REGISTRO DOI: 10.70773/revistatopicos/793389201
RESUMO
A menopausa é caracterizada por alterações hormonais, especialmente pela redução dos níveis de estrogênio, associadas à perda de densidade mineral óssea (DMO) e ao aumento do risco de osteopenia e osteoporose. O objetivo foi analisar os efeitos do treinamento resistido sobre a DMO de mulheres na pré-menopausa e pós-menopausa. Trata-se de uma revisão sistematizada da literatura, com buscas realizadas nas bases PubMed e LILACS, utilizando descritores relacionados à menopausa, ao treinamento resistido e à saúde óssea. Foram incluídos ensaios clínicos randomizados publicados em português ou inglês, sem restrição temporal, que investigaram intervenções envolvendo treinamento resistido e seus efeitos sobre a DMO. Ao todo, 10 estudos compuseram a análise. Os resultados indicaram que o treinamento resistido pode contribuir para a manutenção ou o aumento da DMO, especialmente em regiões como a coluna lombar e o fêmur, além de favorecer ganhos de força muscular e capacidade funcional. Protocolos progressivos com maior intensidade de carga apresentaram, nos estudos que compararam diferentes intensidades, resultados superiores aos programas com cargas reduzidas, embora os efeitos tenham variado conforme o local anatômico, a duração da intervenção e as características das participantes. Na pré-menopausa, os benefícios concentraram-se principalmente na preservação da massa óssea, enquanto na pós-menopausa foram observadas respostas de manutenção e, em alguns casos, aumento da DMO. O treinamento resistido constitui uma estratégia não farmacológica relevante para a saúde óssea feminina, devendo ser prescrito de forma individualizada e progressiva, considerando a intensidade, a regularidade e as condições clínicas das participantes.
Palavras-chave: menopausa; densidade mineral óssea; treinamento resistido.
ABSTRACT
Menopause is characterized by hormonal changes, particularly a decline in estrogen levels, which are associated with a reduction in bone mineral density (BMD) and an increased risk of osteopenia and osteoporosis. The objective was to analyze the effects of resistance training on BMD in premenopausal and postmenopausal women. This study is a systematized literature review, with searches conducted in the PubMed and LILACS databases using descriptors related to menopause, resistance training, and bone health. Randomized controlled trials published in English or Portuguese, with no restrictions on publication date, were included if they investigated resistance training interventions and their effects on BMD. A total of 10 studies were included in the analysis. The findings indicated that resistance training may contribute to maintaining or increasing BMD, particularly in regions such as the lumbar spine and femur, while also improving muscular strength and functional capacity. Progressive training protocols involving higher loads showed superior results compared with lower-load programs in the studies that compared different intensities, although the effects varied according to anatomical site, intervention duration, and participant characteristics. In premenopausal women, the benefits were primarily related to the preservation of bone mass, whereas in postmenopausal women, maintenance and, in some cases, increases in BMD were observed. Resistance training represents a relevant non-pharmacological strategy for promoting bone health in women and should be prescribed individually and progressively, considering training intensity, regularity, and participants’ clinical conditions.
Keywords: menopause; bone mineral density; resistance training.
1. INTRODUÇÃO
O processo da menopausa é um período de vulnerabilidade e marcante para todas as mulheres. Nesta fase, ocorrem mudanças fisiológicas, caracterizadas por alterações hormonais, podendo ocorrer alterações no aspecto da saúde e qualidade de vida. A menopausa é marcada pelo fim da vida reprodutiva ovariana, com a ausência da menstruação por 12 meses consecutivos (Santos et al., 2021). A menopausa pode ser definida de diferentes formas. O início da menopausa ocorre, em geral, entre os 40 e os 59 anos, e a pós-menopausa está associada a fatores de risco que afetam a saúde da mulher, como a hipertensão arterial, a alteração no tecido adiposo e a diminuição da massa magra, causando problemas para a densidade mineral óssea (DMO) (Chapman-Lopez et al., 2022). A transição da vida reprodutiva para o envelhecimento ovariano é chamada de transição menopáusica ou perimenopausa. Essa transição pode levar mais de uma década (Santoro et al., 2021). Enquanto a pré-menopausa corresponde ao período de ciclos menstruais regulares, a perimenopausa é identificada pela irregularidade menstrual por mais de um ano (Lu et al., 2020). Outros sintomas também identificam a transição da menopausa, como dores musculares e sintomas vasomotores (Lu et al., 2020). Entretanto, a menopausa pode ocorrer em idades diferentes, sendo que a menopausa precoce está associada a maior risco de doença cardiovascular, osteoporose e fraturas, em razão do período prolongado de privação estrogênica (Nash; Al-Wattar; Davies, 2022). O período de pós-menopausa acontece após a menopausa, ou seja, após os 12 meses de ausência da menstruação. A partir desse momento, quando se completa um ano, considera-se que a atividade ovariana se encerrou, entrando-se na pós-menopausa, fase que se estende ao longo da vida (Pan et al., 2022).
A pré-menopausa é iniciada e afetada por fatores hormonais, decorrendo ao longo da vida até atingir a pós-menopausa. A queda desses hormônios leva a diversos sintomas. As principais alterações hormonais são a queda do estrogênio, levando a um grande declínio na produção ovariana, e estão ligadas aos principais sintomas menopáusicos, sendo eles sintomas vasomotores (suor noturno, insônia e fogachos), perda da libido, perda da massa óssea, problemas cardíacos, elevados índices de depressão e ansiedade, declínio cognitivo e também efeitos na saúde metabólica (Sullivan; Sarrel; Nelson, 2016). A insuficiência ovariana primária, por sua vez, caracteriza-se por níveis menopáusicos do hormônio folículo-estimulante (FSH) e por ciclos menstruais ausentes ou irregulares antes dos 40 anos (Sullivan; Sarrel; Nelson, 2016).
A baixa DMO está diretamente ligada ao risco de fraturas, osteoporose e osteopenia. Cerca de 15% das mulheres na pré-menopausa apresentam DMO mais de um desvio-padrão abaixo da média de adultos jovens (Lewiecki, 2004). O exercício físico pode ser uma alternativa não farmacológica, tendo em vista que os estudos demonstram que o exercício físico melhora a força muscular e a DMO, melhorando funções como a coordenação, o controle motor e o equilíbrio, tendo como consequência a diminuição dos riscos de quedas (Capel-Alcaraz et al., 2023). Porém, ainda não se sabe quais são as melhores intervenções e os melhores exercícios. Neste sentido, o estudo busca entender quais são os efeitos do treinamento resistido em mulheres na pré-menopausa e na pós-menopausa em relação à densidade mineral óssea, verificando se o treinamento resistido é benéfico e se promove a melhora da saúde em mulheres na menopausa.
2. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA
A transição menopáusica caracteriza-se pela perda gradual de oócitos, por amplas flutuações hormonais e por padrões menstruais irregulares, podendo provocar sintomas vasomotores, alterações de humor, disfunção cognitiva temporária e sintomas geniturinários que reduzem a qualidade de vida (Santoro et al., 2021). A dor musculoesquelética é uma das queixas mais graves nesse período: uma meta-análise de 16 estudos estimou prevalência de 71% entre mulheres na perimenopausa, com risco maior do que na pré-menopausa (Lu et al., 2020).
A baixa densidade mineral óssea não se restringe à pós-menopausa. Na pré-menopausa, a baixa densidade costuma refletir baixo pico de massa óssea, com densidade estável e baixo risco de fratura a curto prazo, o que torna as medidas não farmacológicas de estilo de vida o eixo do manejo nessa fase (Lewiecki, 2004). Após a menopausa, as mudanças de composição corporal alteram os níveis de adipocinas, que influenciam fatores de risco como osteoporose, hipertensão arterial e sarcopenia, e o treinamento resistido parece ser mais efetivo que outras intervenções para melhorar a composição corporal nessa população (Chapman-Lopez et al., 2022). Em revisão sistemática de ensaios clínicos, os exercícios de força mostraram benefícios sobre a força muscular, a atividade física, a densidade óssea e os níveis hormonais e metabólicos de mulheres na menopausa, embora o tipo mais adequado de treinamento ainda não esteja definido (Capel-Alcaraz et al., 2023).
O fundamento biológico do treinamento resistido para o osso está na resposta do tecido à carga mecânica: a resposta óssea é proporcional à carga aplicada, com relação dose-resposta observada em culturas de células e órgãos e em modelos animais, e a atividade física aumenta a competência do esqueleto para resistir a fraturas pela manutenção da DMO e da competência neuromuscular (Smith; Gilligan, 1996). O exercício atua como estímulo anabólico para o osso (Turner; Robling, 2004). Nos ensaios controlados randomizados, as meta-análises indicam que programas de exercício previnem ou revertem cerca de 1% ao ano da perda óssea na coluna lombar e no colo do fêmur de mulheres na pré e na pós-menopausa (Wolff et al., 1999) e que tanto o exercício aeróbio quanto o treinamento de força melhoram a DMO regional na pós-menopausa, ainda que o próprio autor considere prematuro formar conclusões definitivas (Kelley, 1998). É nesse contexto que se insere a presente revisão.
3. METODOLOGIA
Trata-se de uma revisão sistematizada da literatura realizada através de métodos explícitos e sistemáticos para identificação, seleção e avaliação crítica de artigos científicos. Para realizar a pesquisa dos artigos, foram utilizadas duas bases de dados, PubMed e Literatura Latino-Americana e do Caribe em Ciências da Saúde (LILACS). Os descritores utilizados para a busca de artigos foram: ((("menopause") OR "premenopause") OR "postmenopause") AND ((("strength training") OR "resistance training") OR "resistance exercise") AND ("bone density" OR "Osteoporosis"). Para esta revisão foram incluídos artigos publicados na língua portuguesa e língua inglesa sem restrição de tempo para a publicação.
Os critérios de inclusão foram: ensaios clínicos randomizados (ECR), estudos que compararam o efeito de diferentes modalidades de treinamento e do treinamento resistido em mulheres no período da menopausa que buscaram identificar a manutenção e o aumento da densidade mineral óssea. Já os critérios de exclusão foram: estudos observacionais, estudos publicados em congressos, estudos de revisão de literatura, estudos que não compararam o efeito do treinamento resistido para mulheres no período da menopausa e estudos que não discorrem sobre densidade mineral óssea.
O procedimento de seleção de artigos para revisão foi realizado nas seguintes etapas: análise dos títulos, análise dos resumos e análise dos textos na íntegra. Para diminuir possíveis vieses de seleção, cada estudo foi lido por dois revisores (ACM e GM) e uma decisão mútua foi realizada para definir se os estudos atendiam os critérios de inclusão. Qualquer discordância entre os revisores foi decidida por consenso ou por um terceiro revisor (AGF).
4. RESULTADOS E DISCUSSÕES
Em consonância com o objetivo de analisar os efeitos do treinamento resistido (TR) sobre a DMO em mulheres no período da menopausa, verificando sua contribuição para a manutenção e o aumento da massa óssea, bem como para a prevenção da desmineralização decorrente do declínio hormonal dessa fase, a literatura analisada revela evidências predominantemente favoráveis sobre os resultados benéficos e protetores do TR na preservação da DMO, do conteúdo mineral ósseo (CMO) e de diferentes variáveis da aptidão neuromuscular. O corpus analítico reuniu 10 artigos científicos que avaliaram a prescrição do TR tanto de forma isolada quanto combinada a intervenções com suplementação de cálcio e terapia hormonal (TH). A Tabela 1 apresenta a síntese dos estudos incluídos. Adicionalmente, os estudos investigaram a associação do TR a modalidades complementares e comparativas, incluindo aeróbica de step de alto impacto, exercícios de impactos e saltos, e treinos de equilíbrio e core. De maneira geral, os achados demonstram que a aplicação de sobrecargas mecânicas progressivas e contrações musculares intensas proporciona o estímulo físico necessário para conter a taxa acelerada de reabsorção óssea, reverter a perda mineral e preservar a capacidade funcional diante da privação típica do climatério e da pós-menopausa.
Tabela 1. Resumo dos principais resultados encontrados
Estudo | Método | Objetivo | Amostra | Intervenção | Resultado |
Whitman et al. (2026) | ECR | STOP-EM (Strength Training for Osteoporosis Prevention during Early Menopause) teve como desfecho primário a viabilidade do programa e investigou, como desfechos secundários, as alterações na massa magra, força muscular, potência de pernas e densidade mineral óssea em mulheres na perimenopausa e pós-menopausa com treinamento de força progressivo. Também avaliou o impacto dessa intervenção no equilíbrio, na aptidão cardiorrespiratória, nos sintomas típicos da menopausa e na qualidade de vida geral das participantes. | 40 mulheres recrutadas, com idades entre 45 e 60 anos e classificadas nos estágios de perimenopausa ou pós-menopausa precoce, em um programa de treinamento de força de 9 meses, sendo 20 no grupo controle (GC) e 20 no grupo resistido (GR). | Treinamento de força pesado e de impacto, progressivo e supervisionado, realizado presencialmente duas vezes por semana durante nove meses, com cargas de 80% a 85% de uma repetição máxima (1RM). As sessões combinavam aquecimento, exercícios de equilíbrio e core, aterrissagens em queda (drop landings) e quatro levantamentos principais. | O grupo GR apresentou aumentos de 12,6% a 30,5% na força máxima (1RM), além de um ganho médio de 0,52 kg (+1,2%) na massa magra total e de 2,2% na massa magra apendicular, enquanto o GC sofreu perdas em ambos os parâmetros (massa magra total: ‑0,38 kg e ‑0,8%; apendicular: ‑0,9%). Em relação à DMO, o GR obteve um ganho de +1,1% na coluna lombar (+0,013 g/cm²) e manteve estável a do colo do fêmur (0,0%), enquanto o GC registrou declínios de 0,5% e 0,3%, respectivamente. Houve ainda aumento de 3,7% na potência mecânica das pernas (contra ‑0,9% no controle). |
Eslamipour et al. (2023) | ECR | Comparar os efeitos do treinamento resistido de alta intensidade (HIRT) e de baixa intensidade (LIRT) na DMO e no CMO. | Duração de 24 semanas com 45 mulheres separadas em 3 grupos: 15 HIRT, 15 LIRT e 15 GC. | 24 semanas de treinamento; o grupo HIRT treinou com cargas de 70% a 85% de 1RM (8 repetições) e o grupo LIRT com 40% a 60% de 1RM (16 repetições). | O HIRT foi mais eficaz para DMO e CMO na coluna lombar e no colo do fêmur, superando os outros dois grupos. Além disso, o treino de baixa intensidade obteve resultados significativamente melhores do que o grupo controle. |
Warren et al. (2008) | ECR | Avaliar o efeito de 2 anos de treinamento de força duas vezes por semana no CMO e na DMO do fêmur proximal e da coluna lombar em mulheres pré-menopáusicas sedentárias. | 148 mulheres pré-menopáusicas (de 25 a 44 anos), sedentárias e com sobrepeso. Foram divididas entre 72 participantes no grupo de treino de força e 76 no grupo controle. | O grupo de treino realizou treinamento de força progressivo duas vezes por semana durante 2 anos, executando 3 séries de 8 a 10 repetições com máquinas e pesos livres. O grupo controle seguiu os cuidados habituais, recebendo apenas folhetos educativos recomendando 30 minutos de atividade física moderada na maioria dos dias. | O treinamento de força não gerou alterações significativas na DMO na coluna lombar ou no fêmur proximal. No entanto, o exercício evitou a perda óssea no colo do fêmur, mantendo o CMO estável, enquanto o grupo controle apresentou uma queda de 1,5%. |
Kerr et al. (2001) | ECR | Investigar os efeitos de uma intervenção de exercício de dois anos, combinada com a suplementação de cálcio (600 mg), sobre a DMO de mulheres na pós-menopausa. | 126 mulheres pós-menopáusicas (60 ± 5 anos) divididas aleatoriamente em 3 grupos de 42: força, condicionamento físico e controle (GC). Todas as voluntárias tinham mais de 4 anos de pós-menopausa e receberam suplementação diária de 600 mg de cálcio durante a pesquisa. | Os grupos de exercício treinaram três vezes por semana durante dois anos: o grupo de força realizou 3 séries de 8 repetições, e o grupo de condicionamento físico, circuito com cargas mínimas associado ao ciclismo. | Os resultados mostraram que o grupo de força apresentou aumento significativo da DMO no quadril, enquanto os demais grupos não tiveram ganhos semelhantes. Não houve diferenças significativas na coluna, antebraço ou corpo inteiro. A adesão aos exercícios foi semelhante entre os grupos ativos. |
Cussler et al. (2003) | ECR (análise secundária do ensaio BEST) | Analisar a relação entre a quantidade de peso levantado durante 1 ano de treinamento de força e as alterações na DMO em mulheres na pós-menopausa, verificando também os efeitos específicos sobre diferentes regiões ósseas. | O estudo iniciou com 177 mulheres na pós-menopausa, das quais 140 foram analisadas ao final do ano. As participantes tinham entre 44 e 66 anos, metade utilizava terapia hormonal e todas receberam 800 mg de cálcio por dia. Eram mulheres saudáveis, não fumantes, sem histórico de fraturas osteoporóticas e com pouca experiência prévia em exercícios de força. | O treinamento foi realizado durante 12 meses, com 3 sessões semanais de 60 a 75 minutos, sempre supervisionadas. As participantes realizaram treinamento de força com 8 exercícios, em 2 séries de 6 a 8 repetições, com intensidade de 70% a 80% de 1RM, ajustada progressivamente a cada dois meses. As sessões também incluíam alongamentos, exercícios de equilíbrio, atividades aeróbicas com impacto moderado e subida de degraus com coletes de peso. | O maior volume de peso levantado no treinamento de força esteve associado a maiores ganhos de DMO no trocânter femoral. A marcha com peso também apresentou relação positiva com a DMO total. O colo femoral e a coluna lombar não apresentaram relação significativa com o volume de carga. A terapia hormonal influenciou a DMO em algumas regiões ósseas. |
Bocalini et al. (2009) | ECR | O objetivo foi avaliar os efeitos de 24 semanas de treinamento de força na DMO de mulheres pós-menopáusicas sedentárias, sem terapia hormonal. O estudo também analisou ganhos de força muscular, composição corporal e a eficácia de um treinamento com ênfase nas ações excêntricas para preservar a massa óssea e reduzir os efeitos do envelhecimento. | O estudo iniciou com 40 mulheres idosas na pós-menopausa, sendo 35 selecionadas e divididas entre grupo treinado e controle. Após 24 semanas, 25 participantes concluíram o estudo. As mulheres eram sedentárias, não utilizavam terapia hormonal nem apresentavam doenças que afetassem a saúde óssea. | O estudo realizou um programa de treinamento de força progressivo por 24 semanas, com 3 sessões semanais de 1 hora, enfatizando a fase excêntrica dos exercícios. As participantes realizaram 3 séries de 10 repetições a 85% de 1RM, com aumento semanal das cargas. O programa incluiu 12 exercícios para membros superiores, inferiores e abdômen, sempre com supervisão profissional. | Após 24 semanas, o grupo treinado preservou a densidade mineral óssea, enquanto o grupo controle apresentou perda óssea na coluna lombar e no colo do fêmur. Além disso, o treinamento aumentou a força muscular dos membros superiores e inferiores e melhorou a composição corporal. |
Cussler et al. (2005) | ECR (análise secundária do ensaio BEST) | Examinar a associação entre a frequência de exercícios de treinamento de força progressivo e a ingestão de cálcio com as alterações na DMO. | Foi composta por 167 mulheres pós-menopáusicas, com idade média de 56 anos. As participantes eram sedentárias e foram divididas entre treinamento de força, grupo crossover e controle. No início do estudo, 54% utilizavam terapia hormonal, e todas receberam 800 mg/dia de cálcio. | O estudo durou 4 anos, com treinamento de força 3 vezes por semana, sessões de 60 a 75 minutos, combinando musculação e exercícios de impacto. | Maior frequência de exercícios foi associada a maior DMO. As participantes mais assíduas apresentaram aumentos de 1,5% no trocânter e 1,2% no colo femoral e na coluna lombar por desvio-padrão de frequência (usuárias de TH); entre as não usuárias, a ingestão de cálcio associou-se a ganhos de 1,9% no trocânter e 2,3% no colo femoral. O exercício de força e a terapia hormonal tiveram efeito positivo na preservação da DMO. A maior ingestão de cálcio também esteve associada a melhor manutenção da massa óssea. |
Dutto et al. (2022) | ECR | Determinar e examinar a eficácia de 6 meses de duas modalidades distintas de treinamento físico na densidade mineral óssea areal e na resistência/força de flexão tibial de mulheres sedentárias na pré-menopausa. | A amostra foi composta por 90 mulheres jovens, saudáveis e sedentárias, entre 20 e 35 anos, na pré-menopausa. Elas foram divididas em treinamento resistido (32), aeróbica de step (30) e controle (28). Após 6 meses, 69 participantes concluíram o estudo: 22 no treinamento resistido, 26 no step e 21 no controle. Todas receberam 1.000 mg/dia de cálcio. | A intervenção durou 6 meses, com exercícios supervisionados 3 vezes por semana, durante 45 minutos, e suplementação de 1.000 mg de cálcio por dia. O grupo de step de alto impacto realizou exercícios em plataformas de 20 a 30 cm, com aterrissagens progressivamente aumentadas de 50 para cerca de 100 por sessão. O grupo de treinamento resistido realizou 8 exercícios para membros inferiores e tronco, com 10 a 12 repetições e intensidade de 65% a 85% de 1RM. O grupo controle manteve seu estilo de vida sedentário, sem exercícios. | Após 26 semanas, o grupo de aeróbica de step de alto impacto apresentou aumento significativo da DMO no calcâneo (+0,0176 g/cm²), na perna inferior (+0,0105 g/cm²) e na vértebra L2 (+0,0082 g/cm²). Em comparação, o treinamento resistido apresentou alterações menores, enquanto o grupo controle apresentou redução em algumas regiões. A resistência à flexão da tíbia não apresentou alteração significativa entre os grupos. |
Judge et al. (2005) | ECR | Determinar se um programa de treinamento resistido moderado, realizado em casa, aumentaria a DMO femoral em mulheres na pós-menopausa que apresentavam baixa DMO, apesar da TH de longo prazo. | 189 mulheres randomizadas (92 no grupo de membros superiores; 97 no de membros inferiores), com 153 concluindo o estudo. | Treinamento resistido moderado realizado em casa, 3 vezes por semana durante 2 anos, direcionado aos membros superiores ou aos membros inferiores. | Os dois grupos apresentaram aumento na DMO principalmente no fêmur, trocânter, colo femoral e coluna lombar, com resultados semelhantes entre membros superiores e inferiores, o que sugere uma resposta sistêmica, e não específica do local, ao treinamento resistido moderado. O exercício reverteu a tendência de perda óssea observada antes da intervenção. Também houve redução dos marcadores de remodelação óssea, enquanto massa magra e gordura corporal foram mantidas. |
Kerr et al. (1996) | ECR | O estudo avaliou, em 56 mulheres na pós-menopausa, os efeitos de 1 ano de treinamento resistido progressivo sobre a massa óssea, investigando se cargas maiores ou maior número de repetições eram mais eficazes e se os ganhos de DMO ocorriam de forma específica nas regiões mais submetidas a carga mecânica. | 56 mulheres na pós-menopausa, participantes de um programa de treinamento resistido progressivo durante 1 ano. | Treinamento resistido progressivo durante 1 ano, com exercícios que aplicavam cargas mecânicas nos principais grupos musculares, aumentando progressivamente a intensidade para estimular a massa óssea. | O grupo de força apresentou aumento significativo da DMO no trocânter, região intertrocantérica, triângulo de Ward e rádio ultradistal, enquanto o grupo de volume teve poucas alterações. A força muscular aumentou nos dois grupos, mas os ganhos ósseos foram maiores nas regiões submetidas a maior carga. Não houve aumento significativo no colo do fêmur. |
Fonte: Os autores (2026). Nota: os objetivos foram elaborados a partir dos resumos e dos textos dos estudos.
No estágio da pré-menopausa, os objetivos do TR estão concentrados na manutenção do pico de massa óssea e na prevenção da diminuição mineral precoce. Warren et al. (2008) avaliaram 148 mulheres sedentárias e com sobrepeso, com idades entre 25 e 44 anos, divididas entre o grupo resistido (GR = 72) e o grupo controle (GC = 76) ao longo de dois anos.
De forma complementar, Dutto et al. (2022) analisaram 69 mulheres sedentárias na pré-menopausa, de 20 a 35 anos, que concluíram o estudo nos três grupos: TR (n = 22), aeróbica de step (AS; n = 26) e GC (n = 21); todas receberam suplementação diária de 1.000 mg de cálcio durante 26 semanas. O protocolo de TR iniciou com 8 exercícios para membros inferiores e tronco, conduzindo de 10 a 12 repetições, com intensidade de 65% a 85% de uma repetição máxima (1RM), e manteve a massa óssea estável sem alterações estatisticamente significativas (p > 0,05). Em contrapartida, a AS promoveu aumentos estatisticamente significativos na DMO do calcâneo (+0,0176 g/cm²; p < 0,006 vs. GC; p < 0,004 vs. TR), da perna inferior (+0,0105 g/cm²; p = 0,02 vs. TR) e da vértebra L2 (+0,0082 g/cm²; p < 0,02 vs. GC), enquanto o GC registrou reduções locais.
A transição climatérica representa uma fase fisiológica de vulnerabilidade, acompanhada por oscilações e redução dos níveis de estrogênio, ocasionando um aumento acelerado na taxa de reestruturação óssea. No ensaio clínico STOP-EM (Strength Training for Osteoporosis Prevention during Early Menopause), analisaram 40 mulheres de 45 a 60 anos na perimenopausa e pós-menopausa precoce, que foram divididas nos grupos GR = 20 e GC = 20 durante a intervenção de nove meses. O grupo GR realizou TR progressivo e supervisionado presencialmente duas vezes por semana, com cargas de 80% a 85% de 1RM, integrando exercícios de core, equilíbrio e levantamento de peso. Os desfechos indicaram que o grupo GR alcançou um ganho de +1,1% na DMO da coluna lombar e manteve estável a DMO do colo do fêmur, enquanto o grupo GC apresentou declínios de 0,5% na coluna e 0,3% no colo femoral. O estudo também identificou efeitos funcionais e de composição corporal: o grupo GR evidenciou aumento na força máxima entre +12,6% e +30,5% e um ganho médio de +1,2% na massa magra total, contra uma perda de 0,8% no GC. Na perimenopausa e na pós-menopausa precoce, esses achados indicam que a carga mecânica aplicada durante o treinamento resistido progressivo de alta intensidade pode ser uma estratégia relevante para reduzir a perda de massa óssea, preservar a massa muscular e manter a capacidade funcional, embora, por se tratar de um ensaio de viabilidade, os próprios autores indiquem a necessidade de um ensaio definitivo para confirmar sua eficácia (Whitman et al., 2026).
Ao longo de um ano, avaliaram 56 mulheres na pós-menopausa com o TR progressivo para membros superiores e inferiores, com um lado do corpo exercitado e o outro servindo de controle, avaliando as diferenças entre um grupo de força (GF: 8 repetições máximas, 8RM) e um grupo de volume (GV: 20 repetições com a menor carga). O GF apresentou aumentos significativos na DMO do trocânter femoral (+1,7 ± 4,1% comparado com ‑0,6 ± 2,2% no lado controle), da região intertrocantérica (+1,5 ± 3,0% em relação a ‑0,1 ± 2,1% no lado controle) e do rádio ultradistal (+2,4 ± 4,3% em contraposição a ‑1,4 ± 2,3% no lado controle), além de aumento no triângulo de Ward (+2,3%), sem alterações no colo do fêmur. Por outro lado, o GV não apresentou ganhos na região do quadril, observando-se apenas uma discreta variação no ponto médio do rádio (+0,1 ± 1,4% quando comparado a ‑1,0 ± 2,3% no lado controle) (Kerr et al., 1996).
Em mulheres no período da pós-menopausa e sem o uso de TH, avaliaram 25 voluntárias de 57 a 75 anos: GR = 15 e GC = 10 durante 24 semanas de TR progressivo com 3 sessões semanais de 1 hora de duração, 3 séries de 10 repetições a 85% de 1RM em 12 exercícios. O grupo GR conservou a DMO, com variações de ‑0,13% na coluna lombar e de ‑0,09% no colo do fêmur, atenuando a desmineralização acentuada observada no GC (‑0,98% na coluna lombar e ‑1,58% no colo). Ademais, o treinamento promoveu ganhos de 46% na força dos membros superiores e de 39% nos membros inferiores, além de melhorias na composição corporal (Bocalini et al., 2009). Os achados de Kerr et al. (1996) indicam que a magnitude da sobrecarga mecânica exerce maior influência sobre a estimulação osteogênica do que o número isolado de repetições.
Essa relação foi confirmada em um estudo de 24 semanas com 45 mulheres na pós-menopausa, divididas entre treinamento resistido de alta intensidade (HIRT: 70% a 85% de 1RM, 8 repetições; n = 15), de baixa intensidade (LIRT: 40% a 60% de 1RM, 16 repetições; n = 15) e GC (n = 15). O HIRT apresentou maior eficácia na promoção de aumentos na DMO do colo do fêmur e da coluna lombar, enquanto o LIRT também demonstrou resultados positivos quando comparado ao GC (Eslamipour et al., 2023).
As meta-análises indicam efeito protetor do exercício sobre a perda óssea, embora os efeitos específicos do treinamento de força não tenham alcançado significância em Wolff et al. (1999) e tenham sido menores que os do exercício aeróbio em Kelley (1998). Considera-se que o esqueleto feminino requer estímulos mecânicos superiores às demandas habituais do cotidiano para atenuar a perda de massa mineral associada ao declínio estrogênico e ao processo de envelhecimento.
Sob a perspectiva fisiológica e celular, há uma relação dose-resposta entre a magnitude da carga física e a competência mecânica do tecido ósseo, observada em culturas de células e órgãos e em modelos animais (Smith; Gilligan, 1996). Nesse processo, o estímulo mecânico promove o deslocamento de fluido na rede lacuno-canalicular, gerando tensão de cisalhamento sobre as membranas dos osteócitos. A carga mecânica atua como estímulo anabólico, direcionando a osteogênese para as regiões em que ela é mais necessária, por vias que envolvem canais iônicos de membrana, sinalização por trifosfato de adenosina (ATP) e mensageiros como prostaglandinas e óxido nítrico (Turner; Robling, 2004).
No estudo BEST (Bone Estrogen Strength Training), analisaram 140 mulheres na pós-menopausa com idades entre 44 e 66 anos; 70 com TH e 70 sem TH, todas utilizando 800 mg/dia de cálcio ao longo de um ano de treinamento com cargas de 70% a 80% de 1RM. Foi identificada uma relação linear entre o volume total de carga levantada ao longo do ano e o aumento da DMO do trocânter femoral, especialmente nos exercícios compostos com sustentação de carga, como agachamento e leg press. Já a marcha com peso apresentou associação com a DMO do corpo total (Cussler et al., 2003).
Em um acompanhamento de quatro anos, foram avaliadas 167 mulheres pós-menopáusicas, com idade média de 56 anos, distribuídas entre o grupo de TR (n = 89), o grupo crossover (n = 55) e o GC (n = 23). No início do estudo, 54% das participantes faziam uso de TH. Os autores evidenciaram que a frequência aos treinos (prescritos em 3 sessões semanais de 60 a 75 minutos) associou-se positivamente às alterações da DMO no trocânter e no colo femoral, na coluna lombar e no corpo total. Entre as mulheres que não utilizavam TH, a ingestão de cálcio associou-se a aumentos de +1,9% na DMO do trocânter femoral e +2,3% no colo femoral por desvio-padrão de ingestão. Já entre as usuárias de TH, cada desvio-padrão de frequência aos treinos correspondeu a ganhos de +1,5% no trocânter femoral e +1,2% no colo femoral e na coluna lombar. O tipo de ação muscular influencia a magnitude da tensão transmitida aos pontos de inserção periosteal (Cussler et al., 2005).
De maneira semelhante, outro estudo demonstrou que o treinamento de força pode contribuir para o aumento e a manutenção da DMO em mulheres na pós-menopausa. As participantes foram distribuídas em três grupos: treinamento de força, realizado em três séries de oito repetições; condicionamento em circuito com cargas mínimas associado ao ciclismo; e grupo controle. Todas receberam suplementação de 600 mg de cálcio por dia. Os resultados mostraram aumentos na DMO da região intertrocantérica do quadril (+1,1 ± 3,0%), com a DMO permanecendo preservada ao longo do acompanhamento, reforçando os resultados observados em estudos que apontam os benefícios do TR para a saúde óssea de mulheres na pós-menopausa (Kerr et al., 2001).
Em consonância com esses achados, outros estudos destacaram a importância da suplementação de cálcio para a manutenção do metabolismo mineral, utilizando doses de 800 mg/dia e 1.000 mg/dia (Cussler et al., 2005; Dutto et al., 2022). Por outro lado, fora do corpus desta revisão, em mulheres na pré e pós-menopausa submetidas a restrição calórica, a suplementação de 1.000 mg/dia de cálcio não alterou de forma significativa a perda de peso e de massa gorda (Shapses; Heshka; Heymsfield, 2004). Além disso, a associação entre treinamento de força e TH pode proporcionar efeitos complementares sobre a DMO, favorecendo a manutenção da saúde óssea (Cussler et al., 2005).
Em outro ensaio, observou-se que o treinamento resistido pode contribuir para a preservação da saúde óssea em mulheres na pós-menopausa com baixa massa óssea.
Durante dois anos, as participantes, todas sob TH, realizaram treinamento resistido moderado em domicílio, direcionado aos membros superiores ou inferiores. Ambos os protocolos contribuíram para reverter a tendência de perda óssea femoral, com aumentos de 1,5% a 1,8% na DMO total do fêmur e de 2,4% a 2,5% no trocânter. Também foi observada uma redução de 9% no marcador de reabsorção óssea C-telopeptídeo, além da manutenção da massa magra. Esses resultados reforçam a contribuição do TR como estratégia complementar ao tratamento farmacológico em mulheres com comprometimento da saúde óssea (Judge et al., 2005).
Fora do corpus desta revisão, por não ter a DMO como desfecho, outro estudo demonstrou que a associação entre exercícios físicos e tratamento farmacológico pode proporcionar benefícios adicionais para mulheres na pós-menopausa com osteoporose. As participantes foram divididas em grupo intervenção (GI; n = 47) e GC (n = 49), ambos mantidos sob farmacoterapia padrão com bisfosfonatos, cálcio e vitamina D. O GI realizou TR progressivo com faixas elásticas e exercícios de equilíbrio, três vezes por semana, durante 70 minutos por sessão, além de caminhadas rápidas cinco dias por semana, com duração de 50 a 60 minutos. Os resultados indicaram melhorias significativamente superiores na força muscular dos membros inferiores, na mobilidade e no equilíbrio no grupo submetido à intervenção, enquanto o GC apresentou melhoras menores, detectadas apenas após 12 semanas. Esses achados reforçam a importância da inclusão do exercício físico no tratamento da osteoporose, especialmente para a melhora da capacidade funcional e do equilíbrio em mulheres pós-menopáusicas (Filipović et al., 2021).
Os resultados de Dutto et al. (2022), já descritos, reforçam que os estímulos mecânicos podem gerar respostas específicas na DMO, conforme o tipo de carga aplicada.
Também fora do corpus, por avaliar desfecho não ósseo, a comparação entre diferentes modalidades de exercício trouxe resultados relevantes para a saúde de mulheres na pós-menopausa. Durante oito meses, 115 participantes foram distribuídas entre um programa de treinamento resistido e de impacto de alta intensidade (HiRIT), realizado com cargas acima de 80% de 1RM e exercícios como levantamento terra, agachamento, desenvolvimento e saltos, e um programa de Pilates de baixa intensidade voltado à força global, ao equilíbrio, à mobilidade e à postura (LiPBE), com duas sessões semanais. Ao final da intervenção, não foram identificadas diferenças estatisticamente significativas entre os grupos, indicando respostas semelhantes entre as modalidades na qualidade de vida relacionada ao assoalho pélvico (Kistler-Fischbacher; Weeks; Beck, 2025).
Fora do corpus desta revisão, por não ter alocação randomizada, avaliaram-se oito meses de TR a 80% de 1RM (3 vezes por semana) isolado ou associado à vibração do corpo inteiro em idosas com deficiência estrogênica. A adição do estímulo vibratório potencializou os ganhos de força em exercícios específicos, embora o treinamento não tenha promovido ganhos de DMO nem alterado os marcadores bioquímicos, e a DMO do quadril total e do colo do fêmur tenha diminuído em todos os grupos (Bemben et al., 2010). Em conjunto, as evidências indicam que o TR é uma estratégia não farmacológica relevante para a preservação e o aprimoramento da saúde esquelética e funcional da mulher ao longo do ciclo de vida. As adaptações estendem-se da manutenção do conteúdo mineral e prevenção primária na pré-menopausa à contenção da desmineralização acelerada na perimenopausa e ao ganho e à preservação da DMO regional na pós-menopausa. Para otimizar o estímulo osteogênico na prática clínica e esportiva, recomenda-se, na prescrição do TR, priorizar intensidades elevadas e progressivas (70% a 85% de 1RM, como em Eslamipour et al., 2023, ou 8RM), tendo em vista que a magnitude do pico de sobrecarga supera o volume de repetições com cargas leves (Kerr et al., 1996); enfatizar exercícios compostos com sustentação de peso corporal e axiais (como agachamento, leg press e levantamento terra), bem como ações com forte componente excêntrico, que geram tração direta nas inserções periosteais do fêmur e da coluna; manter uma frequência regular de 2 a 3 sessões semanais com alta assiduidade, elemento-chave para estabilizar a matriz mineral e evitar a reabsorção; e combinar o TR ao aporte adequado de cálcio e vitamina D, integrando treinos de equilíbrio e impacto quando apropriado, além de utilizar o exercício como terapia complementar à TH ou ao tratamento com bisfosfonatos.
5. CONSIDERAÇÕES FINAIS
O presente estudo permite concluir que o treinamento resistido constitui uma estratégia não farmacológica relevante para a preservação e, em alguns estudos, o incremento da densidade mineral óssea em mulheres no período da menopausa. A evidência sintetizada indica que a aplicação de sobrecarga mecânica e o estímulo decorrente das contrações musculares podem atenuar ou reverter a perda acelerada de massa óssea provocada pelo declínio estrogênico característico dessa fase.
Verifica-se que os ganhos na massa óssea em resposta ao exercício de força parecem depender da intensidade de carga e, em alguns estudos, do local anatômico submetido ao estresse físico. Protocolos que priorizam exercícios resistidos progressivos e de alta intensidade podem gerar a tensão mecânica necessária para ativar as vias de osteogênese, promovendo a retenção e o ganho da densidade mineral em sítios esqueléticos criticamente vulneráveis a fraturas, como a coluna lombar e o quadril.
Em suma, observa-se que a prática regular e estruturada do treinamento resistido contribui para a manutenção da integridade estrutural do osso, figurando como intervenção relevante na prevenção e no controle da osteopenia e da osteoporose, sobretudo em mulheres na pós-menopausa. Recomenda-se que a prescrição dessa modalidade seja continuamente adaptada às individualidades biológicas, garantindo a sustentabilidade dos benefícios esqueléticos e funcionais ao longo do envelhecimento.
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1 Acadêmica do Curso de Educação Física – Bacharelado, do Centro Universitário FAG. E-mail: [clique para visualizar o e-mail]acesse o artigo original para visualizar o e-mail
2 Acadêmica do Curso de Educação Física – Bacharelado, do Centro Universitário FAG. E-mail: [clique para visualizar o e-mail]acesse o artigo original para visualizar o e-mail.
3 Professor Orientador, Bacharel em Educação Física e Mestre em Ciências pela Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP), do Centro Universitário FAG. E-mail: [clique para visualizar o e-mail]acesse o artigo original para visualizar o e-mail.