparelhos, devemos indicar uma solução menos concentrada ou outras substâncias químicas como efervescentes que podem fornecer menos danos ao paciente e com isso, apresentar uma maior longevidade e satisfação quanto ao seu uso da PT (Atalay et al. 2023).

Logo, o uso de substâncias químicas como o hipoclorito de sódio a 1% em resinas acrílicas especialmente, as digitais, fazem com que alteram suas propriedades mecânicas das PTs, fazendo com que o aparelho se degrade com o tempo, diminuindo sua estrutura e rigidez de sua peca protética (Silva et al., 2023; Alqarawi et al., 2024).

Logo, esses aparelhos artificiais apresentam pela própria conformação deste tipo de prótese e pela fragilidade óssea e rebordo para a acomodação deste tipo de artefato, além das suas propriedades estruturais como, por exemplo, baixa condutividade térmica, resistência mecânica inferior, fragilidade, alto coeficiente de expansão térmica e módulo de elasticidade, relativamente baixo, o tornou um aparelho propenso a falhas durante os esforços mastigatórios (Meirowitz et al., 2021).

Diante desse contexto, o controle da microbiota oral em pacientes edêntulos totais assume papel fundamental na manutenção da saúde bucal e sistêmica (Carvalho et al., 2023; Freitas et al., 2023; Choi et al., 2024).

Medidas preventivas e terapêuticas incluem a higienização adequada das próteses e da mucosa oral, a remoção da prótese durante o período noturno, o acompanhamento odontológico periódico e a educação em saúde direcionada às necessidades individuais do paciente (Carvalho et al., 2023; Freitas et al., 2023; Choi et al., 2024).

Tais estratégias são essenciais para a manutenção do equilíbrio do ecossistema oral, prevenção de infecções oportunistas e melhoria da qualidade de vida dos pacientes edêntulos totais (Carvalho et al., 2023; Jung et al., 2024; Sartori et al., 2024).

CONCLUSÃO

Os micro-organismos desempenham papel fundamental na degradação das próteses totais, atuando tanto na superfície quanto na estrutura dos materiais protéticos.

A formação de biofilme, especialmente por fungos e bactérias, favorece alterações físicas, químicas e mecânicas das resinas acrílicas, como aumento da rugosidade superficial, alteração de cor, redução da resistência mecânica e maior propensão à porosidade.

As superfícies lisas superficiais de bases de próteses totais convencionais ou digitais apresentam menor incidência de colonização microbiana, consequentemente há uma menor degradação do aparelho.

Esses processos não apenas comprometem a longevidade e a estética da prótese, mas também contribuem para o desequilíbrio da microbiota oral e para o desenvolvimento de patologias associadas, como a estomatite protética.

Dessa forma, torna-se evidente a importância de protocolos adequados de higiene, do uso racional de agentes de limpeza e do desenvolvimento de materiais com maior resistência à colonização microbiana, visando à preservação das propriedades das próteses totais e à promoção da saúde bucal dos usuários.

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