IMPLICAÇÕES BIOPSICOSSOCIAIS NA ADESÃO AO TRATAMENTO FISIOTERAPEUTICO EM PACIENTES COM DOR MUSCULOESQUELÉTICA CRÔNICA: UM ESTUDO TRANSVERSAL

BIOPSYCHOSOCIAL IMPLICATIONS FOR ADHERENCE TO PHYSICAL THERAPY TREATMENT IN PATIENTS WITH CHRONIC MUSCULOSKELETAL PAIN: A CROSS-SECTIONAL STUDY

REGISTRO DOI: 10.70773/revistatopicos/779325758

RESUMO
A presente pesquisa analisou a influência dos fatores biopsicossociais na adesão ao tratamento fisioterapêutico em pacientes com dor musculoesquelética crônica, considerando que a dor envolve dimensões físicas, emocionais e sociais, e que a adesão depende do engajamento ativo do paciente no processo terapêutico. Trata-se de um estudo transversal, observacional analítica, com abordagem quantitativa e qualitativa, realizado com 20 participantes atendidos em serviços de fisioterapia em Teresina-PI. Os dados foram coletados por questionário semiestruturado e analisados por estatística descritiva e análise de conteúdo de Minayo. Os resultados evidenciaram que os participantes reconhecem a dor como um fenômeno multifatorial, embora ainda coexistam concepções físicos e fisiopatológicos mais restritas. A dor foi descrita como persistente, variável em intensidade e localizada em diferentes regiões do corpo. Fatores emocionais, como ansiedade, estresse e preocupação, foram associados ao agravamento da dor. A motivação para permanecer no tratamento esteve ligada principalmente à percepção de melhora, ao acolhimento e ao vínculo terapêutico. O suporte familiar e social apareceu como facilitador, enquanto rotina, trabalho, transporte e dificuldades financeiras surgiram como barreiras relevantes à adesão. Conclui-se que a adesão à fisioterapia é influenciada por múltiplos fatores interdependentes, exigindo uma abordagem integral, centrada no paciente e adaptada ao seu contexto de vida.
Palavras-chave: dor musculoesquelética crônica; fisioterapia; adesão ao tratamento; fatores biopsicossociais.

ABSTRACT
This research analyzed the influence of biopsychosocial factors on adherence to physical therapy treatment in patients with chronic musculoskeletal pain, considering that pain involves physical, emotional, and social dimensions, and that adherence depends on the patient’s active engagement in the therapeutic process. This was a cross-sectional, analytical observational study with a quantitative and qualitative approach, conducted with 20 participants treated at physical therapy services in Teresina, Piauí, Brazil. Data were collected through a semi-structured questionnaire and analyzed using descriptive statistics and Minayo’s content analysis. The results showed that participants recognize pain as a multifactorial phenomenon, although more limited physical and pathophysiological conceptions still coexist. Pain was described as persistent, variable in intensity, and located in different regions of the body. Emotional factors such as anxiety, stress, and worry were associated with worsening pain. Motivation to remain in treatment was mainly linked to the perception of improvement, supportive care, and the therapeutic bond. Family and social support appeared as facilitators, while routine, work, transportation, and financial difficulties emerged as important barriers to adherence. It is concluded that adherence to physical therapy is influenced by multiple interdependent factors, requiring a comprehensive, patient-centered approach adapted to the individual’s life context.
Keywords: chronic musculoskeletal pain; physical therapy; treatment adherence; biopsychosocial factors.

1. INTRODUÇÃO

O modelo biopsicossocial proposto inicialmente por Engel em 1977 determina-se como um processo essencial para a compreensão e a interação entre os fatores psicológicos e os sociais na saúde e na doença. Nesse contexto, conforme as doenças se apresentam de forma mais complexas e multivariadas, profissionais da saúde podem aplicar esse modelo com o objetivo de melhorar os resultados clínicos por meio de relação dinâmica entre profissional de saúde e paciente (Xiao et al., 2021; Kusnanto; Agustian; Hilmanto, 2018).

A dor é vivida como uma experiência desagradável que envolve tanto componentes sensoriais quanto afetivos. Trata-se de uma sensação percebida pelo corpo acompanhada de um estado emocional aversivo, geralmente associada a dano tecidual presente ou a uma ameaça plausível de dano. Em muitos casos, essa experiência pode reproduzir sensações semelhantes às produzidas por uma lesão tecidual real ou provável (Raja et al., 2020).

A dor também pode ser classificada quanto à sua qualidade, sendo descrita pelo próprio paciente por meio de termos que caracterizam diferentes tipos de sensação que indicam dor de caráter neuropático como “queimação”, “formigamento/alfinetadas” e “choque elétrico”, e descritores como “aperto/pressionamento”, “latejante/pulsátil”, “em pontadas/aguda” costumam se associar mais a estados de origem nociceptiva ou de processo inflamatórios (Shkodra et al., 2021). Quando a dor persiste ou recorre por mais de três meses e afeta músculos, ossos, articulações ou tendões, é classificada como dor musculoesquelética crônica (Perrot et al., 2019).

A dor musculoesquelética crônica apresenta elevada prevalência na população e constitui um importante problema de saúde pública devido ao impacto na funcionalidade e na qualidade de vida dos indivíduos. Evidências epidemiológicas recentes indicam que aproximadamente 29% dos adultos apresentam dor musculoesquelética crônica (Truijen et al., 2025). Esses dados evidenciam a magnitude dessa condição e reforçam a necessidade de abordagens terapêuticas eficazes voltadas ao manejo da dor e à melhoria da qualidade de vida desses pacientes.

A adesão ao tratamento fisioterapêutico é uma escolha ativa do paciente que implica assumir responsabilidade pelo próprio bem-estar. Assim, a eficácia da reabilitação depende desse engajamento e comprometimento, manifestos pela participação nas sessões, pela realização dos exercícios e pelo seguimento das orientações (Mir, 2023; Chikaka; Keller, 2024).

O sucesso dessas estratégias depende fortemente de fatores individuais do paciente, como idade, crenças acerca da dor e do tratamento, autopercepção da dor, estado de saúde mental e nível de autoeficácia, influenciam fortemente a adesão ao tratamento fisioterapêutico (Dickson et al., 2024). Barreiras biopsicossociais, como desconforto durante a terapia, custos, dificuldades de deslocamento, medo e falta de suporte social, amplificam essa redução da adesão e comprometem os resultados da reabilitação (Gilanyi et al., 2024).

A adesão ao tratamento fisioterapêutico continua sendo um desafio clínico notável, uma vez que diversos fatores comportamentais e contextuais podem influenciar a continuidade e a efetividade das intervenções terapêuticas (Wilson et al., 2025). Uma compreensão mais ampla dessa perspectiva é pertinente, visto que os fatores biopsicossociais interferem na adesão da reabilitação fisioterapêutica em indivíduos com dor musculoesquelética crônica podendo reduzir a eficácia das intervenções propostas e prejudicar a funcionalidade dos pacientes. Portanto, o objetivo do presente estudo foi analisar os fatores biológicos, psicológicos e sociais inseridos em um atendimento fisioterapêutico com pacientes com dor musculoesquelética crônica.

2. METODOLOGIA

A pesquisa foi submetida ao Comitê de Ética em pesquisa do Centro Universitário Santo Agostinho (UNIFSA), via Plataforma Brasil. O estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa (parecer nº 8.266.896; CAAE: 94716225.0.0000.5602) (Anexo A), em conformidade com as Resoluções nº 466/12, nº 510/16 e nº 580/18 do Conselho Nacional de Saúde, bem como com a Lei Geral de Proteção de Dados (Lei nº 13.709/2018).

Trata-se de um estudo transversal, de caráter observacional analítico, com abordagem quali-quantitativa, realizado com pacientes portadores de dor musculoesquelética crônica atendidos no Serviço Escola Integrado de Saúde Carolina Freitas Lira (SIS) do UNIFSA e na clínica Mariana Sanchez LTDA, ambos situados em Teresina-PI, no período de 23/03/2026 a 08/04/2026.

O SIS caracteriza-se como um espaço de ensino-serviço que integra diferentes áreas da saúde, incluindo Fisioterapia, Nutrição, Psicologia, Farmácia e Odontologia, oferecendo atendimentos voltados à promoção, prevenção e reabilitação da saúde da comunidade, além de servir como campo de prática para acadêmicos. Na área de Fisioterapia, o serviço dispõe de atendimentos em diversas especialidades, como traumato-ortopedia, reumatologia, neurofuncional e cardiorrespiratória. A clínica Mariana Sanchez LTDA, por sua vez, trata-se de uma instituição privada que oferece atendimentos fisioterapêuticos voltados à reabilitação musculoesquelética, com infraestrutura adequada e abordagem individualizada, constituindo um ambiente complementar fundamental para a coleta de dados.

A amostra utilizada neste estudo foi não probabilística, do tipo consecutiva por conveniência. Os participantes envolvidos na pesquisa foram pacientes portadores de dor musculoesquelética crônica, em acompanhamento fisioterapêutico nas instituições selecionadas, por constituírem a população-alvo do estudo. Para a realização da pesquisa, a amostra foi composta por 20 participantes. Os participantes foram analisados como um único grupo, considerando o objetivo de investigar as implicações biopsicossociais relacionadas à dor musculoesquelética crônica e à adesão ao tratamento fisioterapêutico, sem comparação entre instituições ou subgrupos específicos.

O tamanho amostral foi definido por viabilidade operacional e pela natureza exploratória da investigação, não havendo pretensão de generalização populacional. Em estudos transversais com abordagem quali-quantitativa, amostras reduzidas podem ser metodologicamente justificadas quando se busca análise aprofundada de um fenômeno específico e suficiência analítica dos dados, especialmente em contextos de limitação de acesso aos participantes (Vasileiou et al., 2018).

Foram incluídos indivíduos, de ambos os sexos, com idade acima de 18 anos, com dor musculoesquelética crônica há pelo menos três meses e em acompanhamento fisioterapêutico, por constituírem a população-alvo do estudo. Também foram incluídos participantes com capacidade de compreensão dos instrumentos utilizados e que concordaram em participar da pesquisa mediante assinatura do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE) (Apêndice B). Foram excluídos da pesquisa indivíduos com comprometimentos cognitivos ou psicológicos que inviabilizassem a compreensão e participação no estudo, participantes ausentes no momento da coleta, aqueles que desistiram durante a pesquisa ou interromperam o tratamento fisioterapêutico no período do estudo.

A coleta de dados ocorreu de forma presencial, em ambiente reservado, após atendimento fisioterapêutico, sendo realizada pelos próprios pesquisadores, previamente treinados, por meio da aplicação única de questionário semiestruturado elaborado com base na literatura científica (Apêndice A). O tempo médio da aplicação do questionário foi de aproximadamente 20 minutos. A aplicação ocorreu em dias úteis, em horários previamente organizados de acordo com a rotina dos serviços, de modo a não interferir nos atendimentos. O instrumento foi aplicado em formato impresso, considerando maior acessibilidade e familiaridade por parte dos participantes, especialmente aqueles de maior faixa etária.

O questionário foi composto por 24 questões, distribuídas em cinco seções: (1) dados sociodemográficos; (2) conhecimento sobre implicações biopsicossociais da dor; (3) características da dor; (4) aspectos psicológicos relacionados à adesão ao tratamento; e (5) fatores sociais interferentes na reabilitação.

Previamente à aplicação, os participantes foram esclarecidos quanto aos objetivos, procedimentos e finalidade da pesquisa, formalizando sua participação mediante assinatura do TCLE. A coleta foi realizada em ambiente reservado, garantindo privacidade, sigilo e conforto aos participantes, sem interferência na rotina terapêutica. Os participantes foram informados sobre a liberdade de desistência a qualquer momento, sem qualquer prejuízo ao tratamento fisioterapêutico.

Os nomes dos participantes foram anonimizados e substituídos por códigos (por exemplo: “Participante 1”, “Participante 2”, etc.), garantindo a confidencialidade das informações obtidas, e os dados foram armazenados com acesso restrito à equipe de pesquisa. Os dados quantitativos foram organizados no Microsoft Excel e analisados por meio de estatística descritiva, incluindo frequência absoluta e relativa.

A análise dos dados foi desenvolvida com base na técnica de análise de conteúdo proposta por Minayo (2012), adotando-se uma abordagem qualitativa de caráter interpretativo voltada à compreensão das percepções dos participantes acerca da dor musculoesquelética crônica e da adesão ao tratamento fisioterapêutico. Os dados qualitativos foram examinados por meio de categorização temática, com base na similaridade das respostas, o que permitiu a identificação de padrões e significados atribuídos pelos participantes. A integração entre os dados quantitativos e qualitativos possibilitou uma compreensão mais ampla do fenômeno investigado, considerando sua complexidade biopsicossocial.

Ferramentas de Inteligência Artificial (IA) foram utilizadas de forma restrita como recurso auxiliar no desenvolvimento deste estudo, especialmente na organização de tabelas e na revisão textual do manuscrito, contribuindo para a melhoria da fluidez, coesão e adequação gramatical. Ressalta-se que não foram empregadas em nenhuma etapa de coleta, análise ou interpretação dos dados, tampouco na geração de resultados ou inferências, permanecendo a responsabilidade científica integralmente sob os pesquisadores.

O uso de IA em pesquisas científicas é reconhecido por organizações como o International Committee of Medical Journal Editors (ICMJE), (2026) quando restrito a funções de apoio técnico e editorial, desde que realizado com transparência e supervisão humana. Tais diretrizes reforçam que sua utilização não deve substituir atividades de autoria, análise ou tomada de decisão científica. O uso de IA neste estudo limitou-se a atividades auxiliares, sem impacto sobre a integridade, originalidade ou validade dos resultados.

Os riscos associados à pesquisa incluíram desconforto emocional decorrente de questões relacionadas à dor e aspectos psicossociais, além de eventual cansaço durante o preenchimento do questionário. Para minimizar possíveis desconfortos, a coleta foi realizada em ambiente reservado, garantindo privacidade e conforto aos participantes, que puderam interromper sua participação a qualquer momento, sem qualquer prejuízo ao tratamento fisioterapêutico. Em casos de necessidade, os participantes foram orientados a buscar apoio profissional, com possibilidade de encaminhamento para atendimento psicológico institucional.

Os benefícios da pesquisa estiveram relacionados à ampliação do conhecimento acerca das implicações biopsicossociais na adesão ao tratamento fisioterapêutico, contribuindo para o aprimoramento das práticas clínicas e para o desenvolvimento de estratégias mais eficazes de cuidado, em conformidade com os princípios éticos que regem pesquisas envolvendo seres humanos.

Os dados foram classificados e organizados em seis categorias semânticas, definidas por similaridade de conteúdo. Não foram realizadas análises inferenciais, considerando o delineamento do estudo e sua abordagem quali-quantitativa.

3. RESULTADOS E DISCUSSÃO

3.1. Caracterização dos Participantes

A análise dos dados foi realizada com base na proposta de Minayo (2012), permitindo a organização das informações em categorias temáticas e sua posterior interpretação à luz do referencial teórico. Os resultados quantitativos e qualitativos foram analisados de forma integrada, possibilitando uma compreensão ampliada dos fatores biopsicossociais envolvidos na adesão ao tratamento fisioterapêutico em pacientes com dor musculoesquelética crônica.

Inicialmente, procedeu-se à caracterização sociodemográfica dos participantes, contemplando variáveis relacionadas ao perfil social, educacional e ocupacional da amostra, cujos dados estão apresentados na Tabela 1.

Tabela 1 – Caracterização Sociodemográfica dos Participantes (n = 20).

Variável

Categoria

n

%

Gênero

   
 

Feminino

16

80,00

Masculino

4

20,00

Estado Civil

   
 

Solteiro

9

45,00

Casado

6

30,00

União estável

2

10,00

Viúvo

3

15,00

Escolaridade

   
 

Fundamental incompleto

1

5,00

Fundamental completo

1

5,00

Ensino médio incompleto

1

5,00

Ensino médio completo

11

55,00

Ensino superior incompleto

1

5,00

Ensino superior completo

5

25,00

Situação de Trabalho

   
 

Empregado formal

3

15,00

Empregado informal

2

10,00

Autônomo

4

20,00

Desempregado

2

10,00

Estudante

1

5,00

Aposentado

5

25,00

Dono de casa

3

15,00

Fonte: Barbosa, L. D. C. S.; Alencar, A. C.; Cardoso, L. G. S. N., 2026.

A caracterização sociodemográfica dos participantes evidenciou predominância do sexo feminino (80,0%), resultado que está em consonância com estudos que indicam maior utilização de serviços de saúde por mulheres (Travassos et al., 2002). Esse padrão pode estar relacionado tanto a fatores culturais quanto à maior percepção de necessidade de cuidado, podendo influenciar diretamente a adesão ao tratamento fisioterapêutico.

No que se refere ao estado civil, observou-se maior frequência de participantes solteiros (45,00%), seguidos por casados (30,00%) e viúvos (15,00%). Embora o estado civil não determine isoladamente a adesão ao tratamento, ele pode influenciar a disponibilidade de suporte social e familiar, aspecto que desempenha papel essencial no engajamento terapêutico e no enfrentamento da dor crônica. Estudos recentes demonstram que o suporte social está associado a melhores desfechos relacionados à dor e à adaptação às condições crônicas, podendo contribuir positivamente para a continuidade do cuidado e adesão ao tratamento fisioterapêutico (Weiß et al., 2024).

Em relação à escolaridade, destacou-se o predomínio do ensino médio completo (55,00%), seguido do ensino superior completo (25,00%). Esse perfil sugere um nível intermediário de instrução, o que pode influenciar a compreensão das orientações terapêuticas e a adesão ao tratamento. Segundo Parmar, et al. (2025), o letramento em saúde influencia diretamente a compreensão das informações em saúde e a adesão ao tratamento medicamentoso.

Quanto à situação de trabalho, observou-se maior frequência de aposentados (25,00%) e trabalhadores autônomos (20,00%), além de participantes empregados formalmente e donas de casa (15,00% cada). Esse dado revela heterogeneidade ocupacional, com implicações diretas na disponibilidade de tempo e na organização da rotina. A presença de indivíduos economicamente ativos pode representar um fator limitante para a adesão ao tratamento, especialmente quando há incompatibilidade entre horários de trabalho e atendimento, conforme discutido por Miranda, et al. (2023), ao evidenciarem a influência de fatores ocupacionais na continuidade e permanência em processos de reabilitação.

Somado a isso, a presença de aposentados pode indicar maior disponibilidade de tempo para comparecimento às sessões, porém associada, em alguns casos, a limitações financeiras, o que também pode impactar a continuidade do tratamento.

De maneira geral, o perfil sociodemográfico da amostra revela uma população heterogênea, com diferentes níveis de escolaridade, condições ocupacionais e contextos sociais, o que reforça a necessidade de abordagens individualizadas no planejamento terapêutico, considerando as particularidades de cada paciente.

Na sequência, foram analisadas as condições de moradia, acesso aos serviços de saúde e aspectos estruturais que podem influenciar a adesão ao tratamento fisioterapêutico, apresentados na Tabela 2.

Tabela 2 – Condições de Acesso, Moradia e Saúde dos Participantes (n = 20).

Variável

Categoria

n

%

Área de Residência

   
 

Urbana

18

90,00

Periferia

2

10,00

Moradia

   
 

Casa

15

75,00

Apartamento

5

25,00

Meios de Transportes

   
 

Transporte público

3

15,00

Carro particular

9

45,00

Moto

3

15,00

Caminhando

2

10,00

Aplicativo de transporte

3

15,00

Benefício Governamental

   
 

Sim

8

40,00

Não

12

60,00

Plano de Saúde

   
 

Sim

10

50,00

Não

10

50,00

Fonte: Barbosa, L. D. C. S.; Alencar, A. C.; Cardoso, L. G. S. N., 2026.

A análise das condições de acesso e contexto de vida dos participantes evidenciou predominância de residentes em áreas urbanas (90,00%), o que, em princípio, favorece o acesso aos serviços de saúde. No entanto, a presença de participantes residentes em áreas periféricas (10,00%) indica possíveis desigualdades no acesso, especialmente relacionadas à mobilidade urbana e à disponibilidade de transporte.

Relativamente ao tipo de moradia, a maioria dos participantes reside em casa (75,00%), o que pode refletir maior estabilidade habitacional. Entretanto, esse dado, isoladamente, não garante melhores condições de acesso à saúde, sendo necessário considerar fatores adicionais, como localização geográfica e infraestrutura.

Com relação ao transporte utilizado para frequentar a clínica, observou-se predominância do uso de carro particular (45,00%), seguido por transporte público, motocicleta e aplicativos (15,00% cada). Embora o uso de veículo próprio possa facilitar o acesso, a dependência de transporte público ou de terceiros pode representar uma barreira significativa, especialmente em contextos de limitação financeira ou mobilidade reduzida.

Esses achados são consistentes com a literatura que aponta fatores estruturais relacionados ao acesso aos serviços, incluindo dificuldades de deslocamento, como elementos que podem interferir na adesão ao tratamento fisioterapêutico (Agoriwo et al., 2024).

Sobre às condições econômicas, observou-se que 40,00% dos participantes recebem algum benefício governamental, enquanto 60,00% não possuem esse suporte. Esse dado evidencia a presença de vulnerabilidade econômica em parte da amostra, o que pode impactar diretamente a continuidade do tratamento, especialmente quando há custos associados ao transporte, consultas ou medicamentos.

Além disso, a distribuição equitativa entre participantes com e sem plano de saúde (50,00% cada) sugere desigualdade no acesso a serviços privados de saúde. Indivíduos sem cobertura tendem a depender exclusivamente do sistema público ou de serviços escola, o que pode influenciar tanto a frequência quanto a continuidade do tratamento.

De acordo com Katz, et al. (2025) os fatores socioeconômicos desempenham papel central na adesão aos programas de reabilitação, sendo limitações financeiras uma das principais barreiras à continuidade do cuidado.

Os resultados evidenciam que a adesão ao tratamento fisioterapêutico não depende apenas da motivação individual, mas está fortemente condicionada a fatores estruturais, econômicos e de acesso. Esses achados reforçam a importância de estratégias que considerem a realidade social dos pacientes, incluindo flexibilização de horários, facilitação do acesso e suporte social.

A partir dessa caracterização inicial, procedeu-se à análise qualitativa dos dados, permitindo a identificação das categorias temáticas que expressam as dimensões biopsicossociais da dor e da adesão ao tratamento fisioterapêutico. O processo analítico foi desenvolvido em três etapas: pré-análise, exploração do material e tratamento e interpretação dos resultados (Minayo, 2012).

3.2. Análise Qualitativa dos Dados

3.2.1. Pré-análise

Nesta fase inicial, realizou-se a leitura geral das transcrições das entrevistas, em busca de uma aproximação ampla e sensível ao conteúdo. Esse processo permitiu uma imersão no material empírico, favorecendo a compreensão global das experiências relatadas pelos participantes.

Foram destacados trechos representativos das falas, que indicavam percepções, sentimentos, dificuldades e estratégias relacionadas ao cotidiano e à vivência da dor musculoesquelética crônica e do tratamento fisioterapêutico. Essa leitura inicial possibilitou identificar elementos recorrentes e aspectos fundamentais para o objeto de estudo.

Durante esse processo, foram identificadas unidades de registro, compreendidas como expressões, palavras ou frases com significado considerável para a pesquisa. Essas unidades constituíram a base para a codificação inicial e para a organização do material empírico nas etapas subsequentes.

Ademais, foram observados repetições, convergências e contrastes nos discursos, permitindo a identificação de padrões iniciais e variações nas experiências dos participantes. Esse movimento analítico inicial foi fundamental para orientar a construção dos núcleos de sentido e das categorias temáticas desenvolvidas posteriormente.

A pré-análise possibilitou a organização e sistematização do material, preparando o corpus para a etapa de exploração do conteúdo.

3.2.2. Exploração do Material

Na etapa de exploração do material, as unidades de registro identificadas na fase anterior foram organizadas e codificadas, possibilitando a identificação de padrões temáticos e a construção dos núcleos de sentido. Esse processo consistiu na sistematização dos trechos das falas dos participantes, agrupando-os conforme suas semelhanças semânticas e temáticas.

O Quadro 1 apresenta as unidades de registro extraídas das falas dos participantes, organizadas por códigos e categorias temáticas iniciais, constituindo a base empírica para a análise qualitativa.

Quadro 1 – Unidades de Registro, Codificação e Categorização Temática (n=20).

Código

Trecho da Fala

Categoria

P1

“Depende só do corpo…”

Concepção biomédica da dor

P2

“Somente do corpo, por conta da idade…”

Concepção biomédica da dor

P3

“Não acho que a mente influencia”

Concepção biomédica da dor

P5

“A ansiedade agrava o bruxismo”

Concepção biopsicossocial

P6

“Existe uma cadeia de fatores”

Concepção biopsicossocial

P7

“Problemas e ansiedade influenciam”

Concepção biopsicossocial

P10

“Estresse aumenta minhas dores”

Influência emocional

P14

“Ansiedade piora a dor”

Influência emocional

P17

“Se estou mal, sinto mais dor”

Influência emocional

P3

“Perco horas de trabalho”

Barreiras ocupacionais

P4

“Horário do trabalho atrapalha”

Barreiras ocupacionais

P5

“Custo da fisioterapia”

Barreiras financeiras

P9

“Questão financeira”

Barreiras financeiras

P16

“Transporte caro”

Barreiras estruturais

P13

“Preciso de alguém para me levar”

Dependência funcional

P2

“Dependo de alguém para me deslocar”

Dependência funcional

P7

“Não tenho apoio familiar”

Ausência de suporte social

P10

“Família acha frescura”

Suporte social negativo

P16

“Filhos ajudam financeiramente”

Suporte social positivo

P20

“Vizinhos ajudaram no início”

Suporte social positivo

P3

“Vejo melhora no tratamento”

Motivação terapêutica

P6

“Empenho dos profissionais motiva”

Vínculo terapêutico

P14

“Sou bem acolhida”

Vínculo terapêutico

P9

“Me sinto melhor”

Percepção de eficácia

P4

“Dor todos os dias”

Experiência crônica da dor

P16

“Dor dia e noite”

Experiência crônica da dor

P10

“Dor constante”

Experiência crônica da dor

P4

“Dor 10 em várias regiões”

Intensidade elevada

P16

“Dor 10 em várias partes”

Intensidade elevada

P1

“Sem dor em repouso”

Variabilidade da dor

Fonte: Barbosa, L. D. C. S.; Alencar, A. C.; Cardoso, L. G. S. N., 2026.

A análise do Quadro 1 evidencia a diversidade de conteúdos presentes nas falas dos participantes, permitindo identificar recorrências e padrões iniciais relacionados às dimensões da dor, fatores emocionais, condições sociais e aspectos estruturais do tratamento. Essa organização inicial do material possibilitou a construção dos núcleos de sentido, que representam as ideias centrais verificadas nos discursos dos entrevistados.

A partir dessa sistematização, os dados foram agrupados em núcleos de sentido, conforme suas proximidades temáticas e semânticas, constituindo o elo entre o conteúdo empírico e a interpretação analítica. Esse movimento permitiu avançar da codificação inicial para a construção das categorias analíticas, evidenciando dimensões vultosos do fenômeno investigado.

Com base nesses núcleos, foram elaboradas as categorias analíticas, que expressam os principais eixos de compreensão do estudo. As seis categorias resultantes foram: (1) concepções sobre a dor; (2) experiência da dor crônica; (3) influência de fatores psicológicos na dor; (4) motivação e adesão ao tratamento fisioterapêutico; (5) suporte social e familiar; e (6) barreiras à adesão ao tratamento fisioterapêutico.

A sistematização dessas categorias permitiu organizar os achados de forma estruturada, articulando os dados empíricos aos objetivos da pesquisa e ao referencial teórico adotado. O Quadro 2 apresenta a síntese das categorias analíticas, relacionando as descobertas às dimensões do modelo biopsicossocial e aos objetivos do estudo.

Quadro 2 Síntese das Categorias Analíticas

Categoria

Descrição Interpretativa

Evidência nas Falas

Relação com os Objetivos

Concepções sobre a dor

Predomínio de concepções biomédicas, com presença de entendimento biopsicossocial

“Depende só do corpo” (P1)

“Depende da mente” (P9)

Avaliar compreensão sobre fatores biopsicossociais

Experiência da dor crônica

Dor persistente, diária e heterogênea em intensidade e localização

“Todos os dias” (P4)

“Dor constante” (P10)

Caracterizar dimensão biológica

Influência de fatores psicológicos na dor

Emoções como ansiedade e estresse influenciam a dor

“Ansiedade piora a dor” (P17)

Identificar fatores psicológicos

Motivação e adesão ao tratamento fisioterapêutico

Motivação associada à melhora percebida e vínculo terapêutico

“Vejo melhora” (P3)

“Sou bem acolhida” (P14)

Analisar adesão ao tratamento

Suporte social e familiar

Apoio familiar atua como facilitador ou barreira

“Me ajudam financeiramente” (P16)

“Família acha frescura” (P10)

Avaliar fatores sociais

Barreiras à adesão ao tratamento fisioterapêutico

Tempo, trabalho, custo e transporte dificultam o tratamento

“Horário do trabalho” (P3)

“Transporte caro” (P16)

Identificar fatores que comprometem a adesão

Fonte: Barbosa, L. D. C. S.; Alencar, A. C.; Cardoso, L. G. S. N., 2026.

3.2.3. Tratamento dos Resultados e Interpretação

Na terceira etapa, os resultados foram interpretados com base no referencial teórico e nos objetivos da pesquisa, buscando ultrapassar a descrição das falas e compreender os significados subjacentes às experiências dos participantes. Esse processo permitiu avançar da organização empírica dos dados para uma análise interpretativa mais aprofundada, considerando a complexidade do fenômeno investigado.

Os núcleos de sentido identificados foram integrados às categorias analíticas, possibilitando a articulação entre os discursos individuais e as dimensões coletivas relacionadas aos fatores biopsicossociais envolvidos na adesão ao tratamento fisioterapêutico. Essa integração evidencia que os diferentes aspectos da experiência dos participantes não se apresentam de forma isolada, mas inter-relacionados, compondo um conjunto dinâmico de influências sobre o processo de adoecimento e tratamento.

A sistematização dos dados possibilitou a construção de inferências analíticas consistentes, respeitando tanto a singularidade dos sujeitos quanto os padrões identificados no conjunto das falas. Nessa perspectiva, a análise evidenciou a interdependência entre fatores emocionais, sociais e estruturais, reforçando a compreensão da dor e da adesão ao tratamento a partir do modelo biopsicossocial.

O Quadro 3 apresenta a integração entre as categorias analíticas finais e os núcleos de sentido identificados nas falas, sintetizando os principais achados do estudo.

Quadro 3 – Integração Analítica das Categorias e Núcleos de Sentido

Categoria Analítica Final

Núcleos de Sentido Identificados nas Falas

Concepções sobre a dor

Predomínio de visão biomédica; compreensão parcial do modelo biopsicossocial; presença de concepções integrativas corpo-mente

Experiência da dor crônica

Dor persistente e recorrente; variabilidade de intensidade; múltiplas localizações corporais; adaptação ao quadro doloroso

Influência de fatores psicológicos na dor

Associação entre dor e estados emocionais; ansiedade e estresse como agravantes; percepção individual variável

Motivação e adesão ao tratamento fisioterapêutico

Motivação baseada na melhora percebida; importância do acolhimento; vínculo terapêutico como fator de adesão

Suporte social e familiar

Apoio familiar como facilitador; suporte financeiro e emocional; ausência ou suporte negativo como barreira

Barreiras à adesão ao tratamento fisioterapêutico

Limitações de tempo; conflitos com trabalho; dificuldades financeiras; problemas de transporte; dependência de terceiros

Fonte: Barbosa, L. D. C. S.; Alencar, A. C.; Cardoso, L. G. S. N., 2026.

A análise do Quadro 3 evidencia que as categorias emergentes estão profundamente articuladas entre si, demonstrando que a experiência da dor musculoesquelética crônica e a adesão ao tratamento fisioterapêutico resultam da interação entre múltiplos fatores. Observa-se que aspectos relacionados às concepções sobre a dor, às experiências subjetivas, às influências emocionais, ao suporte social e às condições estruturais não atuam de forma isolada, mas se entrelaçam no cotidiano dos participantes, influenciando diretamente suas práticas de cuidado e sua permanência no tratamento.

A partir dessa sistematização, torna-se possível avançar para a análise interpretativa aprofundada dos dados. Para fins de organização e clareza na apresentação dos resultados, as categorias temáticas foram estruturadas em subseções específicas, nas quais são discutidas de forma detalhada, articulando os dados empíricos com o referencial teórico.

Assim, a seguir, são apresentadas as categorias analíticas emergentes deste estudo, iniciando-se pela análise das concepções dos participantes sobre a dor musculoesquelética crônica.

3.3. Categorias Analíticas

3.3.1. Concepções Sobre a Dor

A compreensão da dor musculoesquelética crônica pelos pacientes constitui um elemento fundamental para a análise do processo de adoecimento e da adesão ao tratamento, uma vez que as crenças e interpretações individuais influenciam diretamente o modo como os sujeitos percebem, enfrentam e respondem às intervenções terapêuticas. Nesse contexto, investigar as concepções sobre a dor permite identificar não apenas conhecimentos prévios, mas também representações subjetivas que orientam comportamentos, expectativas e formas de engajamento no cuidado em saúde. Assim, esta categoria busca analisar as diferentes formas de compreensão da dor entre os participantes, considerando a coexistência de modelos explicativos distintos.

Os dados evidenciaram a coexistência de diferentes concepções acerca da dor musculoesquelética crônica, revelando a presença simultânea de modelos biomédicos, biopsicossociais e integrativos entre os participantes. Uma parcela dos entrevistados demonstrou compreensão centrada no modelo biomédico, associando a dor exclusivamente a fatores físicos e estruturais:

“Depende só do corpo, por conta que a dor só aparece quando faço alguns movimentos.” (P1)

“Somente do corpo, por conta da idade as dores vão vindo.” (P2)

“Depende só do corpo, por causa da lesão que sofri, pois não percebo que outras coisas como a ansiedade influenciam na minha dor.” (P19)

A análise dessas falas evidencia uma concepção reducionista da dor, limitada à dimensão biológica e centrada em alterações estruturais ou funcionais do corpo. Essa perspectiva permanece frequente entre indivíduos com dor crônica, especialmente pela influência histórica do modelo biomédico na compreensão do processo saúde-doença. Nesse prisma, Kleinstäuber, et al. (2024) destacam que muitos pacientes ainda compreendem a dor predominantemente a partir de fatores físicos e corporais, apresentando menor reconhecimento da influência de aspectos psicológicos e sociais na experiência dolorosa. Entretanto, evidências contemporâneas indicam que a experiência da dor ultrapassa alterações orgânicas isoladas, sendo influenciada também pela forma como o indivíduo interpreta sua condição, lida com o sofrimento e responde às limitações impostas pela dor crônica.

Por outro lado, a maioria dos participantes reconhece a influência de fatores emocionais e contextuais na experiência da dor:

“Depende da mente e das situações da vida, porque eu sinto dor por causa das dificuldades no dia a dia.” (P9)

“Só da mente e das situações de vida, pois o estresse aumenta minhas dores, e causa dificuldade de andar” (P10)

“Depende das situações de vida e da mente, porque se eu estiver bem, se meu psicológico estiver bem, eu não sinto dor, mas se eu estiver mal eu sinto.” (P17)

Esses relatos indicam uma compreensão mais ampliada da dor, na qual aspectos emocionais, como estresse, ansiedade e condições de vida, são reconhecidos como fatores que influenciam diretamente a intensidade e a manifestação dos sintomas. Essa percepção evidencia uma aproximação com o modelo biopsicossocial, sugerindo que os participantes atribuem significado à dor a partir de suas experiências subjetivas e contextuais.

Além dessas perspectivas, alguns participantes demonstraram uma compreensão integrativa, reconhecendo simultaneamente a influência de fatores físicos e emocionais:

“As dores chegam com base no meu estado físico e mental. A preocupação, a ansiedade às vezes pioram a dor.” (P14)

“Depende dos dois, porque além da dor, a preocupação também acaba influenciando como a gente sente essa dor.” (P16)

Essas falas revelam uma compreensão mais complexa e articulada da dor, na qual não há dissociação entre corpo e mente, mas sim reconhecimento da interdependência entre essas dimensões. Tal visão está alinhada com a compreensão contemporânea da dor proposta pela International Association for the Study of Pain, (IASP, 2021) que a define como uma experiência sensorial e emocional associada a dano real ou potencial.

Nicholas, et al. (2022) complementam essa perspectiva ao enfatizar que a dor é influenciada por fatores contextuais, emocionais e cognitivos, sendo moldada pelas experiências individuais e pelo ambiente no qual o sujeito está inserido. A dor não pode ser compreendida de forma isolada, mas deve ser analisada dentro de um contexto mais amplo, que inclui aspectos subjetivos e sociais.

A coexistência dessas diferentes concepções entre os participantes evidencia não apenas a complexidade da dor musculoesquelética crônica, mas também a heterogeneidade na forma como os indivíduos interpretam e atribuem significado à sua experiência dolorosa. Essa diversidade de percepções pode influenciar diretamente a adesão ao tratamento, uma vez que crenças mais restritas ou centradas exclusivamente no modelo biomédico podem limitar a compreensão das intervenções propostas, especialmente aquelas que envolvem aspectos comportamentais e emocionais.

Em vista disso, os pontos identificados desta categoria reforçam a necessidade de intervenções educativas no contexto da fisioterapia, voltadas para a ampliação do entendimento dos pacientes sobre a dor. Promover uma compreensão alinhada ao modelo biopsicossocial pode contribuir para maior engajamento no tratamento, melhor manejo dos sintomas e desenvolvimento de estratégias mais eficazes de enfrentamento da dor crônica.

3.3.2. Experiência da Dor Crônica

A experiência da dor musculoesquelética crônica envolve diferentes manifestações relacionadas à frequência, intensidade, localização e percepção dolorosa no cotidiano dos indivíduos. A partir dos relatos dos participantes, esta categoria busca analisar como a dor é vivenciada e percebida, considerando suas repercussões funcionais e subjetivas.

Os relatos evidenciaram uma experiência dolorosa persistente e variável entre os participantes, marcada por diferentes padrões de intensidade, recorrência e distribuição corporal. Os participantes relataram dor frequente, frequentemente diária:

“Todos os dias, tem dias que é mais que o normal, costuma ser uma dor que para e depois volta.” (P4)

“Todos os dias, de dia e pela noite também, às vezes tem hora que melhora.” (P16)

“Todos os dias, tem horas que sinto um pouco durante o dia, mas em alguns momentos a sensação de dor passa devido ao costume.” (P20)

A recorrência diária da dor, conforme evidenciado nos relatos, indica que a experiência dolorosa deixa de ser episódica e passa a integrar de forma contínua a rotina dos indivíduos, influenciando diretamente sua funcionalidade e qualidade de vida. Esse padrão reforça a compreensão da dor crônica como uma condição persistente, cuja manutenção está associada a mecanismos neurobiológicos complexos.

No que se refere à intensidade da dor, observou-se grande variabilidade entre os participantes, tanto em situações de repouso quanto durante o movimento:

“De 0 a 10, 0 em repouso, pois não sinto dor quando não estou me movimentando.” (P1)

“Não sinto as pontadas estando parada, então de 0 a 10 é 0.” (P8)

“Quando estou em repouso sinto 10 nas mãos, 10 nas costas, 0 nas pernas; 6 nos braços.” (P4)

“Dói muito no quadril, me queixo muito na hora de dormir, de 0 a 10, 8.” (P9)

Durante o movimento, a dor tende a intensificar-se:

“De 0 a 10, 9 no braço e 7 na coluna.” (P1)

“10 joelhos; 10 lombar; 10 mãos.” (P4)

“10, nas costas, nos braços e nas pernas.” (P7)

“10, no joelho; 10, na lombar; 10, nas mãos.” (P16)

A análise dessas falas evidencia que a intensidade da dor não se apresenta de forma uniforme, variando entre indivíduos e dentro do próprio indivíduo, a depender da atividade realizada, do momento do dia e de fatores contextuais. Essa variabilidade reforça o caráter subjetivo da dor, bem como sua modulação por múltiplos mecanismos fisiológicos e psicossociais. Nijs, et al. (2021) explicam que a sensibilização central desempenha papel fundamental nesse processo, uma vez que pode amplificar a percepção dolorosa, tornando-a mais intensa, difusa e persistente.

De forma complementar, Kaplan, et al. (2024) destacam que diferentes manifestações da dor crônica podem estar relacionadas à coexistência de mecanismos nociceptivos, neuropáticos e nociplásticos, contribuindo para apresentações clínicas distintas entre os indivíduos. A diversidade de manifestações observadas entre os participantes reforça a necessidade de uma avaliação clínica abrangente, capaz de considerar as diferentes formas de apresentação da dor musculoesquelética crônica.

Tabela 3 – Descritores da Dor Referidos pelos Participantes (n = 20).

Categoria

Frequência (n)

Porcentagem

Queimação

4

20,00%

Formigamento / “alfinetada”

12

60,00%

Choque elétrico

7

35,00%

Aperto / pressionamento

4

20,00%

Latejante / pulsátil

6

30,00%

Em pontadas / aguda

14

70,00%

Dolorosa e difusa (“mole”)

6

30,00%

Fonte: Barbosa, L. D. C. S.; Alencar, A. C.; Cardoso, L. G. S. N., 2026.

A análise dos dados apresentados na Tabela 3 evidencia a multiplicidade de descritores utilizados pelos participantes para caracterizar a dor, confirmando seu caráter subjetivo e multifacetado. Por se tratar de uma questão de múltipla resposta, os participantes puderam assinalar mais de um descritor, o que explica o fato de as frequências e percentuais ultrapassarem 100%. Observou-se predomínio dos descritores dor em pontadas/aguda (14; 70,00%) e formigamento/alfinetadas (12; 60,00%), seguidos de choque elétrico (7; 35,00%), latejante/pulsátil (6; 30,00%), dolorosa e difusa (“mole”) (6; 30,00%), queimação (4; 20,00%) e aperto/pressionamento (4; 20,00%).

Esses dados reforçam a heterogeneidade da experiência dolorosa e sugerem a presença de diferentes mecanismos subjacentes à dor, conforme discutido por Hamdan, Galvez e Katati (2024). A coexistência de descritores como “choque elétrico” e “formigamento”, por exemplo, pode indicar componentes neuropáticos, enquanto descritores como “latejante” e “dolorosa” podem estar associados a mecanismos nociceptivos, evidenciando a complexidade do quadro clínico.

Tabela 4 – Localização da Dor dos Participantes (n = 20).

Categoria

Frequência (n)

Porcentagem

Cabeça

1

5,00%

Tronco

9

45,00%

Membro superior

4

20,00%

Membro inferior

8

40,00%

Dor generalizada (no corpo todo)

5

25,00%

Fonte: Barbosa, L. D. C. S.; Alencar, A. C.; Cardoso, L. G. S. N., 2026.

A Tabela 4 complementa essa análise ao evidenciar a distribuição corporal da dor entre os participantes. Observa-se predomínio da dor localizada no tronco, com 9 menções (45,00%), seguida da dor em membros inferiores (8; 40,00%). Também foram relatadas dor generalizada (5; 25,00%), dor em membros superiores (4; 20,00%) e dor na cabeça (1; 5,00%). Assim como na tabela anterior, os percentuais ultrapassam 100% devido à possibilidade de múltiplas respostas.

A diversidade de localizações reforça a complexidade da dor musculoesquelética crônica, indicando que, em muitos casos, a dor não se restringe a uma região específica, mas pode assumir caráter difuso ou migratório. Esse padrão pode estar relacionado a mecanismos de dor nociplástica e sensibilização central, caracterizados pela amplificação da percepção dolorosa e disseminação da dor para múltiplas regiões corporais (Fitzcharles et al., 2021).

Em síntese, os sinais observados desta categoria evidenciam que a experiência da dor musculoesquelética crônica é marcada por persistência, variabilidade e multiplicidade de manifestações.

3.3.3. Influência de Fatores Psicológicos na Dor

Os fatores psicológicos desempenham papel pertinente na experiência da dor musculoesquelética crônica, influenciando não apenas a percepção dolorosa, mas também a forma como os indivíduos lidam com os sintomas e com o processo terapêutico. Aspectos emocionais, como ansiedade, estresse e preocupação, podem contribuir para o agravamento da dor e interferir diretamente no cotidiano dos pacientes. Nesse contexto, esta categoria analisa a influência desses fatores a partir das percepções relatadas pelos participantes.

“Quando surge alguma preocupação, fico nervosa e a dor começa a aumentar.” (P4)

“Quando o meu psicológico se abala, as dores pioram.” (P9)

“É como se a dor fosse um choque quando alguém/alguma coisa me incomoda ou me preocupa, ela acaba piorando. (P 14)

“Quando estou estressada ou ansiosa sinto dor nas mãos, nas pernas, dormência também.” (P16)

“A ansiedade piora a minha dor, quando estou triste, depressiva.” (P17)

Esses relatos demonstram que a dor é modulada por estados emocionais, reforçando seu caráter biopsicossocial. Cohen, et al. (2020) apontam que ansiedade e estresse estão associados ao aumento da sensibilidade à dor e à sua cronificação.

O medo relacionado à atividade física também foi identificado na fala “Tenho muito medo de piorar…” (P16). Esse aspecto pode ser compreendido à luz do modelo de evitação do medo (Crombez et al., 2023), no qual a dor leva à evitação de atividades, contribuindo para a manutenção do quadro.

Os dados da Tabela 5 reforçam essa relação, indicando que a maioria dos participantes percebe influência dos fatores emocionais na dor.

Tabela 5 – Influência de Fatores Emocionais na Intensidade da Dor (n = 20).

Variável

Categoria

n

Porcentagem

Medo que a atividade física ou exercício piorem a dor?

Sim

1

5,26%

Não

13

68,42%

Um pouco

1

5,26%

Muito medo

1

5,26%

Às vezes

3

15,79%

Sentimentos influenciam a intensidade da dor?

Sim

15

75,00%

Não

5

25,00%

Fontes: Barbosa, L. D. C. S.; Alencar, A. C.; Cardoso, L. G. S. N., 2026.

Observa-se que a maioria dos participantes relatou que os sentimentos influenciam a intensidade da dor (75%), enquanto 25% afirmaram não perceber essa influência. Em relação ao medo de piora da dor com a prática de atividade física ou exercícios, predominou a resposta negativa (68,42%), embora uma parcela dos participantes tenha indicado essa preocupação em diferentes graus, como “às vezes” (15,79%), “um pouco” (5,26%) e “muito medo” (5,26%).

Tais dados indicam que fatores emocionais exercem influência destacável na intensidade da dor. Embora o medo do movimento não tenha se mostrado predominante, sua presença em parte da amostra sugere que crenças e expectativas relacionadas à dor podem interferir no comportamento dos indivíduos.

3.3.4. Motivação e Adesão Ao Tratamento Fisioterapêutico

A motivação para a continuidade do tratamento fisioterapêutico representa um fator importante na adesão de pacientes com dor musculoesquelética crônica, especialmente por se tratar de um processo que exige participação ativa e constância. Diante desse cenário, esta categoria analisa os fatores que influenciam a motivação dos participantes para permanecer no tratamento, considerando aspectos individuais, relacionais e contextuais.

Foram analisados os fatores relacionados à motivação dos pacientes quanto à continuidade do tratamento fisioterapêutico. Observou-se que todos os participantes relataram sentir-se motivados a prosseguir com o tratamento, sendo essa motivação associada principalmente à percepção de melhora dos sintomas, ao bem-estar durante o atendimento e à expectativa de recuperação. Ademais, verificou-se que, embora fatores externos, como o contexto familiar, possam influenciar a motivação em alguns casos, o ambiente terapêutico e a qualidade do atendimento permanecem como elementos centrais para a adesão, como evidenciado nas falas a seguir:

“O ambiente da fisioterapia faz bem e isso ajuda na longevidade da minha vida.” (P2)

“Sinto motivado pelo empenho dos acadêmicos e professores na prestação continuada ao tratamento.” (P6)

“Eu me sinto melhor, me sinto bem, a fisioterapia melhora.” (P9)

“Às vezes a falta de apoio da família desmotiva, mas o convívio com os profissionais e outras pessoas na clínica me motiva a continuar.” (P10)

“Sou bem recebida e acolhida, as dores melhoram e saio leve do atendimento.” (P14)

“Sinto motivado porque vejo melhora nos movimentos, nas dores e na cicatrização.” (P20)

A análise dessas falas evidencia que a motivação não se configura como um fenômeno isolado ou exclusivamente intrínseco, mas sim como um processo dinâmico, construído a partir da experiência subjetiva de melhora e das interações estabelecidas no contexto terapêutico. A percepção de benefício, manifestada por meio da redução da dor, melhora funcional e sensação de bem-estar, emerge como um dos principais elementos que sustentam o engajamento dos pacientes, reforçando a continuidade do tratamento mesmo diante de possíveis dificuldades externas.

Os achados indicam que a adesão ao tratamento está diretamente relacionada à percepção de benefício, conforme descrito por Nevelikova, et al. (2025), que destacam a motivação como um dos principais determinantes da adesão. A percepção de melhora atua como um reforçador positivo, contribuindo para que o paciente atribua significado ao tratamento e reconheça seus efeitos na própria condição de saúde.

Paralelamente, o vínculo terapêutico emerge como um fator central na sustentação da motivação. A qualidade da relação estabelecida entre paciente e profissional, caracterizada pelo acolhimento, empatia, escuta qualificada e suporte emocional, desempenha papel fundamental no engajamento dos indivíduos no processo terapêutico. Conforme destacado por Heisig, et al. (2025), a qualidade dessa relação influencia diretamente o nível de adesão, uma vez que favorece a confiança, o comprometimento e a participação ativa do paciente.

Pires, et al. (2020) destacam que a percepção de melhora ao longo do tratamento está associada à continuidade das intervenções fisioterapêuticas, uma vez que mudanças na dor e na funcionalidade influenciam a percepção global de recuperação dos pacientes. Esses achados sugerem que a experiência de melhora pode favorecer o engajamento e a permanência no processo terapêutico.

Outro aspecto significativo refere-se ao papel da autoeficácia e da percepção de competência no processo de adesão. Souza, et al. (2025) destacam que indivíduos que se percebem capazes de lidar com sua condição de saúde e de participar ativamente do tratamento apresentam maior probabilidade de manter o engajamento terapêutico. A motivação não depende apenas de fatores externos, mas também da forma como o paciente interpreta sua própria capacidade de enfrentamento e evolução clínica.

Os resultados desta categoria evidenciam que a motivação para a continuidade do tratamento fisioterapêutico está relacionada não apenas à percepção de melhora dos sintomas, mas também às experiências vivenciadas pelos pacientes ao longo do processo de reabilitação. Aspectos como bem-estar durante os atendimentos, participação ativa no tratamento e confiança na evolução clínica demonstraram influência sobre o engajamento terapêutico, contribuindo para a permanência e envolvimento dos indivíduos nas intervenções fisioterapêuticas.

3.3.5. Suporte Social e Familiar

O suporte social e familiar exerce influência importante na adesão ao tratamento fisioterapêutico, especialmente em condições crônicas que demandam continuidade do cuidado. O apoio de familiares, amigos e pessoas próximas pode contribuir para o engajamento dos pacientes no processo terapêutico por meio de incentivo emocional, auxílio financeiro e suporte na locomoção, conforme evidenciado nas falas a seguir:

“Eles me incentivam bastante, minha filha pede para que eu continue o tratamento.” (P4)

“Minha família me incentiva e ajuda na questão financeira e no apoio moral.” (P5)

“Eles, meus filhos, me ajudam a pagar o transporte e as sessões de fisioterapia.” (P16)

“Todos os meus vizinhos me ajudaram a ir para os atendimentos no começo do tratamento. E hoje a minha avó também me incentiva bastante em continuar no tratamento.” (P20)

A análise desses relatos evidencia que o apoio social não se limita a um único tipo de ajuda, mas se configura como um fenômeno multifacetado, que envolve dimensões emocionais, práticas e financeiras. O incentivo moral, o encorajamento contínuo e o reconhecimento da importância do tratamento por parte dos familiares contribuem para fortalecer a motivação dos pacientes, enquanto o suporte financeiro e logístico atua diretamente na viabilização do acesso aos serviços de saúde.

Esse achado está em consonância com estudos que destacam a atuação da família e das pessoas próximas como fator importante para favorecer a adesão e o comparecimento dos pacientes às sessões terapêuticas (Van Delft et al., 2021).

Nessa perspectiva, a presença de uma rede de apoio estruturada favorece não apenas o início do tratamento, mas, sobretudo, sua continuidade, uma vez que reduz barreiras práticas e amplia as condições de enfrentamento das demandas impostas pela condição crônica.

Adicionalmente, o apoio interpessoal, seja por incentivo emocional ou auxílio prático, associa-se a maior engajamento no cuidado e à manutenção das práticas terapêuticas em indivíduos com dor musculoesquelética crônica (Roberts et al., 2024). Esse engajamento se manifesta na frequência às sessões, no cumprimento das orientações terapêuticas e na disposição para manter o tratamento mesmo diante de dificuldades, evidenciando o papel do suporte social como um mediador entre intenção e comportamento.

Outro aspecto pertinente refere-se à ampliação da rede de apoio para além do núcleo familiar. Conforme evidenciado nos relatos, o suporte também pode ser oferecido por amigos, vizinhos e outras pessoas do convívio social, demonstrando que o processo terapêutico está inserido em um contexto social mais amplo. Esse suporte comunitário pode favorecer o acesso ao tratamento e auxiliar na superação de dificuldades práticas, especialmente em situações de maior vulnerabilidade social.

De modo geral, os achados desta categoria demonstram que o suporte social e familiar exerce influência importante na adesão ao tratamento fisioterapêutico, contribuindo para o fortalecimento emocional, o engajamento dos pacientes e a continuidade do processo de reabilitação. Por conseguinte, a rede de apoio mostra-se como um elemento relevante no cuidado em saúde, reforçando a importância de abordagens terapêuticas que considerem também os aspectos relacionais envolvidos no tratamento.

3.3.6. Barreiras à Adesão Ao Tratamento Fisioterapêutico

A adesão ao tratamento fisioterapêutico, especialmente em condições crônicas, não depende exclusivamente da motivação individual, mas é profundamente influenciada por fatores estruturais, econômicos e contextuais que atravessam o cotidiano dos pacientes. A análise das barreiras à adesão permite compreender os desafios concretos enfrentados pelos indivíduos para manter a continuidade do cuidado, evidenciando que o engajamento terapêutico está inserido em uma realidade social marcada por limitações práticas, financeiras e organizacionais. Assim, esta categoria aborda as dificuldades relatadas pelos participantes, considerando tanto os obstáculos quanto os fatores facilitadores presentes em suas experiências.

As questões referentes às barreiras à adesão ao tratamento fisioterapêutico foram agrupadas por abordarem fatores relacionados à rotina diária, às condições financeiras e às dificuldades enfrentadas para manter a reabilitação.

Tabela 6 – Barreiras à Adesão ao Tratamento Fisioterapêutico (n = 20).

Variável

Categoria

n

%

Algo no dia a dia que dificulta a ida às sessões de fisioterapia?

Sim

1

5,26%

Não

13

68,42%

Às vezes

1

5,26%

Dificuldades para realizar ou manter o tratamento fisioterapêutico?

Nenhuma dificuldade

1

5,26%

Tem dificuldade

3

15,79%

As condições financeiras influenciam na continuidade do tratamento fisioterapêutico?

Sim

15

75,00%

Não

5

25,00%

Fonte: Barbosa, L. D. C. S.; Alencar, A. C.; Cardoso, L. G. S. N., 2026.

A análise dos dados apresentados na Tabela 6 evidencia que, embora a maioria dos participantes (55,00%) tenha relatado não apresentar dificuldades para comparecer às sessões de fisioterapia, uma parcela significativa indicou enfrentar obstáculos no cotidiano, sendo 30,00% com dificuldades frequentes e 15,00% que as vivenciam ocasionalmente. Esses dados demonstram que, ainda que a adesão esteja presente na maior parte da amostra, existem barreiras relevantes que podem comprometer a regularidade do tratamento, especialmente quando associadas a fatores como trabalho, transporte e responsabilidades familiares.

Outrossim, observou-se que 70,00% dos participantes não percebem impacto financeiro na continuidade do tratamento, enquanto 30,00% relataram interferência econômica, indicando que o peso das condições financeiras não é homogêneo entre os indivíduos, mas permanece significativo para uma parcela importante da amostra. No que se refere às dificuldades gerais para manter o tratamento, 65,00% dos participantes relataram limitações, reforçando que, mesmo diante de motivação, fatores externos podem interferir diretamente na continuidade da reabilitação.

No que tange às dificuldades no dia a dia para comparecer às sessões de fisioterapia, destacaram-se fatores relacionados à organização da rotina, especialmente o trabalho, o transporte e responsabilidades familiares, como evidenciado nos relatos:

“Sim, por conta do horário do atendimento que é no horário do trabalho.” (P3)

“Às vezes, acabo atrasando por conta do horário do trabalho.” (P4)

“Às vezes, quando os netos estão em casa eu não consigo ir.” (P10)

“Sim, o transporte e o dinheiro. Na maioria das vezes, dependo dos meus filhos para ir ao atendimento, e quando tento ir sozinha, a aposentadoria não é suficiente para pagar o transporte.” (P11)

A análise dessas falas evidencia que a adesão ao tratamento não está dissociada da dinâmica cotidiana dos participantes, sendo diretamente impactada por demandas laborais, responsabilidades familiares e limitações de mobilidade. Esse achado se aproxima com o que Alzakri, et al. (2023) descrevem como entraves práticos à continuidade do cuidado fisioterapêutico, especialmente em contextos nos quais há longas distâncias, custos de transporte e limitações na organização da rotina diária.

A presença desses fatores sugere que a adesão ao tratamento depende não apenas da disposição do paciente, mas também da acessibilidade ao serviço e da flexibilidade da proposta terapêutica. Esses fatores evidenciam a importância de estratégias como flexibilização de horários e individualização do tratamento para favorecer a adesão (Teo; Zhen; Bird, 2022).

Acerca da influência das condições financeiras na continuidade do tratamento fisioterapêutico, embora a maioria dos participantes tenha relatado não perceber interferência econômica, uma parcela significativa evidenciou dificuldades relacionadas aos custos do tratamento, do transporte e das despesas cotidianas, como demonstrado nas falas a seguir:

“Sim, o tratamento particular é muito elevado e acaba demandando muito do meu salário.” (P3)

“Sim, além de trabalhar em algumas situações necessito de ajuda da minha filha para pagar o tratamento.” (P4)

“Sim, porque por conta que a pensão que eu recebo não consegue ser suficiente para colocar gasolina no carro, comprar meus medicamentos e para fazer a compra do mês.” (P11)

“Sim, por conta do valor do transporte que é muito caro por eu morar um pouco longe da clínica.” (P16)

Esses relatos demonstram que, para parte dos participantes, a permanência no tratamento compete com outras necessidades essenciais do cotidiano, evidenciando a sobreposição entre demandas de saúde e condições socioeconômicas. Esses resultados indicam que o impacto econômico não é uniforme entre os indivíduos, mas permanece como um fator significativo para aqueles em situação de maior vulnerabilidade. Essa realidade é compatível com achados prévios que apontam que barreiras financeiras frequentemente comprometem a continuidade das sessões e a execução dos exercícios, especialmente em cenários de poucos recursos (Salifu et al., 2025).

No que concerne às principais dificuldades para realizar ou manter o tratamento fisioterapêutico, observou-se que a maioria dos participantes relatou limitações relacionadas ao tempo, ao trabalho, ao transporte e à condição financeira, além da dependência de terceiros para o deslocamento, como evidenciado nos relatos:

“O tempo que é corrido, passo um tempo relativo no atendimento o que me faz perder horas de trabalho.” (P3)

“O trabalho, por conta do horário do atendimento que é no mesmo horário do meu expediente de trabalho.” (P4)

“O financeiro, porque a fisioterapia é um custo extra, e às vezes precisamos abdicar de algumas coisas em prol da nossa saúde.” (P5)

“O translado, preciso de alguém para me trazer ou me acompanhar nas sessões.” (P13)

“O valor do transporte público que está muito elevado.” (P16)

“Condição financeira, porque quando eu não tenho dinheiro ou minhas filhas não me dão dinheiro eu não consigo vir para o atendimento.” (P17)

“A falta de tempo para realizar as sessões de atendimento, porque sou uma pessoa muito atarefada, tenho muita coisa para fazer no serviço.” (P20)

Essas falas reforçam que as barreiras à adesão são multifatoriais e interdependentes, envolvendo tanto aspectos objetivos quanto subjetivos da vida dos participantes. Outro aspecto relevante identificado foi a dependência de terceiros para o deslocamento até a clínica. A necessidade de apoio familiar ou de cuidadores pode funcionar como facilitador ou como obstáculo, a depender da disponibilidade de suporte e da organização da rede de cuidado. Ikenna, et al. (2022) destacam que a presença do cuidador e a qualidade da relação entre paciente e fisioterapeuta influenciam diretamente o comprometimento com os horários e com a continuidade terapêutica.

Em compensação, alguns participantes referiram não apresentar dificuldades para manter o tratamento, evidenciando a presença de fatores facilitadores individuais e contextuais, como proximidade da clínica, organização da rotina e priorização da saúde, conforme os relatos:

“Eu moro próximo à clínica, não tenho dificuldades para vir pro atendimento.” (P8)

“Eu venho para o atendimento independente do meio de transporte [...] opto por atendimentos mais acessíveis.” (P9)

“Para mim, a fisioterapia, a minha saúde é prioridade.” (P12)

Esses relatos demonstram que a adesão também pode ser favorecida por fatores facilitadores, tais como percepção positiva do tratamento, maior autonomia e menor custo logístico para comparecimento às sessões. Ganesh, et al. (2023) apontam que expectativas favoráveis, boa relação com o fisioterapeuta e percepção de benefício tendem a fortalecer o engajamento do paciente, enquanto a autoeficácia contribui para a manutenção das rotinas terapêuticas.

Em sumo, os achados desta categoria evidenciam que a adesão ao tratamento fisioterapêutico é um fenômeno complexo, influenciado por múltiplas dimensões que incluem fatores econômicos, estruturais, sociais e individuais. A compreensão dessas barreiras reforça a necessidade de estratégias terapêuticas que considerem a realidade dos pacientes, promovendo maior acessibilidade, flexibilidade e suporte no processo de reabilitação.

4. CONCLUSÃO

O presente estudo teve como objetivo analisar os fatores biopsicossociais envolvidos na adesão ao tratamento fisioterapêutico em pacientes com dor musculoesquelética crônica, considerando as dimensões biológicas, psicológicas e sociais que permeiam essa experiência. A partir da integração entre dados quantitativos e qualitativos, foi possível compreender a complexidade do fenômeno investigado, evidenciando que a adesão ao tratamento não se configura como um comportamento isolado, mas como um processo com multifaces, dinâmico e profundamente influenciado pelo contexto de vida dos participantes.

Os resultados demonstraram que os objetivos propostos foram plenamente alcançados. No que se refere à caracterização da dimensão biológica, evidenciou-se que a dor musculoesquelética crônica apresenta caráter persistente e recorrente, com variações de intensidade, localização e manifestação, confirmando sua natureza multifatorial. A análise das concepções sobre a dor revelou a coexistência de diferentes modelos explicativos, com predomínio de uma compreensão centrada nos aspectos físicos e fisiopatológicos da dor, mas também com presença de compreensões biopsicossociais e integrativas, indicando diferentes níveis de entendimento por parte dos participantes.

No âmbito dos fatores psicológicos, os achados evidenciaram a influência significativa de aspectos emocionais, como ansiedade, estresse e preocupações cotidianas, na intensificação da dor, reforçando a inter-relação entre mente e corpo. Essa dimensão também se mostrou relevante na forma como os indivíduos interpretam sua condição e se engajam no tratamento, destacando o papel da subjetividade na experiência dolorosa.

Em relação à adesão ao tratamento fisioterapêutico, observou-se que a motivação dos participantes está fortemente associada à percepção de melhora, ao bem-estar durante o atendimento, ao acolhimento no ambiente terapêutico e à qualidade do vínculo terapêutico estabelecido com os profissionais. Esses elementos se configuram como fatores centrais para a continuidade do tratamento, evidenciando a importância de práticas assistenciais humanizadas, centradas no paciente, baseadas na escuta qualificada e na construção de relações de confiança.

No que concerne aos fatores sociais, verificou-se que o suporte familiar e comunitário exerce papel fundamental na adesão, atuando como importante facilitador do processo terapêutico. Em contrapartida, a ausência de compreensão ou apoio adequado pode representar um obstáculo adicional à continuidade do cuidado. Esse achado reforça a importância da rede de apoio no processo de reabilitação, ampliando a análise para além do indivíduo.

Por outro lado, foram identificadas barreiras significativas à adesão, relacionadas principalmente a fatores estruturais e econômicos, como dificuldades de transporte, incompatibilidade de horários com o trabalho, limitações financeiras e dependência de terceiros. Esses obstáculos evidenciam que, mesmo diante de motivação e percepção de benefício, a continuidade do tratamento pode ser comprometida por condições externas ao controle do paciente.

De forma integrada, os achados deste estudo evidenciam que a adesão ao tratamento fisioterapêutico é diretamente influenciada pela interação entre fatores psicológicos, sociais e estruturais, confirmando a relevância do modelo biopsicossocial na compreensão da dor musculoesquelética crônica. Essa interdependência demonstra que intervenções eficazes devem considerar não apenas os aspectos físicos da dor, mas também os elementos emocionais, relacionais e contextuais que permeiam a experiência do paciente.

Nesse sentido, reforça-se a importância de uma abordagem integral, centrada no paciente, que considere não apenas os aspectos clínicos da dor, mas também seu contexto de vida, incluindo fatores emocionais, sociais e econômicos que influenciam diretamente a adesão ao tratamento. Do ponto de vista prático, os resultados apontam para a necessidade de estratégias terapêuticas mais flexíveis e individualizadas, que promovam educação em saúde, fortaleçam o vínculo terapêutico, favoreçam a escuta qualificada e incluam, sempre que possível, a rede de apoio familiar no processo de reabilitação. Reforça-se a importância de políticas e práticas que ampliem o acesso aos serviços de saúde, reduzindo barreiras estruturais que dificultam a continuidade do cuidado.

Como limitações do estudo, destaca-se o tamanho da amostra e o caráter localizado da pesquisa, o que pode restringir a generalização dos resultados. No entanto, tais limitações não comprometem a relevância dos achados, uma vez que o enfoque qualitativo permitiu aprofundar a compreensão das experiências dos participantes.

Recomenda-se que estudos futuros ampliem a investigação para diferentes contextos e populações, bem como explorem intervenções voltadas à redução das barreiras identificadas e ao fortalecimento dos fatores facilitadores da adesão ao tratamento. Por tanto, espera-se contribuir para o desenvolvimento de práticas mais eficazes e integradas no cuidado à dor musculoesquelética crônica.

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ANEXO A – Parecer Consubstanciado do CEP

 

ANEXO B – Declaração dos Pesquisadores

Tela de computador com texto preto sobre fundo branco

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Texto, Carta

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ANEXO C – Autorização para Realização de Pesquisa no Serviço Escola Integrado de Saúde Carolina Freitas Lira do Centro Universitário Santo Agostinho
Texto, Carta

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ANEXO D – Autorização para Realização de Pesquisa na Clínica Mariana Sanchez LTDA

APÊNDICE A – Questionário de Avaliação das Implicações Biopsicossociais na Adesão ao Tratamento Fisioterapêutico em Pacientes com Dor Musculoesquelética Crônica

APÊNDICE B – Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE)
Doutora em Biologia Celular e Molecular Aplicada à Saúde (ULBRA/RS). Mestre em Genética e Toxicologia Aplicada (ULBRA/RS). Especialista em Psicologia Clínica (FATEP/FAESP) e Saúde Mental (IBPEX). Docente do Centro Universitário Santo Agostinho (UNIFSA). E-mail: [clique para visualizar o e-mail]acesse o artigo original para visualizar o e-mail. ORCID: https://orcid.org/0000-0002-8191-102X

1 Doutora em Biologia Celular e Molecular Aplicada à Saúde (ULBRA/RS). Mestre em Genética e Toxicologia Aplicada (ULBRA/RS). Especialista em Psicologia Clínica (FATEP/FAESP) e Saúde Mental (IBPEX). Docente do Centro Universitário Santo Agostinho (UNIFSA). E-mail: [clique para visualizar o e-mail]acesse o artigo original para visualizar o e-mail. ORCID: https://orcid.org/0000-0002-8191-102X.

2 Discente em Fisioterapia do Centro Universitário Santo Agostinho (UNIFSA). E-mail: [clique para visualizar o e-mail]acesse o artigo original para visualizar o e-mail. ORCID: https://orcid.org/0009-0002-6875-0476.

3 Discente em Fisioterapia do Centro Universitário Santo Agostinho (UNIFSA). E-mail: [clique para visualizar o e-mail]acesse o artigo original para visualizar o e-mail. ORCID: https://orcid.org/0009-0002-2047-429X.